Oito fatos marcantes do grupo Aon

11400468097ae9501A Aon, uma das maiores corretoras de seguros do mundo, divulgou alguns fatos interessantes sobre a importância do grupo no mundo de seguros. Uma divulgação interessante para o público em geral. No Brasil, a Aon foi quem pagou, de uma única vez, a maior indenização. Trata-se do cheque de quase meio bilhão de dólares entregues a Petrobras em razão do afundamento da P-36, em 2001.

1. Há uma chance de 1 em 2 de que o seu celular foi produzido por um cliente da Aon

2. Clientes da Aon são responsáveis pela fabricação de 70% dos mais vendidos medicamentos no mundo

3. No Reino Unido, mais de 5 bilhões de litros de leite por ano são fornecidos por empresas seguradas através da Aon

4. A subsidiária da Aon do Reino Unido administra a previdência de mais de 1,5 milhões de pessoas – que é mais do que a soma das populações de Glasgow,Sheffield e Bradford

5. Em 2009, a Aon estruturou o seguro de cinco filmes vencedores do Oscar na premiação anual da Academia. No total, a Aon fez o seguro de 16 dos 26 filmes que concorreram ao Oscar.

6. A Aon tem a maior quota do mercado mundial de seguros espacial

7. Uma em cada 2 bananas no mundo é transportada por uma empresa com seguro estruturado pela Aon

8. Sete entre as 10 maiores companhias aéreas do mundo são clientes da Aon

Indenizações por catástrofes somam US$ 26 bi

terremoto11As catastrofes naturais e os desastres causados pelo homem causaram perdas econômicas de US$ 62 bilhões e de 15 mil vidas em 2009, segundo estudo divulgado ontem pela Sigma, divisão de estudos da Swiss Re. No início do ano o grupo havia publicado um resultado parcial e agora disponibiliza em seu site a pesquisa completa.

Do valor total de perdas, US$ 26 bilhões foram pagos pela indústria de seguros, sendo US$ 22 bilhões em indenizações por catástrofes naturais e US$ 4 bilhões em catástrofes feitas pelo homem, sendo os mais custosos os acidentes aéreos. A América do Norte foi a região que recebeu a maior parte das indenizações, com US$ 12,7 bilhões. Já a Ásia liderou em número de mortes, com 9,4 mil do total, e apenas US$ 2,4 bilhões em pagamentos de seguro.
Comparado com anos anterior, 2009 foi um ano de poucas perdas, com 133 catástrofes e 155 desastres causados pelo homem, com apenas seis eventos excedendo US$ 1 bilhão. O evento mais caro foi a tempestade Klaus, com perdas seguradas próximas de US$ 3,4 bilhões.

As mudanças climáticas têm causado uma grande volatilidade nas perdas geradas com catástrofes naturais e a tendência de um aumento significativo de eventos naturais. “Temos vistos eventos significativos em 2010, com a tempestade Xynthia na Europa e os terremotos no Haiti e Chile”, comentou Thomas Hess, economista chefe da Swiss Re. A perda recorde é de US$ 120 bilhões, com indenizações pagas em 2005. “Eu não me surpreenderei se este recorde for quebrado num futuro não muito distante”.

Segundo Hess, as maiores perdas são registradas em países menos desenvolvidos, com uma participação ínfima de seguro na vida da população. Já em países desenvolvidos, as indenizações ajudam o país a se recuperar mais rapidamente. “Governos e indústria de seguros têm se unido para desenvolver soluções para ajudar a criar uma maior estabilidade nos mercados emergentes, mas isso está só no começo”, disse. Estas soluções, como resseguro para catástrofes que também contam com emissão de títulos no mercado de capitais, têm fornecido ajuda financeira significativa para países como Chile e Haiti, por exemplo.

O estudo pode ser acessado no site www.swissre.com

Allianz e Aon no seguro do Guns & Roses

gunsEstou lotada de entrevistas hoje, mas vou tentar apurar quem é a seguradora do Guns. As chuvas fizeram a promotora Time for Fun cancelar o show de Guns, que seria realizado ontem no Rio. O temporal derrubou parte do palco, danificou uma série de equipamentos e machucou parte da equipe. Além disso, um caminhão que trazia parte do equipamento da banda de Sebastian Bach, que faria o show de abertura da noite de ontem, sofreu um acidente no trajeto São Paulo/Rio.

Ou seja, eventos geralmente cobertos na apólice de entretenimento, nicho de mercado disputado atualmente por diversas corretoras e seguradoras, entre as mais conhecidas Aon, Marsh, Chubb, ACE, Generali, Allianz entre outras. É quase certo que a corretora é a Aon e a seguradora a Allianz.

Entre os resseguradores, até mesmo o IRB Brasil está disputando o segmento. Mas parece ter saído livre de qualquer prejuízo com o do GP de fórmula Indy, realizado ontem em São Paulo, com o australiano Will Power vencendo as chuvas, as confusões e os concorrentes. O contrato conta com indenização de R$ 50 milhões, em caso de cancelamento da corrida ou danos de responsabilidade civil.

Quem quiser colaborar, pode me mandar email ou telefonar para dar dicas do seguro de entretenimento no Brasil e especificamente da apólice do Guns. Eu e os leitores, que já chegam a mais de 200 por dia, agradecemos!

Terremoto no Chile é o mais caro na AL

O terremoto no Chile ocorrido no dia 27 de fevereiro é o mais caro evento para o mercado de seguros na América Latina, Segundo análise divulgada pela corretora Cooper Gay. A tempestade Xynthia ocorrida na Europa também deverá impactar as resseguradoras com indenizações estimadas em até US$ 4 bilhões.

Segundo comentários de Stephen Jackson, gerente geral para a América Latina da corretora Vooper Gay, as perdas no Chile devem ficar entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões, acima das registradas com o furacão Wilma, em 2005, que até agora é o mais expressivo em perdas seguradas na região.

A grande diferença, segundo a corretora, é que o furacão causou perdas concentradas na região do Caribe. Já o terremoto trouxe prejuízos espalhados por todo o país.

Segundo a corretora, as resseguradoras, responsáveis por garantir 75% da cobertura dos produtos vendidos pelas seguradoras, tem agora uma grande oportunidade de mostrar a importância do resseguro para a reconstrução do País, agilizando os pagamentos e auxiliando as seguradoras no que for preciso para indenizarem seus clientes.

As perdas divulgadas totalizam US$ 2,5 bilhões, segundo a divulgação das empresas até o dia 15 de março. Veja a seguir os valores divulgados por empresas:

Munich Re – US$ 543 milhões (400 milhões de euros)
Swiss Re – US$ 500 milhões
Transatlantic Re – US$ 90 milhões
Everest Re – US$ 337 milhões (£ 225 milhões)
Partner Re – US$ 320 milhões
Hannover Re – US$ 253 milhões (185milhões de euros)
RSA – US$ 45 milhões (£ 30 milhões)
Scor – US$ 131 milhões (95 milhões de euros)
Validus – entre US$ 170 milhões e US$ 270 milhões
Flagstone – US$ 50 milhões

CNSeg é contra criação da seguradora estatal

cnsegO presidente da CNSeg, João Elisio Ferraz de Campos, afirmou, por meio de nota publicada no site da instituição, que “o mercado de seguros recebeu com perplexidade” a notícia de que o governo federal planejaria criar uma seguradora estatal para oferecer seguro garantia às grandes obras de infraestrutura que serão implantadas no País, em virtude da Copa do Mundo de 2012 e das Olímpíadas de 2014. A notícia foi publicada na edição de quinta-feira do Valor Econômico.

Na sua avaliação, a fase do estatismo já passou no Brasil, “e a sociedade, em sua maioria, não aceita mais a criação de empresas estatais como forma de solução para possíveis carências”. Ao mesmo tempo, o presidente diz que não acredita que o governo tomaria “uma decisão dessa ordem sem ouvir o mercado, sem debater com os técnicos e as seguradoras que atuam nesse nicho para identificar a real situação”.

João Elisio reconhece que o seguro garantia é um ramo relativamente novo no Brasil, mas a evolução e a competência que as empresas e os seus profissionais têm demonstrado não apontam para essa necessidade. “Além do mais, não acreditamos que o Governo esteja estudando a questão sem o conhecimento da Susep, que é o órgão regulador e fiscalizador do setor e conhece melhor do que ninguém as nossas potencialidades e as nossas deficiências”, acrescenta a nota.

O comunicado da CNSeg afirma que “o mercado brasileiro de seguros tem se desenvolvido e aprimorado em bases sólidas e é claro que pode avançar ainda mais, se o Governo tomar medidas que estimulem a sua atuação, o que não passa, de jeito nenhum, pela criação de uma seguradora estatal de seguro garantia ou de qualquer outro ramo”. “Seria um retrocesso depois dos vários anos de esforços que levaram à quebra do monopólio do resseguro no Brasil”, conclui João Elisio, por meio de nota.

Perdas divulgadas no Chile ultrapassam US$ 2,5 bi

1228107705zzpb611As perdas divulgadas pelas seguradoras e resseguradoras no Chile em consequência do terremoto e tsunami que destruiram boa parte do País no último dia 27 de fevereiro já chegam a US$ 2 bilhões. Segundo as empresas de levantamento de danos por catástrofes, a conta ainda pode chegar a US$ 8 bilhões. Grande parte resulta do abalo em prédios comerciais e residenciais, com indenizações por danos materiais. Outra relevante parcela das indenizações será para pagar contratos que contam com cobertura para interrupção de negócios, mais conhecido como lucro cessante.

Veja a seguir os valores divulgados por empresas:

Munich Re – US$ 543 milhões (400 milhões de euros)
Swiss Re – US$ 500 milhões
Transatlantic Re – US$ 90 milhões
Everest Re – US$ 337 milhões (£ 225 milhões)
Partner Re – US$ 320 milhões
Hannover Re – US$ 253 milhões (185milhões de euros)
RSA – US$ 45 milhões (£ 30 milhões)
Scor – US$ 131 milhões (95 milhões de euros)
Validus – entre US$ 170 milhões e US$ 270 milhões
Flagstone – US$ 50 milhões

Forbes divulga os mais ricos do mundo

ricosJayme Garfinkel, presidente da Porto Seguro, permaneceu na lista dos homens mais ricos do mundo, segundo a edição da revista Forbes divulgada ontem. Ele aparece na 828º colocação, com forturna pessoal avaliada em US$ 1,2 bilhão.

O empresário mexicano Carlos Slim Helu é o homem mais rico do mundo, com fortuna de US$ 53,5 bilhões, segundo a edição da revista. Bill Gates vem em segundo lugar, com US$ 53 bilhões, seguido por Warren Buffett, com US$ 47 bilhões, Mukesh Ambani, com US$ 29 bilhões, e Lakshmi Mittal, com US$ 28,7 bilhões.

Veja os outros brasileiros listados pela Forbes, segundo divulgou o jornal Estado de São Paulo na edição de hoje.

8. Eike Batista: US$ 27 bilhões
48. Jorge Paulo Lemann: US$ 11,5 bilhões
64. Joseph Safra: US$ 10 bilhões
136. Dorothea Steinbruch e família: US$ 5,5 bilhões
152. Marcel Herrmann Telles: US$ 5,1 bilhões
176. Carlos Alberto Sicupira: US$ 4,5 bilhões
201. Aloysio de Andrade Faria: US$ 4,2 bilhões
316. Abilio dos Santos Diniz: US$ 3 bilhões
316. Antonio Ermírio de Moraes e família: US$ 3 bilhões
421. Moise Safra: US$ 2,3 bilhões
437. Elie Horn: US$ 2,2 bilhões
437. Antonio Luiz Seabra: US$ 2,2 bilhões
463. Guilherme Peirão Leal: US$ 2,1 bilhões
463. Rubens Ometto Silveira de Mello: US$ 2,1 bilhões
582. Liu Ming Chung: US$ 1,7 bilhão
616. João Alves de Queiroz Filho: US$ 1,6 bilhão
828. Jayme Garfinkel: US$ 1,2 bilhão
880.Julio Bozano: US$ 1,1 bilhão

Susep autoriza operação da canadense Fairfax

fairfaxDepois de quase nove meses, a Susep liberou a autorização para a Fairfax Brazil Participações atuar no Brasil. Toda a operação já está montada. A meta é abocanhar parte dos grandes riscos no país. Engana-se quem pensa que agora Jacques Bergmann vai se acalmar, depois de tanto lutar pela licença.

Bergman parece ter sido treinado para conviver com pressões. Passou pela crise financeira ainda comandando as operações de grandes riscos da Itaú XL. Enfrentou os problemas vividos pelo grupo das Bermudas durante a crise, que lhe trouxe outro stress: a compra pelo Itaú da Unibanco AIG. Com o fim da parceria entre Itaú e XL, optou por sair do banco, onde estava há muitos anos, para assumir novos desafios, como montar a operação da seguradora canadense no Brasil.

Jacques Bergmann está determinado a conquistar clientes com qualidade de serviços e técnica, como pode observar qualquer pessoa que o encontre. Munido de uma equipe reconhecida pelo talento e com números, ele conta que atuamente há um potencial de prêmios para seguro garantia e seguro de riscos de engenharia de R$ 3 bilhões, considerando-se os programas de investimentos já aprovados no Brasil, segundo levantamento feito pela revista Exame.

“Considerando-se os que ainda estão para ser aprovados, o volume de prêmios dessas duas carteiras pode chegar a R$ 9 bilhões até os Jogos Olímpicos”, disse ele durante palestra proferida no II Brazilian Reinsurance, realizado nos dias 4 e 5 de março, no Rio de Janeiro.

A autorização é para operar com seguros de danos e de pessoas em todo o território nacional. Na mesma portaria, a Susep informa que o capital social de seguradora é de R$ 44,3 milhões. O objetivo é atuar no mercado de grandes riscos para médias e grandes empresas, em 22 setores da economia, como aeronáutico, seguros marítimos, propriedade, transporte, energia e petróleo.

No resseguro, o grupo está trazendo ao Brasil a Odyssey Re, com sede nos Estados Unidos, uma das cinco maiores resseguradoras do país e das 15 maiores do mundo, com mais de US$ 2 bilhões em prêmios. A resseguradora vai operar na categoria “admitida”, que exige abertura de escritório de representação no país.

Setor mantém crescimento na AL, revela estudo

mercedesA indústria de seguros da América Latina figura como uma das mais potenciais do mundo dentro do contexto internacional dos grandes grupos seguradores, que buscam expandir suas operações em mercados que apresentam boas condições macroeconômicas. “E este com certeza é o caso do Brasil, que tem o maior mercado de seguros da região”, diz Mercedes Sanz, uma das responsáveis pela elaboração da oitava edição do estudo “El mercado asegurador latinoamericano”, produzido pela Fundación Mapfre e lançado hoje no Brasil.

O crescimento sólido do Brasil tem ajudado a aumentar a participação da indústria de seguros da região em relação as vendas mundiais. “Graças aos indicadores sólidos, os países da América Latina enfrentaram a crise financeira mundial sem tantos percalços”, comenta a executiva da Fundación Mapfre, que esteve em São Paulo ontem e segue para divulgar o estudo no Rio de Janeiro nesta semana.

Segundo o estudo, a América Latina registrou crescimento nominal das vendas de seguros de 11% em 2008, para € 69 bilhões. “Apesar do índice ter ficado abaixo dos 11,6% registrado no ano anterior, é um resultado bastante positivo diante da crise financeira que iniciou em setembro de 2008 e que abalou a economia mundial”, diz.

Em 2009, a tendência de alta nas vendas se mantém. No primeiro semestre de 2009, os mercados de seguros da América Latina registraram crescimento médio nominal de 7,3%, para € 35,7 bilhões. Apenas Chile e El Salvador reportaram vendas menores, aponta o estudo. O maior incremento foi na área de Seguros Gerais (No Life), com evolução de 13%, com o segmento Vida (Life) recuando 2,5% na região, como conseqüência do menor ingresso de recursos em seguros de vida e planos de previdência na Argentina, Chile, México e Puerto Rico.

“Também é preciso citar dois acordos importantes fechados em 2009 e que terão efeito na nova configuração da indústria de seguros local a partir de 2010”, diz Mercedes. O Itaú Unibanco comunicou associação com a Porto Seguro para a venda de seguro de carro e de casa e o Banco do Brasil e a Mapfre anunciaram uma aliança estratégica para desenvolver as operações de seguros gerais.

As perspectivas para 2010 são ainda melhores, principalmente pelo Brasil ter sido escolhido como anfitrião de dois importantes eventos esportivos mundiais: a Copa Mundial em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. “Estes dois eventos vão atrair muitos investimentos, potencializando ainda mais o crescimento da indústria de seguros na região”, comentou Bento Zanzini, vice-presidente da Mapfre. Segundo ele, os resultados do primeiro bimestre deste ano já mostram uma forte tendência de crescimento da indústria para 2010.

Dados de 2008 – O segmento de Seguros Gerais apresentou comportamento estável, com índice de crescimento de 11,6%, pouco abaixo dos 12% de 2007, o que se explica pela menor expansão da atividade econômica e da forte competição entre as seguradoras. Em Vida, o faturamento chegou a € 25 bilhões, com incremento de 10% em relação ao ano anterior.

Os países que apresentaram maior crescimento em volume de prêmios foram Venezuela (36,3%), Paraguai (33,4%) e Uruguai (26,9%). Como nas edições anteriores, a valorização do euro frente a diversas moedas não favoreceu o crescimento de prêmios na região com a conversão.

A concentração do mercado diminuiu, com as sete maiores indústrias de seguros da região detendo 93,6% das vendas totais. Brasil e México permanecem como os principais mercados da região, seguidos pela Venezuela, Porto Rico, Argentina, Chile e Colômbia.

O segmento de Seguros Gerais responde por 63,9% das vendas totais de seguros na América Latina e Caribe, ficando Vida com 36,1%. O principal seguro vendido na região é o seguro de vida individual e coletivo, com 31,2% dos prêmios totais. Seguro de automóvel é o segundo maior, com 24,8%, seguido por saúde, com 14,5%.

Em relação ao PIB, a indústria de seguros dos países da região apresentou crescimento para 2,6%, tendo Porto Rico na dianteira, com participação de 15,5%, seguido por Chile (3,9%). Panamá, Brasil e Venezuela empatam na terceira colocação, com 3,3%. O Brasil, apesar de ser o maior mercado de seguros da região, ainda tem uma participação no PIB ínfima.

“O lado positivo disso é que este indicador revela o grande potencial brasileiro”, diz Mercedes. Enquanto em nações maduras a penetração de seguros equivale ao tamanho da economia, no Brasil há um descompasso. O país está entre as maiores economias do mundo e entre os vinte maiores mercados de seguros.

Porto Rico registrou o maior prêmio per capita da região, com € 1.625 por habitante em 2008, seguido pelo Chile (€ 270), Venezuela (€ 254), Brasil (€ 186), Panamá (€ 156), Argentina (€130) e México (€ 117). Bolívia e Nicarágua, com €13, são os países com a menor penetração de seguros por habitante na região.

Indústria de seguros no Brasil desenha novo perfil

reuniaoO novo perfil da indústria de seguros brasileira começa a ficar mais claro, após dois anos de intensas mudanças realizadas para preparar o setor para este ciclo virtuoso de evolução da economia no qual o Brasil está engrenado. “O crescimento do país não é mais uma expectativa e sim uma realidade. As seguradoras têm um papel importante na manutenção deste circulo virtuoso que se criou“, disse Joaquim Levy, secretario de Finanças do Rio de Janeiro, em sua palestra de abertura do II Brazilian Reinsurance Conference, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 5 de março.

O evento, promovido pela revista britânica Reactions e que teve como principais patrocinadores o grupo francês Scor e o IRB Brasil Re, debateu os desafios e oportunidades da indústria de seguros no Brasil. Tanto um quanto outro são enormes. De um lado, um setor que vem crescendo a taxas de dois dígitos desde 1994, com a estabilização da moeda brasileira. Em 2009, as seguradoras faturaram quase R$ 100 bilhões.

O Brasil é um forte candidato a galgar cinco posições no ranking mundial das maiores economias do mundo. Isto quer dizer que haverá negócios para todos os segmentos da indústria de seguros, desde seguros de R$ 2 para ofertar a uma nova classe de consumidores que se consolida com o crescimento da economia brasileira até garantias para assegurar que os milionários contratos que serão assinados para viabilizar a realização dos dois jogos esportivos mundiais, a Copa Mundial em 2014 e as Olimpíadas em 2016.

Jacques Bergmann, ex-executivo do Itaú na área de grandes riscos e que há quase um ano aguarda a autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para oficializar a atuação da seguradora canadense FairFax no Brasil, prevê que entre 2010 e 2014 os prêmios dos seguros de garantia de contratos e de riscos de engenharia deverão somar R$ 9 bilhões. Hoje as duas carteiras somam menos de R$ 500 milhões.

Prêmios de R$ 9 bi em garantia e riscos de engenharia

“Se levarmos em conta os mais de 200 programas de investimentos estimados com investimentos acima de US$ 200 bilhões já em andamento no Brasil, os prêmios deste dois seguros, presentes em praticamente todos as obras de infraestrutura, representam R$ 3 bilhões. Além dos investimentos já anunciados, muitos outros virão para sustentar o crescimento do Brasil e preparar todos os setores para a demanda da Copa e Olimpíadas”, argumenta o executivo.
Além dos jogos esportivos, Pierre Ozendo, presidente e CEO da Swiss Re América, cita a importância da agricultura brasileira, um mercado ainda incipiente para seguro e resseguro e com grande demanda, os investimentos necessários em energia para suportar o crescimento.

Segundo previsões da segunda maior resseguradora do mundo, os preços das commodities e de alimentos ficarão elevados nos próximos anos, favorecendo o Brasil, tido como a quinta maior economia do mundo em 2050 e o terceiro maior em vendas de automóveis em 2025, atrás da China e Estados Unidos. “Este cenário traz um panorama muito positivo para o crescimento da indústria de seguros e resseguros brasileira”, disse em sua palestra.

Com tais números, o otimismo é uma realidade. Mas os desafios também são, principalmente se considerarmos que este mercado sofre hoje da asfixia que monopólios criam a uma economia. Durante 69 anos as seguradoras conviveram com apenas um ressegurador, o IRB Brasil Re, único autorizado a fazer resseguro, popularmente conhecido como o seguro das seguradoras.

Todos estão animados com a abertura, até mesmo o IRB Brasil Re. Nos dois primeiros anos de mercado, que se completam em abril, o IRB ainda detém quase 80% dos negócios. “É notável que o Brasil já tem quase 70 empresas de resseguros atuando em dois anos de abertura”, diz Joaquim Levy. Cingapura, por exemplo, demorou quase seis anos para ter o número de sindicatos do Lloyd’s of London que o Brasil atraiu em dois anos.

“Estas empresas já movimentam prêmios de R$ 500 milhões e o IRB Brasil Re tem se adaptado ao mercado aberto”, acrescenta Levy. Tanto se adaptada que se prepara para expandir suas operações para a América Latina e também operar com mais força no seguro garantia, ramo que tinha pouco apetite na época do mercado fechado.

Mas se depender dos concorrentes, o market share do IRB vai se reduzido. “Só estamos aqui porque acreditássemos na queda da participação do IRB”, disse Mark Byrne, presidente e fundador da Flagstone Re. Benjamin Gentsch, CEO da Scor Global Property & Casualty, reconhece que a participação do IRB é elevada após dois anos de abertura. “Mas é preciso ressaltar que o mercado não é totalmente aberto e isso justifica a eleva participação”.

Durante os dois primeiros anos de abertura, os resseguradores locais, onde se encaixa o IRB, tiveram o direito da oferta preferencial de 60%. A partir de janeiro, o percentual foi reduzido para 40%. “Isso vai mudar e vamos desenvolver um mercado aberto. A Scor quer otimizar os ramos que são atraentes. Há carteiras muito expostas e que necessariamente não se encaixam no nosso foco de negócios”, acrescenta o executivo da Scor.

IRB mantém a preferência mesmo com abertura

O IRB, que há anos vem se preparando para o mercado aberto, reage a críticas com um tom de parceria. “Estamos motivados e com grande expectativa no curto e médio prazo. Há muitos investimentos programados para acontecer e eles vão precisar de todo o mercado. Há negócios para todos no Brasil”, diz Rogério Acquarone, diretor do IRB.

As seguradoras, por sua vez, correm contra o tempo. João Carlos Botelho, responsável por resseguro no Itaú Unibanco, afirma que as seguradoras demoraram a se preparar para um mercado aberto de resseguro porque não acreditavam que a abertura realmente aconteceria. “Foram tantos anos de discussão, que era difícil acreditar que ela fosse concretizada”.

“Como seguradora esperamos uma contribuição mais profunda e intensa dos resseguradores, que hoje oferecem capacidade. Precisamos, no entanto, de novos produtos e que eles tragam experiência para as seguradoras”, afirmou Akira Harashima, presidente da Tokio Marine.

A vingança do underwriter

A quebra de paradigmas e das mudanças internas dentro das seguradoras é uma realidade no dia-a-dia. Elas investem em tecnologia para ter um banco de dados capaz de ajudar na precificação do contrato de seguro. “Eu diria que é a vingança dos underwriters”, brincou o presidente da Generali, Frederico Baroglio. Ele se refere a mudança de padrão de prioridades no fechamento de contratos, sendo hoje o cálculo técnico mais importante do que o aspecto comercial. Este profissional é importante, pois assim como há grandes contratos para serem segurados, há grandes sinistros para serem pagos caso as contas não sejam bem feitas.

Em razão dos atuários terem sido ignorados durante os anos de monopólio, uma vez que o preço do resseguro era determinado pelo IRB, há uma grande carência de profissionais que façam subscrição de riscos, executivos conhecidos como underwriting. “Nem mais roubar funcionários da concorrência atende a necessidade que temos no mercado. Precisamos preparar nossas equipes para estarem aptas a encarar os desafios do setor nos próximos anos”, afirma Antonio Trindade, executivo do Itaú Unibanco responsável por grandes riscos.

Além dos profissionais, o monopólio podou a criativadade das seguradoras em relação a produtos, uma vez que as apólices eram desenhadas pelo IRB para todo o mercado. Agora é preciso oferecer ao cliente contratos e serviços diferenciados. “Criamos mais de 20 novos produtos neste último”, disse Luis Maurette, presidente da Liberty Seguros, em sua fala no painel onde CEOs de seguradoras analisaram os dois anos de abertura do resseguro. Além dos produtos, a Liberty diversificou a operação, trazendo para o Brasil a subsidiária de gestão de grandes riscos do grupo Liberty Mutual, a Liberty Internacional Underwrinting (LIU).

Marcos Couto, presidente da ACE, aproveitou o momento para ressaltar a importância do cliente. “Neste evento estamos falando nós para nós mesmos. Precisamos envolver o cliente na discussão. Fazer mais evento com o segurado”, reforçou.

Cliente quer ser ouvido pelo setor

A única empresa compradora de seguro com direito a proferir palestra no evento foi Marcos Mendonça de Mello, coordenador de seguros da AES Brasil Company. E ele fez questão de dizer que a parceria entre cliente, seguradora, ressegurador e corretor é prioritária. “Quem conhece o risco é o segurado. Com certeza nós podemos desenvolver juntos soluções para o mercado”, afirmou.

Muitos clientes queixam-se dos preços elevados e da falta de apetite das seguradoras pelo risco. No próximo dia 15, a Petrobrás vai receber as propostas das seguradoras para três apólices de seguros, com riscos avaliados em mais de US$ 50 bilhões e prêmios acima de US$ 25 milhões. “Espero uma boa redução de preço e ampla cobertura, afinal o mercado internacional de seguros está num momento muito favorável”, comentou Luiz Octavio, gerente de risco da Petrobras.

Algumas seguradoras deixaram de operar com grandes riscos. De um lado este fato reduziu a oferta. Umas ficaram temerosas do risco de crédito de resseguradores com a crise financeira, uma vez que na ocorrência de um acidente a seguradora é responsável por pagar a indenização, mesmo se o ressegurador não honrar o contrato. Outras em razão de uma nova estratégia de atuação que privilegia mais os seguros massificados do que grandes riscos.

“Por outro lado, esta realidade acirrou a competição entre as seguradoras especializadas internacionais, como Liberty, ACE, Allianz, Mapfre entre outras”, afirma Paulo Pereira, presidente da Associação dos Resseguradores (Aber) e da Transatlantic Re. Para ele, o que há na verdade é risco mal taxado.

Ou seja, alguns clientes não apresentam informações suficientes para o calculo do risco ou tem um histórico ruim. Como conseqüência, o preço do seguro sobe e as coberturas ficam reduzidas. Alguns sequer encontram ofertas no mercado, como é o caso da CSN, que há mais de dois anos está sem seguro e conta com um reserva para fazer frente a perdas inesperadas. A Celesc também enfrenta dificuldades, com várias licitações já realizadas sem o comparecimento de seguradoras com ofertas.

“Dos dez maiores resseguradores do mundo, nove estão no Brasil, que representa apenas 1% do mercado mundial de resseguros”, informa Pereira. E vai além: “Estes números mostram que quem está encontrando dificuldade de comprar resseguro é quem tem um risco ruim, inadequado ou quer um preço que não condiz com a análise de risco exigida pelo mercado internacional”.

Resseguro da Transnordestina fechado em uma semana

Outros riscos, no entanto, são disputados a tapa e com isso o preço fica competitivo. Rodrigo Protássio, da corretora de resseguros JLT, disse que em uma semana conseguiu fechar o resseguro de riscos de engenharia da rodovia Transnordestina, com mais de R$ 5 bilhões em investimentos. “Fizemos uma análise de risco tão detalhada que o primeiro ressegurador que ofertamos ficou com toda a cobertura”, disse. O contrato foi fechado com a seguradora Mafpre e com a resseguradora alemã Munich Re.

Como bem definiu o secretário de finanças do Rio de Janeiro, Joaquim Levy, a recente catástrofe que aconteceu no Chile mostra a importância do seguro na reconstrução do país. As indenizações, estimadas em US$ 8 bilhões, serão pagas pelas seguradoras aos clientes que tiveram perdas com terremoto e tsunamis que devastaram o país no início de março, causando mais de 800 mortes.

Apesar de o Brasil contabilizar um pequeno número de catástrofes, elas não são mais um item ignorado dos clientes, investidores e governo. “A crise financeira mostrou que ninguém está inume de riscos, sejam eles criados pelo homem ou pela natureza”, comentou Levy. Diante de um cenário de incertezas, a demanda pelo seguro cresce e isto faz com que as apostas neste mercado sejam animadoras.