Arrecadação total do setor cresceu 3,2% em 2017, para R$ 247 bi

por Lauro Faria, economista da Escola Nacional de Seguros

Em dezembro de 2017, a arrecadação do mercado segurador regulado pela Susep alcançou R$ 24,3 bilhões, o que representou expansão de 16,5% sobre a arrecadação do mês imediatamente anterior. Desagregando-se o dado de arrecadação global por grandes grupos de produtos, as taxas de variação, em relação ao mês imediatamente anterior, foram as seguintes:

+14,6% em ramos elementares, sem DPVAT (+14,9% para o carro-chefe do grupo, os seguros de automóveis);
+14,2% em planos de risco de coberturas de pessoas;
+17,1% em planos de acumulação de coberturas de pessoas;
+26,3% em títulos de capitalização e
-1,3% em prêmios de DPVAT

Deve-se assinalar que os dados acima são a primeira impressão do verificado no mercado em dezembro passado, sendo possível que eventuais revisões pelas empresas (que costumam ocorrer) mostrem um quadro mais favorável, principalmente dos planos de acumulação que costumam acelerar bastante no último mês do ano.

No acumulado de 2017, a arrecadação atingiu R$ 247 bilhões, com expansão de 3,2% sobre 2016. Em termos de grandes grupos, ramos elementares, sem DPVAT, cresceu 6,6%; planos de risco de coberturas de pessoas, 10,9%; planos de acumulação de coberturas de pessoas, 2,6%; títulos de capitalização, queda de 2,3% e prêmios de DPVAT, idem de -32%.

Foram notáveis, na comparação de 2017 com 2016, as recuperações das receitas dos seguros prestamista (-6,5% em 2016 e +23,4% em 2017), do seguro de automóveis (-2,4% em 2016 e +6,7% em 2017) e do seguro de garantia estendida (-9,3% em 2016 e +5,6% em 2017) em linha com a recuperação do conjunto da economia brasileira.

A assinalar ainda em 2017 a mudança do ranking de crescimento entre os principais grupos, com planos de risco de seguros de pessoas e ramos elementares sem DPVAT liderando ao passo que, em 2016, a liderança coube de longe aos planos de acumulação de coberturas de pessoas. Sem considerar DPVAT, capitalização e planos de acumulação, a taxa de crescimento da receita do mercado regulado pela Susep foi de 8,1%, um resultado positivo e a comemorar numa economia que se espera tenha crescido em torno de 1% com uma in ação de 2,9%.

No que concerne às contribuições aos planos de acumulação, houve, particularmente no segundo semestre de 2017, o impacto das baixas taxas de juros, em particular sobre o VGBL que confere benefício scal ao participante. O motivo é simples: quanto menor a taxa de juros básica (Selic), menor a taxa de retorno dos títulos em carteira, maior o peso relativo dos custos dos planos sobre a rentabilidade líquida (antes dos impostos) e, portanto, menor o incentivo das aplicações.

Uma saída evidente é permitir maior assunção de risco e, portanto, maior expectativa de retorno às carteiras dos fundos de planos de previdência complementar aberta. Foram, portanto, bem-vindas as Resoluções CNSP 348 e 349, de dezembro de 2017, que visam dar mais exibilidade de aplicação e resgate aos planos da previdência complementar aberta.

Assim, foi instituída a gura do “participante qualificado”, isto é, investidor com investimento nanceiro superior a R$ 1 milhão e que tenha atestada sua condição perante a CVM. Fundos que contam com tais participantes, consoante o CMN, podem assumir mais riscos nas aplicações que realizam.

As citadas resoluções criaram também dois novos tipos de produtos: (i) os PGBL e VGBL programados e os PGBL e VGBL referenciados. Os programados oferecem a possibilidade de pagamentos nanceiros programados durante o período de diferimento e os referenciados poderão apresentar, durante o período de diferimento, garantia mínima de desempenho atrelado a percentual de um índice de renda fixa de ampla divulgação bem como a reversão, total ou parcial, de resultados financeiros.

No acumulado de 2017, a sinistralidade do grupo de seguros de ramos elementares, sem DPVAT, foi de 52,5% com queda absoluta de 1,2 p.p frente a 2016. No grupo de planos de risco de coberturas de pessoas, tal variável foi de 26,1% em 2017, com queda absoluta de 10,6 p.p frente a 2016.

Movimento inverso ocorreu com o índice de despesas de comercialização que foi de 22,3% em ramos elementares (sem DPVAT), com aumento de 0,8 p.p sobre 2016, e de 29,4% nos planos de risco de coberturas de pessoas, com elevação de 0,4 p.p sobre 2016. Em vista desses fatos, e das quedas de 19,2% e de 12,9% nos resultados nanceiro e patrimonial, respectivamente, em 2017 em relação a 2016, o lucro líquido agregado das seguradoras na área da Susep caiu 5,7% e a rentabilidade do patrimônio líquido agregado das seguradoras passou de 23,3% em 2016 para 19,8% em 2017.

Note-se que a projetada redução da taxa Selic em 2018, ainda que em menor intensidade que a ocorrida em 2017, continuará a exigir melhora do resultado técnico das seguradoras tendo em vista a manutenção da rentabilidade global dos seus patrimônios.

No setor de Saúde Suplementar, os últimos dados o ciais (da ANS) ainda se referem a setembro de 2017. Assim, nos três trimestres de 2017, a receita de contraprestações montou a R$ 133,4 bilhões, 10,3% acima do mesmo período de 2016. A sinistralidade nesse mesmo período caiu de 84,2% para 83,7%. Quanto à macroeconomia, os últimos dados de 2017 autorizam a manutenção de um otimismo realista em 2018, pois dependente ainda de muitas incertezas. Assim, o índice IBC-Br do Banco Central, indicador antecedente do PIB, cresceu 0,5% entre novembro e outubro de 2017, 2,8% entre novembro de 2017 e igual mês de 2016, e 1% no acumulado de 2017 contra o acumulado de 2016.

A produção industrial cresceu 2,5% em 2017 frente a 2016, após sucessivas quedas nos anos anteriores. Contribuiu fortemente para tal variação positiva da indústria a produção de veículos automotores, grande demandante de seguros. A taxa de desocupação fechou dezembro de 2017 em 11,8% da PEA, percentual ainda elevado, mas mostrando baixa contínua desde março quando atingiu 13,7%. Esses dados e outros também favoráveis têm estimulado expectativas de crescimento do PIB real em 2018 de até 3%, sem dúvida, um resultado muito favorável que, se ocorrer, tende a estimular em muito a atividade securitária. Daí o otimismo.

Carta do Seguro: 2017, um ano positivo para o setor de seguros

Fonte: CNseg – Carta do Seguro

por Márcio Coriolano, presidente da CNseg

Divulgados os dados de dezembro pela Susep, o conjunto do ano de 2017 permite comparação com o ano precedente. Se o desempenho de 2016 havia sido protagonizado pelo segmento de Pessoas (15,4%), com modesto aumento de Ramos Elementares (1,2%), o primeiro semestre de 2017 parecia apontar para a repetição desse cenário, mas os planos de acumulação perderam o ritmo até o m do ano, fazendo o segmento de cobertura de Pessoas fechar com 4,7%, ao passo que o inverso se deu no segmento de Ramos Elementares, que cresceu 6,6%. Como o VGBL pesa signi cativamente na carteira global do mercado, a sua perda de ritmo influenciou a taxa total da arrecadação de 2017, de 4,6%.

O ano pode ser considerado como positivo para o setor de seguros. O ramo de Automóveis, com aumento de 6,7%, teve bom desempenho, seja como resultado da retomada de produção e venda de veículos, seja pela retarifação que se seguiu ao agravamento dos riscos. No ramo patrimonial massificados chegou a 8,4%. Como evidenciado ao longo das últimas cartas, os ritmos mais fortes foram vistos nos ramos de Crédito e Garantias (21,4%), Rural (13,1%), Planos de Risco de Pessoas (11,7%) e Habitacional (9,7%). Com o DPVAT, a arrecadação total em 2017 foi de R$ 247,1 bilhões. As provisões técnicas alcançaram R$ 905,7 bilhões.

Kanye West e Lloyd’s of London resolvem disputa de US$ 10 milhões

Kanye West e o Lloyd’s of London chegaram a um acordo sobre a disputa do seguro de eventos que tinha cobertura no valor de US$ 10 milhões. A cobertura acionada foi “no show”, pois 21 shows da turnê foram cancelados pelo ator alegar uma crise emocional, algo similar a uma estafa, em 2016. O Lloyd’s alegou que o músico usou drogas e citou a cláusula do contrato em que exclui problemas pelo uso de álcool e drogas.

O astro processou o Lloyd’s, alegando que seu tratamento foi de cunho psiquiátrico. Um juiz na Califórnia mediou o caso na quarta-feira depois de ter sido solicitado a fazê-lo por advogados de ambos os lados. Os advogados de West e do Lloyd’s recusaram-se a comentar a decisão, segundo informou a BBC. Disseram apenas que o assunto foi resolvido “amigavelmente”.

Luis Henrique Meirelles Reis assume comissão de garantia estendida da FenSeg

Fonte: CNseg

A diretoria da FenSeg, em reunião realizada em 7 de fevereiro, homologou ao indicação de Luis Henrique Meirelles Reis, chefe de affinities da Zurich Minas Brasil Seguros, para exercer a função de presidente da Comissão de Garantia Estendida da Federação. Luis Henrique assume em substituição a Marco Aurélio Garutti de Araujo, da Seguros Sura, que esteve à frente da Comissão desde dezembro de 2016.

A Garantia Estendida é um seguro que tem a finalidade de aumentar o tempo de proteção de produtos como eletroeletrônicos, eletrodomésticos, eletroportáteis e diversos outros contra defeitos de funcionamento, após o término da garantia do fabricante, sendo comercializado, em grande medida, em lojas de varejo.

A Comissão de Garantia Estendida da FenSeg tem, entre as suas missões, defender as melhores práticas na comercialização do produto, estimular sua difusão e combater a desinformação a seu respeito. Para isso, inclusive, já lançou, em 2016, a cartilha “Entenda o Seguro de Garantia Estendida: Orientações para o Consumidor” e o “Manual de boas práticas em seguros: Orientações gerais para varejistas” e, em 2017, a cartilha “Entenda o Seu Seguro – O Seguro Garantia Estendida e o Seguro Celulares/Portáteis: Orientações para o Consumidor”. Outra importante ação de educação em seguro que contou com a participação da Comissão foi o lançamento do site “Entenda o seu seguro”, que explica em detalhes o funcionamento do Seguro Garantia Estendida.

Rádio CNseg: Por que o consumo per capita de seguro no Brasil ainda é baixo?

Coriolano: Conexão com todos é o caminho a seguir

O baixo consumo per capita de seguro no País é o tema do programa Fala presidente, da Rádio CNseg. Marcio Coriolano compara o Brasil com outros países do mundo nessa questão da educação, as primeiras questões que nos surgem são as do emprego, da renda e do produto. Um país como o Brasil, que tem renda per capita menor do que os chamados países centrais (Estados Unidos, nações europeias etc.) tende a ter um consumo per capita menor de seguro.

FenaSaúde informa que ressarcimento dos planos de saúde ao SUS não traz prejuízos ao consumidor

Release

O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve, nesta quarta-feira (07), o dispositivo que regula a obrigatoriedade dos planos de saúde de reembolsarem o Sistema Único de Saúde (SUS), previsto na Lei 9656/98. Na análise da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), a decisão do Supremo não trará impacto prático na operação das operadoras nem nos valores das mensalidades dos planos de saúde. Do início da regulação – a partir da criação da ANS – até o ano passado, as associadas à FenaSaúde já desembolsaram R$ 371,6 milhões ao SUS.

A Federação lembra que suas empresas afiliadas já levavam em consideração – nos cálculos atuariais das mensalidades dos planos – os custos assistenciais referentes ao ressarcimento ao sistema público. “A decisão do Supremo não vai trazer qualquer modificação para o que hoje as operadoras já vêm cumprindo. As empresas obedecem rigorosamente a regulamentação da ANS, que se dá com base nos dispositivos da Lei 9.656. Portanto, esses pontos questionados – no processo de ação judicial da ação de inconstitucionalidade, que foi objeto da decisão – foram no sentido de validar esses dispositivos legais. As associadas à FenaSaúde já vêm cumprindo essas obrigações desde a edição da Lei dos Planos de Saúde e da regulamentação da ANS”, afirma Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da Federação.

Importante esclarecer que, no caso das associadas à Federação, a utilização do SUS por seus beneficiários decorre, geralmente, quando vítimas de acidentes em vias públicas são levadas, inicialmente, a hospitais do SUS, seguindo determinações previstas em legislação vigente.

De acordo com a presidente da FenaSaúde, é uma inverdade a afirmação de que todas as operadoras tenham interesse em direcionar seus beneficiários para a rede do sistema público. “As operadoras foram responsáveis por cerca de 1,3 bilhão de procedimentos em 2016 segundo dados da ANS, muitos deles de alta complexidade. Precisamos ser informados quando um consumidor do serviço dá entrada no SUS, para promover sua transferência para a rede privada o mais rápido possível, levando sempre em consideração seu estado de saúde. Isso diminuiria consideravelmente os valores de ressarcimento”, explica Solange Beatriz.

Vale pontuar, ainda, que a alegação de que os beneficiários de planos de saúde sobrecarregam a rede pública é uma descrição completamente invertida dos fatos, já que é obrigação do poder público oferecer atendimento integral e com acesso universal. Antes de serem beneficiários de planos de saúde, brasileiros que contratam a saúde privada também são cidadãos e podem optar pelo meio de atendimento público. Esse é um direito constitucional.

“Na questão conceitual, entendemos que há dupla cobrança aos beneficiários de planos de saúde. Esses recursos que as empresas desembolsam o ressarcimento são oriundos das mensalidades pagas pelos consumidores, que já contribuem com a quitação de impostos para financiar o sistema público de saúde. Mas esse não foi o entendimento do STF. Na prática, de fato, nada muda para as associadas à FenaSaúde e seus beneficiários”, destaca a presidente da FenaSaúde.

Na mesma sessão do STF, foram definidas outras ações relacionadas aos planos de saúde, como a informação ao consumidor sobre as eventuais negativas de atendimentos, de acordo com a cobertura contratual; a vedação ao reajuste dos planos de saúde para idosos; e a confirmação de que planos anteriores à edição da Lei 9.656/98 não são regulamentados por essa norma.

Zurich reporta lucro líquido de US$ 3 bi em 2017

A Zurich anunciou uma recompra de ações de US$ 1 bilhão e um aumento de dividendos, apesar de uma queda de 15% em seus lucros anuais. Como outras seguradoras, a Zurich foi atingida por grandes pedidos de indenização após uma série de furacões no outono passado no Caribe e nos EUA. As tempestades tiraram US$ 700 milhões do lucro operacional, que recuou em 15%, para US$ 3,8 bilhões. O lucro líquido recuou 6%, para US$ 3 bilhões.

O CEO Mario Greco disse em vídeo: “Em um ano de eventos meteorológicos históricos, nosso foco e disciplina proporcionaram um desempenho forte. Melhoramos a subscrição, reduzimos os custos e expandimos nossas ofertas de serviços, ao mesmo tempo em que aumentamos os prêmios e melhoramos nossos níveis de retenção de clientes. Essas conquistas nos tornaram resilientes ante os desafios e nos dão confiança enquanto olhamos para a frente para entregar nossos objetivos de 2017 a 2019.”

FNDE seleciona seguradoras para ofertar apólice de vida para estudantes do Fies

O Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE) abriu o processo para habilitar seguradoras, com o objetivo de ofertar seguro prestamista para a cobertura do crédito, nas hipóteses de sinistro em caso de morte ou invalidez permanente, do estudante financiado pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

O edital tem por objeto habilitar seguradoras para ofertarem apólices de seguro para garantir a quitação do saldo devedor do contrato de financiamento concedido por meio do Fies, nos caso de morte ou invalidez permanente do estudante financiado, conforme as especificações constantes no edital. Os documentos relativos à habilitação deverão ser entregues até a data limite de 21 de fevereiro de 2018.

O edital correspondente está disponível aos interessados no endereço eletrônico www.fnde.gov.br, em seu inteiro teor. Dúvidas poderão ser dirimidas via e-mail: digef@fnde.gov.br.

IRB Brasil RE registra lucro de R$ 925 milhões em 2017, alta de 8,9%

O IRB Brasil RE projeta crescimento de 9 a 16% em prêmios emitidos em 2018 ante 2017. O índice combinado ampliado deste ano em 70% a 76%, e o índice de despesa administrativa em 5,4 a 6,4%, segundo comunicado enviado a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em 2017, o lucro líquido foi de R$ 925,1 milhões no acumulado do ano, crescimento de 8,9% sobre 2016. O ROAE (Retorno Médio Sobre o Patrimônio Líquido) ficou em 26,8% no período. Outro destaque foi a receita com prêmios emitidos, que teve alta de 17,4% em comparação a 2016, totalizando R$ 5,8 bilhões. Desse montante, R$ 3,7 bilhões foram prêmios emitidos no Brasil e R$ 2,1 bilhões no exterior.

Desse montante, R$ 3,7 bilhões foram prêmios emitidos no Brasil e R$ 2,1 bilhões no exterior. Um fator decisivo para essa alta foi o maior volume de contratos conquistados ao longo do ano. O segmento que liderou a emissão de prêmios emitidos no Brasil foi Property, que respondeu por 36,8%. Outras duas linhas de destaque no país foram: Rural (28,5%) e Vida (7,9%). Já no exterior, Vida respondeu por 35,1% dos prêmios emitidos, seguido por Property (26%), Rural (20,8%) e Aviação (7,8%).

Para o presidente José Carlos Cardoso, mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador, a estratégia adotada se mostrou assertiva. “A subscrição de novos contratos e a ampliação da participação em outros já existentes, além do desenvolvimento de novos produtos foram fundamentais para os resultados obtidos em 2017. Este ano, iremos seguir com a mesma estratégia, para que possamos, mais uma vez, compensar a tendência de queda da taxa SELIC, com entrega de resultados anuais crescentes. Temos o compromisso de seguir ampliando nosso negócio e, para isso, estamos investindo fortemente em pessoas e em tecnologia”, afirmou o presidente.

O resultado de subscrição também apresentou forte crescimento e somou R$ 817,0 milhões, 29,6% acima, frente ao ano anterior. Esse desempenho ocorre devido à nova realidade de preços, produtos com maior valor agregado, melhoria dos guidelines e treinamentos para as seguradoras parceiras, com objetivo de melhorar a subscrição e a gestão de sinistros. Como consequência disso, o índice de sinistralidade recuou 2,9 pontos percentuais, ficando em 59,0%.

O relatório cita ainda algumas iniciativas bem-sucedidas implantadas ao longo de 2017, como a transformação do IRB em centro de referência técnica em resseguro para o segmento de Agro na América Latina, a inovação por meio de pesquisa e desenvolvimento para novas tecnologias em seguro e resseguro, a otimização do processo de precificação de riscos e a consolidação da liderança no mercado brasileiro de resseguros. Outro objetivo atingido no ano passado, destacou o relatório, foi o aumento de eficiência e melhoria da rentabilidade. O índice de despesa administrativa seguiu em queda e passou de 6,6% para 5,5%, na comparação entre os períodos.

O vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores, Fernando Passos, comenta que 2017 entrou para a história do IRB Brasil RE por ter sido o ano da Oferta Pública Inicial de ações (IPO), o que reforçou o compromisso com a transparência de suas operações e deu condições à companhia de competir com os maiores players do mercado global de resseguros. “Os resultados do IPO foram muito positivos. Atualmente, estamos em 9º lugar entre as maiores resseguradoras globais em valor de mercado. Ao final de 2017, o valor do IRB era de R$ 10,6 bilhões, quatro vezes maior do que o registrado em outubro de 2013, quando a empresa foi privatizada. Desde a abertura de capital, dia 31 de julho, até 29 de dezembro, a ação valorizou 27,0%”, lembrou o executivo.

Lucro da Mapfre recua 9,7% pelo aumento de indenizações pagas por catástrofes

A Mapfre divulgou faturamento de 27,9 bilhões de euros (R$ 101,6 bilhões) em 2017, aumento de 3,3% em relação ao ano anterior. Somente os prêmios de seguros superaram a cifra de 23,4 bilhões de euros (R$ 85,6 bilhões), com um crescimento anual de 2,9%. O resultado do grupo de 701 milhões de euros (R$ 2,6 bilhões), indica uma redução de 9,7%, impactado de forma importante pelas catástrofes naturais ocorridas em 2017, que afetaram o resultado em 126 milhões de euros (R$ 458,8 milhões).

“Poucas companhias conseguiram absorver em seus resultados o efeito extraordinário das catástrofes naturais que tivemos no ano passado. Na Mapfre, assimilamos dois terremotos e três furacões ocorridos em diferentes locais do mundo. Fechar o exercício com um resultado superior a 700 milhões de euros (R$ 2,6 bilhões) é uma demonstração de capacidade e solvência e da acertada estratégia que adotamos, baseada no crescimento rentável, que compensa esse tipo de situação excepcional”, destacou Antonio Huertas, presidente do grupo.

Foram destaques a boa evolução dos negócios na Espanha, assim como o excelente comportamento da atividade resseguradora, que mesmo com o impacto das catástrofes, gerou um resultado líquido de 163 milhões de euros (R$ 650 milhões) e um índice combinado de 94,8%.

O patrimônio líquido do grupo foi de 10,5 bilhões de euros (R$ 38,23 bilhões), apresentando redução em razão principalmente do impacto do câmbio decorrente das operações fora da zona do euro (696 milhões de euros, ou R$ 2,5 bilhões). Já os ativos totais do Grupo superaram os 67,5 bilhões de euros (R$ 245,8 bilhões).

O índice combinado situou-se em 98,1%, o que representa um excelente resultado técnico global. Sem os impactos das catástrofes este índice seria de 96,9% (0,5 pontos percentuais abaixo do ano anterior).

Na América Latina, o grupo aumentou seu volume de prêmios na região em 8,6%, totalizando 8 bilhões de euros (R$ 2,2 bilhões) em 2017. O resultado da operação somou 229 milhões de euros (R$ 833,8 milhões) na América Latina, ou seja 19% a mais que 2016. No conjunto, a área representa 34% dos prêmios e 32% dos resultados no mundo.

Toneto: Acreditamos que as diversas medidas de revisão técnica adotadas em nossa carteira de Auto e a melhora do cenário macroeconômico devem gerar efeitos positivos em nossos resultados locais em 2018

Já a atividade no Brasil cresceu 3,5% e gerou 4,5 bilhões de euros (R$ 16,6 bilhões) em prêmios, representando 20% das operações do Grupo no mundo. Os resultados somaram 128 milhões de euros (R$ 465,7 milhões), uma cota de 18,3% em relação ao resultado global. A redução de 11% nos resultados locais foi decorrente principalmente do aumento da sinistralidade na carteira de Autos e do menor volume de vendas no segmento de Vida do Canal Bancário.

“Acreditamos que as diversas medidas de revisão técnica adotadas em nossa carteira de Auto e a melhora do cenário macroeconômico devem gerar efeitos positivos em nossos resultados locais em 2018”, comenta Wilson Toneto, CEO da Mapfre no Brasil. O executivo destaca também a reformulação da parceria com a BB Seguridade, anunciada recentemente e em ainda curso. Segundo Toneto, a conclusão deste processo produzirá incremento da participação acionária da Mapfre nos seus negócios no Brasil, permitindo avançar para uma estrutura de governança mais simples e eficiente e reduzir os custos internos, com melhora importante da produtividade e da rentabilidade dos negócios. “Acreditamos no País e seguiremos investindo no Brasil”, conclui o executivo.