Os executivos de previdência privada aberta nunca trabalharam tanto. Estão atolados de desafios desencadeados com a crise financeira global e a queda da taxa básica de juros da economia. A etapa final do processo é conquistar os jovens, apelidados de “Geração Ipod” por especialistas internacionais. Os jovens usam MP3 não só por modismo. E sim porque eles mesmos querem escolher as músicas que vão ouvir. A mesma lógica é aplicada em previdência.
Segundo os especialistas, os mais jovens não têm memória inflacionária. Nunca conheceram alguém que tenha ficado rico aplicando na caderneta de poupança. Sabem que precisam correr riscos para ter um rendimento mais elevado. Vivem conectados. Não convivem com os amigos. Interagem. Idolatram jovens talentos que enriqueceram com projetos inovadores e com a valorização de ações de empresas como o Google ou Facebook, por exemplo.
Para conquistá-los, o primeiro passo é acalmar os pais que investem em planos de previdência para garantir o futuro do jovem. Desde a explosão da crise, em setembro do ano passado, o empenho foi mostrar que o setor estava sólido e que as empresas de previdência cumpriam regras rígidas de aplicação. As seguradoras não podem aplicar em derivativos descasados e têm limites – no máximo 49% do patrimônio – para apostar em ações, segundo explicou a Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão regulador das companhias. “Nenhuma empresa teve problemas nos últimos 30 anos”, ressalta o vice-presidente de vida e previdência da SulAmérica, Renato Russo.
Paralelamente, as empresas treinaram o call center para explicar aos clientes quais os impactos da crise nos investimentos de previdência. Conseguiram. O setor encerrou 2008 com crescimento, mesmo com elevado volume de saques. As contribuições em planos abertos evoluíram 13%, para R$ 31,8 bilhões, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Aberta e Vida (Fenaprevi). O segmento que mais cresceu foi o de planos para jovens, com 46%, para contribuições de R$ 2,9 bilhões. Por ter ainda uma participação pequena, este nicho é a grande aposta das empresas para os próximos anos.
A incógnita era o comportamento dos participantes que tinham migrado da renda fixa, um porto seguro para as aplicações de previdência, para a renda variável, numa busca por uma rentabilidade mais atraente diante do quadro de juros decrescentes da economia brasileira. “A previdência aberta no Brasil é uma indústria nova. A maturidade do investidor surpreendeu. Tivemos pouca migração de clientes dos planos com ações para planos conservadores, com 100% em renda fixa”, conta Juvêncio Braga, da Caixa Seguros.
Os resgates, que cresceram entre outubro e janeiro, também cessaram. Em fevereiro deste ano, os depósitos superaram os saques, gerando captação líquida positiva de R$ 1,07 bilhão, 74% acima dos R$ 400 milhões registrados em janeiro, segundo dados do site Fortuna. “A rentabilidade foi preservada nos planos de renda fixa. No caso dos fundos com aplicações em renda variável, os clientes sentiram a queda do valor dos ativos com o recuo da bolsa”, afirma Renato Donatello, diretor de investimentos da Brasilprev, empresa de previdência privada aberta do Banco do Brasil, em parceria com a americana Principal e Sebrae. O Ibovespa encerrou o ano com baixa de 41%. “Mas já se observa uma boa recuperação e alguns fundos já compensaram integralmente a queda gerada pela crise.”
O desafio agora, passado o pior da crise, é reter o investidor e atrair novos participantes para garantir o crescimento. “Claro que não teremos os índices de evolução dos últimos anos, mas fecharemos o ano com taxas positivas”, garante Lúcio Flávio Conduru de Oliveira, diretor geral responsável pela Bradesco Vida e Previdência, líder do setor.
A intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de alterar a fórmula de calcular o rendimento da tradicional caderneta de poupança trouxe um tempero a mais para o setor. O assunto ainda está em estudo, mas já foi o suficiente para fazer com que as pessoas repensem seus investimentos. Aliado a este cenário, o Brasil passa por uma consolidação bancária. A briga pela liderança no ranking torna a oferta ao consumidor mais atraente em termos de rentabilidade e custos de taxas. Com produtos reformulados, as empresas correm atrás dos clientes.
O empenho das empresas num primeiro momento é tentar atrair recursos para os planos de previdência infantil, uma vez que os depósitos se caracterizam realmente com prazos superiores a dez anos. “Não há um investimento de longo prazo melhor do que os fundos de previdência”, garante Osvaldo do Nascimento, diretor de previdência do Itaú Unibanco, um dos maiores bancos do mundo. Numa segunda etapa, o setor pretende explorar o incentivo fiscal dado pelo governo para quem investe em previdência.
O participante não paga imposto enquanto o dinheiro está sendo acumulado, uma vez que no PGBL e no VGBL o rendimento é isento de tributação, o que o torna mais interessante do que os fundos de investimentos que sofrem tributação. A combinação do PGBL e da tabela progressiva para o jovem tem um efeito muito favorável, explica Nascimento.
Ao resgatar o patrimônio acumulado, o jovem estará estudando, com renda inferior ao teto da Receita Federal e despesas que podem ser abatidas. De cada R$ 100 de saque, por exemplo, pagará 15% de IR, valor que pode ser recuperado na declaração anual.
A combinação VGBL e tabela regressiva tem um efeito semelhante. “O valor será tributado no resgate, porém recuperado na declaração anual. Um efeito e tanto no longo prazo e que fica evidente neste cenário de baixas taxas de juros reais”, afirma.
A segunda parte da estratégia das empresas é conquistar a “geração Ipod”. Para convencê-los a manter os investimentos que os pais fizeram será preciso mais criatividade e transparência por parte das empresas. A maioria das seguradoras já disponibiliza serviços de previdência na internet e também no Iphone. Mas mesmo com tantos investimentos em tecnologia, o processo para saber quais as ações que compõem o fundo de previdência pode ser considerado pré-histórico.
É preciso entrar no site da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid) para consultar. E mesmo assim há atraso de quase quatro meses nas informações. “É uma tendência ter uma divulgação mais abrangente, um leque maior de opções de fundos para os jovens, principalmente em renda variável e buscar retorno no longo prazo atraente para este participante tão plugado”, diz Donatello, da Brasilprev.
*Matéria produzida com exclusividade para o suplemento especial Previdência Jovem do jornal Valor Econômico, no dia 30 de abril de 2009

Garantir a educação dos filhos está no topo da lista de preocupações de pais e avós quando o assunto é o futuro. “Fiz um plano de previdência para Gabriela e Luiz Gustavo logo que nasceram”, conta o atleta e empresário que acaba de lançar o livro para crianças “Tchibum!”, Gustavo Borges.
O grupo ACE Limited registrou lucro líquido de US$ 567 milhões no primeiro trimestre deste ano, 50% acima dos US$ 377 milhões registrados no mesmo período de 2008. O lucro operacional aproximou-se de US$ 670 milhões. Segundo comunicado do grupo, a rentabilidade anualizada sobre o patrimônio ficou em 18,4%. O valor de mercado da ACE registrou alta de 2% no final de março deste ano, para US$ 272 milhões, comparado com dezembro último. O índice combinado das operações de ramos elementares chegou a 87,5%.
Começou a safra de balanços do primeiro trimestre do ano. A expectativa de analistas em relação ao desempenho das companhias de seguros e de resseguros é de resultados positivos, porém menores do que os registrados em mesmo período do ano passado, quando a crise financeira ainda se espalhava vagarosamente.
As agências de classificação de riscos poderão recuperar um pouco da credibilidade com as novas medidas aprovadas na semana passada, dia 23, pelo Parlamento Europeu. O comitê dos 27 países membros aprovou novas medidas que pretendem melhorar a transparência e independência das agências de classificação de riscos. As empresas que quiserem atuar na União Européia terão de cumprir as determinações de registro da normativa aprovada por 569 votos a favor, 47 contras e quatro abstenções. As normas passarão a valer 20 dias após a publicação oficial e as empresas terão um prazo de seis meses para se adaptar.
O balanço da Chubb Corporation traz uma amostra da deteriorização das classes mais ricas nos Estados Unidos, afetados tanto pelas perdas de investimentos no mercado acionário como pelo desemprego. O grupo, um dos maiores em seguros diferenciados para a alta renda, registrou lucro líquido de US$ 341 milhões no primeiro trimestre de 2009, abaixo dos US$ 664 milhões registrados em 2008.
Acostumadas a exibir índices de faturamento e de rentabilidade crescentes nos últimos anos, as resseguradoras e seguradoras internacionais terão de suar a camisa para apresentar bons resultados neste ano – principalmente enfrentando um cenário em que a taxa de juros é declinante, o volume de pedidos de indenização ascendente e o mercado acionário, ainda volátil.
A indústria de seguros mundial ficará mais regulada. Esta é a conclusão de uma pesquisa feita pela Geneva Association (Associação de Genebra), entidade que reúne cerca de 80 CEOs da indústria de seguros mundial. A pesquisa foi realizada durante encontro que reuniu cerca de 70 especialistas para comemorar o 25º aniversário do grupo de estudo de em regulação, supervisão e questões legais. Entre os profissionais estiveram presentes Peter Braumüller, presidente da International Association of Insurance Supervisors (IAIS) e Roger Sivegny, presidente da National Association of Insurance Commissioners (NAIC), responsável pela fiscalização das seguradoras nos Estados Unidos.
Uma grande preocupação dos governos em todo o mundo em relação a ocorrência de catástrofes é ter um planejamento em como reconstruir o país diante da destruição. Várias medidas podem ser tomadas. Melhorar a atratividade dos seguros oferecidos no país, introduzir alguns seguros obrigatórios, assegurar a idoneidade dos canais de distribuição, investir na conscientização dos riscos a que a população está exposta e também na credibilidade da indústria de seguros.
Os efeitos da crise já são sentidos no Brasil. Ao mesmo tempo em que há sinais de vitalidade, com fila de espera para a compra de alguns modelos de veículos zero quilômetro, há também uma dura realidade, como os 100 mil veículos já recuperados pelos bancos até fevereiro em razão da inadimplência. Segundo especialistas, a intensidade com que o País será atingido dependerá do esforço de cada indivíduo, de cada empresa, de cada governo.