Resseguro paramétrico: não uma alternativa, mas um complemento ao resseguro tradicional

cnseg_resseguro 4Fonte: Revista Cobertura – Por Karin Fuchs

Muito relacionado às catástrofes naturais, o resseguro paramétrico tem se apresentado como uma solução às restrições de acesso a alguns riscos e de oferta para coberturas complexas no mercado de resseguro tradicional, abrindo um vínculo com o mercado financeiro internacional (capacidade), na estrutura esquemática dos cat bonds (bônus por catástrofes).

Para ilustrar os benefícios do resseguro paramétrico, em sua apresentação na 4º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, Florian Kummer, diretor de Subscrição de Resseguros de Ramos Elementares para a América Latina da Swiss Re, começou explicando algumas diferenças com o resseguro tradicional.

“São duas características principais: superação de um índice paramétrico x ocorrência de um evento segurado. Enquanto no mercado tradicional a importância a ser paga é o valor do sinistro após, por exemplo, aplicação de limites, no paramétrico o valor é pré-definido. No momento em que o índice paramétrico (gatilho) é alcançado ou excedido, o pagamento é efetuado”, afirmou.

Segundo ele, no paramétrico o risco básico é a diferença entre valor definido e sinistro real, o tempo de pagamento do sinistro se dá, em média, entre duas e seis semanas, enquanto no tradicional o prazo pode demorar um pouco mais, dependendo da complexidade. “E o uso dos índices paramétricos são fáceis de entender e de explicar, com uso de recursos e de coberturas de acordo com a decisão do cliente. Já no tradicional as coberturas são mais restritas, de acordo com a oferta do mercado. Se bem desenhado, o produto paramétrico minimiza o risco básico”, explicou.

No que tange as coberturas, no produto paramétrico ela se dá a partir de uma área previamente definida como, por exemplo, exposta a furacões ou alagamentos. Para isso, informou Kummer, “a base são investimentos em pesquisa e desenvolvimento, estudo do risco, conhecer e criar modelos catastróficos de última geração, base de dados abrangentes, com a definição de cobertura para a área de frequência ou severidade, de forma que a cobertura de resseguro pode ser uma função do orçamento disponível”.

Sobre os riscos, o executivo destacou que além dos desastres naturais, o aumento da renda e tendências socioeconômicas implicam no crescimento de valores expostos e aumento da sua vulnerabilidade, com um incremento significativo nas perdas esperadas e nos custos de adaptação. No caso do Brasil, ele citou que alagamento é a catástrofe natural mais frequente no País, agravada com o crescimento da urbanização e de ativos econômicos em megacidades. “Em 2010, eram 33 milhões de pessoas expostas, número que chegará a 42,5 milhões em 2030 e a perdas esperadas com inundações é estimada em US$ 1.406 milhão. O resseguro paramétrico não é uma alternativa ao tradicional, mas um complemento”, concluiu.

Para Rodrigo Protassio, CEO da JLT Re Brasil, os resseguros paramétricos são uma oportunidade para o desenvolvimento de projetos. “Como no caso do mercado energético, para empresas geradoras e distribuidoras que precisam comprar energia e assegurarem sua entrega”, citou.

De acordo com ele, “é uma forma de fazer contratos de derivativos ou assumir uma apólice com uma seguradora, resseguradora, um tipo especial de contrato de derivativos que garanta pagamento em casos de eventos (situações previstas). A empresa paga um prêmio ao tomador do contrato (outra parte) em troca deste assumir o risco climático”, disse Protassio.

Assim como Kummer, ele também destacou o uso do paramétrico como complemento ao resseguro tradicional. “Para a agricultura, por exemplo, talvez seja a solução. O prêmio do seguro agrícola é muito alto, depende da subvenção, há um potencial enorme e pouca participação de segurados no campo”, finalizou.

Estima-se que a área protegida no País com algum tipo de seguro não ultrapasse 25% do total. 75% da área agrícola do País fica à mercê do clima.

Onda de fusões ronda o mercado de seguros e resseguros

cnseg_resseguro 4Os executivos reunidos no 4o. Encontro de Resseguros, realizado entre 14 e 15 de abril no Rio de Janeiro, com apoio da CNseg, admitem que as investigações sobre o esquema de propina entre Petrobrás e empreiteiras revelado pela Operação Lava Jato têm levado a uma redução de contratos de risco de engenharia e de garantia de grandes obras, bem como a um aumento de sinistros e indenizações por problemas na entrega de obras e serviços. Paulo Pereira, presidente da Fenaber, afirma as investigações e o ajuste econômico, que causará recessão, farão com que o setor de resseguros, que vinha crescendo desde 2008 a uma taxa de dois dígitos, avance agora em um dígito, com projeção entre 5% e 6% neste ano. “Deixamos o crescimento de dois dígitos para um dígito devido ao ajuste econômico, a falta de investimentos e as consequências da Lava Jato, que emperram contratos que com as principais construtoras do país citadas nas investigações”.

Quanto as indenizações que as ressegudoras estimam pagar em consequência da Lava Jato, o impacto deve afetar os nichos de garantia e de D&O. “Vale lembrar que fraude não tem cobertura. Já em garantia, as resseguardoras estão levantando suas posições em obras paralisadas por falta de repasse de verbas para mensurar possíveis perdas”, disse Pereira, da Fenaber. Segundo declarou José Cardoso, vice presidente do IRB Brasil Re, à Agência Estado, esse é um cálculo difícil de se fazer e que dependerá dos desdobramentos a médio prazo.

De acordo com alguns resseguradores, conversas sobre fusões estão em curso entre resseguradoras mundialmente e também no Brasil, bem como alguns players estudam rever seus investimentos diante deste cenário recessivo e fazer desinvestimentos. O que não é o caso das duas maiores do mundo. Neste ano, grandes negociações já foram anunciadas, como a compra do Catlin pelo grupo XL, da Platinum pelo RenaissanceRe’s, AXIS Capital Holdings Limited e PartnerRe Ltd, bem como Endurance que comprou a Montpelier Re por US$ 1,83 bilhão.

No Brasil, a grande negociação gira em torno da Caixa Seguridade, com IPO preparado pelo governo brasileira, que tem expectativa de levantar R$ 30 bilhões com a emissão. Antes de qualquer coisa, o sócio majoritário da Caixa Seguros, a francesa CNP, tem de concordar. Nesta semana tivemos a notícia de que a Travelers se tornou majoritária, com 95% do controle da seguradora de riscos patrimoniais da JMalucelli, na qual já era sócia. Também está em curso a negociação da carteira de grandes riscos da SulAmérica. No ano passado, a oferta da carteira de grandes riscos do Itaú gerou grande disputa, sendo arrematada pela ACE Seguradoras. Também há notícias de que o grupo britânico RSA está deixando o Brasil, segundo determinações dos acionistas mundiais.

A Munich Re, maior resseguradora do mundo, investe em equipe e nichos diferenciados por ser o Brasil um mercado potencial e a visão da companhia ser de longo prazo, segundo Rodrigo Belloube, CEO da operação brasileira da Munich Re, ao blog Sonho Seguro.

Segundo noticiou o Valor, Michel Liès, presidente mundial da Swiss Re, disse que a companhia quer crescer na área de seguros, o que inclui aquisições em mercados emergentes, depois de já estar consolidada no segmento de resseguros. No Brasil, segundo ele tem uma enorme oportunidade no setor de saúde. “Não queremos entrar na distribuição, mas podemos entrar na elaboração de produto, na experiência internacional. Uma solução para isso é comprar participações minoritárias”. O grupo tem uma participação minoritária na SulAmérica.

Swiss Re quer avançar em seguros

logo-valor-economico-v2Fonte: Valor Econômico – Por Thais Folego

Michel Liès, presidente mundial da Swiss Re, não tem a pompa que costuma se esperar do executivo número um de uma companhia que, no ano passado, faturou US$ 31 bilhões e lucrou US$ 3,5 bilhões. Em visita ao Brasil, ele não veio acompanhado de nenhum assistente e pega táxi na rua do hotel para o escritório da companhia, na Avenida Paulista. Ele está de passagem pela América Latina, onde visita as operações de Brasil, para reuniões e um evento do setor, e Colômbia, onde a empresa acabou de comprar uma seguradora.

Em entrevista exclusiva ao Valor, Liès disse, em perfeito português, que a companhia quer crescer na área de seguros, o que inclui aquisições em mercados emergentes, depois de já estar consolidada no segmento de resseguros – em que é a número dois, atrás apenas da Munich Re. Nascido em Luxemburgo, Liès viveu no Brasil em 1976, quando trabalhava para uma empresa europeia de fornos de cerâmica.

Valor: Os preços das coberturas de seguros e resseguros no mundo estão baixos [o ‘soft market’]. Por que isso ocorre e qual a tendência?

Michel Liès: Quando falamos de mercado “soft” falamos de riscos catastróficos. O último grande sinistro [indenização] foi o tsunami no Japão, em 2011. Depois disso, não teve nenhum grande sinistro assegurado catastrófico. Isso, junto com uma baixa taxa de juros nos EUA e na Europa, atrai o interesse de outros atores para o setor, como fundos que se interessam por investir nesse mercado procurando retornos maiores. O que a gente tem que observar é o que vai se passar quanto tivermos o próximo grande sinistro e quando os EUA começarem a aumentar os juros, se o apetite desses investidores se manterá o mesmo. Lançamos há mais de 20 anos os ‘catbonds’ [catastrophe bonds], com a possibilidade de aproveitar as capacidades dos mercados financeiros para os grandes riscos. Isso permite ao gestor ter um retorno mais alto quando não temos grandes catástrofes e alguma perda quando há.

Valor: Há uma onda de consolidação no setor de seguros mundial recentemente. O que explica isso?

Liès: Há muito dinheiro no mercado, o que ajuda na consolidação, mas também há uma tendência de se diminuir a fronteira entre o resseguro e os seguros corporativos. Nosso modelo foi um pouco copiado nesse sentido. Em 2011 criamos três unidades: uma de resseguro, uma de seguros corporativos – a Corporate Solutions – e uma de compra de portfólios fechados de seguro de vida, que chama Admin Re. Não acredito que as transações são só pelo tamanho, mas também pela diversificação, uma abertura das companhias para outros tipos de riscos. Diferentemente do setor bancário, o segurador aproveita muito o tamanho junto com a diversificação. Quanto maior é a resseguradora, mais diversificada.

Valor: Após classificar os bancos, há um movimento dos reguladores de listar as seguradoras “too big to fail”. Como o senhor avalia isso?

Liès: Há muitas discussões sobre isso e sempre se chega aos mesmos nomes: um americano e dois europeus. O principal problema dessas regulações “too big to fail” é a preocupação de que os reguladores entendam a diferença da indústria seguradora da bancária. O tamanho em uma companhia de seguros normalmente acompanha a diversificação [para a pulverização dos riscos], o que é um fator positivo. Por isso o “too big to fail” para o setor de seguro é um pouco estranho. Se uma companhia é muito grande, mas tem 40% dos negócios nos EUA, 40% na Europa e 20% na Ásia, um pouco o nosso caso, um grande sinistro num país não repercute na operação de outros países. Outro aspecto é que no mercado de seguros não tem o “run to the bank” numa crise.

Valor: A Swiss Re tem planos para aquisições?

Liès: Na área de resseguros temos uma plataforma suficientemente eficiente para não precisar fazer aquisições. O mercado de resseguros é concentrado: as dez maiores companhias devem ter 90% do resseguro de vida e 50% do resseguro não-vida [riscos patrimoniais e de responsabilidades]. A Swiss Re tem 20% do mercado de resseguro de vida e 10% em não-vida. Na Admin Re, que compra carteiras de vida, isso é o dia a dia. Já na Corporate Solutions há espaço para compras. Recentemente compramos o controle da Confianza, na Colômbia, e na China adquirimos a Royal Sun Alliansce. Nossa participação no mercado mundial de seguros era de 0,5% [em 2011] e agora chega a pouco mais de 2%. Aqui o crescimento pode ser acelerado também por aquisição, principalmente nos emergentes.

Valor: Em quais mercados emergentes vocês têm interesse?

Liès: Na América Latina, os mercados para seguro são Brasil e México e, na Ásia, Índia e China. Para a Corporate Solutions também se incluem mercados que não são os principais, mas são importantes, como Colômbia, Chile e Peru na América Latina, e Indonésia e Vietnã na Ásia. Também temos interesse na África, que tem um crescimento muito importante em certos países. Temos uma operação de resseguro na África do Sul, mas outras partes do continente precisam do apoio de seguradora.

Valor: A atual situação econômica do Brasil muda a estratégia da companhia para o país?

Liès: Não muda em nada. Na nossa indústria o longo prazo é extremamente importante. Não temos um apetite que muda a cada ano. Claro que estamos preocupados com a situação brasileira, mas acho que o governo está fazendo o que é preciso. Nesse sentido, temos a convicção de que o Brasil tem um papel importante na economia mundial. Tem momentos de alto e baixo, mas as políticas devem ser julgadas da forma pela qual estão sendo endereçadas para solucionar o problema no momento de crise. O Brasil tem um grande potencial, apesar de não ter riscos catastróficos. O país não tem zonas sísmicas importantes, mas tem outros tipos de catástrofes, como inundações e enchentes. Por isso, o desenvolvimento [do mercado] aqui no Brasil tem que passar por novas coberturas. Aqui precisamos de um pouco mais de inventividade do que em outros mercados.

Valor: O último investimento que vocês fizeram no Brasil foi a compra de uma participação minoritária na SulAmérica, uma seguradora de varejo. Qual é a estratégia?

Liès: Queremos nos posicionar como o melhor investidor e ator no setor de seguros. Tem alguns setores em que somos atores, como o de resseguros e seguros corporativos. Mas tem também setores em que temos apetite, mas não queremos entrar diretamente. No Brasil, tem uma enorme oportunidade no setor de saúde. Não queremos entrar na distribuição, mas podemos entrar na elaboração de produto, na experiência internacional. Uma solução para isso é comprar participações minoritárias.

Valor: Em 2014 a Corporate Solutions teve o melhor resultado no Brasil e se consolidou como um “player” de grandes riscos. Esse é um segmento em que há a saída de alguns concorrentes, caso do Itaú, que vendeu a carteira para Ace. Como o senhor vê tal mudança?

Liès: Quando compramos a UBF, ela era focada em seguro garantia e agro e a ideia era que ela tinha um portfólio de clientes para os quais pode fazer muito mais. Quando uma companhia como o Itaú decide ficar no varejo e deixar o risco industrial é uma situação interessante de observar. É lógico que o que vemos é que as seguradoras locais e os banqueiros têm se concentrado no varejo, que exige um profundo conhecimento do mercado local, e as estrangeiras têm grande interesse nos riscos corporativos, mais internacionais.

Polícia Federal investiga desvios em seguradoras no RS

Fonte: Jornal Zero Hora

A Polícia Federal (PF) deflagrou operação que apura um suposto desvio de recursos de duas empresas do mercado de seguros, capitalização e previdência no Estado. Ex-administradores teriam lesado as companhias e são suspeitos de crimes contra o sistema financeiro, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Cinco pessoas, quatro empresários e um advogado, foram conduzidas para prestar esclarecimentos na PF ontem e, depois, liberadas. Os nomes não foram divulgados, tampouco o montante desviado.

A PF cumpriu 10 mandados de busca e apreensão, oito em Porto Alegre e dois em Marau, no Norte. Foram apreendidos nove veículos: duas caminhonetes Land Rover, dois veículos Porsche (um modelo Boxster e outro Panamera), um Audi A5, um Lexus S460S blindado, um i30, um Tiguan e um Mini Cooper. A PF pediu à Justiça o bloqueio de contas bancárias e a indisponibilidade de 16 imóveis, em vários Estados.

A investigação se iniciou em meados de 2014, a pedido do Ministério Público Federal. Conforme o delegado Sérgio Busato, da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (Delefin), ex-gestores das companhias contratariam empresas, em nome de laranjas, para prestar serviços às seguradoras a preços superfaturados. Depois, a maior parte do dinheiro iria para o bolso dos ex-gestores.

Há suspeitas de duplicidade de contratos, pagamento por serviços não realizados e compra de imóveis acima do preço de mercado. Em um caso, um ex-gestor teria adquirido para uma seguradora imóvel por R$ 20 milhões que valeria R$ 1,7 milhão.

Os nomes dos envolvidos estão sob segredo de Justiça.

Swiss Re prega parceria com o setor público

11107180_10205119867051240_7542284313610699032_nFonte: DCI

As ferramentas do mercado de seguros podem trazer mais estabilidade para o desenvolvimento econômico, ajudando no planejamento estratégico e no controle de crises, afirmou Michel Liès, CEO da Swiss Re, uma das maiores resseguradoras globais.

“Quando se pensa em que os instrumentos de seguro poderiam aportar para os responsáveis políticos, é uma pena [que sejam tão mal utilizados]. Eu acho que realmente tem um problema de reconhecimento do setor de seguro, até por culpa da gente”, disse ontem, no 4 º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, organizado pela Confederação Nacional de Seguros (CNSeg).

“Nós temos que trabalhar mais para o setor político, para que ele entenda que nossos instrumentos podem ajudar em certa estabilidade do desenvolvimento econômico”, completou o diretor executivo.

Em sua palestra, o executivo da Swiss Re expôs uma transação de US$ 450 bilhões feita pela Swiss Re e a Allianz junto ao governo e à UTE (estatal Uruguai de geração hidrelétrica) para segurar o risco de seca do país.

A apólice, que foi iniciada em janeiro de 2014 e vence em junho deste ano, cobre a compra de energia alternativa quando as secas causarem a falta de energia hidrelétrica. Questionado pelo DCI se o modelo poderia ser aplicado no Brasil, para ajudar a contornar a crise vivida pelo setor energético no País, o executivo disse que poderia ser utilizado “sem nenhum problema”.

“Claro que se pode aplicar. Eu acho que se o governo pode eliminar os potenciais motivos de uma crise de uma bacia hidrelétrica e se segurar, isso seria um grande passo. Eu acho que o governo tem várias coisas que tem planejar, e que a gente pode ajudar”, afirmou o CEO. “Outras dependem da mãe natureza”, brincou.

Segundo Liès, as resseguradoras são um parceiro estratégico dos governos em tempos de catástrofes e crises, sejam elas naturais ou causadas pelo homem. Dados apresentados pelo CEO mostram que, no ataque ao World Trade Center, nos EUA, em 2001, as resseguradoras cobriram entre 50% e 60% dos ativos segurados. Mais recentemente, nos terremotos que atingiram o Japão e a Nova Zelândia, em 2011, contavam com resseguro 40% e 70% dos ativos cobertos.

Entre os desastres naturais a que o Brasil está sujeito, as enchentes e inundações são os principais riscos, conforme aponta Liès. “Acreditamos que as resseguradoras podem contribuir com o governo para lidar com esses riscos. Nós temos um mapeamento, em tempo real, das condições climáticas dos países da América Latina e sabemos as regiões que apresentam maior risco”.

Susep estuda norma para regulamentar retrocessão

4o_resseg_menezes_gdFonte: CNseg

Seguradoras interessadas em aceitar riscos em retrocessão não devem esperar apenas a regulamentação em curso pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) mas, sim, em primeiro lugar, verificar se essa operação está prevista em seu estatuto e, principalmente, se preparar para obter cobertura de hedge, se quiser aceitar riscos do exterior. O alerta é de Eduardo Menezes, superintendente executivo da Bradesco Auto/RE, um dos debatedores do painel “Retrocessão para Seguradoras” durante o 4º Encontro de Resseguros do Rio de Janeiro.

O painel foi aberto pela palestra de Diogo Ornellas Geraldo, coordenador de resseguros da Susep, que destacou que a aceitação de retrocessão por seguradoras, embora já prevista em lei, ainda carece de regulamentação especifica. A retrocessão foi estabelecida na Lei Complementar 126 e na Resolução 168/2007. “Não existe nada mais do que esses dois dispositivos, daí a necessidade de se buscar regulamentação específica. Desde o segundo semestre de 2014, a Susep conduz um grupo de trabalho para discutir os critérios e condicionantes da regulamentação. A iniciativa atende à demanda de seguradoras interessadas em negócios no exterior”, informa Geraldo.

Ele explica que a Susep enxerga que o mercado de retrocessão é muito pequeno. Dos R$ 164 bilhões em prêmios do mercado brasileiro em 2014, apenas R$ 33 milhões foram relativos a retrocessão, o equivalente a 0,02%. Em nível internacional, dos R$ 4,6 trilhões em prêmios em 2012, apenas 5% ou US$ 230 bilhões vieram de resseguro e a retrocessão é apena 7% desse valor, somando globalmente US$ 16 bilhões, segundo dados da IAIS (Associação Internacional de Supervisores de Seguros). “A tendência do mercado de retrocessão é de queda, pela maior retenção de riscos por parte de seguradores e resseguradores e pela maior seletividade do risco. Um dos fatores é o histórico de perdas como o que atingiu o Lloyds em 1988 com prejuízos de 8 bilhões de libras e o pool de seguradoras de acidentes de trabalho nos EUA em 1992, que sofreram perdas de US$ 2 bilhões”, lembra Geraldo.

Ele conta que entre os fatores em análise pelo grupo de trabalho que discute a regulamentação na Susep está a distinção regulamentar entre seguro e resseguro, a diferença de regras entre os dois segmentos, inclusive as de capital, lembrando que o ressegurador local tem de ter um capital mínimo de R$ 60 milhões e, com a retrocessão, seguradoras com muito menos capital poderão assumir os mesmos riscos. E, por fim, discute-se qual teria sido a intenção do regulador em prever a transferência de risco. Uma das possibilidades aventadas teria sido o temor do regulador à época da abertura do mercado de resseguro de não haver capacidade no mercado. O tempo mostrou que o temor era infundado, pois o mercado brasileiro conta com 120 resseguradoras e excesso de capacidade.

“Hoje, o principal interesse é o fomento de negócios com o exterior. A Susep deve estimular o processo de internacionalização das empresas”, defende o coordenador de resseguros da Susep. Entre os aspectos que preocupam na discussão está o risco em espiral, que pode ocorrer pela sucessiva transferência de risco entre seguradoras e resseguradoras e, em dato momento, o risco ser novamente oferecido em retrocessão à seguradora original sem que ela saiba disso. “Tanto a IAIS quanto a Susep avaliam se será necessário constituição de capital específico para risco em espiral e provisão específica para sinistros em espiral.

Discutimos também se os contratos de proteção deveriam prever exclusão de riscos aceitos em retrocessão ou se vamos considerar isso um item da relação comercial entre as partes. Outro aspecto é se será estabelecido um limite de aceitação para a retrocessão, pois hoje não há qualquer limite nem na lei nem na resolução. O fato é que não haver limite pode gerar uma arbitragem regulatória, caso as operações de retrocessão aceitas ganhem representatividade. Mas deve haver flexibilidade por parte da Susep para que as seguradoras possam ter aceitação de negócios específicos” acrescenta.

A Susep também avalia se os contratos de retrocessão terão a aplicação dos dispositivos regulamentares do resseguro como as cláusulas de liquidação, insolvência, intermediação, jurisdição e prazos. Outra possibilidade é verificar a possibilidade de dispensa de determinadas cláusulas em contratos oriundos do exterior. “Esperamos concluir os trabalhos nos próximos meses. Hoje, há uma série de divergências. Mas vamos produzir um relatório que será encaminhado ao Conselho Diretor e, a partir daí, cria-se um normativo regulamentando o assunto. E, se mais tarde houver necessidade, faremos novos ajustes”, conclui Geraldo.

Rodrigo Botti, representante da Terra Brasis Resseguros, apresentou no painel a posição oficial da Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber). Para a entidade, o assunto é mais amplo do que parece ser a simples aceitação de retrocessão por seguradoras e seria uma oportunidade de se regulamentar outros tipos de operações e transações entre outras empresas que vêm atuando no país sem serem resseguradora local, admitida ou eventual. Para a Fenaber, deve também haver incentivos à aceitação de riscos vindos do exterior. E, por fim, a entidade defende a isonomia entre seguradoras e resseguradoras que atuem com transferência de risco.

Voz do Empreendedor estreia nas regionais do Sincor-SP

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A reunião “Voz do Empreendedor” estreou hoje (15/04) na Regional Zona Sul, em São Paulo, reunindo dezenas de corretores para acompanhar apresentação de executivos da SulAmérica: o diretor Comercial, Luciano Lima, e o gerente da Filial Bandeirantes, Egberto Sabóia.

O objetivo do Sincor-SP é promover encontros entre corretores de seguros e representantes de seguradoras e empresas do mercado. Já estão programadas as seguintes participações: Mapfre (Regional Centro, em 17/04), Bradesco Seguros (Regional Jundiaí, em 23/04), Tokio Marine (Regional Zona Oeste, em 24/04), SulAmérica (Regional Osasco, em 24/04), HDI Seguros (Regional Zona Leste, em 28/04), Renaseg (Regional São José do Rio Preto, em 29/04) e Bradesco Seguros (Regional ABCDMR, em 30/04).

O presidente do Sincor-SP, Alexandre Camillo, avalia que o evento se projeta como canal de interlocução dinâmico e construtivo, trazendo as novidades do mercado aos corretores de seguros e fortalecendo o papel do Sindicato como entidade que está sempre pronta para criar o ambiente favorável à expansão dos negócios da categoria em todo Estado de São Paulo.

“A nossa expectativa é contar com número crescente de participantes, proporcionando relacionamento e informação e alavancando o desenvolvimento das carteiras, a fim de delinearmos juntos os caminhos da nossa profissão”, diz Camillo.

Programa Seguro entrevistará mentor do CCS-SP, Adevaldo Calegari

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No próximo domingo, 19 de abril, o Programa Seguro, apresentado por Boris Ber na TV Gazeta às 20h30, levará ao ar a entrevista com o mentor do Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP), Adevaldo Calegari. Durante a entrevista, ele falará sobre a história e os propósitos da entidade, que completará 43 anos de existência neste ano, destacando, especialmente, o ativo intelectual do seu quadro de associados.

“No Clube dos Corretores de São Paulo, é muito comum usarmos a expertise de nossos associados. O mercado possui grandes especialistas em diversas áreas e costumamos nos consultar com esses profissionais sempre que temos alguma dificuldade em nossa atividade”, diz.

Na entrevista, Calegari também tratará do assunto microsseguro, esclarecendo sobre o conceito e o potencial. “Não é lícito dizer que microsseguro é subproduto ou produto menor, longe disso. Microsseguro é um produto completo, inteiro, para um público específico”, diz.

Para ele, as chances de desenvolver o produto são grandes, considerando a enorme massa de brasileiros que ascendeu de classe social nos últimos anos e que passaram a ter novas necessidades, inclusive de seguros. “Significa que teremos uma enorme parcela da população ávida por esse tipo de proteção”, diz.

Calegari, que também é diretor de Microsseguros da APTS, está coordenando, no momento, o Café da Manhã “Microsseguros: uma visão atualizada no Brasil e no mundo”, em conjunto com a ANSP. O evento será realizado no dia 29 de abril, entre 8h30 e 11h30, no auditório do Sindseg-SP, na Av. Paulista, 1.294, 4º andar.

Mais sobre o Programa Seguro nos sites http://www.programaseguro.com.br/ e https://www.facebook.com/ProgramaSeguro

Seguro agrícola é oportunidade para o mercado, afirma Wady Cury

Fonte: Revista Apólice – Kelly Lubiato

wady curyO seguro agrícola traz estabilidade econômica ao produto rural e é indutor do desenvolvimento de tecnologia no campo. Ele colabora para a manutenção do emprego e protege a produção e a renda do produtor rural, equalizando o orçamento do Governo. A subvenção ao prêmio incentiva a demanda pelo seguro agrícola e garante a sua expansão e continuidade, propiciando a evolução e o desenvolvimento de novos produtos.

Wady Cury, diretor de seguros rurais do Grupo BB e Mapfre, disse em paínel sobre o tema no 4o Encontro de Resseguros, realizado nos dias 14 e 15 de abril no Rio de Janeiro, com apoio da CNSeg, que “é interessante que haja uma equalização dos números e isso acontece com o Fundo de Catástrofes, que incentiva a oferta de produtos e capacidade pelas seguradoras e resseguradoras e garante a expansão e a continuidade do seguro agrícola”.

No Brasil, há uma legislação agrícola que aprovou a subvenção ao prêmio em 2006. Algumas companhias operam na carteira, que cresceu quase 20 vezes após a aprovação da lei da subvenção, nos últimos 8 anos. Entre 2013 e 2014, o Governo liberou R$ 557 milhões em subvenção e este valor só não foi maior por conta de uma dotação orçamentária do congresso não ter sido liberada.

Cury acrescentou que o que fará a disponibilidade de seguro crescer é a consolidação das informações que estão pulverizadas, porque elas são de fundamental importância para possibilitar a entrada de novos players, tanto de seguro quanto de resseguro, no mercado. “É preciso unir os dados, transformar em informações sobre as culturas, clima, sinistralidade etc, para que cada companhia faça delas conhecimento para aplicar nos produtos”. Ele ressaltou que para haver investimento por parte das empresas é imprescindível haver escala.

Pesquisa da KMPG revela desafios para aprimorar a oferta de resseguro

cnseg botti e joaoPara ter um mercado de resseguros mais inovador e dinâmico, as seguradoras encomendaram uma pesquisa para identificar pontos de conflitos e quais as sugestões dos executivos para melhorias. O resultado foi apresentado ontem no painel “O presente e o futuro do resseguro no Brasil”, no 4o. Encontro de Resseguros, realizado nos dias 14 e 15 de abril, no Rio de Janeiro.

“O trabalho teve como objetivo contribuir na análise do desenvolvimento do mercado brasileiro de resseguros desde a abertura em abril de 2008 e apontar os desafios que teremos pela frente”, disse João Francisco Silveira Borges da Costa, CEO da HDI Seguros, ao apresentar para uma plateia de 500 pessoas o estudo encomendado a KPMG a pedido da Associação Brasileira das Companhias de Seguros Internacionais (ABCSI).

A maioria dos entrevistados concorda que as seguradoras se tornaram mais lucrativas e solventes com a abertura do resseguro, mas perderam margem de negociação, pois o fim do monopólio trouxe a premissa do mercado aberto: o exercício de aceitar e negar riscos. Cerca de 80% acharam que a regulamentação trouxe intranquilidade, o que se observou na quantidade de riscos não aceitos, chamados no jargão do setor como “riscos declináveis”.

Quanto a reserva de mercado estabelecida pela regulamentação, com 40% dos contratos tendo de ser ofertados para as resseguradoras locais, 60% dos entrevistados concordam parcialmente que um grau de reserva de mercado seja necessária. Ter profissionais mais qualificados é a sugestão de 60% dos participantes, o que abrange tanto profissionais de seguros, resseguros como corretores, que são usados em 80% dos contratos. Apenas 20% dos participantes disseram realizar negócios sem um corretor. “Há uma clara preocupação quanto a qualificação dos profissionais, tanto de seguradoras, como resseguradoras e corretores”, ressaltou Borges.

Mais de 60% dos entrevistados afirmaram que é preciso melhorar a competitividade do segmento de resseguros e 80% dos participantes concordam que é necessário melhorar serviços e ofertas de produtos para acirrar a disputa pelos contratos. Sobre as perspectivas para os próximos 3 a 5 anos, a resposta foi positiva. Cerca de 71% concordam que haverá uma oferta maior de produtos e serviços. Em relação aos investimentos para os próximos 5 anos, as companhias informaram que vão canalizar recursos para o treinamento, o desenvolvimento de pessoas e aquisição de sistemas de melhorias operacionais.

Quais os desafios para o futuro, os corretores citaram a regulação mais rígida, maior controle pelo regulador e a necessidade de melhor qualificação dos serviços prestados. Já os resseguradores citaram o cenário de concorrência mais acirrada e a falta de profissionais mais qualificados.

Entre os principais desafios do ambiente regulatório, a reserva de mercado, que impõe um custo adicional a oferta de produtos, e a tributação do setor foram os pontos mais citados na pesquisa da KPMG. Já no ambiente concorrencial, os entrevistados citaram que o desafio está em manter o equilíbrio entre ofertas agressivas e a escolha de parceiros realmente técnicos que ofertem condições de tornar o contrato rentável. Também citaram que manter as parcerias no longo prazo é um dos desafios a serem perseguidos.

“Demos um grande passo na abertura do mercado e agora precisamos ousar mais. Ambicionar mais. Temos condições de transformar o Brasil e o Rio de Janeiro em um polo de resseguros na América Latina. Mas para isso é preciso aperfeiçoar a operação de resseguro e qualificar mais os nossos profissionais”, disse Paulo Botti, CEO da resseguradora local Terra Brasis ao comentar as lições trazidas pela pesquisa apresentada. “O resseguro abriu 700 novos postos de trabalho e 90% das pessoas na área tem nível superior. É a indústria de mais alto nível de instrução em todas as indústrias”.

Botti ressaltou que o Brasil tem um mercado forte, competitivo, sólido e com capacidade técnica crescente. O que mais pode melhorar?, indaga o executivo. “’É preciso que todos tenham uma função inovadora e educacional, processos integrados de mercado, resultados financeiros, ajustes da regulamentação e práticas de mercado”, sugere, citando os trabalhos realizados por sua companhia, a Terra Brasis, que já realizou cursos de resseguro para 300 funcionários de seguradoras, desenvolveu um mapa de catástrofes online para gerar estatísticas para melhorar a precificação de riscos, e o estudo analítico sobre os dados financeiros das resseguradoras divulgados pela Susep, conhecido como Terra Report.