Juro alto por mais tempo aumenta a pressão sobre executivos e pede revisão do seguro D&O

 Encerrado o período eleitoral, a atenção das empresas se volta para o cenário econômico de 2027, marcado pela perspectiva de juros elevados por mais tempo, no Brasil e no exterior. Para Yves Lima, diretor de linhas financeiras da Howden Re Brasil, filial da corretora global especializada em seguros de alta complexidade, esse ambiente deve aumentar a pressão sobre diretores e conselheiros, especialmente nas empresas mais endividadas.

Na avaliação do executivo, juros altos por mais tempo encarecem dívidas e pressionam o balanço das empresas alavancadas. Empresas sob pressão financeira tendem a ver as decisões de seus gestores mais questionadas, e é nesse ponto que entra o seguro D&O, que protege o patrimônio pessoal de diretores e conselheiros responsabilizados por decisões tomadas no cargo. “O mercado não deve aumentar taxas agora. Mas a saúde financeira das empresas tende a piorar, porque os juros vão continuar altos por mais tempo, e os gestores ficam sob maior pressão em suas decisões”, afirma Yves.

Segundo ele, o preço do seguro D&O não deve subir no curto prazo, já que o mercado segue competitivo e sem grandes sinistros. De janeiro a agosto de 2026, os sinistros ocorridos no seguro D&O somaram R$ 79,9 milhões, ante R$ 192,5 milhões no mesmo período de 2025, segundo a Susep. O volume de prêmios emitidos caiu 7,2%, para R$ 569,9 milhões.

O ponto de atenção está no valor da cobertura. Muitas empresas definiram seus limites com base no dólar e viram o real mudar de patamar. Ao mesmo tempo, a inflação de serviços encarece honorários advocatícios e custos de defesa. Na prática, a mesma apólice passa a proteger menos. A tendência, segundo Yves, é que as empresas busquem limites maiores e, com isso, paguem mais pelo seguro mesmo sem aumento de taxa.

A recomendação do executivo é que conselhos e diretorias aproveitem a próxima renovação para revisar o limite contratado. “Se a situação da empresa ficar pior por mais tempo, faz sentido rever o limite. Quem pensou a exposição em dólar viu o real mudar de patamar muito rápido e precisa se perguntar se quer continuar com a mesma cobertura”, diz Yves.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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