O Grupo Porto encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 713 milhões, queda de 14% em relação ao mesmo período do ano passado, apesar do crescimento de 10% nas receitas, que alcançaram R$ 11 bilhões. O lucro líquido contábil somou R$ 839 milhões, alta de 1%. Os números divulgados nesta quinta-feira, 5 de novembro, mostram que a expansão dos negócios foi acompanhada por uma maior pressão sobre a rentabilidade, principalmente nas operações de crédito e saúde.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) recorrente ficou em 17,6%, recuo de 5,4 pontos percentuais na comparação anual. Considerando o resultado contábil, o indicador atingiu 20,7%. O desempenho reflete um trimestre marcado pelo aumento das provisões para perdas de crédito, pela elevação dos custos assistenciais e pela redução do resultado financeiro.
A Porto Seguro, principal operação do grupo, manteve o crescimento da carteira e registrou lucro líquido de R$ 443 milhões, queda de 2% na comparação anual. As receitas e os prêmios totalizaram R$ 6,2 bilhões, avanço de 9%, impulsionados principalmente pelo seguro automóvel, que cresceu 10%.
A carteira de automóveis ganhou 264 mil veículos e chegou a 6,5 milhões de unidades seguradas. O segmento patrimonial apresentou crescimento de 9%, enquanto o seguro de vida avançou 2%. O índice combinado ampliado ficou em 86%, aumento de um ponto percentual, e o ROAE da operação atingiu 32%, permanecendo acima de 30% pelo sexto trimestre consecutivo.
Crédito e saúde pressionam rentabilidade
O Porto Bank registrou receita de R$ 2 bilhões, crescimento de 13%, sustentado pela expansão de 21% em consórcios, 12% em riscos financeiros e 11% nas operações de cartão, financiamento e empréstimos. Entretanto, as perdas de crédito aumentaram 48%, chegando a R$ 843 milhões, em um ambiente de maior inadimplência e reforço das provisões.
Com isso, o lucro líquido do banco recuou 13%, para R$ 171 milhões. A companhia informou que as medidas adotadas para melhorar a qualidade da carteira começam a apresentar resultados. O indicador de formação de créditos inadimplentes caiu um ponto percentual em relação ao segundo trimestre, para 11,6%, enquanto a inadimplência entre 15 e 90 dias apresentou redução pelo segundo trimestre consecutivo.
Na Porto Saúde, a receita cresceu 12%, para R$ 2,5 bilhões, acompanhando a expansão da base de beneficiários. A carteira de seguro saúde aumentou 22%, chegando a 956 mil vidas, enquanto a de planos odontológicos cresceu 16%, alcançando 1,3 milhão de beneficiários.
Apesar do avanço comercial, o lucro líquido da operação caiu 34%, para R$ 84 milhões. A sinistralidade subiu 4,7 pontos percentuais, atingindo 82%. Segundo a companhia, aproximadamente dois terços desse aumento decorreram de rupturas na cadeia de atendimento oncológico e de um comportamento sazonal atípico entre o segundo e o terceiro trimestre. O restante foi atribuído ao crescimento orgânico dos sinistros.
A Porto Serviço foi a única das quatro verticais a apresentar crescimento do lucro líquido. O resultado avançou 34%, para R$ 52 milhões, enquanto a receita aumentou 9%, chegando a R$ 660 milhões. O desempenho foi sustentado pela expansão das parcerias comerciais e pelo crescimento de 39% dos produtos digitais. A operação ultrapassou a marca de 80 parceiros estratégicos.
Resultado financeiro recua 19%
Outro fator que influenciou o balanço foi a redução de 19% do resultado financeiro, que somou R$ 309 milhões no trimestre. A receita da carteira de aplicações financeiras administrada pela tesouraria, excluindo previdência e operações de gestão de ativos e passivos (ALM), foi de R$ 355 milhões, equivalente a 63% do CDI.
De acordo com a Porto, o desempenho foi afetado principalmente pela baixa variação do IPCA no trimestre, que influenciou a remuneração dos títulos indexados à inflação, e pelo rendimento da carteira de renda variável, inferior ao Ibovespa. Em contrapartida, a companhia apresentou melhora na eficiência operacional. A relação entre despesas administrativas e receitas totais caiu 0,4 ponto percentual, para 10,6%.
Digitalização alcança 6,5 milhões de usuários
A Porto também divulgou avanços na digitalização dos serviços. Os aplicativos do grupo alcançaram 6,5 milhões de usuários, enquanto a base total da companhia chegou a 19 milhões de clientes. No terceiro trimestre, foram registradas 186 milhões de interações e atendimentos digitais. Mais de 73% dos acionamentos realizados pelo WhatsApp tiveram resolução integral pelo próprio canal, sem necessidade de transferência para outras etapas de atendimento.
“O atendimento digital contribui para que os níveis de NPS da companhia sigam em patamares de excelência. Assim, seguimos focados no nosso norte: o equilíbrio entre Essência e Estratégia, construindo a cada dia uma Porto ainda mais forte”, afirmou Paulo Kakinoff, CEO do Grupo Porto.
No período, a companhia também foi reconhecida como a segunda melhor empresa para trabalhar no Brasil na categoria de organizações com mais de 10 mil funcionários, segundo o ranking Great Place to Work (GPTW). A Porto Seguro manteve ainda a liderança no segmento de seguros no levantamento Folha Top of Mind, pelo 13º ano consecutivo.
Os resultados mostram que, embora a diversificação das operações continue contribuindo para o crescimento das receitas, a evolução da rentabilidade dependerá também do comportamento da inadimplência no banco, dos custos assistenciais na saúde e do desempenho financeiro nos próximos trimestres.



























