A BB Seguridade encerrou os nove primeiros meses de 2026 com lucro líquido gerencial recorrente de R$ 6,8 bilhões, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado mostra duas realidades distintas dentro do grupo: enquanto a previdência privada e a capitalização avançam, a operação de seguros enfrenta retração na emissão de prêmios, especialmente nos segmentos ligados ao agronegócio e ao crédito.
A diferença entre o desempenho financeiro e a evolução comercial chamou a atenção dos analistas do BTG Pactual. O banco avalia que a BB Seguridade pode encerrar 2026 com lucro superior às suas estimativas anteriores, beneficiada pela baixa sinistralidade, pelos resultados da Brasilprev e pela rentabilidade dos investimentos. A preocupação está em 2027, quando a companhia poderá enfrentar uma combinação de menor crescimento das receitas de seguros, normalização da sinistralidade e redução dos ganhos financeiros.
Os prêmios emitidos pela Brasilseg recuaram 9,2% entre janeiro e setembro, refletindo principalmente a menor produção nos seguros agrícola, penhor rural, prestamista e vida. O desempenho levou a BB Seguridade a revisar suas projeções para 2026, uma vez que o indicador ficou abaixo do intervalo originalmente previsto.
O lucro líquido gerencial recorrente da operação de seguros caiu 4,2% no acumulado do ano. Além da retração comercial, o resultado foi afetado pela queda de 8,8% das receitas financeiras. Parte dessa pressão foi compensada pela redução de 0,5 ponto percentual na sinistralidade, que permanece no menor patamar da série histórica da companhia.
O seguro residencial foi uma das exceções nesse cenário, com crescimento de 25% nos prêmios emitidos, indicando oportunidades de expansão em segmentos menos dependentes do financiamento rural e da concessão de crédito.
Previdência recupera captação e supera R$ 514 bilhões em reservas
A Brasilprev foi um dos principais destaques do balanço. A operação de previdência registrou lucro líquido gerencial de R$ 1,6 bilhão nos nove primeiros meses, crescimento de 7,1% em relação a 2025. As receitas com taxas de gestão aumentaram 6,5%, enquanto o índice de eficiência melhorou 2,5 pontos percentuais.
A recuperação da captação líquida foi outro indicador relevante. Depois de registrar saída líquida de R$ 9,1 bilhões entre janeiro e setembro de 2025, a Brasilprev passou a apresentar entrada líquida de R$ 4,5 bilhões no mesmo período de 2026. A reversão representa uma melhora de R$ 13,6 bilhões no fluxo de recursos.
O desempenho reflete o crescimento de 6,1% das contribuições e a redução dos índices de resgate e portabilidade, que atingiram os menores níveis dos últimos cinco anos. Com isso, as reservas de previdência avançaram 12,1%, superando R$ 514 bilhões.
Na capitalização, a Brasilcap apresentou lucro líquido de R$ 269,9 milhões, alta de 23,2%, impulsionada pela expansão da margem financeira e pelo aumento do saldo médio de ativos. Segundo dados da Susep referentes a agosto, a companhia liderava o mercado, com participação de 22% na arrecadação e 25,9% nas reservas.
Já a BB Corretora registrou lucro líquido de R$ 2,6 bilhões, queda de 2,2% em relação aos nove primeiros meses de 2025.
No consolidado, o resultado financeiro combinado da BB Seguridade e de suas investidas alcançou R$ 1,6 bilhão, líquido de impostos, crescimento de 4,4%. O resultado operacional líquido de impostos somou R$ 5,2 bilhões.
“Os números deste período evidenciam a resiliência dos nossos negócios. A combinação entre excelência operacional, disciplina financeira e proximidade com os clientes reforça nossa capacidade de entregar resultados consistentes e sustentáveis ao longo do tempo”, afirmou Delano Valentim, presidente da BB Seguridade.



























