Prudential amplia lucro, destaca crescimento do Brasil e diz que venda das operações emergentes será gradual

Companhia registra alta de 85% no lucro líquido do segundo trimestre e afirma que prioridade é vender, e não encerrar, os negócios em mercados emergentes; operação brasileira segue entre os principais motores de crescimento da divisão internacional

A Prudential Financial registrou forte crescimento nos resultados do segundo trimestre de 2026 e aproveitou a divulgação do balanço para detalhar sua estratégia de reestruturação global, que inclui a venda das operações em mercados emergentes, entre elas a brasileira. Durante a teleconferência com analistas, a administração afirmou que o processo será conduzido de forma gradual, sem cronograma definido, e terá como prioridade maximizar o valor dos ativos.

A companhia encerrou o trimestre com lucro líquido de US$ 985 milhões, alta de 85% em relação aos US$ 533 milhões registrados no mesmo período do ano passado. O lucro operacional ajustado alcançou US$ 1,438 bilhão, avanço de 14%, enquanto os ativos sob gestão cresceram para US$ 1,642 trilhão.

Apesar de a revisão estratégica envolver a saída dos mercados emergentes, o Brasil voltou a ser um dos destaques da apresentação dos executivos. Tanto o CEO Andy Sullivan quanto a diretora financeira Janella citaram diversas vezes o desempenho da subsidiária brasileira como um dos principais responsáveis pelo crescimento da divisão internacional.

Segundo Sullivan, os negócios internacionais apresentaram resultados robustos mesmo diante da suspensão voluntária das vendas da Prudential Japão, refletindo a resiliência da operação e o avanço dos mercados emergentes, especialmente o Brasil. “O Brasil registrou aumento nas vendas impulsionado pelo crescimento do canal de Life Planners e pelo fortalecimento do canal de distribuição por terceiros”, afirmou o executivo.

Sullivan destacou ainda que a estratégia de diversificação de produtos e canais vem produzindo resultados consistentes. Segundo ele, a companhia vem ampliando sua presença em diferentes segmentos de clientes, reduzindo a dependência de um único modelo de distribuição e fortalecendo o crescimento sustentável dos negócios.

A diretora financeira reforçou essa avaliação ao apresentar os números da divisão internacional. O lucro operacional ajustado do segmento alcançou US$ 855 milhões, crescimento de 12% sobre o mesmo período de 2025. Desconsiderando os efeitos positivos da revisão anual das premissas atuariais, o desempenho foi impulsionado pelo aumento das receitas financeiras (spread income) e pelos resultados dos mercados emergentes, com destaque para o Brasil, compensando parcialmente os impactos da suspensão temporária das vendas no Japão.

A administração informou que a paralisação das vendas no Japão reduziu o lucro operacional em aproximadamente US$ 105 milhões no trimestre, mas reiterou a expectativa de retomada das operações até novembro e manteve a projeção de impacto anual entre US$ 525 milhões e US$ 575 milhões.

Venda das operações

O tema que concentrou maior atenção dos analistas, entretanto, foi o futuro das operações em mercados emergentes. Questionado sobre o processo de desinvestimento, Andy Sullivan afirmou que a companhia não divulgará detalhes sobre o cronograma nem sobre a sequência das negociações em cada país, mas fez questão de esclarecer que a estratégia não envolve o fechamento das subsidiárias.

Segundo o executivo, o objetivo é vender os negócios para compradores que consigam preservar o valor construído pela companhia. “Nossa prioridade é maximizar o valor dessas operações. Não vamos comentar o momento ou a sequência das vendas em cada mercado. Esse processo levará tempo porque queremos encontrar os compradores certos e garantir o melhor resultado para clientes, funcionários e acionistas. O que deve ser entendido é que, de forma geral, estamos falando da venda de empresas, e não do encerramento das operações. Todos os nossos mercados emergentes representam plataformas valiosas de negócios.”

Sullivan acrescentou que o plano de transformação da Prudential tem horizonte de aproximadamente cinco anos e que a companhia pretende liberar um volume de capital superior aos US$ 3 bilhões inicialmente estimados. Esses recursos serão direcionados principalmente para três frentes estratégicas: a expansão da gestora PGIM, o crescimento do negócio de seguros coletivos (Group Insurance) e o fortalecimento das operações de aposentadoria na Europa.

Ao responder a outra pergunta dos analistas, o CEO reforçou que, após a conclusão da revisão estratégica, a Prudential concentrará seus investimentos em gestão de ativos, aposentadoria e seguros considerados estratégicos, mantendo o Japão como mercado prioritário de longo prazo, mas com foco crescente em produtos de aposentadoria e acumulação de patrimônio.

Mercado de vida segue aquecido

Durante a apresentação dos resultados, Sullivan também destacou que o mercado de seguros de vida continua apresentando fundamentos favoráveis. Segundo ele, o número de propostas permanece em níveis recordes, sustentado pelo envelhecimento da população, pelo aumento da procura por soluções de acumulação de patrimônio e pelos avanços tecnológicos, como a integração digital, a subscrição automatizada e a aceleração dos processos de aprovação.

A companhia também registrou recorde de vendas no segmento de vida individual nos Estados Unidos, impulsionado pelos produtos de acumulação patrimonial, enquanto o seguro coletivo avançou 26% em relação ao ano anterior, refletindo a estratégia de diversificação de produtos e canais de distribuição.

No Brasil, a decisão da Prudential é acompanhada de perto pelo mercado segurador. A companhia ocupa posição relevante no segmento de seguro de vida individual, um dos mais disputados do setor justamente pelo baixo nível de penetração no país e pelo elevado potencial de crescimento. A concorrência entre seguradoras, corretores e assessorias financeiras vem se intensificando nos últimos anos, impulsionada pela expansão da demanda por produtos de proteção e planejamento financeiro.

Em conversas reservadas, fontes do mercado que acompanham o processo avaliam que a venda da operação brasileira tende a ser concluída antes do que o horizonte mais amplo apresentado pela matriz. Na avaliação dessas fontes, uma definição rápida reduziria o risco de perda de talentos, corretores e clientes durante o período de transição, preservando o valor do ativo.

Embora neguem oficialmente participação no processo, executivos de companhias apontadas pelo mercado como potenciais interessadas acompanham os desdobramentos da operação. Entre os nomes mais frequentemente citados estão CNP Seguradora, MetLife e Tokio Marine. A expectativa é de que o aumento do número de potenciais investidores contribua para tornar a disputa mais competitiva e favoreça a estratégia da Prudential de maximizar o valor da venda.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS