Renda Anual Incrementada é um plano de previdência onde o indivíduo menos saudável tem um rendimento maior

5 resseguroFonte: Portal CNseg

Popular em alguns países, como os Estados Unidos e Chile, os planos annuities, ou de renda anual, são um tipo de plano de previdência em que o investidor entrega à seguradora o dinheiro que poupou ao longo da vida produtiva e tem a garantia de receber uma renda que pode ser vitalícia ou por tempo determinado.

Ainda pouco explorado no Brasil, inclusive devido a razões relacionadas à regulamentação, esse tipo de plano tem um grande potencial de penetração. E para conhecer a experiência internacional, Jennifer Maier, da Hanover RE, apresentou a palestra “Renda Anual Incrementada”, no último dia do 5º Encontro de Resseguro do Mercado Segurador, organizado pela CNseg, em 5 e 6 de abril.

Os planos de Renda Anual Incrementada, também conhecidos como Enhaced Annuities – ainda não existentes no Brasil – são um tipo particular de plano em que as condições de saúde do participante são levadas em consideração no cálculo de rendimento. “Em um seguro saúde, o risco está no indivíduo doente, enquanto que em um plano de previdência, o risco está no saudável’, afirmou Jennifer no início de sua apresentação. Isso faz sentido porque, enquanto o indivíduo menos saudável gera mais despesas para as operadoras de planos de saúde, os mais saudáveis teoricamente vivem por mais tempo, gerando mais despesas para as administradoras de planos de previdência.

Assim, nos planos de Renda Anual Incrementada, são utilizadas tabelas de mortalidade e curvas de sobrevivência para calcular quanto o segurado receberá mensalmente, de acordo com o valor aplicado, com as pessoas mais saudáveis ganhando menos.

No mercado inglês, exemplificou Jennifer, os planos de renda incrementada vitalícia foram introduzidos em 1995, com a subscrição sendo feita com a utilização de um relatório médico muito detalhado e personalizado, o que era muito oneroso para a seguradora. O passo seguinte foi uma simplificação desse relatório, com a introdução de indicadores de saúde. A avaliação da situação sócio-econômica foi o terceiro esforço de simplificação do modelo, passando a se considerar, entre outros fatores, o CEP da residência do indivíduo.

Posteriormente, algumas mudanças na legislação inglesa, como a proibição de classificação por gênero, esfriaram um pouco esse mercado, devido à incerteza dos consumidores, que só recentemente têm retomado a aquisição do produto.

No Brasil, além das questões já citadas, contribui para a pequena dimensão do mercado de annuities o fato de ainda termos uma grande parcela da população em fase de acumulação de capital, afirmou o coordenador da mesa, João Batista, da Zurich Santander.

Outro fator apontado por João foi o fato de que, no Brasil, vemos, cada vez mais, muitas pessoas aposentadas voltando à atividade laboral, mesmo aquelas com previdência privada, que poderiam estender por mais tempo o período de acumulação. Por outro lado, segundo João, os produtos oferecidos por aqui ainda são muito rígidos, diferentemente de alguns produtos observados na Europa, com conceitos mais flexíveis de renda.

Impressionada com a sofisticação do sistema inglês, que utiliza até o CEP na avaliação de risco, Celina Silva, da Brasilprev, outra participante do painel, apontou como outro elemento dificultador para o desenvolvimento do mercado de annuities esse gap brasileiro na avaliação de risco, visto que, em nosso país, “o mercado segurador só trabalha com tábuas de mortalidade nos últimos seis anos”.

“Mas estamos trabalhando com afinco para desenvolver o produto”, concluiu João Batista ao fim do painel.

Polo de resseguro no Brasil esbarra em regulamentação e impostos elevados

Fonte: Agência Estado

O projeto para criar um polo regional de resseguros no Brasil, com foco na atração de prêmios do mercado internacional, depende da flexibilização das regras de investimento e ainda redução da alíquota de impostos para que então comece a fazer sentido. Ainda assim, especialistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, durante o 5º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), questionam a atratividade da iniciativa, já cogitada no passado e que volta ao radar do setor, principalmente, após o Brasil deixar de ser grau de investimento e enfrentar incertezas no campo político e econômico.

As medidas concretas ainda estão em estudo e devem ser entregues ao Ministério da Fazenda até o fim do primeiro semestre deste ano. O projeto reúne, além da Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber), a Superintendência de Seguros Privados (Susep), seguradoras e advogados.

No foco, conta Rodrigo Botti, da Terra Brasis e integrante do grupo de estudos, estão isonomia tributária para resseguradoras locais e as baseadas fora do Brasil, transferência de riscos para o mercado de capitais, que ainda não acontece no País, e adequação das regras de investimento das companhias instaladas aqui. “Não queremos substituir, mas adicionar prêmios offshore no Brasil. Para isso, teremos de convencer países como México, Colômbia, a trazer prêmios para cá. O objetivo é transformar o Brasil em um exportador de resseguro, trazendo reservas e capital que ajudem a financiar os projetos de infraestrutura”, explica Botti.

De acordo com ele, no âmbito dos investimentos, embora as regras para as resseguradoras locais já tenham evoluído e passado a agregar não só títulos públicos, mas, também, fundos cambiais, é necessário evoluir mais para atrair as resseguradoras. Permitir, por exemplo, o investimento direto em ativos no exterior como títulos de dívida americana.

Já na parte tributária, são exemplos para o Brasil, conforme Botti, países como a Inglaterra e Suíça, cuja alíquota de impostos não passa dos 20%. No País, atualmente é de 45%. Não foi definida ainda, porém, segundo ele, qual proposta será feita ao governo. Uma fonte cita a necessidade de zerar o imposto assim como acontece no mercado de Bermuda. Na prática, o objetivo do grupo é condicionar o imposto ao volume de negócios trazidos para o Brasil. “Se conseguirmos 60% do que estamos pleiteando, já conseguiremos um bom avanço”, acrescenta.

Paulo Pereira, presidente da Fenaber, afirmou que, embora o projeto sugira incentivos tributários para participantes, não deve ocorrer renúncia fiscal para o governo, já que terá como base o volume novo de resseguro a ser gerado por conta do polo no Brasil. Desta vez, porém, o foco não são prêmios locais, mas os offshore. “O mercado brasileiro movimenta US$ 2,5 bilhões, enquanto na América Latina a cifra é de US$ 21 bilhões. Se atrairmos 10% desses recursos, poderemos dobrar o mercado de resseguros brasileiro”, afirmou Pereira.

Para o presidente do Lloyd’s no Brasil, Marco Antonio de Simas Castro, não há atratividade para os resseguradores trazerem os prêmios offshore para o País uma vez que essas companhias já atuam direto em outros países. “É um projeto questionável. Não é atrativo”, avaliou ele, em entrevista ao Broadcast.

A possibilidade de mudança nas regras tanto do lado de investimento como do tributário, de acordo com Angelo Colombo, presidente da resseguradora da Allianz (AGCS), pode gerar alguma atratividade por parte das resseguradoras. Lembra, porém, que o Brasil concorre, neste momento, com Miami, que tem atraído diversos players, além de Panamá e Lima.

Botti, da Terra Brasis, lembrou ainda a necessidade de o País ter estabilidade econômica e política para deslanchar. Ou seja, o projeto de hub de resseguros no Brasil visa o médio e longo prazo já que o País enfrenta incertezas em ambos os lados. João Marcelo dos Santos, do escritório Santos Bevilaqua Advogados, admitiu que o momento atual é “complexo”, mas que o mercado brasileiro precisa estar pronto para quando a janela de oportunidade abrir.

Um corretor de resseguros lembra, sob a condição de anonimato, que o Brasil teve uma janela entre os anos de 2011 e 2012 para se tornar um hub de resseguros, mas acabou perdendo a oportunidade. “O sistema tributário pune quem traz receita para o Brasil e agora não temos mais rating. Só a falta de rating já nos tira do Chile, que é o maior mercado de riscos facultativos de patrimônio”, avaliou ele.

Transferência de risco do resseguro para mercado de capitais favorece obras

Fonte: Agência Estado

A transferência de riscos do resseguro para o mercado de capitais é uma alternativa para viabilizar grandes obras e projetos de setores como construção civil e óleo e gás, impactados pela Lava Jato. Embora esses segmentos estejam paralisados em meio às investigações de um esquema bilionário de desvios e lavagem de dinheiro, no momento da retomada, será preciso, segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, no 5º Encontro de Resseguro, realizado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), atrair players novos e, em alguns casos, menores, cujo risco, seja pelo setor em questão ou pelo porte do tomador, pode não despertar o apetite de seguradoras e resseguradoras.

Na prática, hoje só é possível diluir riscos entre players do próprio setor por meio dos contratos de cosseguro (entre seguradoras), resseguro (seguradora e resseguradora) e retrocessão (resseguradora com resseguradora). Para que seja possível transferi-los também para o mercado de capitais é necessário, porém, que a legislação atual de ambos os segmentos seja alterada e, então, incluída essa possibilidade.

Como a crise político-econômica no País e os desdobramentos da Lava Jato atravancaram a realização de grandes obras e também a conclusão de várias delas, o entendimento de especialistas é de que as mudanças necessárias em termos de regulação precisam ser tocadas desde já. “É preciso uma mobilização para fundamentar projetos de infraestrutura. Há excesso de capital disponível em alguns segmentos. Em setores como de construção e óleo e gás, porém, são necessários outros instrumentos para criar capacidades. A hora de fazer é agora”, atentou André Gregori, CEO da holding GRG Capital.

Alguns projetos sobre a transferência de riscos do resseguro para o mercado de capitais já foram enviados ao governo, conforme fonte ouvida pelo Broadcast, entretanto não avançaram. A nova aposta do mercado está no âmbito de um projeto arquitetado pela Federação Nacional das Empresas de Resseguro (Fenaber) e pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e que será entregue ao Ministério da Fazenda em junho próximo.

Um dos pontos da iniciativa, no âmbito de uma proposta para criar um polo regional de resseguros no Brasil e atrair prêmios offshore para o País, está a transferência de riscos para o mercado de capitais. No mundo, essas operações já representam mais de 10% do volume total mundial dos contratos de resseguro e movimentam bilhões de dólares. A transferência de risco é feita, principalmente, por meio dos chamados cat bonds, títulos de catástrofe natural que seguem o conceito de securitização. A expectativa de especialistas, porém, é que essa fatia aumente, podendo ter relevância semelhante a do mercado imobiliário internacional, para o qual o mercado de capitais representa em torno de 60% das operações feitas.

“Indiretamente, o mercado de capitais já chegou ao setor de seguros brasileiro. Isso porque o prêmio de resseguro registrado no Brasil e, posteriormente, enviado ao exterior pode ser transferido ao mercado de capitais”, observou Rodrigo Botti, diretor-geral da Terra Brasis e um dos integrantes do grupo de estudos do projeto.

Na América Latina, a transferência de riscos do mercado de resseguros para o de capitais já é uma realidade com instrumentos disponíveis no México, Caribe, Uruguai. Viabilizar essa possibilidade no Brasil, conforme projeto que será enviado ao Ministério da Fazenda em breve, também pode significar uma demanda adicional de R$ 8 bilhões por títulos públicos uma vez que os produtos financeiros utilizados são colaterizados. Hoje, por exemplo, estima-se que o resseguro brasileiro gere demanda de cerca de R$ 11 bilhões por títulos do tesouro americano (treasuries).

“Assumindo que as resseguradoras locais (instaladas no País) transfiram 10% dos prêmios retidos para o mercado de capitais com uma taxa média de 5%, chegamos em uma demanda de R$ 8 bilhões por títulos públicos brasileiros”, explicou Botti.

Para Paulo Pereira, presidente da Fenaber, a parceria entre o mercado de resseguros e o de capitais é fundamental para o desenvolvimento do setor no Brasil. “As resseguradoras conhecem o risco e podem atuar em parceria com o mercado de capitais que tem interesse crescente e capacidade para operar junto ao segmento”, ressaltou ele. Além disso, é tido como condição sine qua non para que o polo regional de resseguros, desta vez, decole no País.

Queda no preço do petróleo eleva risco de acidentes, revela estudo da Marsh

plataformaPerdas seguradas no setor atingiram pico na década de 80, quando o preço do petróleo caiu de US$ 35 para US$ 15. Queda no preço da commodity leva as empresas a reduzirem investimentos, o que acarreta uma ocorrência de perdas seguradas significativamente maiores no período seguinte ao corte nos investimentos.

As decisões de redução de custos na indústria de petróleo foram acompanhadas por um aumento dos riscos resultando em maior frequência de incidentes graves ou grandes perdas, de acordo com o recente Can Energy Firms Break the Historical Nexus?, da consultoria de risco e corretora Marsh. Segundo o estudo, que analisa a correlação sequencial histórica entre a derrocada no preço do petróleo, as perdas seguradas no setor de energia atingiram um pico no mundo na década de 80, logo após o preço do barril de petróleo bruto Brent cair de US$ 35 a US$ 15.

No final de 1990, este ciclo ocorreu novamente quando o preço caiu abaixo de US$ 10 por barril e novamente nos anos seguintes – em 2008, os preços diminuíram de US$ 100 a US$ 32 por barril. De acordo com o estudo, a queda dos preços do petróleo foi responsável por cortes em infraestrutura e gastos em manutenção, além de menores investimentos em medidas de saúde e segurança e treinamento de funcionários.

A derrocada nos preços leva as empresas a cortarem custos, incluindo treinamento de segurança eeducação, o que por sua vez, acarreta uma ocorrência de perdas seguradas significativamente maiores no período seguinte ao corte nos investimentos.

Apesar da queda das receitas, as empresas de petróleo devem manter o seu investimento em gestão de riscos para reduzir o potencial de grandes incidentes e sinistros em seguros. As companhias devem ter cuidado ao aplicar medidas de redução de custos em resposta a esta última crise para evitar uma repetição das grandes perdas que ocorreram no passado. As empresas que investem na gestão de risco têm visto benefícios reais.

Dirceu Tiegs é novo diretor de Negócios e Clientes da Mapfre

dirceu tiegsA Mapfre anuncia a chegada de Dirceu Tiegs como diretor de Negócios e Clientes da Área Regional Brasil. O executivo que atua na companhia há 18 anos esteve nos últimos cinco no grupo BB Mapfre como diretor Geral da Rede Mapfre e seus canais estratégicos.

Em sua nova função, Tiegs terá a responsabilidade de contribuir com a área comercial da empresa, com reporte ao presidente Wilson Toneto, e também a Área Corporativa de Negócios e Clientes (ACNC) da Espanha. O executivo ainda assumirá funções executivas nas unidades de Previdência e Saúde na Mapfre. Formado em Administração e pós graduado em Marketing e Propaganda, Tiegs fez MBA em Gestão Empresarial e Advanced Master, pelo IESE.

Estrangeiros mantêm investimentos apesar da crise

Fonte: CNseg

Apesar da erosão dos pilares da economia brasileira, a exortação em prol da manutenção dos investimentos foi a principal mensagem deixada pelo jornalista e economista Dony de Nuccio, âncora e editor de Economia do Jornal das Dez, da Globonews, autor da palestra “Panorama econômica e perspectivas”, apresentada no segundo dia do 5º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro. “Como vocês querem estar quando essa crise passar? Você, sozinho, não pode determinar o ambiente econômico que planeja atuar. Mas sua reação diante de cada cenário é o que pode fazer a diferença. Sua atitude agora vai definir se sua empresa vai estar do lado do sucesso ou do fracasso nos próximos anos”, lembrou ele, enumerando diversos exemplos de grupos bem-sucedidos na economia global, justamente por pensar fora da caixinha e apostar na ousadia. Estudos e cases mostram que empresas que, em momentos de crise, efetuaram demissões abaixo dos concorrentes, executaram mudanças de processos e tiveram ganhos de eficiência saíram na frente quando da retomada da economia.

O painel contou com a participação do economista Claudio Contador, Ph.D em Economia e atual dirigente do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES), da Escola Nacional de Seguros. Na condição de coordenador de mesa, Contador solicitou a Nuccio os cenários prováveis da economia a curto e médio prazos e a Fernando Passos, vice-presidente do IRB Brasil RE, os caminhos a seguir por seguradoras e resseguradoras em um cenário tão perverso.

Ele reconheceu, contudo, que as incertezas do cenário econômico fizeram as empresas represar ou cancelar investimentos no País, seguindo o receituário de ajustes indicado para um quadro macroeconômico menos benigno ao capital. Mas esta estratégia é realmente acertada? Olhando a atitude dos investidores estrangeiros, com a manutenção de recursos anuais acima de US$ 60 bilhões desde 2011, mesmo diante da perspectiva de o País repetir dois anos seguidos de PIB negativo, fato ocorrido apenas há 85 anos, quando da grande depressão de 1929, pode-se dizer que há um erro de avaliação dos empreendedores nacionais, algo que, na retomada do crescimento, poderá custar market share ou inviabilizar os negócios para quem, neste momento, reduz drasticamente os investimentos.

Nuccio, que possui curso de extensão em Economia na Brown University, dos Estados Unidos, disse que o ingresso de capitais internacionais é um sinal de que o Brasil ainda figura como uma praça prodigiosa de negócios, sobretudo para quem tem um olhar de médio e longo prazos. O país é um dos quatro com PIB de mais de US$ 1 trilhão, população de mais de 100 milhões e dimensões continentais (EUA, China, Rússia e Brasil).

Ele destaca que o PIB brasileiro, apesar da forte retração de 2015, gerou movimentação de R$ 5,9 trilhões, 78% maior do que o do México; 500% acima do PIB da África do Sul. “Do ponto de vista estratégico, é melhor estar presente no Brasil do que na maioria dos países do planeta”, declarou ele.

Mas existem problemas. A perda do selo de bom pagador por três agências de risco, a baixa taxa de poupança, de menos de 20%, a relação dívida em proporção ao PIB em avanço são fatores que minam a confiança dos mercados. “Os países que perderam o grau de investimento após 2009, em média, levaram de seis a sete anos para recuperá-lo. E os fatores em comum para isso foram a relação dívida/PIB com viés de baixa- a brasileira segue em sentido contrário; taxa de poupança média de 25%- a nossa está abaixo de 20%; e inflação perto do piso da meta- a nossa permanece mais próxima do teto há anos. Isso significa que o Brasil poderá levar mais tempo para recuperar o grau de investimento”, afirma ele.

Em consequência disso, quer dizer, do rebaixamento dos títulos soberanos do País, as empresas que precisem captar recursos no exterior vão pagar prêmios de riscos maiores. Este encarecimento do crédito é uma consequência direta da falta de credibilidade na política econômica do País.

A crise política é outro fator a tornar mais turbulento o cenário econômico, a ponto de haver quem diga que a recuperação econômica não ocorre em virtude do impasse causado pela análise do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Exemplo disso é que as consultorias já trabalham com cenário binário, calculando a variação de indicadores, como PIB, dólar, com a saída ou continuidade do atual governo. Os piores resultados aparecem com a manutenção do governo Dilma, segundo ele.

O debatedor Fernando Passos assinalou que o mercado de seguros/resseguros sente os efeitos do aprofundamento da crise econômica em dose dupla. Seja pela desaceleração dos negócios em áreas mais afetadas pela recessão – como os ramos de transportes e de energia, por exemplo- seja pelo aumento da tributação. O aumento da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSSL), de 15% para 20%, implicará no repasse adicional de mais de R$ 1 bilhão; significa que os ganhos financeiros líquidos vão ser menores no CDI, ao repassar R$ 660 milhões ao Leão. Os corretores também devem enviar mais R$ 270 milhões ao governo.

Na sua avaliação, o mercado deve se preparar para enfrentar uma temporada de alta dos tributos, para compensar a queda de arrecadação enfrentada pelo governo em áreas de elevada contribuição, como os setores de petróleo e gás e mineração, afetados pela operação Lava-Jato e crise econômica.

A volatilidade dos ativos é outra consequência do caos político e econômico. A seu ver, sobretudo nas duas próximas semanas, a variação de preços acompanhará o humor do noticiário envolvendo o pedido de impeachment. Apesar do quadro macroeconômico adverso, ele acredita que o mercado de seguros/resseguros continuará a ter um crescimento real de faturamento neste ano, mantendo sua resiliência diante da crise. A conferir.

Sincor-SP divulga programação do XVII Conec

sincor-spFonte: Sincor-SP

O Sincor-SP (Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado de São Paulo) definiu a programação do XVII Conec, que acontece de 6 a 8 de outubro, no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo. Em sintonia com o tema do evento, “Aprender, Empreender e Ser Corretor: o caminho seguro da distribuição”, o Palácio das Convenções do Anhembi contará com três auditórios: Aprender, Empreender e Ser Corretor, nos quais serão apresentados palestras e fóruns voltados à discussão de questões relevantes ao setor de seguros e ao aprimoramento profissional da categoria.

Em paralelo ao evento, acontecerá a Exposeg, a feira de negócios que reúne as principais seguradoras e empresas relacionadas ao ramo. No local, os corretores de seguros poderão ter acesso direto às companhias, estabelecendo relacionamento com os executivos do mercado, além de tomar conhecimento de novos produtos e serviços.

Através do site do Sincor-SP (http://www.sincor.org.br/conteudoPortugues/modeloInternaComTitulo.aspx?codConteudo=2678) é possível ter acesso à programação completa das palestras, debates, sorteios e shows, além dos demais conteúdos relacionados ao evento.

A programação prevê também uma série de atividades e palestras para o público feminino. Para encerrar o encontro, em alto astral, além do tradicional jantar, está programado um show com o cantor Michel Teló. O valor para o Congresso será reajustado a partir do dia 15/04, por isso, o Sincor-SP alerta os corretores a fazerem as inscrições até a data.

SulAmérica Previdência oferece novos fundos de investimento em parceria com Brasil Plural

A SulAmérica Previdência lançou dois novos fundos de investimento que complementam seu portfólio e trazem a oportunidade de diversificação para clientes de variados perfis. A novidade marca o início da parceria com a Brasil Plural, grupo financeiro com forte presença no mercado de capitais.

Os fundos estão disponíveis nos três planos de previdência da SulAmérica: SulAmérica Prestige (fundo SulAmérica Brasil Plural FIC Renda Fixa), SulAmérica Previdência e SulAmérica Educaprevi (fundo Sul América Brasil Plural FIC Renda Fixa II), tanto para VGBL como PGBL. A estratégia de investimento de ambos busca rentabilidade superior à do CDI e prevê alocação em títulos públicos federais e de crédito privado como CDBs, letras financeiras, debêntures, notas promissórias, DPGEs e FIDCs.

Veja as aplicações mínimas e taxas de administração:

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Com estes lançamentos, a SulAmérica Previdência passa a oferecer também fundos de investimento com gestão terceirizada, disponibilizando aos clientes ainda mais opções.

“Esta parceria permite que clientes e corretores da SulAmérica se beneficiem da sinergia entre a seguradora, com sua gestão ativa e portfólio diversificado, e a gestora, altamente especializada em seu setor de atuação”, destaca o vice-presidente da SulAmérica Investimentos, Vida e Previdência, Marcelo Mello.

Os novos fundos contam com o alto nível de gestão de risco e compliance da SulAmérica e a expertise da Brasil Plural. A parceria ocorre após um minucioso processo de avaliação e seleção que considerou transparência, histórico e excelência entre seus critérios.

Os riscos e desafios dos Jogos Olímpicos Rio 2016 em debate no 5º Encontro de Resseguro do RJ

Os-riscos-e-desafios-dos-Jogos-Olimpicos-Rio-2016-internaFonte: CNseg

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 serão o maior evento do planeta este ano, contando com 10.500 atletas de 206 países, envolvidos em 42 campeonatos e uma audiência global de 5 bilhões de pessoas.
E para saber mais detalhes sobre o evento, sua organização e os riscos envolvidos, os participantes do 5º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro encheram o auditório no segundo e último dia do evento, em Copacabana, para ouvirem o especialista em Segurança e Risco do Comitê Olímpico, Roberval Ferreira França e a presidente da Swiss Re Brasil, Margo Black, mediados nos debates por Saint’Clair Pereira Lima, da Bradesco Auto Re.

O primeiro a tomar a palavra foi Roberval Ferreira, que está diretamente envolvido na avaliação dos riscos contra atentados terroristas, uma das maiores preocupações da comunidade internacional com o evento, principalmente após os atentados na França e Bélgica. E, além desse, são muitos os riscos em potencial que preocupam a área de segurança, como, entre outros, epidemias, catástrofes naturais e manifestações sociais violentas. Em relação a esse último, o especialista em segurança afirmou já terem sido mapeados mais de 80 grupos potencialmente perigosos e disposto a ir às ruas, como ocorreu na época da Copa das Confederações. Já para evitar atentados com artefatos nucleares, todas as instalações olímpicas receberão detectores de radiação.

O especialista em Segurança e Risco do Comitê Olímpico, Roberval Ferreira França, o mediador Saint’Clair Pereira Lima, da Bradesco Auto Re e a presidente da Swiss Re Brasil, Margo Black.
Para dar conta dessa grande missão, foi criado um modelo operacional de segurança integrada, que contará com a participação de diversas entidades, tais como as polícias Militar, Federal, Rodoviária e Civil, a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, entre outros.

A presidente da Swiss Re Brasil, em sua apresentação, falou sobre a principal apólice contratada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para o evento, de 400 milhões de dólares de exposição ao risco e uma soma segurada de dois bilhões de dólares, sendo de 900 milhões para primeiro risco.
Essa apólice, contratada junto à Swiss Re e Munich Re, visa cobrir os custos da transmissão do evento em caso de cancelamento dos jogos, considerando quatro diferentes riscos. O primeiro, o risco de atentado terrorista, que se ocorresse, por exemplo, no evento de abertura – que deve contar com cerca de 110 chefes de estado e governo – poderia levar ao cancelamento dos jogos.

O segundo risco é o de catástrofes naturais, apesar de ser pouco provável a ocorrência de um evento de magnitude tal que pudesse levar ao cancelamento. O terceiro é o risco de pandemia, sendo a da Zika a mais preocupante, apesar de também não ser encarado como muito provável. E o quarto é o de manifestações violentas, também pouco prováveis em um nível que levasse ao cancelamento.

Apesar de todos esses riscos e desafios, os palestrantes se mostraram muito empolgados com o evento e a esperança de Roberval é que o Brasil saia-se muito bem, entrando em um círculo virtuoso de expansão, à semelhança do que ocorreu em Barcelona depois de sediar os Jogos Olímpicos de 1992. Vamos torcer!

Especialistas analisam momento atual do resseguro e apontam pontos que precisam de maior atenção

5 resseguroFonte: CNseg

O panorama atual do resseguro no Brasil foi o tema do ultimo painel do primeiro dia do 5o. Encontro de Resseguros, realizado entre 5 e 6 de abril, no Rio de Janeiro. Segundo os cinco participantes do painel, trata-se de um segmento com muitas frentes para desenvolvimento de negócios, seja trazendo ao Brasil produtos já consolidados em mercados maduros, como terrorismo, agronegócio, cyber risk, paramétricos e riscos ambientais, como também em abrir novas frentes para possibilitar o ingresso das seguradoras em nichos como saúde, vida, longevidade, com produtos e serviços inovadores que consideram o uso do Big Data para ofertas virtuais e pontuais, ainda sem base estatística que permita a precificação atuarial.

O panorama atual para as resseguradoras no Brasil é de crescimento das vendas, porém os resultados ainda estão bem aquém do que se esperava após cinco anos da abertura. De acordo com estudo da resseguradora local Terra Brasis, o volume de resseguro cedido pelas seguradoras brasileiras (bruto de comissão) foi de R$ 10,1 bilhões em 2015, aumento de 12,1% em relação aos R$ 9 bilhões apresentados em 2014. Deste volume cedido, R$ 6,1 bilhões foram colocados nas resseguradoras locais (crescimento de 20,1% em relação a 2014) e R$ 4 bilhões colocados nas resseguradoras Offshore (queda de 4,8% ante 2014).

Segundo apresentação de Paulo Botti, CEO da Terra Brasis, o resseguro aceito pelas resseguradoras locais relacionado a riscos do exterior teve um crescimento perto de 160%, passando de R$ 450,8 milhões em 2014 para R$ 1,16 bilhão em 2015, volume expressivo, equivalente a 16 % do total do resseguro aceito pelas resseguradoras locais. Já a sinistralidade das resseguradoras locais passou de 78% em 2014 para 98% em 2015. O ponto fora da curva foi o IRB Brasil Re, com sinistralidade de 61%. Já as outras locais apresentaram um indicador de 142%, desempenho influenciado por alguns sinistros de grandes proporções, ocorridos no quarto trimestre de 2015. O índice combinado, que mede a eficiencia operacional da operação, passou de 92% em 2014 para 113% em 2015, sendo 73% para o IRB e 160% para o conjunto das outras locais.

O retorno sobre o capital do conjunto de resseguradoras locais foi de 15,2% (24,9% para o IRB e 5,7% para o conjunto das demais locais), sendo que em 2014, o ROE foi de 12,6% (21,4% para o IRB e 3,2% para as demais resseguradoras locais). O resultado positivo na última linha, apesar da grande deterioração dos índices técnicos brutos, com exceção do IRB, foi influenciado pelos resultados positivos obtidos nas operações de retrocessão e pelos resultados de investimento apresentado pelas resseguradoras locais ao longo de 2015.

“Com o nível tributário que temos, o resultado das resseguradoras está prejudicado. Tirando o IRB, o resultado das locais piorou e a sinistralidade está elevada. Com a estabilização regulatória que podemos ter daqui para frente, e resultado positivos em volume e ruim em termos de resultado, temos de começar a trabalhar. A questão é como crescer, como ter um mercado mais maduro, como trazer os segmentos de vida, previdência e saúde para o resseguro, visto que hoje é praticamente zero no portfolio do ressegurador. Também temos o desafio de mudar a cultura de responsabilidade civil do automóvel, que mundialmente é responsável por 25% e aqui no Brasil é nula em nossos contratos”, comentou Botti, entre uma grande listas de prioridades para o setor de resseguro trabalhar neste ano.

Bruno Camargo, CEO da Fairfax Brasil Seguros Corporativos, comentou que o impacto da inflação é perverso para as contas do setor e tem um juro real extremamente alto, que também atrapalha. “Juros altos com necessidade de capital baixa, os retornos parecem bons, mas quando se analisa o risco e retorno não é algo animador”, comentou. Para o executivo da FariFax, dentro da indústria de P&C a principal questão a ser pensada é a de parcerias de longo prazo. “O mercado segurador e ressegurador ainda experimentam a relação de mercado aberto, com um puxando a corda para o seu lado. Mas essa questão de longo prazo é a chave da parceria. Não é a conta de mais e menos que o segurado faz que vai determinar a sustentabilidade dos negócios e sim a conta no final”, defendeu.

Estevam Souza, executivo da Porto Seguro, concorda que é preciso mais parceria entre os players do setor. “É determinante que se tenha muita integridade, uma palavra que tenho como diretriz na condução de relações comerciais. Diz que vai fazer e realmente faz. Buscar alguém para suportar as suas necessidades nas épocas boas e também não boas, fortalecendo uma relação de longo prazo”, frisou ele, acrescentando que hoje a companhia para a qual trabalha não compra resseguro, mas está aberta a conhecer melhor a infinidade de produtos e serviços que o mercado aberto pode proporcionar para todos. “A Porto Seguro não compra resseguro para catástrofe. Mas, junto com o apoio do ressegurador, podemos ser levados a uma estratégia com uma dose de risco. Como atuar em outro pais? Ou atuar em seguro de alta renda? São provocações para gerar reflexão, que a relação de parceria, duradoura, de longo prazo pode motivar bons negócios”, afirmou.

Bruno Freire, CEO da Austral Re, traçou um cenário um tanto desolador do que eram as expectativas em 2010 e sobre como praticamente quase nada deu certo até o presente momento em razão do panorama político e econômico que o Brasil mergulhou desde 2014. “Para 2016, sinto que temos um cenário ainda de poucos negócios, com investimentos parados, mas focados no desenvolvimento do setor para quando a economia retomar o crescimento”, disse.

Luiz Araripe, executivo da Aon Benfield, também reforçou em sua fala a importância das parcerias de longo prazo, mas priorizou a necessidade urgente das seguradoras e resseguradoras conhecerem seus clientes e colocarem à disposição produtos e serviços demandados. “A tecnologia traz novas oportunidade de entender o risco. Não dá para calcular as oportunidade de negócios que se abrem para todos se a tecnologia for usada para trazer ao mercado, produtos como cyber, ambiental, riscos catastrófico. A questão do big data é relevante para a nossa indústria para a subscrição de riscos com base em dados mais efetivos”, defendeu.

A crise traz oportunidades. Hoje tem muita gente boa disponível em outras indústrias que podem migrar para o setor. “Há muita gente disponível nos bancos de investimentos que podem ajudar o setor a ter produtos mais sofisticados e inovadores. Não temos programas de formação difundidos por parte das seguradoras e resseguradoras no exterior, mas esse investimento em pessoas tem de se acelerar, pois vai ser essencial para a gestão de pessoas no futuro.”, finalizou Bruno Camargo.