CONSEGURO: Brasil é destaque no programa da ONU sobre Princípios para Sustentabilidade em Seguros

Fonte: CNseg

Incêndios florestais, poluição nos mares, estiagem, enchentes, doenças provocadas por tabagismo e até a resistência a antibióticos, que pode se tornar a principal causa de mortes em 2050. São muitos os fatores que colocam em risco a saúde e a economia das nações ao redor do mundo. Atento a esse cenário, o setor de seguros no Brasil se destaca globalmente dentro dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI, sigla em inglês), Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. O tema foi destaque do painel “O seguro em um cenário de imprevisibilidade” da 1ª Conferência de Sustentabilidade e Diversidade da CONSEGURO 2019, o congresso bianual do mercado de seguros, realizado pela Confederação Nacional das Seguradores (CNseg), em Brasília (DF), até essa quinta-feira (05). 

“A inciativa dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros, que no Brasil foi criada em 2012, está moldando a agenda global de sustentabilidade do setor”, disse o líder do programa, Butch Bacani. Segundo ele, a questão da sustentabilidade é importante não só para a indústria, mas para os setores reguladores, governos e a própria sociedade. Nesse contexto, os compromissos assumidos pelas seguradoras podem promover grandes mudanças estruturais e trabalhar com o foco na avaliação dos riscos, reduzindo os prejuízos causados pela má gestão e pela falta de planejamento sobre os riscos futuros.

Bacani falou sobre os cenários previstos para o meio ambiente, como a ameaça de elevação da temperatura nos oceanos e suas implicações, sobre as atividades extrativistas e a situação hídrica na Amazônia. Essa última, em especial, foi objeto de um alerta feito no início dos trabalhos do PSI em 2012, quando analisou a estrutura das hidrelétricas da região e seus impactos socioambientais.

O líder do PSI lembrou que o Brasil assumiu compromisso com a transparência do risco climático ao tornar-se o primeiro mercado de seguros do mundo. Ele mencionou os avanços nas tratativas com o setor brasileiro e falou sobre o workshop que será realizado em pareceria com a CNSeg em outubro, em São Paulo, onde falará para o mercado sobre as boas práticas no setor Sustentabilidade em Seguros.

O painel que abordou a seguridade em um cenário de imprevisibilidade durante CONSEGURO 2019 também contou a participação da integrante da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD), Denise Pavarina. Ela mostrou pela primeira vez ao setor de seguros sobre as recomendações objetivas e os riscos financeiros associados às mudanças climáticas. Segundo ela, o trabalho da Task Force é fazer com que as seguradoras possam compreender o risco financeiro que as empresas correm por conta das mudanças no clima e devido à transição mundial para uma economia de baixo carbono. 

“Nosso papel é fazer essa disseminação de dados para que as empresas adotem as recomendações. Até hoje 833 empresas já aderiram às recomendações. Não existe uma meta objetiva, porque a gente quer o maior número possível de adesão das empresas. Porém, a ideia é que ao longo de cinco anos tenhamos um número bem expressivo de companhias que tenham optado por essa nova política”, diz Denise.

A diretora de Relações de Consumo e Comunicação da CNSeg, Solange Beatriz Palheiro Mendes, informou que a Confederação foi a primeira instituição fundadora/apoiadora dentro do setor a aderir ao PSI, o que ocorreu já em 2012. “Em seguida, seguradoras se tornaram signatárias e, em 2016, foi a vez da Superintendência de Seguros Privados (Susep)”, informou.  Solange Beatriz também mostrou a importância desse mecanismo que incentiva a aceitação de risco moderado por parte da população.  “É importante entender que o seguro não é apenas um mecanismo de transferência de riscos para compensar perdas financeiras, mas também um mecanismo de gerenciamento de risco porque os seguradores podem adotar medidas de prevenção de sinistro e atenuação das perdas, que acabam incorporadas aos negócios”, explicou.   

Conhecimento e consciência socioambiental

Para a diretora da Mapfre, Fátima Lima, que produziu o relatório de sustentabilidade da CNSeg, é importante ir além e fomentar a consciência da sociedade sobre a exposição a todos os riscos ambientais. Ela acredita que focar a questão socioambiental dentro do setor de seguros é fundamental para integrar questões à estratégia de negócio da empresa. “Não pode ser um tema à parte dentro da companhia”, ponderou.

Ela explicou que o relatório revelou indicadores importantes que foram coletados no setor de seguros em 2018. Um exemplo é que 60% das empresas afirmaram integrar questões Ambientais, Sociais e de Governança (ASG) em seus planejamentos estratégicos. “Isso mostra que está sendo incorporado às empresas uma agenda em desenvolvimento com a criação de uma nova visão dos riscos para que as oportunidades de negócio surjam a partir dessa nova visão socioambiental”.

Para Laurindo Anjos, gestor de riscos do Itaú Unibanco, é preciso atuar e catequizar as empresas com relação ao PSI e ao TCFD. “Iniciativas como essas são pilares necessários para que isso comece a permear de fato a cultura de cada instituição. Vejo um caminho próspero. Precisamos começar a pensar coletivamente o que queremos para todos nós. Do contrário, as empresas estarão despreparadas para o futuro”.

Fernando Malta, consultor sênior da SITAWI, falou sobre o trabalho que a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) fez em 2018 para avaliar o nível de maturidade das instituições financeiras em relação ao TCFD. Segundo ele, 1/3 dos bancos mal tinham ouvido falar sobre o tema, e a metade já conhecia o assunto, mas não havia construído qualquer planejamento para ingressar o TCFD internamente. Ele relatou que o material foi uma ferramenta de sensibilidade climática para permitir uma análise de como a carteira dos bancos estaria exposta à mudança do clima, e que procedimentos tinham que ser feitos para incorporar esse risco climático no seu dia-a-dia.

O projeto da Febraban para 2019 é ajudar as instituições a realizar práticas de desenvolvimento de cenários climáticos tropicalizados, pois esse é um problema no Brasil, que em geral trabalha com cenários internacionais. “Quando você começa a trabalhar essa questão, pelo menos saber onde sua carteira está exposta às mudanças climáticas, você já tem informação para saber como vai gerir esse risco”, detalhou consultor. Segundo ele, essas informações são capazes, por exemplo, de apontar os riscos provocados por estiagem na produção agrícola e de projetos de infraestruturas em hidrelétricas e melhorias urbanas, por exemplo.

CONSEGURO: seguro garantia para infraestrutura pode deslanchar com regulação correta

conseguro 2019

Durante o debate na Conseguro, presidente da BF Capital sugeriu alterar redação do PL de até 30% para até 100%; Junto Seguro insiste em retirar a palavra “até”

Como destravar os investimentos em infraestrutura? Esse foi o tema do painel “Infraestrutura, o seguro na agenda para o crescimento”, realizado na 9ª CONSEGURO, na manhã do dia 5, que contou com a participação de Antonio Trindade, presidente da FenSeg; Rodrigo Belloube, diretor da Fenaber; Leonardo Deeke Boguszewski, CEO da Junto Seguros; e Renato Sucupira, presidente da BF Capital.

O mediador do painel, jornalista George Vidor, pontuou que, em tempos áureos, o Brasil chegou a investir 5% do PIB em obras. Hoje, se calcula que esse indicador recuou para menos de 1%. A situação é considerada dramática, deixando o Brasil atrás na preferência dos donos do capital, superando apenas a Argentina. Segundo estudo do Banco Mundial, apresentado por Vidor, essa situação é fruto de questões regulatórias complexas, intervenção estatal, falta de segurança jurídica e de planejamento, entre outros fatores que fizeram o investidor recuar e ficar inibido de aportar recursos em projetos que são necessários para garantir o crescimento do país.

Dentro deste tema, o setor segurador tem um grande papel ao cumprir, ofertando garantias que mitiguem os riscos e, assim, atraiam o olhar do investidor para projetos com risco/retorno mais interessantes e protegidos. “E como fazer isso?”, indagou o jornalista.  O CEO da Junto Seguros acrescentou que a situação é preocupante e a solução passa pelo setor privado, como investidor, e também pelo seguro. “Na Colômbia, participamos como seguradores do projeto 4G, que teve financiamento de US$ 400 milhões do Goldman Sacks e o projeto garantido por nós, em parceria com a Travelers. Deu tudo certo e as rodovias e concessões estão em pleno funcionamento”, contou.

Segundo Boguszewski, a principal lição deste exemplo foi o diálogo. Consequência disso: o Brasil tem hoje mais de 14 mil obras paradas. “No Brasil, ou se faz tudo público ou tudo privado ou não se faz nada. É preciso intensificar o diálogo e o gerenciamento de riscos para que cada parte assuma riscos e, assim, possamos avançar na infraestrutura, que recebe investimentos mínimos, suficientes apenas para se manter. Precisamos avançar”, alertou.

Na prática, tal diálogo tem de ser imediato no que tange o Projeto de Lei nº1.262/95, que trata de mudanças na Lei de Licitações, já aprovado na Câmara e aguardando apreciação final no Senado. O PL determina que obras acima de R$ 200 milhões contratem seguro para garantir até 30% do valor inicial do contrato. O problema está neste “até”, incluído de última hora, após exaustivas discussões, e pode ser zero.“Um valor inferior a 30% não permite o bom funcionamento dos contratos de garantia, como instrumento capaz de garantir a retomada e efetiva conclusão das obras, como vimos no passado recente, quando a garantia mínima era de 5%”, reforça o executivo da Junto, ex-JMalucelli, principal player do setor de garantia de contratos.

Durante o debate na 9ª CONSEGURO, Renato Sucupira sugeriu que, no texto do PL, conste “até 100%”. “Quem quiser, faz zero, 30%, 60%, 100%”. Segundo ele, o credor quer proteção e vai buscar garantias para reduzir o custo do capital e garantir a entrega do projeto. São capitais de longo prazo e financiamentos baseados na garantia”, defendeu. Mas Boguszewski, da Junto, manteve a sugestão de que seja excluída a palavra “até” para que seja obrigatória a contratação de 30% do valor da obra em seguro garantia. “Deixar até 30%, que pode ser zero, traz um fardo imenso de responsabilidade, sem contrapartidas”, afirmou.

Outra sugestão veio para tal impasse veio de Trindade, para quem esse problema pode ser contornado pelo edital de licitação “Ganha quem oferecer o seguro mais completo. Se o contratante quiser 5% ou 10%, as seguradoras podem não ter apetite”, disse, indicando que a auto-regulação entre os players seria o ponto de equilíbrio para tamanho desgaste causado por uma simples palavra como “até”.

Além de resolver esse problema, que determinará o apetite ou a dieta das seguradoras na oferta de garantias, é preciso seguir a tendência das exigências dos resseguradores, parte importante em qualquer contrato de seguro de grandes riscos, como de infraestrutura. De acordo com Rodrigo Belloube, diretor da Fenaber e CEO da Munich Re no Brasil, há oferta abundante de capital no mundo para o país, mas algumas exigências precisam ser cumpridas.

“As resseguradoras movimentam US$ 250 bilhões no mundo e o Brasil representa menos de 1%. São mais de US$ 500 bilhões em equity e outros US$ 100 bilhões em capital alternativo disponíveis para projetos no mundo, para diversificar investimentos”, explicou.

Na visão do ressegurador, há algumas variáveis para se manter atraente. A primeira delas é a questão ambiental. “Existe hoje uma preocupação muito grande em relação a cobrança da sustentabilidade das empresas. Isso tem ganhado forca no Brasil devido aos os acidentes dramáticos que tivemos recentemente”, citou Belloube.

Outro ponto avaliado foi sobre quem poderia atuar no desenvolvimento da infraestrutura no Brasil depois do que aconteceu com as grandes construtoras com as investigações Lava Jato. Nas obras médias, segundo ele, têm se resolvido. Mas nas obras complexas são exigidos itens como a experiência em projetos semelhantes e garantias de estabilidade financeira.

O papel do BNDES no funding dos projetos é outra questão relevante para o ressegurador. Quem preenche esse lugar e quais as necessidades de seguro? “Essas são questões importantes para o mercado internacional avaliar para ingressar neste segmento”, informou o CEO da segunda maior resseguradora do mundo. “O Brasil precisa se alinhar a práticas internacionais, evitando elementos heterodoxos, para que seguro e resseguro sejam mais atraentes e relevantes na estruturação de garantias”.

Tokio Marine apresenta novas coberturas e serviços para o Seguro Simples Vida

Fonte: Tokio

A Tokio Marine, uma das maiores seguradoras do País, apresenta o relançamento do Simples Vida-VG Capital Global e Simples Vida-AP Capital Global. Os produtos passam a oferecer novas coberturas, ampliação do número de vidas seguradas, facilidades de pagamento e novo sistema de cotação, com contratação ainda mais ágil e simplificada. 

“O Simples Vida é um produto voltado principalmente para pequenas e médias empresas, nas quais a rotatividade de funcionários é mais alta. Reformulamos as coberturas, pensando em levar ainda mais simplicidade e agilidade ao Corretor, desde a aceitação até as assistências, desenvolvidas para garantir maior amparo aos segurados e seus beneficiários”, afirma a Diretora de Seguros de Pessoas da Tokio Marine, Nancy Rodrigues.

Com aceitação de até 600 vidas seguradas por empresa, a Simples Vida da Tokio Marine é o único do mercado que possui a maior capacidade de vidas seguradas, com formato no qual a empresa não precisa enviar uma lista com os dados dos segurados. O limite de idade para a adesão também foi ampliado e agora contempla pessoas de até 70 anos. 

Outro diferencial do Simples Vida da Tokio Marine é a possibilidade de cotação no Cotador Tokio Vida, que reúne todas as soluções Vida em uma única plataforma, com sistema mais ágil e navegação intuitiva. “Dessa forma, os Corretores de Seguros podem obter de maneira ainda mais ágil a cotação de diversos produtos Vida e, assim, ampliar as possibilidades de negócios e oferecer soluções diferentes a seus Clientes”, completa Nancy.

O novo Simples Vida também oferece coberturas de Vida em Grupo e Acidentes Pessoais, além de novos serviços e assistências, como novos limites para assistência-funeral, cartão-alimentação por afastamento, em caso de acidente ou doença para o produto VG, e Cesta Natalidade. 

O Tokio Marine Simples Vida faz parte do portfólio de produtos de Vida para empresas da Seguradora que contempla ainda outras modalidades, com serviços e proteções para as diversas necessidades de cada companhia, como Acidentes Pessoais Coletivos, Acidentes Pessoais Escolar, Acidentes Pessoais Passageiro, Assistur, Prestamista, Vida Convenções Coletivas, Vida em Grupo e Vida em Grupo PME.

CONSEGURO: Mulheres são maioria e reduzem desigualdades no mercado de seguros

Fonte: CNseg

Elas recebem, em média, 71% dos salários pagos aos homens, segundo estudo da Escola Nacional de Seguros, mas ocupam cada vez mais cargos de chefia

Elas são maioria no setor de seguros e avançam a passos largos em sua qualificação para o trabalho. No entanto, ainda enfrentam desigualdades em termos de remuneração e ocupação de cargos de chefia. Apesar da crescente participação feminina neste mercado, a diferença salarial em relação aos homens é significativa. Da mesma forma, as oportunidades de ascensão profissional são bem distintas na comparação entre os gêneros. Essas são as principais conclusões do 3º Estudo “Mulheres no Mercado de Seguros no Brasil”, coordenado pela Escola Nacional de Seguros (ENS).

O levantamento, com dados de 2018, aponta os desafios e os gargalos da força de trabalho feminina em um segmento que, apesar das incertezas na economia, atrai um número cada vez maior de profissionais. Atualmente, as mulheres respondem por 55% da mão de obra no mercado de seguros. Em 2015, o salário médio no setor era de R$ 5,4 mil para homens e R$ 3,9 mil para mulheres. Três anos depois, esses valores subiram para R$ 6,3 mil e R$ 4,5 mil, respectivamente, compatíveis com a inflação no período. Ou seja, as mulheres recebem, em média, 71% do salário dos homens.

Um dado positivo do 3º Estudo é a redução do desequilíbrio nos cargos de alto escalão. Hoje, há uma mulher executiva para cada três homens nas seguradoras. Em 2012 (ano da primeira pesquisa), essa relação era de uma para quatro. No nível de gerência, 53,5% dos postos são ocupados por homens, contra 46,5% de mulheres. Aqui também houve avanço importante: em 2012, elas exerciam 41% dos cargos nessa faixa.

“A probabilidade de um homem se tornar executivo neste segmento é quase três vezes maior que a de uma mulher. Sem dúvida, ainda há um longo caminho a percorrer para mudar esse quadro. De todo modo, é importante destacar a redução das desigualdades no período de seis anos”, explica Maria Helena Monteiro, diretora de Ensino Técnico da ENS.

Coordenadora do estudo, ao lado do economista Francisco Galiza, Maria Helena destaca um cenário em transformação. “Vejo a preocupação das empresas em aumentar a diversidade como uma decisão estratégica. O mercado de seguros vende para todos os públicos e não pode ser gerido só por homens. Ainda mais se pensarmos que são as mulheres que definem as prioridades financeiras em casa”, acrescenta.

 O 3º Estudo “Mulheres no Mercado de Seguros no Brasil” coletou informações de 23 empresas, compondo um universo de quase 28 mil funcionários. Essas empresas respondem por mais de 80% do faturamento do setor. Também foram enviados questionários específicos a mulheres executivas em atividade no mercado de seguros, dos quais 436 foram respondidos.

 As respostas demostram otimismo com o setor. Ao todo, 60% das executivas acreditam que a situação está melhor ou muito melhor do que há três anos, em termos de oportunidades e participação feminina no mercado de seguros. Para 35%, a situação está igual. Apenas 5% acham que o cenário está pior.

O estudo foi lançado no 9º Conseguro nesta quarta-feira, dia 4 de setembro. 

CONSEGURO: A concorrência é bem vinda, diz presidente da FenSeg

conseguro 2019

Estimular a concorrência é uma das armas da titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira, para alavancar o crescimento do mercado por meio da redução de preços e aumento da qualidade de serviços prestados aos consumidores. Algo, que por enquanto, parece não incomodar os executivos.

“O número de seguradoras que temos hoje no Brasil é suficiente para a atual demanda. As principais do mundo já estão aqui. Mas claro que se houver mudanças como as previstas pela titular da Susep, de trazer para o mercado privado parte do sistema público de proteção, como seguro desemprego, de acidentes de trabalho, de seguro de crédito à exportação, auxílio doenças entre outros, certamente isso fará com que o mercado atual dobre de tamanho e atraia mais competidores”, comentou Antonio Trindade, presidente da Federação Nacional de Seguros Privados (FenSeg) e CEO da Chubb.

O setor tem experiencia com o seguro de acidentes de trabalho (SAT), que já foi privado e estatizado. Há anos o tema está em discussão, mas não avançou. “Em qualquer lugar do mundo, acidentes de trabalho são um risco privado, mas é preciso sentar, discutir, fazer as contas”, observou Trindade.

Em relação aos seguros intermitentes, que acabam de ser autorizados pela Susep, mas já são uma realidade em países como Estados Unidos, Inglaterra, China e Índia com a explosão de Insurtechs, Trindade releva: “Deixa elas virem, testarem, implementarem suas boas ideias e dai as que derem certo são compradas pelas seguradoras tradicionais líderes do mercado”.

CONSEGURO: Um olhar sobre o mundo e sobre o Brasil

conseguro 2019

Fonte: CNseg

Ministro do STF Luís Roberto Barroso avalia o cenário brasileiro e mundial em palestra na CONSEGURO 2019

A revolução digital, a crise do modelo democrático e as mudanças climáticas, no âmbito global, mais uma espécie de tempestade política, econômica e de ética, estão entre as questões definidoras de nosso tempo, ainda que não guardem conexão entre si. Entretanto, representam diretrizes importantes, ao se lançar “Um olhar sobre o mundo e sobre o Brasil”, tema da palestra apresentada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, durante o primeiro dia da CONSEGURO 2019, que acontece em Brasília, em 4 e 5 de setembro.

Para o ministro, a revolução digital mudou rotinas, que vão do modo de comprar passagem a se fazer pesquisa acadêmica, além de criar nova semântica e comportamentos. “Nós vivemos uma época de profunda transformação. Há um conjunto de inovações que cria o admirável mundo novo, que vai da nanotecnologia e da computação quântica à internet das coisas. A inteligência artificial começa a tomar decisões em nosso lugar, enquanto abrimos mão de fazer escolhas. E esta transformação é também arriscada. A biotecnologia cria inovações boas e outras preocupantes, como o risco de comércio de órgãos, o que é proibido. A engenharia genética gera esperanças de curar doenças, mas abre a possibilidade do risco da eugenia, de criarmos pessoas mais bonitas e inteligentes, ampliando o abismo da desigualdade. O admirável mundo novo ameaça esvair a privacidade, nosso bem maior, porque nossos interesses são conhecidos pelos provedores”, assinalou.

O segundo tópico abordado pelo ministro refere-se à crise na democracia, de modo geral. Vitoriosa no século XX, a democracia, na sua passagem para o novo século, convive com uma onda conservadora em todo mundo, gerando uma recessão democrática consagrada pelo voto popular, com a concentração de poderes no Executivo em várias partes do mundo. Entre as causas desse fenômeno global, estão um sistema de representação que não dá voz para a cidadania e os problemas econômicos, como recessão, levando a democracia a estar em xeque em diversas partes do mundo.

Por fim, os pensadores precisam incluir na agenda a questão das mudanças climáticas, já que os efeitos do aquecimento global são um problema extremamente sério e não pode continuar a ser tratado com descaso, ignorância ou egoísmo.

Internamente, o Brasil precisa ter uma conversa franca consigo e reconhecer erros das políticas públicas implementadas pelos grupos que ascenderam ao poder nas últimas décadas e trataram a coisa pública com desleixo ou favor de elites. Em 1960, a economia brasileira era duas vezes e meia maior que a da Coreia do Sul. Sessenta anos depois, o PIB brasileiro equivale a um terço do PIB do país asiático. “Três causas importantes podem ser responsabilizadas por esse atraso”, assinalou o ministro. “Investimentos insuficientes ou inadequados em educação básica, algo que não só impede a vida das pessoas de ser mais iluminada, como também afeta a produtividade. Outra questão é termos criado um estado grande demais e uma economia fechada por muitas décadas. Não só retardamos a transição para uma economia de mercado, como também permitimos uma relevante apropriação do Estado por elites extrativistas, gerando uma corrupção quase endêmica nas últimas décadas. Como diversos grupos se alternaram no poder, ninguém pode apontar o dedo para ninguém”, afirmou ele.

Nesse cenário, para o ministro, a crise política, econômica e ética era inevitável, referindo-se aos momentos de tensão ocorridos até 31 de dezembro de 2018. “As pessoas passam pelo que têm de passar e amadurecem”, destacou, ao se referir ao comportamento da sociedade, que não tolera a inaceitável corrupção dos agentes públicos ou privados, ao mesmo tempo em que as empresas estruturam mecanismos de compliance, algo que poderá permitir ao país furar a armadilha da renda média, se houver padrões éticos verdadeiros daqui para frente, em um lento mas efetivo avanço civilizatório.

CONSEGURO: Susep estuda trazer o seguro desemprego para a iniciativa privada

Solange Vieira susep

Fonte: CNseg

Tecnologia, crescimento, inclusão social e disrupção. É assim que a superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira, vê o futuro do mercado segurador. “Essa base vai nos dar um grande impulso. E é isso que o setor precisa buscar”, afirmou ela em sua palestra “Brasil – Já começa a dar certo”, realizada no primeiro dia da 9ª CONSEGURO, que acontece em Brasília, nos dias 4 e 5 de setembro. 

“Todos nós estamos correndo para nos adaptarmos. A Susep, como todo órgão do governo tem limitações, mas estamos avançando. A apólice eletrônica é a tônica”, disse.  A inclusão social, segundo ela, é uma meta, inclusive, que beneficia muito o governo. Segundo Solange, no Brasil, considerando o SUS, o INSS e o Seguro Desemprego, a participação do seguro público no seguro é maior que a do privado. “Temos de rever isso, trazendo para a iniciativa privada proteções como o seguro desemprego”.

Mas ela também afirmou que não adianta a Susep fazer a provocação e regulamentar, como foi feito em relação à circular que permite peças genuínas no conserto de automóveis para baratear o seguro, e o setor ficar temoroso de ofertar produtos. “O governo está disposto a encolher, mas, para isso, o setor tem de estar disposto a correr riscos. E isso vale também para o seguro de crédito à exportação, uma pauta importante do ministério da Economia”, acrescentou. 

Solange Vieira disse ter como lema a transparência. “Estamos trabalhando duro para isso. Queremos mais coberturas e concorrência, com qualidade no atendimento e novos produtos”, enfatizou. Desde que chegou à Susep, no início do ano, ela já assinou três decretos e criou quatro diretorias. “Estamos avançando, como mostra a última normativa, que aprova os seguros intermitentes. Ninguém tem dúvidas de que o setor é um dos principais investidores institucionais do pais, com reservas de mais de R$ 1 trilhão. Seguro é um instrumento importante. Se não funcionamos, o setor público se sobrecarrega”, ressalta.

Ainda buscando entender o funcionamento do mercado segurador do Brasil, comparando-o com o do resto do mundo, Solange disse ter duas certezas: há muito potencial para o setor crescer e é preciso trabalhar melhor a educação da população sobre risco.  No tema concorrência, a Susep tem buscado incentivar as seguradoras a elevar a qualidade dos serviços prestados e a redução dos preços praticados. Ela apresentou um estudo comparando o Brasil com outros países em relação às taxas de administração e de corretagem. “Estamos muito acima do que vemos no mundo e precisamos melhorar esses dois indicadores”.

Solange citou duas ações de transparência que visam melhorar a concorrência. A primeira foi a divulgação de um ranking de fundos previdenciários, com as respectivas taxas cobradas, que já está disponível no portal da autarquia. A outra refere-se às reclamações de clientes contra seguradoras, cuja norma a respeito deve ser publicada em 30 dias. 

Mercado de seguros de pessoas cresce 14,71% no primeiro semestre e movimenta R$ 21 bi

seguro de vida

Fonte: Fenaprevi

Seguro prestamista, que cobre prestações em caso de morte, invalidez ou perda involuntária do emprego, avançou 23,79% no período. Seguro de vida individual, seguro viagem e seguro com coberturas em casos de doenças graves crescem dois dígitos no semestre. Indenizações pagas pelas seguradoras totalizaram R$ 4,9 bilhões, valor 13% superior frente ao primeiro semestre de 2018

As contratações de seguros com coberturas para riscos pessoais (seguro de vida, seguro de acidentes pessoais, prestamista, entre outras modalidades) somaram R$ 21 bilhões no primeiro semestre deste ano, valor 14,71% superior aos R$ 18,4 bilhões registrados de janeiro a junho de 2018, segundo dados da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), entidade que representa 67 seguradoras e entidades abertas de previdência complementar no país. É o melhor resultado em comparação aos últimos semestres: o primeiro semestre de 2017, em relação ao mesmo período de 2016, cresceu 11%. Já o primeiro semestre de 2018, em relação ao mesmo período de 2017, apresentou alta de 10,1%.

Os dados do balanço da FenaPrevi também mostram que no primeiro semestre de 2019 as indenizações totalizaram R$ 4,9 bilhões, valor 13% superior aos R$ 4,4 bilhões de janeiro a junho do ano passado. 

Na análise por modalidade de produto, um dos destaques foi o seguro prestamista, que cobre o pagamento de prestações de compras feitas a prazo pelo do titular da apólice, em caso de morte, invalidez ou perda involuntária do emprego. Esta modalidade de seguro obteve crescimento de 23,79% no volume de contratações, movimentando R$ 6,8 bilhões em prêmios (valor pago pelo segurado para contratar a cobertura do risco).

Já o seguro de vida, que tem a maior carteira do mercado de seguros de pessoas, cresceu 15,7% e movimentou R$ 8,3 bilhões em prêmios no semestre. O crescimento maior se deu na carteira de seguro de vida individual, que movimentou R$ 2,5 bilhões em prêmios, valor 54,62% maior que o verificado em igual período do ano anterior. O seguro de vida em grupo, contratado por empresas para funcionários, registrou expansão de 4,4%, movimentando R$ 5,8 bilhões em prêmios.

De acordo com os dados da FenaPrevi, o seguro viagem também apresentou crescimento robusto no período. As contratações movimentaram R$ 295,47 milhões e a expansão foi de 22,87% superior em relação aos R$ 240,47 milhões registrados de janeiro a junho de 2018.

A preocupação dos brasileiros quanto às despesas inesperadas com saúde também refletiu no desempenho dos seguros com coberturas para custear gastos com doenças graves. As contratações foram 13,77% superior e os prêmios de R$ 475,29 milhões, contra os R$ 417,77 milhões do ano anterior.

O seguro auxílio funeral também esteve entre os seguros mais procurados pelos brasileiros no período. As contratações das coberturas foram 8,91% superiores e os prêmios foram de R$ 331,75 milhões. No mesmo período em 2018, os prêmios deste produto foram de R$ 304,61 milhões.

CONSEGURO: crescimento é o mantra do mercado segurador

conseguro 2019

Fonte: CNseg

Crescimento. Essa foi a palavra presente no discurso de todos os participantes da mesa de abertura da nona edição da Conseguro 2019, que acontece nos dias 4 e 5 em Brasília, organizada pela Confederação Nacional das Seguradoras, a CNseg. 

E para o mercado segurador crescer, muitas ações já estão em curso, contribuindo para fortalecer a posição do setor dentro do cenário político, econômico e social e o colocando entre os grandes investidores interessados em participar de um novo ciclo virtuoso de crescimento, como afirmou Solange Vieira, titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), em sua fala. “Já fui apresentada a algumas empresas novas, que querem atuar aqui com oferta de produtos totalmente digitais, pelo celular, aos brasileiros”. 

Para que isso aconteça, o empenho tem sido na modernização do arcabouço regulatório do setor e em investimentos em tecnologia, visando a criação de novos produtos e a redução de custos, levando, assim, o seguro para a palma da mão do consumidor em condições mais acessíveis. “Pretendemos discutir em Brasília toda a cobertura de proteção pública existente, como o seguro desemprego, por exemplo, avaliando se há espaço para ocuparmos uma fatia maior destes mercados, desonerando o Estado”, informou a superintendente da Susep. 

Tais afirmações, aliadas ao encaminhamento político da aprovação das reformas da Previdência e Tributária e do crescimento econômico, vêm ao encontro da expectativa dos executivos de seguros. “Na CNseg, temos repetido o mantra de que o setor de seguros tem muito a contribuir para a retomada do crescimento do Brasil em bases sustentáveis”, ressaltou o presidente da CNseg, Marcio Coriolano. Segundo ele, o país é hoje a nona economia do mundo, mas ainda figura na 50ª posição quando se trata do gasto per capita de seguros, sendo esta a hora de desafiar e mudar, com confiança, essa relação. Coriolano também afirmou que o setor quer estar no centro das políticas públicas, como acontece em várias partes do mundo. Embora ainda distantes do que se vê em países maduros, no Brasil, o setor já representa o equivalente a 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e soma R$ 1,3 trilhão em garantias financeiras. “Isso torna as seguradoras, em conjunto, um dos maiores investidores institucionais do país, com ativos que equivalem a cerca de 25% da dívida pública brasileira”, detalha. 

Os desafios do setor abrangem todos os segmentos. De seguro automóvel a títulos de capitalização. Antonio Trindade, presidente da Federação Nacional de Seguros Privados (FenSeg), citou como prioridades estimular o crescimento do seguro automóvel, com produtos mais simples e preços mais acessíveis para a população. Um estímulo veio com a divulgação da Carta Circular Eletrônica 01, de 22 de agosto, que permite o uso de peças automotivas adquiridas fora das concessionárias nos sinistros de automóveis. “Dentro deste tema, temos também na agenda o combate à distribuição de seguros pelas entidades sem regulação”, afirmou. 

Desenvolver diversos produtos de seguros é também tema prioritário na FenSeg. “Na semana passada, a Susep aprovou o seguro intermitente, que abre caminho para oferta de produtos das mais variadas modalidades, sob medida para atender consumidores. A normativa estimula a ampliação da base de segurados por meio remoto”, reforçou Trindade. O seguro rural é outro segmento que floresce a olhos vistos no Brasil, contando com o subsidio de R$ 1 bilhão. Temos também no radar os riscos da nova economia, como cibernéticos e de responsabilidade civil, além de nos debruçarmos no seguro de crédito à exportação”, elencou. 

O resseguro é um importante apoio para as seguradoras ingressarem em riscos vultosos e também em novos mercados. Por isso, o presidente da Federação de Resseguros (Fenaber), Paulo Pereira, afirmou que o segmento está otimista. “A Fenaber acredita no governo atual, nas reformas e na chegada do capital estrangeiro. Sabemos que o investidor internacional vai se animar e vamos tirar do papel os grandes projetos que o Brasil precisa para sustentar o crescimento. Mas certamente é preciso um esforço extra do setor em relação ao texto-base da nova lei de licitações (PL 1.292/1995), que toma um rumo que não estamos gostando”, alertou.

Lucas Vergilio, deputado federal e autoridade presente na mesa de abertura, buscou tranquilizar Pereira. “Vamos trabalhar no projeto, que em breve chegará ao Senado, para fazermos as devidas alterações para corrigir alguns erros que passaram. A Câmara não se furta a debater nenhum tema. Temos uma oportunidade grande neste momento com a titular da Susep, uma pessoa com grande influência junto ao ministro da Economia, Paulo Guedes. E isso convida a todos a revolucionar o mercado”. 

Longevidade – João Alceu Amoroso Lima, presidente da FenaSaúde, destacou a importância da saúde suplementar, com R$ 80 bilhões em faturamento, e citou desafios a altura de um setor que representa, sozinho, quase 40% das estatísticas apresentadas pela CNseg. “Nossos desafios são os mesmos de todos os demais países no mundo: como financiar a saúde em tempos de longevidade. Viver mais é uma boa notícia, mas custa caro”. 

Nos últimos quatro anos, 3 milhões de pessoas deixaram de contar com planos privados. A boa notícia é que esse número aponta para o crescimento, com 200 mil novos beneficiários tendo entrado no sistema recentemente, informou. Segundo ele, um dos principais objetivos da Federação Nacional de Saúde Suplementar é viabilizar a volta dos planos individuais, que sumiriam do mercado. Hoje eles representam menos e 20% do setor. É fundamental ampliar o leque de opções de coberturas para a população. Para isso, é preciso aprimorar a regulamentação. Outros desafios são o da Atenção Primaria, o combate às fraudes e também aos desperdícios. Por fim, fortalecer a ANS, trazendo mais estabilidade aos contratos na esfera judicial e a todos os agentes do sistema.”. 

Leandro Fonseca da Silva, presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mostrou que as aspirações da iniciativa privada são também as do órgão regulador. “Temos uma agenda desenvolvimentista. Nosso olhar está no estoque da regulamentação e, com boas práticas, revisitamos as normas que precisam de ajuste ou correções. O objetivo é reduzir fardos regulatórios para contribuir com a retomada do crescimento. Isso, porém, requer não só ações do regulador, como uma discussão com toda a sociedade sobre o financiamento para cuidar da saúde dentro do cenário de longevidade que temos pela frente.”

Jorge Nasser, presidente da Federação Nacional de Previdência Aberta (FenaPrevi), também tem desafios ligados à longevidade. As pessoas vivem mais e precisam se planejar para ter um futuro mais digno. “Estamos aqui para celebrar o diálogo e abrir espaço para o conhecimento, que se torna ainda mais prioritário com o avanço da reforma da Previdência no Senado. A agenda da FenaPrevi é extensa e temos pressa para resgatar os fundamentos da previdência privada, com aperfeiçoamento constante e com foco na inovação”, resumiu.

A poupança também é um tema na pauta de Marcelo Gonçalves Farinha, presidente da Federação Nacional das Empresas de Capitalização (FenaCap). Ele sinalizou o comprometimento das empresas associadas para o crescimento do segmento, que completa nesta data 90 anos da primeira emissão de um título de capitalização. “Nos últimos anos, essa reserva permitiu aos brasileiros transitar em momentos de dificuldades. Se por um lado temos desafios, por outro, temos a esperança renovada com a determinação de construir o futuro da capitalização”.

Corretores– Armando Vergílio, presidente da Fenacor, ressaltou a importância do corretor de seguros. “Os desafios se colocam diante de todos nós e estamos dispostos a empenhar nossa energia para que o setor siga em seu ciclo de crescimento e impulsione a sustentabilidade do Brasil”, afirmou. Em relação aos corretores, ele diz que possuem vários desafios. Alguns coincidentem com os do setor, como investimentos tecnológico e inovação. “Mas nós temos o desafio conceitual, que é vencer a incompreensão que ainda existe em relação ao nosso papel. Não somos simples vendedores ou intermediários. Somos consultores que agregamos valor, tanto para o cliente, como para a seguradora. O corretor é um moderador e garantidor de qualidade nesta relação”, concluiu. 

Paralelamente à CONSEGURO 2019, acontecem, ainda, a 9ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros, o 6º Encontro Nacional de Atuários, o 13º Seminário Controles Internos & Compliance, Auditoria e Gestão de Riscos, e a Conferência de Sustentabilidade e Diversidade, também realizados pela CNseg.

CONSEGURO: CNseg revisa crescimento do setor para 2019 e 2020

Num cenário otimista, o setor deve crescer entre 10,6% e num pessimista, 8%, em 2019. Já para 2020, o fôlego é menor. O intervalo cai para 1% no cenário pessimista e 8,2% no otimista

O mercado de seguros revisou as projeções para o crescimento de 2019 e de 2020. Segundo informou Marcio Coriolano, presidente da Confederação das Seguradoras (CNseg), o setor deve crescer entre 8% e 10,6% neste ano em comparação a 2018, quando movimentou receitas de R$ 444 bilhões. Os dados não consideram o seguro obrigatório DPVAT e saúde. Já para 2020, o fôlego é menor. O intervalo cai para 1% no cenário pessimista e 8,2% no otimista.

Em qualquer cenário otimista, Coriolano afirma que o setor depende do crescimento econômico. “Precisamos de um segundo semestre gordinho para conseguirmos cumprir as atuais previsões otimistas”, comentou ele durante entrevista coletiva realizada durante a nona edição da Conseguro 2019, que acontece em Brasília nos dias 4 e 5 de setembro.

Vários são os seguros que podem gerar um “semestre gordinho” para o setor. Segundo Antonio Trindade, presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), o que pode trazer um segundo semestre mais gordo para os R$ 70 bilhões de receitas anuais dentro da FenSeg, é o incremento da carteira de seguro de auto, que representa R$ 35 bilhões, e foi a única linha que não cresceu no semestre. Pelo contrário. Decresceu 0,7%.  

Trindade citou as duas normas divulgadas pela Susep. Uma traz mais segurança jurídica para as seguradoras colocarem na prateleira seguros com preços mais acessíveis para automóveis, diante do acordo do consumidor em pagar menos para ter um seguro que vai usar peças não originais. A outra permite a venda de seguros por períodos inferiores a um ano, chegando a ter pode ser contrato por horas. “Essas novas normas tendem a dar um impulso ao crescimento do setor à medida que essas regras estimulam produtos com maior inclusão social, aliada a um aumento de renda da população”, comenta.

Nos outros ramos, cita Trindade, já se vê uma retomada do seguro transporte interno, o que significa que mais mercadorias estão sendo transportadas pelo pais, e uma demanda aquecida por seguros financeiros, como cibernéticos e de responsabilidade civil para administradores. “Também tivemos notícias que de agosto se financiou mais carros do que outros meses do ano, o que sinaliza um segundo semestre melhor”, acrescentou.

Em previdência, o segundo semestre do ano geralmente é o mais “gordo”, uma vez que as pessoas que fazem planejamento tributário de acordo com a declaração de imposto de renda e têm o hábito de depósitos mais parrudos, inclusive porque é a época do ano em que há pagamento de bônus e décimo terceiro. Quanto a maior procura por previdência diante da discussão sobre a reforma da Previdência, o presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), Jorge Nasser, disse que ainda não há uma corrida no segmento, mas que já há uma caminhada.

Para ele, o maior desafio em previdência é a educação financeira da população. “Percebemos um equívoco grande em boa parte das pessoas que fazem uso da portabilidade. É preciso ter mais consciência sobre as aplicações, tipos de fundos e longo prazo”, alertou. Ele também defendeu a reforma paramétrica, com mudança no tempo de contribuição, redução do benefício e aumento da contribuição, e acredita que o próximo desafio será avançar no tema capitalização.

Segundo dados apresentados por Coriolano, o setor de seguros movimentou R$ 125,4 bilhões no primeiro semestre deste ano, alta de 8,4%, sem considerar  DPVAT e saúde suplementar. “Na minha visão, isso mostra resiliência do setor de seguros ao ciclo econômico, que conta com previsões para o ano que podem ficar abaixo de 1%”.

Leia mais : Mercado segurador avança 8,4%, o maior crescimento desde 2015

Em capitalização, a projeção estimada para 2019 é de 12%, segundo informou Marcelo Farinha, presidente da Federação Nacional das Empresas de Capitalização (FenaCap). No primeiro semestre, o segmento registrou arrecadação de R$ 11,5 bilhões, 11,5% acima do mesmo período do ano anterior.