Garantia de até 10% em obra pública é insuficiente para cobrir riscos

Fonte: Valor Econômico

Na esteira do novo programa de investimentos em infraestrutura do governo federal, o baixo limite de garantias para contratação de obras públicas é ainda uma questão controversa. Pela Lei de Licitações (nº 8.666/93), o órgão público pode requerer da empresa contratada caução que cubra até 5% do valor total do negócio.

Esse teto sobe a 10% em casos de construções grandes e de alta complexidade, como, por exemplo, a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. O montante pode ser apresentado na forma de seguro­garantia, fiança bancária, depósitos em dinheiro ou ainda títulos do Tesouro Nacional.

Mas nos percentuais atuais são considerados insuficientes para cobrir os riscos dos projetos. A elevação desses limites poderia dar mais segurança ao governo, que é o beneficiário, em relação ao cumprimento dos contratos.
Para as seguradoras, significaria mais receitas num primeiro momento, mas, também, um aumento dos riscos no pagamento de indenizações mais vultosas. E, para as empresas contratadas, um custo adicional. Esse percentual atual não é suficiente nem para cobrir as multas por quebra contratual, diz Rogério Vergara, presidente da comissão de riscos de crédito e garantia da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), para quem os recursos deveriam ser suficientes para o governo cobrir a retomada efetiva da obra, incluído todo o processo de contratação de um novo fornecedor.

Nos Estados Unidos, o performance bond ­ tipo de seguro­garantia que assegura a plena execução do contrato ­ cobre 100% do valor das construções acima de US$ 100 mil tocadas no âmbito federal. São as seguradoras que verificam a documentação, os riscos da empresa contratada, fazem o acompanhamento e assumem a indenização pela entrega da obra, explica Renato Kloss, da Siqueira Castro Advogados. Aqui, nosso sistema chama para o poder público toda essa responsabilidade. Na União Europeia, diz, a média de cobertura é de 30%, variando de acordo com cada país.

No Brasil, quando os negócios são fechados entre empresas privadas, o nível de garantias é bem maior. Silvia Vergara, superintendente de infraestrutura da corretora Marsh, afirma que o percentual fica entre 40% e 60%, dependendo das características de cada contrato. E, no ramo imobiliário, não raro chega a 100%. As garantias judiciais, em especial nas demandas tributárias, são de 100% do valor questionado, lembra.

Na avaliação de Kloss, o poder público poderia ganhar ao compartilhar com as seguradoras responsabilidades como o acompanhamento da obra. Os 5% são inócuos e não mitigam risco algum. Paga algum custo da administração pública, mas não coloca a obra em pé. Para Silvia, o ponto principal é o custo que o governo terá ao substituir a parte inadimplente.

E isso varia de acordo com o serviço contratado. Para um fornecedor de equipamentos, exemplifica, o percentual de garantia deveria ser mais alto do que o de uma obra. Se a empresa contratada fabrica o produto e, antes de entregar, entra em processo de falência, esse material vai direto para a massa falida, diz. Diferentemente, na obra pública, ao menos a etapa entregue está no local de propriedade do contratante.

Os limites para as garantias que vigoram atualmente foram estabelecidos no início da década de 90. À época, havia o monopólio do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) e a configuração do mercado segurador brasileiro era outra.
De acordo com Aldo Mattos, engenheiro e consultor na área de gerenciamento de projetos e obras, o temor dos legisladores ao estabelecer os percentuais era dar muito poder às seguradoras ao mesmo tempo em que não queriam onerar as empresas. Em 2013, o próprio governo fez um movimento para tentar elevar de 5% a 30% esse percentual. Já naquele momento avaliava que o limite era insuficiente para garantir seus próprios projetos.

A lei nº 8.666 não foi modificada, mas a lei do Regime Diferenciado de Compras (RDC) entrou em vigor, sem especificar limite para a garantia. Especialistas julgam que as estruturas das obras se tornaram mais complexas e que o mercado de seguros está maduro para assegurar o novo ciclo de investimentos em infraestrutura. Segundo estudo elaborado pela Confederação de Seguros Gerais (CNseg), o mercado segurador brasileiro possui condições econômicas para que os limites de garantia previstos na lei sejam elevados.

E, porque consegue analisar, monitorar e fiscalizar o risco que estará garantido, torna­se fator importante de controle da obra, em benefício de sua conclusão, de seu resultado. A intenção não é ficar buscando indenizações, mas terminar as obras, diz um executivo do mercado segurador. Para ele, principalmente neste momento em que o governo brasileiro quer atrair investimento estrangeiro para seus projetos de rodovias, portos, ferrovias e aeroportos, é preciso repensar o percentual de limite para as garantias.

Por outro lado, André Rodrigues Corrêa, que ministra a disciplina de contratos na FGV Direito, chama a atenção para a necessidade do aumento do controle do cumprimento efetivo das apólices, tendo em vista a elevação de custos que essa revisão dos limites poderia impor. A opinião é compartilhada pelo advogado Ernesto Tzirulnik e presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro (IBDS), para quem a preocupação, além da magnitude dos limites, tem de se voltar para o conteúdo. Era comum ouvir executivos de grandes seguradoras dizer que o seguro­garantia não era para indenizar, apenas para viabilizar os negócios entre o contratado e o dono da obra, conta, ressaltando que esse ótica vem mudando.

Tzirulnik diz acreditar que os legisladores deveriam criar um modelo de texto para que as apólices melhorassem a eficácia do seguro­garantia. Ele afirma que, com os reflexos dos eventos sobre a corrupção na Petrobras, o grau de exigência pelo cumprimento das indenizações se elevou tanto pelo setor público como privado. As empresas passaram a rever e exigir mais das apólices de seguro­garantia. Faz essa afirmação com base na evolução do número de conflitos entre segurados e seguradoras tocados por seu escritório: entre 1984 e 2014 foram oito casos e, no último um ano e meio, 30. Pouco se aciona o seguro­garantia no Brasil. Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram que, em 2014, apenas 5% do segurogarantia para contratos de obras públicas foi ativado e 23% no setor privado. Tzirulnik estima que daqui para frente o percentual de sinistros deve subir. Creio que as seguradoras devem aumentar suas provisões, reduzir as comissões, ter mais rigor do ponto de vista atuarial e de políticas comerciais, recomenda.

SindSeg BA/SE/TO realiza campanha educativa durante as festas juninas

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Todos os anos, os tradicionais festejos juninos movimentam a Bahia colocando as cidades do interior entre os principais destinos do período. Com o aumento do número de baianos viajando, a segurança nas estradas necessita de um alerta ainda maior. As festas da temporada são marcadas pela elevação dos acidentes de trânsito, em sua maioria, causados pela combinação de velocidade e uso de bebidas alcoólicas.

Atento a este momento, o Sindicato das Seguradoras da Bahia, Sergipe e Tocantins (SindSeg BA/SE/TO), realiza em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF-BA) mais uma etapa da campanha educativa, com abordagem voltada para os condutores e passageiros que vão sair da capital nos próximos dias.

Foram instalados 12 outbus nas traseiras de ônibus com circulação nas principais vias de Salvador, além de 10 outdoors situados nas rotas de maior fluxo do estado: Feira de Santana, Eunápolis, Serrinha, Simões Filho, Amélia Rodrigues, Candeias e Vitória da Conquista.

“Em mais uma ação com a PRF, o SindSeg reforça seu papel na construção de um trânsito mais seguro. É nosso dever contribuir para que o São João da Bahia seja lembrado também como uma festa de paz nas estradas”, pontua o presidente do SindSeg BA/SE/TO, João Giuseppe Esmeraldo.

Na Bahia, o período junino é considerado o principal evento de interiorização do turismo. Entre os dias 19 e 25 de junho, estima-se que 500 mil pessoas deixem a capital para aproveitar os festejos. Segundo a PRF, está previsto também um aumento de mais de 50% no fluxo de veículos, entre saídas e retornos.

O uso de tecnologia é intenso e o ​​desafio é acompanhar a comunicação da ​​sociedade​, diz Velasques

ciab 2015A tecnologia favorece o desenvolvimento do mercado segurador e, ao mesmo tempo, impõe uma série de desafios. “O setor de seguros se inspira muito nas conquistas do mercado financeiro, setor líder em inovação e segurança de dados, o que é fundamental para a atividade que tem como objetivo justamente prevenir ​​riscos”​, pontua o diretor do Grupo Bradesco Seguros, Eugênio Velasques, no painel “Desafios da Distribuição de Seguros”, que compôs a Trilha de Seguros criada pela CNseg para o CIAB Febraban 2015.

O objetivo foi discutir os desafios do mercado segurador na distribuição do seguro e as plataformas futuras que farão com que o setor de seguros chegue a todos os cantos do país. No setor de seguros, segundo o executivo, como toda operação que envolve valores, o uso de tecnologia é intenso e o grande ​​desafio é acompanhar esse desenvolvimento das plataformas de comunicação da ​​sociedade​,​ sem colocar em risco a atividade e seus produtos. O uso de sistemas móveis é crescente em todo o mundo, com ​diversos​​​ setores voltados para essa realidade.

A quebra de fronteiras, por meio dos avanços tecnológicos, é outro fator a ser analisado, pois a concorrência num mercado globalizado impõe esse choque tecnológico. Nesse campo, é inegável a liderança das instituições financeiras brasileiras que, ​mesmo ​convivendo durante longo período com toda sorte de turbulências e cálculos de correção inflacionária, ​conseguiram se ​​adequar​, tornando-se referência ​em segurança d​e​ dados. O mercado segurador, portanto, diz Eugênio Velasques, inspirado pelos bancos, é parte dessa vitalidade com que o tema sempre foi tratado e ​tem como premissa de suas ações ​a busca constante por segurança.​

Seguros de linhas financeiras avançam no Brasil

Fonte: CNseg

fenseg linhas financeiras 2Os seguros de linhas financeiras seguem uma trajetória de sucesso no Brasil. Um dos termômetros para medir o crescimento do segmento é o III Encontro Internacional de Linhas Financeiras, que acontece nesta quinta-feira (18), em São Paulo, promovido pela Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), com o apoio da Escola Nacional de Seguros e da Associação Brasileira de Gerenciamento de Risco (ABGR).

“Na primeira edição, tivemos 120 inscritos. Na segunda, 180. E agora, 250”, comemora o diretor executivo da FenSeg, Neival Freitas, durante a abertura do seminário, que conta com a presença de escritórios de advocacia e corretores de seguros especializados na matéria, além de técnicos em áreas de gerenciamento de riscos.

O crescimento do Directors & Officers (D&O) avança 49% até abril, e o seguro de Erros & Omissões (E&O) 21%. “O D&O ainda é pouco conhecido pela sociedade brasileira. É por isso que estamos aqui reunidos. Para uma melhor divulgação de um produto que tem muito para contribuir com empresas e executivos. O objetivo deste encontro é explicar como funciona e discutir o que pode ser feito para aprimorar o desenvolvimento deste mercado. Para tanto, contamos com a presença de escritórios de advocacia e corretores de seguros especializados na matéria, além de técnicos em áreas de gerenciamento de riscos”, disse.

Freitas aproveitou a abertura do encontro para fazer um balanço positivo do mercado, apesar da crise que a economia brasileira enfrenta. De acordo com dados da Susep compilados pela FenSeg, a apólice de Risco Ambiental, apesar de ter uma base pequena ainda no Brasil, apresentou crescimento de 167% entre janeiro a abril de 2015, comparado com o mesmo período do ano anterior.

O seguro Garantia também avança, em quase 40% até abril, apesar da paralisação das obras públicas, motivada pela recente Lei nº 13.043, de novembro do ano passado, que tratou de incluir o seguro Garantia Judicial no rol das modalidades previstas na Lei de Execuções Fiscais, destaca Freitas.

Também o seguro Habitacional está entre os nichos com alta de dois dígitos, com crescimento de 20% nos quatro primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. “Apenas seguro Automóvel sofreu um impacto maior com a crise da indústria automobilística, mas, mesmo assim, apresenta crescimento de 6%. O que mostra que, apesar da crise, a indústria de seguros se comporta bem”, disse Freitas à plateia.

Estrangeiros mostram que os desafios no D&O é mundial

fenseg linhas financeira 1A palestra “Riscos Emergentes e Ciclos de Mercado” trouxe a mensagem de que o mercado de Directors and Officers Liability Insurance (D&O), ou Responsabilidade Civil do executivo, opera em ciclos em todo o mundo. Ora com taxas em baixa diante da grande competição. Ora com taxas salgadas para compensar perdas com indenizações e saída de players do segmento.

No Brasil, o produto deixa o ciclo de competição para viver condições mais duras de negociações, o que tem gerado grande desconforto na relação entre clientes, corretores e seguradoras. “As condições estão mais difíceis em todo o mundo para alguns segmentos. Não para todos”, frisou o mediador do painel, Celso Soares, da Zurich Seguros.

À medida que as seguradoras têm uma percepção de risco maior diante do cenário brasileiro de investigações de corrupção, queda do PIB, redução de negócios e também com a Lei Anticorrupção, é natural que se passe a analisar de forma mais aprofundada as condições de contratados solicitadas pelos clientes e trazidas pelos corretores, afirmam os participantes do painel.

O crescimento no volume de prêmios, que chega a quase 50% nos quatro primeiros meses do ano, vem do aumento do preço do seguro e da maior percepção de riscos pelos clientes, que pedem aumento das importâncias seguradas. A grande mensagem deixada pelos debatedores é que os subscritores têm de mudar para se adaptar neste momento de negociações mais cautelosas. “As grandes seguradoras querem se manter no negócio, esteja o mercado em um momento “soft” ou “hard”. No Brasil, os preços de D&O vinham caindo todo ano. E agora a dinâmica mudou. Mas mesmo essa mudança não dura para sempre”, frisou Marcus Smithson, da Generali.

Segundo o subscritor Kevin Lacroix, especialista no tema Linhas Financeiras, o caso da Petrobras, investigada por corrupção, é grave, mas o mercado internacional percebe que não há indicação de falta de disciplina dos subscritores de risco das 12 seguradoras que atuam no segmento no Brasil. E também não há pânico. É apenas uma mudança na dinâmica de oferta, e os resseguradores e seguradoras analisam onde podem ter sinistros. “O Brasil não é o único nesta situação. Em nível global, no segmento de Linhas Financeiras, as condições de negociação do seguro seguem a situação da economia. Não vou tentar prever o futuro, mas há um potencial de que em médio prazo tudo se acomoda”, afirmou.

fenseg linhas financeiras E&OO Brasil vem avançando na demanda de seguros conhecidos como Erros & Omissões (E&O). Embora seja relativamente novo no Brasil, o produto tem expansão crescente em mercados variados, com destaque para Engenharia e Arquitetura, e menos acelerada em outros setores. Em razão da procura, esses dois segmentos são os que mais têm chamado a atenção dos seguradores e corretores de seguros.

Esse tipo de apólice tem sido um diferencial de atendimento exclusivo ao cliente, bem como garantia de reparação por eventuais falhas. “É necessário que as seguradoras e corretores estejam preparados para o atendimento da demanda, visto que é um tema em constante evolução”, ressalta o palestrante Luiz Antonio Oliveira, superintendente de Riscos Especiais – Financial Lines – E&O & Responsabilidade Ambiental da LIU, Divisão de Riscos Especiais da Liberty Seguros.

A sobreposição entre alguns seguros, como RC Profissional, Riscos de Engenharia e RC Obras, foi o que mais demandou perguntas da plateia durante o painel “Soluções para Riscos Profissionais em Projetos Específicos”. Ter apólices claras e com responsabilidades bem determinadas para evitar discussões sobre de quem é a responsabilidade de pagar ou regular o sinistro. Isso evita o desgaste com o cliente, que fez o seguro para não ter problemas em um momento de crise.

A sobreposição, geralmente, está no RC Profissional com o Risco de Engenharia, no qual é preciso determinar o dever de quem supervisiona a obra; no RC Profissional com RC Obras, no qual a responsabilidade está no gerenciamento de projeto e o dever de supervisionar a obras versus o erro de projeto. Já o dano material ao proprietário da obra versus propriedade circunvizinha é a sobreposição do Risco de Engenharia e RC Obras.

Geralmente, as apólices são compradas para um projeto específico, com período determinado de conclusão, o que torna o risco da seguradora determinado ao prazo de conclusão do empreendimento. Flávio Sá, da AIG, explicou os três seguros, destacando que o RC Profissional tem o conceito de cobrir erros do cunho intelectual, ou seja, Projeto de Engenharia. Já o Risco de Engenharia tem o objetivo de cobrir danos físicos à obra. Já o RC Obras tem garantias até o final do projeto ou até o fim do período de teste, com indenizações previstas com base em reclamação de terceiros, decorrentes de acidentes, que se encerram com o fim das obras.

Outra dúvida é quanto ao risco das incorporadoras, que assumem o risco desde a compra do terreno até a venda para o consumidor final. Segundo o executivo da LIU, há forte demanda, inclusive para cobrir a intermediação das vendas, mas ainda está em discussão no Brasil ofertar um produto com tamanha complexidade. “Identificar as responsabilidades de cada integrante da cadeia de um projeto, pois a incorporadora tem uma responsabilidade enorme, é um desafio para todo o setor”, acrescentou Rodrigo Cardona, da Zurich.

fenseg linhas financeiras ultimaA Lei Anticorrupção foi tratada no último painel do III Encontro Internacional de Linhas Financeiras. O painel começou com uma palestra do advogado Salim Jorge Saud Neto, do escritório Mayer Brown. Ele fez uma introdução sobre as leis mundiais sobre punição de condutas ilícitas, uma vez que a corrupção é algo generalizado em todo o planeta, afirmou. Com exceção dos EUA, Canadá, Austrália e Japão, o restante do mundo tem índice de corrupção relevante, de acordo com pesquisas sobre a percepção de executivos. A nota do Brasil, no ano passado, (antes de estourar o caso Lava Jato) foi 43ª, melhor do que boa parte dos nossos vizinhos da América Latina, mas está na 69ª colocação no ranking de 175 países.

Com a pressão internacional, vários países assinaram convenções, inclusive o Brasil. Em 2013, o país conviveu com o julgamento do Mensalão e manifestações populares, o que acabou por pressionar a assinatura da Lei 12.846, que é muito mais ampla do que temos no mundo, e que foi editada às pressas. Conhecida como Lei Anticorrupção, o regulamento estabelece sanções a dolo contra a administração pública.

Isso mudou a vida dos gestores. São considerados atos lesivos prometer, oferecer ou dar direta ou indiretamente vantagem a agente público, bem como financiar, custear ou patrocinar atos ilícitos. Também contratar alguém para violar a lei é um ato lesivo, manipular contratos e dificultar atividade de investigação de entidades ou agentes públicos. As multas vão de 0,1% a 20% do faturamento bruto da empresa. Se não conseguir mensurar o faturamento, a penalidade vai de R$ 6 mil a R$ 60 milhões.

E onde entra o D&O? Os dirigentes contam com mais uma Lei para serem responsabilizados por acusações de má gestão. Uma forma de evitar problemas com a lei é ter programas de compliance, como comprometimento da alta direção, padrões de conduta, código de ética, políticas e procedimentos de integridade. Além disso, precisa ter registros contábeis, canais de denúncias de irregularidades entre outros. “E também transparência na doação de campanhas de partidos políticos”, acrescentou Saud Neto.

As seguradoras passaram a se preocupar mais com o tema corrupção, tanto pelo que a mídia traz sobre corrupção, como também pela Lei Anticorrupção. “A lei trouxe um risco legal para as empresas, mas um efeito positivo grande, pois funciona como um incentivo e um guia de medidas que as empresas têm de adotar para evitar as situações de fraude”, comentou Gustavo Galrão, da Argo Seguros.
A Lei começou a valer em 2014. A dúvida é o que acontece, pois as denúncias que estão sendo reveladas agora pela mídia aconteceram antes da promulgação da lei. “Primeiro conselho é que o administrador que sentar na cadeira de um gestor afastado por corrupção é ter um D&O”, recomendou Giovanni Paolo Falcetta, da AIDAR SBZ.

A confissão, em termos de seguro, está excluída do D&O. Já no acordo de leniência, há dúvidas se está excluído da cobertura do seguro. Em relação à delação premiada, o individuo está confirmando a sua participação no crime e, por isso, é tido como praxe nas seguradoras que está excluído. No entanto, a discussão está latente no setor.

Falcetta explica que há dúvidas no meio jurídico, apesar de estar claro que o acordo de leniência é voltado para pessoa jurídica e a delação para pessoa física. E ainda tem o terceiro, alguém contratado pela empresa para cometer o ato ilícito. Poucas seguradoras analisavam, no passado, se as empresas tinham contratos com governo. Agora, com a lei, essa é uma grande preocupação. “Acho que faz sentido olhar para isso. Colocar exclusão é uma medida simplória, mas é um tema que precisa ser debatido”, diz Galrão, que também preside a comissão de Linhas Financeiras da FenSeg.

A opinião dos participantes do painel é que a lei veio para terceirizar a obrigação de monitorar a atuação no mercado. Trata-se de um tema ainda complexo e que exige muito estudo e discussões dos executivos que atuam com os seguros de Linhas Financeiras.

Grupo BB e Mapfre leva vending machine para o CIAB

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O Grupo BB e Mapfre, por meio da marca BB Seguros, apresentou ao público presente no CIAB 2015 um projeto recente de inovação e popularização de seguros no Brasil. Uma vending machine foi instalada no lounge de 70 metros quadrados da marca, possibilitando aos participantes vivenciar a experiência de compra de um seguro no formato gift card.

É um novo modelo de negócios muito mais próximo do consumidor e com uma abordagem diferente de qualquer outro canal de vendas já existente, afirma Gilberto Lourenço da Aparecida, diretor geral de Administração, Finanças e Marketing do Grupo.

O objetivo do projeto é atingir a parcela da população que ainda não possui nenhum seguro. Segundo uma pesquisa encomendada pela companhia ao Datafolha, 95% das pessoas não têm seguro de suas residências, 88% não têm seguro de vida e mesmo o de carros, um dos mais difundidos, ainda possui 58% dos automóveis sem cobertura do serviço.

Atualmente, os seguros no país ainda são elitizados, com maior posse nas classes A e B, que é bancarizada e adquire seguros por meio de corretores e nos bancos onde possuem conta. O BB e Mapfre tem trabalhado para ampliar esses canais de distribuição, sempre com o objetivo de fomentar o segmento e explicar, de maneira simples, como os seguros funcionam e sua importância, explica o executivo.

Reservas da Capitalização crescem 10,2%

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A FenaCap (Federação de Nacional de Capitalização) divulgou os dados do segmento nos quatro primeiros meses de 2015. No período, as reservas técnicas – que garantem a devolução dos recursos economizados pelos clientes – cresceram 10,2% em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo o montante de R$ 30,386 bilhões.

“Esse contínuo crescimento das reservas demonstra que os consumidores têm mais segurança em relação ao produto e às garantias de resgate do valor do título de capitalização e de recebimento dos prêmios dos sorteios”, analisa Marco Antônio Barros, presidente da FenaCap, dizendo, ainda, que esse desempenho indica que os clientes têm permanecido por mais tempo nos planos.

As 17 empresas que integram a Federação distribuíram, somente nos quatro primeiros meses do ano, mais de R$ 304 milhões em prêmios à clientes de todo o país. O valor corresponde a distribuição de R$ 3,669 milhões em prêmios por dia útil. São Paulo lidera o ranking, com o maior volume de prêmios pagos, num total de R$ 96 milhões, seguido do Rio Grande do Sul, com R$ 47 milhões, e Santa Catarina, que distribuiu R$ 26 milhões.

“A chance de ser sorteado e ganhar um grande prêmio é um forte atrativo para que os consumidores mantenham seus títulos ativos. A possibilidade de mudar de vida e realizar um sonho repentinamente é um bom motivo para continuar economizando uma pequena parte do orçamento”, diz Marco Antônio Barros.

No período, as empresas de capitalização devolveram aos clientes, sob a forma de resgates, R$ 5,220 bilhões. Tal valor representa evolução de 9,31% em relação ao totalizado no mesmo período de 2014. O faturamento do setor entre janeiro a abril foi de R$ 6,564 bilhões.

Paulo Alves passa a ser o Head of Commercial Lines GI Brasil

Paulo Alves Head of Commercial Lines ZurichA Zurich, seguradora global que atua em mais de 170 países, tem 143 anos de existência e está há 32 anos no Brasil, comunica que Paulo Alves passa a ser o Head of Commercial Lines GI Brasil, acumulando a função à frente da área de Marine. A mudança, vigente desde março, segue orientações presentes no planejamento do Grupo Zurich para acompanhar as necessidades do mercado nacional. “Paulo Alves e sua equipe poderão dirigir mais foco em soluções de qualidade para clientes, com total apoio das lideranças locais e regionais”, afirma David Colmenares, CEO para Seguros Gerais da Zurich Brasil.

“Em função das características do médio mercado, com faturamento anual entre US$ 10 milhões e US$ 100 milhões, o principal objetivo é consolidar a estratégia de aumentar a densidade de produtos em um mesmo segurado e oferecer soluções de cotações e emissão de apólices em ferramentas de baixa complexidade”, afirma o diretor Paulo Alves. “Além de, naturalmente, permanecermos observando os riscos emergentes para auxiliar o cliente a se precaver deles, por intermédio do corretor, que é nosso principal canal de distribuição”, destaca o Head de Commercial Lines da Zurich.

Bradesco Seguros realiza o 2o. Insurance Day para cerca de 150 investidores

bradesco insuranceO banco de investimentos do Bradesco realiza nesta manhã de quinta-feira o 2o. Insurance Day voltado para investidores nacionais e internacionais. São cerca de 150 executivos presentes no evento, que acontece no Hotel Renaissance, em São Paulo, onde está toda a cúpula do grupo segurador. Questionados se vão partir para a estratégia de concorrentes, como vender a área de seguros gerais, como fez Itaú e SulAmérica, que negociaram a carteira de grandes riscos, executivos desconversaram, afirmando que ontem mesmo o presidente do banco, Luiz Carlos Trabucco, afirmou que o Bradesco é comprador e não vendedor.

Ele se referiu a notícia de que o Bradesco vai fazer uma oferta vinculante para comprar o HSBC Brasil em julho, conforme o cronograma divulgado pelo banco. “Fizemos uma oferta não vinculante e estamos analisando. Não temos nenhuma ideia formada nem preconcebida. A segunda oferta só será feita no mês de julho pelo calendário estabelecido pelo vendedor”, disse ele, ao visitar o CIAB 2015. Além do Bradesco, passaram para a segunda fase de disputa pelo HSBC, conforme fontes, o Santander Brasil e o Itaú Unibanco, informam os jornais desta quinta-feira.

Dados do grupo informam que a Bradesco Seguros, líder do setor de seguros no Brasil e patrocinador oficial dos Jogos Rio 2016, tem atuação multilinha em âmbito nacional. De janeiro a março de 2015, seu faturamento atingiu R$ 13,5 bilhões nos segmentos de seguros, capitalização e previdência complementar aberta. Tal valor representou evolução de 19,4% em relação ao totalizado no mesmo período de 2014. Esse faturamento mantém o Grupo Segurador na liderança do mercado nacional de prêmios de seguros, rendas de contribuição e receitas de capitalização.

Seguradoras têm importante papel na mitigação dos danos ao planeta, diz o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon

ONU BanFontes: Com agências internacionais

Impactos das alterações climáticas estão avançando, como visto no aumento da freqüência e intensidade dos desastres relacionados ao clima. Nem todos são igualmente afetados, com a população carente sofrendo em um grau de intensidade muito maior. Para mudar esse cenário é prioritário o apoio do setor público e privado, e é aí que a indústria de seguros – bem colocado como líder em gestão de riscos e investimentos sensíveis ao risco – pode intervir, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon em seu discurso para Fórum Global de Seguros delegados ontem, no encerramento da 51a. Convenção do International Insurance Society (IIS), evento que aconteceu de 14 a 17 de junho em Nova York.

“A indústria de seguros pode desempenhar um papel importante, especialmente para ajudar a aliviar a carga financeira associada com catástrofes, e para proteger os mais vulneráveis. Como uma importante fonte de investimento, com boa aplicada no longo prazo, o setor pode e deve desempenhar um papel importante na formação de um futuro mais sustentável”, informam as agências internacionais.

Elogiando a indústria para responder ao desafio durante a Cúpula do Clima do ano passado, quando anunciou um compromisso de duplicar o seu investimento até o final de 2015, o secretário da ONU pediu aos intervenientes no mercado para “assegurar que os compromissos assumidos no encontro sejam implementadas”.

“Gostaria de estimulá-los a pensar mais estrategicamente sobre como os riscos climáticos podem ser reduzidos e assim ajustar seus investimentos. Eu também quero incentivá-los a trabalhar com os governos, especialmente nos países em desenvolvimento, para ajudar a trazer estas mudanças.”

Ban lembrou recente promessa da AXA para descarbonizar seus ativos: “A indústria de seguros pode ser um ator central na construção de uma economia mais resiliente. Vocês podem induzir as empresas a aumentarem os investimentos em infra-estrutura de forma mais eficaz, com baixa emissão de carbono, bem com criar instrumentos financeiros inovadores, que farão com que os mercados funcionem para um clima mais seguro ”

Ban também falou sobre uma lição chave da Cúpula do Clima: a importância de mudar as expectativas dos investidores. “Não sei se os países estão totalmente conscientes sobre os efeitos da não redução do efeito estufa nos negócios e de todos os riscos que a mudança climática impõe sobre os ativos financeiros. A indústria de seguros pode ajudar a aprofundar essa consciência”.

Também ontem, o papa Francisco cobrou nesta quinta-feira uma ação rápida para salvar o planeta da ruína ambiental, fazendo um apelo aos líderes mundiais para ouvirem “o grito da terra e o grito dos pobres” e colocando a Igreja Católica no meio das controvérsias políticas sobre as mudanças climáticas.

Lei de Contrato de Seguro avançará se o mercado de seguros apoiar

ernestoPor Márcia Alves

Onze anos depois da apresentação na Câmara dos Deputados do primeiro Projeto de Lei de Contrato de Seguro (PL 3.555/04), pelo então deputado José Eduardo Cardozo, atual ministro da Justiça, o texto original passou por diversas transformações. Hoje, a proposta tramita na Câmara e no Senado Federal e está na “reta final”, segundo Ernesto Tzirulnik, presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro (IBDS) e um dos idealizadores da lei.

“Minha expectativa é que o mercado segurador, representado pela CNseg, encontre um ponto de comunhão com os demais centros de interesse que promovem o projeto e que possamos ter uma boa Lei de Contrato de Seguro”, disse Tzirulnik durante sua participação em Palestra do Meio-Dia da APTS. O evento foi realizado nesta quarta-feira, 17 de junho, com a apresentação do tema “Lei de contrato de seguro: nenhum passo atrás”. Em sua palestra, ele explicou que a expressão “nenhum passo atrás” representa “a ideia de que a busca pela construção da primeira Lei de Contrato de Seguro brasileira continua sempre adiante, sem cessar”.

Tzirulnik explicou por que o país precisa de uma Lei de Contrato de Seguro, elencando uma longa lista de nove motivos. Primeiramente, para suprir a tutela estatal do IRB, que deteve o monopólio do resseguro por mais de 70 anos. Para os que apontam a lei como destinada aos grandes riscos, ele responde que este segmento também é importante. “Num país como o nosso, tem de haver algum regime de proteção para que não fique ao sabor da vontade. Porque a vontade ainda é de quem dispõe, no caso, o segurador”, disse.

Outro motivo é a unidade semântica na linguagem securitária, que difere, por exemplo, da utilizada em processo civil. Também é justificativa para a lei a definição clara e homogênea dos atores e institutos que integram as relações de seguro. Tzirulnik exemplificou com a definição de corretor de seguros, a qual considera falha. “A definição diz que o corretor é habilitado. Mas, faltou o conteúdo da atividade, o que o corretor faz”, disse. Em relação ao agente, ele lembrou que trata-se de figura regulada no Código Civil, mas que no mercado persiste o uso como sinônimo de corretor. “Mas não precisa ser assim; são diferentes”, disse.

Questões polêmicas

Por mais de duas horas, Tzirulnik debateu diversas questões polêmicas da Lei de Contrato de Seguro e, mesmo assim, ainda faltou tempo para tratar de todas. Em relação ao suicídio, por exemplo, ele esclareceu por que o texto da lei diverge do Código Civil e também da recente decisão do STJ, que entendeu não ser devida a indenização se o suicídio ocorrer nos dois primeiros anos de contrato. Segundo ele, essa decisão leva ao entendimento de que “a partir de agora suicídio premeditado ou não está dentro da carência de dois anos. Mas passados dois anos, não importa, todos estarão cobertos”.

O Advogado exemplificou com a situação de alguém que salta de um prédio em chamas. “A questão é que não se foge apenas do fogo, mas de outras ameaças. Além disso, a depressão também pode levar ao suicídio, sem que seja premeditado”, disse. A Lei de Contrato de Seguro resolve a questão, a seu ver, ao definir que “o suicídio cometido em virtude da ameaça à vida ou à integridade física do segurado ou de terceiro não está compreendido no prazo de carência”. Algo semelhante, segundo Tzirulnik, ao que estabelece a Lei de Seguros alemã, que fixa três anos de carência, mas ressalva que “a regra não se aplica se o ato for cometido enquanto a pessoa está em estado de mórbida perturbação mental que a impede de livremente determinar sua vontade”.

Tramitação

Segundo Tzirulnik, no Congresso Nacional a lei já recebeu diversas manifestações de deputados e senadores bastante relevantes e positivas, que reconhecem a urgência da Lei de Contrato de Seguro brasileira. “Acredito que os trabalhos tenham continuidade mais célere, tanto na Câmara como no Senado, e se houver o encontro de uma comunhão dentro dos setores interessados, essa Lei de Seguros será aprovada com muita rapidez, disse.