A movimentação de Christian Mendonça para a corretora de seguros Oneglobal Brasil vai além de uma mudança de executivo entre empresas do setor. Ela sinaliza uma transformação que ganha força no mercado de seguros corporativos: a valorização de profissionais que conhecem profundamente a gestão de riscos e conseguem transitar entre o universo das empresas compradoras de seguros e a dinâmica de seguradoras, resseguradoras e corretoras.
Após 11 anos na Hydro, onde liderou a área de seguros e gestão de riscos para Brasil e América do Sul, Mendonça assume em 1º de junho a posição de diretor executivo de Placement, Sinistros e Operações da Oneglobal Brasil, com atuação voltada ao segmento de seguros corporativos. A chegada ocorre em um momento considerado estratégico para o setor, poucos meses após a entrada em vigor da Lei 15.040/2024, o novo marco legal dos seguros, que começou a produzir efeitos em dezembro de 2025.
A legislação representa uma mudança estrutural na lógica de contratação de seguros no país. Se antes predominavam produtos padronizados, desenhados pelas seguradoras e adaptados ao cliente, o novo cenário estimula construções mais customizadas, moldadas às necessidades específicas de cada operação. Nesse ambiente, cresce a relevância do gestor de riscos e, principalmente, do corretor capaz de atuar como elo técnico entre empresas, seguradoras e resseguradoras.
“O novo marco trouxe muita vantagem para o consumidor de seguros e muita responsabilidade ao risk management em validar isso. Todos estavam acostumados a trabalhar com produtos padronizados e agora o marco legal traz coberturas sob medida”, afirma Mendonça ao Sonho Seguro. “O gestor de risco precisa ter apoio para construir soluções aderentes às necessidades da empresa.”
A trajetória do executivo ajuda a explicar a importância dessa movimentação. Formado em Comunicação e com MBA pela FAAP, Mendonça iniciou a carreira no mercado segurador em 2002, na então ACE Seguros. Em seguida, construiu passagem marcante pela Marsh, onde liderou áreas ligadas aos segmentos de energia e óleo e gás. Depois atuou em gestão de riscos corporativos em grandes grupos antes de assumir posição estratégica na Hydro, onde expandiu sua atuação internacional e passou a responder também por programas globais e operações na América do Sul.
Ao longo do caminho, consolidou também uma presença muito ativa na Associação Brasileira de Gerência de Riscos (ABGR), entidade da qual integra o conselho diretor e onde se tornou uma das vozes mais reconhecidas do segmento. O trânsito entre diferentes elos da cadeia da indústria de seguros talvez seja hoje um dos principais ativos do executivo. Em um mercado em que a contratação de seguros complexos exige leitura técnica aprofundada, entendimento de apetite de risco e capacidade de negociação, profissionais com experiência “dos dois lados do balcão” tornaram-se cada vez mais valorizados.
Mendonça avalia que a profissão de gestor de riscos passa por um momento particularmente favorável. “A posição de gestor de riscos vem se consolidando cada vez mais nas empresas. O futuro de curto e médio prazo tende a ser positivo, com as companhias investindo em compradores profissionais de seguros”, afirma.
Além das mudanças regulatórias, há outro fator que ajuda a explicar o movimento do setor: o atual ciclo do mercado segurador corporativo. Segundo Mendonça, o segmento vive hoje um chamado “mercado soft”, período caracterizado por maior capacidade das seguradoras, competição elevada e condições favoráveis para compradores. “É um momento oportuno. As seguradoras voltaram ao jogo, estão aceitando riscos considerados mais complexos e têm interesse em fazer novos negócios”, diz. “Se o mercado permanece fechado, não atinge a rentabilidade esperada.”
Ele avalia que, apesar das tensões geopolíticas recentes e dos conflitos internacionais, os impactos sobre o mercado global de seguros permanecem relativamente controlados. “Quando entra uma guerra, a primeira coisa que as seguradoras fazem é retrair e retirar cobertura das regiões de tensão”, explica. “Por isso não vemos as contas das seguradoras tão afetadas.”
A ida para a Oneglobal também foi resultado de uma decisão baseada em alinhamento cultural. “A principal questão foi identificar empresas com cultura, valores e DNA compatíveis com os meus”, afirma. “A Oneglobal se propõe a fazer um atendimento de valor agregado em um cenário onde poucos entregam isso.”
Fundada há apenas três anos, a Oneglobal vem construindo espaço no mercado brasileiro apostando em uma estrutura enxuta, agilidade operacional e foco consultivo. Agora, após consolidar reputação no mercado local, a corretora inicia uma segunda etapa de crescimento. “Agora que a reputação foi conquistada, é hora de trabalhar o próximo passo sem perder qualidade e agilidade na estrutura das soluções que os clientes precisam”, afirma o executivo.
Para Mendonça, a evolução da corretagem passa por uma integração mais profunda entre áreas que historicamente trabalharam separadas. “Placement, atendimento e sinistros precisam funcionar como uma engrenagem. É frustrante para um gestor fazer um grande trabalho e depois descobrir exclusões que passaram despercebidas e comprometem tudo.”
Essa visão integrada ajuda a explicar sua missão na nova posição: aproximar placement, sinistros e operações em uma mesma lógica estratégica, conectando a estruturação do seguro ao momento em que ele realmente precisa funcionar. No novo ambiente regulatório, em que produtos deixam de ser prateleira para se tornarem cada vez mais personalizados, a inteligência técnica e o capital intelectual podem se tornar ativos tão importantes quanto a capacidade financeira das próprias seguradoras. A chegada de Christian Mendonça à Oneglobal reflete exatamente essa mudança de rota do mercado. “Mais do que vender apólices, a indústria de seguros precisa de profissionais capazes de traduzir riscos complexos em soluções que protejam, de fato, o patrimônio das empresas e de seus acionistas”, finaliza o especialista em gestão de riscos.


















