Marsh compra corretora de seguros do HSBC
Por Denise Bueno em 21/12/2009
A Marsh, uma das maiores corretoras de seguros do mundo, confirmou a compra da corretora de seguros do HSBC, sediada em Londres, por 135 milhões de libras esterlinas. Segundo nota divulgada, além de absorver a corretora, a Marsh assinou um acordo de preferência, permitindo a ela ter acesso preferencial para fornecer serviços de corretagem de seguros e gestão de riscos para os clientes empresariais e particulares do HSBC.
A HSBC Insurance Brokers tem cerca de 1.400 funcionários localizados em 30 escritórios no Reino Unido, Oriente Médio e Ásia. Ela detém posições de destaque em outros países onde a Marsh pretende crescer de forma acentuada, incluindo a Europa, Arábia Saudita, Catar, China, Hong Kong, Índia, Cingapura, Coréia do Sul e Taiwan. No Brasil, a HSBC atua como corretora de resseguros. Nada foi dito em relação ao país na nota divulgada.
“Adquirir a corretora do HSBC é uma grande oportunidade para a Marsh, nossos clientes, colegas e para a equipe. Estamos particularmente animado com as oportunidades disponíveis para nós através do acordo de preferência com o HSBC. Ele nos permitirá aproveitar a rede global do HSBC, e as relações bancárias para gerar novos negócios “, disse o presidente da Marsh e executivo-chefe Dan Glaser. A Marsh manterá a corretora adquirida em uma unidade chamada Gibbs Hartley Cooper.
Para o HSBC, a venda também traz benefícios. Clive Bannister, diretor de seguro do HSBC Holdings, disse em nota que o acordo ajudará a melhorar a abrangência e a sofisticação dos serviços ofertados pelo banco aos clientes, ao mesmo tempo em que afina o foco estratégico sobre o modelo de bancassurance, permitindo ao banco manter ênfase nos produtos de vida, previdência e investimentos.
Fusões levam adrenalina ao mercado*
Por Denise Bueno em 22/10/2009
*matéria feita com exclusividade para o especial Seguros do Jornal Valor Econômico, que circulou dia 19 de outubro, Dia do Securitário
Quem pensa que as notícias sobre fusões, aquisições e parcerias na indústria de seguros se esgotaram está enganado. Muita coisa ainda vai acontecer para o setor atingir o nível de consolidação esperado pelos especialistas, principalmente na área de saúde.
De 2008 até outubro deste ano, foram divulgadas doze importantes transações entre seguradoras. As conversas não se limitam a seguradoras. Envolvem também resseguradoras e corretores. Algumas delas são fruto de negociações mundiais, um mercado aquecido em razão das perdas geradas pela crise financeira.
“Essa tendência deve se manter por mais algum tempo, porque grande parte das negociações visa fortalecer as empresas em função da concorrência”, diz o consultor de seguros Luiz Roberto Castiglione. As empresas buscam escala para compensar a perda do ganho financeiro gerada pela queda das taxas de juros, que até então compensavam os prejuízos operacionais, principalmente em segmentos como o de seguro de carro. “É fundamental reduzir custos neste cenário competitivo, onde o aumento de preço é praticamente um tiro no pé.”
As empresas também buscam fazer frente à necessidade de capital determinada pelas regras de risco, implementadas em 2008, com exigência gradual de aporte de recursos até 2011. Além do risco de subscrição, outros de mercado e financeiro serão incluídos na regulamentação que visa adequar a indústria de seguros brasileira aos padrões internacionais.
Planos de previdência, seguro de vida individual e títulos de capitalização são segmentos que serão incluídos nas normas e exigirão um robusto aporte de capital.
Aliado a este fato, os bancos passaram a se interessar pelo setor e são responsáveis pelos acordos que mudam a configuração do setor. A criação da Porto Seguro Itaú Unibanco Participações (Psiupar), anunciada em agosto, onde a Porto Seguro deterá o controle, ganhando o rótulo de “o negócio da década do setor de seguros”. No entanto, em outubro, o Banco do Brasil e a Mapfre anunciaram uma associação que deixou os analistas e concorrentes em dúvida sobre qual delas era a mais importante.
A disputa pelo canal de vendas do Banco do Brasil envolve um enorme número de seguradoras. A Mapfre foi a escolhida e deverá ficar com boa parte dos negócios. Segundo Aldemir Bendine, presidente do BB, a similaridade na cultura dos dois grupos teve peso importante.
Outro fator decisivo foi o contrato bem feito da Mapfre em 2005, quando comprou com ágio de 46%, por R$ 225 milhões, 51% da Nossa Caixa Vida e Previdência do governo do Estado de São Paulo, com direito de exclusividade de venda no balcão do banco, mesmo se vendido, por 20 anos. O banco paulista foi parar nas mãos do BB, que ficou preso ao contrato, e quer elevar o faturamento atual de R$ 10 bilhões com seguros para R$ 25 bilhões até 2012.
A Porto Seguro, apesar de liderar com folga as vendas em automóvel, vinha perdendo rentabilidade pela forte concorrência desencadeada pelos bancos. Resolveu seu problema ao associar-se ao Itaú Unibanco numa negociação que durou nove dias.
“A Porto Seguro e o Itaú Unibanco passarão a oferecer o que há de mais completo no mercado brasileiro para seus milhões de clientes e, em especial, para os corretores. Estamos nos entendendo muito bem e vejo que temos muito a fazer”, diz Jayme Garfinkel, presidente da Porto, que passou a deter 28% de market share em automóvel, com R$ 3,6 bilhões em prêmios até agosto. A parceria Mapfre e BB ficou em segundo, com R$ 1,8 bilhão.
Entre as outras aquisições de seguradoras há o Santander, que comprou a participação da Tokio Marine na Real Vida e Previdência e negocia o acordo de exclusividade de venda da seguradora japonesa garantido por dez anos na época da negociação, em 2005. Outra japonesa, a Yasuda, comprou 50% da Marítima Seguros, que ensaiou anos abrir o capital sem sucesso. A Minas Brasil, seguradora controlada pelo Banco Mercantil, foi comprada pelo grupo Zurich. A Mongeral, especializada em vida, fez acordo com a Aegon. A Liberty comprou a Indiana, da família Afif Domingos.
O setor de resseguros recebeu quase 70 resseguradoras desde 2008, quando o mercado foi aberto após 69 anos de monopólio. Na semana passada, o Banco do Brasil informou que pretende comprar a participação do governo no IRB Brasil Re, empresa de economia mista, com 100% das ações ordinárias nas mãos do Tesouro.
Das preferenciais, sem direito a voto, 50% pertencem ao governo e 50% estão pulverizadas entre as seguradoras, sendo Bradesco dona de 21% e Itaú Unibanco 18%. Trata-se de uma compra estratégica, que tirará os resseguradores da zona de conforto. Afinal, trata-se do governo aumentando sua fatia em um setor que acaba de privatizar.
Os corretores de seguros também são protagonistas de boa parte das fusões realizadas no setor. O grupo Aon tem sido um dos mais ativos, com mais de 15 compras nos últimos anos de corretores especializados, seja em nichos de negócios ou em regiões do país. “Estamos atentos a novas aquisições, pois nosso objetivo é estar ao lado do nosso segurado”, diz Fernando Pereira, vice-presidente da Aon.
A Lazam MDS aproveitou a crise para partir para um processo de internacionalização. “Estamos avaliando dez propostas de aquisição em seis países”, diz Eduardo Bom Ângelo, presidente da corretora que tem como controlador o grupo Suzano.
Depois de anunciar duas aquisições no início do ano, o grupo assinou em setembro um contrato para a formação de uma joint venture envolvendo quatro empresas, criando uma holding com uma carteira de prêmios superior a US$ 1,8 bilhão, o que lhe garante a 15ª colocação no ranking mundial de corretores.
Concentração do setor estimula especialização*
Por Denise Bueno em 22/10/2009
*Matéria feita com exclusividade para o especial Seguros do Jornal Valor Econômico que circulou no dia 19 de outubro de 2009, Dia dos Securitários
O crescimento do mercado de seguros estimula parcerias entre as empresas e a maior concentração nas vendas de apólices para veículos. A Porto Seguro, maior seguradora de carro do Brasil, ganha mais 4,5 mil pontos de distribuição do Itaú Unibanco. A Mapfre também agrega ao seu principal canal de vendas, o corretor, outros 12,5 mil pontos de atendimento, sendo 3.155 agências do Banco do Brasil.
Além disso, elas ganham abrangência nacional e internacional, uma vez que a parceria visa acompanhar a expansão dos bancos no exterior, além da disposição dos bancos em ofertar seguros para o consumidor. Até então, seguro perdia espaço para produtos financeiros como crédito, fundos e previdência. Tanto que a penetração de seguros na base dos clientes dos bancos não chega a 10%. “Temos muito para crescer”, afirma Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil, que pretende saltar dos atuais R$ 10 bilhões em faturamento para R$ 25 bilhões até 2012.
O desenho que se forma no setor é um em que os bancos dominam a venda de seguros massificados, com a presença do corretor nos negócios. A negociação entre Itaú e Porto e entre Banco do Brasil e Mapfre torna o setor de automóvel extremamente concentrado, com as cinco maiores donas de 90% das vendas. Mas isso não assusta as seguradoras especializadas, como Liberty, Allianz, Chubb e ACE. “Somos a única puro sangue do setor”, diz Acácio Queiroz, presidente da Chubb, seguradora sem vínculos bancários, que se destaca na oferta de apólices desenhadas sob medida para pessoas de alto poder aquisitivo.
Luis Maurette, presidente das empresas do grupo Liberty Mutual no Brasil, aposta na especialização. “Formatamos produtos sob medida, desde o seguro de automóvel até riscos específicos como os de satélites, e facilitamos a vida do corretor com investimentos em tecnologia”, afirma.
Max Thierman, presidente da Allianz, aposta também na especialização do maior grupo segurador da Europa, responsável por boa parte do seguro da Copa na Alemanha em 2006. “Nossa área de grandes riscos está mais do que preparada para conquistar as apólices de riscos de engenharia que serão demandadas já no próximo ano para garantir a realização da Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016″, diz. A ACE, especializada em seguros de eventos, montou um comitê só para prospectar negócios com os jogos mundiais, conta Paulo Tavares, diretor comercial da ACE.
Para Carlos Matta, consultor da PricewaterhouseCoopers, as seguradoras médias vão conquistar os clientes com serviços exclusivos e por classes sociais específicas. Já as grandes seguradoras vão explorar a presença geográfica que os bancos estão proporcionando. “O apoio dos bancos é de extrema importância para o crescimento do setor”, diz.
Segundo recente pesquisa divulgada pela FGV, apenas 16% da população brasileira possui algum tipo de seguro. O seguro saúde é o principal, com 12,9%, seguido de seguro de vida (4,3%) e automóvel (2,9%). Atualmente, as classes A e B, com renda mensal acima de R$ 4,8 mil, respondem por 46% da demanda por seguros. As classes C (até R$ 4,8 mil), D (R$ 1,1 mil) e E (R$ 800), que representam 85% da população, contribuem com 15,6%, 4,1% e 1,4% do total de seguros no país, respectivamente.
Um mercado e tanto, principalmente para duas prioridades do governo: produtos populares, com custo mensal a partir de R$ 10, e microsseguros, com prêmios de até R$ 5 para garantir necessidades básicas da população de baixa renda em caso de morte ou invalidez.
Dados como esses fazem o Brasil exibir um entusiasmo pouco visto na indústria mundial atualmente. Para se ter uma ideia do desânimo das seguradoras nos EUA, pesquisa realizada durante um evento da KPMG em Nova York, em setembro, revelou um dado interessante se comparado ao Brasil. Entre os 271 executivos de seguradoras americanas pesquisados, apenas 9% colocam a indústria em uma forte posição nos próximos anos.
Canadá proibirá bancos de vender seguro na web
Por Denise Bueno em 09/10/2009
Os bancos do Canadá enfrentam um sério problema. O Canadá pretende proibir os grandes bancos de comercializar produtos de seguro em seus sites, segundo divulgaram hoje as agências internacionais. O ministro das Finanças do país, Jim Flaherty, informou que a alteração na regra será feita no início do próximo ano, segundo carta divulgada aos bancos. O mercado de seguros do Canadá movimenta US$ 108 bilhões.
Entre os maiores bancos do Canadá estão nomes como Royal Bank of Canada , Toronto Dominion Bank, Bank of Nova Scotia , Bank of Montreal e Canadian Imperial Bank of Commerce. Todos eles têm como objetivo aumentar as vendas de seguros, assim como no Brasil.
Trata-se de uma batalha liderada pelos corretores há muitos anos, pois com o avanço dos bancos na área de seguros os profissionais de vendas vem perdendo mercado nos últimos anos. A lei do Canadá proíbe a venda direta de seguros em filiais. Recentemente, no entanto, os bancos conseguiram autorização para vender seguro pela internet, segundo parecer de advogados dizendo que o site do banco não é considerado agência.
Os bancos se mostraram chocados com o anúncio do ministro da fazendo do Canadá e pretendem recorrer da medida, principalmente porque o negócio seguro se tornou importante fonte de rentabilidade para as instituições.
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