O mercado de seguros chega a 2027 com perspectiva de expansão das contratações. Metade das empresas do setor pretende aumentar suas equipes no próximo ano, segundo o Guia Salarial 2027 da Michael Page. O movimento é impulsionado pela digitalização, pela busca por eficiência operacional e pela entrada e expansão de grupos internacionais no Brasil. A demanda se concentra principalmente nas áreas técnicas, como subscrição, precificação, sinistros, atuária e resseguros, mas também alcança posições comerciais e de liderança.
“Seguros sempre foi um mercado muito especializado. Quando várias empresas passam a buscar os mesmos perfis ao mesmo tempo, não existe uma oferta de profissionais que cresça na mesma velocidade. Isso aumenta a disputa, principalmente nas posições técnicas e de liderança”, afirma Juliana França, gerente executiva da Michael Page Brasil. O levantamento ouviu 5.762 profissionais e 1.955 empresas, reúne informações de 15 setores e mapeia mais de 400 cargos.
A procura por profissionais especializados acompanha a preocupação das seguradoras com rentabilidade, qualidade da carteira, sinistralidade e precificação. Além do domínio técnico, as companhias buscam profissionais capazes de interpretar dados e avaliar o impacto de suas análises nos resultados. A utilização de inteligência artificial e modelos preditivos amplia a disponibilidade de informações e exige maior capacidade de análise e tomada de decisão.
“Seguro é, no fim, um negócio de decisão sobre risco. A tecnologia ajuda a enxergar melhor os cenários, mas alguém ainda precisa decidir o que vale assumir, quanto cobrar e onde a empresa pode se expor. É aí que a experiência técnica continua fazendo diferença”, explica Juliana.
A tecnologia também passou a influenciar a escolha do empregador. Segundo a pesquisa, 72% dos profissionais de seguros consideram que o acesso a ferramentas de inteligência artificial torna uma empresa mais atraente para trabalhar. Flexibilidade, autonomia, oportunidades de capacitação e benefícios também entram nessa avaliação, enquanto incentivos de longo prazo ganham importância nas posições mais seniores.
“Para quem trabalha com análise e risco, ter acesso a boas ferramentas muda a própria qualidade do trabalho. O profissional percebe quando uma empresa oferece estrutura para que ele produza melhor, aprenda e acompanhe a evolução do mercado. Isso começa a entrar na escolha de onde trabalhar”, afirma a executiva.
A Michael Page também identifica oportunidades de contratação associadas ao desenvolvimento de produtos ainda pouco difundidos no mercado brasileiro. A expansão dessas modalidades pode ampliar a demanda por profissionais de desenvolvimento de produtos, distribuição, subscrição, precificação e sinistros.
Salários chegam a R$ 42 mil, sem contar remuneração variável
O levantamento mostra que a especialização técnica tem peso relevante na remuneração do setor. Um subscritor sênior pode receber até R$ 32 mil mensais de salário fixo, valor próximo dos R$ 35 mil pagos a um gerente de subscrição. Em sinistros, os tetos são de R$ 24 mil para a posição técnica e R$ 26 mil para a gerência. A proximidade entre as faixas reflete a importância do conhecimento especializado, inclusive entre profissionais que assumem funções de liderança.
Os maiores salários identificados pela pesquisa estão nas áreas de resseguros, atuária, precificação e transformação digital. Em empresas de grande porte, um gerente de resseguros recebe entre R$ 30 mil e R$ 42 mil mensais, enquanto gerentes atuariais podem ganhar de R$ 26 mil a R$ 38 mil. Na área de transformação digital e inovação, os salários variam de R$ 25 mil a R$ 38 mil.
Seguradoras e resseguradoras — salário fixo mensal em empresas de grande porte
- Gerente de resseguros: R$ 30 mil a R$ 42 mil
- Gerente atuarial: R$ 26 mil a R$ 38 mil
- Gerente de transformação digital ou inovação: R$ 25 mil a R$ 38 mil
- Gerente de precificação: R$ 26 mil a R$ 36 mil
- Gerente de compliance e controles internos: R$ 25 mil a R$ 36 mil
- Gerente de subscrição: R$ 24 mil a R$ 35 mil
- Gerente de parcerias, afinidades ou bancassurance: R$ 23 mil a R$ 35 mil
Corretoras — salário fixo mensal em empresas de grande porte
- Gerente de sinistros: R$ 21 mil a R$ 30 mil
- Gerente comercial: R$ 18 mil a R$ 28 mil
- Gerente de atendimento: R$ 17 mil a R$ 25 mil
Os valores não incluem remuneração variável, que pode representar uma parcela expressiva dos ganhos anuais. Além do salário fixo, os profissionais podem receber participação nos lucros e resultados (PLR), programas de participação nos resultados (PPR) e bônus vinculados ao cumprimento de metas individuais, das áreas e das companhias. Para um gerente de resseguros, por exemplo, a remuneração variável pode ficar entre R$ 90 mil e R$ 210 mil por ano.
A comparação entre oportunidades também deve considerar os benefícios e o regime de contratação. Um gerente de sinistros em corretora pode ganhar até R$ 30 mil, enquanto a mesma função em seguradora chega a R$ 26 mil. A diferença, porém, não significa necessariamente uma remuneração total superior. Corretoras menores podem oferecer benefícios mais enxutos ou contratar profissionais como pessoa jurídica, enquanto seguradoras e resseguradoras de grande porte costumam incluir assistência médica e odontológica, previdência privada, seguro de vida e auxílio-alimentação.
“Em seguros, comparar duas propostas só pelo salário fixo pode distorcer bastante a decisão. Variável, PLR, benefícios e até o regime de contratação mudam o valor final do pacote. Esse é o ‘valor oculto’ que muitas vezes não aparece de imediato na oferta, mas faz diferença no fim do mês e no longo prazo. Para a empresa, o desafio é comunicar isso melhor; para o profissional, é saber colocar tudo na mesma conta antes de decidir”, conclui Juliana.

























