Busca por rentabilidade impulsionará ondas de otimismo que podem descolar da realidade dos dados, prevê CNseg

A mediana das projeções do mercado para a variação do PIB brasileiro em 2020 voltou a subir de -6,10% para -5,95%, no Relatório Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira, com estimativas coletadas até o fim da semana passada

“A busca por rentabilidade impulsionará ondas de otimismo que podem descolar da realidade dos dados nos próximos meses em alguns momentos. A recuperação das economias de fato é mais rápida do que o esperado, mas ainda há sinais de que a intensidade pode decepcionar mais à frente”, prevê Pedro Simões, economista do Comitê de Estudos de Mercado da CNseg, a Confederação das Seguradoras, no boletim Acompanhamento das Expectativas Econômicas semanal das expectativas econômicas feito pela Superintendência de Estudos e Projetos (Suesp) da CNseg.

“Mesmo com incertezas e volatilidade atuais, ja havia uma busca por mais risco desde o início da queda da Selic, em julho do ano passado. Vamos ter onda de otimismo, tanto pela busca de rentabilidade para os investimentos como por noticias otimistas, como uma vacina para a Covid-19, entre outras boas perspectivas como o avanço da reforma tributária”, citou.

Simões também destacou a fala de Roberto Campos, presidente do Banco Central, em live realizada na semana passada, na qual afirmou que a economia brasileira começa a apresentar recuperação em formato de “V”, mas que “não achamos [no Banco Central] que vai ser um V completo, com a retomada perdendo força em algum momento.

“Se alguém tinha dúvidas se a autoridade monetária vai reduzir a taxa de juros, deixou de ter. O comentário de Campos deixa claro que o BC pode reduzir juros já na próxima reunião do Copom, em agosto, e o mercado financeiro já precifica isso como vemos no boletim Focus desta segunda-feira”, comenta. “Por mais que a economia tenha crescimento maior do que o previsto, a pressão da demanda deve demorar para que o BC se preocupe com inflação”.

Leia abaixo o acompanhamento semanal das expectativas econômicas feito pela Superintendência de Estudos e Projetos (Suesp) da CNseg. Em breve, a análise estará disponível no portal da confederação.

ACOMPANHAMENTO DAS EXPECTATIVAS ECONÔMICAS

Apesar da consolidação de uma segunda onda de contágio nos Estados Unidos e de uma quase estabilização em patamares altos no número de casos e mortes associados à Covid-19 na maioria dos países emergentes, como o Brasil, o fluxo de notícias associadas à pandemia continua mais positivo que negativo e, por isso, os mercados permanecem mais animados, em meio aos sinais de que a recuperação econômica se consolida (ainda que haja dúvidas sobre sua intensidade).

No entanto, continuamos a acreditar que em um ambiente internacional irrigado pela liquidez e pelos juros reais historicamente baixos – até negativos em algumas economias líderes – como consequência da ação dos Bancos Centrais, a busca por rentabilidade impulsionará ondas de otimismo que podem descolar da realidade dos dados nos próximos meses em alguns momentos. A recuperação das economias de fato é mais rápida do que o esperado, mas ainda há sinais de que a intensidade pode decepcionar mais à frente.

Na China, o PIB do 2o trimestre (+3,2% AsA) mostra que esforços agressivos do país para controlar a pandemia compensaram, mas as perspectivas para o consumo não são tão animadoras. Nos Estados Unidos, depois de semanas com indicadores de atividade apresentando divulgações melhores que o esperado, o contrário começa a ocorrer.

As vendas do varejo subiram acentuadamente em junho (6,7%), superando as expectativas, mas indicadores de confiança em julho decepcionaram, provavelmente como reação ao recrudescimento da pandemia em estados do Sul e Oeste do país. No Brasil, no saldo entre números de maio para comércio varejista e a indústria (melhores que o esperado) e para os serviços (ainda em contração), prevaleceu alguma decepção com a intensidade da retomada após o “fundo do poço” de abril.

O indicador do BCB para atividade, o IBC-Br, registrou leve alta 1,31% em maio. Na comparação anual, a queda é de 14,24%. No acumulado do ano, o indicador registra recuo de 6,08%. Ainda assim, está claro que a recuperação ocorre e, por isso, cenários de contração do PIB superiores a 6% começam a ser descartados pelos analistas.

Além disso, sinais mais positivos têm vindo da política nas últimas semanas, com menor beligerância entre os poderes e sinalizações positivas no andamento de matérias importantes como o marco legal do saneamento e as discussões relevantes e em bom tom sobre a reforma tributária entre a Câmara, o Senado e Governo.

Nesse cenário, as projeções para a retração da economia este ano melhoraram pela terceira semana consecutiva, de -6,10% para -5,95%, com a projeção de crescimento no ano que vem sendo mantida em 3,50%. A projeção para a inflação oficial este ano, o IPCA, permaneceu em 1,72% e, para 2021, em 3,00%. Na semana passada, o presidente do Banco Central afirmou que a economia brasileira começa a apresentar recuperação em formato de “V”, mas que “não achamos [no Banco Central] que vai ser um V completo”, com a retomada perdendo força em algum momento.

Esse discurso reforça a ideia de que, mesmo com os grandes riscos fiscais frequentemente apontados na comunicação do Banco Central e com as expectativas de queda menor que o esperado para o PIB, a inflação ainda muito abaixo das metas estabelecidas pelo CMN neste e no próximo ano e a dimensão do hiato (diferença entre o produto potencial e o produto efetivo da economia), que deve permanecer alto por muito tempo, permitem que a Selic seja reduzida ainda mais até o final deste ano, para 2,00%, mediana das projeções do Focus que se mantém nesta semana.

No calendário econômico, destaque para diversos indicadores de confiança para o mês de julho e para o IPCA-15 do mesmo mês, que será divulgado na sexta-feira (24/07). A retomada de uma agenda política mais intensa também deve guiar as expectativas dos analistas nas próximas semanas.

Munich Re reporta lucro de US$ 685 milhões no segundo trimestre

“A Munich Re percebe uma incerteza considerável em relação ao desenvolvimento macroeconômico e ao impacto financeiro do COVID-19, e não espera que a incerteza diminua entre agora e o início de 2021”, disse a empresa

Fonte: Reuters

O grupo alemão de resseguros Munich Re disse nesta segunda-feira que está descartando uma recompra de ações planejada, ao reportar ganhos do segundo trimestre deprimidos por pagamentos em grandes eventos cancelados devido à pandemia de coronavírus.

A Munich Re reportou lucro líquido de cerca de 600 milhões de euros (US$ 685 milhões), uma queda em relação ao resultado consolidado do ano anterior de 993 milhões de euros, mas acima da expectativa de consenso de 405 milhões de euros entre 20 analistas em uma pesquisa compartilhada pela empresa.

As perdas resultantes do surto de coronavírus totalizaram 700 milhões de euros, com a maior parcela relacionada a reclamações sobre eventos cancelados. Um impacto menor foi relatado nos negócios de vida e saúde de Munich Re, bem como no seguro contra acidentes de propriedade, disse a empresa.

A Munich Re anunciou em fevereiro que recompraria ações no valor máximo de 1 bilhão de euros, mas interrompeu o programa no final de março até novo aviso. O plano de recompra agora definitivamente não será implementado.

“A Munich Re percebe uma incerteza considerável em relação ao desenvolvimento macroeconômico e ao impacto financeiro do COVID-19, e não espera que a incerteza diminua entre agora e o início de 2021”, disse a empresa.

“Além disso, a Munich Re recentemente identificou condições verdadeiramente favoráveis ​​para o crescimento de seus negócios de resseguros e, portanto, o uso ativo de seu capital”.

A Munich Re disse que continuará adotando uma política de dividendos favorável aos acionistas e revisitará a idéia de recompra de ações no início de 2021. As ações da empresa negociaram 0,5% acima no final das negociações em Frankfurt.
 

Zurich cria força-tarefa para atender segurados vítimas do ciclone no Sul do país

Seguradora usa ferramenta digital e vistoria mobile, que captura fotos dos veículos, dos imóveis e objetos danificados para agilizar atendimentos. Companhia trabalha também na produção de conteúdo sobre furacões, tufões e ciclones tropicais para auxiliar as pessoas e as empresas a se prepararem para minimizar os impactos no seu dia a dia

Os eventos climáticos extremos, como vendavais, furacões, tempestades e consequentes inundações estão acontecendo com mais frequência e têm impactado muitas regiões do Brasil. Neste momento, o mercado segurador tem um papel social importante de auxiliar e proteger as famílias e as empresas. Após a passagem do ciclone nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a Zurich montou uma estrutura especial para atender os clientes de seguro automóvel e residencial. Foi criada uma força-tarefa para atendê-los com agilidade, por meio do uso da ferramenta digital e vistoria mobile, que pela captura de fotos dos veículos, dos imóveis (ou dos objetos danificados) gerou uma regulação dos sinistros ágil, pois o suporte econômico aos segurados, nesse momento, é fundamental para recomposição do patrimônio dos segurados.

“Temos o compromisso de estar sempre ao lado de nossos clientes e corretores para dar todo o suporte necessário quando necessitam, principalmente em um momento delicado como esse no Sul”, diz Waldecyr Schilling, Diretor Regional Sul da Zurich.

A iniciativa da Zurich consiste em um plano de atendimento emergencial e atuação conjunta com os corretores atuantes em cada Estado para agilizar os atendimentos. Segundo Carlos Cortés, superintendente de Engenharia de Riscos da Zurich no Brasil, as mudanças climáticas estão levando a uma maior ocorrência de eventos climáticos extremos, os quais serão mais severos daqui para frente. “Neste contexto, as empresas precisam entender melhor a sua exposição a esses eventos para poderem fortalecer a sua proteção e capacidade de resposta”, afirma.

O executivo reforça que, embora os riscos de catástrofes naturais possam acontecer inesperadamente, trazem lições que devem ser aproveitadas para o desenvolvimento de um Plano de Resposta a Emergências (PRE) específico. O PRE tem um papel importante para minimizar perdas, agilizar a recuperação das operações e recompor os prejuízos

Roberto Hernandez, diretor executivo de Commerical Insurance da Zurich no Brasil, afirma que o seguro para este tipo de evento é um instrumento de proteção e as empresas devem reavaliar a sua necessidade e abrangência, considerando as mudanças climáticas em evolução. “A Zurich investe continuamente em uma série de melhorias das coberturas dos seus seguros e estamos sempre pensando na melhor forma de atender nossos clientes, principalmente em situações adversas como essa”, diz.

Impactos climáticos

A frequência e a severidade dos eventos climáticos extremos serão cada vez maiores, conforme antecipou em janeiro deste ano o Global Risks Report, relatório anual produzido pela Zurich junto com o Fórum Econômico Mundial e outros parceiros. O documento alertou sobre os riscos do aquecimento global e destacou questões relacionadas às mudanças climáticas, como inundações ou tempestades, que são grandes preocupações do mundo nos próximos dez anos. “O planejamento cuidadoso e a preparação são estratégias importantes que garantem uma gestão de risco mais efetiva neste contexto”, diz Cortés.

O superintendente de engenharia de riscos da Zurich no Brasil enfatiza que a companhia tem desenvolvido serviços orientados a avaliar a exposição das empresas aos riscos climáticos e produzido uma série de relatórios e estudos para auxiliar as pessoas e as empresas a compreenderem a origem destes riscos e se prepararem para minimizar os impactos deles no seu dia a dia. Um dos artigos sobre furacões, tufões e ciclones tropicais pode ser acessado no site da seguradora: https://bit.ly/3fdJOGM.

Victor Bernardes volta à SulAmérica para liderar as operações de Vida e Previdência

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Fonte: SulAmérica

O executivo Victor Bernardes retornou em março à SulAmérica, onde trabalhou de 2014 a 2018, para assumir as operações de seguro de vida e previdência privada da companhia. “Minha missão é conduzir e apoiar a transformação digital das operações de Vida e Previdência, fomentando a inovação e desenvolvendo novas soluções para cuidar da saúde financeira dos nossos clientes, sempre com a alta qualidade pela qual a SulAmérica é reconhecida”, comenta Bernardes, que tem como report direto Marcelo Mello, vice-presidente de Vida, Previdência e Investimentos. 

Com mais de 20 anos de experiência, o diretor de Vida e Previdência volta à SulAmérica após dois anos. Em sua primeira passagem pela seguradora, Bernardes foi superintendente de Produtos, Underwriting e Gestão de Risco. O executivo é formado em Matemática pela USP e em Ciências Atuárias pela UniFMU, além de ter cursado MBA em Gestão Empresarial na FIA-USP. 

Oferecer cuidado e proteção para as pessoas, por meio de um diversificado portfólio de produtos e serviços para que elas possam ter opções para escolher aqueles que fazem mais sentido de acordo com seu momento de vida, é o que move a SulAmérica. “Esse desafio associado ao novo momento da companhia me motivaram muito a voltar. Estou extremamente animado e cheio de energia para construir um olhar integral de saúde, em que corpo, mente e finanças andam juntos para essa oferta completa de proteção”, conclui. No time de Victor Bernardes estão Juliana Ave, Superintendente de Produtos, Pricing e Projetos, Tiago Fontes, Superintendente de Planejamento e Controle, Nelio Rapuano, Superintendente Comercial e Relacionamento Pessoa Física, e Renato Ribeiro, Superintendente Comercial e Relacionamento Pessoa Jurídica. 

Zurich oferece Telemedicina para clientes que comprarem seguro de proteção de bens na Fast Shop

Fonte: Zurich

Com o isolamento social por conta do novo Coronavírus, o uso de consultas médicas virtuais vem aumentado no país. Atenta a esta demanda dos consumidores, a seguradora Zurich desenvolveu uma campanha em que irá oferecer gratuitamente um pacote de telemedicina, válido por 90 dias, para os clientes que fizerem a contratação online de um seguro de roubo ou furto qualificado na compra de equipamentos na rede de varejo Fast Shop, parceira da companhia. A campanha tem validade até 24 de julho. 

O serviço de Telemedicina tem suporte médico para os segurados com atendimento remoto por videoconferência. Após a orientação virtual, o cliente ainda recebe em seu e-mail um relatório completo com as orientações gerais, uma sugestão diagnóstica, prescrição de medicamentos para alívio de sintomas e conduta sugerida. Todos os documentos emitidos são assinados com certificação digital e aceitos nas farmácias em todo o território nacional. O serviço tem médicos disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana. 

“Estamos num momento de transformação digital e nossa iniciativa parte do crescimento das vendas online, principalmente dos seguros de roubo ou furto qualificado de equipamentos, buscando sempre apoiar nossos parceiros. Esta é uma oportunidade segura para que os clientes que apresentam algum sintoma não precisem se deslocar até o hospital. É também um serviço de medicina a distância muito importante para quem não tem plano de saúde”, diz Luis Reis, Diretor de Afinidades da Zurich.

“Nossa missão é cuidar do cliente por toda a vida. A partir disso, mais do que oferecer um seguro, trabalhamos em parceria com a Zurich para oferecer um serviço de proteção de qualidade. Neste cenário de pandemia, acreditamos ser pertinente trazermos mais esta vantagem ao cliente da Fast Shop, que em sua experiência de aquisição conosco, contará com um serviço gratuito de Telemedicina de alto nível”, afirma Roberto Oliveira, Diretor Comercial de Serviços da Fast Shop, rede de referência no mercado de eletroeletrônicos e eletrodomésticos.

Após a compra de um seguro de roubo ou furto qualificado de equipamentos, o serviço de Telemedicina ficará disponível para o cliente durante 90 dias.

Diversificação dos investimentos é a bola da vez para as seguradoras

Estratégia já vinha sendo adotada pelos gestores de reservas de R$ 1,3 trilhão diante do ciclo de queda da taxa Selic, desde meados de 2019

Paulo Leme, presidente do comitê global de alocação de riscos da XP Investimentos, disse durante sua palestra no megaevento Expert XP realizado na semana passada, de 14 a 18 de julho, que os retornos financeiros fáceis para investidores institucionais, como seguradoras, praticamente acabou com a crise do coronavírus. “O mundo fácil do CDI acabou e segundo o presidente do FED (banco central americano), as taxas de juros no mundo serão negativas por muitos anos”, afirmou. Segundo ele, será preciso assumir mais riscos em investimentos mais complexos para diversificar o mix da carteira de investimentos.

Tem quem concorde e discorde. As seguradoras, por exemplo, tem cerca de R$ 1,3 trilhão em investimentos, sendo quase a totalidade em fundos de investimentos. Cerca de 80% se referem a reservas técnicas, que contam com regras mais rígidas para investimentos. Já os 20% sao recursos livres, com mais flexibilidade para os gestores aplicarem no mercado financeiro. No entanto, com o atual ciclo de queda da Selic, que foi reduzida pela oitava vez seguida desde julho de 2019, a saída é a diversificação para fazer o dinheiro render. De lá para cá, a taxa caiu de 6,5% para os atuais 2,25% ao ano, menor nível da história. Com uma taxa tao baixa, a rentabilidade das aplicações de renda fixa fica comprometida. Ninguém se atreve a fazer previsão sobre até quando vai durar o ciclo de baixa da taxa Selic.

Rodrigo Belloube, CEO da resseguradora Munich Re no Brasil, tem uma visão um pouco diferente de Paulo Leme. “Existem várias limitações a um movimento das seguradoras e resseguradores no sentido de investimentos mais ousados. Primeiro, porque é uma matéria bastante regulada. Segundo, porque o portfólio de investimentos é desenhado com o objetivo de responder adequadamente às obrigações presentes e futuras, em particular em relação ao timing dos fluxos de caixa (o que os financistas chamam de duration) e ao risco cambial. Em outras palavras, há limitações”, explicou ao blog Sonho Seguro.

Belloube: portfólio de investimentos é desenhado com o objetivo de responder adequadamente às obrigações presentes e futuras, em particular em relação ao timing dos fluxos de caixa

Segundo Belloube, a reação predominante, já sendo notada mundo afora, é a readequação dos preços, compensando a perda do ganho financeiro com maior resultado técnico. Exemplos bastante visíveis dessa tendência crescente são os mercados de subscription na Flórida e de D&O em Londres, com aumentos de dois dígitos. Há também uma maior seletividade por parte das seguradoras por resseguradores com melhor balanço, reequilibrando a curva de oferta e demanda. “O Brasil tem algumas idiossincrasias adicionais que fortalecem esse movimento”, afirma.

Como fator compensatório, algumas carteiras vêm apresentando uma sinistralidade menor no curto prazo, caso específico da de auto. “Em que medida as métricas de desempenho se manterão no futuro é uma questão ainda em aberto, a depender de mudanças comportamentais no novo normal e também decorrentes de tendências que se aceleraram, caso da economia compartilhada”, diz o CEO da resseguradora alemã.

Raphael Barreto, CFO da MAG Seguros, concorda com a afirmação de Paulo Leme. Ele argumenta que historicamente os juros brasileiros têm se mantido em um patamar muito alto. Se pegarmos a série histórica a partir de 1994, ano do Plano Real, os juros durante a maior parte do tempo se mantiveram em dois dígitos, o que ocorre não ocorre mais. “Com a taxa SELIC próxima de 2%, provavelmente observaremos juros reais negativos em alguns momentos”, diz.

Raphael Barreto, CFO MAG Seguros
Barreto: “Atingir as rentabilidades necessárias à remuneração das metas dos passivos não será mais uma tarefa fácil e sem riscos como observamos historicamente”

Segundo os seguradores, juros de curto prazo (CDI) tão baixos certamente estarão abaixo das metas de remuneração dos passivos das seguradoras, o que necessariamente gerará necessidade de maior diversificação de investimentos, incluindo ativos de maior risco em busca de maiores retornos. “As seguradoras deverão alocar boa parte de seus recursos em títulos de longo prazo onde os juros são mais altos do que o CDI, ações e outros ativos que tenham risco de mercado, o que não ocorre com ativos atrelados ao CDI. O mercado de títulos privados, onde há prêmio pelo risco de crédito, também passa a ser uma opção por rentabilidades maiores”, aposta o executivo da MAG Seguros. “Atingir as rentabilidades necessárias à remuneração das metas dos passivos não será mais uma tarefa fácil e sem riscos como observamos historicamente”.

Fernando Camillo, superintendente de investimentos da Porto Seguro, vai na mesma direção de Barreto. “Juntamente com o novo normal provavelmente teremos taxas de juros mais baixas, mas não como está hoje. “Acreditamos que é conjuntural”, diz ele, sem arriscar qualquer previsão para os próximos meses diante de um cenário pouco permanente. “Acreditamos que é conjuntural e a a seguradora vem não só diversificando os investimentos, como temos aproveitado muitas oportunidades que tem surgido”, contou.

Uma das janelas positivas, segundo Camillo, são os papeis atrelados ao crédito

Uma das janelas positivas, segundo Camillo, são os papeis atrelados ao crédito. “Neste cenário atual sai o setor público e entra o privado, Tem empresas com CDI mais 3%, o que nos possibilitou construir uma carteira de crédito privado nos meses de abril e maio, quando a bolsa recuou”, exemplificou. “Sao empresas com projeção de lucro menor em razão da quarentena, mas com fluxo de caixa para passar por este momento”.

Outra estratégia, segundo Camillo, é alongar a carteira. “Temos o CDI baixo, mas quando olhamos as taxas e temos títulos com 4,5% ao ano mais inflação, o que para nós é importante por termos obrigações como despesas na carteira de seguro automóvel atreladas a inflação, como reposição de pecas, por exemplo”, citou . Outro caminho observado pela Porto Seguro é o de internacionalizar dos recursos. “Podemos ter empresas em dólar mais 4”, disse ele, afirmando que esta diversificação da carteira de investimentos das seguradoras veio para ficar.

Vagner Guzella, CFO da HDI Seguros, afirma que de fato, considerando os patamares atuais de taxa de juros e projeções futuras, as seguradoras precisarão se preocupar com o nível de risco dos dois books distintos da empresa: o de reservas técnicas, regulado pela Susep e com volume de risco limitado pela lei Asset Liability Management (ALM), fundamental para a gestão de riscos de descasamentos da cada seguradora, e o book de reserva livre, composta também pelos recursos do acionista, que será pautado pelo apetite a risco de cada grupo.

“Para as reservas livres aumentamos o risco não apenas visando maiores retorno como também tentando acompanhar a evolução tecnológica da indústria por meio do nosso fundo de Private Equity”, diz Guzella

Segundo Guzella, a HDI Seguros, a estratégia ALM tem como foco a carteira de reservas técnicas, neste caso limitado pela duration dos produtos de automóveis que compõem a maior parte da carteira. “Para as reservas livres aumentamos o risco não apenas visando maiores retorno como também tentando acompanhar a evolução tecnológica da indústria por meio do nosso fundo de Private Equity, com alocações como a empresa ZOOX Smart Data, Accountfy e SpinetBank, sendo as duas últimas com foco em produtos de SME”, cita.

O executivo acredita que a queda da taxa de juros e a competição no setor devem acelerar os investimentos em busca de maior eficiência operacional e administrativa, bem como trazer mais liberdade de alocação dos recursos. “Estes fatores combinados irão acelerar a disrupção da indústria de seguros nos próximos anos, propiciando serviços com maior valor agregado aos clientes”, comenta.

O desafio das seguradoras, que já tem o risco inerente ao negócio, balancear rentabilidade, liquidez e segurança é de vital importância para equilibrar os resultados operacional e financeiro e entregar bom preço ao consumidor e lucro para o acionista. É certo que as seguradoras, que tem o risco como premissa no negócio, é preciso alocar uma porcentagem na renda fixa em nome da segurança. Mas é inegável que a rentabilidade de alguns títulos de renda fixa foi fortemente afetada. Segundo os especialistas, quem deseja manter os rendimentos que tinha antes dos cortes consecutivos da Selic, o jeito é aumentar o percentual de risco da sua carteira, alocando uma parte maior da carteira em renda variável.

Os gestores das seguradoras estão sintonizados com o que foi dito por experts convidados pela XP Investimento para o mega evento realizado semana passada, de 14 a 18 de julho. Segundo personalidades presentes no evento da XP Investimentos na semana passada, a diversificação é o caminho para todos. Uma das opções no radar dos gestores das seguradoras são os fundos de investimento em participações (FIP) especializados em infraestrutura, com maior preferencia por áreas como saneamento, concessões de rodovias, transporte e logística. No entanto, um dos desafios a vencer em termos de infraetrtuura, é resgatar a confiança dos investidores no Brasil.

O britânico Tony Blair, primeiro-ministro do Reino Unido entre 1997 e 2007, citou em evento da XP que o Brasil, enfrenta como principais desafios a corrupção, a falta de regras previsíveis para os investidores e a dificuldade em controlar as contas públicas. A volatilidade para arriscar nos investimentos vem em boa parte do conflito entre EUA e China, que pode evoluir para outros tipos de embates.

“Há uma guerra comercial, uma guerra tecnológica, uma guerra geopolítica e pode haver uma guerra de capital”, considerou. Esse cenário “tem implicações em todas as dimensões e certamente nos mercados e economias”, afirmou o fundador do “hedge fund” Bridgewater, Ray Dalio, convidado especial na abertura do evento Expert XP. “Qual o cálice sagrado de fazer dinheiro? É ter 10 ou 15 ativos de qualidade sem correlação”, recomendou Dalio. Para o especialista, a diversificação tem de ser feita em classes de ativos, localização geográfica e moedas variadas.

Bradesco Seguros estima pagar indenizações de R$ 43,5 milhões com ciclone bomba

Operação Calaminade acontece desde o dia 1º e julho, nos três estados da região Sul do Brasil, não tem data para término

Fonte: Bradesco Seguros

Além da pandemia do novo coronavírus, o ano de 2020 também chama a atenção por conta da intensidade de eventos climáticos severos, que têm ocorrido com maior frequência no Sul e no Sudeste do país. Em decorrência do “ciclone bomba” que deixou um rastro de destruição no Sul, a Bradesco Auto/RE, empresa do grupo Bradesco Seguros, iniciou a 31ª Operação Calamidade, que atende, desde o dia 1º de julho, sem data de término, os três estados da região. Por conta da urgência da situação, a operação visa atender de forma mais célere o segurado a partir de um processo de pagamento mais ágil do valor do seguro contratado residencial e empresarial. Após duas semanas de operação, o total de sinistros avisados já chegava a cerca de 3 mil e a estimativa de indenizações ultrapassara a cifra dos R$ 43,5 milhões.

Recentemente, no mês de junho, os temporais que também atingiram o Sul do Brasil deflagraram uma outra Operação Calamidade, que beneficiou 70 clientes do seguro residencial nos três estados da região, com R$ 850 mil de indenização pagos em média de cinco dias – o prazo é menos da metade de uma operação convencional, e uma das melhores marcas do histórico da própria operação. Desde que foi criada, a operação proporcionou o pagamento de sinistro a mais de seis mil segurados atingidos por vendavais em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. O montante indenizado atingiu a cifra de R$ 30,7 milhões entre residências, empresas, condomínios e equipamentos.

O Superintendente Executivo da Bradesco Auto/RE e especialista em mercado segurador, Carlos Oliva, alerta para a importância de proteção ao patrimônio, principalmente em momentos de adversidades, como em situações de enchentes, vendavais ou chuva de granizo. “Boa parte da população brasileira é vulnerável a sofrer com algum destes acontecimentos ao longo da vida, o que pode ocasionar prejuízos à residência, automóvel, empresa, entre outros. A proteção dos bens por meio do seguro tem como objetivo, entre outras frentes, garantir o atendimento prioritário e agilidade do pagamento de indenizações a clientes atingidos por intempéries, além de oferecer outros serviços e assistências”, declarou.

Ciclone-bomba no Sul: seguradoras criam força-tarefa para atender pedidos de indenização

São Paulo, Brasil 22-03-2013 retrato de Jarbas Medeiros, fotografado na sede da empresa Porto Seguro. ©FOTOS FERNANDO MARTINHO


 Fonte: FenSeg

As seguradoras montaram força-tarefa para fazer frente às ocorrências relacionadas ao ciclone-bomba, fenômeno meteorológico que tem causado grandes estragos na Região Sul desde o fim de junho. As companhias mobilizaram equipes de profissionais para acelerar o atendimento aos segurados e agilizar a abertura e regulação dos sinistros, que compreende a apuração dos prejuízos, levantamento de documentos e rápido pagamento das indenizações.

 De acordo com a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), já foram contabilizados mais de 20 mil sinistros em apólices de seguro residencial, empresarial e condomínio. Desse total, 70% referem-se a eventos ocorridos em Santa Catarina. Considerando os danos e prejuízos indenizados pelas seguradoras, 70% estão relacionados a ventos fortes e vendavais, que destelharam casas e alagaram imóveis, 20% referem-se a danos elétricos e 10% a outras causas.

“Esse foi o ciclone que causou o maior impacto no Brasil nos últimos anos, segundo os órgãos especializados. A Região Sul foi a mais afetada, principalmente Santa Catarina. Daí a necessidade de uma força-tarefa para otimizar os procedimentos relativos ao seguro. O uso de soluções digitais ajudou muito na abertura dos sinistros e na realização das vistorias remotas, agilizando todo o processo”, explica Jarbas Medeiros, presidente da Comissão de Riscos Patrimoniais Massificados da FenSeg.

 O ciclone-bomba é um intenso sistema de baixa pressão atmosférica. O fenômeno está associado a uma frente fria e provoca temporais, ventania, queda de árvores e baixa acentuada da temperatura. Em alguns municípios, as rajadas de vento chegaram a 120 km/h, destruindo casas e provocando fortes estragos em condomínios e imóveis comerciais.

Segundo Jarbas Medeiros, eventos como o ciclone-bomba vêm se tornando cada vez mais comuns no Brasil. De 2015 para cá, ocorreram pelo menos cinco eventos dessa categoria. Ele lembra que os seguros patrimoniais oferecem coberturas que podem ser moldadas às necessidades de cada cliente, seja uma residência, um condomínio ou uma empresa, independentemente do porte. 

 De acordo com a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), até maio, a Região Sul representou 24,5% das receitas dos seguros patrimoniais e 30% do total de indenizações pagas no Brasil, ainda sem considerar o impacto do último ciclone. Essa região também representa cerca de 22% das residências no País com  seguro residencial contratado.

Jarbas Medeiros destaca que esses produtos preveem coberturas adicionais contra fenômenos climáticos. É possível contratar a cobertura de Vendaval, por exemplo, que garante ao cliente a indenização por danos causados por vendaval, ciclone, furacão, tornado e granizo – e que foi a cobertura mais acionada no último ciclone. Outra cobertura bastante acionada nessas situações é a de Danos Elétricos, para proteger  em caso de queda de raios ou variações de energia que podem causar a queima de eletrodomésticos e eletroeletrônicos em geral.

“Cabe ressaltar que os danos causados pelo ciclone não ficam restritos ao imóvel. É muito comum atingirem os bens no interior da residência e as mercadorias e matérias-primas das empresas, por conta do destelhamento e a entrada de água”, lembra.

Segundo Jarbas Medeiros, outro fator de grande relevância é dimensionar corretamente os valores a serem contratados para cada uma dessas coberturas, de modo a proteger todo o patrimônio do segurado. “É comum nessas situações ver clientes que, embora possuam as coberturas  nos seguros contratados, não têm verbas suficientes para reparar todo o prejuízo que tiveram”, alerta.

Nova Geração: Icatu Seguros abre inscrições para o seu programa de estágio

Icatu Seguros

A companhia investiu no último ano mais de R$ 116 milhões em ações ligadas à inovação

A Icatu Seguros inicia a partir desta quarta-feira, 15, as inscrições do seu programa de estágio Nova Geração. As vagas são voltadas para estudantes a partir do segundo período e que estejam, no mínimo, a um ano e meio da formatura em cursos como Tecnologia da Informação, Ciências da Computação, Engenharias, Estatística, Ciências Econômicas, Publicidade e Propaganda e Administração.

Comprometida em promover uma cultura de transformação digital em toda a empresa, a companhia investiu no último ano mais de R$ 116 milhões em ações ligadas à inovação. O programa também é uma oportunidade de se conectar com esses jovens e como suas diferentes visões podem agregar ao dia a dia da companhia. 

Especialista em pessoas, a seguradora tem como um de seus maiores compromissos cuidar de quem trabalha diariamente para entregar os melhores serviços e resultados aos clientes. O resultado desse trabalho vem através de reconhecimento. A Icatu foi eleita uma das melhores empresas para trabalhar no Brasil por cinco vezes consecutivas segundo o ranking Great Place to Work (GPTW) e este ano foi reconhecida também pela premiação GPTW Mulher, que promove discussões sobre o posicionamento da mulher na sociedade e indica anualmente as 70 empresas com as melhores práticas e iniciativas no tema.  

O programa de estágio é uma oportunidade de desenvolver atividades relevantes para a carreira e direciona o desenvolvimento profissional dos participantes com vivências, treinamentos e uma dinâmica de rodízio de trabalho. Assim, é possível que o estagiário atue em diferentes funções ao longo do tempo, potencializando seu aprendizado e também contribuindo para que os jovens descubram seus campos preferidos de atuação. 

Após o cadastro de currículos e realização de provas online, os aprovados participarão de dinâmicas de grupo também de forma remota. A última etapa contempla painéis com executivos de diversas áreas da companhia.  As vagas contam com pacote de benefícios, além da remuneração mensal, que incluem assistência médica e odontológica, vale-transporte, vale-refeição, bolsa natalina e seguro de vida. 

“Nosso negócio é cuidar do presente e do futuro das pessoas. Ao longo de 2019 retornamos para a sociedade mais de R$ 800 milhões em pagamentos de renda, indenizações e sorteios, por exemplo. Para isso contamos com colaboradores motivados, questionadores e que são os principais responsáveis por seguirmos com o propósito de construir um Brasil onde as pessoas e famílias estejam financeiramente protegidas e assistidas em todas as fases da vida”, afirma Camila Asenjo, diretora de Pessoas da Icatu Seguros. 

Os candidatos podem se inscrever neste link, até o dia 31/07. 

Artigo: Um efeito colateral potencial do fechamento: Legionella

Por Joachim Keck, Consultor de Risco de Acidentes, AXA XL

A COVID-19 está recuando em diversas partes do mundo e alguma semelhança com a vida “normal” está retornando. Contudo, na luta contra o vírus, podemos ter criado involuntariamente condições que possibilitem que outro patógeno potencialmente letal – neste caso, uma bactéria – se desenvolva.

Eu sei, você está pensando: “Ótimo, logo agora que deram aval para reabrirmos, há mais uma coisa para nos preocuparmos?”

Infelizmente, sim. Mas, embora o risco seja real, na maioria dos casos ele pode ser eliminado por meio de medidas simples que normalmente custam quase nada.

Água estagnada é água ruim

Essa nova ameaça é a Legionella pneumophila, um patógeno comum em vários ambientes que se prolifera em tubulações de água e torres de arrefecimento. Especialmente quando a água não tem vazão, como durante um desligamento, quando as instalações são desativadas.

A Legionella é um gênero de bactérias em forma de bastonete amplamente distribuídas que se desevolvem naturalmente em água de superfície e água subterrânea, normalmente em pequenos números. Ela adquiriu seu nome após um surto em uma convenção da Legião Americana (que é uma associação de veteranos militares dos EUA) que infectou 221 participantes e causou 34 mortes. O patógeno causador era uma bactéria desconhecida anteriormente, identificada posteriormente como Legionella.

O que agora conhecemos como “doença dos legionários”, não é algo incomum. Na Alemanha, segundo estimativas, entre 15 e 30 mil pessoas pegam a doença a cada ano, enquanto que são registrados aproximadamente 100 mil casos por ano nos EUA. É provável, contudo, que esses números sejam minimizados, visto que os médicos podem não considerar a Legionellosis quando tratam pacientes com pneumonia.

A doença dos legionários se assemelha muito ao COVID-19, apesar de algumas diferenças importantes. Em ambos os casos, a doença é causada ao inalar gotículas ou aerossóis contendo o patógeno. Com a COVID-19, a fonte é uma pessoa infectada, já com a Legionellosis, o ponto inicial é a água contaminada com altos níveis de Legionella que é, então, liberada à atmosfera. Fontes comuns incluem: chuveiros, umidificadores, banheiras quentes e, até mesmo, torneiras. Imagine isso: alguém lavando as mãos para limitar a propagação do coronavírus poderia, inadvertidamente, lançar gotículas de água contendo Legionella no ar.

O período de incubação da doença também é parecido – de 2 a 10 dias. Além disso, os riscos são maiores para pessoas com sistemas imunológicos frágeis, além de idosos e fumantes. Ela parece atacar os homens com mais frequência do que mulheres, já a contaminação em crianças é rara.

Como a COVID-19, os principais sintomas da doença são tosse, calafrios, dor de cabeça e febre alta, contudo, ela é mais letal. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (em inglês, Centers for Disease Control and Prevention) dos EUA, a taxa de mortalidade fica em torno de 10%. Além disso, para os pacientes que a contraem em uma unidade de saúde, a taxa de mortalidade se aproxima de 25%.

Além disso, há uma forma mais branda da doença chamada de “febre de Pontiac”, que resulta em sintomas parecidos com os da gripe, como febre, mal-estar, dor de cabeça e dores pelo corpo. O tipo mais ameno não é fatal, e a doença normalmente é curada após uma semana.

Diferentemente da COVID-19 – e isso é muito importante –, a doença dos legionários e a febre de Pontiac não são altamente contagiosas. Raramente uma pessoa infectada espalha essas doenças a outras pessoas.

Águas desconhecidas

A Legionella se reproduz melhor em temperaturas entre 25 °C e 45 °C (77-113 °F). Ela morre em temperaturas acima de 60 °C (140 °F) e dificilmente se reproduz abaixo de 20 °C (68 °F).

Embora as tubulações de água e as torres de arrefecimento ofereçam condições ideais para a bactéria, o risco de seu desenvolvimento ou multiplicação normalmente é muito baixo. A vazão constante de água fresca, junto da introdução ocasional de água muito quente ou muito fria, mantém a Legionella sob controle. Assim como a adição de cloro ou outros desinfetantes no abastecimento da água.

Contudo, se a água em um prédio estagnar por muito tempo, o desinfetante desaparece e o ecossistema dentro da tubulação se modifica. O mesmo se aplica a sistemas industriais e de condicionamento de ar ociosos, que usam a água como meio de troca de calor.

Essa é a situação que o mundo enfrenta hoje, com inúmeros prédios desativados por um longo tempo. Além de prédios de escritórios e operações de montagem/fabricação, eles também incluem, entre outros, hotéis e estabelecimentos de varejo.

Tanto os sistemas de abastecimento de água quanto os equipamentos de utilização de água, não foram projetados para essas condições de estagnação. Além disso, pesquisadores acadêmicos e autoridades de saúde pública informam que as consequências de uma paralisação duradoura são praticamente desconhecidas. Eles afirmaram: “Ainda não fizemos estudos sobre a estagnação que dura meses”. Por assim dizer, estamos em águas desconhecidas.

Testar-escoar-desinfetar

As empresas têm a obrigação de garantir a segurança e o bem-estar de seus funcionários, clientes e fornecedores. Com a doença dos legionários, isso significa assumir precauções razoáveis para garantir que a água em uma instalação – onde aparecer – não contenha níveis nocivos de Legionella. A seguir, destacam-se as práticas convencionais normalmente usadas para evitar a reprodução da Legionella.

Felizmente, vários prédios não ficarão completamente ociosos e abandonados durante o fechamento, tendo o pessoal de segurança e manutenção periodicamente no local. Nesses casos, em princípio, o prédio poderá ser aberto se:

  • o sistema de água foi escoado ao menos a cada três dias;
  • a temperatura da água, nas torneiras, foram verificadas e alcançam, pelo menos, 55°C (131°F);
  • testes microbiológicos realizados durante o desligamento não mostraram nenhuma mudança significativa no número total de bactérias.

Para prédios que ficaram ociosos por pelo menos 7 dias – e especialmente onde as tubulações de água e sistemas relevantes, dependentes de água, foram desligados por mais de um mês – a água precisa ser testada e, se necessário, escoada e desinfetada. No mínimo, amostras de teste devem ser coletadas nos seguintes locais:

  • vazão e retorno das unidades de aquecimento de água (circulação);
  • todos os pontos finais das tubulações de água quente, em diferentes prédios ou andares;
  • todos os pontos de tomada, que são evidentes, durante a inspeção de orientação;
  • partes da tubulação e abastecimento de água fria, com aquecimento acima de 25 °C (77 °F).;
  • todos os pontos de tomada com água estagnada.

Se mais de 100 unidades de formação de colônias (UFC) de Legionella forem encontradas em uma amostra de 100 ml, a água é considerada contaminada e todo o sistema precisa ser completamente escoado com água quente (65-70 °C / 150-158 °F) por pelo menos três minutos. Observe, contudo, que isso não é possível em sistemas de água fria. Nesses casos, é necessária a desinfecção química.

Em concentrações acima de 10.000 UFC por 100 ml, contramedidas adicionais são necessárias imediatamente (exemplo: desinfecção química). A desinfecção química deve cobrir todo o sistema de água potável. A instalação deve ser escoada com produtos químicos aprovados como cloro, dióxido de cloro, hipoclorito de sódio ou cálcio ou ozônio. Esse processo deve ser feito por uma empresa especializada e, durante a desinfecção, a água é considerada não potável. 

Observe que todas essas medidas – testar, escoar, desinfetar – também se aplicam a torres de arrefecimento, sistemas de ar condicionado e qualquer outro maquinário ou equipamento com reservatórios de água.

Evidentemente, evitar um surto de doença dos legionários é muito mais fácil e menos custoso para as empresas do que evitar a propagação do coronavírus. O teste para Legionella e, se necessário, o escoamento ou a desinfecção da água do prédio, deve ser parte fundamental de todos os planos para retomada das operações. A COVID-19 já ceifou vidas demais sem a perda desnecessária de vítimas adicionais dessa pandemia.

Observação: Caso haja dúvidas sobre os impactos potenciais do desligamento de suas operações ou, especificamente, sobre a doença dos legionários, entre em contato com as nossas Equipes de Consultoria de Risco de Acidentes para maiores esclarecimentos.

Sobre o autor: Joachim Keck é um biólogo que trabalha como Consultor de Risco de Acidentes, especializado em segurança ambiental e de produto em diversos setores industriais, incluindo biotecnologia, engenharia genética, farmacêuticos e alimentos e bebidas. Ele está baseado em Munique e pode ser contatado pelo e-mail joachim.keck@axaxl.com