Ações do Magazine Luiza disparam com rumor de renovação de acordo com seguradora

Fonte: InfoMoney

Silenciosamente, as ações da Magazine Luiza (MGLU3), que renovaram a mínima histórica na última sexta-feira, dispararam 21% nos últimos dois pregões, pegando muitos vendidos de calças curtas. O papel era um dos mais demandados nas mesas de aluguel das corretoras, com 14,4% das ações em circulação no mercado emprestadas no fechamento de ontem.

O motivo da alta são rumores sobre renovação de acordo com a Cardif para exploração de garantia estendida e seguros massificados na empresa, que venceria em dezembro deste ano. A operação poderia adicionar de R$ 300 milhões a R$ 400 milhões no caixa da varejista, estima o analista Luiz Cesta, da Votorantim Corretora, em relatório divulgado na segunda-feira a clientes. Ele acredita que o acordo deve sair antes do final do ano.

Às 11h38 (horário de Brasília), as ações da Magazine Luiza disparavam 6,91% na Bolsa, a R$ 2,94. O desempenho ocorre depois de uma queda de 56% dos papéis de 6 de maio até a última sexta-feira, 17.

Segundo Cesta, o acordo representaria uma injeção de caixa (considerando os R$ 300 milhões) de 69% do valor de mercado da companhia. Ele já estimava na segunda-feira uma substancial volatilidade nas ações da companhia devido ao elevado interesse short no papel. Atualmente, 7,6 milhões de ações estão alugadas, segundo fechamento de ontem.

Ontem, analistas do Deutsche Bank falaram com o CFO da varejista. Em relatório de segunda-feira, eles também escreveram sobre uma potencial renovação do contrato com a Cardif, que na opinião deles, poderia gerar de R$ 120 milhões a R$ 200 milhões de caixa nos próximos meses e deve ocorrer no segundo semestre deste ano. Eles, no entanto, não deixam claro se essa disparada recente tem relação com essa possibilidade de renovação do acordo, apontando que a recuperação veio depois de uma forte queda na Bolsa. No ano, os papéis da companhia acumulam desvalorização de 65%.

Registro de corretoras de seguros cresceu 93% até maio

Fonte: Fenacor

Está em rápida evolução o número de empresas corretoras de seguros abertas desde a sanção da Lei Complementar 147/14, que permite a adesão ao sistema simplificado de pagamento de impostos (SuperSimples) de 140 atividades econômicas. De janeiro a maio deste ano, por exemplo, pouco mais de duas mil empresas corretoras de seguros obtiveram registro para funcionar, na Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Em comparação aos cinco primeiros meses de 2014, houve um significativo avanço de 93%. Esse crescimento já era esperado pela diretoria da FENACOR. O presidente da entidade, Armando Vergilio, por exemplo, costuma lembrar, em conversar com a imprensa ou eventos do mercado, que a Lei 157/14 permite a até 96% das mais de 25 mil corretoras de seguros em atividade no País optar pela adesão ao SuperSimples, investindo os recursos economizados com a redução da carga tributária na evolução dos seus negócios e no aperfeiçoamento do atendimento ao segurado. “A história da nossa categoria passa a ser dividida entre antes” e depois do SuperSimples”, enfatiza Vergilio, nessas ocasiões.

Ele também cita com frequência levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o qual sinaliza que as corretoras deixarão de pagar até R$ 1,4 bilhão de impostos a cada ano com a adesão ao SuperSimples.

Avanços pós Lei do Desmanche

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A Lei Estadual do Desmanche completa um ano em São Paulo com motivos para comemorar. Mais de 600 desmanches ilegais foram fechados desde o início da operação, em julho de 2014. Além disso, o índice de roubo e furto de veículos no Estado caiu cerca de 30%, segundo o Detran.

De acordo com Arthur Rufino, presidente da Adera – Associação Brasileira de Desmontagem e Reciclagem Automotiva, a regulamentação vai beneficiar o setor de desmonte, que já atrai olhares de grandes companhias internacionais do segmento, interessadas em investir no potencial mercado brasileiro, bem como impactar outras atividades como de autopeças e seguro de automóvel.

“A legalização dos desmontes promoverá uma queda no preço do seguro auto, consequentemente impulsionando a entrada de novos clientes ao setor. Isso se deve a dois fatores: redução do índice de roubo e furto de veículos e o surgimento de uma nova demanda: o uso de peças recicladas, proibido até então. Hoje, na hora de pagar pelo reparo de um veículo as seguradoras só podem utilizar peças novas fornecidas pelas montadoras que custam entre 30% e 50% à mais”, explica Rufino.

Sobre a ADERA

A Adera representa o segmento de desmontagem e reciclagem automotiva junto aos diversos players da cadeia automotiva, tendo como foco o desenvolvimento tecnológico das empresas de desmontagem em âmbito nacional, enfatizando temas políticos, econômicos, sociais e ambientais.

A entidade age em benefício deste mercado criando novos serviços e servindo de canal onde circulam informações que viabilizam uma intensa participação das empresas interessadas em todo o ciclo de vida de um veículo, desde seu projeto até a destinação correta dos resíduos. O incentivo à troca de ideias, a identificação de problemas, o debate permanente e a crítica construtiva, fazem parte do perfil da associação, além de atuar como um importante polo de difusão da cultura da desmontagem e reciclagem automotiva por meio de eventos, feiras, cursos, pesquisas e seminários. O objetivo da ADERA é o de incentivar o crescimento estruturado do Setor de Desmontagem e Reciclagem de Veículos, gerando oportunidades e benefícios sociais, econômicos e ambientais para o Brasil. Informações: www.adera.org.br

Caminhão desvia da rota, seguradora detecta e carga é recuperada em MG

Fonte: G1.com.br

Um caminhão carregado de medicamentos roubado na BR-251, no Norte de Minas Gerais, nesta quarta-feira (22), foi encontrado perto do município de Curral de Dentro, depois que a seguradora detectou um desvio na rota que o veículo seguiria e acionou a polícia. A carga está avaliada em R$ 1,5 milhão.

O motorista foi encontrado no caminhão e contou para a polícia que foi abordado por cerca de oito homens armados. Ele afirmou também que depois de ser rendido pelos assaltantes estava sendo acompanhado por outro caminhão, para o qual os criminosos pretendiam fazer o transbordo da carga.

Segundo a polícia, ao perceber a chegada das viaturas, os assaltantes conseguiram fugir. Eles ainda estão sendo procurados.

Por R$ 5,90 ao mês, a bolsa fica protegida

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Cada vez mais independentes e com poder de decisão, as mulheres representam uma fatia importante no mercado de seguros. De acordo com Antonio Pastore, diretor comercial de Varejo da BNP Paribas Cardif do Brasil, subsidiária da BNP Paribas Cardif, braço de seguros do BNP Paribas, aproximadamente 52% dos segurados da companhia são do sexo feminino.

Segundo o executivo, as seguradoras estão atentas a esse movimento e, por isso, desenvolvem diversos produtos com diferenciais pensados exclusivamente para elas. “As mulheres conquistaram seu espaço, e é natural que as empresas ofereçam proteções que atendam às suas necessidades.”

Um desses seguros é o Bolsa Protegida. Com a rotina feminina cada vez mais atribulada e dividida entre casa, filhos e trabalho, as bolsas são praticamente uma extensão do corpo. Além de comporem o figurino, são úteis para quem passa o dia na correria, pois permitem que uma série infindável de itens seja carregada para cima e para baixo.

Consequentemente, o prejuízo no caso de roubo ou furto é cada vez mais alto. Mas o seguro recompensa ou, pelo menos, ameniza a perda. “O Bolsa Protegida assegura a indenização em caso de roubo ou furto qualificado, ajudando a solucionar, em curto prazo, os transtornos sofridos pela cliente”, explica Pastore.

As mensalidades custam a partir de R$ 5,90, em média, e, além da própria bolsa, itens como documentos, carteira, cosméticos e chaves do carro e da residência. “Como as mulheres estão sempre em trânsito, ficam mais sujeitas a assaltos, sobretudo nas grandes cidades. O Bolsa Protegida garante mais tranquilidade”, destaca o executivo, lembrando que o seguro não é exclusivo do público feminino. Além disso, alguns planos oferecem a possibilidade de o segurado concorrer a sorteios mensais em dinheiro, pela Loteria Federal.

A companhia é constituída por quatro empresas: Cardif Vida, Cardif Garantia, Cardif Capitalização e a Luizaseg, joint venture formada com a rede varejista Magazine Luiza. Em 2014, o faturamento da BNP Paribas Cardif do Brasil foi de R$ 1,8 bilhão e o lucro, R$ 231 milhões.

Starr Seguradora aposta em seguro de transportes

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A Starr International Seguradora iniciou suas atividades no Brasil há pouco mais de dois anos e já colhe bons resultados. O destaque é a área de Transportes, que possui produtos homologados na Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) para os ramos nacional e internacional e disponibiliza seguros para embarcadores e de responsabilidade para transportadores. São eles: RCTR-C, RCF-DC, RCA-C, RCTF-C, RCTA-C e RCTR-VI.

Além ser uma empresa global especializada em transportes, a Starr tem como principal diferencial o excelente atendimento e agilidade. “Entendemos que atuando desta forma conseguimos desenvolver fortes parcerias com corretores especializados e fidelizar segurados, ainda que o cenário econômico não seja muito favorável”, revela Hélio Almeida, Gerente da carteira de Transportes da Starr. Como responsável por toda a gestão da carteira, o executivo tem atribuições na prospecção de novos negócios, manutenção das contas vigentes, inclusive programas mundiais, acompanhamento e controle de resultados.

A economia brasileira passa por momentos delicados, sem crescimento significativo há alguns anos, o que tem causado um impacto direto no setor de transportes de mercadorias e, consequentemente, afetado o seguro de Transporte. Todavia, Almeida entende que o setor ainda seja promissor para empresas especializadas com espaço para crescimento. “É necessário a realização de um trabalho consciente, conciso e contínuo, sem aventuras passageiras, para obtermos o reconhecimento do mercado, e é nisso que estamos trabalhando e já colhendo bons resultados, pois temos contas de importantes clientes emitidas”, considera.

A perspectiva de crescimento da companhia está acima da média do mercado. Segundo o executivo, a Starr deverá fechar o ano com um bom desenvolvimento, mas sem exageros, pois o objetivo é crescimento sustentável sempre com bons resultados.

Cenário

O seguro de Transportes no Brasil, sem considerar os seguros de pessoas, saúde, capitalização e DPVAT, é o terceiro maior ramo em arrecadação de prêmio. Em 2013, apresentou um crescimento de cerca de 5%. Neste mesmo ano, o mercado apresentou uma sinistralidade de 70%, tanto no seguro de Transporte Nacional como no Seguro de RCTR-C.

Para 2015, a estimativa do mercado é um crescimento na arrecadação de prêmios superior ao de 2014, com estimativas em torno de 6 a 8%. Também há expectativa de manutenção dos índices de sinistro, com uma ligeira queda.

Fortalecimento da marca

Após superar o aumento da constituição da empresa e a aprovação junto ao órgão regulador, a Starr International Seguradora trabalha para fortalecer a marca localmente e ser reconhecida como especializada nos seguimentos em que atua, proporcionando tranquilidade e segurança para clientes e lucratividade para os acionistas e parceiros.

7 seguros inusitados ao redor do mundo

Fonte: Revista Forbes Brasil

Seguros específicos. É geralmente assim que são chamados no mercado aquelas garantias destinadas à proteção de, por exemplo, partes do corpo humano. Ou problemas na cerimônia de casamento. Esta ainda não é uma classe de produtos muito presente no Brasil.

Relativamente poucas empresas por aqui os oferecem — mas nos EUA, por exemplo (um mercado securitário bem mais desenvolvido que o nosso), tais seguros são mais que disseminados. Veja na galeria de fotos alguns dos riscos que eles cobrem:

Pets

Seguro que cobre doenças e acidentes sofridos por um animal de estimação. É oferecido no Brasil, e tem tido uma procura cada vez maior.

Abdução por alienígenas

A British Insurance, uma conhecida companhia de seguros inglesa, em 1998 chegou a oferecer uma apólice para quem quisesse se precaver contra o rapto (abdução) por seres extraterrestres. Custava US$ 15 por mês. Se o segurado conseguisse provar que fora abduzido, ganhava uma indenização de US$ 1,5 milhão.

Quebra de óculos

Apólice que cobre furto, quebra acidental ou roubo de um par de óculos. O segurado recebe uma indenização, e com ela adquire um novo par.

Casamentos

É uma apólice contra imprevistos em uma cerimônia do tipo. Cobre até mesmo doenças do casal ou de familiares próximos, além de condições climáticas desfavoráveis, cancelamento de contratos e fornecedores, problemas de transporte e deslocamento dos convidados.

Ossos quebrados

Muito usada no exterior por atletas profissionais, a apólice contra ossos fraturados disponibiliza uma indenização por incapacidade temporária ao seu proprietário. Eventualmente, esse seguro também restitui as despesas médicas geradas pela fratura.

Tacada de golfe

Na tradição desse esporte, um jogador que acerte a bola em uma única tacada (o que é muito difícil e raro, mesmo para campeões da modalidade como Tiger Woods) paga a conta do bar para todos os demais competidores. Pois a Allianz oferece no Brasil uma apólice para esses casos.

Ciberataques

Cresce a quantidade de golpes cibernéticos contra bancos e administradoras de cartões de crédito. Diante disso (e de hackers cada vez mais hábeis e mal-intencionados), companhias já dispõem de seguros contra danos gerados por violação de dados. E são apólices amplas — incluem erros de colaboradores, ataques de vírus e até indenização por lucros cessantes devido a uma agressão virtual.

“Como vender mais crise” será tema de palestra na APTS dirigida a corretores

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Dia 5 de agosto, às 12h, os corretores de seguros têm encontro marcado na sede da APTS para aprenderem “Como vender mais na crise”. Este será o tema que Richard Hessler Furck, corretor de seguros e instrutor de cursos de treinamento e capacitação corporativa, apresentará no ciclo de Palestras do Meio-Dia da entidade.

“Em tempos de crise, nem sempre os caminhos que nos trilharam serão os que devemos percorrer”, diz Richard. Ele convida todos os profissionais interessados em conhecer “os novos caminhos destes tempos”, a assistirem à sua palestra e elenca os motivos:

Entenda por que e para quem você anda perdendo seus clientes; saiba como oportunidades de negócios pouco exploradas podem trazer resultados imediatos ao seu negócio; encontre caminhos para ressignificar seu negócio, aumentando as vendas e fidelizando seus clientes; entenda como e porque fazer vendas cruzadas.

Serviço:

Palestra do Meio-Dia: “Como vender mais na crise”

Apresentação: Richard Hessler Furck, corretor de seguros e instrutor de cursos de treinamento e capacitação corporativa da NKF Capacitação Corporativa

Data e local: dia 5 de agosto, das 12h às 13h30, na sede da APTS, no Largo do Paissandu, nº 72, 17º andar, conj. 1704, centro, S. Paulo (SP)

Informações e inscrições pelo e-mail: apts@apts.org.br ou telefones (11) 3227 4217 e 3229 6503

Presidente da Terra Brasis faz críticas às mudanças na regulamentação do resseguro

paulo bottiPor Paulo Botti, presidente da Terra Brasis, resseguradora local

Nascido em 2008 após árduo trabalho e amplo diálogo entre governo e iniciativa privada na definição das regras para sua abertura, o Mercado Brasileiro de Resseguros pode ter um futuro bastante promissor se der continuidade a sua evolução de forma bem estudada, planejada e dirigida.

Pela sua natureza pode se transformar numa das indústrias financeiras mais sofisticadas do país, abrigando profissionais locais altamente qualificados, colaborando para o desenvolvimento do mercado de seguros e criando no Brasil um Polo Regional de Resseguros que não só retenha e invista no país grande parte dos prêmios aqui gerados mas também traga do exterior divisas para grandes investimentos locais.

Mudanças nas práticas e na regulamentação visando aprimorar o mercado são sempre bem-vindas e várias delas são necessárias. Existe entretanto o risco de que, sem qualquer consulta a segmentos que investem e atuam no setor, alterações que não trazem nenhum beneficio ao mercado brasileiro nem aos segurados nem ao Brasil, por pressões externas e internas sejam implantadas e façam da indústria de resseguros local um simples instrumento de “fronting” para a transferência ao exterior dos prêmios de resseguro e de seguros.

Esta possibilidade traria enorme frustração às expectativas de um jovem, promissor, sofisticado e entusiasmado mercado ressegurador local, enfraquecendo também o mercado segurador doméstico, limitando a base de investidores institucionais nacionais e trazendo enormes prejuízos financeiros e técnicos de longo prazo para o país.

A abertura do Resseguro em 2008, por uma feliz coincidência conjuntural de fatos e pela disposição de profissionais do governo e do setor privado a um trabalho conjunto, foi planejada e feita com grande êxito. Baseada numa politica que buscou ao mesmo tempo incentivar a formação de Resseguradores Locais no Brasil e atrair capacidade de Resseguradores Internacionais operando de suas matrizes no exterior, a abertura obteve até hoje grande sucesso:

– O Brasil tem 16 Resseguradoras Locais, formando no seu conjunto o triplo do patrimônio liquido e da capacidade de subscrição de riscos que existiam na época do monopólio do IRB;
– Mais de 100 Resseguradores Estrangeiros, através de suas matrizes localizadas no exterior, são licenciados para aceitar resseguros do Brasil;
– De alguma forma, localmente ou através de suas matrizes no exterior, 36 dos 40 maiores Resseguradores mundiais atuam no mercado brasileiro de resseguros.

Temos portanto, como era o objetivo da abertura, capacidade de subscrição local e internacional de sobra e uma grande geração local de empregos de alto nível, supridos por um mix de profissionais experientes com jovens de enorme potencial e dedicação.

A distribuição entre os prêmios de resseguro retidos no Brasil e os prêmios enviados ao exterior está há algum tempo mantendo um certo equilíbrio. Perto de 35% do premio de resseguro é retido no Brasil e 65% enviado ao exterior, diretamente pelas seguradoras ou através de retrocessão das resseguradoras locais.

O percentual de 35% do premio que é retido localmente, inferior ao da época do monopólio, quando a retenção era em torno de 50%, era esperada e é natural neste estágio de operações de um mercado jovem que, apesar de contar com o triplo da capacidade que tinha na época do monopólio, enfrenta forte concorrência dos mercados tradicionais estrangeiros. Os investimentos financeiros e técnicos que vem sendo feitos pelas resseguradoras locais, seus visíveis e contínuos aprimoramentos, a proximidade físicas com as seguradoras brasileiras e o conhecimento das necessidades do mercado local, podem fazer com que a participação local brasileira cresça e supere os patamares anteriores.

Entretanto muito se tem discutido ultimamente sobre o futuro do mercado brasileiro de resseguros. Uma corrente luta para a manutenção da estratégia original de incentivo ao mercado local, que tem demonstrado sucesso no caminho de criar no Brasil um mercado de resseguros forte, um Polo de Resseguros Regional, como vários outros formados ou se formando por várias regiões no mundo. Para isto defende o aprimoramento constante e sem sobressaltos da estrutura regulatória, sempre precedido de consultas e discussões com todos os setores participantes do mercado. Além disto, defende a criação de incentivos a “exportação de resseguro”, fazendo com que as Resseguradoras Locais, de origem nacional ou não, se dediquem não só a absorver os excedentes de riscos das Seguradoras brasileiras mas também a trazer para o Brasil os resseguros de outras regiões.

Outra corrente, muito bem coordenada e liderada pelos grupos resseguradores mundiais e seus governos e por algumas seguradoras brasileiras subsidiárias de grupos internacionais, válida e aguerridamente luta em defesa de seus interesses próprios, defendendo a desregulamentação do mercado de resseguros brasileiro, a eliminação dos incentivos a indústria local e a liberação de compra de resseguros, e eventualmente de seguros, no mercado internacional, particularmente em suas próprias matrizes no exterior.

Esta disputa, suas motivações e seus argumentos devem ser analisados dentro do contexto atual mundial do Mercado de Resseguros. A indústria global de resseguros e em particular os mercados tradicionais passam hoje por grandes desafios:

– A capacidade mundial excessiva, implicando em grande competição e depressão dos preços de resseguro;
– A competição do enorme Mercado de Capitais que através das ART – Transferências Alternativas de Risco tem abocanhado parte das receitas dos mercados tradicionais de resseguro;
– A forte tendência de formação de Mercados Regionais de Resseguro, entre eles o do Brasil, que tem competido com os mercados tradicionais pelos riscos de suas regiões de atuação.

O problema de capacidade mundial excessiva, apesar de estar se apresentando com uma duração maior que a normal, deverá, ao menos parcialmente, se reverter num futuro próximo. Já a concorrência do Mercado de Capitais e a tendência mundial de criação dos novos Mercados Regionais de Resseguro fora dos centros tradicionais parecem que vieram para ficar.

Uma análise mais profunda da criação dos Mercados Regionais de Resseguros, em substituição ao modelo vigente até recentemente de concentração do resseguro em mercados tradicionais é de interesse imediato do Mercado Brasileiro de Resseguros e do próprio Brasil.
Os mercados tradicionais, liderados por Londres e particularmente pelo Lloyd’s, parecem convencidos da tendência mundial de formação dos Mercados Regionais, como os já estabelecidos nas Bermudas, em Zurich, em vários países na Ásia, no Oriente, na África, e nos Estados Unidos – particularmente em alguns estados americanos.

Tendo consciência desta tendência, os mercados tradicionais de resseguro se posicionam para a competição com uma dupla estratégia:

– Primeiramente, com grande apoio de seus governos, embaixadas e entidades de classe, tentam limitar o numero de mercados regionais em formação no mundo, através de incentivo a padronização global de uma “regulamentação desregulamentada”, facilitando a operação de “fronting” e a compra direta de resseguro nos mercados tradicionais internacionais;

– Em segundo lugar, onde consideram ter perdido a luta acima descrita e a formação do mercado local ser inevitável, instalam-se fisicamente e se estabelecem como Resseguradores Locais nos mercados regionais já formados.

Diferentemente do normalmente divulgado pelos porta vozes dos mercados tradicionais, o Brasil não é uma exceção. Todos os países desenvolvidos têm fortes ferramentas, formais ou não, de proteção e incentivo das suas indústrias financeiras locais e em particular das indústrias de seguros e resseguros. Exemplos como os Estados Unidos, a Índia, a China, o Japão, o Canadá e muitos outros usam regulamentações e politicas diferentes mas todos incentivam fortemente seus respectivos mercados locais. Talvez devido a disputa acima descrita estamos vendo no momento uma tendência global ainda maior de aumento desta proteção.

Os Estados Unidos, que já tem regras estaduais duras para restringir a atuação de seguradoras e resseguradoras de fora dos estados americanos e para reter no país o premio de resseguro originado localmente, estuda no momento, através do governo federal, regras para restringir a atuação no mercado americano de companhias estabelecidas das Bermudas e em outros territórios fora do país. A própria Inglaterra, maior defensora da liberação de regulamentação, acaba de proteger o seu mercado, implantando impostos adicionais para Seguradoras que utilizam serviços de seguro, de regulação e de indenizações e reparos providos por outros países.

O Brasil é um jovem mercado de resseguros, tentando se estabelecer regionalmente, com competência, inovação e eficiência mesmo tendo como um adversário quase insuperável o “custo Brasil” extremamente superior ao de outros países sedes de resseguradoras internacionais. Varias empresas locais de capital nacional e internacional se estabeleceram aqui e vem investindo e trabalhando arduamente para aprimorar o mercado local e se aproximar do conhecimento dos grandes centros. Daí a enorme importância deste tema no momento atual, para o Brasil e para a indústria brasileira de seguros e resseguros, que mereceria estar recebendo de seus órgãos de classe ferrenha defesa e do governo brasileiro crescente incentivo e profunda analise das fortes ferramentas de proteção utilizadas nas economias desenvolvidas.

Entretanto noticias recentes dão conta de que, ao contrário, medidas em direção a retirada de incentivos locais deverão ser implantadas brevemente. Difícil justificar estas medidas, que induzem a remessa de recursos ao exterior, quando ao mesmo tempo se fala em incentivar a repatriação de recursos brasileiros no exterior. Parece a utilização do mercado de seguro como moeda de troca para agradar possíveis investidores em outras áreas. Pior que o conteúdo das medidas, qualquer que ele seja, é o fato de sua implantação estar sendo feito sem dialogo, somente para alivio de pressão internacional, sem explicitar claramente qualquer beneficio para o próprio mercado brasileiro.

As medidas anunciadas vão em sentido contrario a tendência mundial, liberalizando a regulamentação sem que, como dissemos, nenhum benefício oriundo desta liberação possa ter como beneficiário o mercado brasileiro, os consumidores de seguro ou o próprio Brasil. Qualquer argumento que aponte um benefício local para os consumidores, para o mercado ou para o próprio país pode ser imediatamente rebatido com sólidas respostas. Os únicos beneficiários serão os mercados internacionais que captarão grande parte se não a totalidade dos restantes 35% dos prêmios retidos no Brasil e destruirão a iniciativa do nascente mercado brasileiro de resseguros transformando-o num mercado de “fronting” internacional.

Mais relevante ainda é a grande possibilidade de grande parte do mercado de seguros, com exceção dos seguros de varejo, também se transformar num mercado de “fronting”, dominado por seguradoras com matrizes no exterior com enorme capacidade de subscrição que com a desregulamentação do resseguro tenderão a enviar todo seu premio ao exterior, sem nenhum beneficio local.

O risco da opção de direcionamento neste caminho será vermos no Brasil os Resseguradores Locais desmanchando seus quadros de pessoal duramente formados e se transformando em verdadeiros operadores de “fronting”, com a única função de “repassadores de premio” das seguradoras internacionais estabelecidas no Brasil para suas matrizes localizadas no exterior, de quem o mercado brasileiro de seguros será dependente. Talvez uma boa opção financeira para as resseguradoras locais mas não para o Brasil. Depois de algum tempo por este caminho, provavelmente veríamos no seu final um cenário pelo qual o Brasil já passou. A grande drenagem dos recursos nacionais de prêmios de seguro traria o retorno de ideias voltadas para o desenvolvimento de um “inovador projeto de criação de um Monopólio Estatal Brasileiro de Resseguro” para evitar a mencionada drenagem e criar um forte mercado nacional de seguros.

Estaríamos de novo em 1940, infelizmente. Acreditamos que, diferentemente, o melhor para o país é continuar respeitando a estrutura básica da regulamentação que tem se mostrado de sucesso, mantendo sua estabilidade no longo prazo trazendo confiança ao mercado e incentivando a transformação do Brasil num mercado regional, um Polo de Resseguros. Resseguradores Locais, de origem nacional ou estrangeira, serão obrigatoriamente cada vez mais fortes e capacitados, atuando não só no mercado brasileiro mas também aceitando com competência riscos do exterior.

Alguns outros Grupos Resseguradores Internacionais licenciados a atuar no Brasil de forma “off shore”, diretamente de suas matrizes, provavelmente também se estabelecerão como Resseguradores Locais fortalecendo mais ainda o mercado brasileiro. Este caminho é similar ao caminho que vários mercados atualmente desenvolvidos, como os Estados Unidos, seguiram ao longo do século passado e montaram suas fortes indústrias de seguro e resseguro.

Um sinal da vitória definitiva desta opção será dado no dia em que virmos, com muito orgulho, também o Lloyd’s se instalando localmente no Brasil e atuando lado a lado com o IRB e outros Resseguradores Brasileiros num Polo Regional Brasileiro de Resseguros, aumentando a base de investidores institucionais do país, desenvolvendo negócios, formando um mercado local dinâmico e inovador e trazendo divisas para o país.

Novas regras de resseguro surpreendem executivos

Protasio: será um prazer atender os clientes da Belgibo no Brasil

rodrigo protasioAs medidas de flexibilização das regras que abriram o mercado de resseguro brasileiro foram comemoradas por alguns executivos, principalmente os de seguradoras estrangeiras sem um braço de resseguro no Brasil. Já os grupo que investiram para abrir uma resseguradora local não gostaram nada das medidas, ainda mais por não terem sido ouvidos pelo governo, afirmaram. O Brasil tem novas regras, que aumentam até 75% o percentual de resseguro que seguradoras podem passar para a resseguradora do próprio grupo e também regras que reduzem a obrigatoriedade de oferta de 40% do contrato para as resseguradoras que se instalaram no Brasil como local a partir de 2017, de forma gradual, chegando a 15% em 2020.

“O anúncio, confesso, me causou surpresa já que essa regra afeta a avaliação do IRB, maior ressegurador nacional e que está em fase preparatória para realizar IPO no segundo semestre, como tem anunciado o governo. O lado bom é que o IRB já está mais preparado para competir de igual para igual com os estrangeiro, bem posicionado e já iniciou o processo de internacionalização”, pondera Rodrigo Protasio, master de Seguros pelo IAG-PUC, bacharel em direito e CEO da JLT Re Brasil Corretora de Resseguros, empresa do grupo Jardine Lloyd Thompson Plc.

E como elas impactam clientes, corretores, seguradoras e resseguradores? “Os resseguradores locais que aqui investiram para aproveitar a proteção e os grupos nacionais vão sofrer mais competição dos seguradores e resseguradores estrangeiros, uma vez que passarão a acessar seus capitais no exterior e assim alavancarão seus programas internacionais de resseguros”, avalia. Para ele, as medidas mostram a intenção do governo de abrir mais o mercado a favor das seguradoras estrangeiras, que tem dominado o setor de grandes riscos e por isso são as maiores compradoras de resseguro. “A tendência é que os estrangeiros procurem se ressegurar com sua matrizes”, acrescenta Protasio, em entrevista concedida ao blog Sonho Seguro.

Os segurados pouco serão impactados, acredita o corretor, pois hoje eles já conseguem preços menores no Brasil do que a média praticada no exterior. “O Brasil tem taxas muito competitivas e é o país que mais abre seu mercado de resseguro. É um movimento positivo e necessário, mas que deveria ocorrer também em outros setores da economia”, pontua. Somente India (GIC) e China ainda mantém proteção ao mercado local, bem como Coreia do Sul, onde o resseguro é monopólio da ex-Estatal Korean Re na área de vida.

Para o CEO da JLT Re Brasil, com muitos negócios com o IRB, o ressegurador local tem tudo para ser o líder de resseguros na América Latina e um bom player internacional. “Tem experiência e quadros competentes para ampliar sua participação no exterior, com aproximadamente 10% das suas receitas já em negócios de resseguro no exterior e com perspectivas de chegar a 30% e até 50% dos seus prêmios captados no exterior no futuro”.

Para Protasio, o mercado de resseguros tem potencial para crescer e dobrar de tamanho em 5 anos, caso o mercado de seguros continue a crescer 15% ao ano e a economia volte a crescer na casa de 3,5% ao ano em média. No entanto, esse patamar está longe das perspectivas para 2015, com PIB negativo, e de 2016, com projeções de economia estagnada. No entanto, o setor de seguros mantém crescimento de dois dígitos no primeiro semestre de 2015, estimulado pelo esforço das seguradoras em atingir novos mercados. “A penetração de seguros no PIB brasileiro ainda é baixa se comparamos com outros países, sendo de aproximadamente 4,5%. Há grande potencial para crescimento deste mercado”, enfatiza.

Protasio acrescenta que a regra de proteção do mercado de resseguros válida desde 2008, quando o setor foi aberto, não aumentou o preço final do seguro ao segurado, deu proteção ao mercado com um todo, gerou empregos e motivou 16 resseguradores locais a investirem no país, com aporte de capital para a abertura da resseguradora, bem como na contratação de pessoal especializado, criando um mercado local, onde havia somente o IRB até 2007.

O Brasil conta hoje com 36 resseguradores admitidos registrados e 74 resseguradores eventuais, o que traz um leque de opções generoso para os clientes, que contam com os principais grandes grupos internacionais em território nacional. “Meu medo a longo prazo é que a regra flexível poderá enfraquecer nosso mercado local, já que a tributação dos resseguradores locais em média é mais alta que no exterior. Nosso país fala português e não temos a melhor e mais treinada mão-de-obra. Ou seja, poderemos perder oportunidade e evidência”, afirma. Segundo ele, o modelo atual não pode ser considerado falho, já que nenhuma empresa ficou sem seguro ou resseguro ou não obteve preço competitivo para contratar seguros em relação aos preços no mercado externo para risco similar nesses anos de abertura.

“Trabalho para uma empresa de capital estrangeiro, a JLT , que é o 4º maior broker (corretora) de resseguros do mundo, mas sou brasileiro e quero um mercado local forte e promissor. Vamos sempre nos adaptar às regras, mas o mais importante é a segurança do sistema para que as regras não fiquem mudando o tempo todo, prejudicando investidores e operadores, que precisam de segurança e credibilidade, já que são investimentos e operações de longo prazo e duradouras”.