Seguro evolui no e-commerce, mas atrair consumidor é o maior desafio

Por Márcia Alves

O modelo de negócio de seguros está caminhando para o digital, mas ainda atrás de outros setores mais adiantados, como os bancos e as redes varejistas. A complexidade da operação, os altos investimentos e, principalmente, a resistência do consumidor em comprar seguros pela internet são os motivos de haver poucas empresas do setor presentes no canal online. Estas e outras questões foram discutidas no seminário “O Seguro na era do e-commerce: A viabilidade e o futuro do canal online”, promovido pela Associação Paulista dos Técnicos de Seguro (APTS) no dia 29 de setembro, em São Paulo.

André Gregori, CEO da Thinkseg, seguradora digital que está prestes a entrar em operação, prevê grandes mudanças nos processos e na estrutura do setor de seguros a partir da incorporação de novas tecnologias. “A tecnologia é caminho sem volta para o seguro”, disse. Mas, ele observa que o mercado brasileiro está atrasado em comparação aos dez países que visitou nos últimos cinco anos para conhecer mais de 20 diferentes operações online de seguros, que utilizam desde o canal mobile e chats comandados por robôs até as redes sociais.

Gregori aponta outros obstáculos, como a pouca familiaridade do consumidor de seguros com o canal online e a sua preferência pelo contato telefônico. “Os corretores até gostariam de ser online, mas é difícil”, disse. Ele constatou, ainda, em pesquisas que antecederam a criação da Thinkseg, que a população considera o seguro “caro, burocrático e pouco transparente”. Outra dificuldade é falta de novos produtos, que, a seu ver, inviabiliza o propósito dos corretores de diversificarem suas carteiras.

Segundo Gregori, a Thinkseg optou por um modelo de negócio colaborativo, que integra toda a operação de seguros dentro de uma plataforma. “Seguradoras, ambientes big data ou de bancos e quem queira trazer um produto diferenciado para a sua base poderá se plugar a essa plataforma”, disse. A seguradora digital terá sua operação em cloud e as vendas serão realizadas por meio de corretores de seguros e de indicações dos próprios clientes.

Depois de um ano de preparação, com pesquisas de mercado e desenvolvimento de tecnologia, a Minuto Seguro estreou no mercado em 2012, já com recursos captados de investidores estrangeiros interessados no negócio. O país atravessava um bom momento econômico e o CEO Marcelo Blay sabia que essa janela poderia se fechar. “Foi uma situação muito confortável. Desde então, seguimos em crescimento sustentável”, disse.

Mas, além de altos investimentos, a operação de uma corretora online se mostrou um empreendimento bastante complexo. Segundo Blay, o primeiro aprendizado foi constatar que a venda de seguro jamais será 100% online, primeiramente, porque o consumidor ainda prefere o contato humano. Daí porque a corretora investiu no capital humano, compondo um quadro de 150 funcionários.

De janeiro a agosto deste ano, a Minuto Seguro recebeu mais de 23 mil ligações, na média de mil telefonemas por dia, dos quais 97% foram respondidos em até 30 segundos. “Conseguimos sofisticar o atendimento e estamos ganhando o jogo no off-line”, disse. Mas, Blay também aprendeu que é preciso ter um sistema operacional robusto, gestão do site e que investimento em marketing custa caro (para se ter uma ideia, um clique no Google em seguro viagem custa em torno de R$ 8).

O executivo analisa que o maior entrave ao modelo digital é a necessidade de grande fôlego financeiro e o retorno no longo prazo. Por outro lado, entende que o modelo de corretora online está trazendo novos consumidores de seguros ao mercado. Um levantamento da Minuto Seguro indica que 75% dos consumidores nunca tiveram seguro. Para ele, os desafios da revolução digital poderão ser vencidos com maior especialização do setor e mais diálogo entre seguradoras e corretoras.

Fora do alcance do corretor

Richard Hessler Furck, CEO da H&H Corretora de Seguros, aprendeu a duras penas que a venda de seguro online está fora do alcance dos pequenos e médios corretores. Em 2010, embarcando na tendência do comércio eletrônico, ele fundou a corretora online Seguro Barato, perdeu dinheiro e fechou as portas quatro anos depois. “Aprendi que o universo digital era mais complexo do que eu imaginava”, disse.

Richard se deparou com conceitos novos, como SEO (otimização de sites), cookies, branding (gestão de sites), design responsivo e outros, além de constatar que os leads (novos contatos) na internet são caros e que a retenção de clientes é menor. Para tentar converter leads em vendas precisou manter uma equipe cujo custo inviabilizava a operação. “Essa estrutura é mais cara do que uma tradicional de vendas. Além disso, existe um limite de eficácia da participação humana”, disse.

Por fim, Richard também aprendeu que o mercado comprador de seguros é finito. “Se estamos todos vendendo para os mesmos, vale a pena investir dinheiro nisso?”, questionou. Sua conclusão é que a venda 100% online é impossível. “Mas, tenho plena convicção que o mercado digital é o futuro e quem não se inserir nele estará morto”, disse. Por isso, ele não descarta retornar ao comércio online.

“Agora, com toda essa complexidade e alto custo os corretores não teriam acesso. Mas, no futuro, com a tendência de barateamento das tecnologias e a entrada de empresas que possam terceirizar essa estrutura, os corretores poderão participar e fazer a sua parte, que é vender”, disse.

Pensar na “desjudicialização” ajudará a construir uma sociedade mais justa, afirmam estudiosos

Somos uma sociedade marcada por privilégios. E uma sociedade com tantos privilégios tem dificuldade de compactuar para chegar a consensos comuns para ser uma sociedade mais justa. Esse foi o debate que permeou o painel “Confiança: O Caminho da desjudicialização”, mediado por Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da Federação Nacional de Saúde (FenaSaúde), realizado na 6ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros organizada pela Confederação Nacional de Seguros (CNseg), com apoio da Escola Nacional de Seguros, em São Paulo, no dia 29 de setembro.

Ricardo Morishita, diretor de Pesquisas e Projetos do Instituto Brasiliense de Direito Público IDP e professor de Direito do Consumidor, destacou em sua apresentação que não os privilégios não se concentram em grandes grupos. “Pequenos grupos também exercem forte pressão para manter os benefícios. Com recursos escassos, é preciso ter consciência sobre as repercussões das decisões judiciais. Sei quem vou beneficiar, mas não sei quem vou prejudicar. Quem mais precisa, é quem menos pode pedir no judiciário”, ressaltou, referindo-se ao tema saúde, que representa boa parte dos processos movidos por consumidores e que se acumulam na Justiça.

Morishita cita o nobel Douglass North para explicar a sua teoria. Para North o desempenho econômico das sociedades resultará sempre de suas mudanças institucionais. O sucesso de uma sociedade justa não está no crescimento econômico, avanço tecnológico ou na acumulação de capital. “Está nas regras ou arranjos institucionais que estimulam ou inibam atividades nesse sentido”, comentou. Para Morishita, quando a sociedade pactua melhor, ela se consolida. Países ricos são democracias consolidadas. Assim como North, o professor de direito do consumidor afirma que sociedades pobres precisam desenvolver uma base de regras, leis e costumes capazes de estimular atividades economicamente produtivas.

Gonzalo Vecina, professor assistente da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), informou que a judicialização no Brasil custa R$ 7 bilhões por ano. “Só em São Paulo, R$ 1,2 bilhão. Ou seja, dos R$ 240 bilhões dos recursos da saúde no Brasil, R$ 7 bilhões são gastos com processos de pessoas que querem ter direito a algo muitas vezes inviável”, comentou. Os pedidos de medicações pela população ao Estado são os líderes das ações na justiça. Apenas um medicamento consome 20% dos R$ 8 bilhões destinados pelo Estado para a política farmacêutica, que inclui, inclusive, fraldas. Resumindo, temos uma política de assistência farmacêutica que não garante o que os pacientes exigem”, ressalta, acrescentando que se o Estado é obrigado por uma liminar a dar um remédio de alto custo para um, outros muitos ficarão sem fraldas.

Com enfrentar esse problema? Werson Franco Pereira Rêgo, desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, faz eco ao discurso de Morishita. “Os problemas são tão complexos que não há uma solução mágica. O que podemos fazer é discutir”, disse. Como satisfazer necessidades infinitas, com promessas constitucionais, com recursos finitos. Enquanto o juiz se preocupa com o consumidor, esquece dos outros que não estão no processo penal, mas que serão direta ou indiretamente impactados pela decisão, questionou Rêgo.

Entre as medidas sugeridas, os palestrantes citam identificar os privilégios, dimensionar seus efeitos econômicos e sociais e avaliar todo o processo. “Tem de seguir o caminho do dinheiro. Com isso, será possível enfrentar o problema, mudar o foco, olhar para todos os atores do processo e construir uma sociedade mais justa”, defende Morishita.

“Trata-se de uma tema muito difícil. Queremos que o outro abra mão do privilégio, mas eu não quero perder o que tenho. Mas temos de começar por nós. A principal mudança começa com nós mesmos. Uma sociedade justa exige consumidores e empresas conscientes para compactuarem. E é isso que vai criar o processo de desjudicialização”, finalizou Rêgo.

Solange Beatriz concluiu o painel com a mesma sensação de todos os que estavam na plateia e tiveram a oportunidade de ouvir a opinião de três renomados estudiosos: “Não é um problema fácil. Não temos respostas, mas sim os fundamentos para refletir. A judicialização tem uma relação direta com desenvolvimento e com a democracia. Acredito que sairemos todos daqui com uma boa base para pensarmos em como a nossa atuação pode ajudar a construir uma sociedade mais justa. É preciso muita honestidade para o debate e com certeza todos nós seremos beneficiados”.

Porto Seguro compra a carteira de seguros de automóveis da AIG

fabio luchetti portoA Porto Seguro assinou hoje um acordo de transferência da carteira de seguros de automóveis da AIG. A transação, que ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores competentes (CADE e SUSEP), tem por objetivo consolidar a posição da seguradora brasileira no segmento de auto.

Segundo comunicado, após a aprovação da transferência, a Porto Seguro assumirá a carteira de 25 mil clientes da AIG. As empresas garantirão uma transição sem impacto aos atuais clientes e Corretores para que haja a preservação das apólices e coberturas já contratadas, além da continuidade do atendimento. Os segurados também passarão a contar com os benefícios hoje oferecidos aos clientes do Porto Seguro Auto, como descontos em rede de estacionamentos, atendimento nos 270 Centros Automotivos Porto Seguro distribuídos em todo o Brasil, entre outros.

“A transação garante ainda aos clientes da AIG as mesmas condições de serviços, tratamento e atendimento que eles já possuíam antes, agora com benefícios oferecidos aos clientes Porto Seguro Auto, como descontos em espetáculos culturais e serviços de conveniência”, afirma Fábio Luchetti, presidente da Porto Seguro, em nota divulgada à imprensa.

Até a conclusão do processo, as seguradoras atuarão de forma independente e com continuidade das operações da AIG para oferecer aos seus clientes da modalidade auto todos os serviços e assistências contratados.

Otimismo em alta no setor de seguros

Em alta desde o início do ano, o Índice de Confiança do Setor de Seguros (ICSS) – um dos principais termômetros do mercado – subiu 71,5% no acumulado de janeiro a setembro. Segundo o levantamento da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), o resultado ref​lete​ o otimismo do empresariado em relação ao cenário político e a expectativa de mudanças positivas na economia brasileira. “ O principal desafio é recuperar o terreno perdido. O primeiro semestre foi duro para a economia brasileira e o setor de seguros também foi afetado. Mas a expectativa de retomada do crescimento é muito forte. Os empresários dão sinais de um reaquecimento neste segundo semestre, o que vai influenciar o desempenho dos corretores de seguros e seus negócios ”, destaca o presidente da Fenacor, Armando Vergilio.

Os resultados do ICSS são calculados a partir de pesquisa realizada pela Fenacor com 100 grandes empresas do setor, com pontuação de 0 a 200 para a confiança na economia, rentabilidade e faturamento. Também foram apurados outros três indicadores: ICSS (de confiança do setor de seguros no Brasil), ICER (Índice de Confiança e Expectativas das Resseguradoras) e ICGC (Índice de Confiança das Grandes Corretoras).

A pesquisa da Fenacor também apura a expectativa das empresas em relação ao crescimento da economia pelos próximos seis meses. T​​odos os três segmentos do mercado (seguradoras, corretoras e resseguradoras) registraram alta dos seus índices de confiança: 94%, 88% e 76%, respectivamente.

Quanto ao faturamento, 86% das corretoras; 98% das seguradoras e 92% das resseguradoras esperam um cenário mais favorável nos próximos seis meses. Na análise da rentabilidade, o otimismo segue em alta: 76% das corretoras; 84% das seguradoras e 77% das resseguradoras confiam na manutenção ou melhora dos índices atuais.

Blog Sonho Seguro comemora 10 anos

O blog Sonho Seguro entra numa nova fase para acompanhar a revolução digital que toma conta do mercado segurador no Brasil e no mundo. O novo projeto surge para comemorar os 10 anos de vida do portal, criado a partir do sucesso da cobertura diária do setor pelo jornal Gazeta Mercantil, que foi por 20 anos uma referência pela eficiente cobertura dos temas que envolvem esse importante segmento da economia, que ainda carece da atenção das mídias, dos governos, das empresas e das famílias.

O objetivo do blog é o mesmo. Promover conteúdo diferenciado sobre essa indústria que movimenta 4,4 trilhões de dólares em todo o mundo. O Brasil, um gigante ainda adormecido, tem muitas oportunidades para as empresas de seguros conquistarem uma representatividade adequada ao tamanho da economia.

A expectativa é de que o mercado de seguros brasileiro alcance ao final de 2016 a arrecadação de R$ 395 bilhões, significando crescimento real de 1,5% sobre 2015. Sobre o PIB, a arrecadação deverá representar 6,4%, contra 6,1% em 2015. Com as parcerias com startups que surgem como parceiras para que as seguradoras possam construir o futuro, a aposta é de que logo esse setor atingirá o tão sonhado desejo de representar 10% do PIB, como Estados Unidos, Japão e potenciais europeias.

CONQUISTAS – Embora a participação do mercado segurador no PIB brasileiro tenha aumentado de 1% para 6% nos últimos 15 anos, o país ainda é apenas o 44º colocado no ranking mundial de consumo per capita do produto. Cerca de 38 milhões de automóveis circulam sem seguro pelas cidades brasileiras, quase 60 milhões de residências não possuem nenhum tipo de apólice patrimonial e cerca de 3 milhões de empresas ainda não dispõem de nenhum tipo de proteção. Em benefícios, podemos citar que mais de 150 milhões de pessoas sem plano de saúde, 120 milhões sem seguro de Vida e Acidentes Pessoais e 180 milhões sem Plano Dental.

O mundo corporativo é um grande alvo de notícias do Blog Sonho Seguro, tendo como foco despertar ainda mais a percepção de risco das empresas e gestores de risco e assim contribuir para tomadas de decisões estratégicas mais seguras. Desde um seguro que pode ajudar a trazer ganho financeiro para uma varejista ao ofertar apólices aos seus clientes, como os seguros que visam mitigar as perdas nos projetos de infraestrutura, bem como reduzir o custo de financiamento de projetos.

Vale lembrar também dos seguros financeiros, ainda mais depois de tantas perdas ocorridas nos últimos dois anos. O objetivo é alertar as empresas dos riscos do dia a dia e mostrar a variedade de produtos e serviços que corretores, seguradoras, resseguradoras e agora as startups ofertam. O Brasil tem seguros importantes que sequer engatinham ainda, como o risco cibernético, o ambiental, os seguros paramétricos.

PRODUTOS DO BLOG – Para atingir o objetivo de levar aos internautas informações diferenciadas, o blog Sonho Seguro tem como linha mestra a realização de entrevistas com executivos relevantes do setor, trazer a movimentação de bastidores do setor que sinalize tendências de comportamentos financeiros e econômico, pesquisas, estudo e cobertura de eventos que sirvam para manter os profissionais permanentemente sintonizados com os temas mais importantes e atuais da área. Nesta nova fase, os vídeos, preferido da nova geração para receber informações, serão priorizados.

Captura de Tela 2016-10-11 às 16.08.40O blog Sonho Seguro passa a comercializar banners em diversas formas de acordos publicitários, desde que não interfiram na linha editorial independente, que tem o leitor como o principal beneficiado. Mantendo a tendência das mídias, o blog terá espaço para “Conteúdo Patrocinado”, viabilizando financeiramente o veículo a investir na participação de eventos e na produção de conteúdo qualificado sobre temas relevantes debatidos diariamente nos bastidores, nas empresas, em congressos, seminários e coletivas.

Todos os conteúdos produzidos pelos jornalistas do blog são compartilhados nas mídias sociais como Facebook, Linkedin, Twiiter, como também enviado para assinantes que se cadastram para receber a Newsletter, enviada diariamente por volta das 15 horas. A Newsletter passa a contar com espaço para patrocinadores. Aliás, anunciantes serão muito bem vindos para viabilizar financeiramente o blog e assim os diversos públicos, como investidores, clientes, profissionais internos e externos, fornecedores e governos possam contar com a cobertura de notícias exclusivas e assim ampliar cada dia mais o conhecimento que têm desta indústria.

O blog também está aberto para parcerias que visem a divulgação desta indústria que pagou mais de 62 bilhões aos clientes no primeiro semestre deste ano. Contar a história de pessoas que puderam retomar a vida depois de acidentes é um dos projetos já em curso. Quanto mais patrocinadores, mais esse projeto levará a sociedade a importância do mercado segurador.

A frase que mais escuto dos entrevistados é: a história do mercado mostra que existem condições de superação, mas é preciso agir para sobreviver. Então vamos gerar conteúdo e mostrar para a sociedade como as empresas do setor podem contribuir para o crescimento sustentável do Brasil.

Desejo que as parcerias tragam sucesso a todos nós, apaixonados por esta indústria de seguros que tem como missão ajudar indivíduos, famílias, empresas e governos a reconstruírem o que foi devastado por uma fatalidade.

2017 também será um ano desafiador, afirma CEO da Swiss Re Corporate Solutions

João Nogueira, CEO da Swiss Re Corporate Solutions, comenta sobre o cenário desafiador de 2016, e na aposta da retomada da economia a partir de 2017. A Swiss Re Corporate Solutions se prepara para o crescimento no próximo ano e reforça o interesse do grupo suíço em investir no Brasil, por meio de lançamento de produtos pioneiros no mercado nacional.

Transparência para que clientes entendam a oferta, recomenda Eduardo Giannetti

O economista Eduardo Giannetti destacou a importância do mercado segurador para respaldar o crescimento do Brasil. “Embora o setor tenha crescido mesmo diante do recuo do PIB, há outros sinais de que há muito mais para avançar”, comentou em sua palestra de encerramento da 6ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros organizada pela Confederação Nacional de Seguros (CNseg), com apoio da Escola Nacional de Seguros, em São Paulo, que acontece nesta quinta-feira, em São Paulo.

Embora a participação do mercado segurador no PIB brasileiro tenha aumentado de 1% para 6% nos últimos 15 anos, o país ainda é apenas o 44º colocado no ranking mundial de consumo per capita do produto. Ele cita dados do setor como os 150 milhões de pessoas sem plano de saúde, 120 milhões sem seguro de vida e acidentes pessoais e 180 milhões sem plano dental. Além disso, cerca de 38 milhões de automóveis circulam sem seguro pelas cidades brasileiras, quase 60 milhões de residências não possuem nenhum tipo de apólice patrimonial e cerca de 3 milhões de empresas ainda não dispõem de nenhum tipo de proteção.

Do que depende o crescimento do setor?, questiona. Ele cita três fatores. O primeiro é a normalização econômica, com um PIB que volte a crescer, um desemprego que caia e a melhoria da renda da população. Em segundo lugar ele cita as reformas institucionais, como a da previdência, da saúde e também do mercado de trabalho. E em terceiro, ele cita que o avanço do setor depende da inovação e criatividade, bem como competição saudável para que o consumidor possa receber a melhor oferta de produto em preço e em qualidade.

A reforma previdenciária e trabalhista são imperativas. Assim como a demográfica, que é relevante para quem atua no mercado segurador. “Teremos em 2050 30% da população com mais de 60 anos. Tínhamos nove trabalhadores para cada aposentado e hoje já são 5,5. Em 2050 serão dois trabalhadores para cada aposentado. Não dá para que pessoas se aposentem com 52 ou 53 anos. A questão é : deixa arrebentar, ou vamos agir preventivamente para que o sistema tenha coerência”, comentou.

Com tais reformas, diz, o mercado segurador vai se redefinir. Ele afirma que a eficiência e inovação é que legitima a existência de uma empresa no mercado. « A inovação não e fazer melhor e sim o que ninguém está fazendo. Identificar um nicho de mercado e sai na frente porque oferece algo para uma demanda genuina. A tecnologia permite produtos personalizados, acrescenta, além da descoberta de novos nichos como o risco cibernéticos. Citou também a economia compartilhada, na qual haverá a necessidade de se precaver de risco. Além da redução de custo, se souber usar as ferramentas de forma adequadas.

Fala-se muito em educação financeira, que para ele, o atual cenário não vai mudar no curto espaço de tempo. “Vocês têm de entender o consumidor e não prejudicar o mercado por não entender a precariedade de quem está do outro lado. Não adianta colocar um contrato na mão do cliente, pois as pessoas não leem. Tem de ter comunicação verbal clara, direta, para que esteja claro para todos o que esta sendo comprado. É fundamental esse entendimento. Seria muito bom trabalhar com clientes bem formados. Mas isso demorará para acontecer. O setor tem tudo para florescer, mas é preciso fazer isso de uma forma sem conflitos, pois não interessa a ninguém que as coisas terminem na Justiça”.

Para finalizar, ele enfatizou que o mercado segurador tem em sua base a confiança como um elemento fundamental. “A mudança de governo abre espaço para negociações e acordos voluntários. Uma aposta na liberdade. Mas é fundamental que haja transparência e confiança entre as partes, se não vamos voltar para um excesso de regulação que não interessa a ninguém”, sugeriu.

ARTIGO: Planos de saúde são obrigados a cobrir Home Care

Luciano Correia Bueno Brandãopor Luciano Correia Bueno Brandão, advogado especialista em Direito à Saúde, do escritório Bueno Brandão Advocacia

Doenças incapacitantes como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), infartos severos, demência, Parkinson, doenças pulmonares crônicas ou osteoarticulares são apenas alguns exemplos de enfermidades que implicam numa drástica limitação do indivíduo e acarretam a necessidade de um acompanhamento constante. Isto pode ocorrer tanto em idosos quanto jovens, uma vez que os acidentes de trânsito somam 42% do número de pacientes que sofrem lesões medulares e vem a apresentar quadros de paraplegia ou tetraplegia, demandando por assistência ininterrupta.

Nesse contexto, onde o paciente apresentam um altíssimo grau de dependência para as funções mais básicas, o home care, é comumente aplicado pelas operadoras de planos de saúde e seguradoras. Porém, fica a questão: os planos de saúde e seguradoras estão legalmente obrigados a arcar com este tipo de custo? Em muitos casos os contratos fazem expressa menção à exclusão de cobertura de atendimento domiciliar e, em outros tantos casos, são omissos nesse tocante. Por isso, é necessário avaliar a natureza e o contexto em que se insere a necessidade do atendimento domiciliar, pois planos e operadoras de seguro saúde pretendem eximir-se da cobertura de tais despesas.

Nos casos em que há expressa exclusão contratual, inicialmente, deve prevalecer o princípio pelo qual o que foi contratado faz lei entre as partes. Assim, se o contrato não prevê – ou exclui expressamente -, atendimento de natureza domiciliar (como consultas, colheita de material para exames, ou prestação de determinado atendimento na residência do paciente etc), obviamente o paciente não poderá exigir, para sua mera comodidade, que o serviço seja prestado.

Situação diferente, no entanto, se o caso decorre de uma extensão da internação hospitalar. Por exemplo, um paciente vítima de um derrame cerebral, que tenha suas funções motoras totalmente comprometidas. Evidentemente estará sujeito a necessidade de acompanhamento ininterrupto por tempo indeterminado. Diante de tal quadro e havendo indicação médica, quer haja ou não expressa previsão contratual excluindo a cobertura de atendimento domiciliar, tal imposição não pode prevalecer e a cobertura é exigível.

Prestar um serviço de forma parcial ou incompleta equivale a não prestá-lo. Nos casos em que o tratamento domiciliar se mostrar como verdadeira extensão ou desdobramento da internação hospitalar, deve haver cobertura integral dos procedimentos necessários. Da mesma forma, não há o que se falar em limitação temporal da prestação do atendimento domiciliar, que deve persistir enquanto houver necessidade. Diante de eventual negativa por parte das operadoras na cobertura das despesas com o home care, o paciente ou seus familiares podem e devem recorrer ao Judiciário.

Atualmente, a posição majoritária dos tribunais é no sentido de reconhecer que as operadoras de planos e seguros saúde tem o dever de cobrir o tratamento sob a modalidade de home care, diante de indicação médica.
Artigo de:

(http://www.buenobrandao.adv.br/).

Quem é quem – Armando Vergilio, presidente da Fenacor

armando-vergilioArmando Vergilio é presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada, das Empresas Corretoras de Seguros e de Resseguros (Fenacor. Ingressou no mercado de seguros em 1985, como securitário. Formado corretor de seguros em 1989, é empresário no setor desde então. Armando Vergilio é

Foi superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), presidente da Copaprose e vice-presidente do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). Também foi presidente da Escola Nacional de Seguros, do SINCOR-GO e do COREMEC (Conselho Regulamentador dos Mercados Financeiro, de Capital e de Seguros, de Previdência e de Capitalização).

Exerceu ainda mandato de deputado federal pelo Estado de Goiás (legislatura 2011 a 2015) e foi diretor, hoje membro titular, do Conselho da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Em Goiás, ocupou cargo de Secretário de Estado de Governo e de Assuntos Institucionais; das Cidades; de Trabalho; e de Previdência e Seguridade. Atualmente, é Membro do Conselho Superior da Academia Nacional de Seguros e de Previdência (ANSP) e do Conselho de Administração da Escola Nacional de Seguros.

Como vê os desafios e oportunidades para o setor neste ano?

O principal desafio é recuperar o terreno perdido. O primeiro semestre foi duro para a economia brasileira e o setor de seguros também foi afetado. Mas a expectativa de retomada do crescimento é muito forte. Os empresários dão claros sinais de um reaquecimento neste segundo semestre, o que vai influenciar o desempenho dos corretores de seguros.

Um destes sinais vem do Índice de Confiança do Setor de Seguros (ICSS), calculado pela Fenacor, que ultrapassou 100 pontos em julho, chegando a 101,2. Foi o primeiro valor positivo depois de 30 meses. O mesmo levantamento apontou que 83% dos corretores de seguros e 81% dos seguradores esperam um cenário mais favorável nos próximos seis meses.

O mercado de seguros cresceu na casa dos dois dígitos até 2014. Andou de lado no ano passado e, em 2016, ainda há tempo para evitar perdas acentuadas em função da crise econômica.

Quais as principais mudanças previstas para os segmentos até 2017?

As oportunidades surgem em diferentes modalidades. O seguro popular de automóveis, que hoje é tema de consulta pública pela Susep, vem para impulsionar em até 30% o volume da frota segurada. Esse produto vai atenuar os efeitos da redução de vendas da indústria automobilística. E pode agregar ao mercado mais de 20 milhões de veículos, que hoje trafegam pelas ruas sem qualquer cobertura securitária.

No ramo garantia, avança no Congresso Nacional o projeto que aumenta o limite de cobertura sobre o valor segurado, de 10% para 30%. A proposta viabiliza grandes obras, tanto públicas quanto privadas. O mercado de seguro garantia cresceu 28% em 2015, com R$ 1,7 bilhão em prêmios emitidos. Com mudanças na lei, podemos esperar bons resultados no próximo ano.

Também no Congresso tramita projeto que regulamenta o VGBL Saúde. Essa modalidade é fundamental para garantir um atendimento médico qualificado aos futuros aposentados e uma ótima oportunidade de negócios para os corretores de seguros.

Como atrair os consumidores para o mercado segurador?

Maria Helena Monteiro e Renato Campos, diretores da Escola Nacional de Seguros, e Alexandre Camillo, presidente do Sincor-SP, dão suas opiniões sobre como atrair o consumidor para o mercado segurador. Veja: