“Seguros Privados: uma atividade estratégica de portas abertas para estudantes do Ibmec RJ”

Live detalha convênio firmado entre CNseg e Ibmec-Rio

Fonte: Cnseg

“A atividade securitária compreende uma das mais extensas cadeias produtivas de valor, abrangendo profissionais de diversas especialidades, que precisam de formação adequada para se engajarem no mercado de seguros”, afirmou o Presidente da CNseg, Marcio Coriolano, durante a solenidade virtual realizada em 18 de fevereiro para o lançamento da disciplina “Seguros Privados” no Ibmec-Rio, fruto de convênio firmado entre a instituição de ensino e a Confederação Nacional das Seguradoras. 

O Presidente da CNseg, Marcio Coriolano, o Reitor do Ibmec, Marcos Lemos, e os professores Fernanda Paes Leme (coordenadora da matéria), Angelica Carlini e Mario Viola (ambos especialistas em direito securitário) participaram do lançamento da disciplina. 

Após ressaltar a contribuição, para o convênio, da Superintendente Jurídica Glauce Karine Carvalhal, Marcio Coriolano lembrou que o mercado mais que dobrou de tamanho em nove anos, saltando de R$ 125 bilhões em 2011 para R$ 273,1 bilhões em 2020, com uma taxa média geométrica de 8,1% no período. A volumosa arrecadação, que é um espelho da demanda crescente da população, torna o setor segurador o maior captador de poupança doméstica do País, com R$ 1,2 trilhão alocados no mercado financeiro. A cifra responde por 25% da dívida pública. 

O dirigente da CNseg acrescentou que, comparando a mercados maduros, EUA, Europa e Ásia, o Brasil tem um mercado potencial de seguros enorme, visto que hoje oscila da casa de 4,5% do PIB, contando ramos elementares, o segmento de Previdência Privada e Vida, além de Capitalização, a 6%, se incluída a receita de Saúde Suplementar. 

Marcio Coriolano destacou que a atividade securitária compreende uma das mais extensas cadeias produtivas de valor, abrangendo profissionais de diversas especialidades, que precisam de formação adequada para atuar no mercado de seguros. E reconheceu que o setor segurador oferece excelentes oportunidades de desenvolvimento acadêmico e profissional para jovens advogados, economistas e atuários, entre outros, que terão a oportunidade de interagir, inclusive, com entidades internacionais relacionadas à indústria do seguro. 

O Reitor Marcos Lemos não escondeu sua enorme satisfação de oferecer, na grade da instituição, uma disciplina tão relevante para a área de trabalho de todos os alunos.  Segundo ele, as aulas também serão baseadas na extensa literatura econômica relacionada à informação assimétrica, “que inclusive já rendeu um prêmio Nobel em 2001 para Joseph Stiglitz, Michael Spence e George Akerlof, com destaque para o trabalho Equilíbrio no Mercado Competitivo de Seguros”.  

Coordenadora da disciplina “Seguros Privados”, Fernanda Paes Leme assinalou que, após mais de um ano de tratativas entre o Ibmec e CNseg, a eletiva tem como propósitos específicos divulgar conhecimento técnico de seguros, disseminar sua cultura, destacar sua função social e sua relevância econômica.  

A professora Angelica Carlini afirmou que o estudo do seguro se mostra ainda mais importante em uma sociedade como a nossa, impactada por tantas alterações causadas pelas tecnologias disruptivas como a inteligência artificial e suas muitas aplicações, o blockchain e o big data, entre outras. Em razão disso, exige-se a construção de novas matrizes de responsabilidade e, consequentemente, de novas coberturas de seguro”. Carlini classificou o seguro como um instrumento de desenvolvimento econômico e da paz social, de valor intangível e imensurável”.  

Já o professor Mario Viola disse que a atividade securitária caminha de mãos dadas com a evolução da sociedade, classificando esta parceria entre as duas instituições como inovadora. “Na Europa existem cátedras de seguros, mas, no Brasil, acho que isso é inédito”, afirmou. Para ele, a academia deve funcionar como mecanismo de geração de ideias que, posteriormente, devem ser aplicadas na prática. Nos Estados Unidos, complementou, “os grandes empreendedores saem de dentro das universidades, onde são captados pelas grandes instituições”.  

As aulas da disciplina “Seguros Privados” começam na próxima terça-feira, dia 23, e os alunos poderão concorrer a duas bolsas de iniciação científica no curso de Direito, oferecidas pela CNseg. 

Swiss Re divulga prejuízo anual de US$ 878 milhões no ano passado

Isso foi impulsionado por US$ 3,9 bilhões em reivindicações e reservas relacionadas à pandemia durante 2020, sem os quais teria registrado um lucro de US$ 2,2 bilhões

Fonte: Financial Times

O custo financeiro dos sinistros relacionados à pandemia cresceu para US$ 3,9 bilhões na Swiss Re, disse o grupo de resseguros na sexta-feira, levando-o ao primeiro prejuízo anual desde a crise financeira. A empresa, que vende seguro para outras seguradoras, teve um prejuízo líquido de US$ 878 milhões no ano passado.

Isso foi impulsionado por US$ 3,9 bilhões em reivindicações e reservas relacionadas à pandemia durante 2020, sem os quais teria registrado um lucro de US$ 2,2 bilhões, disse a empresa. O grupo gerou um lucro de US$ 727 milhões em 2019. “O início dos esforços de vacinação traz esperança de que a situação melhore em breve”, disse o presidente-executivo Christian Mumenthaler, ao referir-se ao papel da empresa como “amortecedor” na crise.

A pandemia foi especialmente dolorosa para a divisão de seguros, que recebeu um aumento nos pedidos de lucros cessantes e cancelamento de eventos no segundo e quarto trimestres. Isso elevou o índice combinado da divisão – uma medida básica de lucratividade que calcula sinistros e custos como proporção da receita de prêmios – para 109%, que causam prejuízos. O índice ajustado seguido por analistas, que exclui a Covid-19, bem como a evolução das reservas do ano anterior, ficou um pouco abaixo dos 97% anteriormente indicados.

A empresa prometeu dividendos de 5,9 francos (US$ 6,6) por ação, em linha com o ano anterior e as expectativas dos analistas. As perdas relacionadas à Covid “ficaram para trás em grande parte”, disse Mumenthaler.

IRB recupera índices regulatórios e consegue avançar com faturamento

Irb brasil re

Presidente do Conselho destaca o levantamento de R$ 4,8 bilhões em um espaço de seis meses e a volta ao equilíbrio de resultados

O IRB reportou em 2020 um prejuízo líquido de R$ 1,5 bilhão. Excluindo-se os efeitos one-offs run- off, resultou em perdas de R$ 476,2 milhões. O faturamento chegou a R$ 9,6 bilhões em 2020, a despeito do processo de re-underwriting implementado a partir de julho do ano passado, que impulsionou a não renovação de contratos de grandes volumes, negócios esses que apresentaram margens expressivamente negativas.

Em vendas, o IRB atingiu R$ 9,5 bilhões em prêmios emitidos, volume 12,7% maior do que o observado no ano anterior. Os prêmios emitidos no Brasil somaram R$ 4,874 bilhões, 1% acima de 2019. Já os prêmios no exterior totalizaram R$ 4,721 bilhões, com aumento de 28,0% em relação a 2019, decorrente em parte da variação cambial no período.

Em 2020, o resultado financeiro e patrimonial totalizou R$ 125,2 milhões — recuo de 86,6% em relação ao ano anterior decorrente da redução das taxas de juros. As provisões técnicas cresceram R$ 3,1 bilhões no ano passado, alcançando R$ 13,5 bilhões — alta de 29,7% em relação aos R$ 10,4 bilhões do final de 2019. As despesas com retrocessão — operações de transferência de riscos entre resseguradores — cresceram 89,6% para R$ 4,220 bilhões, refletindo o hard market, com consequente redução da oferta” de capacidade.

No ano passado, os sinistros retidos totalizaram R$ 5,812 bilhões, crescimento de 55,0% em relação ao mesmo período de 2019. O índice de sinistralidade total apresentou aumento de 35,9 pontos percentuais, saindo de 66,4% para 102,3%. “Foi um trabalho extenso e cuidadoso de nossa diretoria, focado em fazer o IRB recuperar os índices regulatórios e que culminou com uma forte demonstração de confiança do mercado”, diz Werner Suffert, CFO e diretor de Relações com Investidores da companhia.

O CEO Antonio Cassio dos Santos complementa: “Prova disso foi o levantamento com êxito de cifra equivalente a R$ 4,8 bilhões em um espaço de seis meses. Ressalte-se ainda a volta ao equilíbrio de resultados, com crescimento no faturamento total da companhia”. Segundo ele, este foi o período mais duro de toda a sua carreira como CEO.

O IRB cancelou contratos que tinham resultados muito ruins de forma consistente. Em seis meses, a equipe do ressegurador analisou 500 contratos. “Cancelamos as principais operações de vida de resultados do exterior, que vinham com índice combinado acima de 120%; cancelamos também quase todo o portfólio de aviação”, afirmou o executivo.

De acordo com os executivos, os efeitos da covid-19 foram pequenos, ao contrário de outras resseguradoras que tem divulgado relevante queda nos resultados de 2020 em razão da pandemia. No IRB, em sinistros foram R$ 12 milhões na carteira de seguro de vida e ainda não se sabe como ficará a carteira de lucros cessantes, que é a mais onerosa para as resseguradoras internacionais. Segundo advogados consultados pelo blog Sonho Seguro, no Brasil a discussão de as seguradoras devem pagar lucros cessantes está em andamento. Segundo eles, que pediram anonimato, são poucas discussões, porém de valores muito significativos.

Os acionistas do IRB Brasil Re vão decidir sobre a continuidade de Antonio Cassio dos Santos como CEO ou presidente do conselho em até três semanas, informou Santos na teleconferência com jornalistas. A mudança é um movimento deflagrado pelas regras do Novo Mercado da B3 que prevê que um executivo só pode acumular as duas funções por um ano, prazo que será completado no fim do próximo mês no caso do atual executivo-chefe e “chairman” do grupo. Segundo Santos, a União é quem define o presidente do conselho de administração, enquanto o colegiado é responsável pela nomeação do CEO.

O balanço do IRB Brasil Re traz muitas explicações de tudo que foi feito para a nova administração arrumar desde que assumiu em março de 2020. Há termos pouco conhecidos do público em geral, mas que estão explicados no relatório divulgado para que “tudo fique a disposição dos interessados”, ressaltou Santos.

“Enfrentamos o desafio de superar uma crise de credibilidade motivada por irregularidades identificadas pela divulgação de informações inverídicas sobre a base acionária da companhia em março de 2020, pela instauração da fiscalização especial da Susep em maio, devido à insuficiência de ativos garantidores das provisões técnicas do IRB, naquele momento da ordem de R$ 1 bilhão, e em junho pelo refazimento das demonstrações financeiras de 2019/18 que trouxeram à luz a real situação econômico-financeira da empresa”.

Definições

  1. (A)  Negócios descontinuados (run-off): são os principais negócios que foram cancelados ou não renovados pela gestão a partir de30.06.2020.
  2. (B)  Negócios continuados (run-on): são os negócios que constituem o portfólio de contratos vigentes da empresa.
  3. (C)  Efeitos one-off: são os efeitos considerados não recorrentes e que impactaram o período.
  4. (D)  Run-on normalizado: são os negócios continuados (run-on) excluindo os efeitos não recorrentes (one-off).

Segundo comunicado, o principal impacto one-off no período foi relacionado à reversão do crédito tributário da sucursal de Londres. Em anos anteriores, foi constituído crédito tributário diferido referente aos prejuízos acumulados durante décadas, na sucursal de Londres. A administração do IRB previa a retomada das operações da sucursal no prazo de dez anos, o que permitiria a utilização do referido crédito.

No entanto, em razão das presentes condições de mercado, com o agravamento da crise motivada pela segunda onda da Covid-19, e após avaliação de consultoria tributária/estratégica, a administração do IRB concluiu ser pouco provável a recuperação de tal crédito tributário. Com isso, em dezembro de 2020 a companhia reverteu o crédito tributário, conforme preconizado nas normas contábeis.

O conselho do IRB ressalta no balanço que a liquidez regulatória é a melhor desde dezembro de 2018. “Enquadramento com êxito na data base de 31/12/2020, com superávit de R$ 167 milhões, após a margem de segurança regulatória”, explica.

Os ativos financeiros atingiram R$ 8,3 bilhões, maior nível histórico alcançando. Segundo o comunicado, em anos anteriores, foi constituído crédito tributário diferido referente aos prejuízos acumulados durante décadas, na sucursal de Londres.

O ressegurador também conseguiu R$ 4,8 bilhões em recursos levantados entre 01/07/2020 e 31/12/2020 para fazer frente à questão do desenquadramento de liquidez regulatória.

Covid-19 reforça necessidade de reforma no sistema previdenciário brasileiro

Análise da Euler Hermes aponta que as últimas reformas previdenciárias podem não ser suficientes no longo prazo

Fonte: Euler Hermes

A pandemia da Covid-19 não só causou mais de 240.000 mortes prematuras no Brasil, até agora, como também interrompeu abruptamente a recuperação econômica.

De acordo com uma análise feita pela seguradora de crédito Euler Hermes em parceria com a Allianz Research, a necessidade de novas reformas no sistema previdenciário brasileiro aumentou. O crescimento acentuado do déficit orçamentário para cerca de 100% do PIB, com o objetivo de amortecer o impacto econômico da pandemia, reduziu a margem de manobra financeira para compensar déficits futuros na previdência. Nesse contexto, o fortalecimento da sustentabilidade de longo prazo e da adequação do sistema previdenciário brasileiro ganha importância.

“Há uma necessidade urgente de novas melhorias no que diz respeito à cobertura da população em idade ativa pelo sistema previdenciário público, dado o número ainda elevado de pessoas ocupadas no mercado de trabalho informal”, afirma Dra. Michaela Grimm, economista e autora do relatório.

Embora o alto número de mortes prematuras vá reduzir temporariamente a expectativa de vida do período em 2020, é provável que aumente ainda mais no longo prazo. De acordo com estimativas da ONU, em 2050, a expectativa média de vida de um homem de 65 anos aumentará em 19,9 anos e a de uma mulher de 65 anos em 22,8 anos. Caso não haja mais mudanças na idade da aposentadoria, em 2050, uma mulher de 62 anos pode esperar passar 25 anos aposentada.

De acordo com a economista, é consenso que a tendência contínua de aumento observada em muitos países nos últimos anos seja interrompida – pelo menos temporariamente.

Impactos para o longo prazo

O estudo ainda aponta que as últimas reformas podem não ser suficientes em um futuro próximo. Será necessário ajustar a idade base da aposentadoria com o intuito de refletir a evolução da expectativa de vida.

“Dado o envelhecimento acelerado da população brasileira, alterações adicionais no sistema se tornam inevitáveis para evitar déficits crescentes ou aumento nas taxas de contribuição”, explica Grimm.

As provisões ocupacionais e de previdência privada vão ganhar importância para manter o padrão de vida na velhice. “Nesse contexto, medidas como permitir retiradas prematuras do fundo de garantia para amortecer as perdas de renda em uma desaceleração econômica, como essa que estamos testemunhando atualmente, são contraproducentes no longo prazo”, afirma a economista.

A análise também aponta que tais medidas aumentam o risco de pobreza na velhice, especialmente nos grupos de baixa renda, portanto, deveriam ser financiadas por impostos, esforços para melhorar a educação financeira, além da intensificação ao acesso aos serviços financeiros.

Gastos com planos de saúde em 2020 são tema de pesquisa da Lockton

custo da saude

Levantamento da consultoria e corretora de seguros norte-americana mostra que contratos pós-pagos sofreram menor pressão de custos. Aumentos até 10% atingiram 29% das empresas

Fonte: Lockton

Pesquisa de Benefícios realizada pela consultoria e corretora de seguros norte-americana Lockton indica que 38% das empresas não tiveram aumento nos custos ou registraram retração nos valores gastos com planos de saúde oferecidos a seus funcionários em 2020. O levantamento ouviu 469 empresas em 44 setores da economia. A amostra contou com 46% de companhias de capital nacional e 54% multinacionais. De acordo com o levantamento, 29% do total da amostra disse não ter experimentado aumento de preço nos contratos enquanto 9% verificaram retração nos custos do benefício.

As empresas que sentiram maior alívio no caixa foram as que adotam o modelo de contrato pós-pago, que representam 13% da amostra. Neste universo, 36% disseram não ter registrado aumento de preços e 16% disseram ter verificado retração nos valores dispendidos.

Já entre as empresas que utilizam o modelo de pré-pagamento junto a operadoras de planos de saúde, 28% declararam que não tiveram alteração de valores e 8% informaram retração nos gastos.

Para Cesar Lopes, diretor Atuarial da Lockton e coordenador do levantamento, como a pandemia adiou a realização de procedimentos eletivos e reduziu a utilização de serviços de pronto socorro, as empresas que trabalham no modelo pós-pago e que são responsáveis financeiramente pelas despesas efetivas geradas pela população coberta em seu programa, perceberam a redução nos custos de forma imediata, motivada pela redução da frequência de utilização dos procedimentos médicos. 

“Os planos pós-pagos, embora seja um universo menor entre os contratantes de planos de saúde coletivos, sentiu menor pressão de custos, uma vez que houve significativa queda de demanda por parte dos usuários, tendência que pode se reverter quando a pandemia passar”, explica Cesar Lopes.

As empresas que declararam ter sofrido aumento de preço de até 10% nos planos somaram 29% da amostra. A maior parte delas (31%) são vinculadas a planos pré-pagos e 21% estão vinculadas a planos pós-pagos. Já as empresas que tiveram aumentos superiores a 12% somaram 21% da amostra. Aqui também os contratos pré-pagos sofreram mais que os contratos pós-pagos, cujo modelo de custos é apurado de acordo com a utilização dos serviços.

Coparticipação em terapias médicas avança entre as empresas, aponta levantamento da Lockton. Maior parte das empresas cobram de 20% a 29% do colaborador por este tipo de evento

A pesquisa de Benefícios da Lockton detectou que segue aumentando o número de empresas que aplica o modelo de coparticipação no uso de terapias para tratamentos de saúde. Das 469 empresas ouvidas nesta edição do estudo, 48% declararam que já praticam o compartilhamento de custos com os funcionários para este tipo de evento. O índice é 4 pontos percentuais maior que os 44% verificados no levantamento de 2019. 

“Estamos assistindo a uma adesão contínua das empresas a este tipo, componente de moderação da utilização diz Cesar Lopes, diretor Atuarial da Lockton no Brasil e coordenador do levantamento. Em 2017, ano do primeiro estudo de benefícios realizado pela Lockton no Brasil, o índice de coparticipação para terapias de saúde era de 31%. Em 2018, o índice subiu para 37% e seguiu avançando nos anos seguintes.

A coparticipação em terapias contrasta com os demais eventos, que apresentaram ligeira retração na prevalência do uso de coparticipação. Para consultas, o índice caiu de 78% da amostra para 76%. Para exames simples, o índice recuou de 80% para 77%. E em exames especiais, o índice retraiu de 40% para 38%.

As empresas que cobram de 20% a 29% de coparticipação em terapias médicas representam a maior parte amostra (57%). As que cobram 30% ou mais somam 28% das respondentes. As que cobram até 10% somam 7% das empresas. Já 6% das companhias cobram de 11% a 19% do colaborador e 2% da amostra diz cobrar um valor fixo de coparticipação para terapias médicas.

Nova Lei de Licitações traz avanços para seguro garantia, afirma diretor da Fator Seguradora

pedro mattosinho fator seguradora

Pedro Mattosinho detalha ao blog Sonho Seguro as principais mudanças e os benefícios para os contratos com o poder público

Como será o seguro garantia após a sanção do projeto de Lei n° 4253/2020, que altera a Lei 8.666/93, conhecida como a Lei Geral de Licitações, que está na mesa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido)? É possível fazer previsões otimistas para o segmento que está praticamente parado com a falta de obras de infraestrutura no Brasil.

Especialistas citam muitos benefícios que a nova lei traz para o segmento, que sofre uma crise de imagem por acumular um volume enorme de negativas de indenização de sinistro por diversas razões. Entre as mais comuns, a paralisação do empreendimento por falta de pagamento do governo, a falta de licença ambiental e o não cumprimento de cláusulas por parte do segurado, como avisar a seguradora sobre qualquer aditivo no contrato. 

Depois do webinar “Impactos da nova lei de licitações” (https://www.youtube.com/watch?v=NQaI9DcOYaA), o blog Sonho Seguro foi conversar com o especialista Pedro Mattosinho, Diretor de Garantia da Fator Seguradora, um dos participantes do evento, ao lado de Dennys Zimmermann, Sócio da RPZ Advogados; Eduardo Viegas, Vice-Presidente da Concremat e Stephanie Zalcman, Diretora da WIZ Corporate,

Leia abaixo os principais trechos da entrevista. 

Há alguma previsão para o presidente Jair Bolsonaro aprovar ou vetar a Lei de Licitações?

Não há uma data certa, pois depende da agenda do presidente Jair Bolsonaro. Algumas mídias comentam que pode ser ainda neste primeiro trimestre de 2021. 

As novas regras entram em vigor imediatamente após a sanção? 

Não. Há um prazo de dois anos de coexistência de regimes jurídicos, imediatamente a partir da sua publicação. Cada órgão público poderá adotar a nova lei ou a atual neste período.

É um período considerado suficiente para todos se adequarem, pois as exigências das seguradoras, com a retomada da obra, são consideráveis?

Sim, é um período suficiente para que todos se adequem ao novo processo, que é mais burocrático, porém com muito mais segurança jurídica para todos. Nós, na Fator, vamos nos adequar rapidamente, pois como o segurado, ou seja, o órgão público, pode exigir a utilização da Lei nova, já queremos estar prontos para isso e assim seguir crescendo neste segmento, tanto em vendas como em rentabilidade. 

Explique de forma bem simples qual a função do seguro de garantia de contratos.

A seguradora cobre o custo para retomar a obra. Digamos que uma construtora vença a licitação por R$ 200 milhões. Semanas depois de começar a obra, por alguma razão, esta construtora quebra ou desite da empreitada. A seguradora vai buscar a segunda colocada no pregão, que ofertou, digamos, R$ 220 milhões. Esse custo adicional é coberto pelo seguro, em benefício do governo.


O setor tentou alterar um ponto do projeto da Câmara e no Senado e não conseguiu. Ainda dá tempo de tirar a palavra “até” 30% o valor do seguro com base no investimento da obra, percentual polemico pois o tomador pode comprar seguro para apenas 1% do valor da obra apenas para cumprir a lei?

Há uma discussão para tentar esclarecer a importância de retirar a palavra “até”, pois isso pode trazer problemas para todos, uma vez que a lei traz a obrigatoriedade da contratação do seguro pelos agentes públicos para obras acima de R$ 200 milhões. Um percentual de 5%, por exemplo, não atende aos anseios do governo. O que ele quer é ver a obra concluída. Esse é um esforço legitimo do governo, pois o Brasil é um canteiro inacabado. No entanto, o seguro garantia não é uma bala de prata. Ter um valor adequado de seguro garantia é primordial para concluir a obra em caso de imprevistos que levem o tomador a parar o empreendimento. E é isso que temos de mudar. E a nova lei estimula esta mudança com a cláusula de retomada. 

Pode explicar o que é a clausula de retomada? 

A missão como seguradora, do início ao fim, é concluir a obra. Na atual norma, a seguradora não acompanha a obra e nem tem liberdade para opinar sobre o projeto e acompanhar o fluxo da obra. Com a nova leipassamos a ser intervenientes anuentes nas obras de grande vulto, com garantia de até 30%. Assinamos o contrato como se fossemos sócios. Temos o direito de acompanhar a obra e a obrigação de, em caso de algum problema com o tomador, assumir a obra e contratar uma nova construtora para concluir o projeto. Ou seja, de contratar uma segunda construtora para assumi-la com todos os desafios trabalhistas, logísticos e técnicos, pois cada obra tem a sua especificidade. 

E isso aumenta o custo para as seguradoras?

Sim. Temos de ter uma equipe técnica para analisar tudo, começando pela situação financeira das construtoras e os termos do contrato. Depois disso, acompanharemos cada passo, desde a proposta, para checar se o projeto da construtora está dentro dos padrões técnicos, financeiros e com prazo de conclusão viável, até o dia a dia da obra para checar se tudo que foi acordado é colocado em prática dentro do orçamento e do prazo previsto. A corretora de seguros também passa a ter um papel mais consultivo do que transacional.

E para as construtoras, que são os tomadores ou contratantes do seguro?

Os tomadores terão de ser mais transparentes. Se quer R$ 300 milhões em crédito para um seguro garantia, terá de abrir dados de balanços. Sem essa de mandar o balanço via arquivo Excel. Precisa esclarecer dúvidas, dar acesso ao projeto, à precificação. É assim que as seguradoras irão calcular o valor disponível para o seguro. Com a nova Lei, acho difícil uma construtora conseguir um seguro da noite para o dia, como é feito hoje. Precisarão pensar no seguro garantia desde o início dos estudos para participar das licitações.

E para os órgãos públicos, que são os segurados?

No fim do dia, o espírito é que as seguradoras sirvam de filtro. Não apoiem empreiteiras que atuem de forma irresponsável, apenas para ganhar o contrato, sem de fato estar preparadas para concluir o empreendimento. O governo espera que o mercado segurador faça uma depuração. E certamente com a nova Lei isso será feito. 

Mas há uma forte concorrência em garantia…

Sim, estamos num mercado “soft”, ou seja, com baixas taxas pois temos muitas companhias atuando neste segmento, mas poucas são especializadas.  Acredito que com a nova lei ficarão somente as empresas que têm expertise neste seguro. Atualmente, o tomador, ou seja, a construtora, só pedia o seguro de última hora para constar no processo licitatório. Algumas delas sequer existiam e isso só era descoberto quando havia um sinistro. Agora, além da nova Lei de Licitações, temos novas regras da Susep. Trata-se do Sistema de Registro de Operações (SRO), que obriga que as apólices de garantia sejam registradas. E o segurado pode checar se a apólice está registrada na Susep e não é falsa. Atualmente quem cobra menos e faz menos perguntas acaba fazendo mais negócios, mas isso pode ser perigoso no cenário da nova Lei pois a responsabilidade é muito maior. 

Por quê? A tecnologia tem ajudado com a emissão online das apólices de garantia…

Sim, a tecnologia fez com que a emissão do seguro garantia seja praticamente online. Mas fazer uma boa subscrição de risco tem um custo. Observamos executivos sendo demitidos pelo tamanho da perda registrada com sinistro e não por ter um crescimento de vendas menor. O seguro garantia tem poucos sinistros, mas quando acontecem custam muito caro. Considerando o maior nível de responsabilidade que assumiremos com a nova Lei, temos que entender e discutir, desde o início, a viabilidade dos projetos. Quando passamos a garantia para até 30% do valor da obra, a dinâmica muda. Precisamos entender claramente se o projeto faz sentido em relação ao aspecto técnico, do valor do investimento, do prazo da obra. E isso tem um custo. E se esta gestão não for bem feita, as chances de ter um sinistro é grande. 

E a Fator Seguradora já está preparada para atuar no novo cenário, se aprovado pelo presidente Bolsonaro?

A Fator já se prepara para isso. Não trabalhamos com prazo de dois anos, e sim de três meses para estarmos aptos a jogar o novo jogo. Crescemos 60% em vendas no seguro garantia em 2020. A Fator Seguradora tem um perfil diferente do mercado, que tem 85% de garantias judiciais e 15% para o seguro de contratos. Na Fator, esta proporção sempre foi meio a meio. Em 2020, com a pandemia, o judicial acabou subindo para 60% diante da alta demanda das empresas para liberar recursos dados como caução em processos judiciais, e 40% são seguros garantias tradicionais. Temos boa base para crescer em 2021 com bons resultados. Equipe jovem e integrada, com bons relacionamentos e um sistema tecnológico e processo de decisão que nos dá muita agilidade. Neste mercado, se uma companhia demora para dar uma cotação, o cliente já fechou com a mais ágil mesmo que pague mais caro. 

Revista de Seguros traz entrevista exclusiva com economista Alexandre Schwartsman

Ex- diretor do Banco Central diz que Reformas Administrativa e Tributária podem ser tratadas em simultâneo

Fonte: CNseg

O economista Alexandre Schwartsman afirma que a reforma mais importante para o País no momento é a Tributária, ao passo que a Administrativa, se bem-feita, a mais urgente, em entrevista exclusiva publicada na nova edição (915) da Revista de Seguros, publicada pela Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg. Nada impede, contudo, que as duas tramitem simultaneamente no Congresso.

Segundo o ex-diretor do BC, as reformas são necessárias para cumprir o teto de gastos e, de alguma forma, aliviar o ritmo de crescimento da despesa obrigatória.  A seu ver, o Brasil sabe o que precisa fazer para não entrar em uma ciranda de inflação e recessão nos próximos anos.  Mas as perspectivas de uma Reforma Administrativa ineficaz são reais, o que, na sua opinião, colocará em risco o teto de gastos. Confirmando-se esse temor, o País conviverá com um ciclo inflacionário permanentemente mais alto dentro de dois ou três anos, incapaz de ser contido pelo Banco Central. “Se não mantiver o teto de gastos, a válvula de escape vai se dar pela inflação”, adverte ele.

Ele explica que o principal propósito de Reforma Tributária deve ser o de “eliminar um grande conjunto de instruções que afetam a produtividade”. Além disso, a reforma tributária tem efeitos distributivos, algo igualmente relevante para o País. A íntegra da entrevista de Schwartsman está disponível no link https://cnseg.org.br/publicacoes/revista-de-seguros-n-915.html.

Nova regulamentação traz ganhos para o consumidor, diz Antonio Trindade

Antonio Trindade

Segundo presidente da FenSeg, a desregulamentação contribui ainda para tornar as relações de consumo mais transparentes, sem perder de vista a fiscalização das autoridades

 A Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) recebe com satisfação a nova regulação dos Seguros de Danos e Responsabilidades, na forma da Circular 621/21.  A iniciativa traz ganhos significativos para o consumidor e para o mercado de seguros como um todo. Em primeiro lugar, aumenta a flexibilidade na contratação das coberturas, de modo que um mesmo produto possa atender diferentes necessidades do segurado. Ela contribui ainda para tornar as relações de consumo mais transparentes, sem perder de vista a fiscalização das autoridades. 

 A normativa torna o ambiente regulatório mais flexível, estimula a criação de novos produtos, com ganho de eficiência. O resultado é um aumento da competitividade no mercado – o que é altamente benéfico para os consumidores. 

 A padronização de produtos deixa de ser o modelo clássico de atuação das seguradoras. As palavras de ordem são qualidade e eficiência. “Daí os investimentos das empresas seguradoras em processos e tecnologias que facilitem a vida dos segurados, o que inclui novos aplicativos e operações online. A oferta de produtos e serviços ajustados às demandas do consumidor é um desafio permanente do setor”, explica o presidente da FenSeg, Antonio Trindade.

 A circular editada na última quarta-feira (17/02) reúne propostas técnicas ancoradas nas melhores práticas de uma supervisão principiológica baseada em risco. “O que se observa é o aperfeiçoamento do arcabouço regulatório e não a simples eliminação de exigências. Em cenário de grandes desafios, como o atual, essa iniciativa contribui para engrandecer o setor de seguros, que é peça-chave para o desenvolvimento do país”, conclui Trindade.

Reservas da Capitalização avançam 5,4% e atingem R$ 32 bi em 2020

Fenacap

“O crescimento das reservas e a queda nos resgates indicam que os clientes estão cautelosos”, diz Marcelo Farinha, presidente da FenaCap

Fonte: FenaCap

A Federação Nacional de Capitalização (FenaCap) divulgou informações sobre desempenho do mercado de títulos de capitalização do ano de 2020. As reservas técnicas, recursos acumulados dos clientes com títulos de capitalização ativos, avançaram 5,4%, em comparação ao ano anterior, alcançando R$ 32,4 bilhões. Os resgates, por sua vez, recuaram 4,8%. 

“O crescimento das reservas e a queda nos resgates indicam que os clientes estão cautelosos, adiando planos de consumo e mantendo suas reservas guardadas. Ainda estamos vivendo momentos de incerteza”, destaca o presidente da FenaCap, Marcelo Farinha. 

Segundo ele, a Capitalização, pelas características das soluções ofertadas, teve a sua importância socioeconômica reforçada em meio à pandemia. Somando os valores pagos em resgates finais e antecipados (R$ 18,1 bilhões) e nos sorteios (R$ 1,1 bilhão), o setor injetou R$ 19,2 bilhões no mercado, valores que contribuíram para movimentar a economia e auxiliar milhares de brasileiros, em um ano difícil para tantas famílias.

Filantropia e Garantia ganham espaço – Nesse ano atípico e desafiador,  os títulos de capitalização Filantropia Premiável e Instrumento de Garantia se destacaram. O Filantropia Premiável se consolidou como um canal seguro para realizar doações para entidades filantrópicas, tendo destinado R$ 814 milhões à instituições beneficiárias; o Instrumento de Garantia contribuiu para reduzir  a burocracia e facilitar a locação de imóveis, ao substituir o fiador nas transações aluguel, ou mesmo para garantir contratos de empréstimos ou de serviços, passando a responder por 11% do faturamento  global do setor, que alcançou os R$ 22,9 bilhões no período. 

“Foi um ano em que todo mundo procurou ajudar alguém de alguma forma. Os recursos cedidos pelos clientes do Filantropia Premiável contribuíram para a manutenção de várias entidades, cujos projetos são voltados para atendimento da população mais vulnerável. O Instrumento de Garantia, por sua vez, ajudou quem precisou apresentar garantias mais robustas para contratos de qualquer natureza, desburocratizou os contratos de alugueis e facilitou a mudança das famílias que precisaram reduzir custos de aluguel ou buscar espaços mais amplos para se adaptar ao home office ”, finaliza o executivo.

Artigo: O futuro começa agora

por Marcio Serôa de Araujo Coriolano*

Em 1987, foi lançado um dos mais importantes documentos sobre a relação do homem com o meio ambiente. Elaborado sob a coordenação de Gro Brundtland, primeira-ministra da Noruega e presidente da Comissão Mundial das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, “Nosso Futuro Comum” usou, pela primeira vez, a expressão “desenvolvimento sustentável”. Trata-se de conceito cristalino: é o desenvolvimento que “satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. Hoje, parece incrível que essa definição tenha soado para muitos, há menos de três décadas, como ameaça à prosperidade das nações. A sustentabilidade é um conceito que se firmou como único caminho para fazer frente não apenas às mudanças climáticas, mas também aos desafios econômicos e sociais que se multiplicam pelo mundo. Para o setor segurador, no entanto, a sustentabilidade sempre foi um pilar insubstituível. Por sua própria natureza, o seguro deve, obrigatoriamente, atender ao presente sem comprometer o futuro. Por esse motivo, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) vem reafirmar que as empresas do setor estão credenciadas a dar sua colaboração para que o Brasil faça com sucesso a transição para uma sociedade sustentável.

De início, vale lembrar que desde 2012, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou os Princípios para Sustentabilidade em Seguros, a CNseg incluiu em sua agenda a integração de critérios ambientais, sociais e de governança (ASG). O caminho provou-se de acerto inequívoco. Hoje está amplamente demonstrado que empresas com boas métricas de ASG são mais resilientes e geram mais valor a longo prazo. Isso acontece porque elas gerenciam melhor os riscos e oportunidades socioambientais e possuem governança robusta, o que lhes permite atravessar com mais tranquilidade períodos turbulentos como os atuais. Em 2020, a pandemia da Covid-19 poderia ter deixado em segundo plano essa questão. No entanto, ocorreu o contrário. A crise sanitária global tornou ainda mais evidente a necessidade de valorizar a sustentabilidade ambiental e a social de médio e longo prazos. Não apenas porque evidenciou a enorme desigualdade no acesso à prevenção e ao tratamento da saúde, mas também porque mostrou como a desaceleração de alguns setores de atividade poluente foi benéfica para o meio ambiente. A crescente consciência da sociedade global sobre os riscos associados às mudanças climáticas fortaleceu-se ainda mais. Nas empresas, essa é uma preocupação que vem à frente dos demais desafios desta segunda década do século XXI. A maior gestora de ativos do mundo atesta que nenhuma questão supera o risco climático na lista de prioridades de seus clientes.  

Por trás dessa tomada de consciência estão dados alarmantes. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o número de catástrofes naturais – inundações, incêndios e furacões, entre outras – decorrentes do aquecimento global dobrou em quatro décadas. Entre 1980 e 1999, ocorreram 3.656 catástrofes, número que passou a 6.681 entre 2000 e 2019. Os prejuízos chegam a US$ 3 trilhões desde 2000, mas o número real é maior, uma vez que muitos países não calculam o impacto dessas tragédias sobre a economia. Para se ter uma ideia, a quantia equivale à do pacote americano de estímulo à economia no âmbito da pandemia de Covid-19. As seguradoras têm também nesse aspecto uma importante contribuição a oferecer: sua experiência em assumir e gerenciar, de forma eficaz, riscos que lhe são transferidos, identificando oportunidades e direcionando investimentos apropriados à dimensão de cada risco. O “seguro-catástrofe”, largamente utilizado em países como o México, que garante a cobertura dos prejuízos provocados por terremotos de intensidade acima da média histórica, é exemplo da importância dessa expertise.

Muitos avanços foram feitos desde o relatório “Nosso Futuro Comum”. Governos e empresas passaram a levar em conta o impacto ambiental e social de suas ações e a exigir o mesmo cuidado de seus fornecedores e clientes. Bancos têm levado em conta esses mesmos critérios nos financiamentos que concedem. E há um esforço digno de nota em aumentar a transparência no relacionamento com a sociedade. A CNseg participou da atualização das normas que tornou mais rigorosos os critérios de governança para as empresas investidas e a consideração dos critérios ASG nos investimentos das seguradoras. Atualmente, acompanha a bem-vinda decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de realizar audiências públicas para estabelecer regras de ASG. Como um dos maiores investidores institucionais do País, com ativos equivalentes a 27% da dívida pública brasileira, o setor tem recursos e interesse em investir não só em ativos reconhecidamente “verdes”, como a produção de energias renováveis, mas também naqueles que incentivam transição para um mundo sustentável, como o saneamento básico. A CNseg defendeu a aprovação do marco legal do saneamento porque entende que melhores indicadores de cobertura de água tratada e esgoto sanitário são benéficos para toda a sociedade e podem acarretar a redução dos custos dos seguros de saúde e da pressão sobre o atendimento em decorrência da diminuição das doenças, além da redução das taxas de mortalidade e diminuição da frequência e do impacto de inundações que oneram o custo dos seguros patrimoniais. Com a atualização do decreto de infraestrutura, o marco legal do saneamento também amplia o papel do investimento privado que poderá ser alocado, inclusive pelas seguradoras.

A CNseg comemora os avanços e orgulha-se de ter contribuído para sua implementação e consolidação. Lembramos, no entanto, que para que continuemos a avançar na direção de um futuro sustentável, é preciso que, no presente, a sustentabilidade esteja no centro de todas as decisões. Os Princípios das Nações Unidas para o Seguro Sustentável servem como uma estrutura global para a indústria de seguros abordar riscos e oportunidades ASG. É indispensável a obtenção de um acordo internacional que resulte em critérios adaptados a cada região, que possibilitem comparar e verificar os indicadores e resultados de cada empresa, assim como estabelecer parâmetros transparentes para que um investimento seja considerado sustentável. A padronização das especificações e termos que classificam atividades “verdes” pode ser de grande valia para isso.

No que se refere à regulação, é essencial que os órgãos responsáveis reconheçam que estamos vivendo um período de transição, que exige diálogo e flexibilidade, para que o indispensável arcabouço legal não se torne entrave ao desenvolvimento de novos produtos. Por último, mas não menos importante, a solidez financeira do sistema precisa ser preservada, para que o setor possa continuar a colaborar com o futuro do País. 

*Marcio Serôa de Araujo Coriolano é economista e presidente da CNseg, a Confederação Nacional das Seguradoras