Lloyd’s of London recria sala de subscrição no Brasil

Apesar da retração na economia brasileira e forte concorrência na indústria de seguros, fato que tem derrubado as taxas de resseguro, o Lloyd’s of London obteve crescimento de 29%, com a receita gerada pelos negócios no Brasil, saltando de US$ 100 milhões em 2007 para US$ 349 milhões em 2012. Desse valor, a maior carteira é a de proteção para riscos patrimoniais, com 35%, seguida por riscos de energia, com 30%, riscos marítimos com 21%, aviação com 9%, responsabilidade civil com 9% e outros com o restante.

No mundo, o mercado de mais de 300 anos divulgou lucro de US$ 4,52 bilhões em 2012. O retorno ao lucro se segue a um prejuízo de US$ 800 milhões em 2011, que foi o ano de maior prejuízo da história devido a catástrofes naturais. O crescimento controlado permitiu a receita bruta de prêmios emitidos chegar a um recorde de alta de US$40,5 bilhões, parte em consequência do aumento médio das taxas de 3%. Os sinistros líquidos incorridos foram de US$16,1 bilhões, abaixo dos US$20,6 bilhões em 2011.O Brasil ainda representa uma pequenina fatia das receitas, mas o interesse pelo país chega a estar em as prioridades do grupo que reune mais de 70 sindicatos, que representam os investidores e empresas atuantes no setor com apetite por subscrever riscos em todo o mundo.

Em 2012, poucos resseguradores instalados no Brasil registraram crescimento, totalizando R$ 5,7 bilhões em prêmios de resseguro, praticamente estável ao volume registrado em 2011, informa Marco Castro, presidente do Lloyd’s Brasil. Isso se explica pela maior entrada de concorrentes no Brasil como resseguradores locais. Mesmo assim, o Lloyd’s Brasil, que representa mais de 70 sindicatos, sendo que apenas oito estão instalados no país, avançou 17% no ano passado, com negócios trazidos, em sua grande maioria, pelos cinco maiores corretores de resseguros cadastrados, conta Castro.

Para comemorar o resultado, o Lloyd’s recriou pela segunda vez a famosa sala de subscrição – “Underwriting Room” existente no Lloyd’s em Londres, com a presença de 15 sindicatos, totalmente interessados em atender em seus respectivos “boxes” clientes, como seguradoras, grandes empresas e corretores, para discussões e apresentações de seus negócios.

Segundo estatísticas calculadas com base em uma metodologia própria, o ressegurador admitido prevê que em 2009 o mercado de resseguro brasileiro movimentou prêmios de resseguros de R$ 4,2 bilhões, sendo 87% pelas ressseguradoras locais e 13% pelos admitidos. Em 2010, as admitidas avançaram para 54% do total de R$ 4,6 bilhões, ficando as locais com 46%.

Diante disso, o governo brasileiro mudou as regras, privilegiando as locais, aquelas que investiram capital para ter uma empresa no Brasil. Com isso, em 2011, dos R$ 5,7 bilhões em prêmios, as locais voltaram a liderar os prêmios, com 57% do total, ficando as admitidas com 43%. Em 2012, os dados apontam para um equilibrio, com locais e admitidos com 50% cada dos R$ 5,7 bilhões arrecadados em resseguro.

Todos os sindicados do Lloyd’s of London são representados no Brasil, mas apenas oito decidiram estar presentes fisicamente para poder prestar um serviço mais personalizado aos clientes que tem riscos no Brasil. Estar fisicamente aqui ajuda a ter uma parcela mais significativa dos negócios, uma vez que há mais facilidade com o idioma, com a subscrição local bem como por agilizar o fluxo da burocracia dos negócios, comenta o executivo em sua apresentação aos convidados que lotavam o local do evento.

De acordo com dados apresentados por Castro, entre 2008 e 2012, o crescimento dos negócios do Brasil que deram entrada no Lloyd’s foi de 138%. Considerando-se os negócios fechados por sindicatos instalados localmente, oito no total, a alta foi de 268% contra 109% dos que não estão no país. Diante disso e também do aumento da demanda por resseguro à medida que são viabilizados os investimentos para os projetos de infraestrutura, a expectativa é de que outros sindicatos decidam por ter uma base localmente, acredita Castro.

”Vários sindicatos tem avaliado a possibilidade de se estabelecer no Brasil. O fato é que para aqueles que tem interesse em desenvolver negócios faz diferença se estabelecer aqui. Os clientes sentem-se mais a vontade em negociar no idioma local, além da facilidade e rapidez nas negociações”. Entre eles, temos o Talbot, Starr e Allied World e Validus, que atualmente controlam as operações de resseguros via Miami, Estados Unidos, ou Londres, mas avaliam estar presentes locamente em um futuro próximo.

“Os países emergentes são prioridade para os resseguradores hoje. Para nós, China e Brasil são os principais mercados, que despertam muito o nosso apetite por riscos que envolvem construções”, disse Diego San Martin, subscritor da Validus presente no boxe da Talbot instalado no salão de negócios montado no hotel Sofitel, no Rio de Janeiro.

Um dos primeiros sindicatos do Lloyd’s a se instalar no Brasil foi o Liberty Syndicates, conhecido em Londres pelo número 4472. Florian Kummer, responsável pelas operações, contou que o grupo negocia contratos automáticos e facultativos de resseguros para toda a América Latina. No início, em 2009, o Brasil representava 70% dos negócios e outros países da região 30%.

Em 2012, essa relação passou para 20% Brasil e outros com 80%. “Isso se deve a queda de taxas no Brasil, que chegaram ao fundo do poço diante da concorrência. Apesar disso, nossos negócios no Brasil continuam crescendo e acredito que a partir de agora, de 2013, começa um novo ciclo pós abertura e as taxas tendem a ter mais estabilidade. Foi um período muito importante para entendermos os riscos brasileiros e assim continuarmos a ter uma carteira rentável”, disse.

O Starr Syndicate, 1919, que começou a subscrever riscos no Lloyd’s em 2006, procura um executivo para cuidar dos negócios localmente no Brasil. “Mas não está fácil. O tempo todo os colegas falam: não vai roubar ninguém de mim”, conta Henry Arima, responsável pela seguradora do grupo Starr, que recebeu autorização da Susep recentemente. “Estamos estruturando a seguradora e aguardando a aprovação de produtos pela Susep”.

Sai Thomaz Menezes e Gabriel Portela assume comando da SulAmérica

COMUNICADO AO MERCADO

A Sul América S.A. (BM&FBovespa: SULA11) tem novo presidente executivo. O economista Gabriel Portella Fagundes Filho, 58, assumiu o cargo hoje, quando seu nome foi aprovado pelo Conselho de Administração da companhia em reunião, realizada nesta tarde, na matriz da empresa no Rio de Janeiro.

Gabriel Portella possui experiência de 39 anos no mercado de seguros, tendo ocupado vários cargos de liderança em empresas do setor e na própria SulAmérica, grupo com o qual mantém um histórico de 29 anos de estreita relação. Na companhia, Portella já esteve à frente das áreas Comercial e de negócios de Saúde, Vida e Previdência, além de ter atuado como vice-presidente executivo da joint-venture da SulAmérica com a seguradora americana Aetna. Nos quatro últimos anos, atuou como vice-presidente da unidade de negócios de Saúde e Odontológico da empresa.

“Para a SulAmérica, a eleição de Gabriel Portella representa a chegada ao principal cargo executivo da companhia de um profissional com profundas raízes no grupo e no setor de seguros, além de grande capacidade profissional, reconhecida por todo o mercado. Tenho convicção de que, sob a liderança de Gabriel Portella e o apoio de toda a equipe da SulAmérica, a companhia irá posicionar-se de modo a acelerar ainda mais seu desempenho”, afirma o presidente do Conselho de Administração, Patrick de Larragoiti Lucas.

Gabriel Portella assume a administração de uma estrutura formada por cerca de 4.700 funcionários, presente em todo o Brasil, e que conta com a parceria de cerca de 30 mil corretores, além de acordos comerciais com diversas instituições financeiras. “A SulAmérica está muito bem posicionada e tem apresentado resultados consistentes todos os anos. Estou confiante e sinto-me preparado para liderar a companhia em um mercado cada vez mais competitivo, contribuindo efetivamente para alcançarmos desempenhos ainda melhores”, comenta Gabriel Portella, novo presidente.

Thomaz Cabral de Menezes, que ocupava o cargo de presidente executivo da companhia há pouco mais de três anos, decidiu deixar o grupo para se dedicar a projetos pessoais.

Velhas e novas lições para players do mercado de Garantia

Uma radiografia do ramo Garantia exibirá, primeiramente, uma carteira musculosa- arrecada R$ 800 milhões por ano- capaz de chamar a atenção do mercado, a ponto de aumentar o número de players nos últimos anos. Mas exames mais sofisticados vão apontar também as primeiras “dores do crescimento” dessa jovem modalidade. A começar da própria receita, estabilizada nos últimos anos, e de um acelerado avanço da sinistralidade. Enquanto a receita segue na casa de R$ 800 milhões, a sinistralidade, considerando-se a média móvel de 12 meses, pulou de R$ 100 milhões (valores de 2002) para R$ 600 milhões em janeiro deste ano.

Mas, em vez de um freio de arrumação, as políticas comerciais tornam-se mais agressivas e até arriscadas numa modalidade que não “é para amadores, já que pequenos deslizes na subscrição e na tarifação podem significar a vida ou morte da seguradora”, adverte o executivo Rogério Vergara, diretor executivo do grupo BB e Mafpre Seguros S/A e um dos autores das três palestras técnicas (“Legislação e clausulado”) sobre o seguro Garantia apresentadas no 2º Encontro de Resseguro, realizado no Rio de Janeiro. Os três painéis sobre o Garantia foram moderados por José Américo Peón de Sá, assessor de Desenvolvimento Relacional da CNseg, que promove o encontro de dois dias (encerra-se nesta quinta-feira) ao lado da Abecor-RE, Fenaber e Escola Nacional de Seguros.

Porém, o apetite por riscos é inequívoco- até porque as seguradoras de Garantia precisam obter fatias crescentes de um bolo que não cresce nos últimos anos, e o mercado recorre à queda da tarifação, a aumentos das comissões e a políticas de subscrição mais flexíveis para emitir mais rapidamente as apólices, ignorando, porém, a plenitude dos riscos assumidos, adverte Vergara. “O seguro garantia é um contrato acessório, porque é oriundo de um contrato principal, que pode ter até 150 páginas em alguns casos e precisa ser examinado com toda a atenção”, afirma ele.

O fato que a dor do crescimento ainda bem suportável, sobretudo porque o mercado de Garantia ainda conta com um colchão importante para amenizar prejuízos. Ou seja, tem a parceria das resseguradoras, também ávidas por captar negócios neste nicho, o que, na hora do sinistro, pulveriza as perdas. “A sinistralidade efetivamente subiu, mas um olhar atento para os sinistros retidos indicará que ela não está concentrada nas seguradoras, mas sim nas resseguradoras”, comenta o executivo Carlos Frederico Ferreira, diretor técnico da Austral Seguros e outro palestrante (“Sinistros Complexos-Garantia”) do encontro.

Isso ocorre porque o mercado do Seguro Garantia é conhecido pela baixa frequência de sinistros, mas alta severidade, exigindo grande participação de resseguradoras. Além disso, os limites de importância segurada do Garantia têm percentuais reduzidos em relação aos valores das licitações públicas para contratação de obras, serviços e compras. Dependendo da modalidade de contrato de Garantia, os limites de coberturas oscilam de 1% a 10%.

Os especialistas, incluindo-se aí Gladimir Poletto (advogado da Poletto Advogados) e Cristina Muelas (consultora do IRB-Brasil Re)- eles participaram do painel “Garantia Judicial”)-, estão convictos de que a demanda de produtos desse ramo ainda vai evoluir significativamente. O próprio Garantia Judicial é um bom exemplo disso. Com demanda crescente no mercado e aceito pelos tribunais de primeira e segunda instâncias, o produto substitui a penhora ou depósito de valores para viabilizar o prosseguimento da ação judicial.

Mas o seguro ainda enfrenta resistências pelos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), dependendo da matéria- cível, tributária ou trabalhista- porque seu entendimento ainda é tradicionalista, assegura Gladimir. Mas uma hora o vento muda, até porque há boa acolhida nos tribunais inferiores e demanda crescente da sociedade, prevê o especialista.

Olhando para o futuro, a perspectiva é promissora para as diversas modalidades reunidas no ramo Garantia. Não só porque há o interesse do governo em aprovar aumentos dos limites de coberturas do Garantia, podendo chegar subir de 10% para 45% nas chamadas obras complexas, aproximando-se, dessa forma, das alíquotas de mercados mais evoluídos, como a Europa, na casa de 30%, e nos Estados Unidos, na faixa de 100% dos valores licitados.

Confirmando-se isso, o mercado vai não só arrecadar mais prêmios, mas assumir crescentes responsabilidades. Não poderá, como por ora, cometer qualquer deslize em termos de preços, comissões e subscrição, certamente.

Armando Vergílio proporá lei para tornar seguros tão importante como bancos

Armando Vergílio convoca várias instituições a ajudarem a escrever a Lei 3555
Modernizar o arcabouço legal da indústria de seguros para permitir que o setor tenha um peso para o Brasil tão relevante como os bancos nos próximos 10 anos. Com esse argumento, o deputado federal Armando Vergílio dos Santos Júnior convocou várias instituições a ajudarem a escrever a Lei 3555, que revoga o decreto lei 73/66, bem como artigos do Código de Direito do Consumidor e do Código Comercial.

Vergilio afirmou, no 2º Encontro de Resseguro do Rio Janeiro, que a intenção é promulgar uma lei mais ampla, que atenda às necessidades dos consumidores, das seguradoras e do País. “Não adianta produzir um marco regulatório que esteja desajustado com o mercado de resseguro. A Lei Geral de Seguro precisa de uma visão global do setor”, disse, acrescentando que o resseguro é um dos tripés do sucesso da indústria.

Paulo Pereira, presidente da Fenaber (Federação das Resseguradoras) disse a Vergílio que tinha um único pedido a fazer. “Peço que essa Lei diga que ela exclui resseguros, que já é regulado por uma lei própria”.

“O substitutivo que será escrito por mim vai propor inovações importantes tanto no aspecto legal como os que visem inibir a insegurança jurídica na relação do segurado com a seguradora”, concluiu Vergílio. Serão feitas mais duas audiências publicas, nos dias 17 e 24 de abril, às 14 horas, na Câmara dos Deputados, informou ele.

Base atuarial ajustada é resposta para catástrofes climáticas

As catástrofes climáticas apresentam alta complexidade e requerem muita base atuarial. De que anda adianta ter a informação e não confeccionar modelos ajustados e compartilhá-los?, questionou René Hernande, professor da FMU/SP, durante a palestra Catástrofes Climáticas no Brasil, proferida no segundo e último dia do 2º Encontro de Resseguro do Rio Janeiro, promovido pela CNseg, Abecor-Re, Fenaber e Escola Nacional de Seguros.

Segundo ele, as catástrofes climáticas tendem a aumentar nos próximos anos. “Temos vários registros no Brasil de tempestades, inundações, variações de temperatura e de alguns tipos de incêndio. E isso tudo tende a aumentar”, comentou. Diante da tendência de maior aumento dos efeitos do fenômeno El Niño, com grande influência no Sul do Brasil, Hernande recomenda que a precificação dos produtos de seguros ocorra com mais atenção e com um acompanhamento atento dos estudos sobre mudanças climáticas, para garantir a rentabilidade ao longo do tempo nas carteiras de seguros afetadas pelas mudanças climáticas.

Segundo Hernande, as catástrofes podem ser comparadas a Aids, para a qual não há remédio e é preciso aprender a lidar e conviver com ela, diante da previsibilidade de que as mudanças climáticas continuarão a aumentar tanto em frequência como em severidade.

O segundo palestrante, Geraldo Luis Lino, diretor do movimento de solidariedade Ibero-Americano, autor do livro “A fraude do aquecimento global”, defendeu a tese de que o clima sempre oscilou e causou perdas. A diferença é que hoje as pessoas se preocupam mais com os prejuízos. “As atividades humanas não influenciam o clima em escala global. A influência humana no clima se limita às cidades e seus entornos e a microclimas”, afirmou.

Para ele, o problema é outro. “Nossa cultura é do medo. Muitas vezes não damos respostas adequadas aos nossos riscos porque desconhecemos. Algumas que já acumularam informações não querem compartilhar com medo da concorrência. Mas temos que afinar nosso diálogo, ter foco e compartilhar as informações para se criar um banco de dados capaz de mitigar riscos inerentes às mudanças climáticas e que afetam toda a sociedade”, disse.

O método científico requer uma correspondência entre hipóteses e evidências físicas observadas. Se ela não ocorrer, a hipótese precisa ser revista ou aguardar novos dados para ser confirmada. Por isso, ele critica firmemente o que chama de “alarmismo climático”.

Como sugestão, Lino lista prioridades que ainda não são tratadas com atenção no País. “O Brasil, um dos cinco maiores do mundo em população, não tem satélite meteorológico próprio. Dependemos do americano e europeu. Não é tão caro assim”, disse. Ele também citou que radares meteorológicos não são usados para Defesa Civil e sim para o fim aeronáutico. “No Rio de Janeiro, por exemplo, se o equipamento tivesse sido usado pela Defesa Civil, as pessoas teriam tido tempo de se preparar ou mitigar os riscos na tempestade da semana passada”. Segundo ele, o alerta da forte chuva só foi dado dez minutos antes.

Lino também informou que, pelos critérios mundiais, o Brasil deveria ter 700 estações meteorológicas- hoje tem menos de 500. “Em vez de nos preocuparmos com isso, estamos gastando tempo discutindo as mudanças do clima em 2050?”, questionou. Para ele, as palavras-chave para aumentar as políticas públicas são melhorar o conhecimento da dinâmica climática, aumento da resiliência das sociedades às mudanças climáticas e doses planetárias de bom senso.

Grupo Argo decide abrir uma resseguradora admitida

A Argo Group International Holdings, subscritora internacional de produtos de seguros especiais e resseguros, decidiu abrir no Brasi uma resseguradora admitida para garantir os contratos da seguradora do grupo. Apenas o sinal verde foi dado pela matriz e agora o CEO local, Pedro Purm, começará a estrturar toda a documentação necessária junto a Susep para obter a autorização do órgão regulador.

Drault Ernanny deixa a vice-presidência da AGCS

Uma grande novidade para os participantes do evento foi a saída do vice-presidente executivo Drault Ernanny da AGCS, subsidiária de riscos de empresas e resseguro da Allianz. Muitas especulações sobre o destino de Ernanny. Está a procura de uma colocação? Saiu para começar uma star-up? Ir para alguma companhia que tem o BTG entre os acionistas? Ou sua saída sinaliza algo sobre o anúncio que a Allianz fará na próxima semana? Bradesco Auto RE? Itaú? Vamos aguardar ele mesmo dar notícias.

Segundo colegas de trabalho, ele ainda não anunciou qual o seu novo desafio. Mas todos concordam que ele deve ter sido convidado a peso de ouro para deixar a AGCS, que vislumbra um grande potencial de crescimento no Brasil e faz parte do maior grupo segurador da Europa e que elegeu o Brasil como um dos principais focos de crescimento dentro das operações internacionais. A AGCS iniciou operações neste ano, com sede no Rio de Janeiro. O executivo passou um longo período sendo treinado na matriz da Allianz, na Alemanha. Um investimento e tanto, que agora vai estimular concorrentes. Isso que é um mercado competitivo!

Bastidores do 2o. Encontro de Resseguro

Papo de coffee-break durante o 2o. Encontro de Resseguro que acontece dias 3 e 4 no Rio de Janeiro. O evento conta com aproximadamente 350 executivos e praticamente todos os principais porta-vozes do mercado estão no hotel Sofitel para debater temas relevantes da indústria de seguros, como proteção para catástrofes e para o agronegócio, que representa 22% do PIB brasileiro e tem sofrido perdas por mudanças climáticas e dificuldades por falta de infraestrutura e incentivos.

Vai e vem

Uma grande novidade para os participantes do evento foi a saída do vice-presidente executivo Drault Ernanny da AGCS, subsidiária de riscos de empresas e resseguro da Allianz. Muitas especulações sobre o destino de Ernanny. Está a procura de uma colocação? Saiu para começar uma star-up? Ir para alguma companhia que tem o BTG entre os acionistas? Ou sua saída sinaliza algo sobre o anúncio que a Allianz fará na próxima semana? Bradesco Auto RE? Itaú? Vamos aguardar ele mesmo dar notícias.

Segundo colegas de trabalho, ele ainda não anunciou qual o seu novo desafio. Mas todos concordam que ele deve ter sido convidado a peso de ouro para deixar a AGCS, que vislumbra um grande potencial de crescimento no Brasil e faz parte do maior grupo segurador da Europa e que elegeu o Brasil como um dos principais focos de crescimento dentro das operações internacionais. A AGCS iniciou operações neste ano, com sede no Rio de Janeiro. O executivo passou um longo período sendo treinado na matriz da Allianz, na Alemanha. Um investimento e tanto, que agora vai estimular concorrentes. Isso que é um mercado competitivo!

HDI Gerling prepara abertura de seguradora de grandes riscos

Guillermo Leon deixou o comando da resseguradora AIG para ser o CEO da seguradora de grandes riscos que o grupo alemão HDI está organizando no Brasil. Em seu lugar, assume Marcos Frigise, que já atuava na AIG Re. Gullermo esteve à frente da seguradora AIG quando ainda chamava Chartis e era o CEO quando o nome voltou para AIG. Também estava no comando quando a seguradora AIG iniciou o processo de massificação, entrando no segmento de venda de seguro de carro. Foi sustituído por Jaime Calvo, que hoje tem uma grande meta para a AIG no Brasil, um dos dois países escolhidos pelo mundo para acelerar o crescimento grupo. O outro país é nada mais do que a China. Mais notícias ao longo do dia.

Leon está há 30 dias no novo projeto. “Ainda vamos entrar com o pedido de abertura de seguradora na Susep e enquanto isso vamos sondando o mercado para contratar a equipe e consolidar o plano de negócios”, disse. Eis um grande desafio: contratar equipe. Há muita demanda por profissionais especializados locais. “Vamos formar pessoas, mas no começo precisamos de pessoas que já conheçam o setor”, diz.

A HDI Gerling, que já tem a resseguradora do grupo no país, a Hannover, chega para disputar o mercado de riscos industriais, no qual é especializada, riscos de engenharia, marine, responsabilidade civil, petróleo entre outros. A previsão é de investimento de US$ 25 milhões num primeiro momento para a abertura da empresa, que deverá consumir todo o ano. Em 2014, no entanto, o grupo começa a disputar contratos das Olimpíadas e da infraestrutura, “pois o Brasil vai muito além desses dois mundiais”, diz Leon.

Perdas corriqueiras de R$ 20 milhões

Segundo executivos de resseguradoras presentes no evento, há um movimento intenso no departamento de sinistros das seguradoras e resseguradoras. Enquanto todos imaginavam que as vendas seriam o frenesi de 2011 e 2012, a regulação de indenizações é que tomou vulto dentro das companhias. De acordo com executivos, o maior volume de pedido de indenizações vem do setor de construção de hidrelétricas, estádios e obras que envolvem a infraestrutura da Copa 2014.

A carteira de cobertura para tumultos e riscos de engenharia são as mais afetadas. Geralmente esses sinistros levam em média dois anos para serem regulados, o que afetará o resultado das companhias no médio prazo. A saída, que tem apontado uma tendência, principalmente para as seguradoras que começaram operação recentemente, é atuar em riscos massificados, uma vez que os prêmios de grandes riscos no Brasil estão representando a metade das taxas cobradas em Londres, enquanto o risco de catástrofe, que poderia equilibrar o preço, praticamente não existe na cotação de programas no Brasil. A realidade, segundo eles, é esperar para ver como fica.

FOTO: Revista Veja – Tumulto em Jirau em março de 2011. 45 ônibus e 15 carros queimados

Argo abrirá resseguradora admitida no Brasil

A Argo Group International Holdings, subscritora internacional de produtos de seguros especiais e resseguros, decidiu abrir no Brasi uma resseguradora admitida para garantir os contratos da seguradora do grupo. Apenas o sinal verde foi dado pela matriz e agora o CEO local, Pedro Purm, começará a estrturar toda a documentação necessária junto a Susep para obter a autorização do órgão regulador.

Corretora Colleman mudará de nome

A corretora Colemont já começou a divulgar o novo nome: THB. A troca oficial será divulgada no seminário da ABGR, em outubro. A Colemont pertence ao grupo americano AmWins, que se fundiu com a corretora britânica THB, no início de 2012. A THB possuía operações em Cingapura, Taiwan, Peru, Colômbia e Holanda e optou por adotar o nome da THB porque em Londres esta é a marca mais forte. Em 2013, a corretora assumirá a marca THB para todas as suas operações internacionais, exceto para a matriz, que manterá o nome do grupo.

Torus Insurance também chega ao Brasil para atuar em grandes riscos

A seguradora Torus Insurance também está de olho no mercado brasileiro e deverá montar uma operação de seguros, com atuação voltada para grandes riscos, contam executivos durante o coffee break. O grupo inglês já tem um escritório de representação no Brasil como Torus Specialty Insurance Company, atuando como resseguradora admitida, desde 2010, e está sondando especialistas para contratar para a seguradora. “Independentemente se o mercado local está muito competitivo, com taxas muito abaixo das praticadas no mercado londrino, todos querem estar aqui. E cada qual com a sua razão”, comenta um segurador europeu.

É preciso pensar na formalização dos contratos de resseguro, diz advogado

Construir uma nova posição para a formalização dos contratos. Essa foi a proposta da palestra do advogado João Marcelo Máximo dos Santos, da Demarest & Almeida, proferida hoje, no primeiro dia do 2o. Encontro de Resseguros, que termina amanhã no Rio de Janeiro.

A formalização do contrato de resseguro determina que as partes adotem um certo procedimento. Essa foi a intenção do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), ao seguir a legislação do mercado de seguros para criar a Resolução do CNSP 168/2007, que traçou a linha mestra da abertura do setor de resseguros.

No entanto, há ainda, cinco anos mais tarde, muitos ruídos entre os executivos do setor. Uma delas é o que significa o termo “ser desconsiderada”, tratado na resolução, que diz respeito ao prazo em que a formalização deve acontecer. Segundo a norma, o contrato tem de estar assinado em até 270 dias. Se não estiver, não será válido. No entanto, se houver documento que comprove o “aceito do ressegurador”, mesmo que nao tenha sido assinado, isso valerá como um risco coberto. “Desconsiderar não é anular. O contrato continua válido, se era válido antes”, explica João Marcelo. O aceite é entendido pela Susep apenas como uma transfencia de risco. Então é preciso formalizar o contrato para apresentar ao fiscal da Susep.

Quando a nossa norma segregou formalização e aceite, talvez estivesse se referindo a um mercado que não tinha norma. “Hoje não é mais assim e por isso aceitamos a regra de que o contrato tenha de ser formalizado em até 270 dias”, diz.

Segundo ele, o contrato estará formalizado quando puder demonstrar por documentos que a realização de uma proposta por parte da cedente, a aceitação da oferta por parte do ressegurador, as condições em que o risco foi transferido. Já a definição dos documentos necessários dependerá da estrutura de colocação do risco. A responsabilidade, no entanto, pode estar configurada com um slip (papel informal com as condições de aceitação do risco) enviado pela seguradora para o ressegurador, com um carimbo de aceite. Isso já é suficiente”, garante o advogado.

Para concluir sua apresentação, o advogado frisou que se tornou objeto de controvérsia a interpretação da regra brasileira que exige a formalização do contrato, diferenciando essa formalização da prova do contrato. Tanto pela redação da regra como pelo fato de que o mercado brasileiro foi aberto justamente no momento em que a formalização e a maior clareza dos contratos se afirmavam como uma nova característica do mercado de resseguros mundial.

Não havendo uma forma específica para a formalização, o contrato será válido desde que preencha os requisitos de validade do negócio jurídico( agente capaz, objeto licito, forma prescrita ou não defesa em lei) e a sua formalização será feita por quaisquer documentos, como o contrato automático com uma troca de correspondências, o slip carimbado em sua forma final, o slip carimbado, o envio da nota de cobertura ajustando as participações dos diferentes resseguradores e outros, desde que se tenha documentos evidenciando a aceitação do risco e elementos do contrato.

Quem sofre mais com as inundações no Brasil?

Quem sofre mais com as inundações no Brasil, governo, população ou seguradoras? Até que ponto é importante investir em mitigar riscos em países em desenvolvimento e em regiões com pouca importância econômica? Essa questão foi o ponto alto da palestra Catástrofes Climáticas no Mundo, proferida por Alfredo Gomez, vice-presidente da Swiss Re, mediada por Leonardo Paixão, presidente do IRB Brasil Re, com debate a cargo de Rodrigo Botti, diretor de riscos da Terra Brasis, durante o 2º Encontro Internacional de Resseguro, que acontece no Rio de Janeiro.

As catástrofes naturais e os desastres causados pelo homem em 2012 causaram perdas econômicas de US$ 186 bilhões, com a perda de aproximadamente 14 mil vidas. Os eventos climáticos de grande escala nos EUA levaram o total de perdas seguradas do ano à marca de US$ 77 bilhões, que caracteriza o terceiro mais oneroso ano já registrado para o setor de seguros. Esse valor ainda é consideravelmente menor do que o valor de 2011, quando terremotos e inundações recorde na região da Ásia-Pacífico causaram perdas seguradas históricas, acima de US$ 126 bilhões, as maiores já registradas. “70% da Tailândia foi afetada com inundações em 2011. Já em 2012 houve uma mudança nas regiões afetadas, com 80% das perdas geradas por eventos ocorridos nos EUA”, frisou o especialista.

Na América Latina e no Caribe, catástrofes naturais e desastres causados pelo homem atingiram perdas de US$ 4 bilhões. O custo para o seguro foi de US$ 900 milhões. Os furacões também atingiram o Caribe, mas as perdas seguráveis foram menos significativas. A pergunta que se faz é quem realmente paga por estas perdas? Entre 1970 e 2012, a maior perda aconteceu em 2005, com o furacão Katrina, que atingiu os Estados Unidos. O verão mais quente nos Estados Unidos trouxe perdas enormes também para o setor agrícola, bem como para o Brasil. O número de catástrofes continua a aumentar. “O mercado está preparado para prevê-las e propor modelos?”, pergunta Gomez.

Um exercício de simulação apresentado no estudo Sigma mostra como uma elevação do nível do mar de 0,25 metro até 20502 praticamente dobrará a probabilidade de ocorrência de perdas por inundações extremas. Para o mercado, isso significa que um sinistro indenizável no valor de US$ 20 bilhões, hoje com ocorrência prevista para uma vez a cada 250 anos, passaria a ter ocorrência prevista para uma vez a cada 140 anos.

Rodrigo Botti, da Terra Brasis resseguradora, falou sobre as catástrofes que aconteceram em 2011 e 2012. Ele questiona se há realmente maior atenção aos “cold spots” ou foi algo passageiros? Gomez afirma que não basta acessar apenas os riscos que estão claros, mas o mais importante é olhar para perdas econômicas com as quais ninguém se importa, mas que são significativas. “No processo de transferir uma quantidade maior de riscos temos que investir em tecnologia para mitigar estes riscos”, diz.

Segundo levantamento da Terra Brasis, a exposição brasileira a inundações é diferente do resto do mundo. Enquanto as inundações representam 70% das indenizações pagas, em países europeus elas significam cerca de 30%. “Isso mostra que os modelos existentes precisam ser adaptados ao Brasil. Como vamos conseguir atrair e desenvolver tecnologia e modelos de riscos de inundação brasileira é o grande desafio”, argumentou Botti.

A questão é como trazer tecnologia e o primeiro passo é conhecer a fundo o risco e descobrir as possibilidades de cobertura para os impactos econômicos. Uma colaboração importante foi a parceria fechada pela CNSeg com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Ministério da Ciência e Tecnologia, para prover dados estatísticos sobre a incidência de chuvas para o setor de seguros. Isso tem despertado o apetite das resseguradoras e seguradoras pelos riscos das chuvas.

Para finalizar, os participantes do painel concluíram que há uma grande mudança no mundo e a indústria de seguros terá de se adaptar as conseqüências financeiras desses eventos. Na semana passada, por exemplo, duas horas causaram três polegadas de chuvas nas Ilhas Mauricio, na costa da África, inundando a capital. Onze pessoas morreram e milhares desapareceram. Ainda não se sabe a perda, mas sabemos que as perdas são mais freqüentes do que no passado. E neste caso, investidores japoneses apresentaram pedidos volumosos por investimentos na região, conta Gomez.

A conclusão é de que parcerias entre a iniciativa privada e governos seriam vitais para investigar proativamente e mitigar os impactos potenciais de tal mudança. Será que existe capacidade sufuciente de seguro e resseguro para suportar tal aumento na tendência de aumento observada? Quem paga a conta? Os governos tem de fornecer suporte financeiro. Mas eles estão preparados? Será que o Brasil deve se importar com o que acontece no resto do mundo?

A resposta de Gomez é: Devem se importar sim, pois a capacidade de resseguro que está sendo usada aqui é a mesma que paga o sinistro no resto do mundo. Então é preciso estar atento.