Falar sobre sucessão patrimonial ainda costuma remeter a inventário, burocracia e perda. Mas especialistas do mercado financeiro defendem que o tema precisa migrar para outro campo: o do planejamento em vida. Em vez de ser tratado apenas após a morte, o processo de organização patrimonial pode ser incorporado à estratégia financeira das famílias, com foco em proteção, continuidade e redução de incertezas.
Essa mudança de percepção ganha relevância em um país em que a consciência sobre o tema já existe, mas a ação ainda caminha lentamente. Pesquisa Vida e Finitude, realizada pela Icatu Seguros, mostra que 67% dos brasileiros pensam sobre a própria morte, porém apenas 16% se organizam financeiramente para esse momento. Outros 59% já conversaram ou pretendem conversar com a família sobre o assunto, mas 43% ainda não estruturaram nenhuma solução.
Para Luciana Bastos, diretora de Produtos de Vida da Icatu Seguros, o dado revela um hiato entre intenção e prática. “Existe consciência, existe preocupação, mas ainda falta transformar isso em atitude concreta. O tema segue cercado por mitos culturais e muitas famílias adiam decisões importantes”, afirma. Segundo ela, falar sobre sucessão patrimonial não significa apenas discutir herança. “Estamos falando de continuidade financeira, de cuidado com quem fica e de organização da vida patrimonial. É um ato de amor e de responsabilidade com a família”, afirma.
Quando o planejamento não acontece, os impactos podem ser relevantes. Custos inesperados, demora no acesso aos recursos, necessidade de vender bens às pressas, endividamento e conflitos familiares costumam aparecer em momentos de fragilidade emocional. “Muitas vezes a família tem patrimônio, mas não tem liquidez. Há imóveis, investimentos ou participação em empresas, mas o dinheiro imediato para custear despesas, impostos ou reorganizar a vida não está disponível”, diz Luciana.
Nesse contexto, o seguro de vida aparece como ferramenta complementar dentro da sucessão patrimonial. O capital segurado é pago diretamente aos beneficiários, sem necessidade de inventário, o que tende a acelerar o acesso aos recursos. Na prática, isso pode evitar a venda apressada de bens ou a contratação de empréstimos em um momento delicado. “O seguro cuida do agora. Ele garante liquidez, estabilidade e amparo imediato. É uma reserva financeira para que a família atravesse a transição com menos pressão”, afirma a executiva.
Além da cobertura por morte, produtos de vida passaram a incorporar outras proteções, como indenizações por doenças graves, invalidez e diárias por internação hospitalar, ampliando o papel do seguro dentro do planejamento financeiro. “Seguro de vida não é apenas sobre morte. Ele também pode apoiar a reconstrução da vida diante de eventos inesperados, como uma doença grave ou a impossibilidade de continuar exercendo uma profissão”, afirma Luciana.
A previdência privada, por sua vez, cumpre papel complementar. Embora seja mais associada à aposentadoria, também pode contribuir para a sucessão patrimonial ao permitir indicação de beneficiários, facilitar o acesso aos recursos e apoiar a transferência organizada de patrimônio, dependendo das regras vigentes e do produto contratado. “A previdência cuida do depois. Ela ajuda a preservar, acumular e transferir patrimônio de forma estruturada para as próximas gerações”, afirma.
Na avaliação da executiva, a combinação entre seguro e previdência tende a ganhar espaço à medida que o país envelhece e as estruturas familiares se tornam mais complexas. Casais recasados, famílias recompostas, dependência financeira entre gerações e filhos ainda em formação tornam a sucessão um tema menos linear do que no passado.
Ela cita ainda a chamada “geração sanduíche”, formada por adultos que sustentam filhos e, ao mesmo tempo, ajudam financeiramente os pais. “É um público que percebe com mais clareza a importância da proteção financeira, porque vive responsabilidades simultâneas”, afirma.
Considerando esse contexto, a Icatu Seguros lançou no último ano uma cobertura inédita no mercado para morte de pais e mães, criada para amparar filhos em caso de perda familiar. A cobertura está disponível para segurados cujos pais tenham até 80 anos no momento da contratação e conta com capital segurado de até R$ 100 mil por familiar, podendo chegar a R$ 200 mil caso a cobertura inclua ambos os pais.
Para Luciana, ampliar a educação financeira será decisivo para acelerar esse movimento. “As pessoas já falam mais sobre o tema. O próximo passo é transformar conversa em planejamento. Informação clara e boa orientação fazem toda a diferença”, conclui.


















