Insurance meeting: A contribuição estratégica da tecnologia para o bem-estar da população e a cura de doenças

Fonte: CNseg

A tecnologia pode promover um salto qualitativo na saúde de toda a população mundial, assegurando a cura de doenças e tratamentos mais assertivos. É possível até imaginar o estado de arte nesse campo, mas desvios éticos podem transformar soluções em problemas, exigindo, desde já, que a sociedade debata, com seriedade e serenidade, as escolhas de tecnologias que poderão ser incorporadas e leis para impedir ou punir desvios.  

“O uso da tecnologia no estudo das doenças e na busca pelas suas curas”, foi o tema do primeiro painel do segundo (e último) dia do 13º Insurance Service Meeting, realizado pela CNseg, em São Paulo, simultaneamente ao 4º Encontro de Inteligência de Mercado, reunindo um cientista – Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); uma médica – Regina Mello, superintendente médica da SulAmérica Saúde; e um economista – Sandro Leal, superintendente de Regulação da FenaSaúde.

Steven Rehen, palestrante, antes de destacar o atual estágio da ciência e tecnologia voltadas para a área médica, elencou três fatores que precisam estar no radar da sociedade para que as perspectivas positivas se cumpram no campo da saúde: o combate ao aquecimento global e às desigualdades – “temos mais de 13 milhões de miseráveis no momento” – e a difusão do conhecimento científico, necessário para impedir, por exemplo, que as pessoas se recusem a tomar vacinas, gerando riscos adicionais para toda a população.

Em breve resumo das tecnologias disponíveis e do saber científico, Stevens Rehen deixou claro que a ciência tem um caráter estratégico para a saúde da população. Noites mal dormidas, comprovadamente, abrem as portas para doenças, como depressão, Alzheimer e demência, afetando a capacidade de aprendizado. Na alimentação, o comer regrado é também o caminho para ter um cérebro mais saudável. Daí porque é fundamental, na infância, oferecer uma gama de alimentos variados, para que, quando adultos, as pessoas façam melhores escolhas, evitando os alimentos processados.

Ao lado de comportamentos individuais mais adequados, alimentação balanceada e atividades físicas, a ciência pode dar contribuições vitais. Já é possível, a partir da urina ou da pele, criar novas células para o cérebro ou outros órgãos, incluindo-se aí espermatozoides, enumerou o cientista. Os transplantes fecais podem contribuir para reduzir o problema de obesidade e, o retorno da pesquisa psicodélica, ajudar milhões de pessoas que convivem com depressão ou outras doenças mentais.

A médica Regina Mello, debatedora, reconheceu que o avanço tecnológico cria novos paradigmas, ainda mais se as inovações forem usadas de forma ampla. Novos arsenais terapêuticos podem melhorar, de fato, a qualidade de vida das pessoas, mas a utilização precisará contar com um marco regulatório mais flexível, incluindo-se aí o compartilhamento de dados pessoais. Melhor ainda se as tecnologias que mudam a vida e a saúde forem partilhadas com todos, incluindo a população de baixa renda, mais propensa a adquirir doenças precocemente pela falta de informação ou recursos financeiros.

Há uma longa estrada para ser percorrida, mas saber que já existem terapias mais assertivas é um alento, reconheceu Sandro Leal, moderador do painel, ao destacar que o tema tratado foi muito proveitoso em criar insights para toda a cadeia de saúde.

ARTIGO: Gerenciar riscos, um grande desafio versus uma difícil realidade

Por Antonio Carlos Stutz Goulart, engenheiro de riscos (risk management engineer)

Com base em análise histórica, os acidentes em unidades Industriais acontecem e continuarão acontecendo, principalmente por falhas em procedimentos e investimentos, tais como; 

  • Cultura de Segurança em toda as áreas da Empresa, 
  • Gerenciamento de Riscos baseado em normas nacionais e internacionais.
  • Investimentos em sistemas de controle e proteção contra explosão/incêndios.
  • Treinamento contínuo de identificação de riscos/perigos (Human Element). 

A cultura de segurança é uma conscientização gradativa e permanente. A implantação de um Programa de Gerenciamento de Riscos traz benefícios e deve contemplar uma busca incessante de:  

  • alternativas mais eficientes para prevenção e controle de perdas (loss prevention), visando construir barreiras de proteção, com o objetivo de mitigar os riscos de grandes acidentes;
  • um diferencial com base na qualificação de Risco Altamente Protegido (HPR – High Protected Risk) visando garantir a eficiência dos sistemas de proteção, redução da sinistralidade e de custos nos Programas de Seguro/Resseguro;

Um bom programa de manutenção preditiva pode antever problemas futuros. A manutenção preditiva é a intervenção programada nas instalações e equipamentos, executada normalmente com os sistemas em operação, através de equipamentos especiais onde são realizadas medições, testes e análises, com emissão de relatórios periódicos de monitoramento e controle das curvas de tendência dos desvios identificados.

Novas gestões administrativas não devem ignorar velhos riscos. A maioria das empresas passa por grandes mudanças nas gestões administrativas e por isso estão sujeitas a negligenciar sua exposição de riscos, devido ao grande apetite por redução de custos em economias globalizadas e reengenharias (downsizing).

  • redução das áreas de engenharia, manutenção, gerenciamento de riscos e segurança industrial.
  • redução de atividades que não agregavam valor aos objetivos da empresa, porém, sem as análises críticas de engenharia de segurança e riscos associadas a atividades envolvidas.
  • redução na aplicação de treinamento em simulações de situações de emergência e em reciclagem operacional (Human Element).

A maior lição sobre este tema é que cada um deve fazer a sua parte, ou seja, qualquer empregado deve se incomodar com as não conformidades de projeto encontradas e deve sempre reportar qualquer situação de perigo ao setor de segurança, visando contribuir para a mitigação e controle de exposição de riscos em sua indústria.

Análise de microdados econômicos aponta os desafios e oportunidades no Brasil pós-crise

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Fonte: CNseg

Fazendo uma leitura a partir de microdados econômicos, Marcelo Neri, economista da FGV, apontou o que determina a demanda de seguros, durante a palestra “O Mercado Segurador e o Brasil Pós-Crise”, ocorrida no primeiro dia do 4º Encontro de Inteligência de Mercado, realizado pela CNseg, paralelamente ao 13º Insurance Service Meeting, em São Paulo, em 6 e 7 de novembro. Esses microdados são gerados a partir de registros administrativos e pesquisas de campo, permitindo o monitoramento, mapeamento e projeções. “Entender causa e efeito é indispensável na gestão de qualquer política pública ou privada. O setor precisa mapear a desigualdade e a elasticidade na renda de seguros”, disse o ele.

Pesquisa da FGV Social a partir de microdados do IBGE revela que 46% das pessoas que adquiriram planos de saúde entre os anos de 2012 e 2014 o fizeram pela primeira vez. Outra pesquisa da FGV Social, utilizando dados da Secretaria da Receita Federal, permitiu a elaboração do ranking de renda mensal por cidades, abrangendo 5.500 municípios brasileiros. “Os dados do IR nos fornecem informações valiosas, permitindo, por exemplo, saber onde estão as pessoas mais ricas do país”, disse ele.

O município de Nova Lima (MG) tem a maior renda média, de mais de R$ 6 mil por pessoa. Em segundo lugar está Santana de Parnaíba (SP), com renda média de mais de R$ 5 mil por pessoa, e, em terceiro lugar, São Caetano do Sul (SP), com mais de R$ 4.300. “São dados que surpreendem, mas podemos analisar que são lugares aprazíveis”, analisou. Os dados do IRPF também permitem fazer um ranking por ocupações e patrimônios declarados. “Santa Catarina é uma combinação rara de renda alta e desigualdade baixa. Brasília tem a maior renda do país, mas com uma desigualdade maior do que a média brasileira. E, no Rio de Janeiro, isso também acontece de forma similar”, informou.

Com os dados, é possível medir quatro dimensões: Prosperidade (crescimento da média de renda e consumo), Igualdade (olhar para distribuição, entre indivíduos e grupos da sociedade, de fluxos de renda, estoques de ativos e direitos), Sustentabilidade (possibilidade de manter os padrões de vida conquistados) e Sensibilidade (baseada na percepção subjetiva das pessoas sobre o país, os serviços públicos e sua qualidade de vida). “Analisamos, por exemplo, que, na última década, tem crescido a desaprovação às lideranças públicas do país e o medo da violência”.

As rendas per capita subiram entre 2017 e 2018: aposentadorias, 7,36%; aluguéis, 5,81%; Bolsa Família, – 2,7%. O palestrante indicou também o aumento no volume de vendas de seguros no varejo. Segundo ele, o crescimento da demanda pode ser explicado pelo aumento de renda e da população. Entre 1995 e 2015, a renda do brasileiro cresceu 39,74%, o crescimento populacional cresceu 31,97% e o número de domicílios teve elevação de 72,41%. “Os domicílios estão se tornando menores. Então, quando se fala de quantidade de casas, identifica-se um segmento mais pujante, por exemplo, para a aplicação do seguro residencial”.

Marcelo Neri comentou que a trajetória de crescimento da renda das pessoas teve uma retomada, mas, o bem-estar, não, porque a desigualdade está aumentando. “Isso é um freio para o consumidor”, garantiu. “A nota média de felicidade, uma métrica mundial, tem caído no Brasil de 2015 a 2018”.

Até 2014, o Brasil era líder do Ranking Global de Felicidade, atingindo 8,8 pontos em uma escala de 0 a 10. Mas isso já mudou, tendo ocupando o 5º lugar em 2017.

Em outras partes do mundo, a felicidade está diretamente ligada à renda, mas, no Brasil, isso é mais tênue. “Se o brasileiro ganhar um salário mínimo a mais, ele fica um pouco mais feliz, mas se ele perder a renda de um salário mínimo, ele fica 10 vezes mais triste.

O palestrante também comentou a evolução das classes econômicas. De 2003 a 2014, a classe D e E foi reduzida e a C aumentou. A partir daí, com a crise, o cenário mudou. De 2014 a 2017, cerca de 8 milhões de pessoas entraram na classes D e E. As classes A e B também caíram. A C não mudou muito, pois ficou no centro, de passagem entre os que caíram e subiram. “As classes A e B nunca estiveram tão altas, com o aumento da desigualdade favorecendo os segmentos premium”, apontou.

Alex Korner, Head de Produtos de Seguros do Santander e presidente da Comissão de inteligência de Mercado da CNseg, participou como debatedor e analisou as características do mercado brasileiro e destacou a inserção das classes menos favorecidas no seguro, particularmente em iniciativas como o seguro popular, que acontecem, principalmente, por demanda dos próprios clientes.

Luiz Roberto Cunha, decano do centro de Ciências Sociais do Departamento de Economia da PUC-Rio, mediou os debates e comentou sobre o volume de questionamentos recebidos. “Realmente há muita coisa para pensarmos. Vemos que há alguns mitos do crescimento. Tivemos, por exemplo,  aumento no número de empreendedores, mas mais, por sobrevivência que por opção. É muito importante termos acesso a dados para entendermos as oportunidades do mercado”.

SulAmérica lança atendimento ao cliente via WhatsApp

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Fonte: SulAmérica

A SulAmérica inaugurou a operação de atendimento ao cliente via WhatsApp, em linha com a estratégia da companhia de oferecer a melhor experiência aos segurados por meio da inovação tecnológica. Com a adoção de inteligência artificial, o atendimento pelo aplicativo de mensagens será realizado por robôs cognitivos que já são empregados pela SulAmérica em canais de chat, aproveitando o conhecimento adquirido a partir de mais de um milhão de chamados no último ano. Disponível 24 horas por dia, incluindo fins de semana e feriados, o serviço pode ser acionado pelo número (11) 3004-9723. 

“Nós, da SulAmérica, acreditamos que a experiência do cliente deve estar sempre no foco da estratégia corporativa, por isso seguimos investindo de forma consistente em inovação e excelência da operação de atendimento”, afirma o vice-presidente de Operações, Marco Antunes. “No mundo hiperconectado em que vivemos, o consumidor está cada vez mais exigente e bem informado, valorizando empresas que ofereçam a melhor jornada de compra e pós-venda, com um atendimento ágil, personalizado e nas plataformas mais convenientes ao cliente. Isso inclui o WhatsApp, atualmente utilizado por mais de um bilhão de pessoas em 180 países.” 

O serviço já atende mais de 50 tipos de demandas relevantes dos clientes de saúde, automóveis, vida e previdência, como segunda via de boleto, informativo e prévia de reembolso, busca de rede médica referenciada, além de oficinas e centros automotivos, informações sobre serviços como o Médico em Casa e status da entrega domiciliar de medicamentos imunobiológicos e quimioterápicos orais. O canal também fornece orientações sobre guincho e assistência 24 horas, além de aviso e acompanhamento de sinistro de automóveis. 

Os robôs inteligentes adotados na operação de atendimento via WhatsApp têm capacidade transacional, ou seja, conseguem não apenas fornecer informações como também realizar serviços de menor complexidade com alto nível de assertividade, além de surpreender o cliente com informações adicionais às solicitadas, a partir de uma análise preditiva com base em dados anteriores de atendimento. 

Além disso, os bots cognitivos conseguem processar a linguagem natural humana, compreendendo inúmeras formas textuais, mesmo que incluam jargões, regionalismos ou até erros gramaticais. Por meio de machine learning e com o apoio de uma equipe de curadoria, esses algoritmos e dicionários de significados permanecem em constante evolução. A tendência é que, ao longo do tempo, a tecnologia se torne cada vez mais assertiva. Além disso, um protocolo reforçado de segurança da informação é adotado para garantir a proteção e privacidade de dados. 

Insurance Meeting: “O fim do seguro como o conhecemos”

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Fonte: CNseg

Rob Galbraith, diretor de Inovação do AF Group e autor do livro “O fim do mercado de seguros como conhecemos” (“The end of insurance as we know it”, em inglês), participa do Insurance Meeting, no dia 7, que acontece em Sao Paulo, promovido pela Confederação das Seguradoras. Confira abaixo a íntegra da entrevista com Rob Galbraith concedida para o portal da CNseg:

Quais tecnologias emergentes você acha que terão mais impacto no mercado de seguros nos próximos anos? 

Acredito que três grandes tecnologias já estão revolucionando o seguro hoje e o farão ainda mais nos próximos anos. A primeira é a Telemetria, que utiliza sensores baratos em carros, residências, empresas e em dispositivos móveis, entre outros, capturando e transmitindo dados para se observar e medir, em tempo real, o comportamento das pessoas e de sistemas e está fazendo dessa era a era do Big Data. A segunda é a Inteligência Artificial (IA) em todas as suas variedades como, por exemplo, o aprendizado da máquina, aprendizado profundo, floresta aleatória, etc., dando sentido a todos esses dados de streaming, exatamente da mesma forma como o GPS envia sinais para os dispositivos móveis das pessoas e indica o caminho mais rápido para o destino desejado. E a terceira tecnologia, que ainda está em sua infância, é o Blockchain ou, mais amplamente falando, a Tecnologia de Registro Distribuído (DLT, na sigla em inglês), que tem o poder de remover muitos intermediários e ineficiências dos processos de seguro para tornar os produtos mais baratos e mais amplamente disponíveis para aqueles que precisam.

As novas tecnologias causam um grande impacto na maneira como as pessoas se relacionam e fazem negócios. O que as seguradoras precisam fazer para se adaptar a esses novos tempos?

As seguradoras devem fazer três coisas importantes para se adaptar a esse mundo de mudanças aceleradas. Primeiro, elas devem enfrentar com afinco suas ineficiências e pendências técnicas causadas por sistemas e processos desatualizados, procurando maneiras de avançar no século XXI. Em segundo lugar, elas devem estar dispostas a encontrar parceiros confiáveis que possam ajudá-las nessa jornada, incluindo as insurtechs, em vez de seguirem sozinhas. Por fim, elas devem preparar seus funcionários para esse novo mundo, fornecendo treinamento e comunicação contínuos para ajudá-los a trabalhar efetivamente com a tecnologia, pois os funcionários que não o fizerem serão substituídos por essa mesma tecnologia.

Como você vê o setor de seguros dentro de 10 anos? Quais processos deixarão de existir e quais continuarão a existir da mesma maneira?

Eu acho que haverá muitas fusões e aquisições e o mercado será dominado por organizações maiores, que lidam com a maioria das demandas de seguro em escala, atuando com margens de lucro reduzidas, bem como por players de pequeno e médio porte, que podem oferecer produtos e serviços mais personalizados, mas com prêmios e margens mais altas.

O que os líderes do mercado de seguros precisam fazer para se adaptarem a esses novos tempos de disruptivos?

Eles precisam encontrar vozes confiáveis dentro e fora de sua organização que possam lhes dar uma avaliação honesta de seus pontos competitivos fortes e fracos. Os líderes precisam desenvolver e articular uma visão e um roteiro para se manterem relevantes no futuro e à frente dos concorrentes mais lentos, sempre equilibrando e priorizando a agilidade e a flexibilidade, à medida que as tecnologias mudam, considerando sempre as expectativas dos clientes.

E quanto aos trabalhadores do mercado de seguros? Que papéis devem deixar de existir e que novas necessidades surgirão?

Acho que ainda teremos agentes e corretores para linhas de negócios mais complexas, pois o seguro sempre envolverá confiança e relacionamento. Além disso, funções que ajudem a identificar exposições emergentes e a desenvolver rapidamente novos produtos e serviços para atender a necessidades crescentes serão críticas. Também penso que haverá mais cientistas de dados, que possuem um conjunto de habilidades mais amplo, substituindo atuários e subscritores. Já os processos intermediários, que não agregam valor aos clientes, deverão ser automatizados ou eliminados.

Como a tecnologia pode (caso possa) simplificar os processos de seguro e torná-lo mais atraente, acessível e inclusivo?

Geralmente, o que dificulta a automatização dos processos de seguro são os profissionais ligados a processos ineficientes e a necessidade de lidar com sistemas legados desatualizados. Muitas novas insurtechs já estão familiarizando-se com os processos das seguradoras tradicionais e personalizando suas ofertas para facilitar sua integração. Outras surgem de profissionais do seguro com amplo conhecimento sobre de onde estão as ineficiências e como capitalizá-las. Existem muitas oportunidades para melhorar o seguro e, com o tempo, a tecnologia inevitavelmente tornará a indústria muito mais eficiente, o que, por sua vez, a tornará mais atraente, acessível e inclusiva.

Insurance Meeting: Análise de dados dos consumidores possibilita evolução das vendas no setor segurador

Em painel no 13º Insurance Service Meeting, executivo do Google aponta a importância do processamento de dados pessoais para aprimorar a técnica de seguros

Fonte: CNseg

O mundo vive hoje uma revolução digital, em que tecnologias como internet das coisas, inteligência artificial e blockchain, entre outras, impactam e mudam as formas de as pessoas se relacionarem e consumirem. Em um cenário de globalização e democratização da informação, empresas têm acesso a uma vasta gama de dados dos consumidores que, no setor de seguros, são decisivos para o aprimoramento da análise e gestão de risco. “Hoje, o mundo todo está público, a regra é que as informações sejam abertas, a não ser que a pessoa peça para que sejam privadas. É o contrário do que víamos anos atrás, quando tudo era privado até que fosse permitido se tornar público”, declarou Fabio Dragone, diretor de Digital e Inovação no Grupo Bradesco Seguros, moderador da palestra “Como utilizar o digital como um canal de vendas”, durante a manhã do primeiro dia do 13º Insurance Service Meeting, evento realizado pela CNseg, simultaneamente ao 4º Encontro de Inteligência de Mercado, nos dias 6 e 7 de novembro, em São Paulo.

O palestrante Flavio Franco, Head of Customer Engineer Latam da Google, apontou as oportunidades decorrentes da exploração de dados dos consumidores. “As primeiras seguradoras surgiram em 1666, em Londres, quando um incêndio se alastrou pela cidade e o governo precisou pensar em maneiras de se prevenir contra problemas como esse. Ao longo dos anos, termos e ferramentas podem ter mudado, mas o trabalho desse setor sempre foi muito baseado na ciência de dados”, afirmou. Segundo ele, desde o início, analistas e cientistas vêm trabalhando com diversos dados estruturados, geralmente, internos e confiáveis. “Na mesma velocidade em que estamos vendo o desenvolvimento de tecnologias e computadores, o volume de dados também apresenta um aumento explosivo. Estudo da consultoria PwC diz que 90% de toda a informação e dados disponíveis hoje foram criados nos últimos dois anos”, informou.

Esse mesmo estudo projeta que, em 2020, haverá cerca de 50 bilhões de dispositivos conectados à internet e esses dispositivos gerarão dados que serão muito relevantes para as seguradoras. “Os celulares são dispositivos que já dispõem de importantes sensores: informam a localização e velocidade do veículo, por exemplo”, disse Flavio Franco. “Apesar desse trabalho, hoje em dia, estar sendo feito muito em cima de dados estruturados, existem diversos dados não estruturados disponíveis, como e-mails e vídeos, que estão nos dispositivos. O potencial a ser explorado é bastante expressivo”. Segundo o especialista, com todo esse volume de dados, não é possível mais usar as mesmas técnicas que vinham sendo utilizadas pelo mercado nos últimos anos. “É preciso trabalhar esses dados com tecnologias como machine learning e inteligência artificial”.

Flávio Franco argumentou que o consumidor moderno aceita oferecer seus dados em troca de ter acesso a ferramentas mais modernas. “Estudos recentes do Google apontam que dois terços dos consumidores estariam dispostos a permitir que seus comportamentos e hábitos sejam monitorados em troca de uma experiência mais inteligente e personalizada”, expôs.

Nesse caminho, dados mais sensíveis podem vir a ser utilizados num futuro próximo. “Já que o consumidor oferece vários dados, qual seria o impacto para o setor de seguros e saúde se pudesse utilizar o mapeamento genético do cliente na análise do risco? Quais usos e imagens poderiam ser criados a partir disso?”, questionou.

Justamente por esse potencial de exploração de dados pela tecnologia, as insurtechs estão ganhando espaço, possibilitando, por exemplo, a detecção de fraudes envolvendo dados estruturados e não estruturados. “São empresas que buscam disrupção e, por quererem realmente inovar e estarem estudando bastante, terão grande espaço”. O palestrante apresentou o case da insurtech Lemonade que, em quatro anos de atuação, já captou 180 milhões de dólares. “É uma empresa 100% digital, da apólice de seguros à solicitação de indenização, tendo criado um modelo diferenciado em que reverte parte do lucro para instituições de caridade escolhidas pelo segurado na formatação da apólice. Mesmo tendo pouco tempo de atuação, a velocidade da informação faz com que logo alcance as empresas constituídas”.

“A missão do Google é organizar as informações disponíveis no mundo e torná-las úteis e acessíveis a todos. Essa capacidade de inovação está estruturada. Não dispomos somente de processos metodológicos para criar inovação. Queremos aproveitar essa cultura de inovação do Google para fazer um trabalho em conjunto com as empresas e propiciar inovação ao mundo, com foco no usuário”, defendeu o palestrante.

Washington Vital, Head de Data Analytics e Transformação Digital da SulAmérica Seguros, participou como debatedor e declarou que as seguradoras são vistas como empresas de dados, mas é preciso evoluir. “Por décadas, trabalhamos dados de diversas formas, com muitos estudos de números e estatísticas. O mercado de seguros está avançando no processamento dos dados dos consumidores, mas ainda está atrás de outros mercados, como o de mídia, por exemplo. Temos que atuar nessa revolução pensando em escala. Toda seguradora é vista como analítica, mas a maioria ainda atua no modelo tradicional, processando dados estatísticos de forma lenta, mas o mundo está em ebulição. Precisamos de profissionais com habilidades para essa transformação”.

Insurance Meeting: Blockchain nas empresas de seguro é viável se agregar valor ao cliente

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Lucas Aristides Mello, diretor de Inovação & Estratégia do IRB Brasil RE sugeriu não implantar a tecnologia de uma vez, mas aos poucos

Fonte: CNseg

O blockchain, uma das inovações mais célebres dentre as novas tecnologias disruptivas, ainda não é realidade na maioria das empresas de seguro. “Blockchain não resolve tudo”, afirmou Lucas Aristides Mello, diretor de Inovação & Estratégia do IRB Brasil RE, palestrante no painel que discutiu “As aplicações de blockchain em seguros e seus desafios regulatórios” no primeiro dia do 13º Insurance Service Meeting, promovido pela CNseg, em 6 e 7 de novembro, em São Paulo, simultaneamente ao 4º Encontro de Inteligência de Mercado. Também participou, como debatedor, o chefe do Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação da Susep, Leonardo José Brasil de Carvalho e, como moderadora, a diretora de TI da HDI Seguros, Denise Ciavatta.

Segundo Mello, o blockchain despertou o interesse do setor de seguros por ser uma tecnologia imutável, inviolável e à prova de fraudes. “Os dados dentro de blockchain não podem ser excluídos e isso torna o ambiente mais confiável e imutável”, disse. No seguro, um dos primeiros usos da nova tecnologia ocorre nos smarts contracts. Mello acredita que é preciso desmistificar essa tecnologia. “Nada mais é do que automatizar os processos dentro de um sistema, produto ou plataforma”, disse.

Para ele, no setor de seguros, ainda existem alguns desafios para a implantação do blockchain, como a baixa inovação em produtos, os altos custos administrativos, fontes de dados fragmentados, fraudes, regulação rigorosa etc. Por isso, ele considera que a implantação deve ser mais lenta, até porque, em outras indústrias o blockchain ainda está em fase de testes.

Blockchain: por onde começar

Na visão de Mello, o blockchain também faz todo o sentido para o regulador do mercado de seguros. A começar pela melhoria no compartilhamento de dados. “Não vão precisar coletar, armazenar, reconciliar ou agregar informações”, disse. Outros argumentos são a manutenção dos registros e a documentação das transações de forma imutável. “Trata-se de uma trilha de auditoria precisa, segura e permanente”, afirmou.

Mas, antes mesmo do blockchain, vem a inovação e, junto com ela, outras soluções tecnológicas que também precisam ser avaliadas. Considerando que o blockchain não resolve tudo, Mello disse que, no IRB Brasil Re, em vez de enxergar a inovação de forma ampla, como é comum, a visão é de que ela deve sempre servir como resposta a algum problema. Mais do que isso, a inovação também precisa gerar valor estratégico e financeiro. 

Outra orientação sua é que o processo de inovação deve ser estruturado para atingir resultados. “Se a inovação não estiver ligada à estratégia não dará certo, porque os setores não poderão realizar essa mudança sozinhos. Desenvolva um portfólio equilibrado de iniciativas inovadoras”. 

Denise Ciavatta, diretora de TI da HDI Seguros, concorda com Mello. “Temos de olhar a tecnologia como um meio de resolver problemas, ou seja, apenas como um facilitador nesse processo. Cabe a nós usá-la bem”, disse. Em seguida, perguntou ao chefe do Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação da Susep, Leonardo José Brasil de Carvalho, se a autarquia já faz uso de blockchain.

Carvalho respondeu que, por enquanto, a Susep não tem nenhuma iniciativa envolvendo blockchain “porque o custo de regulação é alto e poderia sufocar o mercado. Por isso, preferimos deixar que o mercado desenvolva essa solução”, disse. Porém, afirmou, algumas iniciativas da Susep podem fomentar o uso de blockchain, como, por exemplo, a apólice eletrônica e o sandbox. “O edital da sandbox, mostra que pela primeira vez a Susep fala em trocar informações com o mercado não pela FIP, mas por API. E isso é um grande marco”, disse. “Somos entusiastas da tecnologia, mas não vamos sufocar o mercado”, acrescentou.

Insurance Meeting: reguladores debatem o projeto sandbox, com vistas a ampliar a competição e fomentar a inovação

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Fonte: CNseg

A Susep recebeu, dentro do processo de consulta pública de seu projeto de inovação, várias sugestões de aperfeiçoamento dos normativos apresentados. Dentro do projeto de inovação, serão testadas soluções pelo prazo máximo de 36 meses, oferecidas por seguradoras com autorização de operação temporária. O edital está previsto para ser publicado em janeiro de 2020, dentro do projeto coordenado pelo Ministério da Economia, que conta, também, com participação do Banco Central do Brasil e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A proposta dos reguladores é criar permissões temporárias a novos modelos de negócios e serviços para os quais ainda não existe regulação específica, de modo que possam se desenvolver e serem monitorados em um ambiente controlado.

O debate ocorreu durante o painel “A regulação em um ambiente de avanços tecnológicos”, realizado no 13º Insurance Service Meeting, que acontece simultaneamente ao 4º Encontro de Inteligência de Mercado, realizados pela CNseg em 6 e 7 de novembro, em São Paulo.

Segundo Eduardo Fraga, diretor da Susep, as exigências para participar do projeto de inovação, definidas na consulta pública, buscam evitar produtos com pagamento de prêmios únicos, além de limitarem os riscos subscritos e certos ramos de negócio. Por isso, não foram permitidos produtos de previdência e seguros de cauda longa. 

A empresa participante do projeto de inovação da Susep poderá solicitar a saída, autorização para funcionar de forma plena, transferir sua carteira ou ser adquirida por outra seguradora dentro do período de 36 meses. Se o prazo expirar, a autorização para funcionamento será cancelada. No entanto, há algumas premissas que podem cancelar a autorização. Uma das principais é o número de reclamações. “Se o número for elevado, a autorização para atuar será cancelada”, informou. Os possíveis participantes questionaram esse quesito, afirmando ser necessário analisar os tipos de reclamação para não serem penalizadas por aquelas fruto de má fé. “Estamos atentos a isso e buscando uma forma para lidar com esse tipo de distorção”, afirmou.

Segundo ele, a Susep “teve dificuldade para estimar a demanda. Por isso foi colocado o limite de 10 projetos. Mas pode ser que isso seja alterado. Se a demanda estiver muito grande, com a presença de projetos robustos, pode se alterar a abrangência inicial”, alertou. Algumas coisas não foram possíveis e temos de frisar que trata-se de sandbox regulatório e não de um sandbox legal. Ser uma sociedade de capital aberto, ter de cumprir normas de proteção de dados e de prevenção à lavagem de dinheiro, além de arcar com a taxa de fiscalização são alguns itens que não puderam ser flexibilizados, informou. 

A reinvenção na forma de regular o mercado

O chefe da Assessoria de Análise Econômica da CVM, Bruno Una, apresentou um gráfico mostrando que, na Inglaterra, onde o sandbox foi criado, 90% dos projetos seguiram adiante depois de finalizado o período de testes e que 40% destes conseguiram financiamentos. 

A CVM recebeu 26 contribuições ao normativo sobre sandbox regulatório durante a fase de audiência pública, que estão sendo analisadas e, assim como a Susep, pretende finalizar o processo em janeiro de 2020. A autarquia também recebeu cerca de 15 consultas. Um caso inédito para a CVM, que não está interessada apenas em produtos e, sim, em grandes ideias, que tragam ganhos de eficiência, redução de custos e ampliação de acesso a produtos. 

 A revisão do estoque regulatório como prioridade da ANS

O diretor presidente da Agência Nacional de Saúde (ANS), Leandro Fonseca, informou que a Agência não possui um projeto de sandbox, como Susep, CVM e BC. “Mas temos boas notícias. Quando se olha o arcabouço regulatório da ANS, temos mudanças relevantes no passado recente e outras que estão em discussão para viabilizar os mercados e também abrir espaço para novos entrantes”, comentou. 

Segundo ele, a revisão do estoque regulatório tem sido um tema prioritário na agenda da ANS nos últimos anos, visando fomentar a competição saudável do setor. “Por trás deste objetivo de incentivar a competição e regulação proporcional, a ANS já vem fazendo um árduo trabalho, sem a necessidade de criar uma regulação especifica como o sandbox. Vamos aguardar nossos amigos, aprender com eles e, se for o caso, trabalhar uma norma especifica como a do sandbox”, afirmou. 

“Os reguladores terão a oportunidade de analisar os resultados positivos e negativos do sandbox, de modo que será possível transformar também as regras do ambiente plenamente estabelecido, mantendo a solvência, reduzindo custos e flexibilizando barreiras regulatórias”, concluiu Karini Madeira, superintendente de acompanhamento técnico da CNseg, moderadora do painel.

Insurance Meeting: revolução tecnológica moderniza mercado segurador

Marcio Coriolano, presidente da CNseg, Camilo Ciuffatelli, presidente da Comissão de Processos e Tecnologia da Informação da CNseg e Leandro Fonseca, presidente da ANS, participam da abertura dos eventos que acontecem hoje e amanhã, em São Paulo

“Há pouco tempo achávamos que uma nova revolução tecnológica no nosso mercado era apenas um conceito. Entretanto, a prática recorrente de inovação de instrumentos como a digitalização, a inteligência artificial e ferramentas poderosas de análise de dados, já é uma realidade e, cada vez mais, sabemos que os empresários que souberem se apropriar, ou pelo menos adaptar-se, a essa revolução tecnológica, terão melhores condiçôes competitivas. Ou de sobrevivência.”

Assim Marcio Coriolano, presidente da Confederação das Seguradoras (CNseg) deu inicio a dois importantes eventos do setor:  o 13º Insurance Service Meeting e o 4º Encontro de Inteligência de Mercado. Os debates acontecem nos dias  6 e 7 de novembro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo e vão reunir um time multidisciplinar de especialistas para discutir “A Jornada da Transformação no Setor de Seguros”.

Coriolano pontuou alguns dos desafios do setor, pontuando os atuais, que determinarão o futuro do setor. “Temos feito bem a lição de casa. Afinal, não é por outra razão que estamos nos reunindo aqui pela 13ª vez”, ressalta o presidente.

Como experiente gestor de seguros, fez algumas consideraçōes e provocaçōes sobre o tema. Segundo ele, em qualquer movimento inovador, disruptivo ou progressivo, há o “caldo verdadeiro e a espuma”. Como representante setorial, ele se sente responsável por chamar a atenção das associadas da CNseg para as propostas e soluçōes que se encaixem nas necessidades de cada uma delas.

“Estamos vivendo hoje oportunidades e ameaças de propostas em, pelo menos, três direções”, enfatizou. A primeira direção, citou, são incrementos tecnológicos que chama de “eliminação de cotovelos”, com objetivo de encurtar processos. “Cabe escolher os melhores”, avisou.

A segunda oportunidade ou ameaça, são as inovações que agregam novos negócios, e que precisam de escala, de volumes, e de competências específicas do negócio. são aquelas que necessitam de capital e sinergias que apenas uma parceria com incumbentes – as estabelecidas – podem levar a efeito.

A terceira, citou, são as que podem mesmo ameaçar o “status quo” do negócio. Aquelas que estão implicando, ou poderão implicar, em um negócio que amplie a base de penetração dos seguros. um produto ou serviço que poupe capital, e, ao mesmo tempo, tenha viabilidade em escala ampliada.

Todas essas três vertentes merecem atenção atualmente, segundo ele. “Mas, intuo que não é nada fácil para as seguradoras e investidores navegarem no mercado “insurtech” e terem avaliação precisa sobre qual das três direções oferecem maiores perspectivas e factibilidade”, afirmou.

De um lado e do outro – das seguradoras e dos fornecedores de soluçōes – os melhores resultados serão vencedores. De acordo com Coriolano, é preciso muito preparo para a escolha. Talvez, em algum momento seja necessário um cardápio de critérios que ajude a identificar em qual vertente as insurtechs que disputam o mercado se situa.”Afinal, estamos saindo, mundialmente, da fase da prova de conceito da nova revolução tecnológica dos seguros, para a fase da prova de viabilidade”, finalizou.

Camilo Ciuffatelli, presidente da Comissão de Processos e Tecnologia da Informação da CNseg, afirmou que os desafios são muitos. “Frequentei dezenas e tenho certeza que serão centenas de eventos sobre inovação diante da grande demanda que temos e teremos daqui para frente. E saio de todos ele com propostas que me ajudam a tomar decisões importantes no meu dia a dia como executivo de seguradora”, citou ele, que é gerente de tecnologia da seguradora japonesa Tokio Marine. “Agradeço imensamente a toda a equipe da comissão da CNseg, que durante 4 meses conciliou o trabalho nas companhias para as quais trabalham, com a organização de evento”.

Leandro Fonseca, presidente da Agência Nacional de Saúde (ANS), destacou a importância de participar de eventos que discutem melhorias para os mercados. “Sabemos que o sentido de inovação é muito diferente para o setor privado e público. No público se faz o que é possível, enquanto no privado de vai muito além, uma vez que o debate com prestadores de serviços junto com seguradoras é um movimento que agrega a todos”, afirmou.

Concordando com Coriolano sobre a incerteza sobre o futuro, Fonseca destacou um ponto bom deste cenário que permeia diversos segmentos no mundo. “Todos acabam buscando soluções que necessitam de colaboração, parcerias e estratégias conjuntas. E esse é o principal ganho que eventos como esse trazem para todos nós”.

Economia prateada: Eles têm dinheiro, querem consumir, são diversos e a longevidade vai além de saúde e previdência

A economia prateada é a terceira maior do mundo. Seria o terceiro maior pais do globo, superado pelas economias dos EUA e da China. Já movimentam mais de R$ 1 trilhão no Brasil e mais de US$ 15 trilhões nos Estados Unidos. “Uma população é enorme”, diz Clea Klouri, sócia da Hype 60, durante o painel “Publico Senior, Oportunidades e Desafios para o mercado segurador”, no 4o, Encontro de Inteligência do Mercado, promovido pela CNseg, em São Paulo. “Eles têm dinheiro, querem consumir, são diversos e a longevidade vai muito além de saúde e previdência”, afirma.

A especialista mostrou diversos videos que mostram os desafios e as oportunidades para todos aqueles que se dedicam a ajudar os mais de 60. “F@da-se. É uma questão de sobrevivência. Não sou uma velhinha de bengala aos 68 anos. Vou ser uma senhora de bicicleta”, citou uma senhora de 74 anos em um dos videos mostrados pela especialista neste público 60+, que segundo pesquisas 55% deles são independentes financeiramente. Tanto ajudam os filhos como os pais, conhecidos como geração sanduíches. Dados de pesquisas sobre longevidade conduzidas pela universidade de Oxford mostram também que 71% das pessoas acima de 60 são digitais, 70% são assinantes do Netflix e 27% usam aplicativos de relacionamentos.

Outro vídeo interessante, que mostra o potencial de ideias que podem ajudar o idoso, mostra um case de sucesso para millennials mas que beneficiou o publico senior. Quem poderia imaginar que a febre do aplicativo Pokemon Go traria uma nova vida a um senhor de mais de 75 anos, com dificuldades para se locomover, mas que passou a caminhar com bengala 8 horas por dia para se divertir com a caça aos mostrengos. Isso mostra que não há limites para pensar em negócios para o público que forma a economia prateada.

Realmente temos uma realidade muito deturpada do envelhecimento, disse Joao Paulo Merlin, superintende de BI da Zurich. O brasileiro esta amadurecendo. Ele mostrou um gráfico que mostra a evolução da expectativa de vida nos últimos anos. Em 2060, 81,2 anos. em 1920 era 35 anos. Em breve isso deve aumentar. Estamos falando de uma expectativa de vida média. Já nasceu a pessoa que vai viver 200 anos. É uma informação um pouco forte”, afirma.

Já há expectativa do IBGE que mostra que o público millennials, até 35 anos, cai para 37% e os 50+ passam a representar 45% da população. “Isso mostra que o mercado segurador precisa se preparar. Vemos algumas companhias agindo de forma tímida. Hoje tudo tem foco nos milleniuns nas estratégicas de inovação e produtos. E isso atrapalha um pouco olharmos com mais estratégia para a economia prateada”, disse Merlin. “Não digo que é para deixar de focar nos jovens, mas sim equilibrar o direcionamento de investimentos em estudos entre as duas faixas. Temos de pensar que o nicho 60+ crescerá 40% nos próximos 10 anos e representará 20% da população brasileira”.

Antonieta Scariassari, controller da Alfa Seguradora, reforçou todos os dados apresentados e acrescentou dados inéditos de uma pesquisa da comissão de inteligência da CNseg, com dados do Brasil e vários países do mundo. “Todos eles deixam claro que é preciso reformas para atualizar as politicas e economias para as pessoas acima de 60 anos”.

No Japão, por exemplo, hoje se vende mais fraldas para idosos do que para crianças. Na Alemanha, Nos EUA, startup que oferecem monitoramento e diagnósticos de doenças. Na China, o Alibaba e-commerce especifico para este publico. Por dia 1,3mil desaparecem por conta de esquecimento. 83% no ramo de saude ja se utilizam de tecnologia de monitoramento de idosos.

As cidades têm projetos que aproximam jovens de idosos. Nos EUA, um app tem uma rede de apoio que conecta jovens com o público senior. Eles levam os idosos para passeio, ajudam com a tecnologia entre outros serviços que são remunerados por horas de trabalho. Os jovens também alugam quarto nas casas de idosos em troca de alguma ajuda nas limitações físicas ou mentais do dia a dia. A carência no cuidado por parte dos responsáveis é outro ponto convergente nos países pesquisados pela CNseg.

Priscila Aguiar, economista da Superintendência de Estudos e Projetos da CNseg e mediadora do painel, questionou os participantes sobre se o mercado brasileiro realmente ainda nao despertou para o publico senior. “O mercado resiste um pouco para despertar para isso. Mas deve evoluir, pois vem ai um perfil de população que precisa de muitos produtos, que podem ser ofertados pelo mercado segurador. É possível ganhar dinheiro com isso como mostram as estatísticas de vários estudos”, enfatizou Clea Klouri.