Corretora de seguros WTW anuncia Felipe Barranco como diretor de Affinity no Brasil

Luis Felipe Barranco

A WTW, quarta maior consultoria e corretoras de gestão de riscos do mundo, contratou Felipe Barranco, como novo diretor de Affinity no Brasil. Felipe chega para liderar estratégias e fortalecer o novo posicionamento da empresa no segmento de Affinity, ou afinidades, ampliando sua atuação e consolidando a presença em soluções personalizadas para diferentes perfis de clientes.

Com mais de 15 anos de experiência em diversas indústrias, desenvolvendo estratégias massivas em ambientes digitais, Barranco fundou a Flix em 2020, a primeira Insurtech do Brasil com foco na distribuição digital de produtos massificados. O novo diretor também traz todo o seu conhecimento em tecnologia, análise de dados e desenvolvimento de produtos, com o propósito de reforçar a proposta de valor, fomentar a inovação e abrir novas oportunidades estratégicas no Brasil.

Com foco em aperfeiçoamento e proximidade com o cliente, o novo direcionamento da WTW visa atender às necessidades específicas de diversos perfis de clientes, incluindo empresas, grupos e indivíduos, oferecendo soluções que combinam tecnologia, flexibilidade e custo-benefício. O objetivo é criar um hub de tecnologia e dados, utilizando conceitos ágeis e conectando as demandas de canais e seguradoras. “A ideia é atuamos como uma Insurtech, oferecendo a solução ideal tanto para seguradoras quanto para canais de distribuição”, afirma Barranco em comunicado.

O segmento de Affinity consiste na oferta de seguros e benefícios personalizados para grupos específicos, como associações, sindicatos, cooperativas e até colaboradores de empresas. Esse modelo se destaca por oferecer soluções alinhadas às necessidades e características de determinado público, criando maior engajamento e percepção de valor entre os clientes. Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o mercado de seguros no Brasil cresceu 9,1% em 2023, com destaque para as soluções de Affinity, que têm atraído empresas interessadas em ampliar o portfólio de benefícios para clientes e colaboradores.

Atualmente, o modelo de afinidade da WTW é composto de quatro componentes básicos, perfeitamente agrupados por meio da sua plataforma de tecnologia de afinidades, sendo eles: conhecimento do mercado, que inclui compreender as tendências, desafios e oportunidades; recursos (desenvolvimento de soluções que podem ser implementadas globalmente); estratégia de corretagem para garantir canais de distribuições e preços competitivos; e soluções insurtech, que significa usar a tecnologia para oferecer serviços ponta a ponta, com qualidade e acesso rápido ao mercado.

Previdência e Vida: Estamos vivendo mais e é preciso cuidar das pessoas

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“Estamos vivendo mais… os desafios da proteção” foi o tema de um painel que traz várias reflexões sobre como lidar com os desafios da longevidade já expostos pelos palestrantes ouvidos no período da manhã do Fórum da Fenaprevi, que busca trazer questões relevantes para o setor. O médico e especialista Alexandre Kalache fez uma palestra inicial sobre o envelhecimento saudável para iniciar os debates. 

“Precisamos coordenar uma pauta emergencial sobre educação em seguros para ampliarmos nossa participação na sociedade. Trata-se de uma necessidade social para o pais e não para empresas venderem mais”, afirmou Jorge Nasser, vice-presidente da Fenaprevi e presidente da Bradesco Vida e Previdência, no inicio do painel do qual participaram também Renato Meirelles (Instituto Locomotiva), Paulo Alves (Instituto DataFolha) e Patricia Freitas (Prudential do Brasil).

Alexandre Kalache, especialista em gerontologia, apontou os “quatro capitais da longevidade” como pilares essenciais para garantir qualidade de vida na velhice. Segundo ele, é necessário cultivá-los ao longo da vida, já que cada um desempenha um papel fundamental no processo de envelhecimento.

O capital social é o primeiro deles, englobando as conexões e redes de apoio. “Amigos, família e comunidade são indispensáveis para o bem-estar emocional e para enfrentar os desafios da vida”, destaca Kalache, que reforça a importância de cultivar esses laços em todas as fases da vida.

Já o capital de saúde é construído a partir de escolhas diárias. Alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e acompanhamento médico regular são fundamentais para prevenir doenças e garantir uma velhice saudável. “Investir na saúde desde cedo é a base de uma longevidade com qualidade”, afirma.

Outro ponto crucial é o capital de conhecimento, que trata da educação continuada e da capacidade de se adaptar às mudanças. Aprender novas habilidades e se manter mentalmente ativo são práticas que ajudam não apenas na vida profissional, mas também na saúde cognitiva durante a velhice.

Por fim, o capital financeiro é indispensável para a segurança e independência na terceira idade. Planejar o futuro, poupar e investir são ações que permitem enfrentar os desafios econômicos do envelhecimento. “É preciso construir uma base financeira sólida, que garanta conforto e autonomia no futuro”, explica o especialista.

Kalache ressalta que esses capitais não atuam de forma isolada, mas interagem e se complementam. “Usem esses quatro capitais para reforçar o seu propósito de vida e seguir seu caminho com resiliência. Envelhecer bem é o resultado de escolhas conscientes e de um preparo que começa hoje”.

Educação e poder aquisitivo estão relacionados na decisão de economizar. “Estamos perdendo a briga gente. Quando as pessoas apostam mais em apostas esportivas, as Bets, do que investem em proteção como vida e previdência, nos temos de correr para mudar este cenário com educação financeira”, afirmou Renato Meirelles (Instituto Locomotiva). 

Segundo ele, é preciso pensar nas classes sociais. “As classes C, D e E acham que o longo prazo é daqui a um mês. E quando o arrimo faltar, como ela vai ficar? E como podemos mobilizar o tema? A família. Precisamos que as empresas tenham canais de comunicação para conscientizar as pessoas. Outro ponto é a discussão sobre diversidade. “R$ 78 de cada R$ 100 gastos em comunidades vem de negros, mulheres e LGBT”. 

Segundo Kalache, entender a diversidade do Brasil é condição sinequanon para reduzir o gap de proteção dos brasileiros. “O setor tem de fazer um esforço maior para conscientizar que este desafio é imediato. Sobretudo as empresas do setor tem o poder de poder pressão para esta mudança. Estamos evitando aceitar que o Brasil não é mais jovem. Envelheceu. E fazer um trabalho de diversidade. Temos de incluir todos, inclusive os 60+. O desafio é que as empresas encarem o Brasil de fato como é e não fantasiado”. 

Paulo Alves, do Instituto DataFolha, afirma que é preciso pensar no planejamento financeiro tem tudo a ver com os quatro pilares citados por Kalache. “Teremos resultados disso no longo prazo. Temos de enfrentar a situação que Renato comentou. É difícil fazer sobrar dinheiro, mas usam uma parte da renda de dois salários mínimos, que é o ganho da grande maioria, mas a execução é mais complicada”, citou um dos responsáveis pela pesquisa divulgada pela Fenaprevi. 

Segundo ele, as pessoas gostariam de parar de trabalhar antes dos 60 anos. Mas entendem. Muitos afirmam que sabem que não vão poder parar dependendo do INSS. “Por ser uma contribuição compulsória e regrada ajuda as pessoas a pensarem no tema, mas mesmo assim há grande dificuldade em poupar diante de tantas ofertas para o gasto imediato”, citou. 

Patricia Freitas, CEO da Prudential, discorreu sobre os desafios das empresas de previdência e seguro de vida para atrair as pessoas. “Estamos concorrendo com o dinheiro das bets. Dá mais prazer em jogar do que pensar e escolher um plano de previdência privada. Hoje temos a caderneta de poupança ainda como o investimento mais conhecido e mais utilizado. Temos evoluído para chegar nos consumidores, mas temos de aprimorar na educação para que eles saibam escolher os produtos. Estamos avançando, mas as pessoas ainda não estão conseguindo entender”, afirmou. 

A executiva lembrou que atingir a marca de 100 milhões de usuários é um marco significativo para empresas de tecnologia, e o tempo necessário para alcançar esse número varia conforme o produto e o contexto de mercado. O Netflix alcançou 100 milhões de assinantes, aproximadamente 10 anos após o início do streaming. O iPhone, lançado em 2007, demorou quatro anos para atingir a marca de 100 milhões de iPhones vendidos. Já o ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, alcançou 100 milhões de usuários em apenas 60 dias após seu lançamento, estabelecendo um recorde de adoção rápida. 

“Esses exemplos ilustram como a adoção de novas tecnologias pode variar significativamente, influenciada por fatores como inovação, estratégia de mercado e contexto tecnológico. E o setor de seguros e previdência tem avançado e tem muitas oportunidades pela frente”, destacou. A comunicação é um destes desafios. “Pessoas desconhecem os produtos. As que conhecem, tem vergonha de tirar dúvidas. Por isso, uma ferramenta como AI vem ajudar a ensinar e isso vai fazer a diferença para todas as classes sociais”, acredita. Já do ponto de vista das seguradoras, a AI já é adotada.  

Nasser, moderador do painel, comentou ser inóquo falar de planejamento financeiro pra quem não tem essa cultura ainda. “E esse é o nosso desafio como Fenaprevi, que pode com suas associadas de fato fazer a diferença na comunicação. Eu insisto que a questão da educação financeira deveria estar nos bancos do ensino fundamental e, a partir disso, a sim nós incluirmos o brasileiro através dos nossos produtos, dos nossos serviços”, resumiu.

Para o presidente da Bradesco Vida e Previdência, o setor de previdência está num grande momento de transformação. “Se fala muito de inteligência artificial também dentro do dia a dia dos seguros e é fundamental usarmos a AI para incluir as pessoas nessa questão de educação financeira no planejamento para o futuro”, defende.

“Portanto, acho que esse momento é um divisor de águas dentro do nosso mercado, onde de fato a gente traz a público uma discussão que não é só das entidades que fazem parte do mercado de segurador. É uma questão também de governo. A partir disso, precisamos de um posicionamento que possa fazer diferença na vida das pessoas. Afinal de contas, o que a gente sempre fala: a longevidade já chegou e nós precisamos dar uma resposta à sociedade”, finalizou.

Nova reforma da previdência deve voltar ao debate em 2025

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O Brasil precisará enfrentar uma nova reforma do sistema público de Previdência para lidar com o acelerado envelhecimento populacional e os crescentes desafios fiscais. Essa foi a avaliação de Edson Franco, presidente da Fenaprevi e CEO da Zurich no Brasil, durante o XI Fórum Nacional de Seguros de Vida e Previdência Privada, promovido pela entidade.

“Esse tema deve voltar com força já em 2025, no contexto de desenquadramento fiscal e da necessidade de o governo conter gastos. O peso da Previdência Social, seja no regime geral, nos regimes próprios de servidores ou nos militares, está se tornando cada vez mais evidente”, afirmou Franco na abertura do painel “As mudanças necessárias para enfrentar os desafios do futuro. O que devemos fazer”.

Franco destacou que reformas previdenciárias são processos complexos em qualquer lugar do mundo, mas essenciais. “Não sei quando virá a aprovação, mas sei que a discussão em torno de uma reestruturação para reequilibrar as contas públicas é fundamental desde já.” Segundo Franco, a solução para a crise previdenciária brasileira é multifatorial e deve ir além de medidas isoladas, como aumentar a idade mínima para aposentadoria. Ele defendeu uma reforma baseada em um sistema misto, estruturado em quatro pilares, cuja proposta foi elaborada pela Fenaprevi com apoio do economista Hélio Zylberstajn, da Fipe.

A expectativa é que o debate volte ao centro das discussões políticas em 2025, mas Franco reconhece que uma eventual aprovação levará mais tempo devido à complexidade do tema e às dinâmicas políticas envolvidas. Rogério Nagamine Costanzi (IPEA), em sua palestra, faz sobre coro ao tema e traz inúmeros dados que mostram a urgência de arrumar o que ele considera que ficou “uma zona”, mas é mais cético quanto ao prazo.

“Difícil em 2026, mas em 2027 vamos precisar de uma nova reforma da previdência pelo bem dos nossos filhos e nossos netos”, acrescentou Segundo ele, a proposta da Fenaprevi é interessantes com quatro pilares: universal não contributivo, regime de repartição, capitalização e, por fim, de caráter complementar, facultativo e individual.

  1. Renda Básica Social: Um benefício universal mínimo para garantir a subsistência.
  2. Modelo Distributivo com teto reduzido: Manutenção do atual sistema do INSS, mas com um teto mais baixo, entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil, suficiente para cobrir 80% da renda média da população.
  3. Capitalização Obrigatória: Um sistema em que cada trabalhador poupa obrigatoriamente para sua aposentadoria, complementando o benefício distributivo.
  4. Contribuição Voluntária: Um pilar adicional, no qual os trabalhadores poderiam optar por aumentar sua poupança previdenciária por meio de investimentos privados.

“Está na hora de corrigir retrocessos, como a reforma militar, por exemplo, e a bagunça que ficou nos estados e municípios, cada um com uma regra em mais de 2 mil regimes”, disse. Dois em cada três municípios não fizeram a reforma. Sei que é difícil aprovar uma nova reforma, mas temos de pensar no futuro do país e não apenas na próxima eleição”, acrescentou.

Franco reconheceu que a implementação de um modelo misto enfrenta grandes desafios, especialmente durante a transição. “O problema de um modelo estruturante é a transição, mas existem soluções técnicas. Não é algo que se implanta de um ano para o outro; pode levar uma década para atingir sua plenitude”, explicou.

O executivo destacou ainda que o déficit da Previdência Social está impondo um peso crescente no Orçamento público, tornando inevitável uma reestruturação. “O tema está voltando à pauta dentro do contexto de desequilíbrio fiscal. A pressão exercida pelo INSS e pelos regimes próprios é uma das maiores sobre os gastos do governo.”

Na visão da Fenaprevi, os dois pilares de capitalização obrigatória e voluntária devem ser desenvolvidos em parceria com o mercado de previdência privada, permitindo maior flexibilidade e liberdade na oferta de produtos para os trabalhadores. Franco acredita que a reforma é urgente e necessária para garantir a sustentabilidade do sistema previdenciário brasileiro. “Qualquer mudança será uma melhoria em relação às regras atuais, que já demonstram claros sinais de insustentabilidade”.

Dyogo de Oliveira, presidente da CNseg, concorda. “Este sistema, com 65% da população dependendo de chequinho do governo, é perverso, pois esta tirando renda do mais pobre. São regras que perpetuam o estado de pobreza. Não dá ao brasileiro a chance dele aprender a fazer conta. Ele não sabe o quanto paga de juros”, comentou no painel. Ele diz que o sistema previdência precisa mudar o conceito, ter um novo desenho para espelhar a realidade do Brasil.

“O atual sistema está fadado ao fracasso, pois não gera riqueza para o pais. O maior programa que o Brasil precisa é ensinar o brasileiro a fazer conta”, opinou o presidente da CNseg. Argumentou que os recursos distribuídos via pensões, abonos e outros benefícios, consomem mais de R$ 1,5 trilhão. “O que sobra para investir em infraestrutura, tecnologia e educação é 10% do orçamento”, disse.

Vinicius Brandi, subsecretário do Ministério da Fazenda, destacou que a mudança na expectativa de vida da população brasileira torna o tema da previdência cada vez mais relevante. Ele observou que o Brasil deixou de ser um país jovem, com o fim do bônus demográfico e um aumento no número de aposentados em relação aos contribuintes para a previdência. Para Brandi, o debate precisa envolver toda a sociedade, já que a previdência representa um contrato social entre gerações.

Assim como todos os palestrantes do evento, Brandi ressaltou a importância de saúde, educação, qualificação e inclusão no mercado formal para enfrentar o desafio. A educação financeira, especialmente o entendimento sobre juros compostos, é fundamental para preparar a população e promover maior inclusão econômica no Brasil, país de renda média.

O moderador do painel citou alguns dados para abrir a fala de Armando Vergilio, da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor). “Dados de consultorias estimam R$ 130 bilhões com as apostas nas Bets. É praticamente todo o mercado de seguro de carro. Antes de usar a muleta da falta de renda, temos de fazer um esforço para a conscientização das pessoas sobre educação financeira e de seguros. Como os corretores podem ajudar neste desafio?”, questionou Franco.

Vergilio disse que nunca houve tamanha consciência de toda a sociedade em relação a importância de ter uma reserva financeira. “Estamos prontos para vender este anseio da população mostrado na pesquisa divulgada hoje. Queremos ofertar as opções mais adequadas para nossos clientes. Mas faltam produtos diferenciados para que o mercado possa democratizar as proteções financeiras e dar um salto na participação do setor no PIB do Brasil, de 6% para 10%”.

Alessandro Octaviani, titular da Susep, trouxe boas novas. “Acabamos de aprovar a nota do seguro de vida universal na reunião do CNSP, que há anos está em debate. O grande gargalo é a tributação deste produto. A partir disso, a discussão com o setor e com o ministério da Fazenda, para num segundo passo levar a proposta para a Receita Federal.

O texto será submetido a consulta pública por 30 dias, permitindo que participantes do mercado apresentem sugestões. O seguro de vida universal combina características de seguro de vida com previdência privada, oferecendo flexibilidade aos segurados. Por exemplo, os prêmios pagos mensalmente podem ser utilizados pelo contratante em vida, caso haja perda de renda. Além disso, permite a acumulação de recursos que podem ser resgatados ou utilizados para quitar prêmios futuros, mantendo a cobertura ativa mesmo em situações de inadimplência temporária. 

A implementação desse produto no Brasil visa ampliar o acesso da população a instrumentos de proteção financeira e formação de poupança, alinhando-se às práticas de mercados mais maduros, como o dos Estados Unidos, onde o seguro de vida universal é amplamente difundido. Após a consulta pública, a Susep ajustará o texto conforme as contribuições recebidas e o submeterá ao Ministério da Fazenda e à Receita Federal para aprovação final. Segundo Edson Franco, o setor trabalha com uma perspectiva de já lançar produtos no segundo semestre de 2025.

Previdência e Vida: Oito em cada dez entrevistados afirmaram pensar em planejar a vida financeira

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Oito em cada dez entrevistados afirmaram pensar em planejar a vida financeira e a maioria (65%) faz isso com frequência – número 7 pontos percentuais acima do registrado na pesquisa de 2023. Outros 76% disseram ter metas, sendo 51% deles com objetivos estabelecidos para os próximos 10 anos.

Este é um dos dados provocadores para estimular o setor de vida e previdência possam inovar, expandir e impulsionar e que revela a edição 2024 da pesquisa Percepção dos Brasileiros Sobre Proteção e Planejamento da Fenaprevi, encomendada ao Instituto DataFolha. A pesquisa traz vários dados, sendo cinco vistos como importantes para o uso das seguradoras em suas ações para reduzir o Gap de proteção financeira da sociedade brasileira.

“O estudo nos traz desafios significativos à proteção financeira e sinaliza ao setor, reguladores e formuladores de políticas públicas sobre a importância de aumentar a aderência das pessoas ao mercado de seguros e previdência privada.Esta pesquisa nos ajuda a refletir iniciativas para colaborar com o presente e futuro da sociedade”, comentou Edson Franco, presidente da Fenaprevi, na abertura do evento.

Segundo Franco, o desafio é garantir que os brasileiros possam ter instrumentos financeiros para poupar para a aposentadoria. “Os medos têm de ser enfrentados, com um planejamento financeiro pelo próprio individuo, com reservas para enfrentar imprevistos. Relatos dos entrevistados nos mostram que estamos no caminho e que podemos avançar mais na consultoria financeira. Essa é a nossa missão e razão de existir”, disse.

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Durante coletiva de imprensa, Franco citou uma contradição: os entrevistados falam que não tem de onde cortar despesas para poupar, mas parte deles investem em jogos de apostas, streaming entre outras despesas como essas. “Cerca 25% do pesquisados costumam fazer apostas online e somente 10% deles tem seguro de vida. A questão da renda é importante para aumento da penetração do seguro de vida e previdência, mas isso mostra que o trabalho de educação financeira tem de vir antes”, comenta Franco. “Existe um desejo, uma consciência e desconhecimento sobre qual será a renda de aposentadoria. Temos um desafio das seguradoras, bancos, corretores no papel de assessoria de riscos para seus clientes, além do papel do Estado em regulação”.

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A pesquisa mostra crescimento, ainda que pequeno, no grupo de pessoas com seguro de pessoas e/ou planosde previdência privada, na comparação com a edição inicial. O que vale destacar é o alcance destes produtos a todas as camadas sociais. Da amostra, 50% dos participantes com planos de previdência são das classes C, D, e E, desmistificando a ideia de que se trata de um produto para a classe mais elevada.

Do total de entrevistados, 45% consideraram ‘reduzir as despesas para sobrar renda’ como principal obstáculo para se planejarem financeiramente. Outros 42% mencionaram ter dificuldades para gerar receita suficiente para poupar. Observou-se ainda uma preferência pelo consumo imediato entre grupos mais jovens, de 25 a 44 anos, o que dificulta a criação de uma reserva financeira.

O estudo também apresentou, de maneira inédita, o comportamento dos brasileiros em relação aos gastos com itens considerados supérfluos. Entre os entrevistados, 46% afirmaram não possuir despesas supérfluas, e por isso não teriam onde cortar gastos. Porém, quando perguntados diretamente, um quarto (25%) dos entrevistados informou que costuma participar de jogos de azar ou fazer apostas online. Ainda nesse capítulo, 10% deles consideraram esse tipo de gasto mais importante do que contratar um seguro de vida.

Com o aumento da longevidade e o envelhecimento da população, o sonho da aposentadoria exige planejamento. Sobre as expectativas para o futuro, metade dos entrevistados revelou que idealiza se aposentar até completarem 60 anos. No entanto, quando questionados sobre a idade que de fato irão se aposentar, apenas 29% disseram acreditar que vão conseguir parar até os 60 anos. Outros 8% confessaram achar que nunca irão se aposentar.

Contar com o INSS como fonte de renda após parar de trabalhar continua com o maior índice na pesquisa de 2024 (37%). Entre os que pretendem se aposentar com o dinheiro da Previdência Social, 65% não sabem o valor que irão receber.

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Outros 65% da amostra confirmaram saber ou ouviram falar sobre o valor máximo pago pelo INSS. Entretanto, entre eles, a maioria tem ideia incorreta sobre o teto do benefício – destes, somente 15% afirmou ser mais de 7 mil reais e apenas 1% citou valores mais precisos, entre R$ 7.400,00 e R$ 7.800,00. Sobre a pesquisa A pesquisa Percepção dos Brasileiros Sobre Proteção e Planejamento, da Fenaprevi, encomendada ao Instituto.

DataFolha, foi realizada em setembro de 2024 com mais de 1.900 pessoas com 18 anos ou mais, de todas as regiões do Brasil e de diversas classes sociais. A edição compara os dados com as anteriores (2023 e 2021), trazendo ainda recortes inéditos.

Previdência e Vida: como AI vem transformando o setor

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A longevidade e seu impacto nos setores de seguros e previdência foi tema central do primeiro painel do Fórum Fenaprevi, intitulado “Ciência e Tecnologia Transformando a Previdência e Seguros: O Que Esperar do Futuro?”. Moderado pela vice-presidente da Fenaprevi, Ângela Assis, o painel contou com uma palestra da renomada especialista Mayana Zatz, da USP, além da participação de Fabio Gandour (COESA), Carlos Gondim (Porto Seguro), Jéssica Bastos (Susep) e do economista Andrew Scott.

Mayana Zatz, uma das principais referências no estudo do genoma humano e células-tronco, apresentou os avanços científicos que buscam compreender as características de pessoas que vivem mais de 100 anos com saúde e disposição. Coordenando pesquisas no Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da USP, Zatz explicou que seu objetivo é identificar genes que contribuem para a longevidade excepcional.

“Queremos entender o que esses genes regulam no organismo dessas pessoas e como isso ajuda a envelhecer sem doenças”, destacou. Ela também ressaltou que, enquanto fatores ambientais e comportamentais têm grande impacto na juventude, a influência da genética se torna predominante em idades mais avançadas, chegando a representar até 80% da longevidade em pessoas acima de 90 anos.

Mayana enfatizou a importância de discutir as implicações de estender a vida humana, desde o impacto nos sistemas de saúde e previdência até as desigualdades no acesso a terapias antienvelhecimento. “Ainda há muito a ser descoberto, mas os centenários saudáveis fornecem insights valiosos através de suas histórias de vida e dados genéticos. A inteligência artificial tem um papel crucial para melhorar a medicina, mas acredito que a inteligência humana continuará sendo decisiva para o avanço dos nossos estudos”, afirmou.

Carlos Gondim, diretor de vida da Porto Seguro, abordou os desafios enfrentados pelas seguradoras diante da crescente longevidade. Ele destacou o esforço necessário para separar possibilidades de promessas nos dados usados para precificar produtos de vida e previdência. “A inteligência artificial pode nos ajudar a deixar de olhar para o retrovisor e focar no futuro”, comentou.

Outro ponto crítico, segundo Gondim, é como lidar com pessoas que chegam aos 60 anos sem preparação para viver mais, seja em termos de saúde, finanças ou planejamento de vida. Ele mencionou exemplos internacionais de produtos voltados para pessoas acima de 60 anos, com condições diferenciadas, e destacou a necessidade de soluções específicas para esse público.

Gondim também ressaltou a importância do novo marco regulatório da previdência, que oferece maior flexibilidade para o desenvolvimento de produtos adaptados a todas as fases da vida. Além disso, ele enfatizou a urgência de promover educação financeira de longo prazo para jovens, abordando o futuro de forma clara e conectada com a realidade transformadora que os aguarda. “Estamos num processo de evolução e ainda temos muito o que fazer”.

Representando a Susep, Jéssica Bastos destacou que o mercado de seguros e previdência deve ser dinâmico e flexível para se adaptar às mudanças. “A realidade é mutável, e a flexibilidade se torna essencial para garantir a saúde do setor”, afirmou. Ela também reforçou que os avanços tecnológicos devem ser usados com responsabilidade para ampliar o acesso à proteção financeira.

Segundo ela, a Susep tem um titular apaixonado por inovação tecnológica, colocando a AI em todas as iniciativas desta gestão da autarquia. “A agenda trouxe uma aproximação da autarquia com setor com diversos grupos de trabalho para ampliar o acesso ao seguro, reduzir preco e aumentar a capilaridade, com projetos que podem atrair financiadores para diversos temas, inclusive educação financeira”.

Ângela Assis, mediadora do painel, apontou que as empresas precisam criar oportunidades no mercado de trabalho para pessoas com mais de 60 anos, garantindo a movimentação econômica e reforçando a importância da ética no uso da inteligência artificial para promover a longevidade saudável. “O Brasil está envelhecendo rapidamente, com baixos níveis de poupança individual e insuficiência na educação financeira. A partir de 2031, teremos mais pessoas usufruindo dos benefícios do governo do que contribuindo para ele. Como resolver isso? Enfrentamos um problema estrutural que exige mudanças profundas”, alertou.

Viver mais é muito bom, mas temos de ter qualidade, afirmou a mediadora do painel, Ângela Assis. Ela ressaltou que as empresas precisam criar mercado de trabalho para pessoas +60 para fazer o mercado girar e também destacou a importância da ética no uso da AI em todos os seus sentidos que envolvem a busca por uma longevidade saudável. O Brasil está envelhecendo muito rápido, tem um baixo nível de poupança individual e educação financeira insuficiente. A partir de 2031 teremos mais pessoas usufruindo dos benefícios do governo do que contribuindo para ele. Como vamos resolver isso mundialmente, e especialmente no Brasil, que envelhece rapidamente a partir de agora?

“É um problema em relação em recursos”, reforça Scott. “A solução é mudar como envelhecemos. Aumentar taxa de natalidade, mas não entendo este raciocínio. Fazer uma pessoa ter filhos, algo que ela não quer, para resolvermos um problema da previdência social de um país. A imigração é outra tentativa dos governos, atraindo mais jovens para países já com mais idosos, o que para mim não vai ser solução. O sistema previdenciário é um esquema de pirâmide e nunca tem o suficiente. Ele só funciona se tem gente entrando. E não é isso que esta acontecendo. Isso precisa mudar. E sobra um ponto que defendo: que todos permaneçam mais saudáveis, com acesso a qualificações profissionais para serem produtivos no mercado de trabalho que lhe dá renda para viver mais”, finaliza.

Previdência e Vida: O poder da saúde na longevidade

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O setor de seguro de vida e previdência está profundamente ligado ao tema da longevidade, que caminha ao lado de outros tópicos prioritários, como inteligência artificial, fatores macroeconômicos e questões sociais que buscam reduzir o expressivo gap de proteção financeira da população brasileira. Mas como nos adaptaremos aos desafios de viver uma vida mais longa, saudável e produtiva?

“Precisamos tratar esse tema de forma positiva, pois ele tem sido abordado sob uma ótica muito negativa, com foco na queda do PIB, na crise de saúde e no envelhecimento populacional crescente”, afirmou Andrew Scott, economista renomado e professor da London Business School, durante sua palestra “Você está pronto para a vida de 100 anos?”, realizada na abertura do Fórum Fenaprevi em São Paulo.

Com visão otimista, mas desafiadora, sobre como podemos nos preparar para um mundo onde a longevidade será cada vez mais presente, o economista traz uma reflexão sobre os esforços coletivos, como governo, setor de seguros e indivíduos. “Exige um esforço coletivo de adaptação, inovação e investimento em nosso futuro – desde a juventude até a velhice, e o setor de seguros, com sua vocação para proteção e planejamento, tem um papel fundamental nessa jornada para um futuro mais longevo e produtivo”, afirma.

Scott destacou a importância de enxergar a longevidade como uma questão prioritária e tão urgente quanto a inteligência artificial (IA) e as mudanças climáticas. “É absolutamente uma prioridade individual e coletiva essencial”, enfatizou. “Falamos muito sobre IA e mudanças climáticas e sobre como precisamos nos adaptar ao futuro que essas forças estão moldando. No entanto, ouvimos muito pouco sobre como nos preparar para as prioridades associadas às vidas mais longas que estamos vivendo agora. A longevidade é tão importante quanto essas outras grandes questões globais.”

Ao abordar a adaptação necessária para uma sociedade mais longeva, Scott pontuou que o Brasil tem uma grande oportunidade, desde que invista em políticas públicas que priorizem a educação contínua e a inclusão dos trabalhadores seniores no mercado. Ele destacou que, para viver mais, é necessário produzir por mais tempo, e que isso exige mudanças culturais, institucionais e na mentalidade das pessoas.

“A sociedade está envelhecendo, e isso tem consequências. Precisamos pensar de forma diferente, criar estruturas que apoiem essa transição. Envelhecer não é um problema isolado; é uma transformação radical que afeta tudo, inclusive os seguros e a previdência. Não é apenas uma questão de persuadir as pessoas a poupar, mas de mudar a forma como pensamos e agimos”, afirmou.

Para Scott, viver mais significa investir no futuro em todas as fases da vida. “Se vamos viver mais, como vamos usar nosso tempo? Como vamos equalizar os recursos financeiros, pois precisamos ter lazer por toda a vida e não só na velhice para termos saúde lá na frente. Se vou viver mais, trabalhar mais, posso economizar menos durante a vida. É uma fase de acumulação e desinvestimento, com produtos financeiros que precisam atender essas novas exigências. Temos de investir no nosso futuro muito mais do que qualquer geração anterior”, disse.

Ele explicou que essa nova realidade exige que priorizemos aspectos como saúde, finanças, habilidades, relacionamentos e senso de propósito de se planejar para uma vida longa. quanto vou viver, quanto preciso para a aposentadoria? “A sociedade ainda não estruturou instituições, normas ou políticas para nos ajudar nesse processo. Então, como podemos inovar e assegurar que o envelhecimento tenha menos impacto na nossa saúde física, mental e financeira? Como podemos trabalhar ou estudar de maneira diferente?”, questionou o economista.

Scott também apontou como essa mudança afeta diretamente as gerações mais jovens e de meia-idade. “Hoje, somos diferentes das gerações anteriores. Eu, por exemplo, sou um homem de 59 anos muito diferente do meu pai e do meu avô. Da mesma forma, meus filhos têm comportamentos distintos, não têm casa própria, e isso reflete as mudanças que estão ocorrendo na sociedade.”

Em saúde, ele afirma que é preciso mudar o foco do pensamento “a saúde é cara”. Sim, é. Vamos precisar de mais recursos para financiar esta vida mais longa. Temos de ter prevenção, não intervenção. Inovação na prevenção. Combinar o envelhecimento e saúde. Temos de ser produtivos por mais tempo. Não vai gastar menos dinheiro. Vai gastar o mesmo ou até mais, mas nos manter bem e não para nos tratar quando já estivermos doentes”.

Outro ponto central da palestra foi o impacto da IA, especialmente no mercado de trabalho. Segundo Scott, a tecnologia pode tornar as habilidades humanas ainda mais valiosas. “A IA é extremamente eficiente em habilidades ‘não-humanas’, como algoritmos e big data. Em contrapartida, trabalhadores mais velhos tendem a ter maior inteligência emocional, o que pode se tornar um diferencial ainda mais valorizado”, explicou.

Na área da saúde, a IA também pode redefinir o papel do paciente, que hoje desempenha uma função passiva. “Vou gastar fortunas para não ter demência com comidas e hábitos saudáveis. O propósito da vida é entender quem você é. Isso ajuda a ter saúde mental. Atualmente, os pacientes relatam sintomas e recebem um diagnóstico médico. Com a IA, podemos reivindicar maior autonomia nesse processo. Essa transformação precisa ser parte de uma mudança sistêmica em direção à saúde preventiva, uma vez que apenas 20% é genético e 80% comportamental. Por isso, o que você vai fazer para se tornar evergreen, perene”, concluiu.

Allianz celebra 120 anos no Brasil

Eduard Folch, presidente da Allianz Seguros

Fonte: Allianz

O mês de novembro traz um marco importante para a Allianz Brasil, que hoje, 26, completa 120 anos de atuação no país. Mercado estratégico para a multinacional, sediada na Alemanha, o Brasil se destaca por sua extensão continental, economia fértil, oportunidades e diferentes realidades – características que, juntas, possibilitam a oferta das mais diversas modalidades de seguros por meio do corretor, principal canal de distribuição dos produtos e serviços da companhia.

“Celebramos este marco com quem nos ajudou e segue nos ajudando a chegar até aqui. E, certamente, os corretores, os segurados e os nossos colaboradores são essas pessoas”, declara Eduard Folch, presidente da Allianz Brasil. “Essa história centenária demonstra que a Allianz é uma empresa que entende de Brasil, tem compromisso de longo prazo com o país e sempre reconheceu que o consumidor brasileiro confia nos corretores para adquirir seus seguros.”

Entre as 10 maiores seguradoras do Brasil, a Allianz conta com mais de dois mil colaboradores, que atendem a milhões de clientes e a mais de 30 mil corretores parceiros. Para Eduard, no entanto, o papel da Allianz no país vai além do sucesso comercial. “Temos a responsabilidade de contribuir para uma sociedade mais justa e sustentável. Nós estamos comprometidos com práticas ESG, promovendo diversidade e inclusão em todos os níveis da organização e implementando iniciativas que visam a proteção e apoio às comunidades onde atuamos”, pontua.

Nova jornada pautada em transformação

Em 2024, a Allianz também deu início a um novo capítulo de sua história, focada em uma jornada de transformação, aceleração e crescimento de seus negócios. Segundo Eduard, o objetivo é elevar a companhia a outros estágios de desenvolvimento, contribuindo para que seja referência no setor até 2027. O projeto envolve todos os colaboradores, que identificaram e estão implementando iniciativas que impulsionarão a Allianz, fazendo dela uma empresa com uma cultura de constante melhoria. 

“É um projeto que vai gerar mais proximidade, conexão e melhores experiências para corretores e clientes”, explica, destacando que sua atuação enquanto presidente, assim como a toda equipe, seguirá orientada pela excelência operacional, trazendo mais agilidade e eficiência, além de uma aproximação maior com os parceiros de negócios. Para isso, a companhia tem o compromisso de colocar o corretor e o segurado no centro de suas ações.

“Se chegamos até aqui, é porque sempre honramos os compromissos com os corretores e clientes e só temos a agradecer aos nossos parceiros pelos negócios que nos proporcionaram. A solidez e a resiliência financeira da Allianz têm sido e continuarão a ser pilares essenciais para enfrentar diferentes contextos históricos e econômicos”, afirma Eduard. “Nosso legado nos trouxe até aqui, mas é a visão de futuro que continuará nos impulsionando. A transformação que estamos vivenciando é sobre adotar uma nova mentalidade de inovação, fazendo da Allianz Brasil referência no mercado de seguros não apenas pela qualidade de produtos e serviços, mas pela integridade nos negócios, respeito, inovação e impacto positivo para retribuir ao país tudo o que já nos proporcionou”, conclui o executivo.

Diretora de riscos da AXA relata confiança renovada nas seguradoras em meio à crescente vulnerabilidade

diretora de riscos da AXA

A AXA acaba de divulgar a 11ª edição do seu tradicional relatório anual Future Risks Report, que apresenta o ranking das dez principais preocupações globais para 2024. O estudo é baseado em uma ampla pesquisa realizada com 3mil especialistas em 50 países e 20 mil pessoas do público geral em 15 nações.

O relatório revela que as mudanças climáticas continuam sendo a principal preocupação dos respondentes em todos os continentes. A instabilidade geopolítica, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio e pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, subiu para o segundo lugar, enquanto os riscos cibernéticos ocupam a terceira posição.

Além disso, a inteligência artificial e os grandes volumes de dados, que entraram no ranking de riscos emergentes em 2023, permanecem na quarta posição. Outro destaque do relatório é o avanço das preocupações com novas ameaças à segurança e terrorismo, que subiram do 16º para o 8º lugar.

Entre os riscos emergentes, o relatório alerta para os perigos da desinformação, especialmente no contexto de eleições. Esse problema crescente, amplificado pelo uso de ferramentas digitais, redes sociais e inteligência artificial, representa uma séria ameaça à prevenção e gestão de riscos globais.

Nesta entrevista, Melina Cotlar, Diretora de Riscos e Sustentabilidade e membro do Comitê Executivo da AXA International Market, compartilha com o Sonho Seguro a sua visão sobre os principais destaques do relatório, o impacto dessas tendências no mercado segurador e as estratégias da AXA para enfrentar os desafios emergentes de um mundo em constante transformação.

Com a mudança climática permanecendo no topo da lista de riscos emergentes, como a AXA prevê que seguradoras e governos trabalhem juntos para mitigar os efeitos desse risco e lidar com a crescente sensação de vulnerabilidade entre o público? 

Seguradoras e governos estão cada vez mais conscientes da importância de colaborarem para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e responder ao crescente sentimento de vulnerabilidade entre o público. Essa colaboração pode abranger desde o desenvolvimento de estruturas abrangentes de avaliação e gestão de riscos, até o apoio a esforços de infraestrutura sustentável e construção de resiliência. Além disso, inclui a defesa de medidas políticas para enfrentar riscos climáticos e a ampliação da conscientização e educação pública sobre esses riscos e a importância do seguro como instrumento para garantir a estabilidade financeira. Ao unirem esforços nessas áreas, seguradoras e governos têm a oportunidade de desempenhar um papel crucial na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, contribuindo para a construção de um futuro mais resiliente e sustentável para todos.

Como a crescente dependência de grandes fornecedores e o avanço das capacidades de inteligência artificial estão impactando a percepção dos riscos cibernéticos entre especialistas, e quais estratégias de proteção e mitigação a AXA recomenda para o setor? 

De acordo com o nosso Relatório de Riscos Futuros 2024, vemos que a segurança cibernética é percebida como uma grande ameaça. Embora tenha caído do segundo para o terceiro lugar este ano, a preocupação com esse risco está provavelmente ligada à instabilidade geopolítica, ao lado do avanço contínuo das capacidades de inteligência artificial e da dependência crescente de grandes provedores. Hoje, ataques cibernéticos não apenas interrompem empresas, serviços públicos e indivíduos, mas também podem ser usados para alcançar objetivos políticos em um esforço de guerra informacional e impulso social, o que aumenta as ameaças geopolíticas. Essa tendência aumentou a conscientização sobre potenciais ataques cibernéticos e vazamentos de dados, bem como a possibilidade de ameaças cibernéticas mais sofisticadas e direcionadas. Abordar os crescentes riscos cibernéticos tornou-se agora uma prioridade estratégica para empresas e indivíduos. Várias estratégias de proteção e mitigação podem ser consideradas para aumentar a resiliência.

Quais?

  • Medidas aprimoradas de prevenção cibernética, com ferramentas, serviços e recursos proativos para identificar, mitigar e responder,
  • Consideração do seguro contra riscos cibernéticos (por exemplo, a AXA XL oferece um conjunto completo de seguros de cibersegurança para PMEs, e outras entidades da AXA estão aproveitando isso para criar novas ofertas),
  • Gestão robusta de riscos de fornecedores,
  • Utilização de defesa cibernética alimentada por IA.

A pesquisa indica que 77% do público em geral se sente vulnerável às mudanças climáticas em sua vida diária. Quais ações práticas e de comunicação o relatório sugere que a indústria de seguros possa adotar para abordar essas preocupações? 

As mudanças climáticas têm e continuarão a ter impactos diretos e indiretos em nossas atividades como seguradora global. Nossa estratégia é não apenas nos adaptar, mas também usar nossa experiência para fornecer soluções na transição para uma economia de baixo carbono, tanto como seguradoras quanto como investidores. Destacamos alguns dados-chave em nosso Relatório de Riscos Futuros, mostrando a escala de oportunidades para que a indústria de seguros contribua na luta contra as mudanças climáticas: Sem seguros, a transição não acompanhará o aquecimento global. Segundo um estudo recente da Howden e BCG, “19 trilhões de dólares já foram comprometidos para financiar a transição climática até 2030.” O mesmo estudo estima que será necessário seguro adicional para cobrir até 10 trilhões de dólares desse investimento. Nossa indústria, portanto, deve aprender a entender melhor, analisar, precificar e cobrir novos riscos para desbloquear a transição e enfrentar o desafio do século em setores como energia e construção. Na AXA, por exemplo, coletamos quase 250 milhões de euros em prêmios relacionados a energias renováveis no ano passado. No Brasil, iremos apoiar a transição energética por meio de soluções para toda a cadeia produtiva envolvida. Por meio do AXA Verde, iremos concentrar produtos e serviços com esse foco e já estamos em andamento com um retrofit do seguro property para a construção de uma sociedade mais resiliente. Acreditamos que, ao agir agora e transitar para uma economia de baixo carbono, garantimos que o mundo de amanhã permaneça segurável.

Quais fatores específicos levaram ao aumento significativo na preocupação dos especialistas com a instabilidade geopolítica, e como a AXA avalia o potencial impacto das crises na Ucrânia e no Oriente Médio para a indústria de seguros e resseguros? 

O aumento dos riscos geopolíticos contribui para um cenário global de riscos cada vez mais volátil e incerto, que a indústria de seguros precisará navegar. A instabilidade geopolítica tem uma variedade de impactos para as seguradoras, desde subscrição e sinistros até investimentos, operações, cadeias de suprimentos, segurança cibernética, sanções e reputação. Para entender melhor esse novo contexto, insights do nosso Relatório de Riscos Futuros merecem destaque: Os cientistas ainda são as figuras mais confiáveis. Quando perguntamos aos entrevistados que escolheram esse risco para identificar o aspecto que mais os preocupava, a maioria citou “ressurgimento de conflitos militares”. Foi escolhido por 52% dos especialistas e 50% do público em geral, em ambos os casos um aumento em relação aos 42% da pesquisa do ano passado. Em segundo lugar, entre o público, estava a “ameaça nuclear.” Os especialistas colocaram o “declínio do multilateralismo e ressurgimento de blocos” em segundo lugar, à frente da “disrupção das cadeias de suprimentos”. A crescente instabilidade geopolítica pode ajudar a explicar por que menos pessoas acreditam que o nível global é o meio mais eficaz de lidar com os riscos futuros – uma visão expressa por 47% dos especialistas e 48% do público em geral, abaixo dos 54% e 52% respectivamente na pesquisa do ano passado. Mesmo que abordagens globais eficazes possam ser preferíveis em teoria, elas estão se tornando mais desafiadoras na prática.

Com a complexidade crescente dos riscos interconectados, qual papel a AXA acredita que a educação e a conscientização podem desempenhar para ajudar o público e as empresas a entender e gerenciar melhor esses riscos emergentes? 

Novos riscos estão surgindo todos os dias. Entender esses riscos é o primeiro passo para melhor preveni-los, mitigá-los e gerenciá-los. Mas com o aumento da complexidade e da interconectividade, entender os riscos muitas vezes traz seus próprios desafios. Engajar todos os stakeholders, desde governos, até a academia e o setor privado, é um passo importante para avançar. A AXA busca capacitar o público e as empresas a tomar decisões informadas sobre mitigação de riscos e cobertura de seguros. Isso pode incluir a oferta de informações sobre riscos emergentes, melhores práticas para gerenciamento de riscos e a importância de soluções de seguros adequadas. Focar na prevenção é um pilar-chave de nossa estratégia. Ao equipar indivíduos e empresas com o conhecimento e as ferramentas para identificar, avaliar e mitigar riscos interconectados, acreditamos que a educação e a conscientização podem contribuir para construir uma sociedade mais resiliente e promover práticas sustentáveis de gerenciamento de riscos.

Considerando que o Brasil é frequentemente afetado por eventos climáticos extremos, como enchentes e secas, como o relatório da AXA avalia a exposição do país às mudanças climáticas e quais medidas específicas são recomendadas para fortalecer a resiliência da população brasileira e das seguradoras a esses riscos? 

Conforme destacado no relatório, embora os impactos variem de região para região, há uma tendência clara e evidente de que fenômenos naturais estão fortemente correlacionados ao aumento geral das temperaturas. Mais diretamente, vemos isso em secas, ondas de calor ou incêndios florestais. No Brasil, o que vemos é uma certeza que a frequência desses eventos será cada vez maior. O risco existe e onde podemos atuar é no gerenciamento e prevenção de risco, mitigando o impacto. É preciso que todo o mercado, ao lado da sociedade e governo se organizem coletivamente para trabalhar nesse sentido. 

Capitalização ultrapassa R$ 23 bilhões em receitas

denis morais fenacap

Fonte: Fenacap

Com soluções diferenciadas para pessoas físicas e empresas, a Capitalização segue mantendo tendência de crescimento em seus resultados: de janeiro a setembro de 2024, foram arrecadados R$ 23,47 bilhões. O valor representa um aumento de 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), com base em dados mais recentes da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Entre os valores devolvidos à sociedade estão os resgates, também com resultado expressivo. Foram R$ 18,39 bilhões, uma evolução de 9,5%, comparada a 2023. Já os sorteios destinaram R$ 1,38 bilhão, incremento de 18,7%. Isso significa quase R$ 20 bilhões incorporados na economia brasileira, um montante que pode ser usado como complemento à renda por famílias, além de impulsionar o consumo. 

No ano que completa 95 anos de operação no país, a Capitalização também registrou crescimento dos títulos na modalidade Tradicional. O produto é considerado uma importante ferramenta de disciplina financeira, utilizado por quem precisa de incentivo para guardar dinheiro com segurança, tendo ainda a chance de concorrer a prêmios. No período acumulado de nove meses somou R$ 17,04 bilhões em arrecadação. 

Os títulos da modalidade de Filantropia Premiável também registraram boa performance, com arrecadação de R$ 3,11 bilhões. A confiança da população nesta modalidade, que tem grande apelo por seu viés social e alinhamento às práticas ESG, permitiu o repasse de R$ 1,49 bilhão a entidades filantrópicas no período, aumento de 30,8%, em comparação a 2023. Nesta modalidade, os clientes cedem o direito ao resgate do valor dos Títulos de Capitalização e os recursos são repassados a instituições de todo o país, beneficiando milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade social. 

O Instrumento de Garantia é outra modalidade que se destacou de janeiro a setembro, com faturamento de R$ 2,42 bilhões. O produto é uma solução prática e viável para quem vai alugar um imóvel e não quer depender de fiador. Esse tipo de título também pode ser utilizado na contratação de serviços em geral, como garantia para a sua execução. Mais recentemente, em novembro de 2023, o Senado aprovou sua utilização em licitações públicas para contratação de obras. 

Já a modalidade de Incentivo, produto de grande interesse de empresas dos mais diversos setores, registrou R$ 700 milhões em receitas. Este é mais um exemplo da versatilidade da Capitalização. Nesta modalidade, as companhias adquirem séries de títulos e cedem o direito ao sorteio a seus clientes e consumidores, para gerar maior engajamento e fidelização. Para empresas de varejo, por exemplo, a modalidade contribui para alavancar vendas, atrair novos consumidores, girar estoque e estreitar o relacionamento com a base de clientes.

O balanço de janeiro a setembro também apresenta um panorama do desempenho da Capitalização por região do país. O Sudeste totalizou receita de R$ 13,41 bilhões, seguido pelo Sul, com R$ 4,40 bilhões; Nordeste, com R$ 2,54 bilhões; Centro-Oeste, com R$ 2,12 bilhões, e Norte, com R$ 1 bilhão.

Ao analisar estados e regiões do país, é possível observar que São Paulo apresentou o maior percentual de participação na arrecadação do Sudeste (65,9%) e representa 37,6% da receita do país. Já o Rio Grande do Sul concentra 41,8% do total arrecadado no Sul. No Centro-Oeste, destaque para o Distrito Federal, que registra 39,8% do obtido na região.

“A confiança dos brasileiros na Capitalização reflete na robustez do segmento e é um importante incremento para a economia do país, através do pagamento de sorteios e dos resgates. Os títulos seguem cumprindo o seu papel social, além de possuir uma versatilidade que atende aos mais diversos setores. O aspecto lúdico dos sorteios, claro, é um diferencial, sobretudo porque os títulos são produtos regulados pela Susep, o que exige a máxima transparência”, afirma o presidente da FenaCap, Denis Morais.

Diretor da Tokio Marine enfatiza a importância das seguradoras na gestão de riscos

Marcelo Goldman Tokio Marine Seguradora

Fonte: Tokio

A Tokio Marine Seguradora marcou presença no U20 Rio Summit, uma iniciativa diplomática que reuniu líderes de 38 cidades dos países membros do G20 para debater e articular políticas sobre economia, clima e desenvolvimento sustentável urbano. O evento foi realizado entre os dias 14 e 17 de novembro no Armazém da Utopia, na zona portuária do Rio de Janeiro.

No dia 14, a Seguradora foi representada pelo Diretor Executivo de Produtos Massificados, Marcelo Goldman, no painel “Unlocking Resilience Finance: Empowering Cities through Strategic Investment Portfolios”. O painel também contou com a participação de Susan Aitken, líder do Glasgow Council; Tatiana Gallego Lizon, Chefe da Divisão de Habitação e Desenvolvimento Urbano do Inter-American Development Bank; Lauren Sorkin, Diretora Executiva do Resilient Cities Network; Priscilla Negreiros, Diretora do Climate Policy Initiative e Lucas Padilha, Chefe de Gabinete da Presidência da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A moderação ficou a cargo de Maurício Rodas, ex-prefeito de Quito.

Durante o painel, Goldman enfatizou a importância das seguradoras na gestão de riscos para minimizar os impactos das mudanças climáticas. “As seguradoras têm um papel crucial na sustentabilidade das cidades, tanto na prevenção de riscos quanto na reconstrução após desastres, como o ocorrido recentemente no Estado do Rio Grande do Sul. A Tokio Marine no Brasil oferece uma ampla gama de produtos voltados para esse objetivo, como o Seguro para Plantas de Energia Renováveis e o Seguro de Garantia de Obras, já alinhado com a nova lei de licitações. Além disso, soluções como seguros para infraestrutura urbana e Seguro Social de Catástrofe são projetos que o setor tem promovido junto ao Executivo e ao Legislativo para mitigar os efeitos da emergência climática”, afirmou.

A prevenção e a mitigação dos desastres naturais são prioridades para o Grupo Tokio Marine. Em 2023, a corporação apoiou a Economist Impact no desenvolvimento do Índice Cidades Resilientes, um estudo que avalia a resiliência urbana e a preparação das cidades para enfrentar choques, considerando infraestrutura, meio ambiente, dinâmica social, institucional e economia local. No Brasil, a Tokio Marine Seguradora reforça sua agenda ESG com a assinatura “Tokio ESG”, que reúne diversas iniciativas voltadas para os campos ambiental, social e de governança.