Ritmo frenético para atrair recursos e reduzir riscos*

*matéria produzida com exclusividade para a revista Negócios em Infraestrutura, publicada pelo Jornal Valor Econômico no dia 11 de maio de 2010

As instituições financeiras correm para lucrar com a Copa do Mundo e a Olimpíada no Brasil. O ritmo dos executivos financeiros em torno dos dois temas está mais frenético que a rotina dos trabalhadores dos principais centros financeiros do mundo, como Wall Street em Nova York ou a City em Londres.”O Brasil deve ter um ‘boom’ de investimentos em infraestrutura, por isso os olhos dos investidores se voltam para as empresas brasileiras que podem ser beneficiadas com o crescimento do país”, diz Walter Mendes, superintendente de renda variável do Itaú Unibanco.

A gama de negócios é bem ampla. A participação de bancos e de seguradoras vai da estruturação de financiamentos para colocarem pé toda a infraestrutura para a realização dos jogos até o seguro que indenizará algum acidente com os torcedores – são aguardados 3,5 milhões nos 12 estádios. “Não há como estimar o volume de negócios”, afirma Bruno Garcia, gestor de renda variável do BNY Mellon ARX Investimentos. Mas são muitas oportunidades.

Na indústria de seguros, a expectativa é de uma receita extra de R$1 bilhão em contratos diversos. “Estamos preparados para ter no mínimo uma fatia de 10%”, diz Octavio Bromatti, diretor de grandes riscos da subsidiária da Mapfre, maior grupo segurador da Espanha e da América Latina em riscos patrimoniais.

O Itaú Unibanco fez um mapeamento dos negócios gerados pelos mundiais antes de lançar fundos temáticos. Com base nas Olimpíadas e nas Copas realizadas desde 1980 até hoje, o investimento dos países em sete anos gerou aumento de 1,4% no Produto Interno Bruto (PIB). “No Brasil, de acordo com os investimentos previstos pelo comitê organizador e pelo Ministério dos Esportes, a expectativa é de uma contribuição de 2,5% no PIB”,diz Mendes.

Para ter uma ideia do movimento, só em fevereiro deste ano, das seis ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) que aguardavam registro na Comissão de Valores Mobiliários, metade já trazia Copa, olimpíada e projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como note. Somente as captações da Mills, empresa de estruturas para a construção civil, da eco rodovias infraestrutura e logística e da empresa de logística Julio Simões têm potencial para movimentar algo perto de R$ 4 bilhões.

Em infraestrutura, por exemplo, a Gerdau é claramente beneficiada pelo fornecimento de aço para os estádios e pela necessidades de melhorias em transporte, diz Alexandre Silvério, superintendente de renda variável do Santander. Mendes cita a fabricante de ônibus Marcopolo.Ela vendeu vários ônibus para a África do Sul. Imagine aqui no Brasil.

Por enquanto, os bancos preferem não dar detalhes sobre a estrutura dos financiamentos necessários para os projetos relacionados aos dois megaeventos. A expectativa mais comentada entre as instituições financeiras é de que haverá necessidade de algo próximo a R$ 130 bilhões em investimentos para a realização da Copa.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) instituiu dois programas para financiar os investimentos de Estados, municípios e da iniciativa privada voltados à Copa do Mundo de 2014, com dotação orçamentária de R$ 5,8 bilhões.

A certeza de que os jogos vão forçar o desenvolvimento da infraestrutura, num período em que o crescimento brasileiro tende a ganhar impulso, motivou o lançamento de fundos de investimentos. “Fizemos um ‘road show’ na Ásia e ficamos impressionados com o interesse dos investidores locais”, conta Silvério.Japoneses e coreanos – anfitriões da Copa de 2002 -, por exemplo, conhecem bem o potencial das oportunidades que eventos como esses trazem ao país.

O milagre de crescimento do Japão ocorreu na década de 70, posterior aos anos em que realizou os jogos olímpicos, lembra Mendes, do Itaú. Entre 1957, quando foi escolhido, até 1964, quando realizou a Olimpíada, o Japão gastou mais de 5% do PIB para se preparar. A experiência faz dos asiáticos os principais interessados nos fundos de investimentos criados pelos bancos brasileiros, compostos por ações de empresas que podem ser beneficiadas com a realização do Mundial.

Além da boa experiência, os japoneses são donos da maior poupança do mundo. Boa parte deles deixa o pé-de-meia da aposentadoria aplicado em produtos financeiros com taxa real de juros que chega a ser negativa. No entanto, com o aumento da expectativa de vida, precisam de alternativas com rentabilidade mais atraente.

E olham para o Brasil com atenção.”Algumas empresas beneficiadas direta ou indiretamente com os eventos esportivos apresentam retorno interessante, em média de 12% de juro real ao ano”, conta Garcia, do Mellon.

Um exemplo do apetite dos japoneses: em novembro de 2009, o Itaú Unibanco lançou o fundo de ações Rio Wind, numa alusão aos jogos mundiais. A captação foi realizada no japão, em parceria com a Daiwa Asset Management. Em apenas 20 dias atraiu um montante da ordem de R$2 bilhões entre os investidores asiáticos, interessados em um fundo composto por papéis de empresas brasileiras.

O Santander lançou em novembro um fundo de companhias de infraestrutura, que em meados de março contava com US$ 100 milhões captados no exterior e com potencial de chegar a US$ 500 milhões. Silvério diz que a intenção é acompanhar, direta ou indiretamente, o desempenho dos papéis das companhias de infraestrutura brasileiras.

O BNY Mellon ARX Investimentos lançou um fundo de infraestrutura em janeiro no mercado asiático e já conta com US$ 200 milhões. “O desempenho tem sido ótimo. Todo dia entra dinheiro novo”, diz Garcia, que estrutura um fundo, previsto para julho, com o objetivo de atender a demanda dos investidores europeus.

Mas já há opções para os brasileiros. O Itaú, em março, fazia testes com um fundo de investimento batizado de Itaú Esportes. Com patrimônio inicial de R$ 2 milhões, tem 21 ações de empresas beneficiadas pela Copa. A expectativa é de que os clientes Personalité possam investir no Itaú Esportes até o Sm deste semestre. E muitos outros devem surgir. Além desse,já há outro com R$ 158 milhões aplicados pelos clientes do Personalité.

No universo dos seguros, é amplo o horizonte para o desenvolvimento de negócios. Os executivos do setor já começaram a trabalhar nos fins de semana para atender a demanda. Isso porque o seguro é uma parte importante do custo final de financiamento e, muitas vezes, serve para garantir o próprio contrato. O seguro está presente do começo ao fim dos eventos internacionais. A indústria tem produtos que vão desde a apólice que garante o cumprimento do contrato assinado entre a construtora e o financiador até o que garante indenizações em caso de brigas entre torcidas nos estádios.

O IRB-Brasil Re, ressegurador que detém cerca de 80% dos negócios no Brasil,participado”pool”internacional responsável pela cobertura do seguro que a Fifa contratou para as Copas do Mundo de 2010, na África clo Sul, e de 2014, no Brasil. Segundo o diretor comercial do IRB, Sérgio Bezerra, trata-se de um seguro que abrange do cancelamento ou adiamento de jogos por problemas administrativos da sede à transferência do evento para outro país. A apólice cobre prejuízos cle até US$ 650 milhões, e 9% do risco foi repassado ao mercado ressegurador brasileiro. Em caso de sinistro, o ressegurador controlado pelo Tesouro Nacional e por seguradoras privadas, como Bradesco e Itaú, assumirá cerca de US$15 milhões.

A Munich Re, maior resseguradora do mundo, participou do resseguro de engenharia da construção de estádios, expansão do aeroporto internacional e demais obras de infraestrutura relacionadas ao evento na África. “Estamos disponibilizando para o Brasil todas as linhas de negócio, bem como capacidade financeira, know-how e soluções personalizadas”, diz Christian Garbrecht, responsável pelo desenvolvimento de negócios da resseguradora, que lucrou USS 4,2 bilhões em 2009 e que está presente no Brasil desde 1996.

A concorrente Swiss Re, segunda maior do mundo, também está na disputa. Segundo Luis Menezes, gerente de engenharia da subsidiária brasileira, a companhia analisava em março pouco menos de 200 contratos de resseguro envolvendo infraestrutura, boa parte deles para deixar o Brasil pronto para os mundiais.

Segundo Menezes, a crise econômica levou a uma paralisação de muitos projetos ao redor clo mundo, principalmente em países desenvolvidos. Para retomar os projetos, alguns investidores aceitaram condições onerosas, e qualquer atraso pode colocar em risco até a sobrevivência da empresa. Diante disso, um dos resseguros demandados atualmente é o “delay in start-up”. O seguro tem por objetivo cobrir a parte das receitas do investidor caso haja atraso na entrega do empreendimento.

Coube à subsidiária brasileira da seguradora Allianz, a maior da Europa, assinar no Brasil o primeiro contrato de seguro para a Copa de 2014.Trata-se de uma apólice de risco de engenharia e de responsabilidade civil contratada pela Retech Engenharia para a primeira etapa da reforma e ampliação do Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, de Belo Horizonte.

Os investimentos para deixar o Mineirão pronto estão estimados em R$ 426 milhões. A apólice cobre diversos riscos relacionados exclusivamente ao andamento da obra, como atrasos na entrega causados por más condições climáticas, falhas de cálculos e problemas com os materiais, até o limite de R$ 8,2 milhões. “Temos vários outros engatilhados”, informa Ângelo Colombo, diretor da Allianz.

O seguro-garantia para a construção do Estádio Octávio Mangabeira, conhecido como Fonte Nova, em Salvador, com investimentos previstos em R$ 400 milhões, foi negociado no fim de março.”Ainda neste ano vamos contratar o seguro de responsabilidade civil da obra e o de risco de engenharia”, diz Marcos Lima, responsável pela OCS, corretora de seguros cativa do grupo Odebrecht, um dos investidores do empreendimento.

Virgil Souza, responsável por seguro-garantia da Liberty International Underwriters (LIU), empresa engajada no desenho do programa de seguro das Olimpíadas de 2012 em Londres, diz que o esforço do grupo foi projetar coberturas que permitem um trâmite rápido para a solução de problemas.”É preciso evitar cláusulas que deixem brechas para discussões, pois a agilidade é um ponto crucial para evitar atrasos no empreendimento”, comenta.

Segundo ele, no Brasil as discussões ficam mais em torno do preço do que das coberturas, e isso tem de ser mudado. “Uma das lições que podemos tirar da experiência dos seguros na África é com relação ao gerenciamento de risco das obras”, diz Luciano Calheiros, da Zurich. Em razão disso, as seguradoras e corretoras de seguros, como Aon, Marsh, Willis e MDS, as maiores do Brasil, montaram um “war room”.

A sala de guerra é usada no mapemento de todas as oportunidades a no encaminhamento das soluções mais interessantes por um preço acessível para baratear o custo final do empreendimento.

Já a ACE Seguradora trouxe par: São Paulo uma equipe que participou dos seguros contratados na Inglaterra para a Olimpíada de Londres, em 2012. “Somos a principal seguradora da grande maioria dessas obras, para as quais realizamos contratos de riscos de engenharia e responsabilidade civil para construção e reforma de arenas, estádios, rodovias, redes de saneamento e redes de hotelaria”, diz o presidente, Marcos Aurélio Couto.

“Quem trouxer recursos vai competir com mais força”, diz Fernando Pereira, vice-presidente da Aon, uma das maiores corretoras de seguros do mundo. Algumas apólices são tão grandes que serão pulverizadas por meio de consórcios ou “pool” de seguradoras.”Teremos de alinhar parcerias e escolher líderes para nossos clientes em contratos de infraestrutura”, diz Marcelo Elias, diretor da concorrente Marsh.

Copa da África do Sul tem cobertura de US$ 5 bi

copa-2010A Copa do Mundo na África do Sul, que começa em 11 de junho, movimentou cerca de US$ 5 bilhões em cobertura de seguros disponibilizada por toda a indústria mundial de seguros, segundo divulgou a agência Reuters nesta semana. As apólices foram contratadas pela Fifa, governos, organizadores locais, agências de turismo entre outros grupos envolvidos na realização do mundial que optaram por prevenir perdas com o cancelamento ou desastres. Segundo a reportagem, a Munich Re informou que detém cerca de US$ 350 milhões do risco. Outras participantes do programa do mundial são Swiss Re, Allianz e Hannover Re. Segundo a agência, o maior risco previsto pela indústria de seguros seria um ataque terrorista na abertura do evento.

Empresas buscam contratos milionários*

matéria produzida com exclusividade para o especial Infraestrutura, do jornal Valor Econômico, publicado dia 12 de maio de 2010*

O risco de uma crise no mercado de seguros mundial, em consequência da turbulência financeira iniciada na Grécia e que já atinge outros países europeus, começa a ser alvo de atenção das principais seguradoras e compradores de seguros no Brasil. A criação da seguradora estatal Empresa Brasileira de Seguros (EBS) pelo ministro da Fazenda Guido Mantega aconteceu exatamente um dia antes de um forte estresse vivido pelo mercado financeiro mundial. No dia 6 de maio, investidores do mundo todo se assustaram com a queda de 9% na Bolsa de Nova York, durante o dia. No final do pregão, porém, a principal bolsa do mundo amargou uma baixa de 3,2%.

As seguradoras são investidoras institucionais e recebem valores, chamados de prêmios, para garantir pagamentos futuros em caso de perdas de seus clientes. Enquanto essas perdas não ocorrem, as companhias de seguros e de resseguros aplicam os recursos no mercado financeiro. Se o mercado financeiro apresentar perdas, elas também terão prejuízos. A Munich Re, maior resseguradora do mundo, já deu sinais de preocupação. Na sexta-feira, dia 7, afirmou a investidores que talvez não consiga atingir o lucro líquido alvo de € 2 bilhões em 2010, mesmo tendo superado a expectativa do primeiro trimestre, em razão da turbulência financeira.

A incerteza dos mercados aliada a um elevado volume de indenizações pagas com o terremoto no Chile, tempestades na Europa e afundamento da plataforma Deepwater Horizon, alugada pela Brithsh Petroleum da Transoceanda, no Golfo do México, com danos recordes ao meio ambiente, faz com que o cenário realmente seja preocupante para um governo que precisa garantir mais de R$ 1 trilhão em investimentos em infraestrutura do país, como prevê o Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC-2).

Ao criar a EBS, o governo brasileiro quis evitar o risco de passar novamente por um grande aperto como o vivenciado em setembro de 2008, ápice da crise financeira mundial com a falência do banco de investimento Lehman Brothers e a quase derrocada da AIG, até então a maior seguradora do mundo. O susto veio quando todas as garantias para a concretização do “project finance”, com crédito de R$ 6,2 bilhões, da Usina Santo Antonio, com prazo de 25 anos, estavam negociadas e com a crise vários seguradores e resseguradores foram obrigados e sair do contrato ou reduzir a participação em razão da crise. Principalmente a AIG, socorrida pelo Tesouro americano com US$ 180 bilhões, e que tinha uma fatia significativa no acordo da terceira maior hidrelétrica do mundo no Rio Madeira.

De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a EBS não concorrerá com o mercado, porque a concessão de seguro garantia ocorrerá sempre em consórcio com o setor privado. A seguradora estatal será a responsável por administrar os fundos garantidores do governo e também a concessão de seguros não cobertos pelo mercado. Sendo uma seguradora, os recursos dos fundos serão ampliados, uma vez para cada real de risco assumido pela seguradora pode garantir vários mil reais em volume de empréstimos.

A EBS será usada pelo governo caso haja necessidade. Se a atual turbulência financeira for superada, a indústria de seguros tem farta oferta de capital para o Brasil. Estão presentes no país praticamente todas as maiores seguradoras e resseguradoras do mundo. Todas elas disputam os contratos milionários dos investimentos em infraestrutura que suportarão o crescimento da economia do Brasil e também que visam preparar o país para ser o anfitrião da Copa em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016.

São várias frentes de negócios. Desde o seguro que garante que o consórcio vencedor do leilão irá honrar o preço ofertado até o atraso no início de funcionamento de uma hidrelétrica, por exemplo. A Liberty International Underwriters (LIU), divisão de riscos especiais da Liberty Seguros, foi a vencedora da licitação para a emissão da apólice de seguro de transporte de parte das turbinas e subestações relacionadas, que serão usados na construção da hidrelétrica de Jirau, uma das maiores obras do PAC.

A apólice, com prêmio no valor de US$ 1,1 milhão, terá vigência de dois anos e dez meses e prevê cobertura de US$ 335 milhões para danos ocorridos no deslocamento de 18 turbinas e subestações fabricadas na China e Coréia, respectivamente. A apólice contempla uma cobertura adicional de R$ 286 milhões para o caso de atraso no início das operações de Jirau decorrente de problemas no transporte dos equipamentos desde o fabricante até o local de instalação no Rio Madeira.

“Este tipo de cobertura não era aceito pelo Instituto Brasileiro de Resseguros (IRB) antes da abertura do mercado. Neste programa, incluímos esta nova cláusula que é amplamente aceita no mercado internacional e traz novas garantias para as empresas envolvidas no projeto”, diz Paul Conolly, diretor da LIU, que projeta crescimento de 46,5% em grandes riscos em 2010.

Segundo o suíço Emanuel Bats, responsável pela carteira de seguro de riscos de engenharia da Zurich, o grupo atende 134 das 225 construtoras globais, entre elas as principais brasileiras. Luciano Calheiros, diretor da área de seguro patrimonial da Zurich, afirma que há capacidade suficiente no Brasil para investimento de qualquer porte. “Temos US$ 140 milhões em capacidade para contratos de risco de engenharia, o suficiente para garantir a perda máxima de um projeto com investimentos de R$ 1 bilhão”, diz. Em seguro garantia, a capacidade é de US$ 500 milhões e em transporte de grandes equipamentos a Zurich tem US$ 90 milhões por embarque.

A agressividade espanhola tem rendido contratos para a Mapfre, entre eles o da Transnordestina, ferrovia com mais de 1,8 mil quilômetros no Nordeste do país. Nos contratos de seguros envolvendo Copa e Olimpíada, a expectativa da Mapfre é de que o setor terá uma receita extra de R$ 1 bilhão em contratos diversos. “Nos preparamos para ter no mínimo uma fatia de 10%”, diz Octavio Bromatti, diretor de grandes riscos da subsidiária da Mapfre, maior grupo segurador da Espanha e da América Latina em riscos patrimoniais.

Felipe Smith, diretor-técnico da Tokio Marine, está de olho no mercado de petróleo e gás. A expectativa é de que os investimentos atinjam R$ 295 bilhões entre 2010 e 2013, de acordo com projeções do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Só para embarcações são R$ 18,2 bilhões do BNDES”, afirma. A canadense Fairfax começou operar no Brasil no inicio deste ano e conta com quase 40 profissionais para desenvolver negócios corporativos.

Entre as resseguradoras, a subsidiária local da alemã Munich Re fechou o contrato de resseguro para as seguradoras ACE, RSA e Allianz, que juntas dão coberturas para proteger a Impsa dos riscos de construção de 10 instalações eólicas em Santa Catarina, com ativos segurados que superam US$ 1 bilhão, segundo Christian Garbrecht, executivo responsável por desenvolvimento de negócios da Munich Re.

Entre os corretores de seguros e de resseguros a briga promete ser intensa. “Temos mais de 900 projetos de infraestrutura com investimentos de US$ 3 bilhões até 2030”, diz Marcelo Elias, diretor de infraestrutura da Marsh Brasil e América Latina. A Aon investe na captação dos negócios entre os clientes mundiais e no Brasil aposta no treinamento. “Fizemos mais de 15 mil horas de treinamento e mandamos mais de 20 técnicos para serem treinados no exterior”, acrescenta Fernando Pereira, da concorrente Aon.

Swiss Re leva opções de resseguro para governo*

*matéria produzida com exclusividade para o especial Infraestrutura, do jornal Valor Econômico, publicado dia 12 de maio de 2010

Swiss Re, segunda maior resseguradora do mundo, vai apresentar ao secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, as opções financeiras que o mercado de seguros tem a oferecer para ajudar o Brasil a reduzir os custos dos financiamentos em infraestrutura.

“Queremos entender o que o governo precisa, porque temos muitos produtos que se encaixam nas necessidades citadas pelos participantes dos debates, inclusive pela pré-candidata à presidência da República Dilma Rousseff”, disse Filipe Bonetti, diretor da Swiss Re. Nelson Machado aceitou a oferta, que veio em boa hora diante da necessidade do governo em atrair a iniciativa privada para os investimentos em projetos de infraestrutura, que hoje contam com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo Barbosa, os investimentos privados nos projetos de infraestrutura representam um desafio. “Desafio tangível tendo as políticas adequadas, com aumento da poupança interna e mecanismos para baixar o custo da estrutura do financiamento como os que foram divulgados na semana passada pelo governo”, afirma.

Ele se referia a criação da Empresa Brasileira de Seguros (EBS). “A seguradora vai administrar os vários fundos garantidores, criados para apoiar o desenvolvimento e também poderá fazer resseguro para contribuir com a iniciativa privada em projetos que excedam a capacidade da indústria”. Mas, só isso não basta, principalmente diante do risco da crise na Europa aumentar. “Caso isso se confirme, veremos falta de capacidade para projetos, como na época do ápice da crise em setembro de 2008”, afirmou Jacques Bergman, presidente da subsidiária local da seguradora canadense FairFax.

Bonetti explicou que a Swiss Re desenhou para o governo da China um instrumento financeiro para viabilizar a transferência de riscos agrícolas ao setor privado. No México, este mesmo produto, conhecido como “insurance linked securities”, foi desenhado para transferir ao mercado de capitais os riscos do governo com terremoto. “No Brasil, podemos ter como fator de transferência os riscos de infraestrutura para o mercado de capitais”, diz Bonetti.

Segundo ele, além de mitigar o risco dos projetos, por ser um instrumento usado no exterior e conhecido dos investidores estrangeiros, o produto ainda baixa o custo do financiamento, um dos pontos que precisa ser melhorado para atrair os bilhões de dólares da poupança dos asiáticos e países árabes, que buscam retornos mais elevados do que os títulos soberanos de países como Estados Unidos, muito baixos atualmente.

“Tenho certeza que se todos sentarem para achar soluções, o mercado de seguros pode se tornar um importante aliado na estruturação de financiamentos com um custo melhor”, disse Otavio Azevedo, diretor-presidente da Andrade Gutierrez. Hoje, segundo ele, a indústria de seguros precisa se organizar de forma mais eficiente para ter capacidade de ofertar garantias que os clientes precisam neste cenário de crescimento.

Liberty sobe 15 posições no ranking da Fortune

liberty-mutualO Grupo Liberty Mutual, que controla a Liberty Seguros, entre outras empresas do setor, galgou 15 posições na edição 2010 do ranking das 500 maiores empresas americanas por sua receita bruta, publicado pela tradicional revista Fortune. A Liberty Mutual passou a ocupar a 71ª posição, com US$ 31,1 bilhões em receita. No ano passado, a empresa ocupava a 86ª posição. A escala da Liberty vem se mostrando bastante forte, sobretudo desde 2008, quando a empresa passou da 94ª posição para a 86ª. Em dois anos, a Liberty subiu 23 posições no ranking da Fortune.

Fairfax registra lucro de US$ 290,2 milhões

fairfaxA Fairfax Holding Limited, presente também no Brasil, anunciou hoje lucro de US$ 290,2 milhões no primeiro trimestre de 2010 ou US$ 14,02 por ação, comparado a uma perda de US$ 39,6 milhões no primeiro trimestre de 2009, com US$ 3,55 por ação.

Segundo nota da empresa, o resultado foi alcançado apesar do impacto negativo das indenizações geradas pelo terremoto no Chile que somaram US$ 136,8 milhões para o grupo. Prem Watsa, Chairman e CEO da FFH, afirmou que apesar das condições de “soft market”, suas operações de seguro e resseguro estão focadas na disciplina de subscrição e na prudência no cálculo de suas reservas e acredita que através desses princípios estão no caminho certo para um promissor ano de 2010.

Adicionalmente, a empresa anunciou a compra das ações restantes da Zenith National Insurance Corp. (“Zenith”), tornando a empresa focada no ramos de Workers Compensation, mais uma subsidiaria integral da FFH. O valor de aproximadamente US$ 1,3 bilhão do negócio serão pagos em dinheiro pela Holding que ainda ficará com aproximadamente US$ 1 bilhão em dinheiro em caixa.

AIG lucra US$ 1,45 bilhão no trimestre

aigA AIG divulgou na sexta-feira lucro de US$ 1,45 bilhão no primeiro trimestre, No mesmo período do ano anterior, o grupo que recebeu US$ 180 bilhões em ajuda do governo americano reportou prejuízo de US$ 5,1 bilhões..A melhora do resultado é conseqüente de bons resultados com seguros de bens e de responsabilidades, com a Chartis, novo nome da unidade de bens patrimonbiais, e também com o resultado das aplicações financeiras.

Segundo comunicado do grupo, a Chartis,obteve lucro operacional de US$ 879 milhões, 24% acima do resultado obtido no primeiro trimestre de 2009. O resultado teria sido ainda melhor se não tivesse desembolsado quase US$ 485 milhões em indenizações com o terremoto no Chile, tempestades na Europa e cerca de US$ 20 milhões, a títulos de adiantamento, com o afundamento da plataforma no México, evento que deverá ainda gerar perdas para o balanço anual. Em vida, a AIG registrou ganho operacional de US$ 1,12 bilhão, resultado que mostra a retomada da operação, que amargou perdas de US$ 160 milhões no trimestre de 2009.

Rossi estima que setor crescerá 20% em 2010*

*matéria publicada no site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)

marco-antonio-rossi3Após citar projeções pelas quais o Brasil poderá crescer até 7% do PIB este ano, o presidente da Bradesco Seguros e Previdência e da FenaPrevi, Marco Antonio Rossi, afirmou que o mercado segurador tende a apresentar um desempenho ainda maior que a economia brasileira como um todo e atingir expansão anual de 20%. E, mais: a perspectiva é de que tal crescimento desta vez não ficará restrito a um grupo de seguros, mas englobará diversos ramos, beneficiados pela conjuntura econômica positiva. Como exemplo, citou os resultados do grupo Bradesco no primeiro trimestre do ano – expansão de 30% no confronto com os três primeiros meses de 2009- e as taxas de crescimento apresentadas por algumas modalidades para destacar que “o mercado está vivendo um momento ótimo”.

Rossi, o convidado do mês do Clube dos Corretores de Seguros do Rio de Janeiro, reuniu-se com corretores de seguros nesta quarta-feira, no Restaurante Aspargus, no Centro do Rio, para apresentar palestra sobre as perspectivas do mercado. “Hoje somente 10 milhões de brasileiros possuem o plano e o potencial é de 40 milhões. É um produto barato, que eleva a autoestima do cidadão. O corretor pode nos ajudar a encontrar formas e produtos para atender a grande camada da população que migrou da classe D para classe C. Não se justifica o Brasil ser a 8ª economia do mundo e a 20ª em seguro de AUTO e 22ª em seguro de Vida. Precisamos buscar estas pessoas para ingressarem no mercado”, exortou ele.

O dirigente também chamou a atenção para as boas perspectivas do microsseguro, em fase de regulamentação no Congresso Nacional, mas com alguns produtos já disponibilizados pelo mercado. “Este segmento é a porta de entrada para o mercado. Numa segunda etapa, o consumidor do microsseguro estará demandando outros produtos de seguro. É preciso desburocratizar o seguro, que gera impacto na comercialização. Vejo grandes oportunidades neste segmento e criamos na Bradesco uma empresa que trabalha só com microsseguro”, assinalou ele.

O evento promovido pelo Clube dos Corretores do Rio de Janeiro reuniu várias lideranças de mercado, como Robert Bittar, presidente da Funenseg e vice-presidente da Fenacor; Renato Rocha, presidente da Aconseg-RJ; Lúcio Marques, presidente do Clube Vida em Grupo.

Fenaprevi começa a preparar o evento do ano

ca3xng3hcaa6mg80cad8pai6cadn6tlxcaz3ottwcaaefyopcar0218rcai1n8cgcaiv3uh4cazkze40calm4084caq5afrfca3akjufcauq8v70caqf8l8ncafd5q9wcan7xydicafdtb0fcaw6ls14A Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) já começou a organizar o grande evento do ano, informa Renato Russo (foto), vice-presidente da entidade e da SulAmérica. Será em setembro e em São Paulo. Segundo os organizadores, será um dos maiores eventos de vida e previdência da América Latina, com temas relevantes tanto no aspecto local como internacional. A justificativa para um evento de tal porte está fundamentada no cenário promissor do país e do setor.

Primeiro porque o mercado de previdência e vida do Brasil é o maior da América Latina. A carteira de investimentos – que corresponde aos ativos que garantem as provisões técnicas – se aproxima de R$ 200 bilhões. Também é brasileira a maior empresa de vida e previdência da região: Bradesco. O brasileiro já descobriu que precisa poupar para ter uma vida digna durante a aposentadoria.

O Brasil desperta o interesse de muitos poupadores estrangeiros em busca de uma rentabilidade melhor para fazer frente ao bônus da longevidade. Os asiáticos, por exemplo, são os maiores investidores de fundos voltados às empresas que serão beneficiadas pela Copa 2014 lançados por bancos no exterior. Segundo os executivos dos bancos, o interesse e apetite dos asiáticos é surpreendente. Os japonses, por exemplo, donos da maior poupança previdenciária do mundo, tem boa parte de seus recursos aplicada em títulos de renda fixa com juros próximo da linha zero.

Já o brasileiro começa agora a poupar e precisa aprender como aplicar seus recursos para não perder parte do que guardou em razão de uma crise financeira que afeta o mundo inteiro, um setor ou apenas uma companhia. Também terá a sua disposição uma oferta maior de produtos, como os seguros de vida capitalizados, mais complexos em termos de beneficios fiscais, e que precisam ser bem oferecidos para não gerar perdas em um assunto que é tão crucial para o indivíduo, para a família, para o governo. Afinal, ter idosos sem recursos é um problema que afeta toda a sociedade.

E para finalizar, o setor de vida e previdência continuou crescendo no Brasil mesmo durante a crise financeira. Segundo dados divulgados nesta semana, o mercado de previdência privada aberta teve seu melhor trimestre desde 2005 e bateu a marca de R$ 10 bilhões em captação, volume 28% superior ao registrado no primeiro trimestre do ano passado, quando R$ 7,879 bilhões ingressaram no sistema de previdência privada aberta.

Segundo dados estatísticos da Fenaprevi, o número de planos contratados chegou a 11,5 milhões, 4,13% maior em comparação aos 11,1 milhões de contratos existentes ao final do trimestre de 2009. A carteira de investimentos cresceu 25,76%, para R$ 191,6 bilhões em março deste ano.

O VGBL captou R$ 7,8 bilhões no primeiro trimestre do ano, com crescimento de 38,70%. O VGBL, que se popularizou por ser indicado ao investidor que não declara imposto pelo modelo completo, é um seguro de vida com caráter previdenciário por possuir cobertura por sobrevivência. O PGBL – produto de previdência adequado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda e que permite deduzir até 12% do montante a ser pago à Receita Federal – registrou captação de R$ 1,3 bilhão no trimestre, retração de 0,10%. A captação dos planos tradicionais apresentou queda de 0,42% no período com arrecadação de R$ 884,4 milhões. Os outros produtos de previdência (FAPI, PGRP e VGRP) captaram R$ 3,8 milhões no período (-8,83%).

Os planos individuais arrecadaram R$ 8,3 bilhões, crescimento de 34,73% na comparação aos R$ 6,1 bilhões captados no mesmo período do ano passado. Os planos empresariais, por sua vez, cresceram 17,95% com captação de R$ 1,4 bilhão na comparação com R$ 1,2 bilhão apurado no trimestre do ano anterior. Os planos para menores captaram R$ 334 milhões no período.

A Bradesco Vida e Previdência liderou o ranking de captação no primeiro trimestre de 2010, com 32,66% do total arrecadado, seguido pela BrasilPrev (19,89%), Itaú Vida e Previdência (19,42%), Caixa Vida & Previdência (9,25%), Santander Seguros (7,35%), HSBC Vida e Prev (4,84%), Safra Vida e Prev. (1,11%), Icatu Hartford (0,86%), Sul América (0,69%), Porto Seguro (0,57%). As demais seguradoras somam, no total, 3,36% da captação.

BB detalha parceria com Mapfre e acena com compra de ações do Tesouro no IRB*

bb-mapfre*Matéria exclusiva do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)

Mapfre e Banco do Brasil (BB) anunciaram há pouco como será a formatação da nova seguradora de vida e ramos elementares dos grupos, com valor de mercado de R$ 10 bilhões e prêmios de R$ 7,7 bilhões, o que a torna a maior da América Latina e do Brasil em seguros de ramos elementares e vida, com 5 mil pontos de vendas do BB e 10,5 mil corretores da Mapfre.

Trata-se da maior parceria dentro do segmento de seguridade do banco. “O resultado que apresentamos hoje é fruto de uma reestruturação que o Banco do Brasil iniciou há três anos”, disse Ademir Bendine, presidente do BB (foto, a esquerda). O objetivo é levar a partipação de seguridade no lucro do banco dos atuais 12% para 24% nos próximos dois anos.

“Tenho certeza de que a parceria contribuirá para o desenvolvimento não só do resultado financeiro do banco como também trará perpetuidade ao BB”, acrescentou Jose Manuel Martinez, presidente mundial da Mapfre (foto, a direita). Segundo Martinez, o Brasil é um país com potencial gigantesco em vários setores da economia, principalmente em seguros e previdência. “Estou há 40 anos na Mapfre, já participei de várias negociações, mas esta me impressionou em razão da qualidade e integridade com que foi conduzida pelas duas equipes”.

Foram criadas duas holdings. A holding BB Mapfre – da qual a Mapfre terá 50,01% das ações ordinárias (ON) e 25,01% do capital da companhia e o BB 49,99% das ON e 74,99% da companhia, além de 100% das ações preferenciais – atuará com distribuição no canal bancário dos produtos no segmento de pessoas, com seguros de vida, prestamista, funeral, acidentes pessoais, agrícola, imobiliário e penhor rural.

A segunda holding, Mapfre BB, terá como canal de distribuição o canal corretor e concentrará os seguros de automóvel, residencial, empresarial, aeronáutico, proteção financeira, garantia e crédito, riscos industriais, garantia estendida, transporte e canal affinity. Nesta holding o BB terá 49% das ações ordinárias e 50% do capital total. Nas preferenciais, o BB terá 51% e a Mapfre os 49% restantes.

Nas duas holdings a participação da Mapfre é majoritária e assim evita que a companhia tenha a morosidade típica de uma estatal em termos de aspectos burocráticos. Para viabilizar a parceria, o BB comprou a participação de 30% da SulAmérica na Brasilveículos por R$ 340 milhões. Somando ativos entre BB e Mapfre, o BB terá de desembolsar R$ 295 milhões à seguradora espanhola, informou Paulo Rogério Cafarelli, vice-presidente do Banco do Brasil.

“Levando-se em conta todos os segmentos, exceto saúde, previdência e capitalização, a nova seguradora é a maior do País com base nos dados de 2009, com R$ 7,7 bilhões, seguida pela Bradesco com R$ 5,7 bilhões”, informa Antonio Cássio dos Santos, presidente da Mapfre. A operação ainda aguarda a aprovação dos órgãos reguladores.

A integração tecnológica das 11 empresas envolvidas na parceria deverá estar finalizada em seis meses, segundo Cafarelli. “A integração total das marcas e produtos deverá ser concluída em até um ano”, estima o vice-presidente do BB, que acaba de ser nomeado também o presidente do Conselho de Admininstração do IRB Brasil Re.

Praticamente a única parte da área de seguridade que ainda falta definição é em resseguro, onde já publicou fato relevante para a compra da participação do Tesouro Nacional no capital do IRB Brasil Re, e também em seguro odontológico, onde busca um parceiro estratégico. Em previdência a parceira é a americana Principal e em capitalização a Icatu.

Segundo Cafarelli, o assunto está na esfera do governo. “O governo está fazendo um levantamento sobre o valor do IRB para que possamos comprar a parte do Tesouro Nacional no ressegurador”, informou. A criação da seguradora estatal já anunciada pelo governo, para atuar em segmentos onde a iniciativa privada não tenha interesse ou haja excesso de riscos, depende do desfecho da estratégia que será implementada no IRB.