Com quase R$ 5 bilhões em indenizações, seguradoras estão mais criteriosas no seguro de crédito

Pedro Ivo Mello advogado seguros

O risco reputacional desencadeado com o caso Americanas, seguido de Lojas Marisa e Tok&Stok, acendeu o farol vermelho dos subscritores, profissionais que calculam o preço do seguro tendo como ponto de partida estatísticas que sinalizam o potencial do risco se concretizar ou não. Quanto mais o cliente dá informações que a probabilidade de o risco acontecer é baixa, menor o preço. Segundo especialistas, a estimativa é que há aproximadamente R$ 5 bilhões em créditos detidos pelos principais fornecedores das grandes redes varejistas e que deverão ser indenizados pelas seguradoras.

“Os grandes fornecedores das varejistas estão só agora testando de fato essa modalidade de seguro. Os valores envolvidos são bastante altos e as seguradoras precisarão fazer os pagamentos de forma célere. Do contrário, o produto não funcionará para o fim a que destina, o que pode impactar gravemente no fluxo financeiro desses fornecedores”, explica o advogado Pedro Ivo Mello, sócio do escritório Raphael Miranda Advogados.

Segundo ele, este é um momento importante para o mercado segurador porque se os fornecedores atestarem que o seguro foi pago corretamente, no médio prazo a tendência é que o produto ganhe a confiança dos fornecedores e a demanda por sua contratação aumente substancialmente.

E isso já está acontecendo, segundo o vice-presidente de riscos corporativos e sinistros da corretora e consultoria Alper, Ilan Kajan. “As seguradoras estão fazendo seus cheques para indenizar os fornecedores da Americanas, o maior case de indenizações já visto no Brasil”, ressalta o corretor. Por outro lado, acrescenta Kajan, a demanda para comprar o seguro de crédito é também a maior já vista no país. “Quem não tinha a cultura de comprar o seguro de crédito, agora percebeu a importância de ter um seguro para proteger as vendas”.

O seguro de crédito protege empresas que produzem e comercializam bens a prazo contra o risco de não pagamento por parte dos compradores, usualmente as grandes redes varejistas. Uma proteção para os credores, caso seus clientes não paguem pela transação comercial.

Para definir o valor de crédito garantido pela apólice, as seguradoras usam bancos de dados próprios e informações públicas sobre a saúde financeira da empresa compradora para autorizar o limite de crédito que está disposta a garantir em favor do fornecedor. A questão é que ainda não tinha ocorrido um caso com as proporções do recente episódio das Americanas.

Como o seguro de crédito ainda é um produto relativamente novo no Brasil, vai passar agora por um momento de teste de credibilidade e adequação dos termos da contratação à realidade das práticas comerciais do mercado varejista. Os fornecedores da Americanas comunicaram sinistros às seguradoras superiores a R$ 2,2 bilhões e os processos de regulação dos sinistros (nos quais as seguradoras analisam se há cobertura e apuram os prejuízos indenizáveis) já se iniciaram.

Mello acredita que a tendência é o seguro de crédito crescer no Brasil, com o setor varejista passando a usufruir mais dessa garantia: “Se o pagamento das indenizações fluir bem, a tendência é que haja um aumento da procura pela contratação dessas apólices. Em contrapartida, as seguradoras passarão a fazer análises mais criteriosas para subscrição dos riscos das varejistas. O mercado segurador precisará entender melhor como funciona a dinâmica desse segmento de mercado e ajustar as apólices a essa realidade, não o contrário”, conclui Mello, cujo escritório já vem atendendo a alguns fornecedores que contrataram tais apólices.

JP Morgan afirma que seguradoras tem baixa exposição em risco de crédito corporativo bancário

Analistas do JP Morgan garantiram que a exposição das seguradoras europeias ao crédito corporativo bancário e aos títulos AT1, instrumentos de dívida perpétua que os bancos usam para aumentar sua base principal de patrimônio, é baixa. O alerta veio depois que o acordo de resgate para o Credit Suisse chocou alguns investidores ao deixar seus títulos sem valor.

O portal Reinsurance News destaca que o JP Morgan observa que a exposição média ao crédito bancário é de cerca de 6% das carteiras de investimento das seguradoras europeias. Além da baixa exposição, os analistas também citam várias outras “válvulas de pressão” que devem ajudar a reduzir o risco para o setor de seguros, já que a volatilidade no sistema bancário persiste.

A maioria das seguradoras, por exemplo, detém uma grande proporção de sua carteira de crédito bancário em produtos de vida nos quais o risco é compartilhado com os segurados.

Citando seguradoras específicas, o JP Morgan diz que esse é o caso da AXA, Generali e Allianz, onde acredita que o compartilhamento do risco com o segurado poderia mitigar as perdas na AT1 em 60% a 90%.

Da mesma forma, as seguradoras de vida do Reino Unido que usam o “ajuste correspondente” podem compensar os rendimentos mais altos dos títulos com uma taxa de desconto mais alta para passivos, diz o JP Morgan. Especificamente, essas seguradoras podem levar em consideração uma grande proporção do spread de crédito na taxa de desconto para passivos, onde o crédito é mantido para ‘combinar’ uma carteira de anuidades ilíquidas de longo prazo, o que mitiga o risco de Solvência II ao ampliar os spreads de crédito corporativo do banco.

Os títulos AT1 e outros investimentos bancários ficaram sob os holofotes nos últimos dias, depois que os preços das ações do banco suíço Credit Suisse despencaram, após a descoberta de “fraqueza material” em sua situação financeira.

Os mercados já estavam nervosos desde o colapso do Silicon Valley Bank na semana anterior e os temores de uma repetição do crash financeiro de 2008 levaram à intervenção do governo e à compra do Credit Suisse pelo UBS em um negócio de US$ 3,2 bilhões.

Mas os detentores de títulos do Credit Suisse AT1 descobriram após a aquisição que suas participações agora não valiam nada, tendo sido anteriormente avaliadas em US$ 17 bilhões.

Os títulos AT1 são convertidos em ações se um banco cair abaixo de uma certo rating ou limite de capital e são projetados para limitar a exposição do contribuinte no caso de um colapso bancário e resgate subsequente.

Mas enquanto o Credit Suisse foi salvo por enquanto pela aquisição do UBS, os reguladores suíços decidiram deixar os credores fora do acordo de resgate, eliminando efetivamente o valor de quaisquer títulos AT1.

O movimento surpresa provavelmente adicionará mais volatilidade ao ambiente bancário nos próximos dias, já que o preço de outros títulos AT1 provavelmente cairá, mas pelo menos para as seguradoras o perigo parece ser mínimo, de acordo com o JP Morgan.

Olhando para a exposição divulgada por resseguradoras específicas, os analistas observam que para a Munich Re apenas 2% de sua carteira de crédito bancário é inadimplente, enquanto a L&G tem apenas £ 1 milhão investido no banco tier 1. Da mesma forma, a Zurich informou ao JP Morgan que “não tem apetite para AT1”.

Vendas da HDI Global avançam 17,9% em 2022

A HDI Global registrou alta de 17,9% na receita de prêmios em 2022, para 8,9 bilhões de euros (7,6 bilhões em 2021). O lucro operacional da HDI Global subiu para 252 milhões de euros (196 milhões em 2021) no exercício financeiro. A divisão contribuiu com 177 milhões de euros (143 milhões em 2021) para o lucro líquido do Grupo Talanx.

As principais áreas de crescimento foram seguros de bens e responsabilidades (Property & Casualty – P&C) e linhas especiais. O crescimento foi impulsionado tanto por novos negócios quanto por reajustes tarifários, em parte como resultado da inflação.

A HDI Global Specialty continuou seu desenvolvimento bem-sucedido, aumentando a receita de prêmios em 660 milhões de euros ano a ano, para 3,1 bilhões de euros. As Linhas Comerciais aumentaram 693 milhões de euros.

“A HDI Global aproveitou os mercados difíceis em todo o mundo e cresceu lucrativamente. Desde 2018, quase dobramos nossos prêmios brutos emitidos. Para sua ascensão em 2022, tanto as linhas comerciais quanto as linhas especializadas contribuíram quase igualmente. Nosso crescimento resulta de novos negócios, bem como de mudanças de ritmo nos negócios existentes, o que destaca o fortalecimento da qualidade de nosso portfólio”, comentou Edgar Puls, CEO da HDI Global, em nota.

Uma queda nas perdas de frequência reduziu o índice combinado da seguradora industrial para 95,7% (98,7%), em linha com a estratégia, apesar de um aumento no total de grandes perdas e efeitos da inflação. Como resultado, a HDI Global quase atingiu sua meta de médio prazo de 95% bem antes do previsto. Isso reflete os efeitos positivos das medidas tomadas para aumentar a lucratividade desde 2019.

“Com um índice combinado de 95,7%, quase atingimos nossa meta estratégica de um índice combinado de 95% dois anos antes do planejado. Embora tenhamos excedido nosso grande orçamento de perdas para 2022 devido a catástrofes naturais e perdas causadas pelo homem, ainda assim melhoramos nosso índice combinado em três pontos percentuais em comparação com 2021. Conseguimos isso com um forte resultado de subscrição e menor índice de perdas resultante de um portfólio bem-sucedido medidas e novos negócios lucrativos”, afirma Puls.

Indenizações de grandes perdas devido a desastres naturais como o furacão “Ian”, o furacão “Fiona” e as inundações na Austrália afetaram os negócios em 270 milhões de euros. Além disso, as reservas para perdas em relação à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia totalizaram 36 milhões de euros. Com um valor ligeiramente inferior a 17 milhões de euros, o baixo nível de perdas sofridas pela Tempestade de Inverno “Elliot” no quarto trimestre reflete a rigorosa reestruturação do portefólio imobiliário

Em 2023, a HDI Global tem a ambição de continuar o caminho do crescimento lucrativo e melhorar ainda mais o índice combinado. Como em 2022, haverá desafios ao longo do caminho. “A inflação global, a guerra na Ucrânia, as consequências da pandemia e os desastres naturais continuarão a testar a economia global este ano. As empresas estão cada vez mais reconhecendo a importância da prevenção e identificando seus riscos em um estágio inicial, o que é a base para a continuidade da tendência de crescimento dos últimos anos”, afirma Edgar Puls.

Veículos que analisam até a feição do motorista no volante aumentam nas empresas

As empresas que terceirizam frotas de veículos querem saber, não apenas a localização, mas o modo de condução dos motoristas, desde a freada até a aceleração e, recentemente, se o motorista está com a feição cansada no volante. Ao sinal de fadiga, há a sinalização para o motorista parar. 

Dados divulgados em fevereiro passado pela consultoria Berg Insight, com sede na Suécia, apontam o crescimento médio anual em torno de 17% de veículos com dispositivos telemáticos nas empresas com frotas terceirizadas em países da Europa e nos Estados Unidos até 2026. No Brasil, o percentual continuará crescendo por, no mínimo, os próximos 10 anos. 

A expectativa promissora de aumento dos dispositivos telemáticos deve-se, basicamente, a 3 fatores. Primeiramente, o Brasil tem maior número de transporte que passam por ruas e rodovias. O segundo motivo é o baixo percentual, entre 20% e 25% da frota de veículos terceirizados nas empresas no Brasil.

A tendência das companhias, em todos os setores, é eliminar o ativo veículo de seu “core business” e aproveitar a compensação fiscal existente com a terceirização da frota.  A terceirização de frotas por empresas na Europa e Estados Unidos já alcança a fatia de 50% a 70%. 

O terceiro motivo, que estimula empresas nacionais a acompanharem o jeito do motorista dirigir, é a prática ESG (Environmental, Social and Governance). A avaliação do modo de dirigir sinaliza que a corporação trabalha em prol de objetivos sociais, com medidas de segurança ao motorista.

Com expertise em acompanhar o comportamento do motorista no volante, por meio do seguro auto Pay Per Use, a empresa de seguro Thinkseg avalia que o crescimento da telemática nos veículos particulares também ganhará a adesão de mais motoristas e seguradoras que buscam a direção segura. Para o CEO da Thinkseg, Andre Gregori, a avaliação positiva no volante só traz benefícios para pessoas  e seguradoras, com possibilidade de diferentes modos de premiação ao longo de tempo. 

Fonte: Berger Insight

MetLife e Fundo Baobá comemoram resultados da parceria de dois anos 

Se tem um momento maravilhoso do trabalho é ver o retorno que ele traz. E a MetLife colheu os frutos de uma parceria pra lá de sustentável. Com o aporte de R$ 1 milhão da MetLife Foundation, o projeto beneficiou 31 jovens entre 18 e 27 anos da cidade de São Paulo e região metropolitana.

Em 2021, a seguradora se juntou ao Baobá – Fundo para Equidade Racial, com o objetivo de auxiliar jovens negros a entrarem e permanecerem na universidade, oferecendo não só bolsas de estudo em cursinho preparatório para o vestibular, como também apoio psicológico individual (sob demanda), mentorias individuais e coletivas com a metodologia Abayomi Black Coach, pacote de dados móveis para acesso à internet, vale transporte, vale refeição e um computador.

Sim, tudo isso. Confiram os frutos: Dos 31 jovens participantes, 21 estão cursando uma faculdade sendo que dez estão em universidades públicas, sendo cinco na USP (Universidade de São Paulo), três na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), um na UNESP (Universidade Estadual Paulista) e um na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Os outros 10 que prestaram ENEM ou fizeram a prova universal, seguem no aguardo da tão sonhada oportunidade via SISU ou PROUNI.

Outros dados interessantes: 93,54% de adesão às mentorias coletivas e individuais;  61,29% de adesão aos cuidados individualizados com a saúde mental; 65% de estudantes com 75% e mais de frequência nas aulas preparatórias para o vestibular; 80% de estudantes que declararam a ampliação de algumas habilidades socioemocionais tais como autogestão, autoaprendizagem, gestão do tempo e inteligência emocional; 34,78 % de aprovação em vestibulares. 

“Ao patrocinar o Programa Já É, entendemos que chegamos mais perto de ajudar na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Além do aporte financeiro, poder oferecer mentorias para esses jovens é algo que irá transformar a forma como eles enxergam o mundo e estamos muito animados”, comenta Thais Catucci, gerente de comunicação interna, responsabilidade social e sustentabilidade da MetLife Brasil.

Além de auxiliar na chegada à universidade, o Programa também propiciou aos jovens participarem de atividades voltadas para a ampliação das habilidades socioemocionais e vocacionais, incluindo programa de mentoria individual, que teve a participação de 30 colaboradores da MetLife Brasil. Os encontros aconteceram de forma virtual, durante o segundo semestre de 2022, e no último dia 27 de fevereiro, jovens, mentoras e mentores tiveram a oportunidade de se conhecer pessoalmente, em um encontro de encerramento do projeto, realizado na sede da MetLife, em São Paulo.

O Fundo Baobá, conta a MetLife, formulou esse edital para enfrentar o racismo, promovendo justiça e equidade racial para a população negra. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apenas 25,2% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos cursam ou concluem a faculdade, mas quando os dados são desagregados por raça/cor fica ainda mais evidente a desigualdade: o percentual de jovens brancos que frequentam ou concluem o ensino superior (36,1%) é praticamente o dobro do percentual de jovens pretos ou pardos (18,3%) na faixa de 18 a 24 anos. Entre os motivos dessa desigualdade está o fato de que o jovem negro é muitas vezes obrigado a interromper precocemente os estudos para ingressar no mercado de trabalho.

“A mudança de perspectiva que vai se desenhando para o futuro desses jovens e de suas famílias, pensando tanto no campo social, cultural, político ou econômico, constitui-se em um marco em suas vidas e um estímulo que lhes aproxima da aprovação nos vestibulares e das oportunidades de mobilidade social, uma vez que, para a maioria da população negra a mobilidade é resultante do acesso ao ensino superior. A forma de estar no mundo, ler os cenários à sua volta e intervir; a possibilidade de inclusão no mercado de trabalho em posições de melhor qualificação e remuneração, tudo isso se torna menos distante com políticas que ampliam o acesso e a permanência de jovens nas universidades”, destaca Fernanda Lopes, diretora de Programa do Fundo Baobá.

Entre os temas mais frequentes nas mentorias individuais, destacaram-se: vida profissional, vestibular, carreira e questões pessoais (família, propósito de vida, rotina, hobbies, inseguranças etc), mas também apareceram: mercado de trabalho, LinkedIn/currículo, Enem, SISU, Prouni e FIES, vida acadêmica e estágios.

Isabela Alcantara e Maurício Almeida, mentor voluntário da área de previdência da MetLife          

“O programa me ensinou a criar responsabilidade comigo mesma e com os estudos. Foi um ambiente onde eu também tive muito apoio emocional, durante para enfrentar os desafios e conquistar meus sonhos. O programa me abriu portas e me ajudou a passar no curso de Psicologia na Unesp”, comentou uma das mentoras, Isabela Alcantara.

Mulher de cabelo curto sorrindoDescrição gerada automaticamenteRegina Henrique, mentora voluntária, da área dental da seguradora, cita que vibrou ao receber a proposta para participar do projeto. “Eu me imaginei na situação desses jovens. Se eu tivesse tido uma oportunidade como essa, eu teria trilhado caminhos mais fáceis para chegar até aqui. Eu estou super feliz de ter participado e eu quis mostrar para a Barbara, a minha mentorada, que ela reconhece os seus talentos e potências e encorajá-la a ir muito além.” 

Por mais projetos como este!

Lucro líquido das seguradoras sobe 154%, para R$ 2,6 bi, na comparação com janeiro de 2022

estatísticas seguros IRB

Fonte: IRB

O setor de seguros começou 2023 com faturamento em alta. No primeiro mês do ano, os prêmios emitidos alcançaram R$ 14,9 bilhões, crescimento de 18,3% na comparação com igual período de 2022. De acordo com o 29ª edição do Boletim IRB+Mercado, todos os segmentos tiveram alta no faturamento, com destaque para Automóvel (29,2%) e Rural (27,2%).

A sinistralidade geral registrou queda de 24,3 pontos percentuais (p.p.) na comparação anual, fechando em 45,1%. Já o lucro líquido das seguradoras apresentou alta de 154% na comparação com janeiro de 2022: R$ 2,6 bilhões.

Em janeiro, Vida registrou faturamento de R$ 4,7 bilhões, alta de 15,5%. Os produtos Vida e Prestamista, que juntos representam cerca de 76% da linha, evoluíram 12% e 23,7%, respectivamente. Já a sinistralidade fechou em 30%,1,3 p.p. menor que janeiro de 2022. Automóvel teve arrecadação de R$ 4,4 bilhões, alta de 29,2% na base anual. O resultado ainda reflete o aumento nos preços das apólices do segmento. Já a sinistralidade recuou 11,4 p.p em relação a janeiro do ano passado.

Danos e Responsabilidades faturou R$ 3 bilhões em janeiro, crescimento de 7,8% em relação a igual período de 2022. A linha Responsabilidades foi a maior propulsora da alta (+41,6%). A sinistralidade do segmento caiu de 37,9% em janeiro de 2022 para 34,9% no primeiro mês de 2023. Individuais contra Danos reverteu a queda registrada em janeiro do ano passado e fechou o primeiro mês do ano com faturamento de R$ 1,2 bilhão, alta de 18,4%. A sinistralidade no início do ano, por sua vez, foi de 38,6%, 1,1 p.p. acima da registrada em janeiro de 2022.

Rural avançou, em janeiro, 27,2%, no comparativo com o mesmo mês em 2022, ao arrecadar R$ 1,2 bilhão, sendo a segunda maior alta. A sinistralidade alcançou 37%, bem abaixo do registrado em janeiro de 2022 (342,8%) e em patamar semelhante à taxa do primeiro mês de 2021 (37,5%). Crédito e Garantia arrecadou R$ 435 milhões em janeiro, variação positiva de 7,2%, em relação à igual período de 2022. Quanto à sinistralidade, o segmento registrou o maior indicador para um mês de janeiro desde o início da série, em 2014: 113,3%.

Fitch afirma que a RJ da Americanas pode impactar ganho do seguro garantia

O segmento de seguro garantia apresenta níveis adequados de capitalização, afirma a Fitch Ratings em seu novo relatório. Em 2022, os prêmios emitidos em relação ao patrimônio apresentaram leve melhora e representaram 2,8 vezes o patrimônio das dez principais operadoras. O indicador era de 3,5 vezes no ano anterior. Já o volume do patrimônio em relação ao total de ativos do mesmo grupo foi de 16,3%, e o índice de alavancagem bruta (prêmio emitido + provisões técnicas/capital), de 7,1 vezes.

Segundo os autores, Alexandre Chang e Miguel Martinez, os índices de lucratividade do mercado de seguro-garantia decorrem da baixa sinistralidade do segmento, que em 2022 foi de 19% para o mercado e de 14% para as dez maiores. A média dos índices de retorno sobre capital e sobre ativos das dez maiores seguradoras foi de 14,7% e 2,5%, respectivamente.

Eles ressaltam que a recuperação judicial da varejista Americanas também pode trazer implicações à rentabilidade de garantias judiciais e financeiras, e a Fitch continuará acompanhando suas implicações no segmento de seguros.

Ao final de dezembro de 2022, as carteiras de investimento dos dez maiores participantes do segmento permaneciam com presença significativa de títulos de renda fixa públicos e privados — 92,8%. Tal composição vem experimentando maiores retornos nos últimos meses, devido à maior pressão inflacionária e aos consecutivos aumentos das taxas de juros, que devem continuar beneficiando o resultado dos investimantos. O resultado financeiro em relação ao prêmio ganho líquido das dez maiores do segmento foi de 32% em 2022 e 17% em 2021.

O seguro garantia é uma solução para empresas públicas e privadas que precisam garantir o cumprimento de obrigações contratuais. A apólice garante que, em caso de quebra do contrato por parte do tomador, o segurado será ressarcido de eventuais prejuízos.

Em 2022, os prêmios emitidos no setor cresceram 17%, após leve queda (-2%) em 2021, mas sua representatividade no mercado brasileiro de seguros continua pequena (2%). A concentração é relevante — em dezembro de 2022, as dez maiores seguradoras, de um total de 39, emitiram 71% dos prêmios de garantias públicas ou privadas.

América Latina segue na mira dos resseguradores, afirma estudo da Aon

A América Latina continua a apresentar aos resseguradores uma série de oportunidades de diversificação e crescimento, informa relatório da Aon. Seguro o estudo, os resultados da renovação na América Latina variaram por território em 1º de janeiro, com muitos mercados expostos a catástrofes e perdas experimentando aumentos de preços e restrições de capacidade.

As taxas de resseguro para catástrofes de seguros de bens e responsabilidades (Property & Casualty – P&C) aumentaram em várias regiões expostas a furacões, principalmente no Caribe, onde a capacidade era mais limitada. Os aumentos de preços de catástrofes na América Latina ficaram na casa dos dois dígitos, com variação considerável entre os mercados.

Enquanto isso, resseguro para agronegócio no Brasil experimentou alguns dos maiores aumentos de preços da região e reduções de limite nas apólices em resposta a grandes perdas por seca.Além disso, a renovação se beneficiou do trabalho contínuo para diferenciar os clientes latino-americanos e atrair capacidade de resseguro para a região.

“Fora da agricultura, os resultados da catástrofe na América Latina foram bastante positivos, enquanto vários mercados domésticos continuam a demonstrar crescimento subjacente. A capacidade, porém, não está acompanhando o aumento da demanda por resseguros, embora a desvalorização da moeda local frente ao dólar norte-americano tenha funcionado a favor do mercado nessa renovação”, comentam os autores.

Para eles, “quando a poeira baixar na renovação, estamos otimistas de que o capital começará a entrar no espaço de resseguro ao longo de 2023 e estabilizará o mercado, principalmente porque o benefício de preços e taxas de juros mais altos se torna visível nos ganhos.

“Para as seguradoras, a otimização de capital e resseguro é mais importante do que nunca, especialmente em um momento de exposições crescentes, capacidade limitada de resseguro e incerteza macroeconômica. No entanto, os clientes têm várias alavancas à sua disposição, incluindo posicionamentos integrados em propriedades e acidentes, soluções de resseguro herdadas e estruturadas, consultoria estratégica e análise de dados.”

A conclusão do estudo afirma que “todos estão trabalhando duro para criar capacidade adicional e garantir que as resseguradoras possam oferecer o máximo suporte aos nossos clientes na América Latina”.

Swiss Re, Guy Carpenter e ICEYE oferecem seguro paramétrico contra enchentes em Nova York

Fonte: Artemis

Eis aqui um exemplo do que o governo federal, estadual e municipal no Brasil podem fazer para mitigar os riscos e as perdas com enchentes e inundações. A seguradora Swiss Re Corporate Solutions, a corretora Guy Carpenter e a insurtech ICEYE estão empenhados em fornecer um esquema piloto paramétrico de seguro contra enchentes comunitários para os bairros da cidade de Nova York.

O projeto é liderado pela pesquisadora Carolyn Kousky, vice-presidente associada de economia e política do Fundo de Defesa Ambiental e do CNYCN. A CNYCN comprou o seguro paramétrico para financiar o pagamento de subsídios de emergência para famílias de Nova York que precisam de assistência após um desastre de inundação.

O gatilho paramétrico usa uma mistura de dados de satélite, sensores em tempo real no solo e imagens de mídia social, todos compilados pela insurtech ICEYE. Com essas observações, a extensão de um evento de inundação pode ser determinada em poucos dias e, assim, os fundos são liberados rapidamente para ajudar as comunidades mais afetadas com necessidades urgentes pós-desastre.

As famílias qualificadas receberiam um subsídio de até US$ 15 mil da CNYCN após uma grande inundação, com um portal de aplicativos aberto após um evento de inundação acionar os parâmetros para a cobertura do seguro. Se ocorrer uma inundação, a seguradora Swiss Re Corporate Solutions e a ICEYE determinarão a porcentagem de cada bairro segurado que caia na área inundada.

A Swiss Re Corporate Solutions emitirá um pagamento para a CNYCN para que ela possa distribuir fundos para famílias individuais qualificadas. Há alguma complexidade nesse gatilho, na forma como ele utiliza várias fontes de dados para determinar se um evento de inundação se qualifica para um acionamento e pagamento de seguro.

À medida que a tecnologia avança, gatilhos paramétricos mais complexos tornam-se viáveis ​​e confiáveis ​​o suficiente para dar suporte a produtos de seguros, permitindo a entrega de cobertura com risco de base reduzido e maior certeza de que os pagamentos serão feitos exatamente no momento em que são necessários.

“Inundações extremas e desastres naturais geralmente afetam mais as comunidades tradicionalmente marginalizadas, já que elas têm pouca ou nenhuma economia e geralmente são negados empréstimos pós-desastre, enquanto o financiamento federal é normalmente insuficiente ou extremamente atrasado”, disse Christie Peale, CEO e Diretora Executiva da o Center for NYC Neighborhoods. “Este programa inovador estimulará uma mudança real ao fornecer acesso imediato a fundos que ajudam a construir a recuperação.”

“Estou orgulhoso da forte parceria e inovação ousada que levaram a este piloto criativo, que ajudará as comunidades da linha de frente”, disse Kizzy Charles-Guzmán, diretor executivo do Gabinete de Clima e Justiça Ambiental do prefeito. “Como nossa cidade enfrenta um risco crescente de inundações devido a fortes chuvas e tempestades costeiras, precisamos de ferramentas ágeis destinadas a proteger a saúde financeira e o sustento dos nova-iorquinos.”

“A pesquisa descobriu que as famílias e comunidades de baixa renda sofrem desproporcionalmente com os desastres e se recuperam menos rapidamente. Este projeto-piloto foi projetado para disponibilizar recursos financeiros imediatamente e evitar que as famílias entrem em dificuldades financeiras ainda piores”, disse Carolyn Kousky, vice-presidente associada de economia e política do Fundo de Defesa Ambiental.

“Desastres de inundação não apenas têm um efeito imediato nas comunidades, mas seus impactos podem ser sentidos muito tempo depois que as águas da enchente baixaram. Este projeto específico, liderado inicialmente pela Universidade da Pensilvânia e agora pelo Fundo de Defesa Ambiental, é uma abordagem comunitária inovadora para responder a desastres de inundação, melhorando a resiliência financeira. Por meio do protótipo na cidade de Nova York, a equipe está garantindo que as necessidades imediatas de desastres das famílias de baixa renda possam ser atendidas. Somos gratos pela parceria com o Gabinete de Clima e Justiça Ambiental do Prefeito de Nova York, o Centro para Bairros de Nova York e outros parceiros técnicos”, disse David Corman, Diretor do Programa da National Science Foundation.

“Com a crescente frequência e gravidade do clima adverso que afeta as comunidades, é crucial que tomemos medidas para proteger os mais vulneráveis”, disse Jake Clark, chefe do setor público da América do Norte da Guy Carpenter. “Guy Carpenter tem a honra de fazer parte dessa importante solução e encorajamos outras comunidades a usar essas abordagens como um componente do gerenciamento de riscos de desastres”.

Seguradoras registram alta de 19,6% nas vendas em janeiro, para R$ 31,1 bilhões

A arrecadação do setor supervisionado no mês de janeiro de 2023 foi de R$ 31,15 bilhões, o que representa crescimento de 19,6% em relação ao mesmo mês de 2022. Quanto às indenizações e resgates, o setor retornou à sociedade cerca de R$ 20 bilhões no mês de janeiro de 2023, informa a Susep (Superintendência de Seguros Privados), em nota.

O superintendente interino da Susep Carlos Queiroz, comentou o resultado com otimismo. “É bastante satisfatório observar que, mesmo depois de um crescimento robusto no ano de 2022, o setor iniciou o ano em alta. Assim, verificamos que as iniciativas regulatórias, que objetivam apoiar o desenvolvimento do mercado e a proteção da sociedade, unidas à capacidade das supervisionadas, têm surtido resultados muito positivos”, afirmou.

Segundo a edição de janeiro, nos seguros de pessoas, o seguro de vida continua com destaque, tendo alcançado o montante de R$ 2,23 bilhões em acumulação de prêmios no mês de janeiro. O valor corresponde a um crescimento de 16% em relação ao mesmo mês de 2022. No mês de janeiro, os seguros de pessoas devolveram à sociedade aproximadamente R$ 1,10 bilhão, por meio de indenizações.

Os seguros de danos continuam apresentando bom desempenho. A arrecadação de prêmios no seguro auto atingiu R$ 4,39 bilhões em janeiro de 2023, valor 28,7% superior ao do mesmo mês de 2022. Quanto às indenizações no segmento de seguros de danos, houve um retorno à sociedade no mês de janeiro de 2023, por meio do pagamento de indenizações, de pouco mais de R$ 5 bilhões.

Destaques de crescimento em 2022, seguro viagem e microsseguros mantiveram crescimento robusto em janeiro de 2023, com altas de, respectivamente, 47,9% e 88,6%, no comparativo com janeiro de 2022. 

Nos produtos de previdência, a receita de contribuições em janeiro de 2023 ficou 8,7% acima da receita registrada no mesmo mês de 2022.