Allianz Commercial irá inaugurar hub para América Latina em Miami em 2026

Allianz Commercial anuncia o lançamento do seu hub para a América Latina em Miami, com inauguração prevista em fevereiro de 2026. O escritório apoiará o desenvolvimento de negócios em toda a América Latina, capitalizando a posição de Miami como centro líder e banco de talentos para o setor de (re)seguros da América Latina e Caribe. Ele centralizará recursos e conhecimento técnico para melhor interação com corretores, clientes e outros parceiros em toda a região, além de criar uma presença adicional nas Américas.

O novo escritório consolidará as operações existentes do negócio da Allianz Commercial em mercados-chave como Brasil, México, Argentina e Colômbia, expandindo simultaneamente o negócio de resseguro facultativo em Propriedade, Construção e Recursos Naturais, Linhas Financeiras (incluindo Cyber), Transportes e Serviços Multinacionais para outros mercados da América Latina, incluindo Chile, Peru, Equador e Panamá.

“O hub de Miami representa um investimento estratégico em nossas operações na América Latina. Este escritório irá aumentar nossa capacidade regional, além de nos permitir oferecer melhores serviços e conhecimento técnico a nossos corretores e clientes na região”, comentou David Colmenares, Managing Director para a América Latina da Allianz Commercial, em nota.

Shanil Williams, Presidente Allianz Commercial para as Américas, acrescentou: “Miami é um dos maiores e mais consolidados centros internacionais de seguros e resseguros corporativos, e estamos muito entusiasmados em estabelecer uma nova presença lá. A abertura deste hub reflete nossa estratégia de impulsionar o crescimento diversificado na América Latina, aperfeiçoar a excelência técnica e integrar ainda mais a região das Américas. Miami complementará nossas operações locais, apoiando seu próprio crescimento e possibilitar o acesso a novos clientes em outros mercados.”

Seguro PIX consolida proteção ao meio de pagamento mais utilizado no país

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Desde novembro de 2020 quando começou a operar, o PIX caiu nas graças dos brasileiros. Dados do Banco Central indicam que o sistema de pagamentos instantâneos alcança 93% da população adulta do país, superando o contingente daqueles que possuem cartões de crédito. Do total de 213,4 milhões de habitantes estimados no país pelo IBGE, mais de 170 milhões usam o PIX, enquanto cerca de 153,4 milhões possuem cartão.

Diante do uso crescente, também crescem as opções de seguro para esse tipo de transação financeira. O Seguro PIX, que funciona desde 2021, garante o reembolso de transações não autorizadas, seja PIX, DOC ou TED. Às vésperas da Black Friday, o seguro é uma opção para quem deseja efetuar suas compras com segurança.

O produto pode ser acionado em caso de roubo, subtração ou coação que resultem em transferências não autorizadas. Nesse caso, o segurado é reembolsado do valor de acordo com o capital contratado. O Seguro PIX pode ser contratado como uma cobertura adicional, por exemplo, no Seguro Bolsa Protegida, Seguro Perda e Roubo de Cartão ou Seguro Proteção de Eletrônicos. Os valores destas opções podem ser contratados, em alguns casos, a partir de R$ 9,99.

Crescente em todo o país, a adesão ao Seguro PIX garante cobertura para transferências logo após a contratação, sem período de carência. Para o risco de perda ou extravio do cartão segurado, há carência de 72 horas a partir do início de vigência do seguro.

“Embora o prazo regulamentar da Superintendência de Seguros Privados (Susep) seja de até 30 dias corridos, muitas as seguradoras procuram concluir o pagamento em menos de dez dias, garantindo uma experiência mais rápida e eficiente para o cliente”, explica Alexandre Muniz, diretor do Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro e do Espírito Santo (SindSeg RJ/ES).

Às vésperas da Black Friday, o executivo ressalta que cartões de crédito ou números de PIX furtados podem ser utilizados por golpistas. No entanto, Alexandre Muniz esclarece que o consumidor precisa ter atenção com relação às transações. “O Seguro PIX não cobre golpes e fraudes. Ele cobre o PIX feito para números equivocados ou transações realizadas mediante coação.”

  O produto também oferece cobertura em casos de roubo do celular do cliente, que deixam seus dados expostos. Nestas situações, os criminosos conseguem realizar transações imediatas. Já o seguro de cartão reembolsa o consumidor em caso de perda ou roubo qualificado de seu cartão de crédito.  “Outra opção que disponibilizamos é uma proteção adicional contra saques forçados de valores em dinheiro, como, por exemplo, em um assalto”, acrescenta o diretor do SindSeg RJ/ES, alertando que cartões bancários e de crédito, assim como a aproximação em pagamento pelo celular, são alvos comuns de ações criminosas.

Porto apresenta case para cálculo de emissões seguradas e reforça a inclusão securitária

A Porto foi a empoderadora de destaque da Casa do Seguro na COP30 na última semana, conduzindo uma manhã de debates que colocaram o setor de seguros no centro da agenda de adaptação climática. A companhia apresentou dois painéis que reuniram especialistas nacionais e internacionais e trouxeram avanços concretos sobre a contabilização de emissões, a construção de estratégias de mitigação e o papel do mercado financeiro no enfrentamento da crise climática. O primeiro painel abordou o processo de contabilização e mitigação das emissões de gases de efeito estufa no setor de seguros, destacando a jornada da Porto, em parceria com a WayCarbon, para desenvolver o primeiro levantamento de emissões do segmento no Brasil com base na metodologia PCAF.

Mediado por Claudia Trindade, diretora de Sustentabilidade da CNSeg, o debate reuniu representantes da Porto, CNSeg, UNEP-FI e WayCarbon, que detalharam os desafios técnicos da mensuração, a importância da padronização dos dados e como esse trabalho tem orientado o plano de descarbonização da companhia. Patrícia Coimbra, diretora de Gente e Cultura da Porto, contextualizou como a companhia vem estruturando sua estratégia de sustentabilidade e reforçou que esse movimento não é um trabalho apenas da área de sustentabilidade, mas de toda a empresa, com foco nos negócios. “Mensurar nossas emissões foi fundamental para enxergarmos a dimensão de toda a cadeia de valor. Quando olhamos nossa complexidade, estamos falando de 46 mil corretores, mais de 13 mil prestadores e 13 mil colaboradores. Sem o engajamento de todos, a transição não acontece”. 

 Bruna Araújo, gerente de Finanças Sustentáveis da WayCarbon, trouxe em sua fala os desafios enfrentados pelas seguradoras na adoção da metodologia PCAF. Ela destacou que, embora o setor esteja avançando, ainda há uma certa cautela entre as companhias, já que a metodologia é recente e vem sendo desenvolvida e aplicada simultaneamente. Já Butch Bacani, Líder Global de Seguros da UNEP-FI, enfatizou que, até 2030, será fundamental que todas as seguradoras adotem medidas concretas para avançar na contabilização e redução das emissões, contribuindo para uma transição climática justa e inclusiva. 

Já o segundo painel ampliou a discussão ao abordar o papel do mercado financeiro na adaptação climática e as oportunidades para que instituições financeiras e seguradoras se tornem pilares na construção de uma economia mais resiliente. Mediado por Denise Hills, membro do comitê de Sustentabilidade da Porto, o debate destacou a necessidade de incorporar dados climáticos nos processos de decisão e a importância de desenvolver instrumentos que ampliem o acesso à proteção e incentivem práticas sustentáveis em toda a cadeia econômica. 

 A discussão reforçou a ideia de que um mundo em que apenas parte da população consegue se recuperar de uma catástrofe não é justo, trazendo contribuições de Patricia Chacon, COO da Porto Seguro; Luciana Nicola, diretora de Sustentabilidade do Itaú; e Inamara Santos Mélo, diretora do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima. Durante o painel, Patricia Chacon detalhou a estratégia da Porto na agenda de seguros e valorizou a importância da inclusão securitária.

Ela ressaltou ainda que o mercado segurador dispõe de uma base de dados essencial para apoiar políticas de adaptação: “Ao longo de 80 anos de atuação, acumulamos informações valiosas sobre onde estão os maiores potenciais de risco e onde um próximo evento pode ocorrer. Nosso papel é colocar esse conhecimento à disposição, para que possamos não apenas mitigar e reconstruir, mas reconstruir melhor”. Como empoderadora da Casa do Seguro, a companhia reafirmou seu compromisso em liderar discussões técnicas, compartilhar conhecimento e avançar em iniciativas que promovam uma transição mais justa, sustentável e resiliente.

A virada regulatória que redefine o mercado de seguros no Brasil com a Lei Complementar nº 213/2025 


Por Ana Carolina Mello, sócia-diretora da Avanza

O mercado de seguros está diante de um dos movimentos mais transformadores das últimas décadas. A Lei Complementar nº 213/2025, que integra as cooperativas de seguros e as associações de proteção patrimonial mutualista ao Sistema Nacional de Seguros Privados, não é apenas uma atualização normativa, é um divisor de águas. Ela inaugura uma nova era de segurança jurídica, transparência e inclusão, capaz de redefinir as bases de confiança entre empresas, consumidores e o próprio Estado.

Hoje, existem mais de três mil associações mutualistas atuando no país, principalmente no segmento automotivo. Em muitos casos, elas surgiram para preencher lacunas deixadas por um mercado tradicional que ainda não consegue atender plenamente algumas faixas da população. É esse caráter inclusivo que torna o mutualismo tão relevante: ele democratizou o acesso à proteção patrimonial, especialmente para públicos e regiões que estavam fora do radar das grandes seguradoras. Mas também foi essa pulverização, sem regulação uniforme, que criou um cenário incerto para as próprias organizações e para o consumidor.

A nova lei transforma essa dinâmica. A partir dela, a Susep (Superintendência de Seguros Privados) passa a supervisionar e fiscalizar essas entidades, exigindo reservas técnicas, transparência contábil e governança sólida. As cooperativas e associações que quiserem continuar operando tiveram até julho para se cadastrar na Susep e escolher seu caminho, seja como seguradora, cooperativa, associação ou canal de distribuição.

Agora, quem ainda não se cadastrou está em situação irregular, sujeito a sanções administrativas e judiciais. Isso inclui multas que podem chegar a R$ 35 milhões e até a inabilitação de dirigentes, conforme o previsto na própria lei. A partir desse marco, a Susep reforça sua atuação fiscalizatória e as entidades que seguem operando fora do novo regime deixam de ter respaldo jurídico, correndo o risco de inviabilizar suas atividades e comprometer a confiança dos seus associados.

Esse é um daqueles momentos em que quem se antecipa, ganha espaço. A adequação à nova lei é uma oportunidade estratégica, pois estar regularizado significa acessar novas bases de clientes, eliminar a concorrência desleal e fortalecer a imagem institucional perante um consumidor cada vez mais atento à reputação e à conformidade das empresas. Em tempos de transformação digital, com uma transparência cada vez maior, a confiança é o ativo mais escasso e valioso. 

A formalização também abre espaço para um amadurecimento de mercado. As associações e cooperativas que optarem por atuar dentro do sistema regulado terão condições de competir em outro patamar, com acesso a novos canais de distribuição e uma relação mais próxima com o poder público. Em contrapartida, quem resistir à adequação corre o risco de ficar à margem, não apenas do sistema, mas das novas dinâmicas de consumo, inovação e compliance que moldam o futuro do setor.

Há ainda mais um ponto fundamental: a organização coletiva. Diante da complexidade das exigências regulatórias, a tendência é de que as cooperativas e associações se reúnam em centrais e confederações, compartilhando estrutura, conhecimento e escala. Essa consolidação é positiva, pois fortalece a representatividade, melhora a governança e cria um ambiente mais equilibrado, no qual as boas práticas deixam de ser exceção e se tornam o novo padrão do mercado.

Mais do que um marco legal, a Lei Complementar nº 213/2025 simboliza uma mudança de mentalidade. Por décadas, o setor de seguros conviveu com a informalidade de parte dessas operações, ora ignorando, ora tolerando. Agora, o Estado reconhece oficialmente a importância desse modelo e o convida para dentro do sistema, com regras claras, responsabilidades definidas e oportunidades concretas de expansão. É o início de uma nova etapa, em que o mutualismo e a inovação regulatória se encontram para ampliar o alcance da proteção no Brasil.

Ainda há muito a ser feito. A regulamentação pela Susep está em curso e os detalhes técnicos, de capital mínimo a modelos atuariais, ainda serão definidos. Mas o caminho é irreversível. As cooperativas e associações que entenderem isso primeiro e agirem o quanto antes estarão entre as protagonistas da nova fase do setor de seguros brasileiro.

Alper reforça conexões estratégicas no setor de logística e transporte

A Alper participou da Fetranslog 2025, realizada entre 11 e 14 de novembro em Chapecó (SC), um dos principais eventos de logística, transporte e mobilidade do país. A presença da equipe reforçou o compromisso da companhia em acompanhar tendências, ampliar relacionamentos e impulsionar novas oportunidades de negócio no setor. Para a Alper, a participação foi decisiva para fortalecer vínculos e avançar em novas frentes estratégicas.

A participação da equipe na Fetranslog em Chapecó, SC, revelou-se um movimento estratégico. O evento não apenas proporcionou o valioso reencontro e a consolidação dos laços entre clientes e parceiros, mas também impulsionou um networking de alto nível, essencial para o crescimento mútuo.

Segundo a corretora de seguros, o principal insight da visita foi a oportunidade de capturar as tendências e inovações mais recentes do mercado de logística e transporte. Além disso, o contato estabelecido com novas empresas no setor abriu caminhos concretos para a prospecção de oportunidades de negócio futuras e de alto valor agregado.

A feira, que se consolidou como um polo de inovação e expansão para toda a cadeia logística, reuniu empresas, especialistas e lideranças do Brasil inteiro.

Seguros residenciais precisam considerar desastres naturais, diz cientista de resseguradora

Tobias Grimm, cientista-chefe da área de clima da Munich Re - Divulgação

por Pedro Lovisi, da Folha de São Paulo, de Belém

Uma resseguradora é aquela empresa que segura uma seguradora. No setor, essas empresas são as últimas de uma cadeia que vive do risco, sobretudo aqueles envolvendo desastre naturais, como as secas e inundações que atingiram o Brasil nos últimos anos.

Entre as principais resseguadoras do mundo está a alemã Munich Re, que no ano passado faturou mais de 60 bilhões de euros. A empresa tem hoje um time dedicado a avaliar o impacto das mudanças climáticas em seus negócios, liderado pelo cientista Tobias Grimm.Ele veio ao Brasil para participar da COP30, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas. No país, uma de suas metas é aumentar o número de ativos cobertos por seguros que abrangem desastres naturais; hoje, apenas 10% das perdas são cobertas, contra uma média de 61% no mundo.

No ano passado, os desastres naturais geraram perdas econômicas de US$ 320 bilhões em 2024 e US$ 131 bilhões até a metade de 2025, sendo 44% e 61%, respectivamente, cobertas por seguros. De acordo com Grimm, o volume de perdas, que têm crescido nos últimos anos, tem mais a ver com a habitação de locais de alto risco antes não habitados do que a intensificação, de fato, do aquecimento global.

Como o Brasil está inserido no mercado de seguradoras e resseguradoras?
O que chama mais atenção é o mercado de catástrofes naturais. Isso é, naturalmente, um mercado global e, no Brasil, ainda estamos nos estágios iniciais, eu diria.

A porção daqueles que estão segurados das perdas ainda é menor no Brasil e, em média, cerca de 90% das perdas por catástrofes naturais não são seguradas no país. Isso significa que, se você tiver uma perda por uma inundação ou por uma tempestade, você precisará arcar com isso sozinho ou precisará pedir ao governo para reembolsá-lo, o que geralmente não acontece.

Segundo levantamento da Munich Re, os desastres naturais geraram perdas econômicas de US$ 320 bilhões em 2024 e US$ 131 bilhões até a metade de 2025, sendo 44% e 61%, respectivamente, cobertas por seguros. Essa média é considerada alta pelo setor ou ainda há espaço para crescimento?

61% é um número bastante alto. E isso se deve ao fato de que neste ano vimos a maioria das perdas, muito mais do que na média, nos EUA. Metade de todas as perdas seguradas foi provocada pelo incêndio florestal de Los Angeles em janeiro, que custou cerca de US$ 40 bilhões para a indústria de seguros, e depois tivemos uma série de tempestades severas nos EUA, e esses tipos de eventos geralmente são bem cobertos.

Por que países pobres ou em desenvolvimento têm dificuldades em contratar seguro para seus ativos?
As indústrias geralmente têm uma cobertura muito boa porque cuidam disso profissionalmente. Já comunidades, municípios e governos geralmente não são segurados, então, se a infraestrutura for danificada, como escolas ou pontes, geralmente o governo precisa pagar por elas. E quando se trata do mercado privado, há um pouco de relutância; as pessoas geralmente não estão cientes de sua exposição real ao risco, então se você perguntar a alguém se ele tem um seguro de propriedade contra riscos naturais, muitas vezes receberá como resposta que não existe risco nenhum.

Com as mudanças climáticas, no entanto, vemos um aumento de eventos climáticos extremos acontecendo. E, no Brasil, os mais relevantes são água demais e água de menos, e inundação costumam pegar as pessoas de surpresa.

Mas, no que diz respeito ao mercado de seguros, qual é o obstáculo para incluir cobertura para desastres em seus produtos sem necessariamente encarecer o seguro?
Acho que existem dois aspectos. O primeiro é como os produtos são moldados no mercado de seguros brasileiro; geralmente as pessoas compram um seguro contra incêndio, porque isso sempre foi visto como o perigo mais importante em uma casa. E, em muitas partes do mundo, os riscos naturais se tornaram algo adicional ao seguro contra incêndio, então, se você compra um seguro e tem que pedir elementos adicionais para incluir tempestade e inundação, as pessoas não pedirão.

Já o segundo é que uma seguradora sempre precisa refletir um preço adequado com base no risco exato, e essa precificação é feita pela indústria de seguros e também pela indústria de resseguros. Compartilhamos isso com nossos clientes e eles, no final, repassam essa precificação para o cliente final.

Como as resseguradoras podem atuar para tornar essas apólices de seguro mais acessíveis em mercados emergentes?
Tive a experiência de que as pessoas frequentemente não são reflexivas ou não entendem o sistema de seguros adequadamente. Tive algumas conversas com alguns colegas da África e eles argumentavam que seguro é uma aposta, mas não é assim que o seguro deveria funcionar. Seguro é um suporte, é uma proteção contra um risco existencial. E se você paga um prêmio e não recebe um pagamento, não é um investimento perdido, é um investimento que garantiu e protegeu seus ativos.

Mas o sr. tem certeza que o fato de esse mercado não ser desenvolvido em países como o Brasil é devido a mentalidade das pessoas e não por uma estrutura de mercado?
É sobre a consciência e, no final, frequentemente vemos que há uma falta de demanda. Então, as pessoas não estão pedindo seguro por qualquer razão. Elas não são conscientes o suficiente e nisso podemos ajudar, já que temos as ferramentas e sabemos quais regiões estão em risco e quais são eles. O que vemos em alguns mercados, por exemplo, é a evolução de um sistema de zoneamento público, disponível publicamente, de perigos naturais, onde você acessa um site e insere seu endereço de código postal e então vê a probabilidade de um certo evento atingir e afetar sua propriedade. Isso ajudaria muito; temos isso apenas em poucos mercados.

As mudanças climáticas podem afetar as previsões e o cálculo dos riscos feito pelas seguradoras?
Geralmente, as seguradoras têm uma série temporal de 20, 40, 60 anos de perdas, mas a mudança climática muda esse risco e a série temporal do passado não é representativa para o risco de hoje nem para o futuro. Hoje, vemos eventos climáticos extremos mais frequentes acontecendo em lugares que não eram afetados no passado, então precisamos calibrar nossos modelos e ajustá-los constantemente. Isso funciona porque no seguro todos os contratos são apenas em base anual.

Qual deve ser o papel do governo nessa discussão?
Vemos perdas crescentes devido a eventos climáticos extremos e para nós está muito claro que a principal razão para isso não é a mudança climática, mas sim o fato de que o processo de habitação está mudando. Há inundações hoje em áreas comerciais que não existiam há 30 anos, e esse é o efeito que vemos globalmente. E é aí que argumentamos que precisamos pensar exatamente onde desenvolver novas propriedades, não mais em áreas de alto risco, além de praticar o gerenciamento adequado do uso da terra e investir mais em medidas de prevenção de perdas.

O governo pode estabelecer esses incentivos e pode dar sinais claros sobre quais áreas de alto risco devem ser desenvolvidas e quais não. E os governos podem fazer muito mais em medidas de proteção contra inundações, pensando em renaturalizar rios, dando-lhes espaço; isso é muito importante porque, quando temos essas quantidades de chuva sem precedentes, um rio precisa de espaço para que a água possa se expandir.

RAIO-X

Tobias Grimm, 49

Cientista-chefe da área de clima da Munich Re, atuou como especialista em clima em Sydney por três anos, desenvolvendo soluções de seguro para tecnologias verdes e apoiando projetos no setor bancário. É mestre em geografia e meteorologia aplicada pela Universidade de Munique (LMU) e trabalhou anteriormente como meteorologista em um serviço privado de previsão do tempo.

Tokio Marine registra recorde de R$ 10 bilhões em faturamento no Canal Varejo em 12 meses

por Tokio

Com um resultado que consolida o trabalho do time Comercial e o forte relacionamento com os mais de 45 mil Corretores e Assessorias, a Tokio Marine anuncia marca inédita de R$ 10 bilhões em Produção (Faturamento) no Canal Varejo nos últimos 12 meses, considerando o período de outubro de 2024 a setembro de 2025. 

“Como ninguém faz nada sozinho, essa conquista é de toda a Companhia. Agradeço imensamente aos times internos, através das Diretorias Executivas de Produtos, Tecnologia, Sinistros, Operações, Estratégia Corporativa, Finanças, Administração e Governança, sem os quais não conseguiríamos ter a tranquilidade necessária para atender nossos Corretores. E, claro, um agradecimento muito especial aos meus nove diretos, Regionais Varejo e Vida, e aos mais de 400 Colaboradores da área Comercial, cujo comprometimento, empenho e dedicação foram essenciais para alcançarmos essa marca histórica, e aos Parceiros de Negócios, razão principal de nossa atuação”, comemora o Diretor Comercial Nacional Varejo e Vida, Marcos Kobayashi.  

Desde que assumiu a posição, no início de 2024, o executivo reestruturou a Diretoria com a promoção de Rosangela Spak a Superintendente Comercial Vida, a criação de 5 novas Sucursais, a promoção de Assistentes a Gerentes Comerciais e a constituição de um time especializado e dedicado ao Atendimento de Produtos Pessoa Jurídica. “A nova estrutura é composta por profissionais especialistas, cuja missão é ouvir as demandas dos Corretores e oferecer soluções personalizadas para as necessidades de seus Clientes”, explica Kobayashi. 

As unidades de atendimento recém-inauguradas são Joinville (SC), Maringá (PR), Passo Fundo (RS), São Luís (MA) e Vitória da Conquista (BA).

Com mais de 90 Produtos e 120 Serviços, além de equipe altamente especializada, a Tokio Marine quer firmar posição como uma Seguradora Especialista em Produtos, Serviços e Atendimento. “Os Corretores são nosso único canal de distribuição. São eles que nos ajudam a concretizar nossa missão de proteger Pessoas e Empresas e apoiar o desenvolvimento da sociedade. Por isso, reitero a prioridade estratégica da Companhia em continuar fortalecendo a relação com os Corretores e as Assessorias para que eles tenham cada vez mais oportunidades de realizar negócios”, finaliza Marcos Kobayashi. 

Zurich lança 2ª edição da Blue Week com descontos exclusivos nos seguros automóvel, celular e de vida

Fábio Leme Zurich Seguros

A Zurich Seguros realizará, entre 24 e 28 de novembro, a segunda edição da Blue Week, campanha voltada diretamente aos clientes e estruturada para oferecer condições especiais em produtos estratégicos da companhia. A iniciativa reúne benefícios exclusivos nos seguros automóvel, celular e de vida, reforçando o objetivo da seguradora de ampliar o acesso à proteção de forma simples, clara e alinhada às necessidades reais das pessoas. 

No período da campanha, o Zurich Automóvel oferecerá até 25% de desconto para clientes que fecharem o seguro, com acesso a uma jornada digital simplificada, cobertura completa e serviços de assistência amplamente reconhecidos.Já o Zurich Vida para Você concederá uma assistência adicional gratuita nos planos Plus e Premium, com opções de escolha como telemedicina, segunda opinião médica e o recém-lançado benefício de descontos em consultas e exames. Já o Zurich Celular disponibilizará 25% de desconto no plano Completo e com pagamento único mediante o uso do cupom ZURICH25, oferecendo proteção para roubo, furto, quebra acidental e imersão e derramamento de líquido com atendimento 100% digital.  

Ocorrendo no mesmo mês da COP30 no Brasil, a Blue Week deste ano incorpora ainda uma frente ambiental: durante a semana da campanha, a cada três apólices emitidas, será plantada uma árvore no Instituto Terra, parceiro da Zurich no projeto Floresta Zurich, contribuindo para a recuperação de parte da Mata Atlântica. Os clientes receberão um certificado simbólico, reforçando o engajamento conjunto em ações de restauração ambiental. 

Segundo Fabio Leme, diretor executivo de Linhas Pessoais, Marketing e Clientes da Zurich, a Blue Week foi desenvolvida para aproximar o cliente de soluções completas e acessíveis. “A Blue Week é uma oportunidade para ampliar o acesso à proteção de forma clara, simples e alinhada ao que as pessoas realmente precisam. Nosso compromisso é oferecer produtos completos, jornadas descomplicadas e iniciativas que também contribuem para a construção de um futuro mais resiliente. Essa campanha reforça exatamente isso: conveniência para o cliente e impacto positivo para a sociedade”, afirma.  

A campanha se conecta ao movimento institucional da marca apresentado recentemente sob o conceito “Zurich. A nova geração de seguros”, que fortalece atributos como transparência, inovação e sustentabilidade dos produtos. O apresentador Felipe Andreoli é o embaixador da campanha de marca e estrela da Blue Week, contribuindo para traduzir a linguagem do seguro de maneira leve, contemporânea e acessível ao grande público. 

Produtos da Blue Week e o papel do corretor

Os diferenciais dos produtos reforçam a evolução da oferta da Zurich em seus principais segmentos.  

O Zurich Automóvel oferece pagamento em 12 vezes sem juros, e além de serviços ágeis, conta com o selo Auto ECO que sinaliza seus diferenciais sustentáveis e disponibiliza a cobertura Pequenos Reparos Premium, extremamente vantajosa ao cliente em pequenos danos, nos quais geralmente não vale a pena acionar a franquia do seguro.  

Já o Zurich Vida para Você combina proteção financeira com serviços de saúde e bem-estar alinhados ao cotidiano dos clientes. No Zurich Celular, por sua vez, a cobertura internacional sem carência, contratação 100% digital e os processos de regulação de sinistros que garantem a indenização ao consumidor em minutos são os grandes destaques. 

A Blue Week também se conecta às iniciativas comerciais ativas para o canal corretor:  a Campanha Zurich Turbinada Automóvel, que permite ao corretor acumular bonificações por apólice e recompensas proporcionais ao volume de negócios no produto; e a Campanha Grande Vida, que garante 100% de agenciamento adicional aos corretores nos produtos de vida da seguradora. Ambas se encerram no dia 31 de dezembro. 

Para Márcio Benevides, a Blue Week, em sintonia as campanhas voltadas especificamente aos parceiros, fortalece o papel do corretor na ampliação do acesso ao seguro à população e no desenvolvimento dos seus negócios 

“A Blue Week sintetiza o que buscamos entregar todos os dias: produtos completos, condições competitivas e processos simples. Estamos trabalhando para gerar benefícios conjuntos aos clientes e aos corretores, ampliando as possibilidades de negócios para os nossos parceiros nesta reta final do ano e ofertando soluções que realmente podem fazer a diferença na vida dos clientes”, finaliza Benevides. 

Setor global de resseguros suportaria perda de US$ 300 bilhões sem impacto em ratings, aponta S&P

A indústria global de resseguros poderia suportar um evento de perda segurada de US$ 300 bilhões sem impacto sobre suas classificações de crédito, segundo a S&P Global Ratings, informa o portal Inteligent Insurer (leia esta e mais notícias exclusivas no portal)

De acordo com a agência, o setor de seguros e resseguros está atualmente com excesso de capital. Em prévia do relatório European Insurance Outlook 2026, a S&P afirmou que as empresas europeias devem apresentar um superávit de capital superior a €150 bilhões até 2027, acima do exigido para manter as classificações atuais.

Esse colchão financeiro é resultado de gestão prudente de capital, redução nas fusões e aquisições em larga escala, menor apetite por risco e crescimento mais lento das receitas.

“O setor está muito bem posicionado em termos de provisão de capital. O amortecedor é maior do que em qualquer outro momento do passado”, disse Volker Kudszus, líder de ratings de seguros da S&P.

O excedente de caixa alimenta uma visão “geralmente positiva” para as seguradoras europeias, embora persistam riscos como conflitos comerciais e baixo crescimento econômico.

Nos últimos 12 meses, 33 grupos de seguros e resseguros tiveram suas notas de crédito elevadas, enquanto apenas 13 foram rebaixadas. Segundo a S&P, 55% das seguradoras europeias estão na categoria “A” e 23% na “AA”. Além disso, 67% operam com nível de confiança próximo de 100% e têm “liquidez excepcional”.

Para Simon Ashworth, diretor analítico-chefe da S&P para ratings de seguros, “é uma posição notável para a indústria. Há tanto capital no setor de resseguros que a exposição ao risco é confortável. A tendência é ascendente.”

A agência concorda com a percepção do mercado de que as taxas de resseguro — especialmente nas linhas de curto prazo — devem cair nas renovações de 1º de janeiro, com os níveis de retenção (“attachment points”) permanecendo estáveis.

“Foi um ano extremamente benigno”, observou Kudszus. “Todos os seguradores primários pedem taxas mais baixas, mas os resseguradores precisam manter firmeza e preservar os níveis de retenção.”

Apesar das discussões pré-Monte Carlo sobre o retorno dos contratos agregados ou coberturas de volatilidade de grupo, a S&P afirma que essas proteções de frequência ainda são raras. “O setor está conseguindo manter distância dessas coberturas”, afirmou Rob Greensted, diretor da S&P Global.

Segundo Kudszus, o setor europeu de seguros e resseguros está “voltando à normalidade”, com alta rentabilidade e menos eventos catastróficos naturais.

Para a S&P, o ponto de maior preocupação global é o segmento de responsabilidade civil nos EUA, pressionado pela inflação social e ações judiciais bilionárias contra seguradoras de P&C. “O mercado americano é muito mais difícil e fragmentado que o europeu”, disse Kudszus.

Outros pontos de atenção incluem o setor de saúde dos EUA, que vem acumulando prejuízos e impactando as notas de crédito.

Na Europa, as tendências de risco em deterioração incluem fragmentação geopolítica, avanço do populismo que mina a segurança econômica, divergência nas políticas ambientais e crescimento dos ataques cibernéticos.

Os riscos específicos para o setor de seguros seguem os mesmos do ano anterior: conflitos comerciais, catástrofes naturais e ameaças cibernéticas — agora agravadas pela complexidade trazida pela inteligência artificial.

De forma geral, a S&P prevê crescimento modesto na Europa, com pouco avanço nas receitas das seguradoras. Para as companhias de P&C europeias, a expectativa para 2026 é de margens sólidas, impulsionadas pelos aumentos de tarifas de automóveis que superam a inflação de sinistros.

De Belém à COP31: Casa do Seguro lança força-tarefa global de resiliência climática

Esta sexta-feira (21) marcou o último dia do ciclo de debates da Casa do Seguro, durante a COP30, em Belém (PA), com um recado claro: o setor securitário precisa assumir papel de liderança na aceleração da agenda climática global. 
 

Ao longo do dia, executivos, representantes de governo, academia e organizações internacionais convergiram a ideia de que não há transição justa e resiliente sem o protagonismo da segurança na gestão de riscos, no financiamento e na proteção de segurança social.
 

Na abertura, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, apresentou uma proposta ambiciosa: a criação de uma força-tarefa internacional sobre resiliência climática e segurança na transição. 
 

A iniciativa, segundo Oliveira, pretende unir seguradoras, cientistas, governos e sociedade civil rumo à COP31, na Turquia, para que o setor de seguros não participe apenas, mas lidere as discussões e ações climáticas no cenário global. 

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Presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, ao lado de Goret Pereira Paulo, diretora de Pesquisa e Inovação da FGV

A estrutura da força-tarefa prevê pilares articulados entre garantias (com gestores de risco), academia e ciência (modelagem de risco), governos e bancos centrais (gestão de consequências públicas), sociedade civil e comunidades, além da economia real, criando um arranjo capaz de transformar o conhecimento em ação.
 

Segundo Oliveira, o momento é especialmente favorável para avançar. Há um alinhamento crescente entre os setores público e privado em torno do potencial de financiamento da agenda climática, o que abre espaço para acelerar compromissos e implementar soluções concretas. 
 

Ele destacou que, na Casa do Seguro, foi possível estabelecer um conjunto amplo de parcerias e consolidar uma visão mais transversal do papel do seguro nas diversas atividades da economia e da vida em sociedade. O presidente da CNseg resumiu o clima ao afirmar que o setor sai de Belém com um “enorme dever de casa” e que espera ser cobrado pelos parceiros sobre os avanços daqui em diante.
 

A importância dessa atuação coordenada também foi reforçada por Butch Bacani, chefe de Seguros do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Ele destacou o papel do seguro como instrumento de resiliência para comunidades vulneráveis ​​diante das mudanças climáticas e alertou que finanças e seguros sustentáveis, sozinhos, não garantem uma economia resiliente. 
 

Para Bacani, uma mudança real depende da ação conjunta entre governos, empresas e sociedade, especialmente diante de alertas científicos sobre riscos como a savanização da Amazônia. Na sua avaliação, pensar apenas em mudanças incrementais já não é suficiente; escala e velocidade serão determinantes para evitar o colapso climático, e essa visão precisa orientar uma agenda global.
 

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Butch Bacani em fala no último painel 

No último painel de debates da Casa do Seguro, “De Belém à COP31: acelerando e ampliando a ambição e a ação em relação ao clima e à natureza”, especialistas, representantes do governo e da sociedade civil fortaleceram que mitigação, adaptação e resiliência às mudanças climáticas exigem não apenas urgência, mas também a participação estratégica do mercado segurador. 
 

André Andrade, diretor do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, apresentou dados de um estudo do governo federal sobre o impacto econômico das mudanças climáticas no Brasil até 2050. No cenário de inação, a temperatura poderia subir 4°C, com perda acumulada de R$ 17 trilhões no PIB brasileiro em 25 anos; já no cenário de mitigação, com aquecimento limitado a 1,5°C, projeta-se um crescimento adicional de R$ 6,7 trilhões no período. Mesmo assim, ele lembrou que uma média global de 1,5°C pode significar aquecimento entre 2,5°C e 3°C no Nordeste, exigindo produtos de seguro cada vez mais regionalizados.
 

A necessidade de políticas climáticas em evidências foi destacada por Goret Pereira Paulo, diretora de Pesquisa e Inovação da FGV. Para ela, a COP30 mostrou que esse conceito deixou de ser abstrato e passou a se concretizar em práticas que só avançam quando a ciência, o governo e o setor privado trabalham de forma integrada. 

Goret chamou a atenção para a participação intensa da academia em painéis, publicações e iniciativas tanto na Casa do Seguro quanto na AgriZone, com destaque para temas como agricultura tropical, financiamento verde, redução do desmatamento e transição energética. Segundo a diretora da FGV, a implementação das metas globais depende de ações locais, especialmente em áreas urbanas, onde dados precisos são essenciais para mitigação, adaptação e desenvolvimento de seguros paramétricos.


Luiz Pires, gerente de Sustentabilidade e Inovação da ANBIMA

Na mesma linha de pragmatismo, Luiz Pires, gerente de Sustentabilidade e Inovação da ANBIMA, ressaltou que a COP30 marcou um avanço estrutural: organizações e empresas amadureceram suas propostas e superaram vários caminhos possíveis para financiar a transição. 
 

Segundo ele, a conexão entre o mercado de capitais e seguros deixou de ser tímida e passou a se materializar em produtos, compromissos e instrumentos já disponíveis. Pires destacou que o governo brasileiro construiu uma base robusta – com o Plano de Transformação Ecológica, uma taxonomia sustentável com plataformas de investimento e novos mecanismos de financiamento – que permite transformar ideias em realidade. Para o executivo, não falta capital: o mercado brasileiro administra cerca de 2 trilhões de dólares. O desafio, agora, é estruturar melhor como esses recursos podem viabilizar produtos da indústria de seguros, financiar LRS (Letra de Risco de Seguro) e apoiar modelos de financiamento combinado, abrindo um ciclo consistente de evolução para o setor.

Guilherme Bastos, coordenador da FGV, e Ivo Kanashiro, superintendente de Sustentabilidade da MAPFRE

A discussão sobre financiamento conecta-se diretamente ao avanço da bioeconomia. O pesquisador da FGV Marcelo Behar defendeu a necessidade de aproximar, de forma estratégica, a agenda da COP da agenda da bioeconomia, atribuindo ao setor de seguros um papel central em três frentes. 
 

A primeira é o financiamento da transição, em que a indústria de seguros ajuda a estruturar mecanismos públicos e privados e atua como “amortecedor dos limites planetários”, mantendo riscos dentro do possível. A segunda é a viabilização de soluções de uso da terra no Brasil, especialmente por meio da integração lavoura-pecuária-floresta e de tecnologias agroambientais capazes de reduzir emissões e regenerar áreas. Behar lembrou que, ao contrário do padrão global, as emissões brasileiras vêm majoritariamente do uso da terra, o que torna a segurança ainda mais central na transição.
 

O terceiro eixo apontado por Behar é a saída gradual dos combustíveis fósseis, apoiada por uma coalizão de 80 países, com redirecionamento de subsídios para agricultura sustentável, bioeconomia e soluções biológicas. Ele destacou que iniciativas como o “Bioeconomy Challenge” e o “Tropical Forest Facility” inauguraram um novo ciclo de finanças climáticas. Ainda para Behar, o Brasil colocou a floresta no centro da ação climática, e a indústria de seguros tende a ser “parceira central” na construção da nova economia verde.
 

O papel da agricultura na descarbonização também ganhou destaque na fala de Guilherme Bastos, coordenador da FGV. Ele avaliou que a COP30 evidenciou a modernidade da agricultura tropical brasileira, que há décadas desenvolve práticas de baixo carbono garantidas por pesquisa robusta, especialmente da Embrapa.
 

A criação da AgriZone na conferência foi apontada pelo coordenador da FGV como um marco para mostrar ao mundo que o país já opera com soluções baseadas na natureza e integra academia, setor privado e governo em uma agenda consistente de adaptação e produção sustentável. Bastos ressaltou ainda o Pagamento por Serviços Ambientais como peça estratégica para engajar produtores de todos os portes, sobretudo no combate ao desmatamento legal, garantindo retorno econômico à preservação.
 

Bastos lembrou que a agropecuária recebe apenas 6% do financiamento climático global, apesar de oferecer soluções-chave para a segurança alimentar, energética e para a transição dos fósseis. No Brasil, essa transição ocorre de forma complementar, aprimorada pelo modelo de economia circular do agro. Para o coordenador, é essencial avançar em estatísticas e dados para direcionar seguros, reduzir a lacuna de proteção e alavancar investimentos que consolidem o protagonismo brasileiro na agricultura sustentável.
 

Ao tratar da dimensão industrial da transição, Vitória Santos, gerente de Energia e Indústria do Instituto Clima e Sociedade, afirmou que a COP30 marcou a convergência entre clima, comércio e o papel das regiões com vantagens verdes. Entre as principais entregas, citou a Declaração de Belém, focada na industrialização nos territórios de origem dos recursos; o Fórum Integrado de Mudança do Clima e Comércio, criado para reduzir barreiras comerciais; e a Aliança do Sul Global para Empreendedorismo Climático, voltada para a tecnologia desenvolvida no Sul Global. Essas iniciativas reforçam o conceito de “power shoring”, que utiliza abundância de energia limpa e bioinsumos para transferência de descarbonização industrial.
 


Vitória Santos, gerente de Energia e Indústria do Instituto Clima e Sociedade

Vitória demonstrou que os setores verdes exigem muito capital e enfrentam riscos elevados – tecnológicos, regulatórios e geográficos –, o que torna o setor de seguros crucial para reduzir o risco, baixar o custo de capital e viabilizar a transição em países em desenvolvimento. Na visão dela, quanto mais sofisticados forem os instrumentos de seguro e mitigação de risco, maior será a capacidade de atrair investimentos para projetos industriais verdes em mercados emergentes.
 

O papel da Casa do Seguro

Ivo Kanashiro, superintendente de Sustentabilidade da MAPFRE, destacou que a Casa do Seguro conseguiu materializar o princípio da “responsabilidade comum, porém compartilhada” ao reunir seguradoras, governo, empresas e comunidades para discutir, de forma madura, como o seguro pode apoiar a adaptação climática.
 

Para Kanashiro, o evento consolidou o setor de seguros como ator central na gestão de riscos ligados às mudanças climáticas, ao demonstrar que o engajamento coletivo é condição para resultados concretos. Kanashiro avaliou que o mercado segurador precisava desse momento: depois de anos trabalhando conceitos associados aos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI), a Casa do Seguro apresentou projetos reais e iniciativas práticas, reforçando o caminho construído pela CNseg.
 

Na sua leitura, os avanços apresentados não são pontuais, mas fazem parte de uma jornada contínua de evolução, que deverá ganhar força até a COP31. O encontro ajudou a traduzir narrativas sobre clima, natureza e inclusão em agendas de trabalho com responsabilidades claras para garantias e formulações de soluções.
 

Na perspectiva internacional, Clare Shakya, diretora de Clima da TNC, afirmou que a COP30 representou um avanço importante após anos de baixa ambição, com o Brasil elevando o nível de divulgação e abrindo espaço para maior atuação de atores não estatais, incluindo o setor de seguros. Ela destacou que a agenda construída até Belém cria uma oportunidade clara para avançar em adaptação e na proteção de situações vulneráveis. Clare lembrou o papel decisivo da natureza na estabilização do clima e na redução de impactos, mas alertou que o risco de reversão ainda trava investimentos, o que reforça a necessidade de instrumentos de seguros capazes de dar segurança, quantificar riscos e destravar projetos de clima e natureza – inclusive com soluções como seguros de ativos naturais.
 

Segundo Clare, a escassez de recursos públicos exigirá mais financiamento privado, e o setor segurador é essencial para reduzir riscos e apoiar a infraestrutura verde. Ela concluiu que a COP30 foi marcada por diálogos mais inclusivos e que essa convergência deve continuar para atrair investimentos e elevar a ambição climática. 
 

Encerrando o painel, a moderadora Cláudia Prates, diretora de Sustentabilidade da CNseg, sintetizou o espírito das discussões: o mercado segurador terá papel relevante no processo de transição climática, justamente no momento em que o setor financeiro começa a apoiar projetos privados antes restritos a recursos públicos ou não reembolsáveis. 
 


Claudia Prates encerrou o painel do último dia de atividades da Casa do Seguro

“Trata-se de um novo mercado que precisa ganhar escala – e o seguro está bem posicionado para viabilizar essa expansão, ao mesmo tempo em que mitiga riscos e amplia a resiliência das mais diversas atividades econômicas”, finaliza Cláudia.