Conseguro 2021: Regulador e regulados defendem normas de investimentos mais flexíveis

Fonte: CNseg

O tema da flexibilização da norma de investimentos interessa bastante a todas as seguradoras, não só no sentido de dar mais liberdade para os investimentos, mas também por permitir, no longo prazo, o crescimento do mercado através de uma melhor compatibilização dos passivos com os ativos, afirmou o diretor de investimentos da XP Vida e Previdência, Amâncio Paladino, moderador do painel da Conseguro 2021 sobre Flexibilização da Norma de Investimentos, realizado na tarde de 28 de setembro.  

O painel teve início com a apresentação do sócio da EY, Marcelo Lustosa, sobre a análise elaborada pela consultoria, contratada pela CNseg, FenSeg, FenaPrevi e FenaCap, com vistas à flexibilização das normas de investimento das seguradoras, EAPCs, empresas de capitalização e resseguradores locais, baseada em benchmark internacional. Segundo ele, atualmente, no Brasil, as seguradoras possuem mais de R$ 1 trilhão em investimentos, acomodados, basicamente, em dois tipos de carteira: a de acumulação e a de risco. A primeira representa 80% do montante dos ativos e tem a função de lastrear os depósitos em contratos de previdência PGBL e VGBL na fase de acumulação. Já a segunda carteira visa lastrear as obrigações das seguradoras com base nos riscos assumidos. 

É natural, disse ele, que a regulação se preocupe com a alocação desses investimentos a fim de que possam fornecer a segurança necessária para honrar os compromissos assumidos junto aos segurados. Entretanto, como a Resolução CMN 4444/2015 é bastante prescritiva, ela acaba impactando os custos de operacionalização dos investimentos e tendo dificuldade para acompanhar a evolução do mercado, que é bastante dinâmica, razão pela qual a norma já teve que sofrer algumas atualizações desde que foi publicada.  

A pesquisa da EY para avaliar as regras de investimento de outros países buscou identificar se são mais baseadas em permissões e proibições, ou seja, mais prescritivas, ou se são regras mais baseadas em princípios. Como resultado, constatou-se que, com uma exceção, como Chile, a maioria possui normas baseadas em princípios, tanto para as carteiras de acumulação, como para as de riscos. E mesmo os países que adotam alguns limites para as regras de investimento, o fazem de uma forma muito mais simplificada que no Brasil e, preponderantemente, na carteira de riscos.  

A proposta da EY para flexibilização das normas de investimento que está em discussão é a de um modelo híbrido, com abordagem baseada em princípios, somada a um conjunto de regras simplificadas de limite. Os princípios seriam o da pessoa prudente, da liberdade de investimentos e o da localização de ativos. Já os limites seriam simplificados por modalidade e contraparte, por carteira, mas sem jamais deixar de observar os princípios.  

Segundo Marcelo, os benefícios esperados com a flexibilização são uma gestão de ativos e passivos mais eficientes, o aumento da competitividade do setor e a redução dos custos operacionais, entre outros.  

O coordenador Geral da Coordenação Geral de Regulação Prudencial da SUSEP, César Neves, afirmou que a existência de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) determinando diretrizes para a aplicação dos recursos garantidores das provisões técnicas é em função do Decreto Lei 73/1966, ainda em vigor, que determina que as provisões técnicas das supervisionadas sejam realizadas de acordo com as diretrizes do CMN.  

Segundo César, a Susep entende a necessidade de simplificação das regras de investimento, tornando-as menos prescritivas e mais principiológicas, de modo a estimular a concorrência e reduzir os custos operacionais, mas sem deixar de lado a observação da manutenção da solvência.   

Complementando o representante da Susep, o presidente da Comissão de Investimentos da CNseg e diretor de Planejamento e Investimento da HDI Seguros, Roberto Takatsu, afirmou que a grande dificuldade de uma norma prescritiva é conseguir atender às necessidades de investimento de diferentes seguradoras, com seus diferentes tipos de passivo. Passivos, estes, que refletem os produtos comercializados por cada seguradora. Para ele, apesar da grande preocupação da Susep com a solvência, essa preocupação é ainda mais forte entre os acionistas das seguradoras, razão pela qual as áreas de gestão de risco dessas empresas são altamente profissionalizadas. 

Na busca por formas mais eficientes de alocação de investimentos, Roberto defende o aumento da possibilidade de aplicações no exterior, algo particularmente interessante em tempos de dólar alto e taxas de juros baixas no Brasil.   

O presidente da Comissão de Investimentos da FenaPrevi e diretor da Bradesco Seguros, Vinicius Cruz, por sua vez, afirmou que a própria Resolução CMN 4.444, em um cenário de juros baixos, já permitiu um importante avanço do mercado em relação aos planos de acumulação, indo além dos investimentos em renda fixa e possibilitando um retorno satisfatório para os participantes. Com a revisão da norma, afirmou, a expectativa é de que se consiga gerar um empoderamento ainda maior do consumidor, permitindo que este, por meio de uma boa assessoria, possa tomar melhores decisões em relação aos seus produtos de acumulação, levando em consideração o seu horizonte de investimento e sua tolerância a riscos. 

Quando questionado sobre como é feita a regulação nos países que adotam normas de investimento mais principiológicas, Marcelo Lustosa, da EY, afirmou que, apesar de não haver uma abordagem única, todas elas acabam convergindo para o mesmo propósito, que é o do regulador conseguir identificar que as seguradoras estão realizando o que está definido nas suas políticas de investimentos.   

O moderador Amâncio Paladino também perguntou ao coordenador da Susep quando teríamos, de fato, uma nova norma sobre investimentos. Na opinião de César Neves, isso pode acontecer entre o final de 2022 e início de 2023, apesar de esclarecer que a Superintendência não tem competência para alterar a Resolução do CMN, podendo apenas sugerir a alteração à Secretaria de Política Econômica. Entretanto, ele afirmou que considera que o regulador já possui um ambiente regulatório e, as seguradoras, um ambiente operacional, que viabiliza uma norma mais principiológica. 

Link para a gravação: https://youtu.be/vEP5JYWYnAE

Conseguro 2021: Aposentadoria de servidores estaduais e municipais deve ampliar mercado de previdência

conseguro 2021

O setor de previdência complementar do país deve dar mais um salto de crescimento com os fundos de aposentadoria para servidores de estados e municípios que possuem regimes próprios de previdência, ou seja, não contratam pela CLT. O prazo para criação desses fundos vai até 13 de novembro deste ano e apenas 24 dos 369 entes federativos sujeitos à obrigação já implementaram fundos.

Os números foram apresentados pelo subsecretário da Previdência Complementar do Ministério do Trabalho e Previdência, Paulo Valle, durante a Conseguro 2021, o evento bianual da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) para o setor. A previdência complementar para servidores está prevista na Emenda Constitucional 103 (reforma da previdência de 2019) e atingiria potencialmente 2155 entes da federação, entre estados e municípios.

“Desse total, 369 possuem mais de 100 servidores com salário superior ao teto do INSS (que precisaram da aposentaria complementar). Isso indica cerca 1,2 milhão de pessoas que entrariam no regime de previdência complementar e uma arrecadação adicional de 13,7 bilhões por ano”, diz Valle.

Além desse contingente, ele também cita as mudanças na demografia, como o aumento da expectativa de vida e redução das taxas de natalidade e as transformações no mercado de trabalho, com crescimento do número de profissionais autônomos, como fatores a impulsionar a expansão do mercado, que hoje já equivale a 30% do PIB do país. “Nossa visão é crescimento. Hoje são quase 17 milhões de pessoas no regime de previdência complementar. Mas temos potencial para chegar a 25 a 30 milhões de pessoas até 2035.  É fato que previdência social vai ter seu limite e vai passar por novas reformas nos próximos anos “, afirma o subsecretário.

Para Jorge Nasser, presidente da FenaPrevi e diretor-presidente da Bradesco Vida e Previdência e da Bradesco Capitalização, a expansão do mercado mostra uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro. Os números, afirmou, “apontam para resiliência do mercado e, também, revelam que está em curso uma mudança do comportamento do brasileiro em relação à sua visão sobre a necessidade de planejamento para o futuro e a proteção da família”.

Moderador do painel, Nasser faz um breve balanço do setor nos últimos anos, quando viveu grandes transformações, aceleradas ainda mais pela pandemia, responsável pela aceleração das transações e atendimentos em meio digitais e digitalização de processos, entre outras consequências. Nasser informou que, entre abril de 2020 e agosto de 2021, o setor pagou mais 4,6 bilhões de reais em sinistros decorrentes de Covid. “A pandemia revelou para a sociedade a importância do segmento de previdência complementar na rede de proteção social do país e para a economia “, complementou.

Sobre a questão do planejamento de longo prazo, o subsecretário Paulo Valle destaca que é preciso aumentar a conscientização das pessoas para necessidade de fazer seu próprio planejamento financeiro e recorrer à previdência complementar para manter o poder de compra que tinham antes da aposentadoria. E enfatiza a importância da educação financeira neste cenário em que cada um terá que se responsabilizar individualmente pela sua aposentadoria. “A aposentadoria complementar terá que ser adotada desde o primeiro emprego “, diz.

Seguros de vida

A educação financeira e planejamento pessoal também estão no radar dos seguros de vida, segmento que registrou crescimento de 15% em 2021, em relação a 2020, mas que ainda tem um grande potencial de expansão. 

Isso porque, somando-se as apólices corporativas, contratadas pelas empresas para seus funcionários, e as adquiridas individualmente, apenas 15% da população brasileira conta com o serviço. É uma taxa considerada muito tímida, principalmente quando comparadas a países semelhantes.

“Quando falamos em 15% de cobertura é ainda um número muito baixo. Daí a importância de compartilharmos conhecimento para que todos juntos consigamos avançar com a indústria de seguros no país” diz David Legher, diretor Estatutário da FenaPrevi e presidente da Prudential do Brasil.

Segundo Legher, a pandemia da Covid-19 mostrou para a sociedade a importância do segmento de seguros de vida como forma de proteção social, conscientizou as pessoas da importância do seguro e, também, fez as seguradoras darem mais atenção ao produto. Tanto que as vendas de seguros de vida individuais, diz, aumentaram cerca de 25%. “Já não estamos falando mais de um seguro tradicional de morte, mas de um produto que atende várias necessidades, seja um afastamento por doença ou invalidez. O que temos visto é que a chegada de um produto novo não canibaliza o produto anterior, mas complementa e atende às necessidades dos clientes”.

Legher citou dados de uma pesquisa que mostra os próprios consumidores começando a ver o seguro de vida como um instrumento de proteção financeira que pode proteger a educação dos filhos, garantir renda em caso de um acidente pessoal, uma doença ou até gravidez. O mesmo levantamento indicou que a principal causa para as pessoas não comprarem o seguro de vida é nunca terem recebido uma oferta para adquirir o produto. “Quando o produto é oferecido, a taxa de conversão é de 60%, taxa bastante alta.  As pessoas querem o serviço, mas nunca foi oferecido a elas”.

Por isso, diz ele, a chave para aumentar a presença do seguro de vida entre as famílias brasileiras é disseminar informações sobre o produto, sobretudo por meio de educação financeira. Mas as companhias seguradoras também têm seu dever de casa. “É preciso um compromisso das empresas de ter um portfólio que cubra as necessidades do cliente. Vendendo o produto certo para o momento certo do cliente, produtos diferenciados, que acompanhem a realidade do país”.

Grandes números do setor de previdência no Brasil

·  Previdência Social

·  BPC – Benefício de Prestação Continuada – (idosos de baixa renda)

·  Total de beneficiários: 4,8 milhões

·  Benefício médio: R$ 1.100 (salário-mínimo)

Regime Geral de Previdência Social (trabalhadores de empresas privada)

·  Total de segurados: 52,3 milhões, sendo 31,2 milhões aposentados e pensionistas

·  Benefício médio: R$ 2.157

·  Regime próprio dos servidores públicos

·  Total de beneficiários: 6,2 milhões, sendo 4,6 milhões de aposentados e pensionistas

·  Benefício médio: R$ 3.132

·  Regime de previdência complementar (fundos de pensão e previdência privada)

·  Total de beneficiários: 16,7 milhões, sendo 933 mil aposentados

·  Valor médio do benefício: R$ 6.675

 Fonte: Secretaria de Previdência Complementar

Para assistir ao painel na íntegra, clicar em https://youtu.be/jPAgSmCCBZU

Conseguro 2021: Agenda ASG pode ser central no desenvolvimento do país

O termo ASG, referência a compromissos socioambientais e de governança por parte das empresas, não é novo, mas a pandemia da Covid-19 disparou o alerta de urgência para essas questões, relacionadas ao desenvolvimento sustentável. Empresas passaram a ser cada vez mais cobradas sobre suas práticas ASG e o mercado financeiro, estimulado por gestoras como a BlackRock, entrou de vez no tema com a adoção de critérios ASG em suas políticas de investimentos.

O setor de seguros, em que o risco é a razão de ser de sua existência, não ficou de fora. Para o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras – CNSeg, Marcio Coriolano, o tema impacta a atividade seguradora nas duas pontas: dos riscos cobertos e da gestão das provisões técnicas.

 “O setor depende, crucialmente, de questões ambientais, sociais e de governança, visto que a matéria prima do seguro é o risco. Os riscos ASG perpassam todos os setores de atividade que demandam seguros”, afirmou Coriolano. Segundo ele, a cada momento ou processo em que os riscos são mitigados, sejam riscos ambientais, sociais ou de governança, aumenta a possibilidade de penetração e inclusão social, na medida em que a mitigação reduz a severidade desses problemas.

 Em sua participação no painel “ASG – A agenda do futuro já começou”, na Conseguro 2021, o presidente da CNSeg também destacou o montante de R$ 1,4 trilhão em provisões técnicas necessárias para mitigar riscos, incluindo ASG, dinheiro aplicado em vários ativos cuja composição, diversidade são monitorados pela regulação federal. “Quanto mais políticas claras, procedimentos transparentes e assertivos, esses ativos poderão ser aplicados em empresas com padrões elevados de ASG”. Na visão de Coriolano, a expertise no gerenciamento de riscos e a capacidade do setor de seguros de gerar recursos para investimentos em ativos que consideram os princípios ASG tornam as seguradoras players estratégicos para a agenda de sustentabilidade.

 Nos últimos anos, a gestora BlackRock tem sido muito ativa na defesa da adoção de critérios ASG na definição dos portfólios. No começo da pandemia, carta publicada por Larry Fink foi considerada um divisor de águas no mundo das finanças. O CEO da maior gestora de ativos do mundo, com US$ 2,4 trilhões sob seus cuidados, anunciou que, no centro de sua política de investimentos, estariam critérios ASG.

O objetivo é melhorar o resultado de longo prazo para nossos clientes olhando também as métricas não financeiras, mas de sustentabilidade, que são essenciais e trazem retorno”, explica Cindy Shimoide, head do grupo de Consultoria de Investimento e Portfólio Multi-asset para a América Latina na BlackRock. Segundo ela, estudos comprovam que empresas que tiveram maior redução na emissão de carbono têm desempenho melhor do que as que foram menos eficientes neste quesito. Considerar os critérios ASG não diz respeito só à alocação de capital, mas também sobre o retorno do capital.

A executiva da BlackRock lembrou o duplo papel das seguradoras quando o tema é ASG, por estarem expostas aos riscos climáticos dos dois lados: nos investimentos e em seus próprios negócios. “A busca é por formas de hedgiar (proteger contra) esses riscos naturais nas carteiras de investimento. Olhar para critério ASG é fundamental nesta estratégia. ”

O diretor-presidente do instituto Ethos, Caio Magri, fez um apanhado da evolução do tema ASG e da participação de diversas entidades na construção de uma agenda socioambiental e de governança. “Foram várias mudanças nas métricas para medir mudanças climáticas e no monitoramento de impacto social e ambiental, com novas metodologias. A cultura de indicadores que cria materialidade é muito importante”, comentou Magri.

 No momento, o Ethos está revendo alguns indicadores relacionados à estratégia ASG. “Queremos promover o controle social consciente da responsabilidade nas empresas. E também promover o reconhecimento da sociedade pelos esforços das empresas e organizações. É uma perspectiva que pode gerar materialidade, organização e engajamento”, acrescentou.

 Em relação aos avanços nas últimas décadas, quanto aos compromissos socioambientais, o diretor-executivo do Pacto Global da ONU, Caio Pereira, destacou que há uma exigência da sociedade para que todos olhem o planeta, em especial o clima. “As empresas e o mercado financeiro estão refletindo esta pressão da sociedade. Antes, era difícil reunir CEOs em defesa desta agenda. Hoje, não há qualquer desafio nesse sentido”, comentou.

Falando em perspectiva, Rogerio Studart, senior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), defendeu a ideia de que uma agenda ASG pode tirar o país da crise atual, marcada por baixo crescimento e desemprego elevado. “Outros problemas são a falta de acesso a financiamento de longo prazo e a excessiva dependência ao setor agroexportador. Vários países, como a China, já colocaram a agenda de sustentabilidade como eixo de seu crescimento. O Brasil precisa fazer o mesmo”, disse.

 Studart reconhece que esta necessidade vem se consolidando nas lideranças privadas, no setor financeiro e na sociedade, mas que isto não basta. Segundo ele, é preciso que as lideranças políticas tenham a visão de ampliar e fazer surgir projetos sustentados, e um setor financeiro disposto a investir e utilizar instrumentos de mitigação de risco.

A Conseguro vai até esta sexta-feira, 01/10. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo link www.conseguro.cnseg.com.br

MDS Brasil anuncia Luciana Lopardo diretora de RH

Fonte: MDS

A MDS Brasil, uma das principais corretoras do país no segmento de seguros, resseguros, gestão de benefícios e consultoria de riscos, anuncia a contratação de Luciana Lopardo para a posição de Diretora de Recursos Humanos. A profissional chega para compor o time de profissionais da corretora, trazendo uma visão analítica e apurada para identificar novos talentos e contribuir com as estratégias de crescimento da corretora.  

“Estou honrada em integrar o time de colaboradores da MDS Brasil, companhia que segue despontando no mercado de seguros. Com muito empenho e paixão pelo meu trabalho, tenho os desafios de desenhar programas de treinamento & desenvolvimento que possam englobar todos os processos e ferramentas necessárias para maximizar o desempenho de todos os colaboradores e da liderança. Tenho o compromisso de incentivar um ambiente de trabalho produtivo, inclusivo, colaborativo e equilibrado a fim de reter e atrair talentos que irão nos ajudar a atingir os objetivos de negócios da empresa”, afirma Luciana. 

Luciana conta com mais de mais de quinze anos de vivência no ambiente corporativo, tendo passado por empresas de destaque como Minalba Alimentos e Bebidas, Saint-Gobain Distribuição Brasil, RSA e Seguros SURA Brasil — organização na qual atuou por mais de 5 anos e chegou a liderar toda a área de Recursos Humanos. Na MDS Brasil, em conjunto com o seu time, Luciana terá a responsabilidade de implementar a prática de “Business Partner”,  apoiando as diferentes áreas da empresa, além de dar continuidade ao trabalho desenvolvido até aqui nas áreas de Recrutamento & Seleção, Treinamento & Desenvolvimento, Comunicação Interna e Gestão de Pessoas – que engloba o processamento da folha e a gestão de desempenho. 

“Fico muito feliz em poder contar com a Luciana como Diretora de Recursos Humanos na MDS Brasil. Tenho convicção que todo o seu conhecimento, aliado à sua atitude e capacidade de liderança, serão fundamentais para sustentar o crescimento futuro da empresa, onde a área de Recursos Humanos tem o papel chave não só na atração, desenvolvimento e retenção de talentos, mas principalmente na conexão de cada colaborador à empresa, sobretudo nos dias atuais”, afirma Ariel Couto, CEO da MDS Brasil e Américas Regional Manager da Brokerslink.  

Conseguro 2021: Consumidor pós-COVID impõe desafios ao mercado segurador

Fonte: CNseg

A pandemia de COVID 19 acelerou a adoção de processos digitais pelas seguradoras, que souberam atender às necessidades em termos de produtos e inovação. Mas também reforçou novas demandas por parte dos consumidores, exigindo ainda mais inovação, simplificação e agilidade, afirmou o presidente da Comissão de Inteligência de Mercado da Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg e superintendente de BI Corporativo da Liberty Seguros, Gilberto Garcia. O debate ocorreu durante a Conseguro 2021, evento bianual da CNseg, considerado o maior do mercado de seguros do país.

Entender quem é o novo consumidor, o que ele espera do mercado segurador e como as empresas devem se preparar para atender a estas demandas foi o ponto central do painel “O novo consumidor de seguros – Percepções e tendências”, na tarde desta segunda-feira, 27/09. Dados apresentados por Karina Maia Machado, especialista de Inteligência e Pesquisa de Mercado da Prudential e membro da Comissão de Inteligência de Mercado da CNseg (CIM), comprovam a intensa transformação do mercado segurador nos últimos anos 

Desde que a Comissão foi criada, em 2017, Grupos de Trabalhos (GT) foram montados para entender o contexto do mercado segurador e também apontar desafios e tendências. No GT Experiência do Cliente, a necessidade de melhorar a qualidade do atendimento foi destaque. Os estudos mostraram que metade (50%) dos consumidores de seguro compram com mais frequência após uma experiência positiva e que são necessárias 12 experiências positivas para compensar uma negativa. Além disso, 96% dos clientes insatisfeitos não reclamam, mas 91% deles vão embora e nunca voltam.

No ano seguinte, outro GT focou na digitalização dos processos das seguradoras. Em 2018, 79% das seguradoras tinham processos digitais relacionados a sinistros, reembolso, sorteio e benefícios; 72% cobrança, 61% cancelamento e 61% aquisição/contratação. Os percentuais caíram quando o tema foi renovação/manutenção (33%), cancelamento (32%) e subscrição (28%).

“O processo de digitalização já vinha ocorrendo, mas acelerou muito com a covid-19”, comenta Karina, citando dados do GT Covid 2020, que apontou as ações implantadas para atendimento ao cliente como processos de sinistro digitalizados (49%), reembolso 100% digital (40%), serviços assistenciais 24 horas (79%), vistoria Prévia/inspeção de risco virtual (44%) e avaliação prévia digital de saúde para seguros de vida (73%).

Dados sobre o comportamento do cliente de seguro também foram apresentados por Nayara Alonso, gerente de Inteligência de Mercado da UOTZ. Em uma das pesquisas, no público que decidiu não renovar e deixar de ter um seguro, quatro em cada 10 pessoas alegaram o preço. Os outros seis não renovaram para mudar de seguradora, devido à qualidade do serviço e do atendimento.

Para a especialista, haverá cada vez mais pressão por novos produtos que acompanhem as mudanças na sociedade, com eletrodomésticos conectados que podem sinalizar vazamento de gás ou riscos de incêndios e carros autônomos que reduzirão o risco de acidentes. “Os produtos de seguro precisam acompanhar estas mudanças que virão em breve. Muita coisa vai mudar e as seguradoras precisam acompanhar esta revolução que terá impacto no preço do seguro”, afirmou.

Falando em nome dos corretores, quem participou do painel foi Gutemberg Alves de Souza, diretor de Business Intelligence da MDS Corretora de Seguros. “A transição para o atendimento virtual trouxe um receio inicial, de que o relacionamento ficaria deteriorado, mas a adaptação foi rápida e isto não ocorreu”, comentou Souza.

“Tivemos demandas novas geradas pela pandemia. Riscos cibernéticos ganhando espaço, risco de transporte, aumento do delivery, ou seja, várias possibilidades para olhar e criar produto. “Os desafios da digitalização agora são: automação, treinamento, velocidade e novos riscos que surgem”, acrescentou. Para Souza, será cada vez mais importante pensar em plataformas para distribuir os produtos e também difundir, de forma clara, a cultura do seguro.

A Conseguro vai até esta sexta-feira, 1º/10. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site conseguro.cneg.org.br.

Conseguro 2021: Seguro mitiga riscos climáticos

Conseguro 2021 CNseg

Experiências na utilização de seguros paramétricos para mitigar riscos e oferecer proteção financeira em casos de desastres naturais foram apresentados hoje, 27/09, no painel “Parceria público-privada, seguro paramétrico & microsseguro”, durante a Conseguro, conferência bianual da Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg, que discute todos os aspectos do setor. O painel foi moderado por Ivani Benazzi de Andrade, membro da Comissão de Seguros Inclusivos e da Comissão de Integração ASG da CNseg e também superintendente de Sustentabilidade da Bradesco Seguros.

Rodrigo Motroni, diretor e vice-Presidente da Newe Seguros, apresentou o projeto desenvolvido para os pequenos produtores de cacau do Sul da Bahia que prevê a cobertura de seguro paramétrico para produtores de cacau, durante a prefloração e floração, nos meses de agosto e setembro. Nesta época do ano, a falta de chuvas afeta a produtividade do cacau e, consequentemente, a sua qualidade. O índice pluvial foi avaliado para especificar a cobertura, utilizando dados da estação do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), de Ilhéus, desde 2013. O projeto com esse grupo de agricultores começou neste ano e contou com várias parcerias, entre elas, com o INMET, o Governo Federal, por meio da subvenção que custeia 20% do seguro, e com o Instituto Arapyaú.

“Avaliamos que a média era de 269 mm de chuva no período (agosto e setembro) e estabelecemos em qual ponto a falta de chuva começava a gerar problemas de produtividade e qualidade. Junto aos parceiros e produtores, estabelecemos que o ponto fosse de 170 mm”, afirmou Motroni. 

Para a indenização, o cálculo é feito pelo rendimento esperado e informado pelos agricultores, de 15 arrobas de cacau por hectare, a um preço de R$ 200,00 a arroba. “Nós estabelecemos uma cobertura de 10 arrobas por hectare e uma indenização máxima de R$ 2 mil por hectare, caso os 170 mm de chuva não fossem atingidos. A cobertura vai de 170 mm a 70 mm”, especificou.

Carlos Boelsterli, CEO da seguradora MICRO – empresa de gerenciamento de riscos relacionados a desastres naturais, compartilhou a solução da empresa para pessoas vulneráveis, expostas a riscos climáticos na América Central. Nesse caso, a cobertura do seguro paramétrico é para perdas financeiras. “São produtos bem simples, como se fossem um desaster cash (proteção para desastres). Quando acontece o evento, os segurados recebem o dinheiro para garantir a continuidade de sua produção”, explicou.

A solução é para qualquer população de baixa renda, classe média ou emergente, sem entrar nos segmentos que já são protegidos pela indústria tradicional. “O que nos interessa é a inclusão financeira. Para ter o seguro é preciso apenas ter uma atividade produtiva que possa ser afetada por um evento (climático), seja por um aumento nos gastos ou na diminuição da renda”.

Na prática, uma plataforma de cálculo da MICRO detecta o evento e determina a porcentagem de pagamento, a partir da gravidade do evento. “A seguradora recebe a notificação da plataforma, identifica quem são os clientes naquela localidade, aplica a porcentagem de pagamento e procede o pagamento, informando-os, geralmente, por SMS ou uma mensagem de texto sobre a ocorrência do sinistro”, especifica.

Na Colômbia, Mabyr Valderrama, responsável pela agenda de sustentabilidade do setor de seguros na Fasecolda (Federação de Seguros da Colômbia), falou sobre o desenvolvimento dos seguros paramétricos no país. “Apesar de já existirem produtos de seguros paramétricos na Colômbia que são comercializados, principalmente para fazer frente aos riscos catastróficos, do setor agropecuário e também dos negócios, essa modalidade não foi plenamente desenvolvida na Colômbia como nós gostaríamos”.

A explicação, disse ela, está na incerteza jurídica que desincentiva não apenas a criação e a comercialização, mas também a compra dos seguros por parte dos segurados. “Os seguros paramétricos não têm um marco de normas específicos nas leis colombianas”, lamentou.

Superintendente de Produtos Analytics da B3, Fabiano Yasuda, comentou sobre o potencial do mercado de seguros. “Com o uso de informações e analytics, a gente vê um grande mar azul a ser explorado para poder contribuir com o crescimento e adoção de analytics para o mercado de seguros como um todo e para os paramétricos, que é uma agenda nova”.

Paulo Costa, assessor do diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), destacou os trabalhos do instituto. “O INMET vem se estruturando e fomentando esse mercado de índice paramétrico para que todos tenham um seguro mais adequado, façam o planejamento de risco e a gestão de suas lavouras de forma mais adequadas”.

Liberty lança o Aliro Pop, um seguro de carro que chega a ser 25% mais barato do que o tradicional

De olho nas tendências de consumo, a Liberty Seguros traz mais uma novidade aos consumidores brasileiros de seguro automóvel que, com a crise econômica, buscam por produtos e serviços mais baratos. Trata-se do Aliro Pop, que estará disponível a partir do dia 18 de outubro. Aliro é uma marca lançada pela seguradora em 2017, idealizada para atender a demanda dos corretores e clientes por um seguro automóvel sob medida. O Aliro Pop se junta ao Aliro P e ao Aliro M, versões criadas para clientes mais sensíveis a preço e que valorizam um produto mais acessível e flexível.

“O Aliro M chegou ao mercado com a proposta de ser 15% mais barato comparado ao seguro tradicional. O Pop foi criado para proporcionar uma economia de até 25%”, conta Rafael Citelli, vice-presidente de Produtos e Analytics da Liberty Seguros. Vem com a proposta de ser 25% mais barato do que o seguro tradicional, apoiado na demanda de carros usados, de 3 a 15 anos, com valores segurados até R$ 60 mil. Outra novidade é que o Aliro Pop pode ser parcelado em 12 vezes, no cartão de crédito ou débito. A cobertura básica segue a proteção do tradicional, com colisão, roubo e furto. Os serviços podem ser contratados nas opções PMG. Isso mesmo, pequeno, médio e grande. Enquanto o seguro tradicional tem carro reserva ilimitado, no Aliro Pop tem Voucher Mobilidade, ou seja, créditos para utilização em apps de mobilidade.

Outra possibilidade para reduzir o custo do seguro no modelo Aliro POP é que em caso de colisão, o segurado permite que o conserto do veículo utilize pecas compatíveis. “São pecas novas, de fabricantes independentes”, explica o executivo. O cliente também terá uma lista de oficinas referenciadas, ou seja, indicada pela Liberty. “Este fato também é importante, pois temos feito um trabalho contínuo de qualidade das oficinas que fazem parte da nossa lista referenciada. Temos o controle da qualidade do atendimento e oferecemos garantia ilimitada do conserto realizado”, afirma Citelli. 

O objetivo da Liberty Seguros com todas essas opções é entregar ao corretor e cliente um preço do seguro mais acessível. “Em 2020, a mobilidade caiu muito, com carros guardados nas garagens com as rústicos de circulação. Isso fez com que a rentabilidade da seguradora aumentasse e optamos por repassar esse ganho para os clientes, com o realinhamento do preço do seguro. Já em 2021, a mobilidade vem voltando e as frequências de acidentes aumentando, o que nos faz buscar alternativas viáveis para todos para ter um preço justo para mantermos o equilíbrio da carteira e ao mesmo tempo um seguro que caiba no bolso do consumidor”, explica. 

Segundo o especialista, a inflação dos principais itens que compõem as despesas com pagamentos de indenizações está preocupante, com falta de estoque de carros zero nas concessionarias, falta de itens como chips e elevação do custo das peças em razão da subida do preço do aço. “Os veículos novos e usados encareceram quase 20% e isso afeta o custo da seguradora com o pagamento do seguro por perda total. 2021 é um ano que todo o mercado vai sentir na rentabilidade. O mercado terá de ser virar pois o efeito cascata chega nas seguradoras”, acrescenta. 

Em um ano desafiador para o setor de seguros, a Liberty registrou crescimento de 9,6% em prêmios emitidos em 2020, em comparação a 2019, atingindo um total de R$ 4,3 bilhões, sendo o seguro auto responsável por 69%. Parte do bom resultado obtido é creditado ao Aliro. “Conseguimos atingir um público que não fazia seguro”, informa. Segundo dados do setor, apenas 30% da frota circularmente no Brasil tem seguro. O que evidencia a oportunidade neste segmento para as companhias que lançarem produtos que atendam as reais necessidades dos consumidores, inclusive no que diz respeito a custo.

 

Amazon vai começar a oferecer seguro para clientes de empresas no Reino Unido, diz corretora

Fonte: Reuters

A Amazon.com vai começar a oferecer seguro para clientes de pequenas e médias empresas no Reino Unido, a primeira incursão do gigante de tecnologia no negócio de seguros no país, disse a corretora Superscript nesta segunda-feira.

Os membros do programa Prime da Amazon poderão comprar coberturas da Superscript, como seguro de conteúdo, seguro cibernético e seguro de indenização profissional, que um porta-voz da Superscript disse que será subscrito por “grandes seguradoras do Reino Unido”. Eles terão um desconto de 20% sobre as taxas atuais como forma de atrair as empresas.

Mais de 50% dos clientes estão dispostos a comprar seguro de empresas não tradicionais, como grandes empresas de tecnologia ou tecnologia de seguros (insurtech), de acordo com uma pesquisa recente com 12.000 pessoas em todo o mundo feita pela consultora Capgemini.

“O setor (de seguros) precisa fazer a ponte entre seguradoras e clientes, fornecendo um processo de compra rápido e tranquilo que seja centrado no cliente”, disse Cameron Shearer, co-fundador e presidente-executivo da Superscript, em um comunicado.

A mudança da Amazon para o ramo de seguros no Reino Unido ocorre depois que a insurtech Next Insurance dos Estados Unidos disse em março que estava oferecendo cobertura para pequenas empresas dos EUA por meio da Amazon Business Prime.

“À medida que as empresas saem da pandemia e gradualmente retomam a normalidade, queremos que os clientes tenham as melhores ferramentas para administrar seus negócios”, disse Molly Dobson, gerente nacional da Amazon Business para Reino Unido e Irlanda, em comunicado.

Conseguro 2021: O Brasil do amanhã: infraestrutura e meio ambiente são oportunidades

O Brasil pode ir além de um crescimento como o previsto para 2022, em torno de 1,5%, ou até menos. Segundo os economistas reunidos esta manhã no painel “Três visões para o Brasil do amanhã”, da Conseguro 2021, neste país de contrastes as dificuldades são grandes, mas há oportunidades de investimento, como nas áreas de infraestrutura e meio ambiente.

Com a economia mundial num ritmo menos favorável e os indicadores macroeconômicos ainda sem cenário de melhoria, a exemplo da inflação, juros e câmbio, o Brasil lida ainda com problemas estruturais graves. Entre eles, baixa produtividade, estrutura tributária perversa, uma economia fechada a setores, baixo grau de efetividade do gasto público e desigualdade de renda.

O painel “Três visões para o Brasil do amanhã” reuniu os economistas Marcos Lisboa, diretor-presidente do Insper, Marcio Holland, professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV), e Carlos Kawall, diretor do ASA Investments. A moderação foi feita pelo presidente da Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg, Marcio Coriolano, que também é economista.

“O setor de seguros necessita de um cenário macroeconômico de queda da inflação, que traz fôlego e renda aos consumidores, e queda da taxa de juros, que estimula a tomada de empréstimos. Se tivermos isso, poderemos seguir pelo menos a trilha de crescimento registrada nas últimas décadas”, comentou Marcio Coriolano.

O presidente da CNseg buscou resumir os atuais desafios do país. “Desde pelo menos 2008 o Brasil tem vivido vários choques, externos e internos. No curso inicial deste governo, havia a expectativa de reformas estruturais que ancorassem um ciclo virtuoso fiscal e monetário. Ocorre que veio a pandemia, crises institucionais e reposicionamentos globais”, citou.

Segundo Coriolano, há pressões na cadeia de suprimentos que transbordam o movimento dos preços. Todos se voltam para as agendas do Banco Central e do Congresso, mas também para as expectativas políticas e institucionais. Fora o que ocorre no mercado de trabalho, com os rendimentos médios e a produtividade.

“O mercado de seguros é muito sensível aos atributos da produção, emprego e renda. Os agentes econômicos, em cada elo da cadeia produtiva, são os seus clientes: pessoas, famílias e empresas. Nas crises, as pessoas primeiro vão suprir suas necessidades básicas para depois optar por um seguro. E temos 73% de pessoas com rendimentos abaixo de dois salários-mínimos”, enfatizou Coriolano.

Marcio Holland, professor da FGV, afirmou que o mundo mostrou, nos anos 2000, ter capacidade para gerenciar diversos aspectos como juros e inflação e ainda crescer em média 4,5%. Mas veio a crise financeira de 2008, com efeitos em alguns países, até hoje. “Houve uma mudança muito forte dos bancos centrais, com taxas negativas de juros, com políticas não convencionas para mitigar os efeitos das crises. Isso gerou um crescimento médio de 1,5% da economia mundial que vemos hoje. Podemos até conseguir crescer novamente, mas o cenário não é fácil”, afirmou.

Segundo Holland, as questões demográficas e as mudanças climáticas vão mover a economia brasileira e mundial e precisarão ser prioritárias dentro da política pública, para garantir um crescimento perene no Brasil. “Um grande desafio é como nos prepararmos para a mudança demográfica, que não é mais hipótese e sim realidade. Sairemos de 22 milhões para 58 milhões de aposentados em 2060. Isso necessita mudanças em gastos com educação e com aposentadoria”. De acordo com o economista, o Brasil fez uma boa reforma da previdência, mas já precisa de outra, para equilibrar as contas públicas, considerando que 73% do que o governo arrecada vai para pagar uma única despesa, as aposentadorias.

Disse ainda que país algum pode ser bem-sucedido com uma desigualdade tão persistente como a do Brasil. “Precisamos ficar atentos à promoção da igualdade social, em todos os quesitos: gênero, racial, social, de oportunidades”. Em relação às questões climáticas, o professor da FGV afirma que o Brasil já deveria ter priorizado o tema, pois ele afeta a economia. “A crise hídrica é um exemplo e tem sido o vilão da alta da inflação, que já está sendo projetada em dois dígitos”, acrescenta. Segundo ele, num país de contrastes, como o Brasil, há também razões para otimismo: “Temos grandes oportunidades de investimentos que afloram das nossas contradições e dificuldades”.

Para Carlos Kawall, diretor do ASA Investments, a economia mundial deve crescer menos em 2022, o que deverá influenciar a economia brasileira. As previsões são de crescimento em torno de 1,5%, com algumas projeções de 0,5%, não podendo ser descartada a hipótese de zero. “Como 2022 será ano eleitoral, existe a possibilidade de expansão de gastos e de investimento, o que seria um contraponto no ano que vem, embora algo de curto prazo”, disse.

Segundo ele, o Brasil dependerá da economia mundial, que mostra um certo arrefecimento nos EUA. “O ponto de atenção é a China, que quer crescer com mais qualidade e coibir excesso de crédito. O país está de olho na especulação imobiliária. É um ingrediente novo no contexto da economia global. Para nós, que temos uma dependência grande da China, é importante levar isso em consideração”.

Para o economista Marcos Lisboa, presidente do Insper, o Brasil vem crescendo pouco há mais de 40 anos, o que é influenciado pela baixa produtividade. Segundo ele, o país tem questões estruturais mais profundas do que as taxas de juros, inflação e câmbio. “É uma ilusão achar que, para crescer, basta investir. O resultado do investimento depende de vários fatores”, argumenta. Lisboa acrescenta que os problemas estruturais do país vão muito além da macroeconomia. A estrutura tributária distorce os investimentos, o consumo e a renda. Além disso, a economia brasileira é fechada e, assim, não se beneficia dos ganhos de produtividade de outros países. O Brasil também se destaca pelo baixo grau de efetividade do gasto público.

O economista também afirmou que o Brasil investe pouco em infraestrutura, que é um investimento de longo prazo. Para avançar nisso, outros países criaram agências reguladoras fortes. “No Brasil, as agências nunca foram fortes”, afirmou. Para atrair investimentos, precisamos de agências regulatórias mais atentas, contratos mais claros e mais segurança jurídica”, acrescentou. Segundo Lisboa, quando boas propostas surgem, há resistência de diversas partes, como de pequenos grupos organizados que não querem perder subsídios. “Vamos fazer as reformas como devem ser feitas ou vamos ficar cada vez mais pobres? Esta é uma questão que a sociedade terá de endereçar”.

Marcio Coriolano pontuou que, mesmo nos períodos mais duros, com queda do PIB, o mercado segurador teve taxas de crescimento acima da média de outros setores. “Mesmo antes da pandemia, seguros já tinha um comportamento anticíclico, com crescimento em “V”. Em julho chegamos com o mesmo ritmo de desenvolvimento pré-pandemia. Vida e saúde lideram. No entanto, o setor necessita de um cenário macroeconômico com queda de inflação, que traz fôlego de renda aos consumidores, e queda da taxa de juros, que estimula a tomada de empréstimos. Se tivermos isso, seguiremos na trilha de crescimento registrada nas últimas décadas”, concluiu.

Conseguro 2021: nova dinâmica no resseguro no País

conseguro 2021 CNseg

Fonte: CNseg

Perto de completarmos 15 anos da abertura do mercado de resseguros brasileiro, essas operações deram um salto no País nesse período. A perspectiva de novas atualizações do marco regulatório, com a simplificação de regras de acesso, e um possível alinhamento das taxas cobradas nos negócios locais às dos mercados globais, revertendo um descolamento do movimento global de alta dos últimos três anos – poderão curiosamente promover uma nova dinâmica ao resseguro no País, com o esperado aumento do apetite dos players mundiais. No ano passado, os prêmios de resseguros cedidos pelas seguradoras brasileiras somaram R$ 12,5 bilhões (com 70% cedidos às resseguradoras locais), alcançando cerca de 10% dos prêmios diretos das seguradoras (R$ 126 bilhões). 

O debate sobre a evolução do resseguro ocorreu no painel da Conseguro “A ótica do setor de seguros como consumidor de resseguros”, nesta segunda-feira, 27, e reuniu o moderador Alexandre Leal, diretor executivo da CNseg e os painelistas: Diogo Ornelas, coordenador geral da Coordenação Geral de Grandes Riscos e Resseguros da Susep; Felipe Smith, presidente da Comissão Estratégica de Seguros Corporativos da FenSeg e diretor executivo de Produtos Pessoa Jurídica da Tokio Marine Seguros; e  Bruno Freire,  presidente da ANRe e CEO da Austral Resseguradora.  

“Um grande impulso do mercado de resseguro ocorreu após a abertura definida pela Lei Complementar 126, de janeiro de 2007. As receitas de resseguros tiveram, por exemplo, uma expansão acumulada de 47,5% de 2016 a 2020, ao passo que os prêmios diretos das seguradoras cresceram 22% no mesmo período”, assinalou Alexandre Leal.

Felipe Smith destacou que, apesar do número significativo de resseguradores autorizados a operar no Brasil, constata-se uma concentração de negócios em poucos grupos e chama a atenção, ainda assim, o fato de os limites aceitos de riscos por nichos de negócios serem majoritariamente baixos, se comparados aos índices dos mercados globais. “As companhias não vão ao mercado em busca de uma capacidade de 5%, 7% e mesmo 10%, porque correm o risco de não performar o contrato. Mas buscam uma capacidade importante – de 20% a 30% – mas há enorme dificuldades de encontrar esse apetite do mercado”, assinalou ele.

Bruno Freire afirma que as características do mercado brasileiro influenciam o tom mais cauteloso das operações de resseguros. Além de um período quase ininterrupto de taxas soft dos prêmios nesses 15 anos, o que torna a aceitação tecnicamente desfavorável às vezes, os limites operacionais altos de algumas modalidades de riscos, como os existentes em algumas linhas de Property, Energia e Garantia, também reduzem os espaços de atuação dos players globais. “Em alguns casos, esses limites no País chegam a ser cinco ou 10 vezes maiores que nos mercados globais, reduzindo a participação das resseguradoras”.  Para ele, a tendência, contudo, é de crescente participação das resseguradoras, sobretudo com a mudança de viés das taxas também no mercado brasileiro. 

As contribuições do arcabouço infralegal para uma nova dinâmica ao resseguro no País são reconhecidas por Diogo Ornelas, principalmente os ajustes ocorridos nos últimos quatro anos, para a evolução do mercado de resseguros. Ele cita como ações relevantes normas como a extinção dos limites de cessão intragrupos, o fim da obrigatoriedade de contratação de resseguro com resseguradores locais, aumento da cessão em algumas linhas, como em petróleo. Antecipa que outras medidas ainda vão ter efeitos positivos na expansão dos resseguros, inclusive o mecanismo de Insurance Linked Securities (ILS), uma alternativa de transferência de riscos em franca expansão no mercado internacional. “Mantemos um processo contínuo de aperfeiçoamento, um aprimoramento normativo, alinhado com as melhores práticas internacionais, sem abrir mão de nossas peculiaridades”, afirmou ele, deixando claro que, a certa altura, haverá necessidade de mudança na própria Lei 126.