Há uma grande tempestade sobre a aposentadoria mundial. Se nada for feito, os efeitos serão devastadores no futuro. Esta é uma das conclusões da pesquisa “O Futuro da Aposentadoria, Tempo de se Planejar”, divulgada pelo HSBC. Segundo Clive Bannister, diretor mundial de seguros do HSBC, esta tempestade vem se formando nos últimos anos e foi agravada pela crise financeira.
“A mudança demográfica, com o aumento da expectativa de vida e queda nas taxas de natalidade, a redução dos benefícios por parte de governos e de empresas, a queda nos rendimentos dos fundos dificultando o acréscimo do patrimônio acumulado, a interrupção dos depósitos por parte de empresas e indivíduos na poupança previdenciária em razão dos efeitos da crise são fatores que certamente podem comprometer o futuro da sociedade”, diz o executivo em mensagem gravada em vídeo e apresentada no lançamento da quinta edição do estudo.
“A sociedade vai ser melhor se criar o hábito de poupar”, reforça Fernando Moreira, presidente da HSBC no Brasil, durante o evento. “E poupar não é um fato conjuntural, ter ou não dinheiro. É cultural”, afirma, citando o exemplo dos chineses, que poupam, independentemente da faixa salarial, uma média de 30% da renda mensal. Já os americanos não poupam. Os europeus estão na média de 20% e os brasileiros por volta de 7%.
Segundo ele, o grande desafio para as empresas de previdência e governo é o investimento em educação financeira. Qual a idade de se aposentar com o efeito da longevidade? Quanto de reservas as empresas, os governos e as pessoas precisam fazer para ter uma sociedade saudável? E ao fazer a poupança previdenciária, onde aplicá-la, de forma a ter recursos para viver uma vida saudável na melhor idade?
A quinta edição do estudo, que ouviu 14 mil pessoas de 15 países, de 30 a 70 anos, sendo 1 mil pessoas entrevistadas no Brasil, relatou que, apesar do envelhecimento mundial da população, há uma imensa falta de preparação das pessoas em relação ao seu futuro, em muitos casos, como no Brasil, observado principalmente como conseqüência do baixo nível de compreensão de suas finanças atuais e de como estas poderão vir a ser no futuro. Um dado alarmante: 94% não estão preparados para o futuro. Apenas 6% dos brasileiros acreditam estar bem preparados para aposentadoria, enquanto são 13% no mundo.
Cerca de 35% dos brasileiros acreditam entender bem suas finanças de curto prazo, contra o dado mundial de 45%. Dois terços dos brasileiros (63%) nunca tiveram nenhuma forma de consultoria financeira profissional, acima da média mundial de 47%.
A crise econômica trouxe riscos para o futuro em termos de aposentadoria. Segundo a pesquisa, a turbulência afetou as finanças de 92% dos entrevistados, seja pela perda de emprego, por prejuízos em investimentos ou mesmo para pagamento antecipado de dívidas por não saber se perderá a renda com a nova modelagem mundial desenhada com a desaceleração da economia. Isso faz com que 19% afirmem que não vão se aposentar com a renda que pretendiam e outros 10% estão certos de que terão de trabalhar mais tempo para repor os recursos necessários no fundo para arcar com os custos necessários na aposentadoria.
Especialmente no Brasil, a queda da taxa básica de juros da economia requer uma revisão das taxas cobradas em fundos de acumulação de recursos, que hoje perdem para a mais tradicional das aplicações, a caderneta de poupança. Nos primeiros sete dias úteis de junho, a poupança somou R$ 2 bilhões em novos depósitos, já descontados os saques, segundo o Banco Central. O volume é maior que toda a captação líquida de maio, quando os depósitos somaram R$ 1,8 bilhão.
Com retorno menor, os fundos DI perderam R$ 2,2 bilhões, e os de renda fixa, R$ 1,7 bilhão nos primeiros sete dias úteis do mês, segundo a Anbid. “Há uma agenda de negociações com o governo para que as instituições adequarem seus custos a nova realidade de taxas de juros de um dígito e também de estímulos fiscais para quem quer poupar”, diz Moreira.
O incentivo fiscal é um pedido de boa parte dos entrevistados, como estímulo para organizarem suas poupanças individuais, uma vez que governos e empresas reduzem os benefícios concedidos. Cerca de 40% dos brasileiros são favoráveis ao encorajamento de poupança privada por meio de isenções fiscais, contra o dado global de 31%. Apenas 3% são a favor de aumento de impostos para pagar por melhores aposentadorias/ pensões sociais, bem menor que a média global de 13%. Pouco mais de 9% dos brasileiros são a favor de aumentar a idade limite da aposentadoria e apoiar as pessoas a trabalhar por mais tempo, quase metade da média global de 16%.
Quando o tema é a crise financeira, os brasileiros se mostram mais otimistas e os japoneses revelam o lado conservador de sua cultura. Embora o FMI espere que o Brasil permaneça em recessão durante 2009 e meados de 2010, 45% dos brasileiros esperam que a desaceleração deverá durar menos de 12 meses. Globalmente este percentual cai para 29%. No Japão, o índice dos que acreditam que a crise dura mais do que 12 meses supera 50%.
Muitos consideraram, no entanto, que a desaceleração deverá continuar a afetar-lhes por um tempo, mesmo depois de ter acabado, refletindo suas conseqüências no mercado de trabalho, no rendimento das poupanças e investimentos. Neste cenário, as famílias estão reduzindo despesas com grandes e pequenas compras e também pagando suas dívidas. Inclusive, a questão das dívidas é um tema forte para os brasileiros. 23% dos entrevistados a escolheram como um potencial obstáculo para economizar (em comparação com 18% a nível mundial). Outros 22% dizem que gostariam de procurar aconselhamento financeiro para ajudá-los a fazer escolhas melhores.
“A longevidade é um fato, o que resulta numa grande necessidade de incentivar a educação financeira na vida do brasileiro desde cedo. Somente com informação e planejamento, as pessoas poderão ter qualidade de vida na aposentadoria”, diz o presidente da HSBC Seguros. Segundo Moreira, o Brasil se defronta com uma sociedade em envelhecimento. “Neste cenário, vemos os indivíduos adquirindo mais necessidade de se responsabilizar pelo financiamento de sua aposentadoria, dado que a confiança de que os governos são capazes de cumprir com essa obrigação é baixa”.
A pesquisa conclui que como estratégia de sobrevivência à crise econômica, as pessoas focaram em reduzir suas despesas e dívidas. Como forma de solucionar a questão, o primeiro passo é a necessidade imediata de revisão das finanças pessoais e, principalmente, do aumento do acesso à educação financeira e ao aconselhamento profissional. “Cabe às instituições financeiras e ao governo estimular que as pessoas poupem para que tenhamos uma sociedade saudável no futuro”, finaliza Fernando Moreira.

O otimismo das empresas brasileiras talvez seja o principal ingrediente para o Brasil amenizar os efeitos da crise mundial. O grupo Aon no Brasil é prova disso. Apesar da segunda queda consecutiva no PIB brasileiro, com o recuo de 0,8% no primeiro trimestre deste ano, a Aon informou que bateu recordes no País no primeiro quadrimestre de 2009, com receita 20% maior do que em 2008 no mesmo período.
Começou hoje o 45º Congresso Anual do International Insurance Society (IIS), em Amman, Jordânia, com a presença de 500 profissionais de seguradoras procedentes de 50 nações. Serão três dias de debates sobre os principais temas que envolvem a indústria de seguros em todo o mundo, como situação política e cultural em todo o mundo, regulamentação dos mercados financeiros e crescimento econômico. No último dia, a ideia é tentar traçar um cenário da indústria de seguros pós-crise.
Hoje, Dia Mundial do Meio Ambiente e da Ecologia, apenas a Bradesco Capitalização e a Allianz fizeram menção ao assunto até o início da tarde, divulgando aos jornalistas notas sobre o tema. Para quem não sabe, o México é o país sede das comemorações de hoje do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que tem como tema “Seu planeta precisa de você: Unidos contra as mudanças climáticas”.
A crise começa a fazer suas vítimas na indústria de seguros. Dois produtos financeiros, seguro garantia e de crédito, começam a enfrentar dificuldades. Depois de vivenciar dois anos de farta capacidade e taxas baixas, a atual realidade do seguro garantia é de redução de investidores interessados e aumento da sinistralidade, que já começa a ser sentida pelo consumidor brasilero. “Garantia é um segmento que tem forte dependência do resseguro e por isso sofre com o cenário externo”, disse Alexandre Malucelli, presidente da JMalucelli Re durante sua palestra no VIII Encontro Anual do Comitê do Setor Elétrico, realizada em Belo Horizonte entre os dias 2 e 4 de junho e promovido pela Associação Brasileira de Gerenciamento de Risco (ABGR).
Depois de viajar vários dias para negociar com 16 resseguradores estrangeiros a renovação de contratos automáticos para garantir as operações de seguro da JMalucelli, Alexandre Malucelli (foto), presidente da resseguradora chegou a conclusão de que a crise chegou no segmento de seguro de crédito e garantia. “Mesmo diante do baixo astral instalado no exterior, conseguimos renovar nossos contratos até junho de 2010 com mais capacidade em razão do bom momento que o Brasil vive e pelo histórico de crescimento de vendas e rentabilidade do segmento no País”.