Painel discute impactos da Lei do Contrato de Seguro nos seguros de danos e responsabilidade civil

A implementação da Lei do Contrato de Seguro (LCS – Lei nº 15.040/2024) e seus impactos sobre os seguros de danos e responsabilidade civil estiveram no centro dos debates do 6º Painel do XVIII Congresso Brasileiro de Direito de Seguro e Previdência da Associação Internacional de Direito do Seguro (AIDA), que reuniu especialistas do meio jurídico e atuarial para analisar os desafios interpretativos e operacionais trazidos pelo novo marco legal.
 

O painel contou com a participação de Danilo Brum, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e advogado; Glauce Carvalhal, diretora jurídica da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg); e Raquel Marimon, diretora de Relações Institucionais do Instituto Brasileiro de Atuária (IBA). A mediação ficou a cargo de Ana Rita Petraroli, conselheira da AIDA, e Mariana Menescal, presidente do GNT de Responsabilidade Civil da AIDA.
 

Logo na abertura de sua exposição, Glauce Carvalhal destacou a necessidade de analisar a nova legislação à luz do funcionamento econômico do seguro e dos desafios concretos enfrentados pelo setor. Um dos pontos ressaltados foi o impacto das fraudes no sistema securitário brasileiro. Segundo a executiva, as fraudes, desconsiderando a Saúde Suplementar, já geram prejuízos superiores a R$ 3 bilhões ao setor, o que exige atenção redobrada na interpretação das novas regras.
 

Para ela, a aplicação da Lei nº 15.040 deve buscar equilíbrio entre transparência, segurança jurídica e sustentabilidade do mercado. “A fraude infelizmente é uma realidade do setor e não pode ser ignorada. Precisamos garantir transparência e proteção ao consumidor, mas também preservar a mutualidade que sustenta o sistema de seguros”, afirmou.
 

A diretora Jurídica da CNseg ressaltou que o setor vem passando por uma transformação tecnológica relevante, com investimentos crescentes em inovação e uso de inteligência artificial para melhorar a experiência do cliente e reduzir o tempo de resposta nos processos de atendimento e regulação de sinistros.
 

Sob a perspectiva atuarial, Raquel Marimon destacou que a nova lei traz maior clareza sobre a estrutura do risco nos contratos de seguro, estabelecendo marcos mais definidos para a identificação do fato gerador, da manifestação do dano e da atribuição da responsabilidade. Esses elementos, segundo ela, tendem a influenciar diretamente o desenvolvimento de produtos e a precificação de riscos.
 

“A nova lei reconhece de forma mais explícita a dinâmica do risco no contrato de seguro e cria condições para que os produtos sejam desenhados com maior precisão técnica”, afirmou. Para a especialista, essa mudança amplia o papel dos atuários no processo de estruturação das coberturas e na estimativa das reservas técnicas necessárias para garantir o equilíbrio econômico das operações.

Já o professor Danilo Brum trouxe ao debate uma reflexão sobre os impactos da nova legislação na interpretação jurídica dos contratos de seguro. Segundo ele, o marco legal contribui para consolidar uma visão mais funcional do contrato, deslocando o foco de uma análise estritamente formal das cláusulas para a compreensão do risco efetivamente assumido pelas partes.
 

Brum destacou que contratos de seguro são estruturados em um ambiente marcado pela assimetria de informações, no qual seguradores e segurados possuem níveis diferentes de conhecimento sobre o risco. Por essa razão, mesmo contratos detalhados não conseguem prever todas as situações possíveis.
 

“A nova lei reforça a necessidade de interpretar o contrato à luz da sua função econômica e social. Isso exige que o direito dialogue cada vez mais com áreas como economia, estatística e atuária para compreender qual foi, de fato, o risco assumido”, explicou.
 

Ao longo do painel, os especialistas também abordaram temas como a recusa de cobertura, a necessidade de fundamentação nas negativas de sinistro, o compartilhamento de documentos durante a regulação e as regras relacionadas à ação direta contra seguradoras em contratos de responsabilidade civil.
 

Em comum, os participantes acreditam que a Lei do Contrato de Seguro representa um avanço institucional ao consolidar regras que antes estavam dispersas entre legislação, normas regulatórias e jurisprudência. Ao mesmo tempo, a adaptação ao novo marco exigirá um processo gradual de ajuste por parte de seguradoras, operadores do direito, reguladores e do próprio Poder Judiciário.
 

Ao encerrar o debate, o consenso entre os painelistas: mais do que uma mudança normativa, a nova lei inaugura uma nova etapa na evolução do mercado segurador brasileiro, baseada em maior transparência, sofisticação técnica e equilíbrio entre proteção ao consumidor e sustentabilidade do sistema.

O futuro do seguro não é pagar sinistro. É gerir longevidade

Nuno David, da Syntropia_

Por Nuno David, sócio da Syntropia e especialista em seguro de vida e previdência

Durante mais de um século, o seguro foi estruturado em torno de uma função central: pagar quando algo dá errado. O modelo tradicional é conhecido: ocorre um evento adverso, o segurado sofre a consequência e a seguradora indeniza. Essa lógica funcionou bem em um contexto no qual o risco era menos previsível, a prevenção profunda era limitada, a intervenção era essencialmente reativa e o papel do seguro era sobretudo compensatório. O problema é que o mundo mudou — e esse modelo começa a revelar suas limitações estruturais.

Hoje, o risco já não pode ser compreendido apenas como um evento isolado. Ele é, cada vez mais, uma trajetória. A lógica tradicional do seguro encara o risco como algo episódico: ou ocorre o infarto, ou o câncer, ou o óbito, ou a invalidez. Mas o que a genética, a medicina de precisão e os dados longitudinais mostram é algo muito diferente: o risco não surge de forma repentina, ele se constrói ao longo da vida. Essa construção acontece lentamente, a partir da predisposição biológica, do comportamento, do ambiente em que a pessoa vive, do acesso — ou da falta dele — à prevenção, e também do acompanhamento, ou da ausência dele, ao longo do tempo.

Quando se compreende essa mudança, a lógica do seguro também precisa mudar. Pagar sinistro, em muitos casos, significa atuar tarde demais. No modelo tradicional, o seguro entra em cena quando o dano já aconteceu, a doença já está instalada, a capacidade produtiva já foi comprometida e o impacto financeiro já se materializou. Do ponto de vista humano, social e econômico, isso é ineficiente. Em um modelo moderno de proteção, a lógica deveria ser inversa: reduzir a probabilidade de ocorrência do dano, prolongar a saúde funcional, preservar a capacidade produtiva, diminuir a necessidade de sinistros graves e gerir o risco ao longo do tempo.

Isso não elimina a importância da função indenizatória do seguro. Ela continua sendo essencial. Mas o centro de gravidade do setor se desloca. O seguro deixa de ser apenas um pagador de eventos adversos e passa a atuar como gestor da trajetória de vida. Em um modelo alinhado à realidade do século XXI, o seguro precisa assumir novos papéis centrais: incentivar a prevenção eficaz, financiar o acompanhamento contínuo da saúde, integrar dados para compreender o risco ao longo da vida, estimular comportamentos que reduzam o risco real e estruturar produtos que protejam não apenas contra a morte, mas também contra uma longevidade mal financiada. Em outras palavras, passa a atuar como uma plataforma de proteção da trajetória de vida.

Essa é uma mudança profunda de identidade institucional. O seguro deixa de ser apenas um mecanismo financeiro reativo e passa a se posicionar como agente ativo na arquitetura social da longevidade. E isso muda tudo: produtos, regulação e modelos de negócio. Se aceitarmos seriamente essa mudança de paradigma, várias consequências tornam-se inevitáveis. Os produtos deixam de ser estáticos para se tornarem mais dinâmicos. Os contratos deixam de ser algo que o cliente assina e esquece. A prevenção deixa de ser apenas um argumento de marketing e passa a ser componente estrutural do modelo. Vida, saúde e previdência deixam de funcionar como silos apartados. O relacionamento com o cliente deixa de ser episódico e passa a ser contínuo. E o valor gerado deixa de ser apenas financeiro, tornando-se também social.

Não se trata de uma inovação incremental, mas de uma mudança de arquitetura. Ainda assim, grande parte do setor continua presa à identidade antiga, guiada por métricas como prêmios emitidos, sinistralidade, loss ratio, combined ratio e crescimento de carteira. Tudo isso continua relevante, mas já não é suficiente para orientar um setor cujo objeto está mudando. A pergunta estratégica passa a ser outra: estamos contribuindo para que as pessoas vivam mais tempo com segurança financeira e proteção real ou estamos apenas operando com eficiência um modelo que perde aderência à realidade?

Em todas as grandes transformações setoriais, surgem sempre dois grupos: os que defendem o modelo antigo até o limite e os que compreendem a mudança e redesenham o setor no tempo certo. Foi assim na banca com a digitalização, na mídia com a internet e no varejo com o e-commerce. No seguro, a transformação em curso pode ser mais lenta, mas tende a ser ainda mais profunda, porque não é apenas tecnológica — é ontológica, já que altera o próprio objeto do setor. Quem compreender cedo que o futuro do seguro está na gestão da longevidade, e não apenas no pagamento de sinistros, estará mais bem posicionado para ocupar um lugar de liderança estrutural.

No fim, a pergunta é desconfortável, mas necessária: o setor quer continuar a ser visto como uma indústria que paga quando algo corre mal ou como uma indústria que ajuda a estruturar vidas mais longas, mais seguras e mais sustentáveis? A resposta a essa pergunta moldará não apenas o futuro do mercado, mas também a legitimidade social do setor nas próximas décadas.

Vanesa Bustamante assume como vice-presidente de Tecnologia do Grupo HDI

O Grupo HDI anuncia Vanesa Bustamante como vice-presidente de Tecnologia. A movimentação reforça a estratégia da companhia de ampliar a eficiência operacional e aprimorar a jornada de clientes e parceiros no mercado de seguros.

Com trajetória sólida na organização, Vanesa atuava como diretora de Tecnologia, posição em que conduziu uma evolução estrutural da área, reforçando a TI como parceira estratégica do negócio. Sob sua liderança, a área ampliou sua relevância, assumindo papel central na execução de iniciativas prioritárias e na entrega de resultados para a companhia.

Entre os principais marcos desse período está o projeto Salesforce Unificado, que contribuiu para que o Grupo HDI fosse reconhecido entre as 100 empresas mais inovadoras no uso de TI pelo IT Forum. A iniciativa simboliza a tecnologia como habilitadora de crescimento sustentável e diferencial competitivo, deixando de ocupar uma função de suporte para atuar como alavanca estratégica da operação.

A executiva se destaca por sua visão estratégica, excelência técnica e capacidade de articulação, promovendo uma atuação colaborativa, alinhada à cultura do Grupo HDI e orientada a resultados. Sua liderança é pautada pelo desenvolvimento de pessoas, inovação e entrega consistente de valor para o ecossistema da companhia.

“Assumir esse cargo é uma grande responsabilidade e uma enorme motivação. O nosso tempo é o recurso mais valioso que temos — e o único que não se recupera —, por isso precisamos investir no que realmente faz sentido. Liderar essa agenda, ao lado de pessoas tão comprometidas e com um propósito claro de evolução do nosso negócio, é algo que vale muito a pena. Meu compromisso é seguir fortalecendo a TI como motor estratégico de crescimento, inovação e excelência para nossos clientes e parceiros”, afirma Vanesa.

Darwin Seguros reforça liderança executiva para expansão em Ramos Corporativos

Após captar R$ 102 milhões em uma rodada estratégica de investimentos e nomear Edson Toguchi como CEO da Unidade de Seguros, em fevereiro, a Darwin Seguros anuncia mais três executivos de mercado para compor sua liderança: João Duarte, Samantha Sampaio e Anderson Conceição. O movimento consolida o plano de expansão da seguradora digital, que inicia sua entrada oficial no segmento de Ramos Corporativos.

A companhia, reconhecida por sua operação em Seguro Auto fundamentada em ciência de dados e baixa fricção para o corretor, projeta levar essa eficiência operacional ao mercado corporativo, setor que tradicionalmente lida com processos analógicos e estruturas complexas. 

Para liderar essa transição, João Duarte assume a diretoria de Tecnologia e Operações, áreas que passam a atuar de forma integrada. O objetivo é garantir que o desenvolvimento tecnológico responda diretamente às demandas do dia a dia de parceiros e corretores. “Unir Tecnologia e Operações permite que a agilidade do varejo se torne o padrão também para riscos corporativos. Queremos simplificar processos que historicamente são burocráticos”, afirma Duarte.

Samantha Sampaio, executiva com duas décadas de trajetória no setor, assume as seguintes áreas: Marketing, Digital e Estratégia Comercial. Sua missão será fortalecer o relacionamento com o canal de distribuição e apoiar a entrada da Darwin em novas frentes de negócio. “Nosso foco é reduzir as barreiras operacionais da jornada do corretor. Ao simplificar o processo de ponta a ponta, permitimos que o parceiro ganhe tempo para focar no que realmente gera valor para ele: o desenvolvimento de negócios e o atendimento consultivo ao segurado”, ressalta.

A expansão técnica da operação será liderada por Anderson Conceição, que assume como responsável técnico da seguradora. Com mais de 20 anos de experiência em grandes grupos do mercado segurador, o executivo terá a missão de estruturar a frente de riscos corporativos e conduzir a evolução do portfólio da companhia, ampliando a capacidade técnica e a sofisticação das soluções oferecidas ao mercado.

“Nosso foco é consolidar uma estrutura técnica robusta para atuar em ramos de maior complexidade, sem perder agilidade e capacidade de inovação que fazem parte do DNA da Darwin. Estamos construindo uma estrutura preparada para escalar operações em diferentes frentes, combinando precisão técnica, governança e velocidade de execução”, destaca.

A expansão para novos ramos não desvia o foco do Seguro Auto, que permanece como pilar central da companhia. O sócio e CEO da Darwin Seguros, Edson Toguchi, reforça que o investimento recente e a nova liderança elevam o patamar da seguradora. “Nascemos para simplificar o seguro através da tecnologia. Agora, com executivos experientes, levamos essa proposta de valor a novas linhas de negócio, ampliando as possibilidades para nossos corretores”, finaliza.

Grupo Bradesco Seguros promove 10ª edição do Insurance & Innovation Talks com foco em saúde em movimento

O Grupo Bradesco Seguros realizou, no dia 10 de março, no Rio de Janeiro, a 10ª edição do Insurance & Innovation Talks. Com o tema “Saúde em movimento: cuidado que acompanha, não espera”, o encontro reuniu mais de 600 pessoas – no ambiente online e presencial -, e contou com a parceria da Beep Saúde e da Firjan e promoveu reflexões sobre novas formas de cuidado em saúde para além dos espaços tradicionais, destacando o papel da inovação na prevenção, no acesso e na transformação da experiência do paciente.

O evento reuniu representantes do Grupo Bradesco Seguros e das empresas parceiras em uma programação voltada à troca de experiências e ao debate sobre os caminhos para um sistema de saúde mais integrado, acessível e centrado nas pessoas.

O primeiro painel, “Cuidado, acesso e experiência: os desafios e oportunidades da saúde”, foi mediado por Juliana Santos, PMO de Inovação da Bradesco Seguros, e contou com a participação de Labruna Vieira, superintendente sênior de TI Saúde da Bradesco Seguros, e Luiz Humberto Werdine, médico e coordenador de Produto e Medicina da Firjan.

Durante o debate, Luiz Humberto destacou a relevância da prevenção como estratégia estruturante para a promoção da saúde. “Embora a mensuração dos resultados em promoção da saúde ainda seja um desafio, o incentivo à prevenção é fundamental. Para que essa importância seja efetivamente percebida, é essencial avançar em uma comunicação mais clara, apoiada por dados e indicadores que tornem esses benefícios tangíveis. Ferramentas como a telemedicina ampliam significativamente o acesso ao cuidado, e cabe aos profissionais de saúde desenvolverem novas competências para atuar de forma qualificada nesse contexto digital”, afirmou o médico.

Já Labruna Vieira ressaltou a mudança no papel do paciente ao longo da jornada de cuidado, impulsionada pelo uso da tecnologia. “Hoje o paciente deixou de ser um agente passivo do sistema de saúde e passou a ser um participante ativo da sua própria jornada de cuidado. Ele tem muito mais acesso à informação e, com isso, compara experiências, questiona diagnósticos e espera a mesma fluidez digital que encontra em outros setores. Isso está pressionando todo o ecossistema a evoluir. As organizações de saúde precisam sair de um modelo centrado no evento — a consulta, o exame, a internação — para um modelo centrado na jornada contínua do paciente. A tecnologia entra justamente como habilitadora dessa mudança: conectando dados, integrando serviços e permitindo que o cuidado seja mais personalizado No fundo, a tecnologia não está transformando apenas o sistema de saúde — ela está redistribuindo o poder dentro dele, colocando o paciente cada vez mais no centro”, destacou a executiva.

Caminhos para o futuro da saúde

O segundo painel, “Perspectivas e caminhos para o futuro da saúde”, foi mediado por Felipe Szuster, gerente de Inovação da Bradesco Seguros, e reuniu Thais Jorge, médica e diretora da Bradesco Saúde; Fernanda Spaziani, diretora de Dados da Beep Saúde; e Juliana Fontanezi, coordenadora da Saúde Digital e do Hub de Saúde da Firjan.

Em sua participação, Juliana Fontanezi apresentou tendências que devem impulsionar avanços relevantes na saúde da população. “Estamos diante de um conjunto de oportunidades que podem gerar impactos significativos, como o uso de tecnologias para reduzir a incidência de doenças crônicas — responsáveis por cerca de 74% das mortes no mundo —, soluções que ajudem a mitigar os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde, além da integração inteligente de dados para melhorar a experiência do paciente. Soma-se a isso o desenvolvimento de iniciativas voltadas à longevidade ativa, um tema central para o futuro da saúde”, afirmou.

Thais Jorge reforçou a importância de um olhar ampliado sobre o envelhecimento da população e a reorganização do sistema de saúde. “Quando falamos de tendências, é fundamental considerar o envelhecimento da população e a longevidade ativa como fatores transformacionais. Isso vai além da saúde física e mental, envolvendo também saúde financeira e cuidado integral. A promoção da saúde passa por uma reestruturação consistente do ecossistema público e privado, com integração de dados que permita modelos preditivos voltados à prevenção de doenças”, explicou.

Em sua fala final, a diretora da Bradesco Saúde destacou a necessidade de alinhamento sistêmico como estratégia para o futuro da saúde no país. “Do ponto de vista estratégico, o grande desafio está na reorganização do sistema, no alinhamento de incentivos e na ampliação das possibilidades para o paciente. A saúde precisa ser pensada de forma única, integrando os sistemas público e privado. O acesso pode variar em termos de prestadores, mas a análise e o planejamento devem considerar todo o sistema. Só com essa visão integrada será possível promover uma transformação efetiva e sustentável”, concluiu Thais Jorge.

A 10ª edição do Insurance & Innovation Talks reforça o compromisso do Grupo Bradesco Seguros com a inovação, a promoção da saúde e a construção de soluções que coloquem o cuidado em movimento, acompanhando as pessoas ao longo de toda a sua jornada de vida.

No CCS-SP, CEO da Porto Seguro fala sobre momento de expansão e do compromisso com os corretores

por Márcia Alves

A seguradora Porto Seguro foi recebida pelo Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP) no seu primeiro almoço do ano aberto a convidados, realizado no dia 10 de março, no Terraço Itália, em São Paulo. A CEO da Porto Seguro, Patricia Chacon, que veio ao encontro acompanhada dos executivos do Grupo Porto – Luiz Arruda, VP Comercial e Marketing, Emerson Valentim, diretor Comercial Brasil, e Rodrigo Vasconcellos, diretor Comercial Capital e Metropolitana –, falou sobre o bom momento da companhia e do desejo de crescer ainda mais no mercado paulista, no qual já possui a liderança.

Portfólio em expansão

A Porto Seguro, que é uma das quatro verticais do Grupo Porto, segundo Patricia Chacon, atingiu o faturamento de R$ 21,4 bilhões no último ano e 17 milhões de clientes, alcançando a participação de 38% no mercado de seguro paulista e 50% na região metropolitana de São Paulo. “A Porto Seguro vive um momento de muito impulso e posição de forte liderança no Brasil, graças ao apoio de vocês, corretores”, disse. Ela destacou, ainda, a liderança da companhia em São Paulo nos ramos auto (38%), residencial (39%) e empresarial (33%).

Apesar da posição de liderança no mercado paulista, a Porto Seguro ainda quer expandir sua atuação no estado. “Temos apetite para crescer em São Paulo e enxergamos muita oportunidade. Para isso, estamos trabalhando na expansão do portfólio”, disse. A CEO da Porto Seguro mencionou o lançamento de diversos produtos em 2025, com destaque para os seguros auto e residencial da linha Premium, além da Proteção Combinada, que permite ao cliente escolher entre duas opções: Auto + Residencial ou Auto + Residencial + Celular.

Patricia Chacon relata que, diante do compromisso de oferecer a melhor experiência ao cliente, reuniu sua diretoria, no ano passado, para discutir novos produtos e serviços. “O que mais poderíamos fazer pelos clientes que gostam e confiam na Porto?”. Foi assim, segundo ela, que surgiu o inédito serviço “15min!”, que prevê a assistência aos segurados de automóvel, entre 22h e 5h, em até 15 minutos. O novo serviço, que começou como projeto-piloto, realizou mais de 2 mil atendimentos até agora e já foi implantando em Campinas.

Incentivo aos corretores

Patricia Chacon reservou parte de sua apresentação para interagir com os corretores de seguros associados do CCS-SP. “Para a Porto, corretor é para sempre”, disse, ressaltando que “escutar o corretor faz parte do DNA da empresa”. Tanto que, segundo ela, a Porto Seguro criou internamente “A voz do corretor”, que consiste na escuta ativa de corretores, seja na rua, seja em eventos ou por outros canais. “Anotamos tudo e lançamos em um sistema online para acompanhamento e garantia de que aquilo que escutamos será executado”, disse.

Perguntada sobre as campanhas de incentivo às vendas, Patricia Chacon respondeu que a “Acelera Seguro Vida”, em vigor em março, foi desenhada para oferecer os melhores benefícios, com descontos que podem chegar a 35% para novas contratações. “A Porto cresceu dois dígitos no ramo vida e tem o propósito de crescer ainda mais”, disse. Em seguida, o mentor o CCS-SP, Álvaro Fonseca, aproveitou para elogiar a campanha “Acelera Auto Day”. A executiva destacou que “para a Porto, o auto é uma paixão, está em seu DNA” e, por isso, a companhia oferece incentivos aos corretores. 

Em relação à campanha “Fecha com a Porto”, o associado Júlio Mendes relatou que obteve bons resultados, alavancando, inclusive, outros produtos que não faziam parte do portfólio da sua corretora. Patricia Chacon confirmou a boa performance da campanha, que tem foco no cross-selling. “Para terem ideia, em 2020 cada cliente Porto tinha em média 1.4 produtos, hoje, está próximo de 2 produtos. O cliente que tem mais produtos é mais fiel à seguradora e ao corretor, porque acaba tendo sua vida inteira coberta pelo seguro”, disse.

Dia da Mulher

O mentor do CCS-SP, Álvaro Fonseca, manifestou sua satisfação de contar com a participação da Porto Seguro no encontro e, ainda mais, por ser representada por uma mulher. No mesmo dia, mais cedo, o CCS-SP celebrou o Dia da Mulher com um café especial para as suas associadas. O secretário do CCS-SP, Gilberto Januário, aproveitou a ocasião para ler um texto em homenagem às mulheres, registrando um alerta contra o aumento dos casos de feminicídios no país. “Não à violência contra as mulheres!”, disse, ressaltando que todas as mulheres merecem respeito e proteção.

MAG e IMPA Tech firmam parceria inédita para formação de talentos em tecnologia e inovação 

Grupo MAG, companhia com 191 anos de atuação ininterrupta nos segmentos de vida e previdência, anuncia parceria com o IMPA Tech, programa de graduação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), voltada à formação de profissionais de alta performance para o mercado de tecnologia e inovação. Como parte da parceria, o Grupo MAG passa a apoiar iniciativas acadêmicas da instituição e outras atividades que aproximam estudantes do mercado de trabalho. 

Uma das ações que serão apoiadas é o Desafio Industrial, que mobiliza alunos para a resolução de desafios reais do setor. As atividades são estruturadas no formato de uma hackathon estendida, na qual grupos de seis a dez alunos se dedicam durante oito semanas ao desenvolvimento dos projetos. Os trabalhos serão orientados por um professor do instituto e um representante da empresa. A próxima edição do evento está prevista para o início de 2027. 

O Grupo MAG também terá acesso ao Núcleo de Carreiras e Estágios da instituição para a realização de palestras, divulgação de oportunidades profissionais e participação na feira de estágios, e contará com a personalização de uma sala de aula por um período de um ano. Além disso, a parceria prevê a oferta de conteúdos, palestras e atividades sobre planejamento financeiro, longevidade e desenvolvimento pessoal, temas alinhados à atuação histórica da companhia na promoção de uma cultura de proteção financeira e preparação para o futuro. 

Contribuindo com o futuro 

Localizado no Porto Maravalley, hub de tecnologia da região portuária do Rio de Janeiro, o IMPA Tech é a primeira graduação oferecida pelo instituto e reúne alunos selecionados de todo o Brasil. O bacharelado em Matemática da Tecnologia e Inovação é presencial, em tempo integral e totalmente gratuito, com formação interdisciplinar. A graduação tem duração de quatro anos, sendo um ciclo básico de um ano seguido pela escolha de uma entre quatro ênfases: Matemática, Ciência da Computação, Ciência de Dados e Física. 

As aulas da nova turma começam em 16 de março, com uma aula magna que marca o início do ano acadêmico. Em 2026, o programa receberá cerca de 100 novos alunos. 

“A parceria com o IMPA Tech traduz muito do que acreditamos na MAG. Inovação faz parte do nosso DNA e investir em educação e em ambientes que estimulam novas ideias é uma forma concreta de contribuir para o futuro. Ao mesmo tempo, acreditamos que, mesmo em um cenário cada vez mais tecnológico, são as pessoas que fazem a diferença. Estar próximo de jovens talentos, entender suas trajetórias e apoiar sua formação é também uma maneira de reforçar nosso compromisso de longo prazo com quem constrói o futuro”, afirma Luís Fontes, Diretor de Tecnologia de Informação no Grupo MAG. 

“A proximidade do setor produtivo, público e privado, é prioridade estratégica do IMPA Tech, visando tanto a produção e transferência de conhecimento matemático para a sociedade quanto a futura inserção de nossos estudantes no mercado de trabalho”, afirma Marcelo Viana, diretor-geral do IMPA. 

A colaboração reforça o compromisso da companhia e da instituição com o desenvolvimento de talentos e com o estímulo à educação como motor de transformação social e econômica no país.

CNseg: Naufrágios e colisões impulsionam alta do “DPVAT dos Barcos” em 2025

Em 2025, o Brasil registrou um aumento perceptível de acidentes com embarcações, especialmente naufrágios e colisões em áreas de alta densidade náutica, como São Paulo e Rio de Janeiro. Esse cenário de maior exposição ao risco ajuda a explicar o salto nas indenizações do Seguro de Danos Pessoais Causados por Embarcações ou suas Cargas (DPEM), que cresceram mais de 1.853%, superando R$ 3,4 milhões entre janeiro e dezembro de 2025, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).
 

No mesmo período, a arrecadação do seguro, obrigatório desde julho de 2024, ultrapassou R$ 10 milhões. A maior parte da arrecadação se concentrou em estados com intensa atividade náutica, como São Paulo (R$ 1,7 milhão), Rio de Janeiro (R$ 1,1 milhão) e Santa Catarina (R$ 923,7 mil). 
 

Conhecido como o “DPVAT dos barcos”, o DPEM cobre invalidez, despesas médicas e morte em acidentes envolvendo qualquer tipo de embarcação, funcionando como um mecanismo de proteção social em um setor marcado por circulação crescente.
 

Esse movimento está diretamente ligado à expansão da frota nacional. O Brasil conta hoje com 990.928 embarcações registradas na Marinha, com liderança de São Paulo (240.981), que concentra quase um quarto de toda a frota nacional, seguido por Rio de Janeiro (110.138) e Paraná (95.712).
 

Na distribuição por Região, o Sudeste lidera com 406.736 embarcações, 41% do total, seguido pelo Sul (238.160), o Nordeste (118.306), o Centro-Oeste (116.721) e o Norte (111.005).
 

Por tipo de embarcação, botes e lanchas, juntos, somam mais de 52% de toda a frota nacional: 289.288 e 233.826, respectivamente. Se incluir moto-aquática, com 118.433 unidades, o segmento – claramente recreativo – ultrapassa 64% do total.
 

Na prática, os números se materializam em alguns episódios marcantes do ano. Em março, um navio-tanque colidiu com três embarcações da Marinha no Porto de Santos, deixando um oficial ferido. Em outubro, uma lancha com 21 turistas naufragou em Angra dos Reis, na região da Lagoa Azul, após falha mecânica e ventos fortes. No litoral paulista, foram registradas 44 operações de busca e salvamento até novembro, com 26 mortes. Em âmbito nacional, o Serviço de Busca e Salvamento da Marinha (SAR) atendeu 255 ocorrências em 2025, após 458 resgates em 2024, com destaque para casos ligados à navegação de lazer e pesca.
 

Diante desse cenário, a resposta das autoridades tem sido o reforço da fiscalização. A Marinha intensificou as ações por meio da Operação Navegue Seguro, com 133 mil abordagens entre dezembro de 2024 e março de 2025, resultando em 7.336 notificações e 710 apreensões por ausência de equipamentos obrigatórios ou do próprio DPEM. Na região amazônica, cerca de 4 mil inspeções geraram 83 autuações. A edição 2026 da operação começou em dezembro, com redução de irregularidades em algumas áreas, embora persistam desafios no Norte, onde a presença de embarcações não cadastradas gera, tradicionalmente, disputas judiciais, segundo avaliação da Federação Nacional de Seguros Geria (FenSeg).
 

Com quase um milhão de unidades náuticas em circulação, especialistas apontam o DPEM como um dos principais instrumentos de mitigação de riscos no transporte e no lazer aquático no país.
 

Para o presidente da Comissão de Cascos Marítimos e Aeronáuticos da FenSeg, Carlos Polizio, a consolidação do seguro obrigatório também contribui para ampliar a cultura de proteção entre proprietários de embarcações de diferentes perfis.
 

“O DPEM cumpre um papel semelhante ao que o DPVAT representou por muitos anos no trânsito terrestre. Ele cria uma rede mínima de proteção para tripulantes e passageiros, independentemente do porte ou da finalidade da embarcação. À medida que a frota cresce e se diversifica — com forte presença de embarcações de lazer, pesca e transporte regional —, o seguro obrigatório ajuda a difundir a cultura do seguro entre proprietários que, muitas vezes, nunca tiveram contato com esse tipo de proteção. Ao mesmo tempo, os dados de sinistralidade mostram que é fundamental avançar também em educação náutica, segurança operacional e fiscalização para reduzir acidentes e ampliar a proteção nas águas brasileiras.”

Oncoclínicas assina acordo com Porto Seguro para criação de nova empresa

por Reuters

A Oncoclínicas confirmou ⁠na noite de domingo ⁠a assinatura de um termo de ‌compromisso não vinculante com a Porto Seguro, celebrado na sexta-feira, para a ‌constituição de uma empresa, conforme comunicado ao mercado.

A companhia disse que, nos termos do acordo, a nova sociedade (NewCo) concentraria os ativos e operações relacionadas às clínicas ⁠oncológicas ‌atualmente detidas pela Oncoclínicas, com ⁠a Porto Seguro aportando R$500 milhões e subscrevendo um determinado número de ações ordinárias que representem o controle do capital votante da NewCo, detendo ​um mínimo de 30% do capital social.

Disse que o ‘term sheet’ é documento ​de natureza preliminar e não vinculante, motivo pelo qual a publicação de fato relevante não se fazia necessária e nem era pretendida pela companhia ‌nesse momento.

A Oncoclínicas disse ​que se comprometeu a negociar exclusivamente com a Porto por um período de 30 dias. De acordo com ⁠a ​companhia, os ​seus conselheiros Marcos Grodezky e Raul Rosenthal Ladeira de ⁠Matos manifestaram voto ​contrário à decisão de assinar o acordo com a Porto Seguro.

No sábado, a Porto ​Seguro disse em comunicado que não havia nenhum documento vinculante assinado ​com a ⁠Oncoclínicas, negando notícia publicada pelo Brazil Journal.

A Oncoclínicas também ⁠anunciou no domingo a renúncia de Camile Loyo Faria aos cargos de vice-presidente executiva, diretora executiva financeira e de relações com investidores.

Seguro contra alagamentos: o que o Brasil pode aprender com a Flórida

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Por Leandro Ramirez, especialista em seguros

As enchentes que voltaram a atingir cidades brasileiras, como as registradas recentemente em Minas Gerais, recolocam em evidência uma questão central para a sociedade e para o setor de seguros: quem, afinal, paga a conta dos desastres naturais? Quando casas são destruídas, empresas interrompem suas atividades e famílias perdem patrimônio e renda, fica claro que o Brasil ainda tem mecanismos limitados de proteção financeira diante de eventos climáticos extremos.

Hoje, na maior parte dos casos, a recomposição das perdas depende de ajuda emergencial do poder público e da capacidade financeira das próprias vítimas. Trata-se de um modelo reativo, caro e socialmente ineficiente. Em vez de mitigar os impactos de forma organizada, o país acaba lidando com as consequências depois da tragédia consumada. Em um cenário de mudanças climáticas e aumento da frequência de eventos severos, essa discussão deixou de ser pontual e passou a ser estrutural.

Nesse contexto, vale observar experiências internacionais que mostram caminhos possíveis para uma gestão mais sofisticada do risco. A Flórida, nos Estados Unidos, é um dos exemplos mais emblemáticos. Por ser um estado altamente exposto a furacões, tempestades e inundações, desenvolveu ao longo das décadas um sistema que combina planejamento urbano, regras construtivas mais rígidas e instrumentos de transferência de risco, com destaque para o seguro contra enchentes.

Na Flórida, a gestão do risco começa antes mesmo da construção de um imóvel. Qualquer projeto precisa obedecer às normas de zoneamento definidas pelos municípios, que estabelecem quais tipos de ocupação são permitidos em cada área — residencial, comercial, industrial, agrícola ou especial. Paralelamente, os códigos de construção determinam exigências técnicas relativas à segurança estrutural, aos materiais empregados e à proteção da saúde pública. Ao longo da obra, são realizadas várias inspeções, incluindo verificações elétricas, hidráulicas, estruturais, de telhado, fundações, sistemas de ventilação e eficiência energética. Ao final, o imóvel só pode ser ocupado após a emissão do Certificado de Ocupação, documento que atesta conformidade com os requisitos legais.

Esse arcabouço se tornou ainda mais robusto após o furacão Andrew, em 1992, que provocou perdas bilionárias e expôs falhas importantes nos padrões construtivos do estado. Desde então, a Flórida passou a revisar e atualizar suas normas com maior rigor, fortalecendo a resiliência das edificações diante de eventos extremos.

Além do controle urbanístico e construtivo, os Estados Unidos criaram um sistema específico de proteção securitária para enchentes: o National Flood Insurance Program (NFIP). Criado pelo Congresso em 1968 e administrado pela FEMA, o programa permite que proprietários, locatários e empresas em áreas suscetíveis a inundações contratem cobertura para danos causados pela elevação do nível da água. O modelo funciona em articulação entre governo federal, autoridades locais e seguradoras privadas, tendo como base um amplo mapeamento nacional das áreas de risco.

Esse ponto é crucial: o seguro não está isolado da política urbana nem da política habitacional. Imóveis situados em zonas classificadas como de alto risco de inundação precisam contratar seguro quando servem de garantia para financiamentos imobiliários vinculados a instituições com apoio federal. Ou seja, o seguro passa a ser parte integrante da lógica de ocupação do solo, do crédito e da gestão territorial.

Em áreas mais vulneráveis, a própria legislação impõe adaptações construtivas. Casas localizadas em regiões sujeitas a enchentes, por exemplo, precisam ter o piso térreo acima da chamada Base Flood Elevation, que representa a altura estimada que a água pode alcançar em uma inundação de referência. Para atender a essa exigência, os projetos podem prever elevação da estrutura, adequação do terreno e sistemas de drenagem mais eficientes. O objetivo é reduzir danos, preservar vidas e permitir o escoamento natural da água.

Naturalmente, nem mesmo esse sistema é perfeito ou universal. Embora a Flórida concentre mais de 40% das apólices do programa federal de seguro contra enchentes, a penetração ainda está longe de alcançar todas as residências expostas. Ainda assim, trata-se de uma arquitetura institucional relevante, porque cria uma rede mínima de proteção financeira e reduz a dependência exclusiva de recursos públicos pós-catástrofe. Quando um desastre ocorre, parte importante dos prejuízos pode ser absorvida por indenizações securitárias, acelerando a recuperação econômica e social.

No Brasil, a realidade é bastante diferente. A cobertura para enchentes raramente aparece de forma autônoma e, em geral, surge apenas como cláusula acessória dentro do seguro residencial — produto que, por si só, ainda tem baixa penetração no país. Na prática, milhões de famílias permanecem expostas sem qualquer mecanismo efetivo de proteção patrimonial contra alagamentos, enxurradas e deslizamentos. Quando as chuvas causam destruição, como se viu mais uma vez em Minas Gerais, os prejuízos recaem sobretudo sobre os atingidos e sobre o Estado.

Essa diferença revela um ponto essencial: mercados de seguro para riscos catastróficos dificilmente se desenvolvem de forma espontânea. Quando a severidade potencial das perdas é muito elevada e a frequência dos eventos aumenta, o setor privado tende a ser mais cauteloso na oferta de cobertura, seja por restrições técnicas, seja por limitações de preço e capacidade. Por isso, a experiência internacional mostra que a presença do Estado é decisiva para estruturar esse mercado.

O papel do poder público não é substituir a iniciativa privada, mas criar as condições para que o sistema funcione. Isso inclui mapear áreas de risco, integrar planejamento urbano e política habitacional, definir padrões mínimos de construção, estimular a cultura de prevenção e, eventualmente, estruturar mecanismos de compartilhamento de perdas. Programas públicos ou modelos híbridos de seguro contra desastres naturais podem aumentar a previsibilidade econômica, ampliar a proteção das famílias e reduzir o custo social das tragédias.

No caso brasileiro, discutir um arranjo semelhante deixou de ser uma hipótese distante e passou a ser uma necessidade concreta. O aumento da intensidade e da recorrência de eventos climáticos extremos impõe ao país a urgência de construir respostas mais permanentes. Não se trata apenas de criar novos produtos de seguro, mas de pensar uma política integrada de gestão de risco, que una regulação, prevenção, engenharia, financiamento e proteção securitária.

O que a Flórida ensina, em última análise, é que enchentes não precisam necessariamente se transformar em crises sociais e econômicas de grandes proporções. Quando há planejamento, regulação adequada e instrumentos de transferência de risco, os danos continuam existindo — mas a capacidade de resposta é muito maior. Para o Brasil, essa é uma reflexão que já não pode mais ser adiada.