CVG-SP debate sobre exame médico para seguro de vida com autor do PLS e atuários

dilmo cvgTexto: Márcia Alves

A exigência de exame médico prévio para a contratação de seguro de vida, uma das antigas polêmicas no ramo de pessoas, já rendeu muitos debates, sem, no entanto, se alcançar uma solução. O imbróglio da questão parece residir no artigo 766 do Código Civil, o qual define que: “Se o segurado, por si ou por seu representante, fizer declarações inexatas ou omitir circunstâncias que possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio, perderá o direito à garantia, além de ficar obrigado ao prêmio vencido”. O parágrafo único do mesmo artigo estabelece, ainda, que: “Se a inexatidão ou omissão nas declarações não resultar de má-fé do segurado, o segurador terá direito a resolver o contrato, ou a cobrar, mesmo após o sinistro, a diferença do prêmio”.

A questão é que, na interpretação de alguns tribunais, a seguradora que não realizar o exame não poderá negar indenização ao segurado, ainda que este tenha omitido ou mentido a respeito de doenças preexistentes. Alguns juízes entendem que caberia à ré, no caso, a seguradora, demonstrar a má-fé do segurado ao tempo em que este prestou as informações relativas ao seu estado de saúde.

“De fato, nos termos da jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a seguradora não pode ser eximida do dever de indenizar, alegando omissão de informações por parte do segurado, se dele não exigiu exame médico prévio à contratação do seguro − a não ser que o segurado tenha comprovadamente agido de má-fé, ocultando ou dissimulando informações sobre o seu estado de saúde, no intuito de influenciar a análise de risco da seguradora”, registra o senador José Medeiros (PPS-MT) na justificação do Projeto de Lei do Senado nº 111/2015, de sua autoria, apresentado ao Senado Federal no final de março.

Em seu projeto, o senador Medeiros propõe acrescentar o artigo 799-A ao Código Civil, estabelecendo a prévia realização de exame de saúde antes da contratação de seguro de vida. De acordo com a redação do artigo, “é lícito exigir que a pessoa interessada se submeta a exame de saúde previamente à contratação de seguro de vida”. Porém, em seguida, o primeiro parágrafo ressalva que “na hipótese de dispensa do exame de saúde, o segurador não poderá se eximir do dever de indenizar, alegando omissão de informações por parte do segurado”.

O senador acrescenta, ainda, à proposta a proibição em relação ao uso de testes ou de informações genéticas para determinar ou estimar o risco de morte ou de desenvolvimento de doenças. Por fim, informa que “é nula a cláusula contratual que exclui o pagamento do capital segurado apenas com base em declarações inexatas ou na omissão de informações relevantes em questionário sobre o estado de saúde do segurado, salvo prova inequívoca de má-fé”.

“Check up grátis”

“Se a não exigibilidade de exames pressupõe a obrigatoriedade de pagamento de capital segurado, a utilização de Declaração Pessoal de Saúde estaria anulada e automaticamente proibida?”, questiona o atuário e presidente do CVG-SP, Dilmo B. Moreira. Quem responde é o próprio senador José Medeiros, em entrevista exclusiva ao site do CVG-SP: “Caberá aos seguradores julgarem dispensável, ou não, a DPS, que, a meu ver, agrega segurança ao exame médico prévio”.

De acordo com o senador Medeiros, “a seguradora é livre para exigir o exame que achar necessário para efetivação contratual”. Mas, ele discorda da interpretação de que o PLS 111/15 “obriga” à realização do exame. “O exame médico pode ser dispensado. Isso não gera responsabilidade automática da seguradora, pois a única hipótese em que ela não pode se eximir de indenizar é alegando omissão de informação do segurado”, disse.

O advogado Ayrton Pimentel disse, certa vez, em evento do setor sobre a questão, que a adoção de exame prévio não afasta a discussão sobre a veracidade das declarações prestadas pelo segurado ao médico. Mesmo porque, disse, “admitir que alguém, por se submeter a um exame médico, esteja autorizado a fornecer informações inexatas ao segurador ou ao médico, é subverter toda a ordem jurídica assentada na boa-fé”.

Na opinião de Pimentel, o exame médico prévio seria um fator de discriminação social, já que seu custo seria repassado aos consumidores, afastando o seguro dos menos favorecidos, que são os que mais precisam. A anamnese, que consiste no simples ato de o paciente revelar ao médico seu histórico clínico, seria um procedimento menos oneroso e, segundo ele, “equivalente à DPS”. Mas, reconhece que também na anamnese o segurado poderia omitir ou alterar circunstâncias relevantes para um correto diagnóstico médico. “E, assim, volta-se à estaca zero”, raciocinou Pimentel.

O médico Marco Antonio Gazel, fundador da MA Gazel Assessoria Médico Securitária, expressa opinião semelhante. Para ele, o simples exame médico não é suficiente para avaliar condições clínicas de um individuo, pois qualquer diagnóstico de doença grave poderá não ser comprovado se o sintoma for omitido pelo interessado (ex: câncer em fase inicial, AIDS etc.). “Se nesta avaliação houver necessidade de exames complementares ou opinião de um especialista, quem será o responsável por esta despesa?”, indaga. Gazel é enfático ao analisar a consequência de tal ônus recair sobre seguradoras: “qualquer individuo poderá ter um check up grátis”.

Custo é o “nó” da questão

Para Dilmo B. Moreira, este é o grande “nó” da questão, ou seja, o pagamento dos custos para a realização do exame. “Se as seguradoras exigirem a realização de exames, seus custos de execução certamente aumentariam o valor final na negociação de contratação do seguro”, pondera. Exceto pela questão do custo, o atuário e diretor de Seguros do CVG-SP, Marcelo de Figueiredo, analisa, por outro lado, que sob a ótica da subscrição de riscos o exame médico prévio oferece condições melhores de se avaliar o risco de acordo com suas características próprias. “Também poderia melhorar o processo de tarifação, tornando-o mais justo em relação ao custo envolvido”, diz.

Sobre a possibilidade de redução da litigiosidade no seguro vida, como justifica o senador em seu projeto, o atuário entende que dependerá de um processo de amadurecimento em relação à função primordial do seguro de pessoas. Segundo o senador Medeiros, a redução de litígios é apenas um dos benefícios que se espera do projeto. “Em longo prazo, tais medidas trarão estabilidade e segurança ao mercado de seguros, haja vista que tanto o segurado não será mais um hipossuficiente na relação contratual, como as seguradoras se esforçarão para a prestação de um serviço transparente e de qualidade”, disse.

Ele informou que o PLS 111/15 está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, na qual até o momento aguarda designação de relator. Por ser terminativo nesta comissão, o senador acredita que sua tramitação no Senado Federal será rápida. “A indefinição temporal se encontra após sua tramitação nesta Casa Legislativa, quando o projeto é encaminhado à Câmara dos Deputados e participa de novo trâmite procedimental”, explicou.

Fotos: 1 – Dilmo B. Moreira / 2 – senador José Medeiros / 3 – Ayrton Pimentel / 4 – Marco Gazel / 5 – Marcelo de Figueiredo

Ministro da Fazenda destaca a importância do Seguro na vida das pessoas

Joaquim-LevyFonte: Susep

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ressaltou a importância dos seguros e o impacto positivo desses produtos na vida das pessoas. A afirmação foi feita durante entrevista coletiva para anunciar a intenção do governo em abrir o capital da Caixa Seguros. O ministro lembrou da Semana de Educação Financeira, realizada em todo o país entre 9 e 15 de março, quando o governo manifestou seu total apoio à iniciativa devido a importância na melhoria de vida da população.

“Quando o nível de renda das pessoas sobe, abrem-se novas oportunidades do uso de serviços e produtos. É importante que as pessoas tomem conhecimento sobre como isso pode melhorar suas vidas”, disse o ministro referindo-se à educação financeira. Segundo Levy, diante da contingência de se usar um seguro, como por exemplo, um acidente que possa danificar um carro, descobre-se como é valioso ter essa proteção. Segundo ele, uma despesa inesperada pode até paralisar a vida das pessoas, ao contrário de quem possui um seguro, tem conhecimento de sua importância, e está coberto em várias situações. “O impacto disso na vida das pessoas é tremendo”, afirmou o ministro.

Joaquim Levy destacou ainda que o efeito dos seguros na qualidade de vida das pessoas é um dos papéis do mercado financeiro numa economia tão diversificada quanto a brasileira. “Temos que aproveitar isso para que seja um instrumento, não só para ser uma oportunidade de poupança, de criação de riqueza, mas também pelo impacto positivo que tem na vida das pessoas”, disse ele.

Marco Antonio Rossi participa do Programa Seguro

rossi cnsegFonte: CQCS

O presidente do Grupo Bradesco Seguros e Vice-Presidente do Banco Bradesco, Marco Antonio Rossi, é o convidado do Programa Seguro deste domingo (12/04).
Durante o bate papo, comandado por Boris Ber, Rossi enfatiza que o corretor de seguros precisa explorar mais as oportunidades de negócios que existe em cada cliente “Muitas vezes, o corretor tem uma carteira significativa e uma boa estrutura de atuação, mas ainda utiliza isso de maneira muito abaixo do potencial que existe em cada cliente.” , diz. O programa tem como objetivo levar informações relevantes sobre produtos e serviços do setor de Seguros. O programa vai ao ar todos os domingos às 20h na TV Gazeta. Para ter acesso a todos os programas, visite o site www.programaseguro.com.br.

Executiva da A.M. Best fará palestra no 4º Encontro de Resseguros CNSeg

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A Vice-Presidente Assistente de Desenvolvimento Comercial da A.M. Best Tina Bukow irá discursar na III Sessão Plenária, “Questões Atuais sobre Resseguros no Brasil” no tópico de “Classificações Industriais e Risco País” às 16:30 h (horário de Brasília) em 14 de abril. Também em nome da A.M. Best, estarão presentes Mariza Costa, analista financeira sênior e Marcus Clementino, consultor independente de desenvolvimento comercial.

Mais informação sobre a conferência está disponível emhttp://www.cnseg.org.br/cnseg/home.html.

Governo quer IPO de holding de seguros da Caixa em 2015

caixaFonte: Reuters

O governo federal anunciou nesta quarta-feira estudos para criação de uma holding de seguros da Caixa Econômica Federal e posterior oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) ainda em 2015, operação que poderá reforçar o caixa da União.

“O objetivo é claro: possibilidade de aumentar a presença da Caixa Econômica em segmento importante e também, evidentemente, aproveitarmos a vitalidade do nosso mercado de capitais”, disse o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a jornalistas.

Ele estava acompanhando da presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, após terem se reunido com a presidente Dilma Rousseff. No anúncio, frisaram que a Caixa seguirá como banco 100 por cento público, com listagem apenas da unidade de seguros.

Segundo Miriam, o parâmetro básico para o estudo do IPO da área de seguros será o processo de oferta inicial de ações da BB Seguridade, controlada pelo Banco do Brasil.

“Há potencial de crescimento grande e a Caixa quer estar bem posicionada para aproveitar esse momento”, disse ela.

Mais tarde, o vice-presidente de negócios emergentes da Caixa, ​Fábio Lenza, disse à Reuters que a holding que pode surgir como resultado do estudo reunirá todas as participações da companhia do ramo de seguridade. A principal delas é a fatia de 48,2 por cento na Caixa Seguradora, que tem a francesa CNP Assurances como majoritária.

A holding incluiria também participações da Caixa na Pan Seguradora e Pan Corretora, que têm o BTG Pactual como sócio, e na Par Corretora.

Sobre as próximas fases da abertura de capital, Levy disse que o governo convidará os principais bancos de investimento para discutir o plano da operação e sua viabilidade.

Questionado sobre se a venda de ações geraria receita para a formação de superávit primário em 2015, Levy salientou que se o IPO revelar que o negócio tem valor acima do registrado contabilmente, a renda adicional será tributada, com efeito positivo na arrecadação, mas não estimou quanto. A meta de superávit primário deste ano é de 1,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), mas a arrecadação fraca e o elevado nível de gasto público dificultam o cumprimento do alvo fiscal.

ACE Brasil será a principal patrocinadora da etapa JK Iguatemi da Track&Field Run Series

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A ACE Brasil será a principal patrocinadora da etapa do Track&Field Run Series JK Iguatemi, uma das provas mais importantes do maior circuito de corridas de rua do Brasil. O evento acontecerá no próximo dia 12 de abril na Marginal Pinheiros, em São Paulo. Os organizadores aguardam a participação de 2 mil pessoas apaixonadas pelo esporte, que deverão correr os percursos de ida e volta ao Shopping JK Iguatemi em provas de 5 km e 10 km a partir das 7h.

“A ACE tem patrocinado corridas de rua em diferentes países do mundo. É uma forma de associar a imagem da empresa a iniciativas voltadas para a qualidade de vida, que constitui um dos principais alvos do grupo”, comenta Antonio Trindade, executivo responsável pela operação da ACE no Brasil. Esta é a primeira ação de marketing dirigida à população que a companhia realiza no país, após a aquisição da carteira de Grandes Clientes Corporativos da Itaú Seguros, concluída em outubro de 2014 no valor de R$ 1,5 bilhão.

O Track&Field Run Series foi criado pela empresa brasileira de moda esportiva Track&Field, que tem como missão promover o esporte como parte essencial da vida das pessoas. A prova conta com a participação de um público formador de opinião, que busca uma melhoria na qualidade e estilo de vida através da prática esportiva.

Durante a prova, a marca ACE estará exposta em vários locais, desde o pórtico de largada e chegada às medalhas e troféus que serão entregues aos vencedores. “A veiculação ainda vai abranger, entre outros itens, área vip, local da premiação, banners, camisetas em Thermodry® dos 2 mil participantes e comunicação digital”, diz Flávia Pompei, responsável pela área de marketing da ACE no Brasil.

O percurso da corrida, predominantemente plano, representa um dos principais motivos da grande procura observada entre os adeptos do esporte para este evento. Outro motivo é o conforto oferecido aos participantes, como estacionamento, hidratação, frutas após a chegada.

Fernando Gonçalves passa a liderar linhas financeiras na Chubb

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Fernando Gonçalves foi promovido a gerente de Linhas Financeiras da Chubb Seguros e será responsável por liderar a equipe de subscrição dos produtos de Linhas Financeiras, como D&O, E&O e Fraudes Corporativas. Advogado, formado pela Unip, com pós-graduação em Direito Tributário, pelo IBET, além de diversos cursos nas áreas de Seguros, Resseguros e Lideranças, o profissional está na Chubb desde 2011, onde ocupava o cargo de coordenador da área, e possui oito anos de experiência em direito empresarial.

Riscos cibernéticos em debate no dia 28 de abril

riscos ciberneticos eventoRiscos cibernéticos é o tema do debate que acontecerá no dia 28 de abril, as 8h30 às 11 horas, durante café da manhã no restaurante Brasil a Gosto. Entre os debatedores, Edgar DÁndrea, sócio da PwC, Luciano Camargo, vice presidente da Senior Solutions, Paulo Pagliusi, CEO da MPSafe, Rodrigo Caserta, vice presidente da Totvs. O moderador do evento sera Mitchel Diniz, reporter da revista Capital Aberto. Inscrições gratuitas: eventos@capitalaberto.com.br

Corretor é peça chave para manter o faturamento do setor, diz diretor da Porto Seguro e membro da FenSeg

0002-2Fonte: CQCS

Como manter o faturamento do seguro automóvel em um momento de crise econômica e de queda nas vendas de carros zero quilômetro? Quem responde a essa equação nada simples é Luiz Pomarole, diretor geral da Porto Seguro e membro da membro da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

“Há uma grande quantidade de veículos que precisa ainda de seguros e estamos buscando esses clientes. Ter a aprovação da Susep para o seguro popular, com preços mais acessíveis, também está na agenda do setor. Porém sabemos que muitos produtos saem da lista de primeira necessidade do consumidor em momentos de crise. Ainda não sentimos isso e temos pesquisas que mostram que os segurados entendem que se perderem o carro ou a casa podem ficar numa situação ainda pior”, argumenta.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista concedida ao portal CQCS:

CQCS – Você citou o seguro popular como uma saída para manter as vendas de seguro de carro, que em 2014 avançaram 9%, para R$ 32 bilhões. Já no primeiro bimestre do ano, o crescimento ficou em 3,9%, para R$ 4,8 bilhões. O seguro popular sai neste ano ?

Pomarole – Em maio entra em vigor a Lei Federal 12.977 que regulamenta a Lei dos Desmanches. Um vez regulamentada, a lei dá à Susep autorização para criar regras e assim permitir que as seguradoras lancem o seguro popular, como mais uma opção de proteção aos proprietários de veículos. Estamos empenhados para lançar o produto e atender a uma grande demanda.

CQCS – Será mais barato mesmo ?

Pomarole – Sim, é um seguro com preço mais acessível por ter peças usadas com garantia e qualidade igual as peças originais. Os peças usadas chegam a custar 70% menos do que as novas.

CQCS – Acha que isso será suficiente para manter o ritmo de crescimento do setor ?

Pomarole – Criar um mercado que não depende de carro novo é um bom aliado neste momento de crise, uma vez que hoje o carro novo é responsável por quase 90% das vendas de seguro automóvel. Os outros 10% são veículos destinados a frotistas e locadoras. Se não vende carro, não vende seguro.

CQCS – Acredita que o mercado segurador cresce neste ano de projeções de recuo do PIB e das vendas de veículos, sem considerar o seguro popular de carro ?

Pomarole – Se ficar igual ao ano passado já estamos contentes. Agora temos outras coberturas para oferecer, como a de terceiros. O corretor é o grande incentivador das vendas novas, levando produtos como o RC para livrar o cliente de demandas judiciais futuras de terceiros prejudicados em um acidente. Também temos a assistência de residência, um serviço com demanda crescente, e que pode ser ofertado aos clientes. Além desses dois produtos que tem grande potencial de vendas, ainda contamos com a criatividade das seguradoras para criar produtos para atingir um número maior de pessoas. Se só 30% da frota tem seguro, isso significa dizer que o mercado tem uma grande margem para criar novos produtos.

CQCS – A venda online pode ajudar ?

Pomarole – É um instrumento de divulgação, mas que depende da ação do corretor de seguros. Nem sempre a cotação fria e resulta na melhor opção. É preciso explicar o que esta por trás do preço. As diferenças, muitas vezes grandes, estão ligadas a diferenças grandes de cobertura. E quem conhece o cliente e as coberturas é o corretor. É ele que pode traduzir a melhor oferta para o cliente. A cotação é informativa e traz mais clareza. Mas é apenas um instrumento que ajuda o segurado a provocar o corretor para ajudá-lo. O trabalho final será feito pelo corretor.

CQCS – E baixar o preço do seguro não ajudaria também ?

Pomarole – A tecnologia tem ajudado muito a minimizar o risco. Um exemplo é o uso de rastreadores. O equipamento é uma das formas de reduzir o preço ao evitar o roubo e ajudar na localização e recuperação do veiculo. Também temos investido muito em cursos, como para os jovens, utilizando uma metodologia avançada para mostrar o limite do carro e do ser humano. Esse método tende a aumentar a consciência e consequentemente reduzir acidentes.

CQCS – Reduzir acidentes também é uma arma poderosa para reduzir custos. E quanto ao uso do celular na direção, há estatísticas?

Pomarole – Não temos estatísticas efetivas sobre o volume de acidentes causados pelo celular. Sabemos que cerca de 80% dos acidentes são causados pela distração das pessoas e não por defeitos ou falhas mecânicas. Os carros são muito seguros hoje e usam tecnologia avançada. A bebida é um dos maiores causadores de acidentes, seguido pela distração. O celular tem tirado o nível de concentração, mas ainda não conseguimos aferir isso.

CQCS – A seguradora pode negar indenização se conseguir provar que o segurado estava usando o celular no momento do acidente ?

Pomarole – Estamos muito longe disso. A preferência das seguradoras tem sido pela linha da conscientização. A pessoa tem seguro para cobrir acidentes. O problema que vemos é a vida. Uma distração com o celular pode tirar vidas e isso vai gerar um grande problema social. Também acreditamos que a tecnologia ajudará a reduzir tais distrações, com equipamentos que ligam e desligam o celular sem que o motorista tire as mãos do volante.

CQCS – A Azul tem apresentado índices elevados de crescimento. Será que a cria vai superar o criador?

Pomarole – Se isso um dia acontecer, tudo bem. O produto da Porto atende a uma classe de pessoas que buscam coberturas mais amplas. Já o da Azul querem apenas proteger o primeiro carro. Em ambos a qualidade, atendimento e forma de pagamento são iguais. O que muda são as coberturas. Um é básico e outro completo. A Azul tem crescido mais pois o Brasil passou por um momento forte de vendas de carros zero quilômetro para a classe média. Muitos deles realizando o sonho do primeiro carro. Depois, quando estiverem num ciclo mais maduro vão para seguros mais completos, como Itaú e Porto. Se a classe média manter o ritmo, é possível que a Azul venha a superar a Porto e não vemos problemas nisso. O que queremos é ofertar produtos sob medida para todo tipo de público.

CQCS – O desemprego tem crescido, assim como endividamento. Essas variáveis já afetaram o faturamento das seguradoras?

Pomarole – O seguro é pago em até quatro vezes e por isso não sentimos ainda qualquer efeito do desemprego. Não observamos ainda atrasos nas parcelas ou desistência nas renovações.. Pode acontecer ? Pode. Não sabemos para onde vai a economia. Sentimos mais no carro zero. Se não vende, não tem seguro. Geralmente as pessoas cortam do orçamento o que não é item de primeira necessidade. Vamos ver o que as famílias vão cortar primeiro. Como o seguro de carro está ligado a proteção, acreditamos que as pessoas vão mantê-lo no orçamento. E o corretor é fundamental na orientação de proteção ao cliente, principalmente aos riscos em momentos de crise.

Qualicorp aposta em co-participação para reter clientes e aumentar base em 2015

Fonte: Reuters – Por Aluísio Alves

Convencer um cliente de plano de saúde a migrar de um modelo totalmente coberto pela mensalidade por outro em que paga parte dos custos com consultas e exames não parece algo promissor, especialmente se a operadora quer aumentar o número de clientes.

Mas é exatamente nisso que está apostando a Qualicorp para não somente reter, como ampliar sua base de clientes, tudo isso num ano em que a economia brasileira se aproxima cada vez mais de uma recessão.

“Vamos tentar mostrar para os clientes que isso é um bom negócio”, disse nesta terça-feira à Reuters o diretor de relações com investidores da companhia, Wilson Olivieri, durante o Brazil Investment Fórum, evento do Bradesco BBI.

Antes, durante apresentação a investidores, Olivieri previu que a companhia terá neste ano um aumento líquido de 90 mil “vidas”, termo como as seguradoras chamam seus clientes.

De acordo com o executivo, a empresa está preparada para um maior número de pedidos de desligamento de planos por parte de clientes individuais, devido ao panorama econômico mais adverso, com aumento dos índices de desemprego.

Segundo Olivieri, a oferta de co-participação será um meio de reter clientes, já que esse tipo de plano tem uma mensalidade menor. Aceitando a migração, os usuários tenderiam a usar serviços como consultas e exames com menos intensidade.

Para a operadora, essa migração teria dois impactos positivos, explicou o executivo. Primeiro, a queda na sinistralidade, que é como as seguradoras chamam as despesas acima de um determinado nível esperado para atender clientes.

A co-participação é um instrumento cada vez mais usado nos planos corporativos como meio de reduzir os gastos das empresas com os planos de saúde dos funcionários. Segundo Olivieri, essa é uma tendência crescente também nos planos individuais nos Estados Unidos e a aposta da Qualicorp é que isso também aconteça aqui.

A expectativa da companhia é que, se isso acontecer, ela também se beneficie da redução das despesas pagas por serviços não prestados por clínicas e hospitais.

A lógica nesse caso é evitar que o mau uso das chamadas pré-autorizações, formulários que os clientes de planos de saúde assinam ao dar entrada num hospital, mas que nem sempre são efetivamente usados.

“Se esses serviços são cobrados, o paciente nem fica sabendo”, explicou Olivieri. “Se ele sabe, lógico que vai reclamar, porque vai pagar parte disso”. “A ideia é ter o beneficiário como parceiro para ajudar a reduzir custos.”

A meta da Qualicorp para 2015 é conseguir reajustar os preços de seus planos em 17 por cento, em média, mesmo nível que aplicou no ano passado.

Com a combinação de aumento de receitas e queda nos custos, a empresa prevê um ganho na margem líquida em relação a 2014.