Três tornados atingem Santa Catarina e seguradoras reforçam atendimento às vítimas dos temporais

Com 120 municípios afetados e duas mortes registradas, setor de seguros mobiliza planos de contingência para agilizar assistência, vistoria de danos e pagamento de indenizações. Mapfre já anunciou operação especial na Região Sul

Os temporais que atingiram Santa Catarina nesta semana, com a confirmação de três tornados em um único dia, voltam a colocar em evidência a importância dos seguros na recuperação de famílias, empresas e produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos. As seguradoras contam com planos de contingência para situações de catástrofes naturais, que permitem reforçar equipes de atendimento, ampliar a capacidade de regulação de sinistros e agilizar o pagamento de indenizações nas regiões atingidas.

A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou, na quinta-feira, 5 de novembro, a ocorrência de um terceiro tornado no estado, registrado em Rio Negrinho, no Norte catarinense, na quarta-feira, 4. No mesmo dia, outros dois tornados atingiram Chapecó e Xanxerê, no Oeste. Em Rio Negrinho, os ventos ultrapassaram 100 quilômetros por hora, provocando a queda de árvores, destelhamentos e destruição de estruturas.

Os temporais deixaram pelo menos duas pessoas mortas. Em Rio Negrinho, um jovem de 20 anos morreu após o desabamento da cobertura de um posto de combustíveis. Em Xanxerê, uma mulher de 46 anos morreu eletrocutada ao entrar em contato com um cabo de alta tensão. Segundo a Defesa Civil, 120 municípios catarinenses registraram danos associados às tempestades, que começaram no domingo, 1º de novembro.

Os prejuízos se estendem a outros estados da Região Sul. No Rio Grande do Sul, municípios como Passo Fundo, Santana do Livramento, Santo Ângelo e Nova Prata registraram ocorrências. No Paraná, os temporais também provocaram danos em cidades como Maringá, Guaíra e Astorga. Entre os principais problemas estão destelhamentos, quedas de árvores sobre imóveis e veículos, quebra de vidros, alagamentos e perdas em lavouras.

Seguradoras mobilizam planos de contingência

A atuação das seguradoras diante de eventos dessa natureza faz parte de protocolos desenvolvidos para responder a situações de grande concentração de sinistros em uma mesma região. Esses planos podem incluir reforço das centrais de atendimento, deslocamento de peritos e reguladores, contratação de prestadores de serviços e utilização de ferramentas digitais para acelerar a avaliação dos prejuízos.

A experiência acumulada pelo mercado segurador em episódios como as enchentes históricas do Rio Grande do Sul, em maio de 2024, contribuiu para o aperfeiçoamento desses procedimentos. Na ocasião, as companhias precisaram lidar simultaneamente com milhares de solicitações de indenização envolvendo residências, automóveis, estabelecimentos comerciais, indústrias e atividades rurais.

O atendimento emergencial busca reduzir o tempo entre a comunicação do sinistro e a adoção das primeiras providências, especialmente quando há famílias sem condições de permanecer em suas casas ou empresas com atividades interrompidas. A indenização, por sua vez, depende das coberturas contratadas e da avaliação dos danos.

A ocorrência de três tornados em Santa Catarina também reforça a discussão sobre a necessidade de ampliar a proteção securitária contra riscos climáticos no Brasil. Além da resposta aos desastres, o setor tem defendido medidas de prevenção, adaptação e maior integração entre seguradoras, governos e órgãos de Defesa Civil.

Mapfre anuncia atendimento prioritário

A Mapfre informou que reforçou sua estrutura operacional para atender segurados afetados pelos temporais nos três estados do Sul. As equipes de assistência 24 horas, atendimento ao cliente e regulação de sinistros estão trabalhando em regime especial, com prioridade para as ocorrências relacionadas às tempestades.

Para os seguros de automóveis, residencial e rural, a companhia disponibilizou a abertura digital de sinistros pelo WhatsApp. Os clientes podem encaminhar fotografias dos danos, analisadas com apoio de ferramentas de inteligência artificial para auxiliar na identificação dos prejuízos e na avaliação dos pedidos de indenização.

A seguradora orienta que os clientes priorizem a própria segurança e somente façam registros fotográficos ou em vídeo quando não houver risco. A comunicação dos sinistros pode ser realizada pelo WhatsApp (11) 4004-0101, pelo aplicativo ou pelo site da companhia. Também há atendimento pelo telefone 0800 775 4545, das 6h às 22h.

Para os segurados, é importante observar as coberturas previstas na apólice. Danos provocados por vendavais, granizo, alagamentos e outros fenômenos climáticos podem ter tratamentos diferentes conforme o tipo de seguro e as garantias contratadas. A existência de cobertura para um determinado evento deve ser verificada individualmente.

Os episódios em Santa Catarina ocorrem às vésperas da COP31, conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, em Antália, na Turquia, onde o setor segurador brasileiro pretende ampliar o debate sobre financiamento da adaptação, prevenção de desastres e mecanismos de proteção financeira contra eventos extremos. A discussão ganha relevância diante da necessidade de reduzir a vulnerabilidade econômica de famílias, empresas e municípios brasileiros às catástrofes naturais.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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