Artigo: O futuro começa agora

por Marcio Serôa de Araujo Coriolano*

Em 1987, foi lançado um dos mais importantes documentos sobre a relação do homem com o meio ambiente. Elaborado sob a coordenação de Gro Brundtland, primeira-ministra da Noruega e presidente da Comissão Mundial das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, “Nosso Futuro Comum” usou, pela primeira vez, a expressão “desenvolvimento sustentável”. Trata-se de conceito cristalino: é o desenvolvimento que “satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. Hoje, parece incrível que essa definição tenha soado para muitos, há menos de três décadas, como ameaça à prosperidade das nações. A sustentabilidade é um conceito que se firmou como único caminho para fazer frente não apenas às mudanças climáticas, mas também aos desafios econômicos e sociais que se multiplicam pelo mundo. Para o setor segurador, no entanto, a sustentabilidade sempre foi um pilar insubstituível. Por sua própria natureza, o seguro deve, obrigatoriamente, atender ao presente sem comprometer o futuro. Por esse motivo, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) vem reafirmar que as empresas do setor estão credenciadas a dar sua colaboração para que o Brasil faça com sucesso a transição para uma sociedade sustentável.

De início, vale lembrar que desde 2012, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou os Princípios para Sustentabilidade em Seguros, a CNseg incluiu em sua agenda a integração de critérios ambientais, sociais e de governança (ASG). O caminho provou-se de acerto inequívoco. Hoje está amplamente demonstrado que empresas com boas métricas de ASG são mais resilientes e geram mais valor a longo prazo. Isso acontece porque elas gerenciam melhor os riscos e oportunidades socioambientais e possuem governança robusta, o que lhes permite atravessar com mais tranquilidade períodos turbulentos como os atuais. Em 2020, a pandemia da Covid-19 poderia ter deixado em segundo plano essa questão. No entanto, ocorreu o contrário. A crise sanitária global tornou ainda mais evidente a necessidade de valorizar a sustentabilidade ambiental e a social de médio e longo prazos. Não apenas porque evidenciou a enorme desigualdade no acesso à prevenção e ao tratamento da saúde, mas também porque mostrou como a desaceleração de alguns setores de atividade poluente foi benéfica para o meio ambiente. A crescente consciência da sociedade global sobre os riscos associados às mudanças climáticas fortaleceu-se ainda mais. Nas empresas, essa é uma preocupação que vem à frente dos demais desafios desta segunda década do século XXI. A maior gestora de ativos do mundo atesta que nenhuma questão supera o risco climático na lista de prioridades de seus clientes.  

Por trás dessa tomada de consciência estão dados alarmantes. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o número de catástrofes naturais – inundações, incêndios e furacões, entre outras – decorrentes do aquecimento global dobrou em quatro décadas. Entre 1980 e 1999, ocorreram 3.656 catástrofes, número que passou a 6.681 entre 2000 e 2019. Os prejuízos chegam a US$ 3 trilhões desde 2000, mas o número real é maior, uma vez que muitos países não calculam o impacto dessas tragédias sobre a economia. Para se ter uma ideia, a quantia equivale à do pacote americano de estímulo à economia no âmbito da pandemia de Covid-19. As seguradoras têm também nesse aspecto uma importante contribuição a oferecer: sua experiência em assumir e gerenciar, de forma eficaz, riscos que lhe são transferidos, identificando oportunidades e direcionando investimentos apropriados à dimensão de cada risco. O “seguro-catástrofe”, largamente utilizado em países como o México, que garante a cobertura dos prejuízos provocados por terremotos de intensidade acima da média histórica, é exemplo da importância dessa expertise.

Muitos avanços foram feitos desde o relatório “Nosso Futuro Comum”. Governos e empresas passaram a levar em conta o impacto ambiental e social de suas ações e a exigir o mesmo cuidado de seus fornecedores e clientes. Bancos têm levado em conta esses mesmos critérios nos financiamentos que concedem. E há um esforço digno de nota em aumentar a transparência no relacionamento com a sociedade. A CNseg participou da atualização das normas que tornou mais rigorosos os critérios de governança para as empresas investidas e a consideração dos critérios ASG nos investimentos das seguradoras. Atualmente, acompanha a bem-vinda decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de realizar audiências públicas para estabelecer regras de ASG. Como um dos maiores investidores institucionais do País, com ativos equivalentes a 27% da dívida pública brasileira, o setor tem recursos e interesse em investir não só em ativos reconhecidamente “verdes”, como a produção de energias renováveis, mas também naqueles que incentivam transição para um mundo sustentável, como o saneamento básico. A CNseg defendeu a aprovação do marco legal do saneamento porque entende que melhores indicadores de cobertura de água tratada e esgoto sanitário são benéficos para toda a sociedade e podem acarretar a redução dos custos dos seguros de saúde e da pressão sobre o atendimento em decorrência da diminuição das doenças, além da redução das taxas de mortalidade e diminuição da frequência e do impacto de inundações que oneram o custo dos seguros patrimoniais. Com a atualização do decreto de infraestrutura, o marco legal do saneamento também amplia o papel do investimento privado que poderá ser alocado, inclusive pelas seguradoras.

A CNseg comemora os avanços e orgulha-se de ter contribuído para sua implementação e consolidação. Lembramos, no entanto, que para que continuemos a avançar na direção de um futuro sustentável, é preciso que, no presente, a sustentabilidade esteja no centro de todas as decisões. Os Princípios das Nações Unidas para o Seguro Sustentável servem como uma estrutura global para a indústria de seguros abordar riscos e oportunidades ASG. É indispensável a obtenção de um acordo internacional que resulte em critérios adaptados a cada região, que possibilitem comparar e verificar os indicadores e resultados de cada empresa, assim como estabelecer parâmetros transparentes para que um investimento seja considerado sustentável. A padronização das especificações e termos que classificam atividades “verdes” pode ser de grande valia para isso.

No que se refere à regulação, é essencial que os órgãos responsáveis reconheçam que estamos vivendo um período de transição, que exige diálogo e flexibilidade, para que o indispensável arcabouço legal não se torne entrave ao desenvolvimento de novos produtos. Por último, mas não menos importante, a solidez financeira do sistema precisa ser preservada, para que o setor possa continuar a colaborar com o futuro do País. 

*Marcio Serôa de Araujo Coriolano é economista e presidente da CNseg, a Confederação Nacional das Seguradoras

Mitsui Sumitomo apresenta nova executiva no comando da área jurídica

Giovana Consentini na Mitsui Sumitomo

“São muitos desafios e estou feliz de estar na Mitsui Sumitomo, que tem um plano ousado de crescimento, e requer uma governança corporativa bem concebida e estruturada”

Giovana Consentino é a nova Head de Legal da Mitsui Sumitomo Seguros. Formada em direito há quase 20 anos, ela entrou no mercado segurador em 2008, ao trabalhar no escritório Demarest, e, não saiu mais. “Este é um setor incrível que nos oferece diversas frentes de atuação, como compliance, controles internos, produtos nos vários nichos do setor, como seguros, resseguros, previdência e saúde”, comenta. 

Além de dar segurança jurídica aos avanços da seguradora japonesa no Brasil com apoio as áreas de produtos, financeiro e comercial, Giovana tem a missão de lapidar a governança corporativa da Mitsui Sumitomo. Nos últimos 10 anos trabalhei na Chubb e na Argo Seguros. Será incrível vivenciar o #tomoni, termo japonês que significa estar junto, na maior seguradora da Ásia e integrante do 8° grupo segurador do mundo”, disse.

Neste ano, há mais um desafio para seguradoras especializadas em grandes e médios riscos como a Mitsui Sumitomo, que apresentou o sexto maior crescimento neste segmento em 2020, segundo ranking divulgado pela Susep. “O ambiente de trabalho para o Jurídico está mais dinâmico com as mudanças regulatórias promovidas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). São muitos desafios e estou feliz de estar na Mitsui Sumitomo, que tem um plano ousado de crescimento e requer uma governança corporativa bem concebida e estruturada”.  

Giovana reportará diretamente a Helio Kinoshita, Head da operação da Mitsui Sumitomo. “Estamos orgulhosos de conquistar uma executiva com a experiência de Giovana, que certamente agregará muito valor ao grupo apoiando a nossa estratégia de crescimento, analisando de forma ativa os processos judiciais, atendendo às demandas regulatórias locais e do Grupo MS&AD. A Governança Corporativa se tornou um dos pilares estratégicos no mundo global e certamente a Giovana irá contribuir muito para fortalecer a nossa Governança e dar sustentação ao nosso crescimento”, finaliza Helio.

Minuto Seguros entre as possíveis unicórnios de 2021, segundo a Distrito

A Distrito revelou suas apostas para as startup que poderão ser as novas unicórnio neste ano, com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão. No relatório de 89 páginas, a Distrito considera os seguintes fatores: estimativa do valor de mercado, número e valores das rodadas de investimento, presença nos aportes de fundos que já formaram outros unicórnios, aquisição de outras startups, número de funcionários e de vagas abertas, atuação internacional e experiência dos fundadores e do time executivo. 

Entre elas, a Minuto Seguros. “Não é impossível, o que não quer dizer que seja fácil, pelo contrário”, afirmou Marcelo Blay, CEO da Minuto, ao blog Sonho Seguro. “Não basta a empresa achar que vale US$ 1 bilhão, pois não depende dela. Valuation depende de uma série de fatores, que vão do cenário político-econômico local e internacional; taxa de juros; liquidez no mercado; apetite a risco e interesse de potenciais investidores privados ou do mercado de ações para um IPO.”

Conhece as 16 candidatas, além da Minuto Seguros: ContaAzul, Dr. Consulta, Neon, PetLove, CargoX, Contabilizei, Pipefy, Olist, Solinftec, Superlógica, Tembici, Fazenda Futuro, Zenvia, Buser, Take Blip e Cortex. Segundo a Distrito, é provável que nem todas virem unicórnio em 2021, afinal o grupo é amplo, mas a lista serve como norte.

Zurich lança seguro de vida individual flexível

Zurich Fabiano LIma

Produto oferece capital segurado de até R$ 5 milhões e mais de 15 coberturas e assistências customizáveis, entre elas Indenização por Cirurgia, Diária de Incapacidade Temporária e Doenças Graves

A seguradora Zurich lança neste dia 18 de fevereiro o “Zurich Vida Para Você”, seguro de vida individual. Segundo a empresa, o produto nasce como um dos mais completos do mercado, pois além das coberturas tradicionais, oferece outras proteções customizáveis, de acordo com a preferência do segurado, para serem utilizadas sempre que necessário, durante toda sua vida. Somado às coberturas, o produto disponibiliza 15 assistências para que o cliente escolha até três delas, sem custo adicional. Além de ser um produto flexível, o capital segurado (indenização a receber) pode ser de até R$ 5 milhões, valor acima da média praticada para seguros de vida.

“O produto oferece proteção personalizada e flexível. Foi com esse propósito, de empoderar o cliente e proporcionar a ele a possibilidade de escolher como quer ser protegido, nas mais diferentes fases de sua vida, que o ‘Zurich Vida para Você’ foi concebido”, conta o diretor de Vida, Previdência e Capitalização da Zurich no Brasil, Fabiano Lima.

O executivo explica que a contratação pode ser 100% online, de forma simples e rápida.  Além disso, a seguradora disponibiliza uma ferramenta chamada Zurich Análise Financeira (ZAF), que ajuda o corretor a identificar as suas necessidades e escolher a proteção ideal para o seu perfil. O ZAF permite que seja realizada uma análise por meio do planejamento financeiro do segurado, considerando suas despesas, seu patrimônio, manutenção de estilo de vida de sua família, bem como dos custos para garantir, por exemplo, a educação dos filhos num horizonte de curto e médio prazos.

O produto também oferece coberturas a serem utilizadas pelo próprio segurado, como:  Indenização por Cirurgia, que paga o valor contratado por ele caso precise ser submetido a algum dos procedimentos cobertos pelo seu plano e cujo limite é de R$ 50 mil;  Diárias de Incapacidade Temporária por Acidente ou Doença, que protege a renda do segurado, garantindo o pagamento de uma indenização proporcional ao período de afastamento, em caso da impossibilidade de o de ele exercer a sua profissão ou ocupação, durante o período em que estiver sob tratamento médico; e a cobertura de Doenças Graves que, garante proteção financeira caso o cliente seja diagnosticado com alguma das enfermidades que constam em três diferentes planos que ele escolhe no ato da contratação.

Entre as 15 assistências que podem ser selecionadas pelo segurado, destacam-se ainda:  Orientação Psicológica, 2ª Opinião Médica, Assistência Pet e até uma Rede de Descontos em mais de 20 mil estabelecimentos em todo o Brasil. 

Brasileiros procuram mais por seguros para proteção pessoal 

Para Fabiano Lima, ainda que para muitos brasileiros, infelizmente, o seguro de vida esteja associado a um momento delicado, a procura por esta proteção tem crescido significativamente nos últimos anos, por dois fatores principais.

Ele explica que o primeiro motivo é que tem havido o aumento da conscientização dos benefícios para a continuidade dos projetos das famílias. O outro fator que impulsionou esse crescimento é a melhora na renda das pessoas nos últimos anos, que permite que a população tenha condições de pensar em uma proteção futura, além de garantir suas despesas recorrentes. “Ainda assim, cerca de 80% da população brasileira não possui um seguro de vida e, dos que possuem, a grande maioria têm uma proteção inferior ao que realmente necessitam”, observa. “Foi nesse contexto que desenvolvemos um produto completo em que o cliente escolhe o que melhor se adequa ao seu momento de vida e pode, assim, garantir o cuidado e a proteção ideal para ele e aqueles que ele mais ama”, finaliza.

Com aprovação da Susep, Thinkseg prepara “combo liga e desliga” nesse semestre

Andre_Gregori Thinkseg

Diferentes pacotes “liga e desliga”, incluindo seguro auto, residencial, mobilidade, celular e vida, serão contratados via assinatura mensal, semestral ou anual

Fonte: Thinkseg

Com aprovação da simplificação regulatória e flexibilização para estruturação e comercialização de contratos de seguros de danos massificados e para cobertura de grandes riscos, divulgada hoje pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), a Thinkseg vai colocar no mercado “combos liga e desliga”, que vêm sendo idealizados ao longo dos últimos dois anos. “Só faltavam as normas do órgão regulador, com a permissão para esse modelo de comercialização de produtos no Brasil, diz o CEO da Thinkseg, Andre Gregori. “É um divisor de águas sem igual. O assunto, há dois anos, era objeto de conversas com o órgão regulador”, completa. 

Para o CEO da Thinkseg, a simplificação regulatória permite criar combos de seguros necessários à vida do consumidor, com melhor preço. Segundo Gregori, desde o início da operação da Thinkseg, sempre houve a proposta de fazer algo para as pessoas, expostas a vários riscos diariamente. 

“Na Thinkseg, sempre pensamos em um combo família, incluindo o seguro auto, residencial, celular e vida, por exemplo, com assinatura mensal, semestral ou anual. Esse pacote “liga e desliga” já deverá ser distribuído a partir de abril, por meio de nossos parceiros e também via nosso canal online. Logo em seguida, entraremos em ação com os corretores”, diz Gregori.  

A Thinkseg é pioneira no desenvolvimento do seguro auto “liga e desliga” Pay Per Use (PPU), atualmente, comercializado em parceria com a seguradora Generali. A insurtech inovou no mercado brasileiro ao trazer o conceito de modelo de possibilitar ao cliente pagar o seguro do carro conforme o quilômetro rodado pelo motorista. É o “Pague pelo Uso”, em inglês, “Pay Per Use”. Desde 2016, esse modelo começou a se tornar popular nos Estados Unidos e alguns países da Europa, mas inexistente no Brasil e na América Latina. 

No Pay Per Use, o motorista paga uma assinatura mensal acrescida de um valor (em centavos) por cada quilômetro rodado. O preço do quilômetro varia de acordo com o algoritmo de precificação da Thinkseg. A telemática (telemetria) permite o acompanhamento, sempre respeitando a privacidade do cliente, de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). 

Em 2020, a Thinkseg também foi a primeira insurtech a realizar a venda de um seguro pelo whatsapp no Brasil, e está preparando a expansão de seu modelo “Pay Per Use” na América Latina, aproveitando a presença de sua investida ComparenCasa. Em 3 de fevereiro último, a Thinkseg foi aprovada pela Susep para atuar como seguradora dentro do modelo Sandbox. 

Artigo: Liberalização dos clausulados de Seguros de Danos é um marco ímpar

por Walter Polido, consultor, professor, árbitro e autor de livros sobre seguros e resseguro

“O futuro é muito promissor para quem de fato tiver interesse em prestar serviços de excelência aos consumidores de seguros”

Marco regulatório ímpar, até porque no Brasil o mercado de seguros sempre esteve atrelado a produtos estandardizados pelo Estado: 70 anos pelo IRB durante o regime de monopólio e depois pela Susep. Até mesmo mercados menores, comparados ao brasileiro, gozam de liberdade, assim como Colômbia e Chile, na América Latina. Através da medida anunciada pela Susep, o mercado de seguros nacional poderá entrar, ainda que tardiamente, no século XXI!

Foi rompida, finalmente, a “padronização” dos clausulados imposta para a iniciativa privada e que apresentava teor técnico-jurídico questionável. Não é esta a função do Estado, a quem compete regular e fiscalizar as provisões técnicas e as reservas de sinistros, de modo a manter a higidez do sistema em prol de toda a mutualidade. Excelentes oportunidades profissionais para quem estuda e conhece seguro de verdade.

O novo paradigma atingirá, inquestionavelmente, todos os agentes deste mercado: seguradoras, corretores de seguros, resseguradores, reguladores de sinistros, advogados, peritos e, principalmente, os segurados. Não poderá mais ser feito seguro, assim como se fazia há cinquenta anos atrás e até hoje, com base no pensamento contratual já anacrônico e com visão técnica voltada ao passado.

O tempo é outro e as bases contratuais que serão reelaboradas, assim como os procedimentos que materializam a atividade seguradora, deverão acompanhar a evolução já sofrida. Até mesmo a nomenclatura técnico-jurídica das apólices deverá ser revista e atualizada.

No caos promovido pela pandemia, a Susep ascendeu uma luz no túnel para o mercado de seguros. Altamente positiva a medida e ela alinha o Brasil aos mercados desenvolvidos, que há muito já experimentam a liberdade contratual e não à toa, apresentam diversidade de produtos e de preços aos consumidores, oferecendo clausulados bem elaborados, enxutos, objetivos, efetivamente garantindo riscos e interesses essenciais sem a multiplicação de coberturas adicionais.

Agora, o mercado de seguros brasileiro poderá galgar este patamar de ofertas, oferecendo diferentes produtos e até mesmo dentro de um mesmo ramo de seguro. Temos de corresponder à abertura, com profissionalismo, deixando para trás os procedimentos do passado, já carcomidos e anacrônicos.

O futuro é muito promissor para quem de fato tiver interesse em prestar serviços de excelência aos consumidores de seguros.

Susep permite que seguradoras vendam vários seguros em uma única apólice

Solange Vieira Susep

Iniciativa é parte dos avanços promovidos pela autarquia para a consolidação do novo marco regulatório do setor de seguros no Brasil, simplifica regras e procedimentos e abre espaço para novos produtos, com redução de preço para o consumidor 

Fonte: Susep

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) aprovou, em reunião ordinária do Conselho Diretor realizada em 04/02/2021, as novas normas para a simplificação regulatória e flexibilização para estruturação e comercialização de contratos de seguros de danos massificados e para cobertura de grandes riscos. As normas aprovadas, alinhadas às melhores práticas internacionais, passaram por consultas públicas no ano passado e ampla discussão com a sociedade.

O objetivo de desregulamentar o setor, aumentar e diversificar os produtos oferecidos e a cobertura do seguro no país e reduzir o preço final para os consumidores. A norma que trata dos seguros de grandes riscos ainda depende de aprovação pelo Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP, cuja deliberação está prevista para ocorrer no próximo mês. 

Uma das principais mudanças é a separação da regulação de seguros de danos para cobertura de riscos massificados e para cobertura de grandes riscos. O objetivo é diferenciar o tratamento regulatório desses mercados, que têm características distintas.  “Nossa expectativa é que uma nova dinâmica se inicie no mercado de seguros a partir dessas normas, com o aumento da oferta e diversificação de produtos”, explica Solange Vieira, Superintendente da Susep. 

“Os avanços tecnológicos e os novos cenários exigem que viabilizemos a criação de mais oportunidades para inovação, diversificação por parte das empresas e também alternativas para que o cliente fique mais fortalecido nos processos de negociação”, afirma.  

O avanço na regulação de seguros massificados visa maior simplicidade e clareza para os produtos, sempre com a preocupação de aumento de transparência para o consumidor. A flexibilização da estruturação das coberturas e do desenho dos produtos foi consolidada na etapa de consulta pública. As sugestões da maior parte dos interessados reforçaram o objetivo de simplificação, mais flexibilidade e menos burocracia. De acordo com Rafael Scherre, Diretor Técnico da autarquia, “há muito espaço para crescimento do mercado de seguros massificados; ficou claro que os mais diversos participantes do setor desejam um ambiente mais livre”. 

Atualmente, o mercado ainda percebe como obrigatória a estruturação dos produtos em camadas, ou seja, em condições gerais, especiais e/ou particulares, gerando condições contratuais extensas e de difícil compreensão, além de entender que os produtos ainda são aprovados pela Susep. De acordo com Rafael Scherre, um dos grandes objetivos é mudar essa percepção, deixando claro que os produtos podem ser estruturados de forma flexível e que não há análise prévia ou aprovação das condições contratuais: “espera-se que seja o primeiro passo para uma crescente simplificação dos produtos, tornando-os de mais fácil entendimento para os consumidores, e para um mercado mais dinâmico e inovador”. 

Simplicidade e negociação  – Nos seguros de grandes riscos, a simplificação da regulação proporcionará ao mercado maior liberdade contratual para as partes, permitindo que sejam desenvolvidos produtos customizados para grandes empresas e clientes, sem as amarras tipicamente geradas por planos padronizados e excesso de regulamentação. Outro importante avanço é fortalecer as negociações entre seguradoras e resseguradores, evitando descasamento de coberturas. “Nos seguros de grandes riscos, o porte econômico e a capacidade técnica das partes demandam menos intervenção regulatória. A melhor solução é a negociação direta. Espera-se, com isso, um significativo crescimento desse mercado no Brasil nos próximos anos, que ainda é muito pequeno comparado a economias desenvolvidas e emergentes”, explica Igor Lourenço, Diretor Técnico da Susep. 

A expectativa também é que as mudanças colaborem com o desenvolvimento e crescimento do setor do Brasil, aumentando, por exemplo, o acesso ao seguro. Dados da OCDE mostram que há significativo espaço para crescimento do setor. No final de 2020, os seguros de danos somaram em prêmios R$ 78,9 bilhões, representando 1,1% do PIB. Dentro do volume total de receitas do setor – R$ 274,1 bilhões em 2020 – os seguros de danos representaram apenas 28,8% do mercado. Nos EUA, este número gira em torno de 50%. 

Enquanto o setor aqui está perto de 1% do PIB em prêmios de seguros de danos, países latino-americanos apresentam números bem superiores: Colômbia com 1,4%, Chile com 1,5% e Argentina com 3,6%. Em países mais desenvolvidos, como França, EUA e Holanda, os números são respectivamente 4,6%, 6,6% e 7,8%. Ou seja, entre 4 a 7 vezes maior do que no Brasil. 

Redução do estoque regulatório – As medidas aprovadas simplificam e consolidam diversos atos normativos, resultando na revogação de 17 normas anteriores e promovendo a redução do estoque regulatório, tudo em linha com os objetivos do Decreto 10.139/2019.  

Zurich: estratégia é investir em ações, produtos e serviços para ter o planeta e os clientes longevos

Roberto Hernandez

“Investimos em conscientizar a sociedade sobre os riscos e contribuímos com soluções de médio e longo prazos”, diz Roberto Hernández, diretor executivo de Seguros Corporativos da Zurich no Brasil

Como trazer proteção aos clientes diante dos riscos trazidos no 16ª Relatório de Riscos Globais 2021? Essa foi a questão principal da conversa com Roberto Hernández, diretor executivo de Seguros Corporativos da Zurich no Brasil. A seguradora suíça, uma das maiores da Europa e do mundo, foi uma das patrocinadoras do estudo produzido pelo Fórum Econômico Mundial em parceria com a consultoria de riscos Marsh McLennan e as universidades de Oxford, Singapura e Pensilvânia.

Segundo o estudo, no curto prazo (dois anos), além das ameaças de doenças infecciosas – que já apareciam no documento desde 2006 – os riscos de climas extremos, os crimes cibernéticos e a desigualdade digital são outras preocupações mundiais. No médio prazo (5 anos), para os especialistas e tomadores de decisão entrevistados, o mundo corre riscos econômicos de uma bolha de ativos, instabilidade de preços, choques nos preços das commodities e crise de endividamentos. Já no horizonte de 10 anos (longo prazo), segundo os 700 entrevistados, o mundo pode se deparar com os riscos das armas de destruição em massa, Colapso de Estados e, no campo ambiental, as ameaças ambientais causadas pelo homem podem levar à perda da biodiversidade e à falta de recursos naturais.

Certamente não é possível ofertar cobertura para todos os riscos. Pandemias, por exemplo, são uma das exclusões de quase a totalidade dos contratos negociados pelo mercado segurador, como uma forma de preservar a solvência das seguradoras. Assim como catástrofes naturais. “Os contratos são negociados caso a caso. Há regiões muito expostas onde as coberturas tem um custo elevado. Em outros, a prática do setor é formar um consórcio com a participação do governo”, explica. 

Já o seguro para proteger as empresas das perdas causadas por riscos cibernéticos tem apresentado um crescimento significativo. Em 2020, o seguro cibernético totalizou com prêmios 434% maiores, comparados a 2019. “O resultado é fruto do nosso posicionamento, de sermos líderes de mercado ao ofertar aos clientes segurança de dados e de ter um produto sob medida para os clientes. Nossos especialistas são treinados para avaliar riscos, sugerir medidas de mitigação e prevenção. E esta estratégia tem se mostrado vencedora”, comentou. 

As pequenas e médias empresas, segundo ele, não entendem muito o risco de ter uma companhia funcionando. “Investimos em conscientizar a sociedade sobre este risco que pode gerar multas, responsabilidade de indenizar terceiros, e processos judiciais. Ainda há muito o que fazer, mas o setor tem crescido. 

No tema “eventos extremos”, a Zurich tem uma linha de produtos e serviços que permite dar suporte aos segurados. Em 2020, foram centenas de indenizações pagas para clientes que tiveram perdas com inundação em São Paulo e Rio de Janeiro. O ciclone bomba no Sul do país causou estragos significantes e nossos clientes puderam contar com nosso apoio, como, por exemplo, a instalação de geradores de energia para evitar uma perda maior”, citou o executivo. 

E não é só com produtos e serviços que o grupo Zurich contribui para a sustentabilidade das empresas. O grupo quer evitar que o planeta sofra e que as consequências potencialize os riscos para todos. “Há dois anos, o grupo Zurich assumiu diversos compromissos mundiais e locais, pois quer ser um dos grupos mais responsáveis e de maior impacto do planeta”, disse. Mundialmente, o grupo vem renovando investimentos parrudos em ações importantes. Em 2012, o compromisso foi investir US$ 2 bilhões em títulos verdes. Em 2017, fez uma nova aliança com o planeta ao renovar por cinco anos seu compromisso de investir US$ 5 milhões até 2022. O montante equivale à compensação de 5 milhões de emissões de CO2.

No Brasil, há uma série de iniciativas, como descarte ecológico de equipamentos domésticos, pagamento 100% digital às oficinas de sua rede credenciada de seguro auto e logística reversa de smartphones e itens de informática são as principais práticas sustentáveis. 

Leia mais  Zurich implementa produtos e serviços sustentáveis

Brasil tem risco elevado em 10 setores, avalia Coface

Barômetro de Risco País e Setorial da Coface estima que comércio global terá volume 6,7% maior; América Latina está mais preparada do que na crise financeira

Fonte: Coface

Depois do baque causado pelo Covid-19 em 2020, a economia global deve se recuperar este ano, mas de maneira desigual entre países, setores de atividade e níveis de renda. A conclusão é do Barômetro de Risco País e Setorial da Coface, líder global em seguro de crédito e serviços relacionados, apresentado globalmente nesta terça-feira (dia 9). A previsão da Coface é que o crescimento mundial seja de 4,3% em média em 2021, enquanto o comércio mundial deverá aumentar 6,7% em volume.

Segundo o estudo, os países emergentes (entre os quais o Brasil) continuarão a sofrer os impactos da crise sanitária, tanto de maneira direta (com lockdowns e outras restrições) quanto indireta (consequência dos problemas nas economias maduras, em particular no comércio, nos preços das commodities e no turismo).

Apesar dessas dificuldades, os países latino-americanos poderão, em sua maioria, implementar políticas econômicas contracíclicas, particularmente políticas monetárias, de acordo com o relatório da Coface.

Segundo o texto, a situação atual é mais confortável no continente do que na crise financeira de 2008, quando a inflação alta limitou a ação dos Bancos Centrais. Desta vez, embora a inflação ainda seja elevada em países como a Argentina, a maioria dos Bancos Centrais da AL reduziu as taxas básicas de juros em 150 pontos-base em média. Além disso, os BCs de mais de 15 países da região lançaram programas de compra de títulos públicos ou de empresas privadas.

Em relação ao risco dos setores da economia, a Coface analisou a situação em 4 países da América Latina (Brasil, Argentina, Chile e México) em 13 segmentos. No caso brasileiro, o risco foi considerado médio apenas no Agronegócio e no Farmacêutico, e muito elevado em Têxtil e Roupas. Nos demais o risco foi classificado como alto: Automotivo, Químicos, Construção, Energia, Metais, Papel, Varejo, Transporte e Madeira.

CNseg e Ibmec RJ lançam disciplina eletiva “Seguros Privados” no curso de Direito da instituição

cnseg

Fonte: CNseg

A Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg, em parceria com o Ibmec RJ, realiza, no próximo dia 18, às 10h, a solenidade virtual de lançamento da disciplina eletiva “Seguros Privados” no curso de Direito, ela também estará aberta aos alunos de outros cursos. A CNseg viabilizará, ainda, duas bolsas de pesquisa de iniciação científica no curso de Direito, pelo prazo de seis meses, diretamente aos bolsistas selecionados e indicados pelo Ibmec, conforme processo seletivo estabelecido pela instituição.    

A disciplina de “Seguros Privados” também foi selecionada para compor o leque das matérias oferecidas para os alunos estrangeiros da instituição. “A criação da disciplina ‘Seguros Privados’ no curso de Direito do Ibmec RJ e a oferta de bolsas de pesquisa visam ao desenvolvimento de pesquisas, estudos e eventos nas áreas de seguros, previdência privada e capitalização. Para a CNseg, estabelecer parcerias com instituições de ensino de forma a disseminar a cultura do seguro, entre estudantes e futuros profissionais das mais diversas áreas de conhecimento, faz parte dos objetivos do Programa de Educação em Seguros da Confederação”, afirma o Presidente da CNseg, Marcio Coriolano.   

A disciplina já conta com alunos inscritos para as aulas que começam logo após o Carnaval. O convênio, que tem a Superintendente Jurídica da CNseg, Glauce Carvalhal, como representante da CNseg na sua gestão, não envolve transferência de recursos financeiros entre as partes. “A assinatura do convênio com o Ibmec RJ é uma grande conquista para o setor segurador, que poderá contar com futuros profissionais ainda mais bem preparados, mas também para os alunos que, com o apoio da CNseg, terão acesso a completo programa educacional sobre um dos mais importantes segmentos da economia brasileira e mundial”, destaca Glauce.    

Para o reitor do Ibmec RJ, Marcos Lemos, a parceria é uma ótima opção para os alunos se aproximarem da área de seguros. “Nosso objetivo é formar profissionais prontos para encarar o mercado de trabalho de forma completa e assertiva. A nova disciplina, fruto da parceria com a CNseg, aponta nessa direção”, comenta o reitor. 

A live de lançamento do dia 18, das 10 às 11 horas, será pela plataforma Colaborate e aberta ao público, com inscrições pelo link – go.ibmec.to/disciplinadireito. Participarão da transmissão o Presidente da CNseg, da coordenadora da disciplina, a Professora Doutora Fernanda Paes Leme, do Reitor do Ibmec RJ, Marcos Lemos, e ainda com os Professores Angélica Carlini e Mario Viola.