Diversificação dos investimentos é a bola da vez para as seguradoras

Estratégia já vinha sendo adotada pelos gestores de reservas de R$ 1,3 trilhão diante do ciclo de queda da taxa Selic, desde meados de 2019

Paulo Leme, presidente do comitê global de alocação de riscos da XP Investimentos, disse durante sua palestra no megaevento Expert XP realizado na semana passada, de 14 a 18 de julho, que os retornos financeiros fáceis para investidores institucionais, como seguradoras, praticamente acabou com a crise do coronavírus. “O mundo fácil do CDI acabou e segundo o presidente do FED (banco central americano), as taxas de juros no mundo serão negativas por muitos anos”, afirmou. Segundo ele, será preciso assumir mais riscos em investimentos mais complexos para diversificar o mix da carteira de investimentos.

Tem quem concorde e discorde. As seguradoras, por exemplo, tem cerca de R$ 1,3 trilhão em investimentos, sendo quase a totalidade em fundos de investimentos. Cerca de 80% se referem a reservas técnicas, que contam com regras mais rígidas para investimentos. Já os 20% sao recursos livres, com mais flexibilidade para os gestores aplicarem no mercado financeiro. No entanto, com o atual ciclo de queda da Selic, que foi reduzida pela oitava vez seguida desde julho de 2019, a saída é a diversificação para fazer o dinheiro render. De lá para cá, a taxa caiu de 6,5% para os atuais 2,25% ao ano, menor nível da história. Com uma taxa tao baixa, a rentabilidade das aplicações de renda fixa fica comprometida. Ninguém se atreve a fazer previsão sobre até quando vai durar o ciclo de baixa da taxa Selic.

Rodrigo Belloube, CEO da resseguradora Munich Re no Brasil, tem uma visão um pouco diferente de Paulo Leme. “Existem várias limitações a um movimento das seguradoras e resseguradores no sentido de investimentos mais ousados. Primeiro, porque é uma matéria bastante regulada. Segundo, porque o portfólio de investimentos é desenhado com o objetivo de responder adequadamente às obrigações presentes e futuras, em particular em relação ao timing dos fluxos de caixa (o que os financistas chamam de duration) e ao risco cambial. Em outras palavras, há limitações”, explicou ao blog Sonho Seguro.

Belloube: portfólio de investimentos é desenhado com o objetivo de responder adequadamente às obrigações presentes e futuras, em particular em relação ao timing dos fluxos de caixa

Segundo Belloube, a reação predominante, já sendo notada mundo afora, é a readequação dos preços, compensando a perda do ganho financeiro com maior resultado técnico. Exemplos bastante visíveis dessa tendência crescente são os mercados de subscription na Flórida e de D&O em Londres, com aumentos de dois dígitos. Há também uma maior seletividade por parte das seguradoras por resseguradores com melhor balanço, reequilibrando a curva de oferta e demanda. “O Brasil tem algumas idiossincrasias adicionais que fortalecem esse movimento”, afirma.

Como fator compensatório, algumas carteiras vêm apresentando uma sinistralidade menor no curto prazo, caso específico da de auto. “Em que medida as métricas de desempenho se manterão no futuro é uma questão ainda em aberto, a depender de mudanças comportamentais no novo normal e também decorrentes de tendências que se aceleraram, caso da economia compartilhada”, diz o CEO da resseguradora alemã.

Raphael Barreto, CFO da MAG Seguros, concorda com a afirmação de Paulo Leme. Ele argumenta que historicamente os juros brasileiros têm se mantido em um patamar muito alto. Se pegarmos a série histórica a partir de 1994, ano do Plano Real, os juros durante a maior parte do tempo se mantiveram em dois dígitos, o que ocorre não ocorre mais. “Com a taxa SELIC próxima de 2%, provavelmente observaremos juros reais negativos em alguns momentos”, diz.

Raphael Barreto, CFO MAG Seguros
Barreto: “Atingir as rentabilidades necessárias à remuneração das metas dos passivos não será mais uma tarefa fácil e sem riscos como observamos historicamente”

Segundo os seguradores, juros de curto prazo (CDI) tão baixos certamente estarão abaixo das metas de remuneração dos passivos das seguradoras, o que necessariamente gerará necessidade de maior diversificação de investimentos, incluindo ativos de maior risco em busca de maiores retornos. “As seguradoras deverão alocar boa parte de seus recursos em títulos de longo prazo onde os juros são mais altos do que o CDI, ações e outros ativos que tenham risco de mercado, o que não ocorre com ativos atrelados ao CDI. O mercado de títulos privados, onde há prêmio pelo risco de crédito, também passa a ser uma opção por rentabilidades maiores”, aposta o executivo da MAG Seguros. “Atingir as rentabilidades necessárias à remuneração das metas dos passivos não será mais uma tarefa fácil e sem riscos como observamos historicamente”.

Fernando Camillo, superintendente de investimentos da Porto Seguro, vai na mesma direção de Barreto. “Juntamente com o novo normal provavelmente teremos taxas de juros mais baixas, mas não como está hoje. “Acreditamos que é conjuntural”, diz ele, sem arriscar qualquer previsão para os próximos meses diante de um cenário pouco permanente. “Acreditamos que é conjuntural e a a seguradora vem não só diversificando os investimentos, como temos aproveitado muitas oportunidades que tem surgido”, contou.

Uma das janelas positivas, segundo Camillo, são os papeis atrelados ao crédito

Uma das janelas positivas, segundo Camillo, são os papeis atrelados ao crédito. “Neste cenário atual sai o setor público e entra o privado, Tem empresas com CDI mais 3%, o que nos possibilitou construir uma carteira de crédito privado nos meses de abril e maio, quando a bolsa recuou”, exemplificou. “Sao empresas com projeção de lucro menor em razão da quarentena, mas com fluxo de caixa para passar por este momento”.

Outra estratégia, segundo Camillo, é alongar a carteira. “Temos o CDI baixo, mas quando olhamos as taxas e temos títulos com 4,5% ao ano mais inflação, o que para nós é importante por termos obrigações como despesas na carteira de seguro automóvel atreladas a inflação, como reposição de pecas, por exemplo”, citou . Outro caminho observado pela Porto Seguro é o de internacionalizar dos recursos. “Podemos ter empresas em dólar mais 4”, disse ele, afirmando que esta diversificação da carteira de investimentos das seguradoras veio para ficar.

Vagner Guzella, CFO da HDI Seguros, afirma que de fato, considerando os patamares atuais de taxa de juros e projeções futuras, as seguradoras precisarão se preocupar com o nível de risco dos dois books distintos da empresa: o de reservas técnicas, regulado pela Susep e com volume de risco limitado pela lei Asset Liability Management (ALM), fundamental para a gestão de riscos de descasamentos da cada seguradora, e o book de reserva livre, composta também pelos recursos do acionista, que será pautado pelo apetite a risco de cada grupo.

“Para as reservas livres aumentamos o risco não apenas visando maiores retorno como também tentando acompanhar a evolução tecnológica da indústria por meio do nosso fundo de Private Equity”, diz Guzella

Segundo Guzella, a HDI Seguros, a estratégia ALM tem como foco a carteira de reservas técnicas, neste caso limitado pela duration dos produtos de automóveis que compõem a maior parte da carteira. “Para as reservas livres aumentamos o risco não apenas visando maiores retorno como também tentando acompanhar a evolução tecnológica da indústria por meio do nosso fundo de Private Equity, com alocações como a empresa ZOOX Smart Data, Accountfy e SpinetBank, sendo as duas últimas com foco em produtos de SME”, cita.

O executivo acredita que a queda da taxa de juros e a competição no setor devem acelerar os investimentos em busca de maior eficiência operacional e administrativa, bem como trazer mais liberdade de alocação dos recursos. “Estes fatores combinados irão acelerar a disrupção da indústria de seguros nos próximos anos, propiciando serviços com maior valor agregado aos clientes”, comenta.

O desafio das seguradoras, que já tem o risco inerente ao negócio, balancear rentabilidade, liquidez e segurança é de vital importância para equilibrar os resultados operacional e financeiro e entregar bom preço ao consumidor e lucro para o acionista. É certo que as seguradoras, que tem o risco como premissa no negócio, é preciso alocar uma porcentagem na renda fixa em nome da segurança. Mas é inegável que a rentabilidade de alguns títulos de renda fixa foi fortemente afetada. Segundo os especialistas, quem deseja manter os rendimentos que tinha antes dos cortes consecutivos da Selic, o jeito é aumentar o percentual de risco da sua carteira, alocando uma parte maior da carteira em renda variável.

Os gestores das seguradoras estão sintonizados com o que foi dito por experts convidados pela XP Investimento para o mega evento realizado semana passada, de 14 a 18 de julho. Segundo personalidades presentes no evento da XP Investimentos na semana passada, a diversificação é o caminho para todos. Uma das opções no radar dos gestores das seguradoras são os fundos de investimento em participações (FIP) especializados em infraestrutura, com maior preferencia por áreas como saneamento, concessões de rodovias, transporte e logística. No entanto, um dos desafios a vencer em termos de infraetrtuura, é resgatar a confiança dos investidores no Brasil.

O britânico Tony Blair, primeiro-ministro do Reino Unido entre 1997 e 2007, citou em evento da XP que o Brasil, enfrenta como principais desafios a corrupção, a falta de regras previsíveis para os investidores e a dificuldade em controlar as contas públicas. A volatilidade para arriscar nos investimentos vem em boa parte do conflito entre EUA e China, que pode evoluir para outros tipos de embates.

“Há uma guerra comercial, uma guerra tecnológica, uma guerra geopolítica e pode haver uma guerra de capital”, considerou. Esse cenário “tem implicações em todas as dimensões e certamente nos mercados e economias”, afirmou o fundador do “hedge fund” Bridgewater, Ray Dalio, convidado especial na abertura do evento Expert XP. “Qual o cálice sagrado de fazer dinheiro? É ter 10 ou 15 ativos de qualidade sem correlação”, recomendou Dalio. Para o especialista, a diversificação tem de ser feita em classes de ativos, localização geográfica e moedas variadas.

Bradesco Seguros estima pagar indenizações de R$ 43,5 milhões com ciclone bomba

Operação Calaminade acontece desde o dia 1º e julho, nos três estados da região Sul do Brasil, não tem data para término

Fonte: Bradesco Seguros

Além da pandemia do novo coronavírus, o ano de 2020 também chama a atenção por conta da intensidade de eventos climáticos severos, que têm ocorrido com maior frequência no Sul e no Sudeste do país. Em decorrência do “ciclone bomba” que deixou um rastro de destruição no Sul, a Bradesco Auto/RE, empresa do grupo Bradesco Seguros, iniciou a 31ª Operação Calamidade, que atende, desde o dia 1º de julho, sem data de término, os três estados da região. Por conta da urgência da situação, a operação visa atender de forma mais célere o segurado a partir de um processo de pagamento mais ágil do valor do seguro contratado residencial e empresarial. Após duas semanas de operação, o total de sinistros avisados já chegava a cerca de 3 mil e a estimativa de indenizações ultrapassara a cifra dos R$ 43,5 milhões.

Recentemente, no mês de junho, os temporais que também atingiram o Sul do Brasil deflagraram uma outra Operação Calamidade, que beneficiou 70 clientes do seguro residencial nos três estados da região, com R$ 850 mil de indenização pagos em média de cinco dias – o prazo é menos da metade de uma operação convencional, e uma das melhores marcas do histórico da própria operação. Desde que foi criada, a operação proporcionou o pagamento de sinistro a mais de seis mil segurados atingidos por vendavais em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. O montante indenizado atingiu a cifra de R$ 30,7 milhões entre residências, empresas, condomínios e equipamentos.

O Superintendente Executivo da Bradesco Auto/RE e especialista em mercado segurador, Carlos Oliva, alerta para a importância de proteção ao patrimônio, principalmente em momentos de adversidades, como em situações de enchentes, vendavais ou chuva de granizo. “Boa parte da população brasileira é vulnerável a sofrer com algum destes acontecimentos ao longo da vida, o que pode ocasionar prejuízos à residência, automóvel, empresa, entre outros. A proteção dos bens por meio do seguro tem como objetivo, entre outras frentes, garantir o atendimento prioritário e agilidade do pagamento de indenizações a clientes atingidos por intempéries, além de oferecer outros serviços e assistências”, declarou.

Ciclone-bomba no Sul: seguradoras criam força-tarefa para atender pedidos de indenização

São Paulo, Brasil 22-03-2013 retrato de Jarbas Medeiros, fotografado na sede da empresa Porto Seguro. ©FOTOS FERNANDO MARTINHO


 Fonte: FenSeg

As seguradoras montaram força-tarefa para fazer frente às ocorrências relacionadas ao ciclone-bomba, fenômeno meteorológico que tem causado grandes estragos na Região Sul desde o fim de junho. As companhias mobilizaram equipes de profissionais para acelerar o atendimento aos segurados e agilizar a abertura e regulação dos sinistros, que compreende a apuração dos prejuízos, levantamento de documentos e rápido pagamento das indenizações.

 De acordo com a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), já foram contabilizados mais de 20 mil sinistros em apólices de seguro residencial, empresarial e condomínio. Desse total, 70% referem-se a eventos ocorridos em Santa Catarina. Considerando os danos e prejuízos indenizados pelas seguradoras, 70% estão relacionados a ventos fortes e vendavais, que destelharam casas e alagaram imóveis, 20% referem-se a danos elétricos e 10% a outras causas.

“Esse foi o ciclone que causou o maior impacto no Brasil nos últimos anos, segundo os órgãos especializados. A Região Sul foi a mais afetada, principalmente Santa Catarina. Daí a necessidade de uma força-tarefa para otimizar os procedimentos relativos ao seguro. O uso de soluções digitais ajudou muito na abertura dos sinistros e na realização das vistorias remotas, agilizando todo o processo”, explica Jarbas Medeiros, presidente da Comissão de Riscos Patrimoniais Massificados da FenSeg.

 O ciclone-bomba é um intenso sistema de baixa pressão atmosférica. O fenômeno está associado a uma frente fria e provoca temporais, ventania, queda de árvores e baixa acentuada da temperatura. Em alguns municípios, as rajadas de vento chegaram a 120 km/h, destruindo casas e provocando fortes estragos em condomínios e imóveis comerciais.

Segundo Jarbas Medeiros, eventos como o ciclone-bomba vêm se tornando cada vez mais comuns no Brasil. De 2015 para cá, ocorreram pelo menos cinco eventos dessa categoria. Ele lembra que os seguros patrimoniais oferecem coberturas que podem ser moldadas às necessidades de cada cliente, seja uma residência, um condomínio ou uma empresa, independentemente do porte. 

 De acordo com a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), até maio, a Região Sul representou 24,5% das receitas dos seguros patrimoniais e 30% do total de indenizações pagas no Brasil, ainda sem considerar o impacto do último ciclone. Essa região também representa cerca de 22% das residências no País com  seguro residencial contratado.

Jarbas Medeiros destaca que esses produtos preveem coberturas adicionais contra fenômenos climáticos. É possível contratar a cobertura de Vendaval, por exemplo, que garante ao cliente a indenização por danos causados por vendaval, ciclone, furacão, tornado e granizo – e que foi a cobertura mais acionada no último ciclone. Outra cobertura bastante acionada nessas situações é a de Danos Elétricos, para proteger  em caso de queda de raios ou variações de energia que podem causar a queima de eletrodomésticos e eletroeletrônicos em geral.

“Cabe ressaltar que os danos causados pelo ciclone não ficam restritos ao imóvel. É muito comum atingirem os bens no interior da residência e as mercadorias e matérias-primas das empresas, por conta do destelhamento e a entrada de água”, lembra.

Segundo Jarbas Medeiros, outro fator de grande relevância é dimensionar corretamente os valores a serem contratados para cada uma dessas coberturas, de modo a proteger todo o patrimônio do segurado. “É comum nessas situações ver clientes que, embora possuam as coberturas  nos seguros contratados, não têm verbas suficientes para reparar todo o prejuízo que tiveram”, alerta.

Nova Geração: Icatu Seguros abre inscrições para o seu programa de estágio

Icatu Seguros

A companhia investiu no último ano mais de R$ 116 milhões em ações ligadas à inovação

A Icatu Seguros inicia a partir desta quarta-feira, 15, as inscrições do seu programa de estágio Nova Geração. As vagas são voltadas para estudantes a partir do segundo período e que estejam, no mínimo, a um ano e meio da formatura em cursos como Tecnologia da Informação, Ciências da Computação, Engenharias, Estatística, Ciências Econômicas, Publicidade e Propaganda e Administração.

Comprometida em promover uma cultura de transformação digital em toda a empresa, a companhia investiu no último ano mais de R$ 116 milhões em ações ligadas à inovação. O programa também é uma oportunidade de se conectar com esses jovens e como suas diferentes visões podem agregar ao dia a dia da companhia. 

Especialista em pessoas, a seguradora tem como um de seus maiores compromissos cuidar de quem trabalha diariamente para entregar os melhores serviços e resultados aos clientes. O resultado desse trabalho vem através de reconhecimento. A Icatu foi eleita uma das melhores empresas para trabalhar no Brasil por cinco vezes consecutivas segundo o ranking Great Place to Work (GPTW) e este ano foi reconhecida também pela premiação GPTW Mulher, que promove discussões sobre o posicionamento da mulher na sociedade e indica anualmente as 70 empresas com as melhores práticas e iniciativas no tema.  

O programa de estágio é uma oportunidade de desenvolver atividades relevantes para a carreira e direciona o desenvolvimento profissional dos participantes com vivências, treinamentos e uma dinâmica de rodízio de trabalho. Assim, é possível que o estagiário atue em diferentes funções ao longo do tempo, potencializando seu aprendizado e também contribuindo para que os jovens descubram seus campos preferidos de atuação. 

Após o cadastro de currículos e realização de provas online, os aprovados participarão de dinâmicas de grupo também de forma remota. A última etapa contempla painéis com executivos de diversas áreas da companhia.  As vagas contam com pacote de benefícios, além da remuneração mensal, que incluem assistência médica e odontológica, vale-transporte, vale-refeição, bolsa natalina e seguro de vida. 

“Nosso negócio é cuidar do presente e do futuro das pessoas. Ao longo de 2019 retornamos para a sociedade mais de R$ 800 milhões em pagamentos de renda, indenizações e sorteios, por exemplo. Para isso contamos com colaboradores motivados, questionadores e que são os principais responsáveis por seguirmos com o propósito de construir um Brasil onde as pessoas e famílias estejam financeiramente protegidas e assistidas em todas as fases da vida”, afirma Camila Asenjo, diretora de Pessoas da Icatu Seguros. 

Os candidatos podem se inscrever neste link, até o dia 31/07. 

Artigo: Um efeito colateral potencial do fechamento: Legionella

Por Joachim Keck, Consultor de Risco de Acidentes, AXA XL

A COVID-19 está recuando em diversas partes do mundo e alguma semelhança com a vida “normal” está retornando. Contudo, na luta contra o vírus, podemos ter criado involuntariamente condições que possibilitem que outro patógeno potencialmente letal – neste caso, uma bactéria – se desenvolva.

Eu sei, você está pensando: “Ótimo, logo agora que deram aval para reabrirmos, há mais uma coisa para nos preocuparmos?”

Infelizmente, sim. Mas, embora o risco seja real, na maioria dos casos ele pode ser eliminado por meio de medidas simples que normalmente custam quase nada.

Água estagnada é água ruim

Essa nova ameaça é a Legionella pneumophila, um patógeno comum em vários ambientes que se prolifera em tubulações de água e torres de arrefecimento. Especialmente quando a água não tem vazão, como durante um desligamento, quando as instalações são desativadas.

A Legionella é um gênero de bactérias em forma de bastonete amplamente distribuídas que se desevolvem naturalmente em água de superfície e água subterrânea, normalmente em pequenos números. Ela adquiriu seu nome após um surto em uma convenção da Legião Americana (que é uma associação de veteranos militares dos EUA) que infectou 221 participantes e causou 34 mortes. O patógeno causador era uma bactéria desconhecida anteriormente, identificada posteriormente como Legionella.

O que agora conhecemos como “doença dos legionários”, não é algo incomum. Na Alemanha, segundo estimativas, entre 15 e 30 mil pessoas pegam a doença a cada ano, enquanto que são registrados aproximadamente 100 mil casos por ano nos EUA. É provável, contudo, que esses números sejam minimizados, visto que os médicos podem não considerar a Legionellosis quando tratam pacientes com pneumonia.

A doença dos legionários se assemelha muito ao COVID-19, apesar de algumas diferenças importantes. Em ambos os casos, a doença é causada ao inalar gotículas ou aerossóis contendo o patógeno. Com a COVID-19, a fonte é uma pessoa infectada, já com a Legionellosis, o ponto inicial é a água contaminada com altos níveis de Legionella que é, então, liberada à atmosfera. Fontes comuns incluem: chuveiros, umidificadores, banheiras quentes e, até mesmo, torneiras. Imagine isso: alguém lavando as mãos para limitar a propagação do coronavírus poderia, inadvertidamente, lançar gotículas de água contendo Legionella no ar.

O período de incubação da doença também é parecido – de 2 a 10 dias. Além disso, os riscos são maiores para pessoas com sistemas imunológicos frágeis, além de idosos e fumantes. Ela parece atacar os homens com mais frequência do que mulheres, já a contaminação em crianças é rara.

Como a COVID-19, os principais sintomas da doença são tosse, calafrios, dor de cabeça e febre alta, contudo, ela é mais letal. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (em inglês, Centers for Disease Control and Prevention) dos EUA, a taxa de mortalidade fica em torno de 10%. Além disso, para os pacientes que a contraem em uma unidade de saúde, a taxa de mortalidade se aproxima de 25%.

Além disso, há uma forma mais branda da doença chamada de “febre de Pontiac”, que resulta em sintomas parecidos com os da gripe, como febre, mal-estar, dor de cabeça e dores pelo corpo. O tipo mais ameno não é fatal, e a doença normalmente é curada após uma semana.

Diferentemente da COVID-19 – e isso é muito importante –, a doença dos legionários e a febre de Pontiac não são altamente contagiosas. Raramente uma pessoa infectada espalha essas doenças a outras pessoas.

Águas desconhecidas

A Legionella se reproduz melhor em temperaturas entre 25 °C e 45 °C (77-113 °F). Ela morre em temperaturas acima de 60 °C (140 °F) e dificilmente se reproduz abaixo de 20 °C (68 °F).

Embora as tubulações de água e as torres de arrefecimento ofereçam condições ideais para a bactéria, o risco de seu desenvolvimento ou multiplicação normalmente é muito baixo. A vazão constante de água fresca, junto da introdução ocasional de água muito quente ou muito fria, mantém a Legionella sob controle. Assim como a adição de cloro ou outros desinfetantes no abastecimento da água.

Contudo, se a água em um prédio estagnar por muito tempo, o desinfetante desaparece e o ecossistema dentro da tubulação se modifica. O mesmo se aplica a sistemas industriais e de condicionamento de ar ociosos, que usam a água como meio de troca de calor.

Essa é a situação que o mundo enfrenta hoje, com inúmeros prédios desativados por um longo tempo. Além de prédios de escritórios e operações de montagem/fabricação, eles também incluem, entre outros, hotéis e estabelecimentos de varejo.

Tanto os sistemas de abastecimento de água quanto os equipamentos de utilização de água, não foram projetados para essas condições de estagnação. Além disso, pesquisadores acadêmicos e autoridades de saúde pública informam que as consequências de uma paralisação duradoura são praticamente desconhecidas. Eles afirmaram: “Ainda não fizemos estudos sobre a estagnação que dura meses”. Por assim dizer, estamos em águas desconhecidas.

Testar-escoar-desinfetar

As empresas têm a obrigação de garantir a segurança e o bem-estar de seus funcionários, clientes e fornecedores. Com a doença dos legionários, isso significa assumir precauções razoáveis para garantir que a água em uma instalação – onde aparecer – não contenha níveis nocivos de Legionella. A seguir, destacam-se as práticas convencionais normalmente usadas para evitar a reprodução da Legionella.

Felizmente, vários prédios não ficarão completamente ociosos e abandonados durante o fechamento, tendo o pessoal de segurança e manutenção periodicamente no local. Nesses casos, em princípio, o prédio poderá ser aberto se:

  • o sistema de água foi escoado ao menos a cada três dias;
  • a temperatura da água, nas torneiras, foram verificadas e alcançam, pelo menos, 55°C (131°F);
  • testes microbiológicos realizados durante o desligamento não mostraram nenhuma mudança significativa no número total de bactérias.

Para prédios que ficaram ociosos por pelo menos 7 dias – e especialmente onde as tubulações de água e sistemas relevantes, dependentes de água, foram desligados por mais de um mês – a água precisa ser testada e, se necessário, escoada e desinfetada. No mínimo, amostras de teste devem ser coletadas nos seguintes locais:

  • vazão e retorno das unidades de aquecimento de água (circulação);
  • todos os pontos finais das tubulações de água quente, em diferentes prédios ou andares;
  • todos os pontos de tomada, que são evidentes, durante a inspeção de orientação;
  • partes da tubulação e abastecimento de água fria, com aquecimento acima de 25 °C (77 °F).;
  • todos os pontos de tomada com água estagnada.

Se mais de 100 unidades de formação de colônias (UFC) de Legionella forem encontradas em uma amostra de 100 ml, a água é considerada contaminada e todo o sistema precisa ser completamente escoado com água quente (65-70 °C / 150-158 °F) por pelo menos três minutos. Observe, contudo, que isso não é possível em sistemas de água fria. Nesses casos, é necessária a desinfecção química.

Em concentrações acima de 10.000 UFC por 100 ml, contramedidas adicionais são necessárias imediatamente (exemplo: desinfecção química). A desinfecção química deve cobrir todo o sistema de água potável. A instalação deve ser escoada com produtos químicos aprovados como cloro, dióxido de cloro, hipoclorito de sódio ou cálcio ou ozônio. Esse processo deve ser feito por uma empresa especializada e, durante a desinfecção, a água é considerada não potável. 

Observe que todas essas medidas – testar, escoar, desinfetar – também se aplicam a torres de arrefecimento, sistemas de ar condicionado e qualquer outro maquinário ou equipamento com reservatórios de água.

Evidentemente, evitar um surto de doença dos legionários é muito mais fácil e menos custoso para as empresas do que evitar a propagação do coronavírus. O teste para Legionella e, se necessário, o escoamento ou a desinfecção da água do prédio, deve ser parte fundamental de todos os planos para retomada das operações. A COVID-19 já ceifou vidas demais sem a perda desnecessária de vítimas adicionais dessa pandemia.

Observação: Caso haja dúvidas sobre os impactos potenciais do desligamento de suas operações ou, especificamente, sobre a doença dos legionários, entre em contato com as nossas Equipes de Consultoria de Risco de Acidentes para maiores esclarecimentos.

Sobre o autor: Joachim Keck é um biólogo que trabalha como Consultor de Risco de Acidentes, especializado em segurança ambiental e de produto em diversos setores industriais, incluindo biotecnologia, engenharia genética, farmacêuticos e alimentos e bebidas. Ele está baseado em Munique e pode ser contatado pelo e-mail joachim.keck@axaxl.com

Artigo: Medidas necessárias de gerenciamento de riscos antes de retomar as atividades em canteiros de obras e fábricas

por Pascal Pfeiffer (*)

A súbita interrupção da economia devido à pandemia de Covid19 exige que agora, com o relaxamento da quarentena e a retomada das atividades produtivas, algumas medidas de prevenção de riscos sejam adotadas. Embora sejam menos rigorosos do que os adotados quando uma instalação é fechada há anos, aqueles que estão ociosos nas últimas semanas ou meses precisam passar por uma verificação de segurança antes de serem reativados.

Um mapa para execução deste processo deve ser preparado e executado pelas lideranças do local. Alguns dos passos-chave estão listados abaixo:

  • O reinício das atividades deve ser tratado da mesma maneira como tratamos o comissionamento de um equipamento ou processo novos, observando todas as precauções, protocolos de testes, e orientações dos fabricantes.
  • Um bom planejamento é o primeiro passo para que sejam identificados os potenciais riscos, e esto deve ser feito conjuntamente com todas as áreas envolvidas.
  • Os registros de manutenção de equipamentos considerados críticos ou que sofreram alterações em suas rotinas de funcionamento devem ser revisados. É conhecido o fato que boa parte das perdas reclamadas acontecem nos estágios de comissionamento.
  • A possível ausência ou afastamento de empresas especializadas, profissionais capacitados ou com experiência em determinada etapa do processo deve ser considerada. Fornecedores de componentes ou prestadores de serviços para determinado ramo de atividade podem estar paralisados ou afetados financeiramente pelo extenso período de paralisação.
  • A estrutura de atendimento a emergências deve ser reavaliada. Repasse a composição da brigada de incêndio, assim como o cronograma de treinamento da equipe.
  • Os procedimentos de manutenção, inspeção e testes do sistema de proteção contra incêndio devem ser retomados (se foram afetados).
  • Riscos naturais também devem passar por uma nova análise em regiões que se encontram expostas a desastres naturais (alagamento, tormentas, etc).
  • Riscos cibernéticos devem ser avaliados. Medidas que possam ter sido necessárias durante a paralisação podem não ser mais aplicáveis, tais como o acesso remoto a sistemas de produção ou outras funcionalidades que fujam de seu ambiente principal.
  • Avaliar novos riscos que possam ser trazidos à tona, tanto por conta do cenário, quanto por possíveis alterações que devem ser implementadas para garantir a continuidade do negócio.
  • Durante cada etapa e após o reinício com sucesso das operações, a efetividade das medidas implementadas deve ser medida e ajustada de acordo. O plano deve ser monitorado até que as atividades retornem a níveis desejáveis pela organização.

Finalmente, é essencial que a empresa agregue as lições aprendidas durante este período, melhorando, revisando, e até mesmo criando um plano específico para este cenário de pandemia que, apesar de praticamente impensável há algum tempo, pode trazer mudanças profundas e duradouras no futuro horizonte das organizações.

(*) Pascal Pfeiffer é head de Risk Engineering para América Latina da AXA XL

Susep derruba liminar da Fenacor na Resolução 382/20

susep

Entidade dos corretores diz que vai recorrer

O desembargador federal Ricardo Perlingeiro atendeu o recurso impetrado pela Susep e derrubou a liminar concedida à Fenacor que suspendia os efeitos de dois dispositivos da Resolução 382/20. Segundo a decisão, apresentar previamente os valores de corretagem ao segurado é medida inscrita nas competências da CNSP, estabelecida no item XII do art. 32 do Decreto-lei 73/66. Com isso, o corretor volta a ser obrigado a informar ao proponente segurado o valor da sua remuneração antes da assinatura da proposta. Além disso, a figura do “cliente oculto” também volta a valer.

O magistrado acentua ainda que não há risco punibilidade para os atingidos pela Resolução CNSP 382/2020, citando a Carta Circular 01/20 da Susep, segundo a qual, em função da pandemia de COVID-19, nos primeiros seis meses de vigência da Resolução não seria aplicada nenhuma penalidade em virtude de eventuais violações, sendo o período até 31 de dezembro de 2020 destinado a uma supervisão voltada à orientação e à correção de eventuais equívocos identificados.

Mercado de seguro por demanda deve crescer, dizem especialistas

Cliente aciona cobertura quando há risco ou desativa se não precisar.

Fonte: Agência Brasil

Os consumidores brasileiros têm uma nova forma de contratar seguros, customizados de acordo com sua necessidade de tempo de cobertura, que pode ser por minutos, horas, dias, mês, ou por trecho percorrido por um carro, por exemplo. A nova modalidade está liberada desde agosto do ano passado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) que editou a Circular 592. A norma traz as condições gerais para a customização de planos de seguros com vigência reduzida de contrato e período intermitente.

Nesse tipo de seguro, o cliente aciona a cobertura quando considera que há risco ou desativa quando não há necessidade, chamando de liga-desliga. A ideia é que com o desenvolvimento do setor no Brasil, o seguro por demanda possa ser contratado, por exemplo, para carros, celulares, tablet, notebook, bicicletas e até para viagens.

Assim, o seguro de um carro pode ter a cobrança por minuto ou por quilometragem percorrida. E o usuário pode comprar créditos para isso. Outra possibilidade é para as pessoas que viajam muito. Em vez de contratar um seguro para cada viagem, o consumidor compra créditos e ativa o seguro sempre que estiver em viagem.

Entretanto, essa evolução no mercado brasileiro de seguros ainda é incipiente, com poucas empresas ofertando essa modalidade. A coordenadora-geral de Regulação de Seguros Massificados, Pessoas e Previdência da Susep, Mariana Arozo, acredita que a tendência é de crescimento dos seguros por demanda. “As primeiras empresas fizeram parcerias ou têm um modelo de negócio mais inovador. A própria concorrência vai fazer com que as seguradas mais tradicionais possam investir nesse tipo de produto”, disse Mariana. Ela citou a parceria de seguradoras tradicionais com as insurtechs, termo que resulta da mistura de insurance (seguro, em inglês) e technology (tecnologia). São startups (empresas emergentes voltadas para tecnologia e inovação) que facilitam a contratação de seguros.

Segundo Mariana Arozo, a Susep não tem dados específicos das seguradoras que já oferecem o serviço por demanda no país, por não haver essa segmentação das empresas.

O presidente da Comissão de Automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Walter Pereira, disse que duas ou três seguradoras associadas oferecem o seguro por demanda, mas diz que muitas empresas do setor já se preparam para lançar esse tipo de produto. Para ele, após a pandemia de covid-19, deve haver uma aceleração da oferta desse seguro. “Talvez as seguradoras tenham postergado o desenvolvimento dessas modalidades em função da situação que estamos atravessando. Agora, com a estabilização do trabalho remoto e algumas possibilidades de poder voltar ao normal, seja acelerado o desenvolvimento”, disse Pereira.

No caso do seguro por demanda para carros, Pereira disse que é basicamente direcionado aos consumidores que usam pouco os seus veículos. “Em São Paulo temos o rodízio durante a semana. Aqueles que têm dois carros por causa do rodízio poderiam contratar o seguro por demanda para aquele carro que fica fora de uso a maior parte do tempo. A ideia é oferecer ao consumidor aquilo que ele precisa, pode pagar, o melhor custo-benefício para cada um”, exemplificou.

Apesar de prever a expansão desse segmento, Pereira acredita que o seguro por demanda não substituirá a modalidade tradicional, mas será um complemento na carteira de produtos. Ele destaca ainda que a oferta de produtos envolve investimentos em inovação e tecnologia pelas empresas. “As seguradoras precisam de tecnologia para oferecer o seguro, que ajude o cliente a ligar e desligar o serviço. Ao colocar o carro em movimento, por exemplo, precisa dar um alerta ao cliente para ativar o seguro”, disse Pereira.

Mariana Arozo ressaltou que o período de pandemia deixou ainda mais clara a necessidade de oferta desse produto aos consumidores. “Neste período de pandemia, esse tipo de seguro ficou muito em voga. Muitos segurados estão com o carro parado ou enfrentam dificuldades de renda. É uma oportunidade para atender a sse segmento. Acredito que a tendência é de crescimento neste ano”, disse. Ela destacou ainda que quanto mais produtos de diferentes preços disponíveis no mercado, melhor será para o consumidor.

Correios querem parceria com seguradoras

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As empresas interessadas têm de se inscrever até sexta-feira (17), por meio do endereço eletrônico sucom-devar@correios.com.br

Os Correios querem firmar parcerias com seguradoras e corretoras para distribuir produtos de seguros pelos canais de atendimento da empresa. Segundo comunicado da companhia, na próxima quinta-feira (23), o grupo vai realizar uma audiência pública para verificar o interesse do mercado nas parcerias. A reunião será virtual, por meio do aplicativo Microsoft Teams. “Na audiência, os Correios apresentarão as diretrizes básicas para seleção do parceiro comercial”, pontuou a empresa. As empresas interessadas têm de se inscrever até sexta-feira (17), por meio do endereço eletrônico sucom-devar@correios.com.br, indicando no assunto o termo “Audiência Pública”.

O crescimento do comércio eletrônico na pandemia, estimado em 25% no último trimestre, expôs ainda mais as deficiências estruturais dos Correios, um serviço público com 356 anos de existência. Já foi empresa modelo em eficiência e credibilidade. Degradou-se em sucessivos loteamentos sindicais e partidários. Hoje, é uma estatal com 105 mil pessoas e 12 mil agências, que atendem a 5,5 mil municípios. Sem rumo definido e com clientes insatisfeitos.

A quantidade de reclamações e denúncias contra a empresa registradas entre março e junho no Procon do Rio é 330% superior ao volume anotado em igual período do ano passado. Como mostrou O GLOBO na edição do dia 16, de cada dez queixas, sete são por “não entrega” da encomenda e duas por “extravio”, quando o sistema de rastreamento informa que o objeto está em determinado local e isso não é real.

A telemedicina será uma forma de medicina mais conectada

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Especialistas reunidos pela FenaSaúde em webinar discutiram a consolidação e a expansão da técnica no país

Fonte: FenaSaúde

A tecnologia entra na vida das pessoas de tal maneira que, depois de um tempo, não pensamos mais nela quando a utilizamos. Ocorre, por exemplo, nos processos de operações bancárias por celular ou na simples troca de informação via aplicativos. O mesmo está acontecendo agora com a telemedicina, que tem se tornado rapidamente um processo natural de acesso à saúde, encurtando distâncias e ampliando possibilidades de assistência. 

O desenvolvimento e a expansão da telemedicina foram tema do webinar “Telemedicina no novo normal”, promovido pela FenaSaúde na tarde desta quinta-feira (16/7), com a participação de alguns dos maiores especialistas do assunto no país: Chao Lung Wen, chefe da disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP; Erno Harzheim, ex-secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde; e Roberta Grabert, graduada em telemedicina pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

“A telemedicina representa o encontro de duas ondas gigantescas que envolvem completamente nossas vidas. A primeira é a tecnologia em redes, que vem alterando radicalmente o viver no mundo. A outra onda – tão inesperada, de maneira que o passado recente hoje parece tão distante – foi a própria covid-19, que acelerou o processo de convivência à distância”, afirmou a diretora-executiva da FenaSaúde, Vera Valente, que mediou o webinar.

Prevenir doenças

Chefe da disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP, Chao Lung Wen trabalha com a ideia de medicina conectada. Lembrou que, desde 2002 até pouco antes da chegada da pandemia, a medicina pouco caminhou no que diz repeito à regulação. Mas avançou abruptamente depois do coronavírus. “Nas crises é que ocorrem as oportunidades e surgem os perigos”, ensinou.

A telemedicina, segundo ele, será julgada e cada vez mais valorizada na medida em que entregar resultados e serviços que vão muito além da busca de cura de quem já está doente. “A telemedicina não vai apenas cuidar de doença, mas da gestão de qualidade de saúde, de evitar que pessoas saudáveis fiquem doentes”, afirmou.

Wen também defende formação específica sobre o tema para os profissionais da área. “O futuro é educação, educação e educação. A telemedicina precisa ser obrigatória na graduação e na residência. E a formação em teletecnologia, para os demais profissionais”. 

Menos fila

Responsável pelo bem sucedido programa de telemedicina da prefeitura de Porto Alegre, onde ocupou o cargo de secretário de Saúde, o médico de família Erno Harzheim relatou sua experiência na capital gaúcha. Lá o modelo conseguiu reduzir filas de espera por atendimentos em até 60%, com a definição de critérios de gravidade para atender presencialmente ou via telemedicina.

“Os médicos ordenaram de forma inteligente a maneira de atender os pacientes. De 90 mil, a fila caiu para 40 mil pessoas depois de dois anos”, contou Harzheim, que também foi secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (2019-2020).

Lei simples e abrangente

Graduada em telemedicina pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Roberta Grabert participou da elaboração do projeto de lei n° 1.998/2020, apresentado pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP) para regulamentar a telemedicina na pós-pandemia e em tramitação na Câmara dos Deputados.

Ela defende que o projeto que vier a ser aprovado seja simples, de maneira a oferecer segurança jurídica e autonomia para os profissionais. “O brasileiro é viciado em lei. A gente tem lei para tudo. As leis têm de ter um arcabouço legal, ser bem pequenininhas, para abraçar as políticas públicas, que são infralegais”, afirmou.