A Superintendência de Seguros Privados (Susep) terá assento na Diretoria da Associação de Supervisores de Seguros da América Latina (Assal). O superintendente da Susep, Roberto Westenberger, foi eleito nesta quinta-feira (16) diretor do órgão com apoio dos principais países da região. Fundada em 2009, a Assal conta com 21 associados. “O Brasil, como maior mercado de seguros da América Latina e com as boas relações que mantém com todos no Continente, se sente honrado com essa participação na Assal”, afirma Westenberger.
A Associação é formada por 19 países latino-americanos e tem Portugal e Espanha como membros convidados (sem direito a voto). Com sede no Chile, a Assal tem como objetivo trocar informações sobre legislação dos mercados, métodos de controle e fiscalização, promoção de cooperação entre seus associados, incentivo à educação financeira, entre outras ações. Segundo Westenberger, o ingresso da Susep na Assal ocorreu a partir de uma aproximação com o órgão e com seus membros. “Inicialmente manifestamos o desejo de participar da Diretoria da Assal e, em seguida, costuramos o apoio político com os principais países da região, de modo a assegurar a eleição da Superintendência”, disse Westenberger.
De acordo com o superintendente, não havia sentido no fato do Brasil deter o maior mercado de seguros da América Latina e não participar no processo decisório da Assal. “A vocação do nosso país é de liderança na região, portanto, torna-se mandatória a assunção de um papel de protagonismo nesta Associação”, ressaltou Westenberger.
A Susep, de acordo com o superintendente, vem buscando uma maior participação internacional e, consequentemente, vem se aproximando das entidades internacionais que congregam os órgãos supervisores de vários países. O ingresso do Brasil na Diretoria da Assal é parte desse processo. “Pretendemos com isso passar a influenciar as decisões desses órgãos de modo a resguardar os interesses do mercado segurador brasileiro”, explica Roberto Westenberger.
O processo de internacionalização da Susep, afirma Roberto Westenberger, pretende se estender a outros continentes. “A Susep começa a caminhar de forma decisiva no sentido de participar mais dos fóruns internacionais de seguros e ampliar a colaboração com os órgãos supervisores de outros países. O próximo passo será a Associação Mundial dos Reguladores de Seguros (IAIS), tendo já solicitado a participação nos Comitês Técnico e de Estabilidade Financeira.”, revelou Westenberger.
A resseguradora Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS) anuncia a contratação de Patricia Marzullo para a o cargo de diretora regional de Engenharia para América do Sul. A executiva será responsável por liderar uma equipe de três subescritores.
Com mais de 18 anos de experiência no mercado de seguros e resseguros, Patricia assume a função com o objetivo de elevar ainda mais a excelência das análises da resseguradora em Engenharia, uma das principais linhas de negócio da empresa no Brasil. Patricia ficará no escritório da AGCS de São Paulo, respondendo diretamente ao presidente da empresa, Angelo Colombo. “A estratégia de crescimento da AGCS no Brasil e América do Sul depende de profissionais de alta capacitação técnica e potencial de liderança. A Patricia se junta a nós para reforçar ainda mais nosso corpo diretivo na região”, diz Colombo.
Patricia Marzullo é formada em Engenharia Civil e especializada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Possui MBA em Corporação Financeira pela IBMEC São Paulo e mais de 18 anos de experiência no mercado brasileiro de seguros e resseguros, com atuação em grandes empresas da indústria no país.
A resseguradora local Terra Brasis lançou no 4o. Encontro de Resseguro, realizado nos dias 14 e 15 de abril no Rio de Janeiro, com apoio da CNseg, a versão eletrônica do Mapa de Catástrofes Naturais Brasileiras, que, por sua característica dinâmica, é a evolução da versão física desse estudo, publicado em Agosto de 2013. Essa nova ferramenta possibilita pesquisas amplas, englobando todo o território nacional, assim como pesquisas mais detalhadas, por meio das opções de filtros ou pela função zoom.
As buscas por eventos podem ser realizadas por CEP, tipo de evento, região e ano de ocorrência (2010-2013), permitindo que uma ou mais opções sejam selecionadas ao mesmo tempo, possibilitando várias frentes de análises. Os eventos são diferenciados por cores e agrupados em esferas, que podem ser dissociadas a qualquer momento por meio da função zoom, até que o número máximo de eventos por esfera seja atingido. A partir desse ponto, acessam-se todas as informações referentes ao campo, como o nome do município, a mesorregião e as coordenadas, com um simples clique.
O mapa Terra Brasis de Catástrofes Naturais Brasileiras (2010 a 2013) foi confeccionado com base em informações disponibilizadas ao público pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, à qual somos imensamente gratos. Os dados apresentados refletem a ocorrência em municípios brasileiros que enfrentaram Situação de Emergência e/ou Estado de Calamidade Pública entre os anos de 2010 e 2013.
Para reconhecimento federal, desastre é o resultado de eventos adversos, naturais ou provocados pelo homem sobre um cenário vulnerável, causando grave perturbação ao funcionamento de uma comunidade ou sociedade, envolvendo extensivas perdas e danos humanos, materiais, econômicos ou ambientais, que excede a sua capacidade de lidar com o problema usando meios próprios. O reconhecimento federal de Situação de Emergência ou do Estado de Calamidade Pública se dá por meio de portaria, mediante requerimento do Poder Executivo do Município, do Estado ou do Distrito Federal afetado pelo desastre, obedecido os critérios estabelecidos na Instrução Normativa MI nº 001, de 24 de agosto de 2012.
A resseguradora dividiu geograficamente os eventos por mesorregião. A mesorregião é uma subdivisão dos estados brasileiros criada pelo IBGE, que congrega diversos municípios de uma área geográfica com similaridades econômicas e sociais.
Acesse o TerraReMap em: www.terrabrasis.com.br ou www.mapadecatastrofes.com.br
Mais do que desafios e oportunidades, o mercado segurador e ressegurador precisa adotar as inovações que foram trazidas para o 4o. Encontro de Resseguros realizado nos dias 14 e 15 de abril, no Rio de Janeiro, com apoio da CNseg. Para o André Gregori, responsável pelas operações de seguros e de resseguros do grupo BTG Pactual, o principal desafio para o crescimento do setor é trazer produtos novos aos clientes. “O mercado segurador tem de inovar. Mais do que desafio, é preciso ter vontade para colocar esses produtos em prática”, defende.
Ele coordenou três painéis no evento. O primeiro sobre “Transferência de Risco através de Mercado de Capitais”, com palestra e debate de Craig Hupper e Rodrigo Botti, respectivamente. O segundo sobre Resseguro Paramétrico, com palestra de Florian Kummer (Swiss Re) e Rodrigo Protásio (JLT Re Brasil). E o terceiro abordou o Mundo do Resseguro Estruturado – Um Caso de Distribuição de Perda. O último painel abordou o Seguro D&O, modalidade que traz muitos pontos de discussão acerca das coberturas.
“O Brasil precisa de mais inovação do que temos tido. A transferência de riscos é muito usada no mundo todo, mas no Brasil a regulamentação ainda não permite que o mercado segurador transfira riscos para o mercado de capitais”, afirmou. Segundo Gregori, o tema já está na pauta da Susep, que aguarda das empresas interessadas um comprometimento com estudos para viabilizar uma regra adequada ao Brasil e assim poder trazer o mercado de capitais para dentro de seguros e resseguros.
“Os seguros paramétricos são tão importantes como a transferência de riscos para o mercado de capitais e acredito que o mercado segurador brasileiro dará um grande salto em inovação ao ofertar esses produtos para os clientes brasileiros”, afirma.
Para que seguradoras e resseguradoras possam transferir risco de seguros para o mercado de capitais é preciso mudanças na regulação do mercado pelos órgãos reguladores. “As regras da Susep só permitem que o resseguro seja contrato por uma seguradora ou que o ressegurador faça a retrocessão. No mercado mundial a transferência de risco tem um cadeia maior e se estende para o mercado de capitais, ampliando a pulverização do risco para outros segmentos e países”, explica. Segundo ele, a Susep está aberta à inovações, o que facilita o caminho dos executivos envolvidos em aprimorar os produtos e serviços aos clientes brasileiros.
Andre Gregori afirmou que o 4. Encontro de Resseguros foi um sucesso de público. “Temos aqui executivos de empresas destacadas no mundo, o que possibilita a troca de idéias e tornar o evento um motor de arranque de novidades. Cada ano o evento conta com um número maior de participantes e debates que agregam valor ao dia a dia do setor”, finalizou.
Otimismo moderado. Esse é o sentimento de Paulo Pereira, presidente da Fenaber (Federação Nacional das Empresas de Resseguro), ao avaliar as perspectivas do mercado resseguardor brasileiro para 2015. Ele conta que desde que o mercado ressegurador foi aberto o crescimento foi de dois dígitos. De 2008 até o final de 2014 os prêmios passaram de R$ 3,8 bilhões para R$ 9,1 bilhões.
“Pegamos o momento que a economia ia muito bem, o que consolidou o crescimento do setor”, comentou durante o 4. Encontro de Resseguros realizado no Rio de Janeiro entre dos dias 14 e 15 de abril, com apoio da CNseg. Para 2015 ele afirma que algumas coisa prejudicam o crescimento do resseguro. “Estamos passando por um ajuste econômico importante, que vai causar recessão. Vamos ter cerca de três anos dificeis pela frente. Mas nesse período temos investimentos importantes que o governo não vai poder deixar de fazer, como algumas agendas do PAC”, lamenta.
Segundo o presidente da Fenaber, o mercado ressegurador deve avançar entre 5% e 6% neste ano. “Deixamos o crescimento de dois dígitos para um dígito devido ao ajuste econômico, a falta de investimentos e as consequências da Lava Jato, que emperram contratos que com as principais construtoras do país citadas nas investigações”.
Quanto as indenizações que as ressegudoras estimam pagar em consequência da Lava Jato, o impacto deve afetar os nichos de garantia e de D&O. “Vale lembrar que fraude não tem cobertura. Já em garantia, as resseguardoras estão levantando suas posições em obras paralisadas por falta de repasse de verbas para mensurar possíveis perdas”.
De acordo com ele, algumas fusões estão em curso entre resseguradoras mundialmente e que têm impacto no Brasil, bem como alguns players podem rever seus investimentos diante deste cenário recessivo e fazer desinvestimentos. Ele comemorou o sucesso do 4o. Encontro de Resseguro: “É um sucesso absoluto, com 570 inscrições e temas importantes para o mercado brasileiro.”
Muito relacionado às catástrofes naturais, o resseguro paramétrico tem se apresentado como uma solução às restrições de acesso a alguns riscos e de oferta para coberturas complexas no mercado de resseguro tradicional, abrindo um vínculo com o mercado financeiro internacional (capacidade), na estrutura esquemática dos cat bonds (bônus por catástrofes).
Para ilustrar os benefícios do resseguro paramétrico, em sua apresentação na 4º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, Florian Kummer, diretor de Subscrição de Resseguros de Ramos Elementares para a América Latina da Swiss Re, começou explicando algumas diferenças com o resseguro tradicional.
“São duas características principais: superação de um índice paramétrico x ocorrência de um evento segurado. Enquanto no mercado tradicional a importância a ser paga é o valor do sinistro após, por exemplo, aplicação de limites, no paramétrico o valor é pré-definido. No momento em que o índice paramétrico (gatilho) é alcançado ou excedido, o pagamento é efetuado”, afirmou.
Segundo ele, no paramétrico o risco básico é a diferença entre valor definido e sinistro real, o tempo de pagamento do sinistro se dá, em média, entre duas e seis semanas, enquanto no tradicional o prazo pode demorar um pouco mais, dependendo da complexidade. “E o uso dos índices paramétricos são fáceis de entender e de explicar, com uso de recursos e de coberturas de acordo com a decisão do cliente. Já no tradicional as coberturas são mais restritas, de acordo com a oferta do mercado. Se bem desenhado, o produto paramétrico minimiza o risco básico”, explicou.
No que tange as coberturas, no produto paramétrico ela se dá a partir de uma área previamente definida como, por exemplo, exposta a furacões ou alagamentos. Para isso, informou Kummer, “a base são investimentos em pesquisa e desenvolvimento, estudo do risco, conhecer e criar modelos catastróficos de última geração, base de dados abrangentes, com a definição de cobertura para a área de frequência ou severidade, de forma que a cobertura de resseguro pode ser uma função do orçamento disponível”.
Sobre os riscos, o executivo destacou que além dos desastres naturais, o aumento da renda e tendências socioeconômicas implicam no crescimento de valores expostos e aumento da sua vulnerabilidade, com um incremento significativo nas perdas esperadas e nos custos de adaptação. No caso do Brasil, ele citou que alagamento é a catástrofe natural mais frequente no País, agravada com o crescimento da urbanização e de ativos econômicos em megacidades. “Em 2010, eram 33 milhões de pessoas expostas, número que chegará a 42,5 milhões em 2030 e a perdas esperadas com inundações é estimada em US$ 1.406 milhão. O resseguro paramétrico não é uma alternativa ao tradicional, mas um complemento”, concluiu.
Para Rodrigo Protassio, CEO da JLT Re Brasil, os resseguros paramétricos são uma oportunidade para o desenvolvimento de projetos. “Como no caso do mercado energético, para empresas geradoras e distribuidoras que precisam comprar energia e assegurarem sua entrega”, citou.
De acordo com ele, “é uma forma de fazer contratos de derivativos ou assumir uma apólice com uma seguradora, resseguradora, um tipo especial de contrato de derivativos que garanta pagamento em casos de eventos (situações previstas). A empresa paga um prêmio ao tomador do contrato (outra parte) em troca deste assumir o risco climático”, disse Protassio.
Assim como Kummer, ele também destacou o uso do paramétrico como complemento ao resseguro tradicional. “Para a agricultura, por exemplo, talvez seja a solução. O prêmio do seguro agrícola é muito alto, depende da subvenção, há um potencial enorme e pouca participação de segurados no campo”, finalizou.
Estima-se que a área protegida no País com algum tipo de seguro não ultrapasse 25% do total. 75% da área agrícola do País fica à mercê do clima.
Os executivos reunidos no 4o. Encontro de Resseguros, realizado entre 14 e 15 de abril no Rio de Janeiro, com apoio da CNseg, admitem que as investigações sobre o esquema de propina entre Petrobrás e empreiteiras revelado pela Operação Lava Jato têm levado a uma redução de contratos de risco de engenharia e de garantia de grandes obras, bem como a um aumento de sinistros e indenizações por problemas na entrega de obras e serviços. Paulo Pereira, presidente da Fenaber, afirma as investigações e o ajuste econômico, que causará recessão, farão com que o setor de resseguros, que vinha crescendo desde 2008 a uma taxa de dois dígitos, avance agora em um dígito, com projeção entre 5% e 6% neste ano. “Deixamos o crescimento de dois dígitos para um dígito devido ao ajuste econômico, a falta de investimentos e as consequências da Lava Jato, que emperram contratos que com as principais construtoras do país citadas nas investigações”.
Quanto as indenizações que as ressegudoras estimam pagar em consequência da Lava Jato, o impacto deve afetar os nichos de garantia e de D&O. “Vale lembrar que fraude não tem cobertura. Já em garantia, as resseguardoras estão levantando suas posições em obras paralisadas por falta de repasse de verbas para mensurar possíveis perdas”, disse Pereira, da Fenaber. Segundo declarou José Cardoso, vice presidente do IRB Brasil Re, à Agência Estado, esse é um cálculo difícil de se fazer e que dependerá dos desdobramentos a médio prazo.
De acordo com alguns resseguradores, conversas sobre fusões estão em curso entre resseguradoras mundialmente e também no Brasil, bem como alguns players estudam rever seus investimentos diante deste cenário recessivo e fazer desinvestimentos. O que não é o caso das duas maiores do mundo. Neste ano, grandes negociações já foram anunciadas, como a compra do Catlin pelo grupo XL, da Platinum pelo RenaissanceRe’s, AXIS Capital Holdings Limited e PartnerRe Ltd, bem como Endurance que comprou a Montpelier Re por US$ 1,83 bilhão.
No Brasil, a grande negociação gira em torno da Caixa Seguridade, com IPO preparado pelo governo brasileira, que tem expectativa de levantar R$ 30 bilhões com a emissão. Antes de qualquer coisa, o sócio majoritário da Caixa Seguros, a francesa CNP, tem de concordar. Nesta semana tivemos a notícia de que a Travelers se tornou majoritária, com 95% do controle da seguradora de riscos patrimoniais da JMalucelli, na qual já era sócia. Também está em curso a negociação da carteira de grandes riscos da SulAmérica. No ano passado, a oferta da carteira de grandes riscos do Itaú gerou grande disputa, sendo arrematada pela ACE Seguradoras. Também há notícias de que o grupo britânico RSA está deixando o Brasil, segundo determinações dos acionistas mundiais.
A Munich Re, maior resseguradora do mundo, investe em equipe e nichos diferenciados por ser o Brasil um mercado potencial e a visão da companhia ser de longo prazo, segundo Rodrigo Belloube, CEO da operação brasileira da Munich Re, ao blog Sonho Seguro.
Segundo noticiou o Valor, Michel Liès, presidente mundial da Swiss Re, disse que a companhia quer crescer na área de seguros, o que inclui aquisições em mercados emergentes, depois de já estar consolidada no segmento de resseguros. No Brasil, segundo ele tem uma enorme oportunidade no setor de saúde. “Não queremos entrar na distribuição, mas podemos entrar na elaboração de produto, na experiência internacional. Uma solução para isso é comprar participações minoritárias”. O grupo tem uma participação minoritária na SulAmérica.
Michel Liès, presidente mundial da Swiss Re, não tem a pompa que costuma se esperar do executivo número um de uma companhia que, no ano passado, faturou US$ 31 bilhões e lucrou US$ 3,5 bilhões. Em visita ao Brasil, ele não veio acompanhado de nenhum assistente e pega táxi na rua do hotel para o escritório da companhia, na Avenida Paulista. Ele está de passagem pela América Latina, onde visita as operações de Brasil, para reuniões e um evento do setor, e Colômbia, onde a empresa acabou de comprar uma seguradora.
Em entrevista exclusiva ao Valor, Liès disse, em perfeito português, que a companhia quer crescer na área de seguros, o que inclui aquisições em mercados emergentes, depois de já estar consolidada no segmento de resseguros – em que é a número dois, atrás apenas da Munich Re. Nascido em Luxemburgo, Liès viveu no Brasil em 1976, quando trabalhava para uma empresa europeia de fornos de cerâmica.
Valor: Os preços das coberturas de seguros e resseguros no mundo estão baixos [o ‘soft market’]. Por que isso ocorre e qual a tendência?
Michel Liès: Quando falamos de mercado “soft” falamos de riscos catastróficos. O último grande sinistro [indenização] foi o tsunami no Japão, em 2011. Depois disso, não teve nenhum grande sinistro assegurado catastrófico. Isso, junto com uma baixa taxa de juros nos EUA e na Europa, atrai o interesse de outros atores para o setor, como fundos que se interessam por investir nesse mercado procurando retornos maiores. O que a gente tem que observar é o que vai se passar quanto tivermos o próximo grande sinistro e quando os EUA começarem a aumentar os juros, se o apetite desses investidores se manterá o mesmo. Lançamos há mais de 20 anos os ‘catbonds’ [catastrophe bonds], com a possibilidade de aproveitar as capacidades dos mercados financeiros para os grandes riscos. Isso permite ao gestor ter um retorno mais alto quando não temos grandes catástrofes e alguma perda quando há.
Valor: Há uma onda de consolidação no setor de seguros mundial recentemente. O que explica isso?
Liès: Há muito dinheiro no mercado, o que ajuda na consolidação, mas também há uma tendência de se diminuir a fronteira entre o resseguro e os seguros corporativos. Nosso modelo foi um pouco copiado nesse sentido. Em 2011 criamos três unidades: uma de resseguro, uma de seguros corporativos – a Corporate Solutions – e uma de compra de portfólios fechados de seguro de vida, que chama Admin Re. Não acredito que as transações são só pelo tamanho, mas também pela diversificação, uma abertura das companhias para outros tipos de riscos. Diferentemente do setor bancário, o segurador aproveita muito o tamanho junto com a diversificação. Quanto maior é a resseguradora, mais diversificada.
Valor: Após classificar os bancos, há um movimento dos reguladores de listar as seguradoras “too big to fail”. Como o senhor avalia isso?
Liès: Há muitas discussões sobre isso e sempre se chega aos mesmos nomes: um americano e dois europeus. O principal problema dessas regulações “too big to fail” é a preocupação de que os reguladores entendam a diferença da indústria seguradora da bancária. O tamanho em uma companhia de seguros normalmente acompanha a diversificação [para a pulverização dos riscos], o que é um fator positivo. Por isso o “too big to fail” para o setor de seguro é um pouco estranho. Se uma companhia é muito grande, mas tem 40% dos negócios nos EUA, 40% na Europa e 20% na Ásia, um pouco o nosso caso, um grande sinistro num país não repercute na operação de outros países. Outro aspecto é que no mercado de seguros não tem o “run to the bank” numa crise.
Valor: A Swiss Re tem planos para aquisições?
Liès: Na área de resseguros temos uma plataforma suficientemente eficiente para não precisar fazer aquisições. O mercado de resseguros é concentrado: as dez maiores companhias devem ter 90% do resseguro de vida e 50% do resseguro não-vida [riscos patrimoniais e de responsabilidades]. A Swiss Re tem 20% do mercado de resseguro de vida e 10% em não-vida. Na Admin Re, que compra carteiras de vida, isso é o dia a dia. Já na Corporate Solutions há espaço para compras. Recentemente compramos o controle da Confianza, na Colômbia, e na China adquirimos a Royal Sun Alliansce. Nossa participação no mercado mundial de seguros era de 0,5% [em 2011] e agora chega a pouco mais de 2%. Aqui o crescimento pode ser acelerado também por aquisição, principalmente nos emergentes.
Valor: Em quais mercados emergentes vocês têm interesse?
Liès: Na América Latina, os mercados para seguro são Brasil e México e, na Ásia, Índia e China. Para a Corporate Solutions também se incluem mercados que não são os principais, mas são importantes, como Colômbia, Chile e Peru na América Latina, e Indonésia e Vietnã na Ásia. Também temos interesse na África, que tem um crescimento muito importante em certos países. Temos uma operação de resseguro na África do Sul, mas outras partes do continente precisam do apoio de seguradora.
Valor: A atual situação econômica do Brasil muda a estratégia da companhia para o país?
Liès: Não muda em nada. Na nossa indústria o longo prazo é extremamente importante. Não temos um apetite que muda a cada ano. Claro que estamos preocupados com a situação brasileira, mas acho que o governo está fazendo o que é preciso. Nesse sentido, temos a convicção de que o Brasil tem um papel importante na economia mundial. Tem momentos de alto e baixo, mas as políticas devem ser julgadas da forma pela qual estão sendo endereçadas para solucionar o problema no momento de crise. O Brasil tem um grande potencial, apesar de não ter riscos catastróficos. O país não tem zonas sísmicas importantes, mas tem outros tipos de catástrofes, como inundações e enchentes. Por isso, o desenvolvimento [do mercado] aqui no Brasil tem que passar por novas coberturas. Aqui precisamos de um pouco mais de inventividade do que em outros mercados.
Valor: O último investimento que vocês fizeram no Brasil foi a compra de uma participação minoritária na SulAmérica, uma seguradora de varejo. Qual é a estratégia?
Liès: Queremos nos posicionar como o melhor investidor e ator no setor de seguros. Tem alguns setores em que somos atores, como o de resseguros e seguros corporativos. Mas tem também setores em que temos apetite, mas não queremos entrar diretamente. No Brasil, tem uma enorme oportunidade no setor de saúde. Não queremos entrar na distribuição, mas podemos entrar na elaboração de produto, na experiência internacional. Uma solução para isso é comprar participações minoritárias.
Valor: Em 2014 a Corporate Solutions teve o melhor resultado no Brasil e se consolidou como um “player” de grandes riscos. Esse é um segmento em que há a saída de alguns concorrentes, caso do Itaú, que vendeu a carteira para Ace. Como o senhor vê tal mudança?
Liès: Quando compramos a UBF, ela era focada em seguro garantia e agro e a ideia era que ela tinha um portfólio de clientes para os quais pode fazer muito mais. Quando uma companhia como o Itaú decide ficar no varejo e deixar o risco industrial é uma situação interessante de observar. É lógico que o que vemos é que as seguradoras locais e os banqueiros têm se concentrado no varejo, que exige um profundo conhecimento do mercado local, e as estrangeiras têm grande interesse nos riscos corporativos, mais internacionais.
A Polícia Federal (PF) deflagrou operação que apura um suposto desvio de recursos de duas empresas do mercado de seguros, capitalização e previdência no Estado. Ex-administradores teriam lesado as companhias e são suspeitos de crimes contra o sistema financeiro, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Cinco pessoas, quatro empresários e um advogado, foram conduzidas para prestar esclarecimentos na PF ontem e, depois, liberadas. Os nomes não foram divulgados, tampouco o montante desviado.
A PF cumpriu 10 mandados de busca e apreensão, oito em Porto Alegre e dois em Marau, no Norte. Foram apreendidos nove veículos: duas caminhonetes Land Rover, dois veículos Porsche (um modelo Boxster e outro Panamera), um Audi A5, um Lexus S460S blindado, um i30, um Tiguan e um Mini Cooper. A PF pediu à Justiça o bloqueio de contas bancárias e a indisponibilidade de 16 imóveis, em vários Estados.
A investigação se iniciou em meados de 2014, a pedido do Ministério Público Federal. Conforme o delegado Sérgio Busato, da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (Delefin), ex-gestores das companhias contratariam empresas, em nome de laranjas, para prestar serviços às seguradoras a preços superfaturados. Depois, a maior parte do dinheiro iria para o bolso dos ex-gestores.
Há suspeitas de duplicidade de contratos, pagamento por serviços não realizados e compra de imóveis acima do preço de mercado. Em um caso, um ex-gestor teria adquirido para uma seguradora imóvel por R$ 20 milhões que valeria R$ 1,7 milhão.
Os nomes dos envolvidos estão sob segredo de Justiça.
As ferramentas do mercado de seguros podem trazer mais estabilidade para o desenvolvimento econômico, ajudando no planejamento estratégico e no controle de crises, afirmou Michel Liès, CEO da Swiss Re, uma das maiores resseguradoras globais.
“Quando se pensa em que os instrumentos de seguro poderiam aportar para os responsáveis políticos, é uma pena [que sejam tão mal utilizados]. Eu acho que realmente tem um problema de reconhecimento do setor de seguro, até por culpa da gente”, disse ontem, no 4 º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, organizado pela Confederação Nacional de Seguros (CNSeg).
“Nós temos que trabalhar mais para o setor político, para que ele entenda que nossos instrumentos podem ajudar em certa estabilidade do desenvolvimento econômico”, completou o diretor executivo.
Em sua palestra, o executivo da Swiss Re expôs uma transação de US$ 450 bilhões feita pela Swiss Re e a Allianz junto ao governo e à UTE (estatal Uruguai de geração hidrelétrica) para segurar o risco de seca do país.
A apólice, que foi iniciada em janeiro de 2014 e vence em junho deste ano, cobre a compra de energia alternativa quando as secas causarem a falta de energia hidrelétrica. Questionado pelo DCI se o modelo poderia ser aplicado no Brasil, para ajudar a contornar a crise vivida pelo setor energético no País, o executivo disse que poderia ser utilizado “sem nenhum problema”.
“Claro que se pode aplicar. Eu acho que se o governo pode eliminar os potenciais motivos de uma crise de uma bacia hidrelétrica e se segurar, isso seria um grande passo. Eu acho que o governo tem várias coisas que tem planejar, e que a gente pode ajudar”, afirmou o CEO. “Outras dependem da mãe natureza”, brincou.
Segundo Liès, as resseguradoras são um parceiro estratégico dos governos em tempos de catástrofes e crises, sejam elas naturais ou causadas pelo homem. Dados apresentados pelo CEO mostram que, no ataque ao World Trade Center, nos EUA, em 2001, as resseguradoras cobriram entre 50% e 60% dos ativos segurados. Mais recentemente, nos terremotos que atingiram o Japão e a Nova Zelândia, em 2011, contavam com resseguro 40% e 70% dos ativos cobertos.
Entre os desastres naturais a que o Brasil está sujeito, as enchentes e inundações são os principais riscos, conforme aponta Liès. “Acreditamos que as resseguradoras podem contribuir com o governo para lidar com esses riscos. Nós temos um mapeamento, em tempo real, das condições climáticas dos países da América Latina e sabemos as regiões que apresentam maior risco”.
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