Sompo compra Fator Seguradora e reforça posição em grandes riscos no Brasil

Negócio depende de aprovação da Susep, Cade e regulador japonês. Operação marca a venda da seguradora especializada em grandes riscos e seguro garantia após 18 anos de atuação

A Sompo Seguros anunciou a compra da totalidade das ações da Fator Seguradora, em uma operação que reforça sua presença no mercado brasileiro de seguros corporativos e grandes riscos. O contrato de compra e venda foi assinado nesta terça-feira (21) entre a Sompo e os acionistas da Fator, incluindo o Banco Fator. Estavam na disputa três grupos europeus: a italiana Generali, a francesa AXA e a espanhola Mapfre 

Pesou a favor da Sompo a fartura de capital para negociar. Além da necessidade de diversificar o portfolio de vida, que exige remuneração elevado com taxas de juros elevados e baixo crescimento com a queda de natalidade japonesa, há uma mudança regulatória. A mais recente e profunda mudança regulatória no Japão substituiu o antigo modelo de margem de solvência (SMR) pelo padrão J-ICS (Japan Insurance Capital Standard), baseado no ESR (Economic Solvency Ratio). O novo marco regulatório da Financial Services Agency (FSA) passou a adotar avaliações de risco com base em valor de mercado, o que obriga as seguradoras a adotarem uma gestão de capital mais sofisticada.

Para se adequar às novas regras do J-ICS, as seguradoras japonesas foram forçadas a liberar e otimizar capital através de mecanismos como o resseguro intensivo em ativos. Isso impulsionou um movimento estratégico de realocação de recursos, incluindo expansões de negócios no exterior, como no Brasil, e o descomplicar de participações cruzadas outrora retidas no mercado interno, buscando maior rentabilidade global. A expectativa é de novos movimento envolvendo outras seguradoras japonesas na América Latina, como Tokio Marine e Mitsui Sumitomo.

A conclusão da transação da Sompo com a Fator Seguradora ainda depende da aprovação da Superintendência de Seguros Privados (Susep), do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Japan Financial Services Agency (JFSA). Até que todas as autorizações sejam obtidas, as duas companhias seguirão operando de forma independente, sem alterações para clientes, corretores ou parceiros.

A operação encerra um ciclo de 18 anos da Fator Seguradora como empresa independente. Fundada com forte atuação em seguro garantia e grandes riscos corporativos, a companhia vinha passando por uma transformação estratégica para diversificar sua carteira e reduzir a dependência histórica do seguro garantia, que hoje representa cerca de 20% do faturamento.

Nos últimos anos, a seguradora investiu na expansão de produtos, em tecnologia e na digitalização da distribuição por meio da plataforma FatorConnect, que reúne mais de 7 mil corretoras cadastradas e permite a emissão automática de seguros de garantia e responsabilidade civil. A empresa também ampliou sua atuação em nichos como responsabilidade civil para médicos e vinha incorporando inteligência artificial aos processos de subscrição, além de desenvolver modelos próprios de avaliação de risco e crédito.

Em comunicado aos parceiros, a Fator afirmou que a Sompo foi escolhida por sua “solidez financeira, tradição e capacidade técnica”, destacando que a combinação permitirá ampliar a oferta de soluções sofisticadas de gestão de riscos ao mercado brasileiro.

A aquisição também representa um movimento relevante de consolidação no mercado segurador brasileiro, especialmente no segmento de seguros corporativos, onde a Fator construiu reconhecimento pela especialização técnica em grandes riscos. Até a conclusão da operação, não haverá mudanças nas apólices vigentes, processos de contratação, renovação, emissão, sinistros, rotinas financeiras ou canais de atendimento.

Em 2025, a Fator Seguradora registrou R$ 796 milhões em prêmios emitidos, R$ 1,9 bilhão em ativos totais e R$ 46 milhões de lucro líquido, valor 47% superior aos R$ 31,2 milhões registrados em 2024. Já a Sompo registrou R$ 2,8 bilhões em prêmios, R$ 6,3 bilhões em ativos totais e R$ 1,8 bilhão em patrimônio líquido em 2025. O lucro foi de R$ 126 milhões, o que representa crescimento de 78% em relação ao ano anterior. Com a aquisição, a Sompo deve registrar R$ 4 bilhões em prêmios.

“A operação está totalmente alinhada à nossa estratégia de crescimento sustentável e à ambição de ampliar nossa relevância em segmentos técnicos de maior valor agregado. A Fator Seguradora possui uma atuação consistente e reconhecida em linhas como Garantia e Linhas Financeiras, segmentos que representam importantes oportunidades de crescimento para a Sompo. Essa complementaridade acelera nossa capacidade de expansão nesses mercados, ao mesmo tempo em que amplia a oferta de soluções sofisticadas para clientes e fortalece o relacionamento com nossos parceiros corretores”, afirma Alfredo Lalia Neto, CEO da Sompo no Brasil.

“O Brasil é um mercado estrategicamente importante para a Sompo, e esta transação reflete nossa abordagem disciplinada para expandir nossa atuação em linhas de negócios nas quais identificamos forte demanda dos clientes, oportunidades técnicas e potencial de geração de valor no longo prazo. As competências da Fator Seguradora complementam nossa operação já estabelecida no Brasil e reforçam nossa ambição de fortalecer ainda mais a oferta em seguros especializados e corporativos nos mercados internacionais”, afirmou Alessa Quane, CEO de International Markets da Sompo International Holding Ltd.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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