CNP alcança 16 milhões de segurados na América Latina e vê Brasil como pilar estratégico global

Marie-Aude Thépaut CNP

A CNP Assurances, anfitriã do 1º Fórum Brasil–França de Seguros realizado em Paris pela CNseg, a confederação das seguradoras, reafirma seu compromisso com o crescimento sustentável da América Latina como uma de suas prioridades globais. Presente na região há quase três décadas, o grupo francês aposta na combinação de inovação, inclusão e parcerias estratégicas para ampliar os limites da segurabilidade e democratizar o acesso à proteção financeira.

A presidente global da CNP Assurances, Marie-Aude Thépaut, destacou em encontro com jornalistas o papel estratégico da seguradora como agente de inclusão social e desenvolvimento sustentável. Criada há mais de 175 anos e integrante do maior polo financeiro público francês, a CNP Assurances é uma subsidiária do La Banque Postale e hoje figura como a segunda maior seguradora de vida e de empréstimo imobiliário da França, além de ocupar a quinta posição no mercado europeu e a terceira no Brasil.

“A CNP Assurances é, antes de tudo, uma seguradora comprometida com a proteção e o futuro das pessoas. Por isso, buscamos soluções acessíveis e sustentáveis, com foco nas necessidades reais da sociedade”, afirmou Thépaut. Ela destacou que a companhia já oferece 14 produtos voltados especificamente às populações vulneráveis.

Com mais de 8.300 colaboradores no mundo, a CNP Assurances atua como uma seguradora pessoal e patrimonial, oferecendo proteção em saúde, previdência, seguro de vida, aposentadoria, e também coberturas para bens (P&C – Property and Casualty). Atualmente, o grupo cobre mais de 36 milhões de pessoas em previdência e proteção, e 13 milhões em produtos de poupança para aposentadoria, em 19 países. Em 2024, o grupo registrou um lucro líquido de € 1,582 bilhão e um volume de negócios de € 37,4 bilhões. A taxa de cobertura de solvência (SCR) atingiu 237%, um índice robusto que garante solidez e capacidade de honrar compromissos futuros.

Um dos diferenciais da companhia é seu modelo de distribuição multiparceiro, com cerca de 350 parceiros apenas na França. No Brasil, onde a CNP Assurances ocupa a terceira posição entre as seguradoras, mantém uma parceria histórica com a Caixa Econômica Federal e mais recentemente firmou acordo com o Banco de Brasília, reforçando sua estratégia de longo prazo no país.

Também parceira do Correios, que enfrenta uma crise no Brasil, mas que não assusta o grupo francês. “Somos parceiros de longo prazo”, frisou a CEO. Na Argentina, o grupo se manteve parceiro da principal cooperativa do país, durante toda a crise e deve colher frutos com a retomada da economia vizinha.

Falando em cooperativas, há uma grande mudança neste sistema no Brasil, com o qual da CNP é especialista tanto na França como na Argentina. Nada em curso por ora, mas dependendo sobre como for finalizada a regulamentação da Lei 213, que traz para o mercado de seguros cooperativas e associações, parcerias com cooperativas podem ser uma das alternativas para o grupo avançar no Brasil diante da experiência que tem na França, na Argentina e até mesmo no Brasil. No passado, a CNP foi parceira da Sicoob, cooperativa que hoje tem uma joint venture com a MAG Seguros. O que se tem como certo é que há um desejo do grupo de avançar na América Latina. “

Thépaut também chamou atenção para o papel da CNP como investidora responsável. Ao final de 2024, a companhia havia investido € 412 bilhões em diversos setores da economia, com foco em infraestrutura (como redes elétricas, fibra óptica e abastecimento de água) e em empresas comprometidas com os princípios ESG (ambientais, sociais e de governança).

Globalmente, 80% dos ativos do grupo são geridos com critérios ESG, e €29,4 bilhões estão aplicados em investimentos verdes. Na região, a companhia passou a apoiar iniciativas de preservação da Amazônia, em parceria com o Idesam. A meta é atingir € 30 bilhões até o final de 2025. Também houve redução de 58% na pegada de carbono dos investimentos em cinco anos, para 45 kgCO2e por mil euros investidos.

Grupo pensa em acelerar crescimento na América Latina

Maximiliano Villanueva, CEO da CNP Assurances na América Latina, disse que hoje o grupo tem fundos verdes no Brasil com grandes bancos e que somado a investimento com a Caixa chegaria a totalizar 5% das reservas técnicas, acima do percentual que a lei que cria o mercado regulado de carbono exige das seguradoras. “Temos regras muito rígidas para investimentos em fundos verdes. Fazemos uma auditoria no fundo para entender se ele está em conformidade com as políticas da matriz”, citou.

Villanueva detalhou os principais objetivos estratégicos da companhia para os próximos anos na América Latina. “Nosso projeto para a região é de longo prazo. Atuamos com flexibilidade por meio de bancos, grandes empresas e corretores, sempre com o foco de oferecer soluções que atendam ao maior número possível de pessoas. Acreditamos na força da educação financeira e da capacitação para desenvolver a cultura do seguro”, afirma.

O Brasil, maior mercado da CNP fora da França, lidera essa trajetória. Com um faturamento de R$ 35,8 bilhões e lucro líquido de R$ 3,6 bilhões em 2024, o país abriga experiências emblemáticas, como as joint ventures com a Caixa e o pioneirismo em microsseguros — segmento no qual a CNP foi a primeira seguradora autorizada a operar no Brasil. Trata-se de uma fatia relevante do faturamento global de €37,4 bilhões.“Combinamos canais digitais, parceiros regionais e produtos acessíveis com um compromisso firme com a inclusão financeira”, ressalta Villanueva.

A expansão regional também está no radar. México, Colômbia e Chile são mercados sob análise, com possibilidade de aquisições ou novas parcerias. Os critérios incluem o potencial de mercado, o perfil de consumo de seguros e a maturidade regulatória.

Villanueva destaca ainda os aprendizados dos dois principais mercados atuais. “O Brasil nos mostrou o valor de parcerias de longo prazo e inovação social. Na Argentina, mesmo em um ambiente desafiador, mantivemos rentabilidade e inovamos em canais digitais, reforçando nossa resiliência.” A experiência nesses mercados tem contribuído para o posicionamento global do grupo, inclusive em regiões mais maduras como a Europa.

Entre os marcos recentes está o lançamento da CNP Seguradora, em 2023, com o objetivo de ampliar a atuação para além do canal bancário. A estratégia tem gerado frutos por meio de parcerias com Correios, BRB, XP, Americanas e outras grandes redes. “Essa abordagem multi-parcerias traz flexibilidade e amplia o alcance da proteção”, explica o executivo.

A digitalização também ocupa papel central. A Youse, primeira seguradora 100% digital do Brasil, atua como um laboratório de inovação para todo o grupo. “Ela nos dá velocidade e competência em dados, UX e automação. Isso tem sido fundamental para escalar soluções inclusivas”, diz.

O compromisso da CNP com a sustentabilidade e a inclusão se traduz em ações concretas nos dois países. No Brasil, destaca-se a presença feminina em cargos de liderança (50%), o avanço dos microsseguros e os investimentos com viés ESG. Na Argentina, a seguradora manteve estabilidade mesmo com forte volatilidade, reforçando seu papel social.

Em 2024, a CNP contabilizou 12 milhões de segurados em proteção e 4 milhões em acumulação na América Latina. Microsseguros, previdência e consórcios digitais devem liderar o crescimento nos próximos anos, segundo Villanueva.

Apesar dos desafios — como a complexidade regulatória e a instabilidade econômica da região — o grupo se mantém otimista. “Conhecemos bem esses mercados. Sabemos que o potencial de crescimento é enorme e que podemos ser agentes de transformação social e econômica”, conclui o CEO.

Open Insurance: mais prudência, mais testes e mais diálogo com o setor de seguros

fórum brasil frança 2025

No painel “Open Insurance: Desafios e Oportunidades para o Brasil e para a França”, realizado durante o 1º Fórum Brasil–França de Seguros em Paris, representantes das confederações de seguros dos dois países apontaram que, embora o Open Insurance represente uma oportunidade para ampliar a concorrência e personalizar produtos, sua implementação ainda enfrenta barreiras técnicas, regulatórias e culturais — e não deve simplesmente replicar o modelo do open banking.

Moderado por Roberto Santos, presidente do Conselho Diretor da CNseg, o debate reuniu Alexandre Leal, diretor técnico da CNseg, e Jérôme Balmes, diretor digital da France Assureurs. Ambos destacaram a importância de se construir um ecossistema de compartilhamento de dados mais realista, progressivo e baseado em evidências concretas de valor para o consumidor.

“O controlador fez Ctrl C + Ctrl V do modelo bancário para o setor de seguros, mas são mercados diferentes”, criticou Roberto Santos. “O consumidor de seguros tem um comportamento distinto. Já gastamos bilhões com o Open Insurance e, até agora, não há resultados claros. Daqui a quatro anos, talvez tenhamos algo estruturado. Hoje, não há troca real de dados no mundo dos seguros.”

Jérôme Balmes reforçou o alerta: “A Europa olha para o Brasil como um laboratório de testes do Open Insurance, mas não se deve copiar o modelo bancário. Os desafios são diferentes. Precisamos de testes, projetos-piloto e, sobretudo, prudência. É uma proposta ambiciosa que, se mal executada, pode expor os dados dos cidadãos a riscos cibernéticos.”

Segundo ele, a França discute o Open Insurance dentro da estrutura mais ampla do Open Finance da União Europeia, mas há forte resistência de alguns atores do sistema. “Os dados dos cidadãos são preciosos e não podem ser abertos sem critério. O que falta no mindset regulatório é reconhecer que essa abertura traz riscos. Se o mercado de troca de dados existisse, ele já teria surgido de forma orgânica”, afirmou Balmes.

Alexandre Leal lembrou que o Brasil é pioneiro na criação do Open Insurance sob a liderança da Susep, mas os desafios são grandes. “A sobreposição de entregas, o cronograma apertado de 18 meses e a ausência de ambiente de testes dificultaram muito a adoção. A primeira demanda das startups que passaram à autorização definitiva foi sair do Open Insurance. Isso precisa ser avaliado com atenção.”

Segundo Leal, há riscos de aumento de custos e concentração de mercado. “Criou-se um novo intermediário, o SPOC, que tem custo e pode, na prática, elevar o preço dos produtos em vez de reduzi-los. Além disso, duas empresas já concentram a maior parte das autorizações, o que gera preocupação em termos de concorrência.”

O papel dos corretores também foi tema do debate. “O discurso da desintermediação sugere que o cliente vai escolher sozinho a seguradora mais barata, sem avaliar a proteção oferecida”, comentou Santos. “Essa lógica ignora o papel consultivo dos corretores e pode prejudicar o cliente. A automatização da busca pelo menor preço não necessariamente leva à melhor escolha.”

Leal defendeu que a visão das seguradoras também precisa ser considerada. “Ainda não temos evidência de que o Open Insurance trouxe redução de preços ou aumento da competitividade. O que vemos são investimentos altos, poucas adesões e dúvidas sobre benefícios concretos.”Os participantes defenderam uma abordagem coordenada entre países, com foco em colaboração regulatória e escuta ativa dos stakeholders. “Precisamos de um discurso comum entre Brasil e França: mais prudência, mais testes, mais diálogo com o mercado”, concluiu Balmes.

France Assureurs defende papel estratégico dos seguros em um mundo em crise e destaca cooperação entre países

fórum brasil frança 2025

A presidente da France Assureurs, Florence Lustman, participou da abertura do 1º Fórum de Seguros Brasil–França em Paris e fez um chamado à cooperação internacional para enfrentar os grandes desafios do setor em um mundo em transformação. O evento, promovido pela CNseg como parte do calendário oficial dos 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países, reuniu autoridades, reguladores e lideranças do setor segurador para discutir temas como mudanças climáticas, open insurance, inovação e proteção de investimentos.

“Este é o Ano França-Brasil, que celebra 200 anos de parceria com intensa programação cultural e institucional. Ontem tivemos a oportunidade de reunir nossos supervisores em um jantar produtivo, que reforçou nossos laços de colaboração”, disse Lustman. Para ela, o setor de seguros precisa tratar dos riscos “não apenas pela janela das seguradoras, mas com a sociedade civil e as empresas, para trazer soluções em um mundo em crise”.

Lustman reconheceu as diferenças entre os dois mercados — especialmente no nível de penetração de seguros —, mas ressaltou as semelhanças nos desafios enfrentados. “As mudanças climáticas impactam diretamente nossas populações. Em breve teremos a COP30 no Brasil e estaremos presentes com um estande, para mostrar o papel do seguro neste novo contexto. Precisamos pensar em soluções concretas para os grandes desafios globais, incluindo a inteligência artificial, a inovação e o Open Insurance.”

A executiva apontou incertezas no avanço do Open Insurance na Europa. “Ontem nos reunimos com a autoridade europeia de seguros e discutimos o tema. O posicionamento das seguradoras ainda é indefinido. Em Bruxelas, haverá muitos debates sobre esse acesso ilimitado a dados. Quando o Estado tem ambições, todos se voltam para o setor de seguros. Temos de ilustrar a relevância de nossos intercâmbios e construir juntos.”

De acordo com a France Assureurs, as perdas do setor segurador com desastres naturais somaram € 5 bilhões em 2024. As tempestades, o granizo e a neve responderam por € 2,2 bilhões; as catástrofes naturais, como inundações e secas, por € 2 bilhões; e o seguro agrícola, por € 800 milhões.

Embora abaixo da média dos últimos cinco anos (€ 5,6 bilhões), esse valor coloca 2024 como o nono ano mais caro para o setor desde a criação do regime de catástrofes naturais, em 1982. O destaque negativo ficou para as tempestades Kirk e Leslie e para as enchentes nas regiões de Nord e Pas-de-Calais, que, juntas, somaram mais de € 1,2 bilhão em indenizações. Em 20 anos, as perdas por danos causados por água dobraram (+134%).

Mesmo diante dos desafios climáticos e de alta nas indenizações em saúde e previdência, o mercado segurador francês mostrou resiliência. O faturamento total do setor atingiu € 281 bilhões em 2024, mantendo a França na liderança da União Europeia — à frente de Alemanha (€ 238 bilhões) e Itália (€ 155 bilhões). As seguradoras francesas também reforçaram seu papel como investidoras institucionais, com € 2,6 trilhões investidos na economia, sendo dois terços direcionados a empresas.

O segmento de seguros de danos e responsabilidade arrecadou € 75 bilhões e pagou € 53 bilhões em sinistros, com 13 milhões de registros — 64% deles em automóveis, 28% em residências e 8% em empresas. Os seguros de vida movimentaram € 173,3 bilhões, com crescimento de 14%, e o setor acumulou captação líquida de € 29,4 bilhões. Já os segmentos de saúde e previdência atingiram € 32,6 bilhões, com alta de 10% nas indenizações de saúde e 24% na previdência.

Entre os principais grupos atuantes no país, a AXA liderou com € 110 bilhões em faturamento e lucro líquido de € 7,9 bilhões. A Generali cresceu 5,4%, atingindo € 3,8 bilhões de lucro, enquanto a Covéa viu seus ganhos caírem 20% devido a perdas com resseguro.

A France Assureurs é a entidade que representa 252 seguradoras e resseguradoras na França, cobrindo mais de 99% do mercado nacional. Seu papel é atuar como porta-voz do setor junto às autoridades públicas na França e na União Europeia, promovendo um ambiente regulatório estável e sustentável.

Governo recua e prorroga início da cobrança de IOF sobre VGBL para 25 de junho

Fernando Haddad

Após duas semanas de críticas e impasses técnicos envolvendo a nova cobrança de IOF sobre aportes acima de R$ 50 mil em planos de previdência privada, como o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre), o governo federal decidiu prorrogar para 25 de junho o prazo para o pagamento do imposto. A mudança consta em portaria publicada nesta terça-feira (4) pelo Ministério da Fazenda.

A medida havia sido anunciada em 23 de maio, como parte de um pacote mais amplo de aumento do IOF em diversas operações financeiras. A nova alíquota de 5% incidiria sobre aportes mensais superiores a R$ 50 mil em planos de VGBL e outros produtos de previdência privada, com vigência imediata. No entanto, a falta de um sistema operacional para viabilizar a cobrança gerou forte reação do setor e motivou o recuo.

A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) manifestaram preocupação com a decisão do governo. Segundo as entidades, as seguradoras não estavam preparadas para recolher o imposto de forma automática, já que, até então, o VGBL não era alcançado por esse tipo de tributação. “As empresas precisam adaptar suas plataformas e sistemas para garantir a correta apuração e recolhimento do imposto”, alertaram.

Outro desafio é a ausência de uma base centralizada de informações sobre os aportes realizados pelos clientes. Com isso, se um mesmo investidor destinar R$ 30 mil a uma seguradora e mais R$ 30 mil a outra, o limite de isenção será ultrapassado — mas nenhuma das instituições terá condições de identificar a infração de forma isolada. “Sem o consentimento expresso do cliente para compartilhamento de dados via Open Insurance, essa informação continua sendo privativa”, observam especialistas.

Ainda não está claro se caberá às seguradoras ou aos próprios contribuintes fazer o recolhimento do imposto em casos de múltiplos aportes. A indefinição reforçou o argumento pela postergação.

A nova portaria altera o prazo de vencimento do IOF referente a duas janelas. O 3º decêndio de maio, que venceria em 4 de junho; 1º decêndio de junho, que venceria em 13 de junho. Ambos os vencimentos foram prorrogados para 25 de junho de 2025.

Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo da medida é corrigir uma “distorção” no sistema tributário. De acordo com a pasta, contribuintes de altíssima renda vinham utilizando o VGBL como um veículo de investimento de baixíssima tributação, desvirtuando sua finalidade original de produto previdenciário.

“A medida preserva o investidor que realmente busca segurança previdenciária”, afirmou a Fazenda ao justificar a criação da nova alíquota.

Importante destacar que a cobrança não afeta aportes inferiores a R$ 50 mil nem contribuintes que usam o VGBL com foco na aposentadoria.

A alta do IOF em diversos tipos de operações, no entanto, gerou descontentamento no Congresso Nacional. Parlamentares ameaçam derrubar o decreto presidencial, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem negociado com líderes da Câmara e do Senado alternativas para ajustar o pacote sem perder a arrecadação pretendida.

Swiss Re defende o direito ao esquecimento do câncer para ampliar o acesso a seguros

No contexto da crescente discussão sobre inclusão financeira e equidade no acesso a seguros na América Latina, a Swiss Re destaca a importância do direito ao esquecimento do câncer, uma iniciativa que busca eliminar as barreiras enfrentadas pelos sobreviventes de câncer ao contratar produtos financeiros e de seguros. A implementação desta medida poderia representar um avanço crucial para a inclusão financeira de milhares de pessoas, alinhando-se com esforços semelhantes na Europa e América Latina.  

A sobrevivência média dos pacientes com câncer melhorou significativamente devido aos programas de detecção precoce e avanços nos tratamentos. Isso levou a um aumento no número de sobreviventes de câncer em todo o mundo. No entanto, essas pessoas continuam enfrentando barreiras para acessar seguros e outros produtos financeiros, mesmo muitos anos após sua recuperação. Em países como a França, a legislação sobre o direito ao esquecimento do câncer permite que os sobreviventes não sejam obrigados a revelar seu histórico de câncer após um período de 10 anos desde a conclusão do tratamento (5 anos para menores de 18 anos). Esta medida foi replicada em países como Chile e Peru.  

O direito ao esquecimento do câncer busca evitar a discriminação com base em antecedentes médicos, promovendo uma avaliação de riscos baseada em dados objetivos. No entanto, é fundamental considerar as diferenças nos tipos de câncer e suas taxas de cura:  

  • Cânceres com alta taxa de cura (>80%) e baixo risco de recorrência (como câncer de tireoide ou testicular): justifica-se sua exclusão em avaliações de risco após 5 a 6 anos.  
  • Cânceres com menor excesso de mortalidade após 10 anos (como câncer colorretal ou gástrico em jovens): requerem um período de espera maior (10 anos) para sua consideração no direito ao esquecimento.  
  • Cânceres com risco persistente de recorrência (como câncer de mama, próstata e bexiga): podem representar um desafio para as seguradoras, dado o risco subjacente a longo prazo.  
  • Neoplasias com baixa taxa de cura (<20%) e mau prognóstico (como câncer de pulmão, fígado ou pâncreas): seu impacto nos seguros pode ser menor, já que a sobrevivência a 10 anos é limitada.  

Fatores adicionais a considerar  

  • Estágio do câncer no diagnóstico: Um estudo recente sobre câncer de ovário mostrou que a sobrevivência condicional a 5 anos varia entre 95% nos estágios iniciais e 75% nos estágios avançados, o que destaca a importância de diferenciar por estágios na aplicação do direito ao esquecimento.  
  • Mortalidade não oncológica: Sobreviventes de câncer têm um risco elevado de doenças cardiovasculares, Alzheimer e DPOC, que podem superar a mortalidade por câncer a 10 anos do diagnóstico em certos grupos de pacientes.  
  • Segundos cânceres: Representam entre 15-20% de todos os novos diagnósticos de câncer, afetando a sustentabilidade do direito ao esquecimento em alguns casos.  

Embora o direito ao esquecimento do câncer seja uma fórmula completamente legítima no contexto daqueles cânceres com tempos de cura curtos ou com um excesso de mortalidade relativamente baixo após um período de 10 anos, também supõe a possibilidade de que as companhias seguradoras devam assumir riscos subnormais como riscos padrão, com um impacto no custo dos prêmios e uma transferência involuntária de risco para aquelas pessoas que não têm em seu histórico o antecedente de câncer. 

Prudential do Brasil patrocina SP Open, torneio de tênis feminino do circuito WTA

A Prudential do Brasil é uma das patrocinadoras oficiais do SP Open, WTA 250, que será disputado em São Paulo, entre os dias 6 e 14 de setembro de 2025. O patrocínio ao torneio feminino reforça o compromisso da seguradora com o fomento ao esporte brasileiro e colabora para o retorno do país ao calendário de elite da Associação de Tênis Feminino (WTA, na sigla em inglês). Jogado em quadra rápida, o SP Open reunirá 32 tenistas na chave principal, 24 no qualifying e 16 duplas no Parque Villa-Lobos. Será o primeiro WTA das categorias de elite do país desde 2016.

“A Prudential acreditou no potencial do WTA ser realizado no Brasil desde o início. Sabemos da importância que um evento desse porte tem para o desenvolvimento do tênis brasileiro e para a formação de atletas de elite, como a Bia Haddad. Estamos muito orgulhosos de colaborar, junto à IMM e outras marcas, para transformar o Brasil em um polo internacional para campeonatos de tênis feminino. Sem dúvidas, esse patrocínio reforça o nosso compromisso com o fomento do esporte brasileiro”, afirma a diretora de Marketing da Prudential do Brasil, Fernanda Riezemberg.

De acordo com o SP Open, o torneio marcará o retorno da cidade de São Paulo ao calendário oficial da WTA após 25 anos, em um dos maiores eventos de tênis feminino da América do Sul. Com organização da IMM em parceria com o ICT, o SP Open será realizado em um dos principais espaços verdes da capital, o Parque Villa-Lobos, e reunirá grandes nomes do circuito internacional. A expectativa é de um evento que vai além das quadras, com uma ampla programação de entretenimento e geração de impacto social e econômico para a cidade.

Compromisso com o tênis brasileiro

A Prudential do Brasil incentiva o tênis brasileiro desde 2023. A marca é patrocinadora da atleta Beatriz Haddad Maia e de seu técnico, Rafael Paciaroni, da atleta de beach tennis, Sophia Chow, do Minas Tênis Clube e da Rede Tênis Brasil (RTB), instituição sem fins lucrativos dedicada a transformar a vida de jovens por meio do tênis. Além disso, a seguradora patrocinou a Copa do Mundo de Beach Tennis, no ano passado.

Executivos de seguros discutem regulação e transição climática em Paris

forum brasil frança cnseg

por Carla Simões

Uma comitiva formada por executivos de seguradoras brasileiras e da CNseg, parlamentares e integrantes do governo brasileiro cumpriu uma extensa agenda em Paris, com reuniões com empresas e o órgão regulador francês para troca de informações sobre o mercado de seguros e resseguros. Estiveram com as seguradoras AXA e a corretora internacional de resseguros Guy Carpenter e com a ACPR, Autoridade de Supervisão e Resolução Prudencial da França.

Com a ACPR, os debates abordaram o regime prudencial do setor na França, com ênfase nos três pilares da Solvência II: exigências quantitativas, governança e transparência. Também foram discutidas as novas regras em vigor no país este ano, que exigem estruturas robustas de gestão de riscos cibernéticos, realização de testes de estresse e obrigações de reporte. A comitiva brasileira também conheceu a Lei Europeia de Inteligência Artificial, aprovada em 2023, que regula o uso da tecnologia com foco em explicabilidade e equidade. Outro tema tratado foi o mercado francês de Seguro de Proteção de Crédito (CPI), destacando seu porte e estrutura regulatória.

AXA

Durante o encontro com a seguradora AXA, os executivos foram recebidos pela CEO brasileira Erika Medici. A reunião tratou das estratégias da empresa para adaptação às mudanças climáticas, baseadas em três eixos: mitigação, uso intensivo de análise de dados e definição de políticas públicas. Entre as principais iniciativas estão o fim da subscrição de riscos associados ao carvão até 2050, apoio a fontes renováveis de energia e incorporação de princípios da economia circular.

A AXA adota exclusões específicas para carvão, petróleo e gás, e desenvolve produtos voltados à transição energética. A companhia pretende apoiar 9.000 empresas até 2026 e está treinando 130 mil funcionários com apoio de inteligência artificial. Também vem investindo em plataformas digitais para gestão de riscos e divulga métricas como a exposição ao carvão. Na regulação de sinistros, tem adotado práticas sustentáveis, como o uso de peças recicladas e avaliações remotas.

Outro foco da conversa foram as iniciativas ambientais da seguradora, incluindo parcerias com empresas internacionais no combate à poluição por grânulos plásticos e ao desmatamento. A AXA informou ainda que está criando novos produtos ligados a projetos ambientais e deve anunciar uma nova iniciativa até novembro. A empresa também desenvolve uma plataforma para gerir grandes volumes de dados relacionados à sustentabilidade.

Guy Carpenter

Na reunião com a Guy Carpenter, o destaque foi o esquema Netcat do mercado francês, que cobre riscos catastróficos antes considerados inasseguráveis, como terremotos, inundações e perdas agrícolas. Trata-se de um modelo de parceria público-privada para fortalecer a resiliência diante das mudanças climáticas.

A CCR, resseguradora pública ligada ao Estado francês, desempenha papel central no sistema, criado em 1992 e sustentado pelos princípios de solidariedade e responsabilidade. O modelo impõe um adicional de 20% sobre os prêmios de seguros patrimoniais e 9% sobre o seguro de veículos. Em 2023, mais de 200 milhões de propriedades foram cobertas e mais de 3 milhões de sinistros indenizados. A estrutura também financia ações de prevenção, com uma taxa de 12% sobre os prêmios. Entre os desafios do modelo estão manter o equilíbrio financeiro, ampliar as ações preventivas e garantir a segurabilidade, segundo a Guy Carpenter.

Ainda segundo a companhia, o mercado de seguros agrícolas da França passou por uma reforma profunda em 2023, com o objetivo de ampliar a adesão ao seguro multirriscos climáticos (MPCI), frente ao aumento de eventos extremos e à redução do número de produtores — atualmente cerca de 400 mil, distribuídos em 27 milhões de hectares. A Gruphama, lidera o setor, segurando mais da metade das áreas cobertas por MPCI no país.

A reforma introduziu um modelo híbrido que combina seguro privado com subsídios estatais de 70% sobre o prêmio, desde que o produtor cubra entre 70% e 100% da mesma cultura e utilize dados históricos para definir a cobertura. Até 2021, menos de 35% das áreas de grãos e vinhedos estavam seguradas, enquanto frutas e pastagens tinham proteção mínima, por conta da concorrência com o Fundo Nacional de Calamidades, visto como uma solução gratuita pelos agricultores. A exclusão gradual de setores desse fundo e eventos severos, como a geada que atingiu 90% dos vinhedos em 2021, evidenciaram a fragilidade do sistema anterior e motivaram a reforma. O novo modelo busca alcançar 60% de cobertura em grãos e vinhedos e 30% em frutas e pastagens, aumentando a resiliência do setor.

Hoje, o seguro agrícola francês se baseia em modelo de cobertura por produtividade, com avaliação de perdas em campo e obrigatoriedade de incluir todos os riscos climáticos — como geada, seca, granizo e excesso de chuvas. Embora o subsídio de 70% cubra o seguro básico, opções como redução de franquia ou cobertura específica para granizo são comercializadas no mercado, mas sem subsídios. A estratégia combina incentivos regulatórios e financeiros para fortalecer o setor diante das mudanças climáticas.

Para Alexandre Leal, diretor técnico da CNseg e integrante da comitiva, os encontros mostraram que o arcabouço regulatório brasileiro está em linha com o europeu. “Os desafios são parecidos. É interessante observar que, em temas ligados à sustentabilidade, a Europa está mais avançada na análise e modelagem de dados, pelo menos no que chega às seguradoras. Uma aproximação maior com a academia poderia ajudar a reduzir esse gap de modelagem e informações”, afirmou o executivo.

Generali destaca inovação e protagonismo no setor durante o Conseguro 2025

Patrocinadora do Conseguro 2025, principal evento brasileiro sobre o mercado de seguros, a Generali marcou presença nas discussões sobre as contribuições do segmento para o futuro do país. O CEO da companhia, Eric Lundgren, foi palestrante no palco Coquetel e reforçou os principais marcos da companhia para o desenvolvimento do setor, promovendo o networking entre os mais importantes players presentes. 

Em sua fala, Lundgren destacou a trajetória centenária da empresa no Brasil e os investimentos contínuos em tecnologia e novos produtos. “A nossa participação no Conseguro 2025 reforça o papel da Generali como líder e agente transformador no mercado. Foi uma oportunidade única de contribuir ativamente com os assuntos que moldam nosso segmento”, afirma o executivo. 

CNseg: Brasil e França promovem fórum sobre seguros pautado em inovação, sustentabilidade e regulação

No próximo dia 4 de junho, representantes de alto escalão do setor segurador brasileiro e francês estarão reunidos em Paris para o 1º Fórum de Seguros Brasil–França. O evento é uma iniciativa inédita promovida pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pela France Assureurs, com apoio institucional da CNP Assurances, e faz parte do calendário oficial dos “Anos Cruzados”, que celebram os 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

A proposta do fórum é fomentar a troca de experiências e fortalecer a cooperação bilateral em temas estratégicos como mudanças climáticas, inovação digital, regulação da inteligência artificial, Open Insurance e investimentos em infraestrutura. A programação será composta por três painéis temáticos e uma mesa de debate, reunindo especialistas, autoridades públicas, reguladores e executivos do setor.

Entre os participantes confirmados estão Marie-Aude Thépaut, diretora-geral da CNP Assurances; Dyogo Oliveira, presidente da CNseg; Florence Lustman, presidente da France Assureurs; Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI); Eduardo Gomes, vice-presidente do Senado Federal do Brasil; e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

A CNP Assurances, uma das patrocinadoras do evento, tem presença consolidada no Brasil desde 2001 por meio da parceria com a Caixa Econômica Federal. Em 2023, a empresa reforçou sua atuação no mercado brasileiro com o lançamento da CNP Seguradora, expandindo seus negócios para além do canal bancário tradicional. Hoje, mantém parcerias com empresas como Correios, XP, BRB, Carrefour e Americanas, levando soluções de proteção financeira e seguros acessíveis a diferentes perfis de clientes.

Para o CEO da CNP Assurances no Brasil, Maximiliano Villanueva (foto), apoiar o fórum reforça o compromisso da companhia com o fortalecimento dos laços institucionais entre os dois países. “Apoiar este fórum reforça nosso compromisso com a integração entre os mercados francês e brasileiro, ampliando sinergias em temas regulatórios, tecnológicos e sustentáveis. Para nós é uma grande satisfação”, afirma.

A realização do fórum ocorre em um momento estratégico para o setor de seguros no Brasil, que vive transformações importantes com a entrada em vigor de novas regulamentações, como o Marco Legal do Seguro, e o avanço de tecnologias como inteligência artificial e Open Insurance. Ao promover o intercâmbio com o setor francês, a CNseg e seus parceiros pretendem contribuir para o amadurecimento e a modernização do mercado brasileiro.

MAG Seguros amplia o acesso ao seguro de vida no Brasil com capacitação, tecnologia e relacionamento

Márcio Batistuti MAG Seguros

A MAG Seguros, que completou 190 anos de atuação em janeiro deste ano, segue em constante evolução. Como parte desse movimento de modernização, em maio, o Grupo MAG inaugurou sua Matriz São Paulo na região da Faria Lima, considerado o coração financeiro da cidade. Mais do que uma mudança de endereço, o movimento reflete uma transformação estratégica: ser uma companhia jovem, apesar dos quase dois séculos de história, significa combinar tradição com inovação, unindo tecnologia e olhar humano.

A aposta em tecnologia para criar uma jornada fluida para clientes e corretores, além de fomentar grupos de profissionais, tornou-se crítica para que as empresas possam restabelecer conexões, antecipar tendências, disseminar valores e criar um ambiente competitivo que vá além de preço baixo e promoções.

Segundo Márcio Batistuti, diretor comercial da MAG Seguros, essa nova fase traduz uma virada na cultura da companhia. “A venda, em si, cede espaço para uma abordagem mais relacional e consultiva, centrada na experiência do indivíduo, no entendimento das suas necessidades e na construção de vínculos de longo prazo. A tecnologia é uma aliada fundamental, mas são o olho no olho, o abraço e a empatia que constroem marcas fortes e duradouras”, afirma.

Nesse cenário cada vez mais digital, a humanização faz toda a diferença e exige momentos de confraternização, cursos especializados e de tendências de negócios e de macroeconômica, que afetam o andar do setor de seguros, principalmente de investimentos de longo prazo, que exigem confiança de ambos os lados.

Apesar da crescente conscientização sobre a importância do planejamento financeiro, a penetração do seguro de vida no Brasil ainda é baixa. Apenas 5% da população possui uma apólice minimamente adequada às suas necessidades, percentual distante dos cerca de 70% registrados nos Estados Unidos. “O papel do Grupo MAG é fomentar o importante papel do planejamento financeiro fazendo com que os brasileiros identifiquem no mercado de seguros uma forma de proteção econômica, financeira e até social. É essa a cultura que desejamos, cada vez mais, trazer à sociedade brasileira, independente da região ou classe econômica”, afirma Batistuti.

Dados recentes reforçam esse cenário. Uma pesquisa realizada pelo Datafolha a pedido da Fenaprevi mostra que 37% dos brasileiros esperam contar com o INSS como principal fonte de renda após se aposentar. Entre eles, 65% sequer sabem estimar qual será o valor do benefício que vão receber do governo. A pesquisa também revela um descompasso entre desejo e realidade: 54% desejam se aposentar antes dos 60 anos, mas apenas 29% acreditam que conseguirão. Além disso, 8% acreditam que nunca poderão se aposentar e 14% dizem que não querem parar de trabalhar.

Entre os motivos para não conseguir se planejar adequadamente, 45% citam dificuldades para sobrar dinheiro, 42% afirmam não gerar renda suficiente para guardar, e 35% apontam que despesas não previstas prejudicam o planejamento. “O maior desafio do seguro de vida é cultural. As pessoas estão acostumadas a apostar todas as fichas no INSS, que sabemos não ser suficiente na maioria dos casos”, reforça Batistuti.

Há mais de 25 anos, a MAG mantém um programa robusto de formação de corretores de vida e previdência em parceria com a Escola de Negócios e Seguros (ENS). A iniciativa é aberta ao mercado e não exige exclusividade. “Todos ganham quando temos mais corretores capacitados. A venda de seguro de vida precisa de técnica, sensibilidade e visão de proteção financeira”, explica Batistuti.

Somente em 2024, mais de 600 novos corretores foram formados, número que deve se repetir em 2025. O programa oferece treinamento teórico, vivências práticas, preparação para o exame obrigatório da Susep e acompanhamento de uma equipe de 30 gerentes especializados, que atuam diretamente no desenvolvimento dos profissionais. O índice de aprovação no exame chega a 89%, bem acima da média do mercado. “A MAG não apenas forma corretores, mas também apoia seus primeiros passos na carreira, oferecendo acompanhamento constante e suporte na geração de negócios”, afirma.

Inteligência Artificial a serviço do corretor

A MAG Seguros também aposta no uso de inteligência artificial (IA) como ferramenta de capacitação e apoio às vendas. A companhia desenvolveu um ambiente simulado onde o corretor treina a abordagem de vendas interagindo com uma IA que simula um cliente real. Essa IA aprende a rebater objeções, questionar propostas e criar cenários realistas de negociação.

“O corretor treina vendendo seguros para a IA. Isso permite que ele aprimore seu discurso, teste abordagens e se prepare melhor para o mercado real. E, mais do que isso, essa mesma IA estará disponível para apoiar o corretor no dia a dia, sugerindo argumentos, soluções e até perfis semelhantes de clientes”, explica Batistuti.

Mas o executivo faz um alerta: a IA só aprende e evolui quando alimentada por corretores capacitados. “A tecnologia sozinha não entrega valor. Ela precisa ser treinada com base na experiência do corretor, no entendimento das dores dos clientes e nas melhores práticas comerciais.”

Segundo Batistuti, o mercado de seguros de vida vive um momento de expansão no país, impulsionado pela maior conscientização da população e pela evolução dos produtos. “Hoje temos soluções mais sofisticadas, com coberturas de até R$ 100 milhões, fruto de acordos com resseguradoras, e produtos cada vez mais alinhados às necessidades de saúde, longevidade e proteção financeira das famílias”, ressalta.

Para ele, eventos como o MDRT (Million Dollar Round Table) se tornam cada vez mais relevantes, com um número crescente de corretores brasileiros participando. “O mercado percebeu que não dá mais para depender só do seguro empresarial. O seguro individual é uma oportunidade gigantesca e que cresce ano após ano.”

Ele destaca ainda que o seguro coletivo segue relevante, mas atende especialmente empresas que já oferecem o benefício. “O desafio está em romper essa barreira e levar o seguro para quem não tem acesso, seja por meio de parcerias, cooperativas, associações ou canais alternativos.”

Para isso, a MAG estruturou sua operação comercial em quatro verticais: parcerias financeiras (como XP, BTG, Safra entre outros), cooperativismo (Unicredi, Cresol, entre outros), mercado tradicional de corretores e fundos de pensão. Ao todo, são 38 unidades comerciais espalhadas pelo país, além de 600 colaboradores na equipe de vendas, que apoiam corretores e parceiros com treinamentos, ações comerciais e suporte no fechamento de negócios.

A seguradora conta hoje com cerca de 3 mil corretores ativos, que fazem ao menos uma venda de seguro de vida por mês, e mais de 12 mil corretores que recebem comissão de clientes que estão na carteira de clientes da MAG. “Somos, antes de tudo, uma grande empresa de vendas, que entende que o desenvolvimento dos nossos corretores e parceiros é o caminho para democratizar o seguro de vida no Brasil.”

O executivo acredita que a evolução do setor depende, sobretudo, de investir continuamente na formação de profissionais e na adoção de tecnologia. “Se quisermos aumentar a penetração do seguro de vida no Brasil, precisamos ter mais distribuidores, com mais tecnologia embarcada, fazendo a última milha de entrega para o cliente.”

Batistuti finaliza com uma mensagem direta: “Capacitação não é custo, é investimento. Quanto mais profissionais formarmos, mais famílias protegidas teremos. No fim das contas, quando a maré sobe, todos os barcos sobem juntos.”