Emergentes se destacam em estudo mundial de seguros

Por Denise Bueno em 20/12/2011

“Seguros em mercados emergentes: fatores de crescimento e rentabilidade” é o mais novo estudo da Sigma, da Seiss Re. O estudo concentra-se em duas das regiões que deram a maior contribuição para o crescimento dos prêmios nos mercados emergentes, a Ásia Emergente e a América Latina. Nos últimos dez anos, os prêmios de seguro nos mercados emergentes apresentaram o robusto crescimento real de 11,0% ao ano, em comparação com 1,3% nas economias industrializadas. É esperado que esse desempenho superior dos mercados emergentes se mantenha na próxima década e ele está atraindo a atenção das seguradoras globais, que examinam os mercados emergentes em busca de crescimento rentável, superior ao dos mercados maduros mais saturados.

Oliver Futterknecht, coautor do novo estudo sigma, comenta em nota: “Devido a seu porte, em termos absolutos os países industrializados continuam a dar a maior contribuição aos prêmios de seguros, mas os mercados emergentes estão se aproximando rapidamente. Em 2010, por exemplo, em termos nominais as economias industrializadas contribuíram com US$ 120 bilhões em prêmios adicionais, enquanto os mercados emergentes as seguiram de perto, com US$ 109 bilhões.

Nos últimos dez anos, a Ásia Emergente e a América Latina foram as regiões que mais contribuíram para o crescimento dos prêmios nos mercados emergentes. Isso foi determinado por diversos fatores, inclusive um ambiente econômico saudável, aprimoramento na regulamentação de seguros, inovação de produtos e aproveitamento de diversos canais de distribuição.

Segundo Futterknecht, “o ambiente econômico saudável, com inflação baixa, teve um efeito positivo sobre o crescimento dos prêmios de seguros na Ásia Emergente e na América Latina”. Além disso, em uma tentativa de estimular uma competição salutar, alguns mercados reduziram o envolvimento estatal e adotaram medidas regulamentares favoráveis ao setor. A inovação nos produtos também impulsionou o ritmo do crescimento de alguns setores, inclusive microsseguro e os seguros baseados nos preceitos islâmicos (takaful). O uso de múltiplos canais de distribuição também ajudou o setor segurador a atingir um público maior nos mercados emergentes.

Por exemplo, a distribuição pelo setor bancário, conceito virtualmente inexistente antes do ano 2000, ganhou importância em diversos países, principalmente no ramo vida. Seu rápido crescimento foi impulsionado principalmente por alterações regulamentares nos principais mercados emergentes, inclusive a Índia e a China. Amit Kalra, coautor do estudo sigma, comentou: “Na Índia, a distribuição via setor bancário respondeu por 22% dos prêmios gerados pelas empresas do setor privado em 2010. Com uma classe média em crescimento e mais de 70.000 agências bancárias no país, esse canal de distribuição tem muito espaço para expansão.”

Embora as seguradoras tenham obtido um excelente crescimento dos prêmios nos mercados emergentes, conseguir crescimento rentável está longe de ser normal. Por exemplo, 46% das seguradoras de uma amostra de 174 empresas do ramo vida dos mercados da Ásia Emergente e da América Latina não conseguiram apresentar resultados regulares entre 2006 e 2009, e apenas 20% delas apresentaram margem de lucro (lucro líquido dividido pelos prêmios diretos) superior a 10%. Nos demais ramos, 49% de todas as seguradoras dessa amostra apresentaram margem de subscrição negativa (resultados de subscrição divididos pelos prêmios diretos) e 36% obtiveram margens na faixa de 0% a 10%.

A rentabilidade baixa pode indicar uma atenção exagerada das seguradoras ao crescimento da receita bruta em detrimento do crescimento rentável. O estudo sigma examina a rentabilidade nos mercados emergentes e analisa se a estrutura de controle, afiliação a conglomerados financeiros ou economias de escala podem levar a uma tendência de alta na rentabilidade.

Kalra observa que “no ramo vida, as seguradoras locais e as sucursais e subsidiárias de empresas estrangeiras geralmente obtêm rentabilidade maior que as joint ventures. O sucesso das seguradoras locais pode ser devido a suas grandes redes de distribuição, seu conhecimento do mercado interno e os custos possivelmente menores resultantes das economias de escala. Comparativamente, muitas joint ventures têm um histórico operacional curto e ainda estão incorrendo em pesados custos de organização e início de operações. Nos demais ramos, o quadro é menos claro, não existindo diferenças aparentes entre as seguradoras com diferentes estruturas de controle.”

É esperado que, entre hoje e 2021, mais da metade do crescimento da economia global venha dos mercados emergentes. Está previsto que, nesses mercados, os prêmios dos ramos não vida cresçam numa velocidade mais de duas vezes maior que nos países industrializados. Também é esperado que os prêmios de seguro de vida superem os dos países industrializados.

Embora enfrentando a concorrência acirrada das companhias locais, muitas seguradoras internacionais planejam buscar ativamente oportunidades nos mercados emergentes em rápido crescimento. É provável que os bancos aproveitem suas redes de agências para aumentar ainda mais sua penetração nesses mercados. Contudo, dada a expectativa de que os juros continuem baixos por um período prolongado, tanto nos mercados desenvolvidos quanto nos países emergentes, as seguradoras encontrarão cada vez mais dificuldade em conseguir crescimento rentável.

“Daqui para frente, para beneficiar-se das perspectivas de crescimento saudável nos mercados emergentes e operar de forma sustentável, as seguradoras terão de dar grande importância à subscrição profissional e disciplinada. A gestão do capital também será essencial para sustentar o crescimento e atender aos requisitos mais rígidos de solvência”, afirma Kalra.

As autoridades econômicas podem desempenhar um papel de destaque no fortalecimento dos incentivos ao setor privado, destinando recursos suficientes à infraestrutura jurídica, educacional e regulamentar. Elas também podem dar apoio a esforços específicos do setor de seguros, permitindo a previdência privada, tornando obrigatório o seguro de acidentes do trabalho e introduzindo novas linhas de negócios e exigindo sua operacionalização. Por exemplo, o seguro de responsabilidade civil obrigatório assegura que existam recursos para compensar as vítimas de acidentes e o seguro compulsório contra terremotos ajuda a evitar a seleção adversa.

 

 

PPP pode ser trunfo para consolidação do microsseguro

Por Denise Bueno em 09/11/2011

(matéria extraída do site da Cnseg )www.viverseguro.org.br) A parceria público privada tem grande relevância dentro do desenvolvimento do microsseguros. O tema envolve não só produtos, mas também cooperação dos dois lados para montar o sucesso da iniciativa. Assim, Dirk Reinhard, da Munich Re Fundation, abriu o painel 6 da 7ª Conferencia Internacional de Microsseguros, que começou ontem e termina amanhã, no Rio de Janeiro. Tais parcerias são extremamente benéficas para ambos. Na ocorrência de uma catástrofe, por exemplo, com a morte de muitas pessoas, todos perdem. O governo é obrigado a despender recursos para reconstruir a região afetada, as empresas perdem mão de obra, as famílias ficam desestruturadas e a sociedade sofre com as consequências de um número maior de pessoas abaixo da linha da pobreza.

Ou seja, a falta de gerenciamento de riscos como uma catástrofe, por exemplo, recai sobre todos, em um efeito cascata, ocasionando a queda do PIB, de arrecadação de impostos, de renda familiar. Mas de nada adianta uma PPP sem objetivo e comprometimento de todos.“A parceria não se resume à assinatura de um cheque. Tem de ter envolvimento dos parceiros para prestar contas e apresentar resultados”, disse Dirk. De uma plateia formada por cerca de 150 pessoas, com 45% executivos da área pública e 55% das empresas privadas, surgiram vários motivos que justificam a criação de parcerias público privadas.

Para começar, é preciso checar a viabilidade da parceria dar certo. “Precisamos saber de que forma o setor público pode contribuir e como a iniciativa privada pode fazer o projeto avançar”, diz Lambert Muhr, especialista de seguro rural da Munich Re. Excesso de regulamentação por parte do governo e a falta de compremetimento da iniciativa privada são os fatores mais citados para uma PPP não dar certo. Se bem combinada, a PPP potencializa o poder e o foco do projeto, uma vez que interessa para ambos.

Quando se faz algo sozinho, se faz mais rápido. Mas quando se faz juntos, se vai mais longe. Outra justificativa é que as PPPs tornam o projeto viável. Há muitas histórias de projetos que morreram antes de ser implementados em razão da falta de apoio, seja de tecnologia que requer financiamento, seja de conhecimento técnico, muitas vezes concentrado nos membros do governo. A conclusão do painel sobre os fatores de sucesso das PPP no microsseguro é de que a parceria faz com que a gestão de risco torne o projeto viável do ponto de vista financeiro.

 

 

Bradesco inicia venda de seguro popular pelo celular

Por Denise Bueno em 03/11/2011

Juro que vou dar um jeito de ter tempo para escrever algo bem bacana para o blog a partir da semana que vem. Sinto vergonha de não colocar nada. E também acho muito pouco colocar apenas comunicados oficiais. Mas, por enquanto, melhor isso do que nada.

Mais um comunicado oficial só para não ficar sem ter a notícia aqui.

O Grupo Bradesco Seguros começará a operacionalizar vendas de seguros por meio de telefonia móvel e de POS (point of sales), tendo como público-alvo a população urbana de baixa renda das regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em parceria com a Vayon Insurance Solution, empresa de tecnologia e negócios especializada no desenvolvimento de soluções para o mercado de seguros, o Grupo desenvolveu tecnologia inédita no Brasil que possibilita viabilizar a integração dos processos de venda, reduzindo significativamente os custos de aquisição do seguro.

A iniciativa integra o projeto “Proteção Bradesco Fácil Acesso”, que venceu o concurso Innovation Grants 2011, promovido pela Microinsurance Innovation Facility, uma divisão da Organização Internacional do Trabalho (OIT), especializada na promoção do microsseguro. Entre os projetos concorrentes deste ano, de diversas partes do mundo, o trabalho do Grupo foi escolhido por ter apresentado a melhor proposta para o tema “Escala e Eficiência a partir de soluções tecnológicas inovadoras”.

“A expectativa é levar os benefícios do seguro a milhões de brasileiros. São produtos simples de ser entendidos e fáceis de adquirir, a custos muito acessíveis. O crescimento do mercado segurador é bom não apenas para seus participantes diretos, mas, sobretudo, para o País e seu desenvolvimento. Mesmo porque a disseminação desses produtos leva à maior consciência sobre a prevenção dos riscos”, declara Eugênio Velasques, diretor-executivo do Grupo Bradesco Seguros.

Estudos realizados pelo Grupo mostram que os acidentes pessoais são encarados pelo público-alvo como risco prioritário. Assim, o Grupo vai iniciar a comercialização de produtos autorizados pela Susep, com cobertura para acidentes pessoais e assistência funeral. “O potencial é de sete milhões de consumidores somente no Rio de Janeiro e em São Paulo”, afirma Velasques.

As transações continuarão sendo intermediadas pelos corretores de seguros, que eventualmente poderão habilitar prepostos para auxiliar na distribuição, que podem ser os proprietários de pequenos estabelecimentos comerciais, como banca de jornal, mercearia, salão de beleza. Com treinamento e estrutura adequados, eles serão pontos de divulgação, conscientização e venda de seguros. Tanto os corretores quanto seus prepostos farão toda transação por meio de tecnologia móvel gratuitamente.

As vendas serão iniciadas em janeiro de 2012, porém, em dezembro de 2011, serão realizados os primeiros testes. Para comprar, o interessado só vai precisar informar o número do CPF e do telefone. Toda comunicação e relacionamento serão realizados por meio do SMS.

 

 

Porto valoriza conveniência para fidelizar clientes

Por Denise Bueno em 03/06/2011

A Porto Seguro, maior seguradora do Brasil, a única a estar listada no Novo Mercado da BM&F e a primeira operadora móvel virtual do Brasil, tem muitos desafios pela frente. Até dois anos atrás, vencia pela qualidade de seus serviços, extremamente diferenciados da concorrência. Com o amadurecimento da indústria de seguros, seus concorrentes se organizaram e ficam cada dia mais fortes e atentos em conquistar o consumidor com serviços e produtos de qualidade. A saída, então, é aprimorar cada vez mais o atendimento e valorizar a conveniência, diz Fábio Luchetti, vice-presidente da Porto Seguros. Veja abaixo os principais trechos da entrevista concedida à jornalista Denise Bueno.

Quais os desafios do País, do setor e da empresa nos próximos anos?

O Brasil precisa superar o desafio de investir consistentemente em infraestrutura e educação. Quanto ao setor, é necessário criar soluções para classes menos favorecidas, além lidar com os efeitos da degradação ambiental e ampliar a visão da importância do seguro na sociedade brasileira e da empresa. Na Porto Seguro, encaramos o desafio de continuar crescendo, com qualidade no atendimento e exercitando a capacidade constante de inovar e administrar múltiplos canais de vendas.

Quais os principais estratégias e investimentos da empresa para enfrentar a concorrência?

A principio é preciso não perder o foco e continuar investindo fortemente na relação com os corretores de seguros. Precisamos avaliar cuidadosamente novos canais de distribuição que não destruam valor e continuaremos investindo em muito treinamento e seleção de pessoal rigorosa e, principalmente, em melhorar cada vez mais nossos serviços e benefícios aos clientes, valorizando sua comodidade e conveniências.

Quais os principais gargalos que o Brasil precisa superar para baratear ou viabilizar alguns seguros como transporte, grandes riscos, vida, previdência, automóvel e residência, por exemplo?

Existem várias questões para serem abordadas e que poderiam viabilizar o produto “seguro” para um número maior de pessoas.

Em transporte, por exemplo?

No Brasil o seguro de transporte é obrigatório, porém calcula-se que mais de 50% das transportadoras ou 50% das cargas transportadas no Brasil não tenham seguro e isto ocorre basicamente por falta de fiscalização eficiente.

E em grandes riscos?

Estes são seguros bem complexos que contam com poucas seguradoras especialistas e que atendem bem o mercado. Do lado do segurado (que em geral são grandes empresas) também contam com bons gestores de risco e são assessorados por bons corretores de seguros. Não vejo aqui qualquer “gap” neste momento, principalmente porque o Brasil recentemente abriu o monopólio do IRB o que permitiu que várias resseguradoras internacionais oferecessem bons produtos para o mercado nacional.

Vida e previdência exigem um empenho maior, não?

Hoje os acordos sindicais e os bancos exercem um papel importante para que boa parte da população tenha um seguro de vida, ainda que com um valor baixo. De um lado, falta consciência da população para buscar capitais de proteção maiores, o que deverá vir com o tempo e o aumento do nível de escolaridade. Considerando que as classes C e D estão cada vez mais consumistas, as Seguradoras devem se voltar para criar produtos que tenham como foco a forma de cobrança mais barata, evitando boletos bancários que são caros. Soluções como cobrança por cartão de crédito, contas de consumo e balcões do comercio podem ser uma saída para aumentar a velocidade de distribuição deste produto. Já no previdência, o aumento do nível de conscientização (com educação eficiente) é que vão levar ao aumento do consumo. Nosso País tem carência de c onsumo de bens e serviços e a previdência ainda não é vista como uma prioridade nos orçamentos das pessoas.

E a sua especialidade, automóvel?

Neste ramo muitas ações poderiam ser adotadas, pois hoje apenas 25% dos veículos são segurados. Algumas ações seriam a redução do IOF para veículos com idade superior a 10 ano; a mudança na lei que permitiria o uso de peças genéricas ou até mesmo usadas para a reparação dos veículos; o investimento no nível de segurança na fabricação dos veículos o que diminuiria a frequência de furtos; e a fiscalização mais intensa focando o uso de álcool, que é responsável por uma parcela grande dos acidentes envolvendo veículos

O que me diz de residência?

Assim como no Vida, uma reformulação no sistema de cobrança e na forma de distribuição poderiam aumentar a carteira de seguros de residência. A dotação de serviços agregados, como assistência 24 horas e soluções de conveniência, podem ampliar a percepção por este ramo de seguro.

E como atender o público de menor renda?

O microsseguro vem sendo bastante discutido e deve permitir que pessoas de baixo nível de renda possam contratar tipos de seguro a custo baixo , como funeral e perda de emprego. O uso da internet, do telefone e de canais alternativos podem ajudar a alavancar esta modalidade de seguro.

O que os acionistas mais cobram dos executivos para liberarem recursos para investimentos em expansão, seja orgânica ou por aquisição?

Projetos sustentáveis e que estejam sintonizados com o futuro da organização, que tenham relação com o “core business” e, obviamente, que gerem resultados, ainda que em longo prazo.

Quais as principais mudanças do setor nos últimos cinco anos que exigiram a reformulação do jeito de ser da companhia?

O avanço da tecnologia e das comunicações revolucionou as relações com o canal de distribuição, permitindo mais massificação e redução do custo para os consumidores. Também a competitividade com a abertura de mercado e a globalização torna as pessoas mais produtivas, afetando sua percepção de tempo e qualidade, exigindo muito mais das empresas. Ainda, os aspectos das mudanças climáticas, ocasionando catástrofes, têm acelerado a consciência sobre o ambiente e, por consequência, aumentaram consideravelmente a exigência para produtos e serviços sustentáveis.

A empresa comprou ou uniu-se a outro grupo na ultima década?

Sim. A Porto Seguro adquiriu a subsidiária da Axa no Brasil, em 2003, que virou a Azul Seguros em 2004. Recentemente, em setembro de 2009, realizamos a aquisição da carteira de seguros de Auto e Residência da Itaú Seguros, que virou Itaú Seguros de Auto e Residência. O processo de incorporação da Azul está concluído, e essa seguradora opera na linha de oferecer seguros e soluções para clientes que buscam menor preço, com a vantagem de fazer parte da corporação Porto Seguro. O processo de integração da Itaú Seguros de Auto e Residência está em andamento. Já estamos em todas as agências comercializando as 3 marcas: Porto Seguro, Azul e Itaú Seguros de Auto e Residência. Desse total, 22 agências já tem o modelo envolvendo o corretor. O resultado inicial mostrou uma aceitação dos corretores e uma tendência para venda de produtos para novos clientes.

Prevê novas aquisições no setor no médio prazo?

Estamos sempre atentos a oportunidades que surjam no mercado e avaliamos.

Acredita que a consolidação prejudicou a concorrência?

Pelo contrario, essas aquisições têm permitido aprimorar os serviços e a qualidade a todos os consumidores, criando, inclusive, mais competitividade no setor.

A empresa já esta adaptada as novas regras de capital baseado em risco?

Todas as empresas da corporação estão adaptadas as novas regras de capital. Não será necessário aportes de capital. Em resumo as novas exigências de capital aumentaram a margem de solvência em torno de 25%, e cada empresa sofreu um impacto diferente em virtude da alocação de capital, mas nenhuma precisou de aporte. Acreditamos que as novas regras de capital irão pressionar o mercado para uma maior concentração de empresas, pois a necessidade de capital aumentou significativamente.

E quanto ao IFRS, a Porto já publica o balanço dentro das regras?

Sim, já em 2010 publicamos de acordo com as novas normas contábeis e não houve grandes diferenças de GAAPS, pois a corporação estava em pro cesso de convergência há alguns anos. P rocuramos adotar as melhores práticas, sempre que possível, em convergência com os IFRS. A principal diferença para a Corporação foi a aplicação do IFRS 3 – Combinação de Empresas (Business Combinations), pois a compra da Carteira de Automóvel e Residência do Itaú aumentou nosso PL em aproximadamente R$ 1 bilhão de reais, pressionando nosso retorno sobre o PL (ROAE). A Convergência das normas contábeis exigiu muito esforço da Administração, mais acreditamos que a mesma irá contribuir para o mercado de capital brasileiro, pois deixa nossas demonstrações financeiras mais confiáveis e o investidor poderá comparar os resultados e lucratividades de nossas empresas com quaisquer empresas do mundo.

 

 

Especialista identifica falhas na venda de seguros para a classe de menor renda

Por Denise Bueno em 16/09/2010

*matéria extraída do site da CNSeg www.viverseguro.org.br

Consultor de marcas e autor do livro “As marcas no divã: uma análise de consumidores e criação de valor”, Jaime Troiano está convicto de que ainda prevalece entre as empresas brasileiras um “olhar etnocêntrico” em relação às classes menos favorecidas. “Ao olhar o outro segundo os nossos próprios valores não enxergamos suas reais necessidades”, disse.

Troiano foi um dos participantes do painel que discutiram “Tendências de consumo de produtos e serviços”, durante o primeiro dia do “V Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada”, que termina nesta quinta-feira, em São Paulo (SP).

De acordo com o consultor, por conta dessa visão distorcida, as empresas cometem equívocos, como adaptar – ou “depenar”, como classificou – os produtos mais sofisticados para então oferecê-los às classes mais baixas. “Criar um produto mais barato para quem não tem dinheiro é um erro, pois fará com que ele se sinta ainda mais pobre”, afirmou.

Além de renovar sua visão em relação ao público de baixa renda, Troiano disse que o setor de seguros precisa desenvolver produtos que atendam às aspirações dessa faixa. Uma pesquisa, realizada por ele com três mil pessoas das classes D e E, identificou que a prioridade da maioria é o futuro dos filhos. “Esse público tem sonhos de consumo e projetos de longo prazo, o que representa uma enorme oportunidade ao segmento de previdência privada”, disse.

Mas, embora as perspectivas sejam boas, o mercado é altamente disputado, na avaliação do consultor em franchising Marcelo Cherto, outro participante do mesmo painel. Para ele, todos os segmentos disputam os mesmos consumidores. “A previdência privada concorre também com a TV a cabo, por exemplo, pois se o consumidor decide investir em produtos como este pode não ter dinheiro para pagar o seu plano”, disse.

Para piorar, Cherto disse que concorrência não se aplica somente aos preços dos produtos, mas também à forma de divulgação. Ele comentou a respeito de um estudo que estima em cerca de três mil o número de apelos de consumo a que uma pessoa está sujeita diariamente, por meios diversos que incluem desde panfletos até alto falantes de comércio ambulante, como carrinho de pamonha. Porém, o cérebro humano processa apenas cerca de 280 apelos.

“Portanto, os canais de comunicação precisam gerar experiências de consumo ou então serão esquecidos”, disse. Para tanto, ele ensina que os pontos de vendas (PDV) – ou os canais de distribuição, no caso do seguro -, têm de criar uma conexão emocional com o cliente, se não quiserem ser desprezados.

 

 

Marsh compra corretora de seguros do HSBC

Por Denise Bueno em 21/12/2009

1227225842obb0ki1A Marsh, uma das maiores corretoras de seguros do mundo, confirmou a compra da corretora de seguros do HSBC, sediada em Londres, por 135 milhões de libras esterlinas. Segundo nota divulgada, além de absorver a corretora, a Marsh assinou um acordo de preferência, permitindo a ela ter acesso preferencial para fornecer serviços de corretagem de seguros e gestão de riscos para os clientes empresariais e particulares do HSBC.

A HSBC Insurance Brokers tem cerca de 1.400 funcionários localizados em 30 escritórios no Reino Unido, Oriente Médio e Ásia. Ela detém posições de destaque em outros países onde a Marsh pretende crescer de forma acentuada, incluindo a Europa, Arábia Saudita, Catar, China, Hong Kong, Índia, Cingapura, Coréia do Sul e Taiwan. No Brasil, a HSBC atua como corretora de resseguros. Nada foi dito em relação ao país na nota divulgada.

“Adquirir a corretora do HSBC é uma grande oportunidade para a Marsh, nossos clientes, colegas e para a equipe. Estamos particularmente animado com as oportunidades disponíveis para nós através do acordo de preferência com o HSBC. Ele nos permitirá aproveitar a rede global do HSBC, e as relações bancárias para gerar novos negócios “, disse o presidente da Marsh e executivo-chefe Dan Glaser. A Marsh manterá a corretora adquirida em uma unidade chamada Gibbs Hartley Cooper.

Para o HSBC, a venda também traz benefícios. Clive Bannister, diretor de seguro do HSBC Holdings, disse em nota que o acordo ajudará a melhorar a abrangência e a sofisticação dos serviços ofertados pelo banco aos clientes, ao mesmo tempo em que afina o foco estratégico sobre o modelo de bancassurance, permitindo ao banco manter ênfase nos produtos de vida, previdência e investimentos.

 

 

Fusões levam adrenalina ao mercado*

Por Denise Bueno em 22/10/2009

*matéria feita com exclusividade para o especial Seguros do Jornal Valor Econômico, que circulou dia 19 de outubro, Dia do Securitário

Quem pensa que as notícias sobre fusões, aquisições e parcerias na indústria de seguros se esgotaram está enganado. Muita coisa ainda vai acontecer para o setor atingir o nível de consolidação esperado pelos especialistas, principalmente na área de saúde.

De 2008 até outubro deste ano, foram divulgadas doze importantes transações entre seguradoras. As conversas não se limitam a seguradoras. Envolvem também resseguradoras e corretores. Algumas delas são fruto de negociações mundiais, um mercado aquecido em razão das perdas geradas pela crise financeira.

“Essa tendência deve se manter por mais algum tempo, porque grande parte das negociações visa fortalecer as empresas em função da concorrência”, diz o consultor de seguros Luiz Roberto Castiglione. As empresas buscam escala para compensar a perda do ganho financeiro gerada pela queda das taxas de juros, que até então compensavam os prejuízos operacionais, principalmente em segmentos como o de seguro de carro. “É fundamental reduzir custos neste cenário competitivo, onde o aumento de preço é praticamente um tiro no pé.”

As empresas também buscam fazer frente à necessidade de capital determinada pelas regras de risco, implementadas em 2008, com exigência gradual de aporte de recursos até 2011. Além do risco de subscrição, outros de mercado e financeiro serão incluídos na regulamentação que visa adequar a indústria de seguros brasileira aos padrões internacionais.

Planos de previdência, seguro de vida individual e títulos de capitalização são segmentos que serão incluídos nas normas e exigirão um robusto aporte de capital.

Aliado a este fato, os bancos passaram a se interessar pelo setor e são responsáveis pelos acordos que mudam a configuração do setor. A criação da Porto Seguro Itaú Unibanco Participações (Psiupar), anunciada em agosto, onde a Porto Seguro deterá o controle, ganhando o rótulo de “o negócio da década do setor de seguros”. No entanto, em outubro, o Banco do Brasil e a Mapfre anunciaram uma associação que deixou os analistas e concorrentes em dúvida sobre qual delas era a mais importante.

A disputa pelo canal de vendas do Banco do Brasil envolve um enorme número de seguradoras. A Mapfre foi a escolhida e deverá ficar com boa parte dos negócios. Segundo Aldemir Bendine, presidente do BB, a similaridade na cultura dos dois grupos teve peso importante.

Outro fator decisivo foi o contrato bem feito da Mapfre em 2005, quando comprou com ágio de 46%, por R$ 225 milhões, 51% da Nossa Caixa Vida e Previdência do governo do Estado de São Paulo, com direito de exclusividade de venda no balcão do banco, mesmo se vendido, por 20 anos. O banco paulista foi parar nas mãos do BB, que ficou preso ao contrato, e quer elevar o faturamento atual de R$ 10 bilhões com seguros para R$ 25 bilhões até 2012.

A Porto Seguro, apesar de liderar com folga as vendas em automóvel, vinha perdendo rentabilidade pela forte concorrência desencadeada pelos bancos. Resolveu seu problema ao associar-se ao Itaú Unibanco numa negociação que durou nove dias.

“A Porto Seguro e o Itaú Unibanco passarão a oferecer o que há de mais completo no mercado brasileiro para seus milhões de clientes e, em especial, para os corretores. Estamos nos entendendo muito bem e vejo que temos muito a fazer”, diz Jayme Garfinkel, presidente da Porto, que passou a deter 28% de market share em automóvel, com R$ 3,6 bilhões em prêmios até agosto. A parceria Mapfre e BB ficou em segundo, com R$ 1,8 bilhão.

Entre as outras aquisições de seguradoras há o Santander, que comprou a participação da Tokio Marine na Real Vida e Previdência e negocia o acordo de exclusividade de venda da seguradora japonesa garantido por dez anos na época da negociação, em 2005. Outra japonesa, a Yasuda, comprou 50% da Marítima Seguros, que ensaiou anos abrir o capital sem sucesso. A Minas Brasil, seguradora controlada pelo Banco Mercantil, foi comprada pelo grupo Zurich. A Mongeral, especializada em vida, fez acordo com a Aegon. A Liberty comprou a Indiana, da família Afif Domingos.

O setor de resseguros recebeu quase 70 resseguradoras desde 2008, quando o mercado foi aberto após 69 anos de monopólio. Na semana passada, o Banco do Brasil informou que pretende comprar a participação do governo no IRB Brasil Re, empresa de economia mista, com 100% das ações ordinárias nas mãos do Tesouro.

Das preferenciais, sem direito a voto, 50% pertencem ao governo e 50% estão pulverizadas entre as seguradoras, sendo Bradesco dona de 21% e Itaú Unibanco 18%. Trata-se de uma compra estratégica, que tirará os resseguradores da zona de conforto. Afinal, trata-se do governo aumentando sua fatia em um setor que acaba de privatizar.

Os corretores de seguros também são protagonistas de boa parte das fusões realizadas no setor. O grupo Aon tem sido um dos mais ativos, com mais de 15 compras nos últimos anos de corretores especializados, seja em nichos de negócios ou em regiões do país. “Estamos atentos a novas aquisições, pois nosso objetivo é estar ao lado do nosso segurado”, diz Fernando Pereira, vice-presidente da Aon.

A Lazam MDS aproveitou a crise para partir para um processo de internacionalização. “Estamos avaliando dez propostas de aquisição em seis países”, diz Eduardo Bom Ângelo, presidente da corretora que tem como controlador o grupo Suzano.

Depois de anunciar duas aquisições no início do ano, o grupo assinou em setembro um contrato para a formação de uma joint venture envolvendo quatro empresas, criando uma holding com uma carteira de prêmios superior a US$ 1,8 bilhão, o que lhe garante a 15ª colocação no ranking mundial de corretores.

 

 

Concentração do setor estimula especialização*

Por Denise Bueno em 22/10/2009

*Matéria feita com exclusividade para o especial Seguros do Jornal Valor Econômico que circulou no dia 19 de outubro de 2009, Dia dos Securitários

O crescimento do mercado de seguros estimula parcerias entre as empresas e a maior concentração nas vendas de apólices para veículos. A Porto Seguro, maior seguradora de carro do Brasil, ganha mais 4,5 mil pontos de distribuição do Itaú Unibanco. A Mapfre também agrega ao seu principal canal de vendas, o corretor, outros 12,5 mil pontos de atendimento, sendo 3.155 agências do Banco do Brasil.

Além disso, elas ganham abrangência nacional e internacional, uma vez que a parceria visa acompanhar a expansão dos bancos no exterior, além da disposição dos bancos em ofertar seguros para o consumidor. Até então, seguro perdia espaço para produtos financeiros como crédito, fundos e previdência. Tanto que a penetração de seguros na base dos clientes dos bancos não chega a 10%. “Temos muito para crescer”, afirma Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil, que pretende saltar dos atuais R$ 10 bilhões em faturamento para R$ 25 bilhões até 2012.

O desenho que se forma no setor é um em que os bancos dominam a venda de seguros massificados, com a presença do corretor nos negócios. A negociação entre Itaú e Porto e entre Banco do Brasil e Mapfre torna o setor de automóvel extremamente concentrado, com as cinco maiores donas de 90% das vendas. Mas isso não assusta as seguradoras especializadas, como Liberty, Allianz, Chubb e ACE. “Somos a única puro sangue do setor”, diz Acácio Queiroz, presidente da Chubb, seguradora sem vínculos bancários, que se destaca na oferta de apólices desenhadas sob medida para pessoas de alto poder aquisitivo.

Luis Maurette, presidente das empresas do grupo Liberty Mutual no Brasil, aposta na especialização. “Formatamos produtos sob medida, desde o seguro de automóvel até riscos específicos como os de satélites, e facilitamos a vida do corretor com investimentos em tecnologia”, afirma.

Max Thierman, presidente da Allianz, aposta também na especialização do maior grupo segurador da Europa, responsável por boa parte do seguro da Copa na Alemanha em 2006. “Nossa área de grandes riscos está mais do que preparada para conquistar as apólices de riscos de engenharia que serão demandadas já no próximo ano para garantir a realização da Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016″, diz. A ACE, especializada em seguros de eventos, montou um comitê só para prospectar negócios com os jogos mundiais, conta Paulo Tavares, diretor comercial da ACE.

Para Carlos Matta, consultor da PricewaterhouseCoopers, as seguradoras médias vão conquistar os clientes com serviços exclusivos e por classes sociais específicas. Já as grandes seguradoras vão explorar a presença geográfica que os bancos estão proporcionando. “O apoio dos bancos é de extrema importância para o crescimento do setor”, diz.

Segundo recente pesquisa divulgada pela FGV, apenas 16% da população brasileira possui algum tipo de seguro. O seguro saúde é o principal, com 12,9%, seguido de seguro de vida (4,3%) e automóvel (2,9%). Atualmente, as classes A e B, com renda mensal acima de R$ 4,8 mil, respondem por 46% da demanda por seguros. As classes C (até R$ 4,8 mil), D (R$ 1,1 mil) e E (R$ 800), que representam 85% da população, contribuem com 15,6%, 4,1% e 1,4% do total de seguros no país, respectivamente.

Um mercado e tanto, principalmente para duas prioridades do governo: produtos populares, com custo mensal a partir de R$ 10, e microsseguros, com prêmios de até R$ 5 para garantir necessidades básicas da população de baixa renda em caso de morte ou invalidez.

Dados como esses fazem o Brasil exibir um entusiasmo pouco visto na indústria mundial atualmente. Para se ter uma ideia do desânimo das seguradoras nos EUA, pesquisa realizada durante um evento da KPMG em Nova York, em setembro, revelou um dado interessante se comparado ao Brasil. Entre os 271 executivos de seguradoras americanas pesquisados, apenas 9% colocam a indústria em uma forte posição nos próximos anos.

 

 

Canadá proibirá bancos de vender seguro na web

Por Denise Bueno em 09/10/2009

1102890390q81y8d11Os bancos do Canadá enfrentam um sério problema. O Canadá pretende proibir os grandes bancos de comercializar produtos de seguro em seus sites, segundo divulgaram hoje as agências internacionais. O ministro das Finanças do país, Jim Flaherty, informou que a alteração na regra será feita no início do próximo ano, segundo carta divulgada aos bancos. O mercado de seguros do Canadá movimenta US$ 108 bilhões.

Entre os maiores bancos do Canadá estão nomes como Royal Bank of Canada , Toronto Dominion Bank, Bank of Nova Scotia , Bank of Montreal e Canadian Imperial Bank of Commerce. Todos eles têm como objetivo aumentar as vendas de seguros, assim como no Brasil.

Trata-se de uma batalha liderada pelos corretores há muitos anos, pois com o avanço dos bancos na área de seguros os profissionais de vendas vem perdendo mercado nos últimos anos. A lei do Canadá proíbe a venda direta de seguros em filiais. Recentemente, no entanto, os bancos conseguiram autorização para vender seguro pela internet, segundo parecer de advogados dizendo que o site do banco não é considerado agência.

Os bancos se mostraram chocados com o anúncio do ministro da fazendo do Canadá e pretendem recorrer da medida, principalmente porque o negócio seguro se tornou importante fonte de rentabilidade para as instituições.

 

 

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