Empresas buscam contratos milionários*

matéria produzida com exclusividade para o especial Infraestrutura, do jornal Valor Econômico, publicado dia 12 de maio de 2010*

O risco de uma crise no mercado de seguros mundial, em consequência da turbulência financeira iniciada na Grécia e que já atinge outros países europeus, começa a ser alvo de atenção das principais seguradoras e compradores de seguros no Brasil. A criação da seguradora estatal Empresa Brasileira de Seguros (EBS) pelo ministro da Fazenda Guido Mantega aconteceu exatamente um dia antes de um forte estresse vivido pelo mercado financeiro mundial. No dia 6 de maio, investidores do mundo todo se assustaram com a queda de 9% na Bolsa de Nova York, durante o dia. No final do pregão, porém, a principal bolsa do mundo amargou uma baixa de 3,2%.

As seguradoras são investidoras institucionais e recebem valores, chamados de prêmios, para garantir pagamentos futuros em caso de perdas de seus clientes. Enquanto essas perdas não ocorrem, as companhias de seguros e de resseguros aplicam os recursos no mercado financeiro. Se o mercado financeiro apresentar perdas, elas também terão prejuízos. A Munich Re, maior resseguradora do mundo, já deu sinais de preocupação. Na sexta-feira, dia 7, afirmou a investidores que talvez não consiga atingir o lucro líquido alvo de € 2 bilhões em 2010, mesmo tendo superado a expectativa do primeiro trimestre, em razão da turbulência financeira.

A incerteza dos mercados aliada a um elevado volume de indenizações pagas com o terremoto no Chile, tempestades na Europa e afundamento da plataforma Deepwater Horizon, alugada pela Brithsh Petroleum da Transoceanda, no Golfo do México, com danos recordes ao meio ambiente, faz com que o cenário realmente seja preocupante para um governo que precisa garantir mais de R$ 1 trilhão em investimentos em infraestrutura do país, como prevê o Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC-2).

Ao criar a EBS, o governo brasileiro quis evitar o risco de passar novamente por um grande aperto como o vivenciado em setembro de 2008, ápice da crise financeira mundial com a falência do banco de investimento Lehman Brothers e a quase derrocada da AIG, até então a maior seguradora do mundo. O susto veio quando todas as garantias para a concretização do “project finance”, com crédito de R$ 6,2 bilhões, da Usina Santo Antonio, com prazo de 25 anos, estavam negociadas e com a crise vários seguradores e resseguradores foram obrigados e sair do contrato ou reduzir a participação em razão da crise. Principalmente a AIG, socorrida pelo Tesouro americano com US$ 180 bilhões, e que tinha uma fatia significativa no acordo da terceira maior hidrelétrica do mundo no Rio Madeira.

De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a EBS não concorrerá com o mercado, porque a concessão de seguro garantia ocorrerá sempre em consórcio com o setor privado. A seguradora estatal será a responsável por administrar os fundos garantidores do governo e também a concessão de seguros não cobertos pelo mercado. Sendo uma seguradora, os recursos dos fundos serão ampliados, uma vez para cada real de risco assumido pela seguradora pode garantir vários mil reais em volume de empréstimos.

A EBS será usada pelo governo caso haja necessidade. Se a atual turbulência financeira for superada, a indústria de seguros tem farta oferta de capital para o Brasil. Estão presentes no país praticamente todas as maiores seguradoras e resseguradoras do mundo. Todas elas disputam os contratos milionários dos investimentos em infraestrutura que suportarão o crescimento da economia do Brasil e também que visam preparar o país para ser o anfitrião da Copa em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016.

São várias frentes de negócios. Desde o seguro que garante que o consórcio vencedor do leilão irá honrar o preço ofertado até o atraso no início de funcionamento de uma hidrelétrica, por exemplo. A Liberty International Underwriters (LIU), divisão de riscos especiais da Liberty Seguros, foi a vencedora da licitação para a emissão da apólice de seguro de transporte de parte das turbinas e subestações relacionadas, que serão usados na construção da hidrelétrica de Jirau, uma das maiores obras do PAC.

A apólice, com prêmio no valor de US$ 1,1 milhão, terá vigência de dois anos e dez meses e prevê cobertura de US$ 335 milhões para danos ocorridos no deslocamento de 18 turbinas e subestações fabricadas na China e Coréia, respectivamente. A apólice contempla uma cobertura adicional de R$ 286 milhões para o caso de atraso no início das operações de Jirau decorrente de problemas no transporte dos equipamentos desde o fabricante até o local de instalação no Rio Madeira.

“Este tipo de cobertura não era aceito pelo Instituto Brasileiro de Resseguros (IRB) antes da abertura do mercado. Neste programa, incluímos esta nova cláusula que é amplamente aceita no mercado internacional e traz novas garantias para as empresas envolvidas no projeto”, diz Paul Conolly, diretor da LIU, que projeta crescimento de 46,5% em grandes riscos em 2010.

Segundo o suíço Emanuel Bats, responsável pela carteira de seguro de riscos de engenharia da Zurich, o grupo atende 134 das 225 construtoras globais, entre elas as principais brasileiras. Luciano Calheiros, diretor da área de seguro patrimonial da Zurich, afirma que há capacidade suficiente no Brasil para investimento de qualquer porte. “Temos US$ 140 milhões em capacidade para contratos de risco de engenharia, o suficiente para garantir a perda máxima de um projeto com investimentos de R$ 1 bilhão”, diz. Em seguro garantia, a capacidade é de US$ 500 milhões e em transporte de grandes equipamentos a Zurich tem US$ 90 milhões por embarque.

A agressividade espanhola tem rendido contratos para a Mapfre, entre eles o da Transnordestina, ferrovia com mais de 1,8 mil quilômetros no Nordeste do país. Nos contratos de seguros envolvendo Copa e Olimpíada, a expectativa da Mapfre é de que o setor terá uma receita extra de R$ 1 bilhão em contratos diversos. “Nos preparamos para ter no mínimo uma fatia de 10%”, diz Octavio Bromatti, diretor de grandes riscos da subsidiária da Mapfre, maior grupo segurador da Espanha e da América Latina em riscos patrimoniais.

Felipe Smith, diretor-técnico da Tokio Marine, está de olho no mercado de petróleo e gás. A expectativa é de que os investimentos atinjam R$ 295 bilhões entre 2010 e 2013, de acordo com projeções do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Só para embarcações são R$ 18,2 bilhões do BNDES”, afirma. A canadense Fairfax começou operar no Brasil no inicio deste ano e conta com quase 40 profissionais para desenvolver negócios corporativos.

Entre as resseguradoras, a subsidiária local da alemã Munich Re fechou o contrato de resseguro para as seguradoras ACE, RSA e Allianz, que juntas dão coberturas para proteger a Impsa dos riscos de construção de 10 instalações eólicas em Santa Catarina, com ativos segurados que superam US$ 1 bilhão, segundo Christian Garbrecht, executivo responsável por desenvolvimento de negócios da Munich Re.

Entre os corretores de seguros e de resseguros a briga promete ser intensa. “Temos mais de 900 projetos de infraestrutura com investimentos de US$ 3 bilhões até 2030”, diz Marcelo Elias, diretor de infraestrutura da Marsh Brasil e América Latina. A Aon investe na captação dos negócios entre os clientes mundiais e no Brasil aposta no treinamento. “Fizemos mais de 15 mil horas de treinamento e mandamos mais de 20 técnicos para serem treinados no exterior”, acrescenta Fernando Pereira, da concorrente Aon.

Swiss Re leva opções de resseguro para governo*

*matéria produzida com exclusividade para o especial Infraestrutura, do jornal Valor Econômico, publicado dia 12 de maio de 2010

Swiss Re, segunda maior resseguradora do mundo, vai apresentar ao secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, as opções financeiras que o mercado de seguros tem a oferecer para ajudar o Brasil a reduzir os custos dos financiamentos em infraestrutura.

“Queremos entender o que o governo precisa, porque temos muitos produtos que se encaixam nas necessidades citadas pelos participantes dos debates, inclusive pela pré-candidata à presidência da República Dilma Rousseff”, disse Filipe Bonetti, diretor da Swiss Re. Nelson Machado aceitou a oferta, que veio em boa hora diante da necessidade do governo em atrair a iniciativa privada para os investimentos em projetos de infraestrutura, que hoje contam com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo Barbosa, os investimentos privados nos projetos de infraestrutura representam um desafio. “Desafio tangível tendo as políticas adequadas, com aumento da poupança interna e mecanismos para baixar o custo da estrutura do financiamento como os que foram divulgados na semana passada pelo governo”, afirma.

Ele se referia a criação da Empresa Brasileira de Seguros (EBS). “A seguradora vai administrar os vários fundos garantidores, criados para apoiar o desenvolvimento e também poderá fazer resseguro para contribuir com a iniciativa privada em projetos que excedam a capacidade da indústria”. Mas, só isso não basta, principalmente diante do risco da crise na Europa aumentar. “Caso isso se confirme, veremos falta de capacidade para projetos, como na época do ápice da crise em setembro de 2008”, afirmou Jacques Bergman, presidente da subsidiária local da seguradora canadense FairFax.

Bonetti explicou que a Swiss Re desenhou para o governo da China um instrumento financeiro para viabilizar a transferência de riscos agrícolas ao setor privado. No México, este mesmo produto, conhecido como “insurance linked securities”, foi desenhado para transferir ao mercado de capitais os riscos do governo com terremoto. “No Brasil, podemos ter como fator de transferência os riscos de infraestrutura para o mercado de capitais”, diz Bonetti.

Segundo ele, além de mitigar o risco dos projetos, por ser um instrumento usado no exterior e conhecido dos investidores estrangeiros, o produto ainda baixa o custo do financiamento, um dos pontos que precisa ser melhorado para atrair os bilhões de dólares da poupança dos asiáticos e países árabes, que buscam retornos mais elevados do que os títulos soberanos de países como Estados Unidos, muito baixos atualmente.

“Tenho certeza que se todos sentarem para achar soluções, o mercado de seguros pode se tornar um importante aliado na estruturação de financiamentos com um custo melhor”, disse Otavio Azevedo, diretor-presidente da Andrade Gutierrez. Hoje, segundo ele, a indústria de seguros precisa se organizar de forma mais eficiente para ter capacidade de ofertar garantias que os clientes precisam neste cenário de crescimento.

Liberty sobe 15 posições no ranking da Fortune

liberty-mutualO Grupo Liberty Mutual, que controla a Liberty Seguros, entre outras empresas do setor, galgou 15 posições na edição 2010 do ranking das 500 maiores empresas americanas por sua receita bruta, publicado pela tradicional revista Fortune. A Liberty Mutual passou a ocupar a 71ª posição, com US$ 31,1 bilhões em receita. No ano passado, a empresa ocupava a 86ª posição. A escala da Liberty vem se mostrando bastante forte, sobretudo desde 2008, quando a empresa passou da 94ª posição para a 86ª. Em dois anos, a Liberty subiu 23 posições no ranking da Fortune.

Fairfax registra lucro de US$ 290,2 milhões

fairfaxA Fairfax Holding Limited, presente também no Brasil, anunciou hoje lucro de US$ 290,2 milhões no primeiro trimestre de 2010 ou US$ 14,02 por ação, comparado a uma perda de US$ 39,6 milhões no primeiro trimestre de 2009, com US$ 3,55 por ação.

Segundo nota da empresa, o resultado foi alcançado apesar do impacto negativo das indenizações geradas pelo terremoto no Chile que somaram US$ 136,8 milhões para o grupo. Prem Watsa, Chairman e CEO da FFH, afirmou que apesar das condições de “soft market”, suas operações de seguro e resseguro estão focadas na disciplina de subscrição e na prudência no cálculo de suas reservas e acredita que através desses princípios estão no caminho certo para um promissor ano de 2010.

Adicionalmente, a empresa anunciou a compra das ações restantes da Zenith National Insurance Corp. (“Zenith”), tornando a empresa focada no ramos de Workers Compensation, mais uma subsidiaria integral da FFH. O valor de aproximadamente US$ 1,3 bilhão do negócio serão pagos em dinheiro pela Holding que ainda ficará com aproximadamente US$ 1 bilhão em dinheiro em caixa.

AIG lucra US$ 1,45 bilhão no trimestre

aigA AIG divulgou na sexta-feira lucro de US$ 1,45 bilhão no primeiro trimestre, No mesmo período do ano anterior, o grupo que recebeu US$ 180 bilhões em ajuda do governo americano reportou prejuízo de US$ 5,1 bilhões..A melhora do resultado é conseqüente de bons resultados com seguros de bens e de responsabilidades, com a Chartis, novo nome da unidade de bens patrimonbiais, e também com o resultado das aplicações financeiras.

Segundo comunicado do grupo, a Chartis,obteve lucro operacional de US$ 879 milhões, 24% acima do resultado obtido no primeiro trimestre de 2009. O resultado teria sido ainda melhor se não tivesse desembolsado quase US$ 485 milhões em indenizações com o terremoto no Chile, tempestades na Europa e cerca de US$ 20 milhões, a títulos de adiantamento, com o afundamento da plataforma no México, evento que deverá ainda gerar perdas para o balanço anual. Em vida, a AIG registrou ganho operacional de US$ 1,12 bilhão, resultado que mostra a retomada da operação, que amargou perdas de US$ 160 milhões no trimestre de 2009.

Rossi estima que setor crescerá 20% em 2010*

*matéria publicada no site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)

marco-antonio-rossi3Após citar projeções pelas quais o Brasil poderá crescer até 7% do PIB este ano, o presidente da Bradesco Seguros e Previdência e da FenaPrevi, Marco Antonio Rossi, afirmou que o mercado segurador tende a apresentar um desempenho ainda maior que a economia brasileira como um todo e atingir expansão anual de 20%. E, mais: a perspectiva é de que tal crescimento desta vez não ficará restrito a um grupo de seguros, mas englobará diversos ramos, beneficiados pela conjuntura econômica positiva. Como exemplo, citou os resultados do grupo Bradesco no primeiro trimestre do ano – expansão de 30% no confronto com os três primeiros meses de 2009- e as taxas de crescimento apresentadas por algumas modalidades para destacar que “o mercado está vivendo um momento ótimo”.

Rossi, o convidado do mês do Clube dos Corretores de Seguros do Rio de Janeiro, reuniu-se com corretores de seguros nesta quarta-feira, no Restaurante Aspargus, no Centro do Rio, para apresentar palestra sobre as perspectivas do mercado. “Hoje somente 10 milhões de brasileiros possuem o plano e o potencial é de 40 milhões. É um produto barato, que eleva a autoestima do cidadão. O corretor pode nos ajudar a encontrar formas e produtos para atender a grande camada da população que migrou da classe D para classe C. Não se justifica o Brasil ser a 8ª economia do mundo e a 20ª em seguro de AUTO e 22ª em seguro de Vida. Precisamos buscar estas pessoas para ingressarem no mercado”, exortou ele.

O dirigente também chamou a atenção para as boas perspectivas do microsseguro, em fase de regulamentação no Congresso Nacional, mas com alguns produtos já disponibilizados pelo mercado. “Este segmento é a porta de entrada para o mercado. Numa segunda etapa, o consumidor do microsseguro estará demandando outros produtos de seguro. É preciso desburocratizar o seguro, que gera impacto na comercialização. Vejo grandes oportunidades neste segmento e criamos na Bradesco uma empresa que trabalha só com microsseguro”, assinalou ele.

O evento promovido pelo Clube dos Corretores do Rio de Janeiro reuniu várias lideranças de mercado, como Robert Bittar, presidente da Funenseg e vice-presidente da Fenacor; Renato Rocha, presidente da Aconseg-RJ; Lúcio Marques, presidente do Clube Vida em Grupo.

Fenaprevi começa a preparar o evento do ano

ca3xng3hcaa6mg80cad8pai6cadn6tlxcaz3ottwcaaefyopcar0218rcai1n8cgcaiv3uh4cazkze40calm4084caq5afrfca3akjufcauq8v70caqf8l8ncafd5q9wcan7xydicafdtb0fcaw6ls14A Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) já começou a organizar o grande evento do ano, informa Renato Russo (foto), vice-presidente da entidade e da SulAmérica. Será em setembro e em São Paulo. Segundo os organizadores, será um dos maiores eventos de vida e previdência da América Latina, com temas relevantes tanto no aspecto local como internacional. A justificativa para um evento de tal porte está fundamentada no cenário promissor do país e do setor.

Primeiro porque o mercado de previdência e vida do Brasil é o maior da América Latina. A carteira de investimentos – que corresponde aos ativos que garantem as provisões técnicas – se aproxima de R$ 200 bilhões. Também é brasileira a maior empresa de vida e previdência da região: Bradesco. O brasileiro já descobriu que precisa poupar para ter uma vida digna durante a aposentadoria.

O Brasil desperta o interesse de muitos poupadores estrangeiros em busca de uma rentabilidade melhor para fazer frente ao bônus da longevidade. Os asiáticos, por exemplo, são os maiores investidores de fundos voltados às empresas que serão beneficiadas pela Copa 2014 lançados por bancos no exterior. Segundo os executivos dos bancos, o interesse e apetite dos asiáticos é surpreendente. Os japonses, por exemplo, donos da maior poupança previdenciária do mundo, tem boa parte de seus recursos aplicada em títulos de renda fixa com juros próximo da linha zero.

Já o brasileiro começa agora a poupar e precisa aprender como aplicar seus recursos para não perder parte do que guardou em razão de uma crise financeira que afeta o mundo inteiro, um setor ou apenas uma companhia. Também terá a sua disposição uma oferta maior de produtos, como os seguros de vida capitalizados, mais complexos em termos de beneficios fiscais, e que precisam ser bem oferecidos para não gerar perdas em um assunto que é tão crucial para o indivíduo, para a família, para o governo. Afinal, ter idosos sem recursos é um problema que afeta toda a sociedade.

E para finalizar, o setor de vida e previdência continuou crescendo no Brasil mesmo durante a crise financeira. Segundo dados divulgados nesta semana, o mercado de previdência privada aberta teve seu melhor trimestre desde 2005 e bateu a marca de R$ 10 bilhões em captação, volume 28% superior ao registrado no primeiro trimestre do ano passado, quando R$ 7,879 bilhões ingressaram no sistema de previdência privada aberta.

Segundo dados estatísticos da Fenaprevi, o número de planos contratados chegou a 11,5 milhões, 4,13% maior em comparação aos 11,1 milhões de contratos existentes ao final do trimestre de 2009. A carteira de investimentos cresceu 25,76%, para R$ 191,6 bilhões em março deste ano.

O VGBL captou R$ 7,8 bilhões no primeiro trimestre do ano, com crescimento de 38,70%. O VGBL, que se popularizou por ser indicado ao investidor que não declara imposto pelo modelo completo, é um seguro de vida com caráter previdenciário por possuir cobertura por sobrevivência. O PGBL – produto de previdência adequado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda e que permite deduzir até 12% do montante a ser pago à Receita Federal – registrou captação de R$ 1,3 bilhão no trimestre, retração de 0,10%. A captação dos planos tradicionais apresentou queda de 0,42% no período com arrecadação de R$ 884,4 milhões. Os outros produtos de previdência (FAPI, PGRP e VGRP) captaram R$ 3,8 milhões no período (-8,83%).

Os planos individuais arrecadaram R$ 8,3 bilhões, crescimento de 34,73% na comparação aos R$ 6,1 bilhões captados no mesmo período do ano passado. Os planos empresariais, por sua vez, cresceram 17,95% com captação de R$ 1,4 bilhão na comparação com R$ 1,2 bilhão apurado no trimestre do ano anterior. Os planos para menores captaram R$ 334 milhões no período.

A Bradesco Vida e Previdência liderou o ranking de captação no primeiro trimestre de 2010, com 32,66% do total arrecadado, seguido pela BrasilPrev (19,89%), Itaú Vida e Previdência (19,42%), Caixa Vida & Previdência (9,25%), Santander Seguros (7,35%), HSBC Vida e Prev (4,84%), Safra Vida e Prev. (1,11%), Icatu Hartford (0,86%), Sul América (0,69%), Porto Seguro (0,57%). As demais seguradoras somam, no total, 3,36% da captação.

BB detalha parceria com Mapfre e acena com compra de ações do Tesouro no IRB*

bb-mapfre*Matéria exclusiva do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)

Mapfre e Banco do Brasil (BB) anunciaram há pouco como será a formatação da nova seguradora de vida e ramos elementares dos grupos, com valor de mercado de R$ 10 bilhões e prêmios de R$ 7,7 bilhões, o que a torna a maior da América Latina e do Brasil em seguros de ramos elementares e vida, com 5 mil pontos de vendas do BB e 10,5 mil corretores da Mapfre.

Trata-se da maior parceria dentro do segmento de seguridade do banco. “O resultado que apresentamos hoje é fruto de uma reestruturação que o Banco do Brasil iniciou há três anos”, disse Ademir Bendine, presidente do BB (foto, a esquerda). O objetivo é levar a partipação de seguridade no lucro do banco dos atuais 12% para 24% nos próximos dois anos.

“Tenho certeza de que a parceria contribuirá para o desenvolvimento não só do resultado financeiro do banco como também trará perpetuidade ao BB”, acrescentou Jose Manuel Martinez, presidente mundial da Mapfre (foto, a direita). Segundo Martinez, o Brasil é um país com potencial gigantesco em vários setores da economia, principalmente em seguros e previdência. “Estou há 40 anos na Mapfre, já participei de várias negociações, mas esta me impressionou em razão da qualidade e integridade com que foi conduzida pelas duas equipes”.

Foram criadas duas holdings. A holding BB Mapfre – da qual a Mapfre terá 50,01% das ações ordinárias (ON) e 25,01% do capital da companhia e o BB 49,99% das ON e 74,99% da companhia, além de 100% das ações preferenciais – atuará com distribuição no canal bancário dos produtos no segmento de pessoas, com seguros de vida, prestamista, funeral, acidentes pessoais, agrícola, imobiliário e penhor rural.

A segunda holding, Mapfre BB, terá como canal de distribuição o canal corretor e concentrará os seguros de automóvel, residencial, empresarial, aeronáutico, proteção financeira, garantia e crédito, riscos industriais, garantia estendida, transporte e canal affinity. Nesta holding o BB terá 49% das ações ordinárias e 50% do capital total. Nas preferenciais, o BB terá 51% e a Mapfre os 49% restantes.

Nas duas holdings a participação da Mapfre é majoritária e assim evita que a companhia tenha a morosidade típica de uma estatal em termos de aspectos burocráticos. Para viabilizar a parceria, o BB comprou a participação de 30% da SulAmérica na Brasilveículos por R$ 340 milhões. Somando ativos entre BB e Mapfre, o BB terá de desembolsar R$ 295 milhões à seguradora espanhola, informou Paulo Rogério Cafarelli, vice-presidente do Banco do Brasil.

“Levando-se em conta todos os segmentos, exceto saúde, previdência e capitalização, a nova seguradora é a maior do País com base nos dados de 2009, com R$ 7,7 bilhões, seguida pela Bradesco com R$ 5,7 bilhões”, informa Antonio Cássio dos Santos, presidente da Mapfre. A operação ainda aguarda a aprovação dos órgãos reguladores.

A integração tecnológica das 11 empresas envolvidas na parceria deverá estar finalizada em seis meses, segundo Cafarelli. “A integração total das marcas e produtos deverá ser concluída em até um ano”, estima o vice-presidente do BB, que acaba de ser nomeado também o presidente do Conselho de Admininstração do IRB Brasil Re.

Praticamente a única parte da área de seguridade que ainda falta definição é em resseguro, onde já publicou fato relevante para a compra da participação do Tesouro Nacional no capital do IRB Brasil Re, e também em seguro odontológico, onde busca um parceiro estratégico. Em previdência a parceira é a americana Principal e em capitalização a Icatu.

Segundo Cafarelli, o assunto está na esfera do governo. “O governo está fazendo um levantamento sobre o valor do IRB para que possamos comprar a parte do Tesouro Nacional no ressegurador”, informou. A criação da seguradora estatal já anunciada pelo governo, para atuar em segmentos onde a iniciativa privada não tenha interesse ou haja excesso de riscos, depende do desfecho da estratégia que será implementada no IRB.

Braço de seguros representa 10% do lucro do Itaú

images4Operações de seguros, previdência e capitalização do Itaú apresentaram lucro líquido consolidado de R$ 333 milhões no primeiro trimestre deste ano, o que representa cerca de 10% do ganho do banco Itaú Unibanco anunciado hoje, de R$ 3,234 bilhões. A transferência das carteiras de automóvel e residência para a Porto Seguro já foram contabilizadas pela Porto Seguro, que divulgou também hoje o seu balanço trimestral. Considerando a Isa+r, fruto da parceria, o lucro líquido da Porto Seguro chegou a R$ 130,9 milhões, alta de 88%. Sem a Isa+r, o ganho da Porto Seguro foi de R$ 80 milhões, alta de 15%.

Sem comparação com o resultado do mesmo período do ano anterior, a nota do balanço trimestral divulgada pelo banco informa que o lucro líquido recorrente do subsegmento de seguros atingiu R$ 90 milhões, aumento de 186,4% comparativamente ao último trimestre de 2009. De acordo com o comunicado, contribuiu para esta variação a elevação de 4,5% nos prêmios ganhos, impactado por ações comerciais na carteira de vida individual e a boa performance na carteira de seguros empresariais, sobretudo no mercado de pequenas e médias empresas.

O índice combinado, que indica a eficiência das despesas decorrentes da operação em relação à receita de prêmios ganhos, apresentou uma redução de 1,9 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. A melhoria do índice ocorreu pela queda das despesas de comercialização e consequentemente aumento de 1,7 ponto percentual na margem de underwriting, informa a nota divulgada.

Em previdência e vida, o lucro líquido apresentou acréscimo de 20% em relação ao resultado obtido no último trimestre de 2009. Segundo o Itaú, este aumento deve-se principalmente, à elevação de 46,6% do total de prêmios ganhos e ao crescimento de 19% da margem financeira gerencial compensado, parcialmente, pelo aumento de 59,9% dos sinistros retidos. As contribuições dos planos de previdência alcançaram R$ 1,9 bilhão, mantendo o desempenho do trimestre anterior. Os principais componentes foram as captações decorrentes do pagamento de bônus empresariais e recursos expressivos obtidos por meio de negociação na carteira Premium.

Em capitalização, o lucro líquido recorrente apresentou redução de 64,8% em relação ao trimestre anterior, consequência da realização de menor número de campanhas comerciais no 1º trimestre de 2010, devido ao menor nível de atividade econômica em relação ao trimestre anterior. “Projetamos a reversão desta tendência no 2º trimestre de 2010”, diz o banco. Foi distribuído no período, a 428 clientes, um total de R$ 11,9 milhões de prêmios de sorteios, aumento de 15,3% comparativamente ao trimestre anterior.

Custos do vazamento de petróleo preocupam setor

vazamentoOs custos do vazamento de petróleo no México, que já causam danos significativos na costa dos Estados Unidos, preocupam as seguradoras de todo o mundo. Um relatório da Guy Carpenter, do grupo Marsh, diz que a limpeza deverá custar US$ 1,5 bilhão, sem considerar as indenizações por danos ambientais. Só a indenização da plataforma de petróleo está estimada em US$ 1 bilhão, o dobro do que o setor pagou para a Petrobras em 2001, quando a P-36 afundou.

Várias companhias já divulgaram perdas estimadas com este acidente. A Partner Re estima perdas de US$ 1 bilhão; a Montpelier Re, US$ 20 milhões; a Hannover Re, US$ 53 milhões; a Munich Re, US$ 100 milhões; e a Transatlantic US$ 15 milhões.

A AMBest diz em nota que está monitorando a situação das empresas envolvidas, mas até agora não rebaixou o rating nem da BP, operador do poço, que tem dez blocos de explorações no Brasil, o que torna a solvência dela uma informação vital para o país. Segundo a agência, a cativa da BP, chamada Júpiter, tem um limite máximo por evento de US$ 700 milhões e capital suficiente para honrar este prejuízo.

Levando-se em conta que até mesmo a Petrobras já está anunciando possíveis perdas se tiver de suspender o início da exploração de seu maior projeto em solo americano, Cascade-Chinook entre junho e julho, em razão do acidente, os custos de indenizações deverão ser grandes. O prejuízo previsto pela indústria pesqueira na Lousiana foi estimado em US$ 2,6 bilhões e o do turismo na Flórida em US$ 3 bilhões.