Fenaprevi prioriza medidas de estímulo ao setor

Por Denise Bueno em 31/07/2009

ca3xng3hcaa6mg80cad8pai6cadn6tlxcaz3ottwcaaefyopcar0218rcai1n8cgcaiv3uh4cazkze40calm4084caq5afrfca3akjufcauq8v70caqf8l8ncafd5q9wcan7xydicafdtb0fcaw6ls14A redução da taxa básica de juro da economia num ritmo maior do que o esperado — de 13,75% em janeiro para 8,75% em julho, com viés de baixa — trouxe um desafio a mais para as empresas de previdência privada e vida, que já debatiam formas de elevar a captação de recursos diante dos efeitos da crise mundial.

“Este cenário, que todos nós sonhamos há anos para o Brasil, mudará significativamente os tipos de produtos e a forma de distribuição de planos de previdência e de vida no Brasil”, disse disse Renato Russo (foto), vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), na abertura do II Seminário Internacional de Marketing e Vendas de Vida e Previdência, realizado no dia 30 de julho, em São Paulo.

O grande desafio das empresas, segundo Russo, está em orientar os participantes a buscar novas alternativas de investimentos, com diversificação do portfólio. Com taxas de juros declinantes, os poupadores que quiserem taxas mais elevadas de retorno de capital precisarão aprender a aplicar em ativos de maior risco, como ações. Para ganhar neste tipo de investimento é preciso pesquisar o tema ou recorrer a um consultor financeiro para não perder dinheiro. Ainda mais por envolver benefícios fiscais, que se bem usados podem trazer ganhos significativos no longo prazo.

Como a velha e tradicional caderneta de poupança está oferecendo um rendimento maior do que grande parte dos fundos de previdência — TR mais 6% ao ano, livre de tributos e taxas — , as alíquotas dos planos PGBL e VGBL precisam ser revistas. “Nesta nova realidade, a grande responsabilidade é equacionar as taxas dos planos e buscar formas de rentabilizar a operação para recompor as margens”, diz.

Ao mesmo tempo em que a queda de juros impõe desafios para as empresas de previdência traz também oportunidades. A entidade estima que as vendas do setor evoluam até 12% este ano, para R$ 35,6 bilhões, pouco abaixo da expansão verificada em 2008, de 13,3%, com captação de R$ 31,8 bilhões. Para manter o ritmo de crescimento em dois dígitos, a Fenaprevi elegeu cinco pontos principais para serem tratados pela entidade neste ano.

O primeiro deles e em estágio mais avançado é a aprovação junto ao governo dos novos produtos de previdência privada direcionado a acumulação de reservas para gastos com saúde e educação. Tais produtos, segundo a entidade, terão incentivos fiscais diferenciados, caso o projeto seja aprovado pelo governo. “As negociações com a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e Secretaria Econômica estão avançadas e acreditamos que ainda neste ano o projeto estará aprovado”, disse Renato Russo.

O desenvolvimento de uma tábua biométrica de referência, para ser usada por todo o setor no desenvolvimento de produtos com maior segurança estatística, está em estágio avançado. Segundo Renato Russo, o estudo estará finalizado ainda neste ano.

O desenvolvimento do microsseguro é outro tema que está na pauta do dia a dia da Fenaprevi. Um amplo estudo realizado por uma comissão esta sendo finalizado e será entregue para o governo nos próximos dias. O projeto prevê a regulamentação do microsseguro, que visa atender a emergente camada social brasileira que ingressa no mercado de consumo. “Temos de ter produtos que atendem a estes novos consumidores e canais de distribuição que facilitem o acesso deste publico a indústria de seguros”.

Outro desafio do setor é adequar-se as novas regras de solvência que a Susep desenvolve para o segmento de previdência. Até agora, as normas implementadas englobaram as operações de vida em grupo e de ramos elementares. Está em curso a ampliação das regras de capital mínimo baseado em risco para as operações de previdência e de vida individual. “Isto vai demandar novos aportes de capital e estamos empenhados em fazer com que a implementação aconteça de forma coordenada”, diz o representante da Fenaprevi.

O quinto projeto da entidade, e também prioritário, segundo Russo, é a revisão de todas as regras tributárias do segmento, tanto as que se referem aos produtos como às empresas, uma vez que administram recursos de longo prazo, otimizando a poupança interna que dá sustentabilidade ao crescimento do País. “Precisamos desonerar a atividade para buscar maiores taxas de crescimento”.

 

 

Em busca do poupador da caderneta*

Por Denise Bueno em 29/05/2009

images7O anúncio de que o governo realmente vai mudar a forma de calcular o rendimento da velha caderneta de poupança criou um clima de grande expectativa entre as empresas de previdência privada aberta. A grande questão é como atrair a atenção dos investidores que questionam mudar o perfil de investimento diante das mudanças. Afinal, a caderneta totalizou em abril deste ano patrimônio superior a R$ 270 bilhões. Quase o dobro do volume depositado em fundos de previdência aberta, com pouco mais de R$ 140 bilhões.

“A previdência aberta é o melhor investimento de longo prazo do Brasil em razão dos benefícios fiscais que o governo concede”, dispara Osvaldo do Nascimento, diretor de previdência do Itaú Unibanco (foto). “Quem sabe usar o benefício concedido pelo governo ganha dinheiro. Mas é preciso se planejar. Se sacar antes pode perder a vantagem fiscal”, acrescenta o especialista no assunto.

O ciclo de queda da taxa básica de juro da economia, com a Selic em 10,25% em abril, acabou tornando a caderneta de poupança mais rentável que algumas aplicações financeiras de renda fixa. Para que o produto continue voltado para o pequeno investidor, os bancos teriam de baixar as taxas cobradas nos fundos de investimentos para evitar saques de investidores de fundos de investimentos migrando para a poupança. Outra saída é o governo alterar a forma de cálculo do rendimento, que atualmente rende a Taxa Referencial mais 6% ao ano. Em abril, por exemplo, a poupança rendeu 0,55%, empatando com fundos de renda fixa.

De um lado os bancos sem ânimo para baixar as taxas que remuneram a administração dos recursos dos fundos. De outro o governo temeroso de que os principais compradores de títulos públicos, os fundos, deixem de aplicar nos papéis do governo, que rendem em média 11% ao ano, para ter um rendimento maior na caderneta de poupança. Deste rendimento, o banco cobra uma taxa de administração e o governo imposto de renda. A poupança, isenta de taxas e imposto, totaliza, em média, 7% ano ano. Ou seja, dependendo das taxas cobradas a rentabilidade da poupança pode superar a dos fundos.

Segundo cálculos de consultores, um fundo de investimento em renda fixa, com ativos aplicados por mais de um ano para considerar tributação de 20% de imposto de renda, com taxa de administração de 1,5% já começa a apresentar uma rentabilidade líquida igual a da tradicional caderneta. Os fundos de previdência para pequenas quantias costumam cobrar taxas de administração entre 1,5% e 2,5% ao ano sobre o patrimônio e também cobram a taxa de carregamento sobre os aportes.

A vantagem dos produtos vendidos pelas empresas de previdência, PGBL e VGBL, é o benefício fiscal, argumentam os executivos. “É possível ganhar mais na previdência porque se paga menos imposto. A caderneta não é tributada sobre o ganho, mas tem um rendimento limitado”, diz Nascimento.

Para ilustrar sua afirmação, o executivo usa o exemplo de um pai que quer poupar para a educação do filho. O PGBL permite o abatimento de até 12% da renda bruta na declaração anual completa de imposto de renda. Ou seja, o participante poderá reduzir o valor do imposto a pagar ou aumentar a restituição de IR. Ao aplicar em um VGBL, a cobrança do imposto será sobre o rendimento e não sobre o valor total como no PGBL. Usando a tabela progressiva, é possível recuperar o imposto pago na declaração anual de ajuste caso o jovem ainda esteja fora do limite de renda exigido pela Receita Federal ao ter o abatimento de despesas com educação. “A sofisticação tributária tem um grande efeito para quem a entende”, diz o executivo da Itaú Unibanco.

Além do argumento do incentivo fiscal, as empresas correm atrás de diferenciais para conquistar os clientes da caderneta. As taxas e o valor mínimo dos depósitos mensais são as primeiras iscas. A Caixa Seguros, de olho no pequeno investidor da caderneta de poupança, baixou o valor do depósito mínimo de R$ 50 para R$ 25, informa Juvêncio Braga, diretor de previdência da Caixa. “Nossas taxas também estão sendo realinhadas. Hoje temos taxas de carregamento de 0,7%”.

Na Porto Seguro, o diferencial vem da cobrança da taxa de carregamento feita somente na saída. E se a aplicação superar 60 meses, o custo é zero, informa Silas Kasahaya, gerente comercial de Vida e Previdência da Porto Seguro. Parece um benefício banal, mas não é. No investimento de longo prazo e com juros reais baixos, qualquer ponto percentual faz uma grande diferença.

Uma contribuição de R$ 500 mensal, por exemplo, vai toda para a reserva. Se houvesse cobrança da taxa de carregamento, de 3%, por exemplo, a reserva contaria com R$ 485. Ao final de 20 anos, considerando-se uma taxa de juro de 10% e 1,5% de taxa de administração anual, a reserva será de 296,4 mil. Se considerar a taxa de carregamento, o valor acumulado cairá para R$ 287 mil. Quase R$ 10 mil de diferença.

A Brasilprev, braço de previdência do Banco do Brasil, lançou um simulador para facilitar a compreensão do consumidor sobre o efeito dos juros compostos, ou seja, juros sobre juros. Com poucos cliques o internauta pode saber quanto precisa depositar mensalmente para ter uma poupança no período que desejar. “O sistema mostra qual o plano mais apropriado, bem como o fundo que os recursos serão alocados”, informa em nota o diretor de produtos e mercado da Brasilprev, José Eduardo Vaz Guimarães.

Segundo Edson Franco, diretor de previdência do Santander, uma das vantagens do plano de previdência é a flexibilidade. “É possível interromper a contribuição em um momento de dificuldade e fazer aportes esporádicos quando tiver uma renda extra para seguir o objetivo de acumulação traçado no início do investimento”, diz.

A Icatu Hartford criou um serviço diferenciado para clientes e não clientes. Trata-se do site www.felicidadeinternabruta.com.br. Nele é possível acompanhar dicas de como cuidar bem do bolso, da mente, do corpo e do mundo. Uma delas é investir em alguma coisa que você só vai usar no futuro.

A MetLife lançou um produto que calibra as aplicações de acordo com a idade dos clientes. Quanto mais jovem, maior o percentual investido em ações. E quanto mais próximo de atingir o objetivo, maior é a fatia da renda fixa para que o participante não corra o risco de ter uma baixa dos mercados acionários e ficar sem tempo de recuperar.

Renato Russo, vice-presidente da SulAmérica, e Bento Zanzini, vice-presidente da Mapfre, enumeram outras vantagens das empresas independentes, como a variedade de gestores de recursos, taxas de rentabilidade mais competitivas, custos menores e treinamento do canal de distribuição de produtos. Ambos afirmam investir muito no treinamento dos corretores para que eles sejam consultores financeiros de seus clientes.

A conquista de novos clientes é uma boa oportunidade para os corretores, que ainda evitam o produto. Podem aumenta a receita com a comissão, melhorar o relacionamento com a seguradora e ajudar seus clientes a formarem uma poupança para realizarem projetos no futuro. “Mas a previdência é um bom investimento no longo prazo e para quem usa os benefícios fiscais”, alerta Renato Russo. Para quem tem poucos recursos e corre o risco de precisar sacar no curto prazo, a velha e tradicional caderneta é a mais recomendada.

*Artigo publicado na revista Apólice - Maio 2009

 

 

O desafio é conquistar a geração Ipod*

Por Denise Bueno em 01/05/2009

ca2zhk3dca04jj6tcas3ib2ocaofxef1carzskglca0za2b6cacvkjkfcajp3is6ca4lj4cacaiaojizcarp215jcawp666kcaolfi7bcantg8dlcapnkgulcazf5ardcatls1ytcag1x4z6ca7u0uf3Os executivos de previdência privada aberta nunca trabalharam tanto. Estão atolados de desafios desencadeados com a crise financeira global e a queda da taxa básica de juros da economia. A etapa final do processo é conquistar os jovens, apelidados de “Geração Ipod” por especialistas internacionais. Os jovens usam MP3 não só por modismo. E sim porque eles mesmos querem escolher as músicas que vão ouvir. A mesma lógica é aplicada em previdência.

Segundo os especialistas, os mais jovens não têm memória inflacionária. Nunca conheceram alguém que tenha ficado rico aplicando na caderneta de poupança. Sabem que precisam correr riscos para ter um rendimento mais elevado. Vivem conectados. Não convivem com os amigos. Interagem. Idolatram jovens talentos que enriqueceram com projetos inovadores e com a valorização de ações de empresas como o Google ou Facebook, por exemplo.

Para conquistá-los, o primeiro passo é acalmar os pais que investem em planos de previdência para garantir o futuro do jovem. Desde a explosão da crise, em setembro do ano passado, o empenho foi mostrar que o setor estava sólido e que as empresas de previdência cumpriam regras rígidas de aplicação. As seguradoras não podem aplicar em derivativos descasados e têm limites - no máximo 49% do patrimônio - para apostar em ações, segundo explicou a Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão regulador das companhias. “Nenhuma empresa teve problemas nos últimos 30 anos”, ressalta o vice-presidente de vida e previdência da SulAmérica, Renato Russo.

Paralelamente, as empresas treinaram o call center para explicar aos clientes quais os impactos da crise nos investimentos de previdência. Conseguiram. O setor encerrou 2008 com crescimento, mesmo com elevado volume de saques. As contribuições em planos abertos evoluíram 13%, para R$ 31,8 bilhões, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Aberta e Vida (Fenaprevi). O segmento que mais cresceu foi o de planos para jovens, com 46%, para contribuições de R$ 2,9 bilhões. Por ter ainda uma participação pequena, este nicho é a grande aposta das empresas para os próximos anos.

A incógnita era o comportamento dos participantes que tinham migrado da renda fixa, um porto seguro para as aplicações de previdência, para a renda variável, numa busca por uma rentabilidade mais atraente diante do quadro de juros decrescentes da economia brasileira. “A previdência aberta no Brasil é uma indústria nova. A maturidade do investidor surpreendeu. Tivemos pouca migração de clientes dos planos com ações para planos conservadores, com 100% em renda fixa”, conta Juvêncio Braga, da Caixa Seguros.

Os resgates, que cresceram entre outubro e janeiro, também cessaram. Em fevereiro deste ano, os depósitos superaram os saques, gerando captação líquida positiva de R$ 1,07 bilhão, 74% acima dos R$ 400 milhões registrados em janeiro, segundo dados do site Fortuna. “A rentabilidade foi preservada nos planos de renda fixa. No caso dos fundos com aplicações em renda variável, os clientes sentiram a queda do valor dos ativos com o recuo da bolsa”, afirma Renato Donatello, diretor de investimentos da Brasilprev, empresa de previdência privada aberta do Banco do Brasil, em parceria com a americana Principal e Sebrae. O Ibovespa encerrou o ano com baixa de 41%. “Mas já se observa uma boa recuperação e alguns fundos já compensaram integralmente a queda gerada pela crise.”

O desafio agora, passado o pior da crise, é reter o investidor e atrair novos participantes para garantir o crescimento. “Claro que não teremos os índices de evolução dos últimos anos, mas fecharemos o ano com taxas positivas”, garante Lúcio Flávio Conduru de Oliveira, diretor geral responsável pela Bradesco Vida e Previdência, líder do setor.

A intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de alterar a fórmula de calcular o rendimento da tradicional caderneta de poupança trouxe um tempero a mais para o setor. O assunto ainda está em estudo, mas já foi o suficiente para fazer com que as pessoas repensem seus investimentos. Aliado a este cenário, o Brasil passa por uma consolidação bancária. A briga pela liderança no ranking torna a oferta ao consumidor mais atraente em termos de rentabilidade e custos de taxas. Com produtos reformulados, as empresas correm atrás dos clientes.

O empenho das empresas num primeiro momento é tentar atrair recursos para os planos de previdência infantil, uma vez que os depósitos se caracterizam realmente com prazos superiores a dez anos. “Não há um investimento de longo prazo melhor do que os fundos de previdência”, garante Osvaldo do Nascimento, diretor de previdência do Itaú Unibanco, um dos maiores bancos do mundo. Numa segunda etapa, o setor pretende explorar o incentivo fiscal dado pelo governo para quem investe em previdência.

O participante não paga imposto enquanto o dinheiro está sendo acumulado, uma vez que no PGBL e no VGBL o rendimento é isento de tributação, o que o torna mais interessante do que os fundos de investimentos que sofrem tributação. A combinação do PGBL e da tabela progressiva para o jovem tem um efeito muito favorável, explica Nascimento.

Ao resgatar o patrimônio acumulado, o jovem estará estudando, com renda inferior ao teto da Receita Federal e despesas que podem ser abatidas. De cada R$ 100 de saque, por exemplo, pagará 15% de IR, valor que pode ser recuperado na declaração anual.

A combinação VGBL e tabela regressiva tem um efeito semelhante. “O valor será tributado no resgate, porém recuperado na declaração anual. Um efeito e tanto no longo prazo e que fica evidente neste cenário de baixas taxas de juros reais”, afirma.

A segunda parte da estratégia das empresas é conquistar a “geração Ipod”. Para convencê-los a manter os investimentos que os pais fizeram será preciso mais criatividade e transparência por parte das empresas. A maioria das seguradoras já disponibiliza serviços de previdência na internet e também no Iphone. Mas mesmo com tantos investimentos em tecnologia, o processo para saber quais as ações que compõem o fundo de previdência pode ser considerado pré-histórico.

É preciso entrar no site da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid) para consultar. E mesmo assim há atraso de quase quatro meses nas informações. “É uma tendência ter uma divulgação mais abrangente, um leque maior de opções de fundos para os jovens, principalmente em renda variável e buscar retorno no longo prazo atraente para este participante tão plugado”, diz Donatello, da Brasilprev.

*Matéria produzida com exclusividade para o suplemento especial Previdência Jovem do jornal Valor Econômico, no dia 30 de abril de 2009

 

 

Fôlego jovem*

Por Denise Bueno em 01/05/2009

images3Garantir a educação dos filhos está no topo da lista de preocupações de pais e avós quando o assunto é o futuro. “Fiz um plano de previdência para Gabriela e Luiz Gustavo logo que nasceram”, conta o atleta e empresário que acaba de lançar o livro para crianças “Tchibum!”, Gustavo Borges.
O nadador recordista em medalhas das Copas do Mundo (31, ao todo) e a esposa Bárbara (foto) esperam poder pagar a faculdade das crianças sem mexer no fundo, deixando a poupança para ser usada como um presente de formatura. “Mas, como o futuro é imprevisível, optamos por garanti-lo agora”, diz.

Assim também desejam os pais dos gêmeos Rafael e Daniela. O susto foi tão grande com a gravidez de gêmeos que até o plano de previdência veio em dose dupla. “Quando fui contar para meu sogro que tinha começado a poupança para garantir a educação das crianças, ele me disse que também havia adquirido o mesmo produto financeiro para elas”, conta Alexandre Pereira dos Santos. A mãe, Renata Húngaro, agradece, pois qualquer iniciativa para assegurar a educação dos filhos é preciosa, ainda mais num cenário profissional tão competitivo como o atual.

Motivado pela maior consciência dos pais em garantir uma educação diferenciada aos filhos, o segmento de previdência infantil cresce em média mais de 50% ao ano, passando de R$ 833 milhões em 2005 para R$ 2,9 bilhões em 2008. Já os planos voltados para aposentadoria registraram evolução média de 18% no mesmo período, encerrando 2008 com contribuições de R$ 31,8 bilhões e reservas superiores a R$ 140 bilhões.

“Hoje, de cada R$ 1 milhão destinados a planos de previdência, quase R$ 100 mil são investidos em planos para menores. Há 4 anos, eram R$ 40 mil”, compara Lúcio Flávio Conduru de Oliveira, diretor geral responsável pela Bradesco Vida e Previdência, dona de 63,7%, ou seja, mais da metade de toda a receita de planos para menores arrecadada no ano passado.

Uma das explicações para o interesse é que os pais despertaram para a necessidade de poupar. “A educação não se restringe a escola. É fundamental que ela seja dada em casa. E mexer com dinheiro é um dos pontos mais importantes da educação de uma criança”, diz Willian Eid, especialista em finanças pessoais da Faculdade Getúlio Vargas e autor de diversos livros.

A primeira lição que os pais podem dar aos filhos é a da disciplina. Uma recente pesquisa da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) mostrou que as pessoas tendem a poupar mais em momentos de crise. Por isso, o setor de previdência privada tende a sofrer impacto menor que outros setores com a desaceleração da economia e a evolução do desemprego. As estatísticas mostram que em momentos de dificuldades os saques ou suspensão dos depósitos ficam dentro da média nos planos de aposentadoria mas são raros nos planos infantis. “Se o pai precisa de recursos, busca em outras aplicações para evitar mexer na poupança do filho”, afirma Luis Martinez, gerente de produtos de previdência Icatu Hartford.

Outro ponto positivo para o setor é a intenção do governo em mudar o cálculo da rentabilidade da caderneta de poupança. “Sempre é o momento certo de pensar no futuro. As pessoas vão refletir sobre suas aplicações e perceberão as vantagens tributárias da previdência como uma aplicação de longo prazo”, diz Tarcísio Godoy, presidente da Brasilprev e diretor da Fenaprevi. Com tais justificativas, a estimativa da entidade é de contribuições de R$ 35 bilhões em planos de previdência em 2009, mantendo a expansão de 13% registrada em 2008, com o jovem vitalizando a demanda.

Para quem acha que a educação é o melhor investimento que se pode fazer para os filhos é bom pesquisar bem antes de contratar um plano. E mesmo aqueles que já o têm, como Gustavo Borges, precisam ficar atentos às novidades lançadas pelas empresas. “Será que estou pagando taxas muito elevadas por ter um plano antigo?”, questiona Borges ao parar para pensar no assunto.

É bom investigar, recomendam os analistas, pois a competição entre as empresas está acirrada. De um lado, grandes grupos beneficiados pela solidez diante da crise. Por outro, empresas independentes, com estrutura mais enxuta e que buscam atrair o consumidor com gestores diferenciados, isenção de taxa de carregamento, rentabilidade acima da média e serviços.

Antes de tomar qualquer decisão, é preciso ter em mente o objetivo para aproveitar o benefício fiscal que os produtos de previdência oferecem. “O Brasil tem os melhores incentivos fiscais do mundo. É preciso entendê-los. Quem souber usar, otimizará os ganhos no longo prazo”, afirma Osvaldo do Nascimento, diretor de produtos de previdência do Itaú Unibanco, que conta com mais de 250 mil planos para jovens em carteira.

O PGBL é indicado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda. Ele permite o abatimento de até 12% da renda bruta. Já o VGBL tem o ganho tributado no saque. É possível optar por duas tabelas de IR. A regressiva tem tributação de 35% de IR sobre os rendimentos no primeiro ano e cai para 10% no décimo ano, alíquota menor do que a aplicada em fundos de investimentos, de 15%. Já a tabela progressiva é mais indicada para quem vai compensar a alíquota de até 27,5% sobre os rendimentos na declaração anual de IR. “São vantagens importantes e que ficaram ainda mais competitivas com a tabela regressiva de Imposto de Renda”, diz Juvêncio Braga, diretor da Caixa Seguros.

O plano de previdência, ao contrário de outros produtos financeiros, traz a possibilidade do titular de agregar um seguro de risco, por um custo próximo a 2% do aporte mensal. “Em caso da morte ou invalidez do titular, o filho receberá o valor total previsto pelo participante”, explica Edson Franco, diretor de produtos de previdência do grupo Santander, onde o plano infantil representa 5% da base total de clientes de previdência, com reservas de R$ 47 milhões.

Este foi o diferencial que atraiu o casal de médicos Vera Lúcia Tavares Nakamura e Marcelino Yoshikazu. “Além dos benefícios fiscais, poder agregar um seguro de vida que complete o valor que estimamos que será necessário para nosso filho cursar o ensino médio no exterior foi decisivo para a nossa opção de poupança”, conta a endocrinologista Vera Lúcia. “E é melhor poupar desde já, pois estou com 46 anos. Daqui a dez, quando ele for para a universidade, terei 56 anos e a disposição para fazer plantões e ter uma renda extra diminui muito.”

Quanto mais cedo se começa a poupar, maior será o efeito no longo prazo. O fim da inflação trouxe mais transparência aos ganhos das aplicações financeiras, facilitando a comparação entre fundos. “E a portabilidade existe não só para celular e plano de saúde. Ela também existe para a previdência. Quem não estiver satisfeito com rentabilidade ou com os serviços prestados pode mudar, sem qualquer custo”, diz Bento Zanzini, vice-presidente responsável por vida e previdência na Mapfre Seguros, que viu sua carteira crescer no primeiro trimestre deste ano, principalmente pela portabilidade.

Mais recentemente, com a queda da taxa básica de juro, a Selic, o investidor passou a ter mais clareza ainda do efeito multiplicador dos juros. Um cálculo tradicional dos consultores financeiros mostra que um rendimento de 1% ao mês durante dez anos significa 230% no final do período em razão dos juros compostos, ou seja, juros sobre juros.

Segundo cálculos de Edson Lara, diretor de varejo do HSBC Seguros, quem comprar um plano para o filho assim que nascer e projetar uma renda de R$ 60 mil aos 18 anos - valor estimado do custo de uma universidade -, terá de fazer aportes mensais de R$ 130. Se começar esta poupança quando o filho tiver dez anos, terá apenas oito anos para compor os R$ 60 mil e precisará contribuir mensalmente com R$ 480, considerando-se rentabilidade anual de 6%.

Por isso, é bom ficar de olho nas taxas cobradas pelas empresas, pois meio ponto percentual faz uma grande diferença no longo prazo. A taxa de administração é cobrada anualmente sobre o patrimônio e a de carregamento é aplicada sobre os aportes. A concorrência tem feito com que várias empresas isentem os clientes com aportes elevados da taxa de carregamento. A taxa de administração, que há pouco tempo superava 4%, pode ser encontrada por menos de 1% ao ano.

Novos benefícios fiscais para tornar o produto ainda mais atrativo são negociados com o governo. A Fenaprevi tenta convencer o governo de que dar incentivos para educação e saúde desonera o governo, a medida empurra as pessoas para a iniciativa privada. “Estimular a poupança de longo prazo é um benefício enorme para as pessoas e também para o governo”, diz Renato Russo, vice-presidente da SulAmérica e da Fenaprevi.

Além disso, o estímulo amenizaria os impactos diretos na previdência oficial no longo prazo. O tema “custo da educação” tem tido o poder de mudar o futuro de um país. Ele tem sido muitas vezes um fator decisório no planejamento familiar. Já se tornou rotina escutar a célebre frase “se não fosse tão caro educar, teria outro” de mães de filho único. E o efeito de baixa natalidade pode ser devastador para um país. Afinal, quem alimentará a receita da previdência oficial para pagar os benefícios dos idosos de amanhã?

 

 

JMalucelli e Hannover: parceria

Por Denise Bueno em 14/02/2009

malucellihannoverO grupo Hannover Re, quinto maior ressegurador do mundo, e a JMalucelli Re, resseguradora local, assinaram uma parceria que visa impulsionar a venda de seguros de vida no Brasil, um segmento que representa menos de 10% das vendas totais das seguradoras brasileiras, excluído o VGBL, um produto de acumulação de renda. Menos de 3% do total dos prêmios de vida e acidentes pessoais, cerca de R$ 7 bilhões em 2008, conta com um programa de resseguro. Em países desenvolvidos, o ramo vida representa praticamente a metade das vendas totais de seguro, deixando claro o potencial do Brasil.

O acordo, válido pelo prazo de três anos e que prevê exclusividade, visa à construção de um relacionamento entre os dois grupos em prol da indústria de seguros brasileira. “A Hannover treinará a nossa equipe com seu know how e nós desenvolveremos negócios locais para ela com o relacionamento que temos com todo o mercado”, diz Alexandre Malucelli, presidente da JMalucelli Re.

Rudiger Mehl, membro do conselho executivo e responsável pelas operações internacionais da Hannover Life Re, está entusiasmado com o acordo. “O Brasil tem muito potencial na área de vida e saúde. E nos temos muitos produtos e capacidade de resseguro para ajudar as seguradoras brasileiras a aumentar as vendas neste segmento”, comentou durante almoço com jornalistas realizado em São Paulo.

O grupo Hannover tem como meta aumentar a fatia do ramo vida, mais rentável e menos sujeito a oscilações bruscas comparado ao ramo de bens, duramente afetado por catástrofes naturais nos últimos anos. “Nosso objetivo é elevar de 35% para 45% a participação do ramo vida no faturamento total do grupo”, informa Mehl.

Em 2008, o grupo Hannover Re faturou 3 bilhões de euros em prêmios de vida. Em janeiro deste ano anunciou a compra da carteira de vida da americana Scottish Re, adquirida pelo grupo ING em 2004, com prêmios anuais próximos a US$ 1,2 bilhão. A compra fará da Hannover Re a quinta maior resseguradora individual de vida. Na América Latina sua participação é de apenas 100 milhões em prêmios de vida.

A JMalucelli Re, por sua vez, focada em apólices de garantia, atingiu em menos de sete meses os planos traçados para os três próximos anos. “Isso nos permitiu iniciar já o desenvolvimento de negócios em outros segmentos”, conta Malucelli. Com operações iniciadas em junho, a JMalucelli Re encerrou 2008 com prêmios de R$ 130 milhões, atuando junto a seis seguradoras. Também almeja atender as necessidades de resseguro de países da América Latina, onde já entrou com pedido de autorização junto aos órgãos reguladores. A participação de resseguros e seguros, nicho em que é líder absoluto no ramo garantia, no resultado do Banco Paraná, controlador das empresas, foi expressivo: 31% em 2008.

Além da sinergia na área de vida, a parceria entre Malucelli e Hannover aumenta as chances de negócios em resseguro, uma vez que ambas poderão deter 100% dos contratos. Segundo a regulamentação do setor, resseguradoras locais têm a preferência de 60% dos negócios até o final deste ano e de 40% a partir de 2010. Assim, a alemã Hannover, autorizada como resseguradora admitida, passa a contar com o benefício da preferência da paranaense Malucelli, registrada como local.

 

 

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