Lucro da Swiss Re cresce 3% e chega a US$ 4,2 bilhões até setembro

Resultado foi sustentado pelo resseguro de vida e saúde e por perdas com catástrofes naturais abaixo do previsto. Companhia amplia parcerias internacionais e mantém meta de lucro de US$ 4,5 bilhões para 2026

A Swiss Re registrou lucro líquido de US$ 4,2 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado, divulgado nesta quinta-feira, 5 de novembro, foi sustentado principalmente pelo desempenho do resseguro de vida e saúde, pelo retorno dos investimentos e por perdas com catástrofes naturais inferiores às estimativas da companhia. Apenas no terceiro trimestre, o lucro líquido alcançou US$ 1,3 bilhão.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 22,5%, mesmo percentual registrado entre janeiro e setembro de 2025. As receitas de seguros totalizaram US$ 31,2 bilhões, queda de 3%, enquanto o resultado dos serviços de seguros, indicador que reflete o lucro técnico das operações, aumentou 7%, para US$ 5,1 bilhões.

A companhia manteve a projeção de lucro líquido de US$ 4,5 bilhões para o ano. Com US$ 4,2 bilhões acumulados até setembro, a resseguradora já alcançou aproximadamente 93% da meta anual.

O desempenho ocorre em um momento de maior competição no mercado internacional de resseguros patrimoniais e de responsabilidade civil, com pressão sobre os preços e as margens dos novos contratos.

Segundo Andreas Berger, CEO global da Swiss Re, os resultados refletem as decisões tomadas nos últimos trimestres para fortalecer a carteira e aumentar a capacidade de resposta às mudanças do mercado. O executivo destacou que a companhia pretende combinar disciplina na subscrição de riscos, eficiência de custos e expansão comercial, em colaboração com clientes e corretores.

Resseguro de vida e saúde lidera crescimento

A divisão de resseguros de vida e saúde (L&H Re) apresentou o maior crescimento de lucro entre as unidades de negócios. O resultado líquido avançou 43%, passando de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,5 bilhão nos primeiros nove meses do ano.

O desempenho foi favorecido principalmente pela experiência de mortalidade nos Estados Unidos, que apresentou resultados melhores do que os considerados nas premissas da companhia. As receitas da divisão cresceram 7%, para US$ 12,9 bilhões, também beneficiadas por efeitos cambiais e novos contratos relacionados ao risco de longevidade.

A Swiss Re mantém a meta de lucro líquido de US$ 1,7 bilhão para essa operação em 2026.

Já a divisão de resseguros patrimoniais e de responsabilidade civil (P&C Re) registrou lucro de US$ 2,2 bilhões, queda de 6% na comparação anual. As receitas recuaram 9%, para US$ 12,8 bilhões, refletindo o ambiente mais competitivo nas renovações e a redução dos volumes cedidos pelas seguradoras.

Apesar disso, o índice combinado melhorou de 77,6% para 77,3%, indicando que a operação manteve a rentabilidade técnica. Quanto menor esse indicador, maior a parcela dos prêmios que permanece após o pagamento de sinistros e despesas consideradas no cálculo.

Catástrofes naturais geram perdas de US$ 640 milhões

As perdas de grande porte na divisão P&C Re totalizaram US$ 941 milhões até setembro, dos quais US$ 640 milhões foram relacionados a catástrofes naturais. O valor ficou abaixo do orçamento de US$ 1,6 bilhão previsto pela companhia para esses eventos nos primeiros nove meses do ano.

Entre as principais ocorrências estiveram o terremoto registrado na Colômbia em agosto e a tempestade Kristin, que atingiu Portugal em janeiro. As perdas de grande porte provocadas por ações humanas somaram US$ 301 milhões.

Somente no terceiro trimestre, as perdas de grande porte da divisão alcançaram US$ 624 milhões. A menor frequência ou severidade de grandes eventos em relação às projeções contribuiu para preservar a rentabilidade da resseguradora, embora a companhia continue acompanhando a pressão competitiva sobre os preços dos contratos.

Swiss Re Corporate Solutions amplia presença internacional

A Swiss Re Corporate Solutions, unidade dedicada aos seguros corporativos, encerrou setembro com lucro líquido de US$ 714 milhões, crescimento de 3% sobre os US$ 693 milhões registrados no mesmo período de 2025.

O índice combinado melhorou de 87,1% para 86,4%, enquanto o resultado dos serviços de seguros aumentou 4%, chegando a US$ 863 milhões. As receitas recuaram 3%, para US$ 5,5 bilhões, influenciadas principalmente pela não renovação de um negócio na Irlanda.

As perdas de grande porte provocadas por ações humanas somaram US$ 219 milhões, incluindo US$ 150 milhões no terceiro trimestre. Já as perdas com catástrofes naturais chegaram a US$ 54 milhões, relacionadas principalmente ao terremoto na Colômbia, à tempestade Fern na América do Norte e a um tornado no Texas.

A unidade também anunciou uma cooperação estratégica com a Old Mutual Insure, na África do Sul, sujeita às aprovações regulatórias. O acordo amplia a estratégia de expansão por meio de parceiros locais, que já inclui iniciativas anunciadas em agosto com a GNP Seguros, no México, e a Bajaj General Insurance, na Índia.

O modelo combina a capacidade de subscrição e o conhecimento técnico global da Swiss Re com as redes de distribuição e a experiência de mercado de seguradoras locais. A expansão faz parte da estratégia conduzida por Ivan Gonzalez, CEO da Swiss Re Corporate Solutions, de ampliar a presença da companhia em mercados com potencial de crescimento, sem depender exclusivamente de operações próprias.

A unidade também anunciou a nomeação de Lori Goltermann para o cargo de diretora comercial global, função recém-criada. A executiva, com mais de 30 anos de experiência na Aon, assumirá em 11 de janeiro de 2027, respondendo diretamente a Gonzalez. Ela será responsável pela estratégia comercial voltada a clientes corporativos, governos e parceiros de distribuição.

Investimentos e redução de custos

O retorno dos investimentos da Swiss Re foi de 4% nos primeiros nove meses do ano, com receitas recorrentes de US$ 3,1 bilhões. O rendimento recorrente da carteira passou de 4,1% para 4,2%, enquanto a taxa de reinvestimento atingiu 5,6% no terceiro trimestre.

A companhia também avançou em seu programa de eficiência operacional. A meta atual é reduzir os custos em US$ 500 milhões até 2028, acima do objetivo anterior de US$ 300 milhões até 2027.

Os investimentos estratégicos continuam concentrados em subscrição, relacionamento com clientes, dados e inteligência artificial. A posição de capital permaneceu acima dos parâmetros internos estabelecidos pela companhia. O índice estimado de solvência pelo Swiss Solvency Test (SST) atingiu 259% em 1º de outubro, superior à faixa-alvo de 200% a 250%.

Para o restante do ano, a Swiss Re pretende manter a disciplina na seleção de riscos e aproveitar oportunidades de negócios, mesmo diante de um ambiente de maior competição no resseguro de danos. A combinação entre as três unidades de negócios continua sendo um dos principais fatores de sustentação dos resultados do grupo.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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