A Azos, insurtech especializada em seguros de pessoas, avança no mercado brasileiro com uma estratégia que combina tecnologia, produtos flexíveis e valorização do corretor de seguros. Com a primeira apólice comercializada em abril de 2021, a companhia vem crescendo cerca de 90% ao ano e já alcançou mais de 130 mil clientes, R$ 145 bilhões em capital segurado e R$ 415 milhões em prêmios anualizados.
Para sustentar essa expansão, a Azos levantou aproximadamente R$ 400 milhões desde sua criação. Entre os investidores que participam do conselho estão alguns dos principais nomes globais de venture capital e investimentos de impacto. Um deles é a Lightrock, plataforma global de investimentos de impacto com sede em Londres e forte presença em Zurique. A Kaszek Ventures, fundada em 2011 e hoje um dos maiores fundos de venture capital da América Latina, também integra o grupo. Em seu portfólio estão empresas como Nubank, QuintoAndar, Kavak e Loggi. Completa a lista a Prosus, uma das maiores investidoras globais em tecnologia, controlada pelo grupo sul-africano Naspers e listada na Euronext Amsterdam. A Prosus liderou o aporte Série A da Azos.
O interesse desses investidores está relacionado, segundo o CEO e cofundador da Azos, Rafael Cló, ao potencial de transformação do mercado brasileiro de seguros. A combinação de baixa penetração, alta rentabilidade e gargalos de distribuição cria, em sua avaliação, uma oportunidade semelhante àquela encontrada pelas fintechs no sistema bancário brasileiro há pouco mais de uma década. “O mercado securitário brasileiro se assemelha muito ao mercado bancário de dez anos atrás”, afirma Cló.
Dados utilizados pela Azos em suas apresentações a investidores ajudam a explicar essa percepção. Considerando os três principais players de cada mercado, as seguradoras brasileiras apresentam ROE de 29%, contra 26% no México e 13% nos Estados Unidos. No setor bancário, a diferença é menor: 19% no Brasil, 20% no México e 12% nos Estados Unidos.
Para Cló, os números mostram que há espaço para novos modelos de negócios capazes de utilizar tecnologia para reduzir custos, melhorar a distribuição e devolver parte dessa eficiência ao consumidor. A baixa penetração dos seguros no Brasil reforça a oportunidade. É justamente nesse ponto que a Azos pretende se diferenciar. A companhia não é uma seguradora: atua como insurtech especializada em seguros de pessoas, com as apólices emitidas pela Excelsior Seguros. Seu foco está em desenvolver produtos, tecnologia e uma experiência mais simples para quem vende e para quem compra proteção.
Mais de 95% das vendas passam pelo corretor de seguros, profissional que está no centro da estratégia da companhia. “O cliente de seguro de vida, felizmente, utiliza pouco as ferramentas da companhia. Já o corretor precisa delas todos os dias. É sua ferramenta de trabalho”, explica Cló. A proposta é reduzir ao máximo o tempo gasto pelo corretor com tarefas operacionais, aceitação, pós-venda e acompanhamento de sinistros, para que ele possa se concentrar naquilo que gera novos negócios: relacionamento e venda.
A tecnologia também ajuda a Azos a controlar riscos. Segundo a companhia, sua sinistralidade está em 23%, abaixo da média de aproximadamente 30% utilizada como referência para o mercado. A empresa atribui parte desse resultado à combinação entre subscrição e uma camada própria de prevenção a fraudes, que consulta centenas de bases de dados antes da aceitação de determinados riscos.
Essa estrutura deverá ganhar ainda mais importância com a inteligência artificial. A Azos desenvolveu cinco agentes especializados: Fred, para subscrição; Otto, para sinistros; Liz, para atendimento; Sales, para apoio comercial; e o Copiloto do Corretor, criado para ajudar os parceiros a resolver demandas operacionais de maneira simples e rápida.
O objetivo é utilizar esses agentes para continuar aumentando o volume de negócios sem fazer com que custos e estrutura cresçam na mesma proporção. A Azos conta atualmente com cerca de 260 funcionários e trabalha para alcançar o equilíbrio financeiro ainda em 2026.
Proteção sem obrigar o consumidor a comprar o que não precisa
Outro diferencial está na própria concepção dos produtos. Apesar de ser conhecida pela atuação em seguro de vida, apenas cerca de 30% das vendas da Azos estão relacionadas à cobertura por morte. Os outros 70% envolvem proteções como doenças graves, invalidez, cirurgias, assistência funeral e perda temporária de renda.
A lógica é permitir que o consumidor monte sua proteção de acordo com suas necessidades. Uma pessoa sem dependentes financeiros, por exemplo, pode não enxergar razão para contratar uma cobertura por morte, mas desejar receber uma indenização caso seja diagnosticada com uma doença grave. Na Azos, ela pode contratar essa proteção separadamente.
“Não faz sentido obrigar o cliente a contratar uma cobertura de morte quando o que ele deseja é uma proteção para doenças graves. Queremos que ele tenha liberdade para escolher aquilo que realmente faz sentido para sua vida”, afirma Cló.
É uma estratégia que ajuda a explicar por que a companhia prefere falar cada vez mais em seguros de pessoas, e não apenas em seguro de vida. Para a Azos, ampliar a penetração dessa proteção no Brasil passa justamente por tornar os produtos mais simples, flexíveis e adequados às diferentes fases da vida do consumidor.
E é nesse mercado ainda pouco explorado que Cló vê espaço para a Azos manter o ritmo de crescimento dos últimos anos. Com capital de investidores globais, inteligência artificial integrada à operação e uma distribuição fortemente apoiada nos corretores, a companhia aposta que simplificar o seguro pode ser tão importante para o setor quanto as fintechs foram para transformar o mercado bancário brasileiro.





















