Portabilidade em saúde requer atenção

42-20907684Começa a valer nesta quarta-feira, dia 15, a portabilidade dos planos de saúde. O consumidor que não estiver satisfeito pode mudar de empresa sem ter de cumprir novamente as carências, que vão de 24 horas para urgência até 300 dias para gravidez. Alguns procedimentos têm carências de até 180 dias, como para cirurgias e procedimentos de alta complexidade e dois anos para doenças pré-existentes.

A medida é válida para planos individuais, já que os planos coletivos são isentos desta exigência e também menos regulados pela Agência Nacional de Saúde (ANS). Segundo a consultoria Capitólio, dos 52 milhões de usuários de planos de saúde, incluindo odontológico, cerca de 20% são individuais. A saúde complementar faturou R$ 55 bilhões em 2008, sendo o prêmio médio mensal pago por pessoa de R$ 116. As despesas assistenciais somaram R$ 44,8 bilhões, ou R$ 1,1 mil por beneficiário ao ano, informa a ANS.

A intenção da ANS é aumentar a concorrência entre as empresas, uma vez que o consumidor poderá migrar para outra operadora caso esteja insatisfeito com os serviços prestados. No entanto, há regras. A portabilidade é permitida para aqueles consumidores que assinaram contratos após janeiro de 1999, quando começou a valer a Lei 9656/98. Para pedir a transferência, o consumidor terá de estar no atual plano de saúde pelo prazo mínimo de dois anos. Entre outras exigências que serão observadas no pedido de portabilidade é mês de aniversário do contrato e as mesmas características do plano, que deverá ser similar ao que a pessoa tem.

Mas é preciso muito cuidado na hora de mudar de plano. Deixar um plano individual para fazer parte de um coletivo, por exemplo, significa sair da proteção da ANS, que regulamenta preços e coberturas nos planos individuais e familiares. O valor mensal chega a ser 30% menor, mas há diferenças em valores de reembolso de consultas e serviços laboratoriais e hospitalares, a ANS permite a livre negociação anual e também reajustes para equilibrar receitas e despesas da operadora do plano.

“É preciso ler com muita atenção o contrato, pois os produtos e cobertura diferem de um plano para outro. Inclusive no atendimento de hospitais e laboratórios, pois as negociações entre as empresas e os prestadores são dinâmicas e envolvem pacotes de serviços. Muitas vezes um exame rotineiro é permitido em um hospital e outro, mais específico, só pode ser feito em um especialista”, explica João Alceu Moroso de Lima, da corretora Qualicorp. Uma regra básica, segundo ele, é: quanto menor o preço, menor a cobertura e serviços oferecidos.

Segundo José Cechin, diretor do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo realizar estudos sobre saúde complementar, o plano individual está caro pois é sujeito a vários índices de incerteza. “Qual o índice que a ANS vai autorizar, qual o rol de procedimentos que as operadoras terão de seguir na próxima tabela, além da incerteza jurídica. Mesmo quando não há cobertura para o atendimento no contrato, os juizes acabam dando parecer favorável ao consumidor”, comenta.

Pirataria torna seguro sequestro mais caro

images16O custo de seguro sequestro está hoje dez vezes mais caro do que em outubro de 2008 para navios em razão do grande número de ataques de piratas, principalmente no golfo Anden, onde as embarcações no oceano Índico precisam atravessar para chegar ao Canal Suez.

Segundo estudo divulgado pela filial do grupo Aon em Londres, a demanda de proprietários de navios por seguro de seqüestro aumentou muito no ano passado. O risco das seguradoras cresceu com mais segurados em carteira. Com o agravamento da crise mundial, a criminalidade evoluiu e tornou os ataques piratas uma rotina, levando a sinistralidade da carteira para níveis insuportáveis. Em 2008, 49 navios foram atacados e 889 tripulantes mantidos como reféns, segundo estatísticas da International Maritime Bureau’s Piracy.

Para equilibrar receitas e custos, as seguradoras aumentaram o preço do seguro e passaram a exigir mais segurança em determinados locais. O custo por viagem está acima de US$ 30 mil em prêmios para uma cobertura de US$ 3 milhões, revela o estudo divulgado pela Aon Risk Service. Em janeiro e fevereiro, a segurança em locais já conhecidos inibiram os ataques. Mas mesmo assim, foram registrados 14. Em março, 25. Em abril, pelo menos seis.

Com os navios de guerras na região, os piratas foram mais ao sul, onde o cargueiro Maersk, com bandeira americana, foi atacado na semana passada por piratas da Somália. O assunto ganhou as manchetes dos noticiários mundiais. O presidente Barack Obama autorizou a Marinha dos Estados Unidos a usar a força para libertar Richard Phillips, capitão do navio cargueiro americano Alabama Maersk, caso estivesse em perigo. Três piratas foram mortos e Phillips passa bem mesmo depois de ter tentado fugir a nado, sido recapturado e mantido por cinco dias em um bote salva-vidas por cinco dias.

Notícia veiculada no site www.fenaseg.org.br

Perdas com terremoto podem atingir 3 bi de euros

SCH096O terremoto na região de Abruzzo, na Itália, sendo a cidade L’Aquila a mais atingida, deverá totalizar perdas econômicas entre 2 bilhões e 3 bilhões de euros. Porém, nem todos os prejudicados contam com uma apólice de seguros para amenizar as perdas materiais. Na Itália, a demanda por proteção contra prejuízos causados por terremotos é muito baixa em seguros massificados. Já nos empresariais a inclusão desta cobertura é mais usual.

As perdas seguradas estão projetadas entre 200 milhões e 400 milhões de euros, segundo estimativas da empresa AIR Worldwide, especializada em levantamento de perdas geradas por catástrofes. Esta previsão inclui danos causados a automóveis, residências, empresas, incluindo o prédio o conteúdo. Indenizações por lucros cessantes, ou seja, o lucro que empresas e comércio deixam de ter, uma vez que segundo o próprio o premier italiano, Silvio Berlusconi, disse se tratar de uma “cidade fantasma”, não foram computados pela AIR.

O número de mortes do último boletim ultrapassava 270, segundo as agências internacionais. Há mais de mil feridos e 17 mil desabrigados. O terremoto atingiu 5,8 graus na escala Richter. A Generali é a maior seguradora do país. O último terremoto ocorrido na região foi em 1997, com perdas econômicas de US$ 4,5 bilhões. Apenas 2% contavam com seguro.

Resseguro mais caro nos EUA, Europa e Japão

42-16394437O temor das resseguradoras com as catástrofes, em um momento que precisam recuperar capital perdido com a crise financeira global, é latente. Prova disso é o aumento de taxas verificado nas renovações ocorridas em abril, o segundo período de maior renovação do ano depois do mês de janeiro.

Segundo estudo da Aon Benfield, as taxas de resseguros de catástrofes para riscos patrimonais no Japão tiveram aumento de 10% e índices menores em outros países. Boa parte do incremento veio em razão da valorização da moeda japonesa, acarretando maiores volumes segurados e, conseqüentemente, um risco maior para as companhias.

De acordo com o estudo “Reinsurance Market Outlook” da Aon Benfield, na Europa os preços aumentaram por volta de 5%, em razão principalmente da preocupação dos resseguradores com as enchentes. Nos EUA os resseguradores aguardam como ficará a participação do Estado no socorro a vítimas de furacões. Há previsão de US$ 18,5 bilhões em um fundo para catastrophes controlado pelo estado da Flórida, o mais afetado por furacões nos últimos anos. A demanda de resseguros nesta região dependerá da regulamentação final deste fundo.

Segundo estudo divulgado pela Guy Carpenter, corretora de resseguros do grupo Marsh McLennan, os programas nacionais de seguros apresentaram alta entre 10% e 14%, acima da média de 11% verificada nas renovações de janeiro. A corretora acredita que as taxas continuarão aumentando em razão da escassez de capital com a crise financeira.

A Willis Re também detectou aumento nas taxas de renovação de contratos de riscos patrimoniais nos Estados Unidos em abril. As taxas de programas de catástrofes foram classificadas em “hardening market”, ou seja, aumentos acima de 10%. Nas taxas regionais de seguros, o estado do Texas foi o que registrou maior aumento. Em responsabilidade civil, as taxas seguem o mesmo ritmo das perdas apresentadas pelos segurados. Aqueles com sinistros elevados, pagam mais. Os que gerenciam melhor seus riscos, pagam menos.

Os estudos podem ser consultados gratuitamente nos sites das respectivas corretoras.

Brasil fica estável no mapa de risco político da Aon

O Brasil manteve a avaliação de médio-baixo risco político na 16º edição do mapa mundial de risco político elaborado por especialistas da Aon Corporation e da Oxford Analytica, divulgado hoje no País. Mesmo com o agravamento da crise internacional, a percepção da consultora de riscos foi de manutenção (estabilidade), mas com perspectiva de melhora. Para os outros países da América Latina, que dependem excessivamente da exportação de commodities, como a Venezuela, as perspectivas não são muito positivas.

“Esses países vem sentindo muito a depreciação no preço das commodities, mas mesmo assim continuam com a tendência de nacionalização em cima de recursos naturais”, informa a Aon em comunicado. Em relação ao mercado de seguros, a região da AL, com exceção do Brasil e, de certa forma, da Argentina, é uma região sem grandes problemas.

A percepção de risco é melhor em comparação a outras regiões, mas a AL é propensa a sentir com mais gravidade a depreciação dos custos das commodities (commodity crunch). Na América do Sul, o destaque ficou para Colômbia, que passou do risco médio-alto para média. A percepção de risco político melhorou em geral nos países com risco médio-baixo.

O contrário ocorreu com países do Leste Europeu, em razão do risco de crédito. Países que estavam com uma situação muito ruim estão se deteriorando ainda mais, como Afeganistão, Irã, Iraque, Zimbábue, que passaram do risco alto para o muito alto.

O mapa é uma ferramenta que auxilia as empresas a identificar e conhecer com mais profundidade os riscos políticos que impactam diretamente nas atividades comerciais em cada país. O mapa quantifica e qualifica os riscos políticos e econômicos de 209 países. O objetivo é qualificar os riscos de transferências e não convertibilidade de moedas, greves, desordem e comoção civil, guerra, terrorismo, dívida soberana, interferência política, interrupção da cadeia de suprimentos, riscos legais e regulatórios.

Por meio do cruzamento das informações econômicas e políticas reunidas pelos acadêmicos da Oxford com o conteúdo do banco de dados mundial da Aon sobre o mercado de seguro político mundial é possível traçar um cenário tanto para os clientes como para a própria corretora na formatação de programas mundiais de seguros.

Ao identificar riscos políticos, além de poder assessorar clientes em formas de mitigá-los, a corretora faz uma sintonia fina na apresentação de coberturas e preços. Dessa forma, torna o trabalho de colocação do programa de seguros no mercado mundial uma tarefa mais fácil nestes tempos de falta de liquidez e insegurança sobre se o pior da crise realmente já passou.

Os três principais riscos políticos desta edição envolvem inconvertibilidade de moeda (inabilidade de converter a moeda local em moeda forte para fazer pagamento abroad, não apenas de compras, mas dividendos, repagamento de dívidas, etc); violência política (danos físicos à ativos de empresas causados por guerra, revolução, sabotagem, terrorismo, etc) ; expropriação (ações ilegais, arbitrárias e discriminatórias por parte do governo local, que venham impedem as empresas de terem acesso aos investimentos, ativos que o país tenha, etc).

*matéria veiculada no site www.fenaseg.org.br

Brasil é tido como exemplo no G-20

Qualquer mudança na regulamentação de instituições financeiras tem de levar em conta que as atividades de seguro e de resseguro tem aspectos peculiares. “Não adianta ter regulamentações que tentam equiparar atividade de seguro com bancos e fundos de pensão”, diz Patrick Larragoiti, CEO e presidente da SulAmérica e também membro do corpo executivo da Geneva Association, entidade que reúne 80 CEOs das maiores companhias de seguros do mundo. “O mercado de seguros brasileiro e os órgãos reguladores de instituições financeiras do País têm grandes lições para dar ao mercado internacional”, comenta.

Nesta semana, a Geneva Association entregou ao ministro das finanças responsável pelas maiores economias do mundo, grupo conhecido como G-20, reunidos entre 1º e 2 de abril em Londres, uma carta assinada por 49 CEOs das maiores seguradoras do mundo, entre elas Allianz, AXA, Munich Re, Prudential, Swiss Re e Tokio Marine.

Eles pedem uma supervisão e regulação da indústria de seguros mais eficiente e transparente. Mark Turner, presidente da Prudential e também da associação, ressaltou a importância do encontro em um momento tão crucial da economia global. “É preciso ter ações coordenadas para restabelecer a confiança do consumidor e assim retomar o ritmo de crescimento”.

Na carta, os executivos ressaltam a importância da indústria de seguros, afirmando que ela traz a sustentabilidade necessária para promover a confiança, uma vez que vende proteção e garantias. “O setor de seguros e resseguros é vital para o funcionamento das economias modernas, respondendo por 9% do PIB mundial e 11% da administração de ativos”, informa a carta.

Os executivos também mostram preocupação com a regulamentação. Trata-se de um setor com uma forma diferenciada de outras empresas para contabilizar seus dados financeiros pela peculiaridade e características dos produtos que vende: proteção contra imprevistos. As companhias de seguros e de resseguros arrecadam prêmios, ou seja, valores pagos pelos segurados em troca de proteção de riscos. Elas ficam com um percentual do risco e repassam parte às resseguradoras.

Os recursos administrados serão devolvidos aos segurados em forma de indenização na ocorrência de um acidente. Parte da indenização pode voltar à seguradora em forma de recuperação de bens ou por processos judiciais, como encontrar um carro roubado ou obter reembolso do causador de um acidente ou incêndio, por exemplo. Caso o risco não se concretize (o segurado não ter o carro roubado ou batido, por exemplo), o prêmio pode virar lucro da companhia.

Para garantir que terão reservas para pagar o segurado no futuro, elas são obrigadas a fazer provisões técnicas e aplicar os recursos conforme determinações dos órgãos reguladores. Dessa aplicação virá outra parte do ganho das companhias. Ou perdas, como tem acontecido mundialmente em razão das catástrofes naturais e prejuízos com ativos financeiros. Em razão desta engenharia financeira, a regulamentação tem de separar o setor de seguros das normas de bancos e de outros serviços financeiros.

Apesar da severidade da crise financeira mundial, o mercado de seguros continua operando normalmente. Com perdas em ativos e mais indenizações para pagar, porém sem a necessidade do socorro dos governos ao setor como tem acontecido com instituições bancárias. “A reforma na regulamentação tem de estar focada em ações pró-cíclicas. O excesso de normas poder ser perigosa ao setor, principalmente gerando insuficiência no requerimento de capital”, informa a carta.

Para Patrick Larragoiti, o mercado internacional está solvente, com exceção de algumas companhias do Hemisfério Norte. A AIG, na qual o governo dos EUA teve de injetar até agora US$ 180 bilhões e mesmo assim sem ter a certeza de que livrou a empresa do risco de falência, é o mais emblemático exemplo. “Todo mundo sabe que a situação da AIG é um caso isolado. A empresa estava operando no mercado não tradicional de garanta financeira. Não se tem notícia de seguradoras tradicionais que tiveram problemas de insolvência”, diz.

Na área de seguros de vida, onde algumas companhias americanas enfrentam problemas, principalmente aquelas focadas em produtos de renda variável, Larragoiti vislumbra um período de consolidação. “Na área de seguros de vida fusões e aquisições vão acontecer naturalmente, mas não vejo razão para governos participarem, dando apoio às seguradoras”, diz.

Larragoiti lembra que nada disso está acontecendo no Brasil. “Temos aqui companhias saudáveis, fortalecidas, reservas bem constituídas e diariamente acompanhas pelos órgãos reguladores”, diz. A Geneva Association realiza duas reuniões anuais das quais participam os CEOs de seguradoras de todo o mundo. Nestes encontros são debatidos temas de relevância do setor numa busca de soluções para os desafios de um setor responsável por um faturamento de US$ 4 bilhões anuais. Em 2011, o Brasil, mais precisamente o Rio de Janeiro, será sede da reunião da Geneva Association.

*matéria veiculada no site www.fenaseg.org.br

Fenaprevi quer clientes da caderneta

A Federação das Empresas de Previdência e Vida (FenaPrevi) já começou a discutir as estratégias que poderão ajudar as seguradoras a conquistar os investidores que possivelmente irão reavaliar seu portfolio de investimentos caso o governo realmente altere o rendimento da caderneta de poupança, que acumula recursos superiores a R$ 280 bilhões. O tema foi colocado em pauta na última reunião dos executivos, realizada na semana passada.

O assunto, que teve início em 2007, era empurrado com a barriga pelo governo há um ano, em razão de o corte na taxa básica de juros da economia, a Selic, ter estacionado nos últimos meses. No entanto, com a queda de um ponto percentual e meio na última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), o assunto ganhou caráter de urgência.

Acredita-se que mesmo antes da mudança oficial no rendimento da caderneta de poupança os investidores já começarão a repensar como aplicam suas reservas. E este é o melhor momento para atrair novos clientes para a previdência aberta, com captação total de R$ 31,8 bilhões em 2008 e reservas de R$ 142 bilhões. No entanto, as empresas querem fazer uma campanha onde fique claro que é preciso ter uma poupança para emergências e outra para a previdência ou realização de desejos no longo prazo, como a entrada da casa própria, estudo dos filhos ou mesmo abrir um negócio.

A separação das reservas de curto, médio e longo prazos se faz necessária para aproveitar os benefícios fiscais dos planos de previdência. O principal benefício dos fundos de previdência aberta, conhecidos como PGBL e VGBL, é ter alíquota de Imposto de Renda de 10% a partir do décimo ano de aplicação. Quem sacar no primeiro ano, pagará 35% de IR, percentual bem acima do cobrado pelos fundos de investimentos, que geralmente cobram taxas de administração menores.