Seguro muda de papel e passa a proteger o patrimônio em diferentes ciclos da vida, afirmam especialistas do grupo MAG

Painel da MAG Seguros e Blue3 mostra que planejamento sucessório começa muito antes da herança e exige olhar para longevidade, doenças, liquidez e riscos que podem comprometer a construção do patrimônio

Durante muitos anos, o seguro de vida era lembrado apenas quando o assunto era sucessão familiar. Hoje, ele passou a ocupar um espaço muito mais amplo dentro do planejamento patrimonial. A proteção da renda, a preservação do patrimônio diante de uma doença grave, a liquidez para pagar tributos e até a continuidade de empresas familiares transformaram o produto em uma das principais ferramentas utilizadas por assessores financeiros.

Essa foi a principal mensagem do painel “O futuro do patrimônio: como planejar hoje o legado de amanhã”, realizado durante a XP Expert 2026, com participação de Thiago Levy, diretor de Parcerias Financeiras da MAG Seguros, Fábio Marinho, superintendente de Negócios da companhia, e Carlos Eduardo Fernandes, head de Seguros da Blue3, com mediação da jornalista Jamille Niero, do InfoMoney.

Segundo Thiago Levy, a sucessão patrimonial deixou de ser um tema restrito às famílias de altíssima renda e passou a fazer parte do planejamento financeiro de um número crescente de brasileiros. “O seguro de vida hoje é utilizado para trazer eficiência e proteção ao patrimônio. Pode proteger durante a vida ou no momento da sucessão. É uma ferramenta que amadureceu muito e passou a ocupar papel central nesse planejamento.”

Um dos pontos que mais chamou atenção do público, segundo ele, foi a evolução da capacidade das seguradoras em proteger pessoas cada vez mais longevas. “Hoje já é possível contratar seguro para pessoas de 70, 75, 80 e até 85 anos de idade. As seguradoras acompanharam a mudança da pirâmide demográfica e entenderam que idade, sozinha, não define risco.”

Para Levy, muitas vezes uma pessoa de 70 anos apresenta melhores indicadores de saúde do que alguém de 40. “Tem gente de 70 anos que pratica atividade física, mantém hábitos saudáveis e apresenta um perfil de risco muito melhor do que pessoas muito mais jovens que fumam, bebem e não cuidam da saúde.” Segundo ele, essa evolução permite ampliar significativamente o acesso ao seguro para um público que antes praticamente não era atendido pelo mercado.

O primeiro passo não é escolher o seguro

Outro ponto destacado pelo executivo foi o papel do assessor financeiro. Na avaliação de Levy, um erro frequente é começar a discussão pelo valor da cobertura. “O primeiro passo é entender como aquela família está organizada. Existe holding? Existem empresas? Como está estruturado o patrimônio? Depois vêm as ferramentas. O seguro é consequência de um bom diagnóstico.”

Ele afirma que planejamento patrimonial exige compreender também o lado emocional da família. “As pessoas tendem a adiar decisões que só produzirão efeito no longo prazo. O papel do assessor é justamente antecipar problemas antes que eles aconteçam.”

Para Fábio Marinho, o planejamento sucessório não pode ser tratado como um documento definitivo. “Cada caso é um caso. Até dentro da mesma família existem objetivos completamente diferentes.” Segundo ele, antes de definir o capital segurado é preciso compreender toda a estrutura patrimonial. “É preciso avaliar patrimônio, tributos, estrutura jurídica, sucessão, conversar com advogado, contador. Não existe um valor padrão.”

Outro erro recorrente, segundo Marinho, é imaginar que o planejamento feito hoje permanecerá válido para sempre. “O planejamento precisa ser revisitado todos os anos. A família muda, o patrimônio muda, a legislação muda. Se ele não for atualizado, perde eficiência.”

O maior risco não é morrer

Carlos Eduardo Fernandes chamou atenção para uma mudança importante na forma como o seguro deve ser apresentado aos clientes. “Durante muitos anos a conversa girava em torno da morte. Hoje precisamos falar também sobre perda da capacidade de gerar renda.”

Segundo ele, profissionais autônomos representam um dos melhores exemplos dessa necessidade. “Uma doença, uma internação ou uma invalidez podem interromper completamente a geração de renda. Muitas vezes a pessoa nem tem tempo para reorganizar o patrimônio.”

Na avaliação do executivo, esse risco costuma ser mais relevante para a família do que a própria rentabilidade da carteira de investimentos. “Mostrar ao cliente os impactos de um planejamento inadequado, da falta de gestão de riscos e da ausência de proteção patrimonial é, muitas vezes, mais importante do que discutir alguns pontos percentuais de rentabilidade.”

Os participantes também destacaram que o seguro de vida ganhou importância diante das mudanças tributárias. Além de permitir liquidez imediata para pagamento de despesas e tributos, ele reduz conflitos entre herdeiros. “O seguro traz recursos para custear todo o projeto de proteção financeira”, afirmou Carlos Eduardo.

Segundo ele, imóveis e empresas frequentemente carregam valor emocional para as famílias. “Sem liquidez, muitas vezes o patrimônio precisa ser vendido para pagar impostos ou despesas do inventário. O seguro ajuda justamente a evitar esse tipo de situação.” Outro ponto lembrado foi o tempo médio dos inventários no Brasil. “Um inventário pode durar cerca de três anos. Durante esse período, a família continua tendo despesas. O seguro garante recursos para atravessar esse processo.”

Reforma tributária aumenta importância do planejamento

O painel também abordou os impactos das mudanças no ITCMD. Os especialistas lembraram que, em São Paulo, a alíquota pode chegar a 8% e que, com as novas regras, o cálculo passa a considerar o valor de mercado dos bens, tornando o custo sucessório potencialmente mais elevado. Nesse cenário, o seguro passa a funcionar como fonte imediata de liquidez para reduzir o impacto financeiro da sucessão.

Outro tema discutido foi a aplicação da inteligência artificial. Segundo Thiago Levy, a tecnologia já está presente praticamente em toda a operação da MAG. A IA auxilia desde a recomendação do produto mais adequado até o processo de subscrição, aumentando a taxa de aceitação automática das propostas. Também participa da análise de pagamento de benefícios. “Hoje já conseguimos, em alguns casos, pagar benefícios no mesmo dia. A inteligência artificial nos ajuda a oferecer preços mais adequados ao risco de cada cliente e aumenta muito a eficiência da operação.”

Ao final do painel, os três executivos convergiram para uma mesma conclusão: organizar um legado não significa apenas definir quem receberá o patrimônio no futuro. Significa proteger a capacidade da família de preservar esse patrimônio diante dos imprevistos da vida. “O primeiro passo é entender onde a família quer chegar, como está estruturada hoje e quais riscos podem impedir esse objetivo”, resumiu Fábio Marinho.

Para Thiago Levy, as ferramentas vêm depois. “O seguro de vida não é uma solução única. Ele é uma das principais ferramentas dentro de um planejamento patrimonial eficiente. O mais importante continua sendo compreender a estrutura da família e antecipar problemas antes que eles aconteçam.” Essa talvez tenha sido a principal mensagem do painel: mais do que planejar a herança, o desafio agora é garantir que o patrimônio sobreviva aos imprevistos da vida.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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