Fazer a diferença realmente vale a pena. Paulo Eduardo de Freitas Botti é um executivo que sempre faz coisas que tornam a indústria de seguros mais interessante. Hoje ele é CEO da Terra Brasis Re, uma empresa controlada pelo fundo Plural Capital. A resseguradora local aguarda autorização da Susep para operar, mas já dá sinais de que vai ser grande. O grupo conta com investimento acionário do IFC – International Financial Corporation, empresa pertencente ao Banco Mundial, o que ajudará a companhia a se diferenciar no mercado.
Uma boa mostra da intenção da Terra Brasis está na qualidade dos relatórios que vem produzindo. Hoje tive acesso a um sobre catástrofes, algo praticamente inédito no Brasil. Tanto a catástrofe quanto o estudo feito com foco no mercado local. Apesar do dizer popular que o Brasil é um país abençoado por Deus, infelizmente a verdade é que o país não está livre de catástrofes naturais, comenta Botti. Temos no território nacional a presença de alagamentos, inundações, secas e incêndios. Temos também vendavais e granizos e esporadicamente ciclones e terremotos, mostra o relatório. “O Brasil tem experimentado eventos de intensidade normalmente não usuais em nossa região”, revela o estudo de 26 páginas.
São descritos alguns aspectos importantes do país, incluindo o Polígono da Seca, os efeitos El Nino e La Nina e o ciclone Catarina que atingiu Santa Catarina em 2004. “O investimento que fazemos em pesquisa nesta área demonstra nosso comprometimento com os objetivos fundamentais da indústria de seguros e resseguros, como um dos agentes responsáveis pela identificação e gerenciamento de riscos˜, diz Botti.
Nos últimos 30 anos foram computados 147 desastres no Brasil, portanto, uma média de quase cinco eventos por ano. O número de acontecimentos fatais chegou a 5.615 com mais de 48 milhões de pessoas afetadas. Isso resulta em uma média de 187 mortos e mais de 1,6 milhões de pessoas afetadas por ano. O banco de dados mostra um prejuízo econômico de cerca de U$ 10 bilhões para o período, média de U$ 338 milhões por ano. “Entretanto acreditamos que esta estimativa de prejuízo está subestimada, uma vez que vários dos eventos listados não apresentam dados quanto aos danos econômicos”, comentam os autores do estudo.
Dentre os desastres listados nota-se que inundações são os eventos mais frequentes, representado 81 dos 147 eventos computados, ou seja, 55% das ocorrências. Deslizamentos, Epidemias, Tempestades e Secas também são eventos representativos no quadro de ocorrências de catástrofes naturais brasileiras, cada um representando entre 8% a 12% do total de eventos. O Brasil também não foi imune a temperaturas extremas, queimadas, terremotos e infestações de insetos, porém a ocorrência destes tipos de eventos foi relativamente baixa nos últimos 30 anos.
Nos últimos trinta anos do Brasil as inundações são os desastres mais frequentes e de maior impacto quanto ao número de mortes, Entretanto, quanto ao número de vidas afetadas, as grandes secas ocorridas no Brasil trazem maiior sofrimento. Ambas tem efeito economico devastador, tanto para as familias como para o governo, que tem elevados gastos com os desastres. Muito maiores do que o gasto com prevenção de desastre. Em 2010, por exemplo, R$ 2 bilhões foram gastos em resposta e apenas R$ 18 milhões em prevenção.
Entre os objetivos empresariais da Terra Brasis Re está o de conhecer tecnicamente os riscos brasileiros e ao pesquisar, reunir, estudar e divulgar estas informações, nossa companhia almeja compartilhar este conhecimento com seus clientes e com o mercado de seguros como um todo, incentivando investimentos públicos e privados no sentido de prevenir, reduzir e transferir riscos catastróficos do mercado brasileiro”.
Esta primeira divulgação das informações sobre catástrofes naturais brasileiras está sendo feita através de uma edição especial do Terra Report. No futuro a divulgação destas informações será feita através de um relatório periódico específico. Com certeza os jornalistas vão agradecer ter estudos como esse para divulgar.

















