Susep cria grupo de trabalho e reforça debate sobre seguro catástrofe no país

Com participação de órgãos públicos e entidades do mercado, GT vai discutir ajustes regulatórios e legais para ampliar a proteção contra eventos climáticos extremos, em um momento em que o setor defende um modelo de seguro social catástrofe e ferramentas de prevenção para reduzir a lacuna de cobertura no Brasil

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) colocou o seguro catástrofe no centro da agenda regulatória ao instituir um grupo de trabalho de natureza consultiva para discutir e, eventualmente, propor diagnósticos e recomendações de aperfeiçoamento regulatório e legal para esse tipo de cobertura. A medida foi formalizada pela Portaria 8.493/26, publicada na terça-feira, 24 de março, no Diário Oficial da União. 

O movimento reforça a prioridade que a autarquia vem dando ao tema. Em sua página oficial sobre seguros catástrofe, a Susep informa que o assunto foi incluído no Plano de Regulação de 2026, com o objetivo de estudar possibilidades de mudanças legais e regulatórias capazes de aumentar a resiliência do país diante de catástrofes naturais. Segundo a autarquia, o grupo também funcionará como canal de interlocução e construção de consensos entre poder público, mercado e sociedade civil. 

De acordo com a norma, o GT será coordenado pelo superintendente Alessandro Octaviani e deverá apresentar, ao fim dos trabalhos, um relatório consolidado com as discussões realizadas. As reuniões poderão ocorrer de forma presencial, remota ou híbrida, e a participação será considerada de relevante interesse público, sem remuneração. Entre os integrantes estão representantes da própria Susep, de ministérios, do Tribunal de Contas da União e da Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), além de entidades do mercado segurador, do resseguro, do meio jurídico, da academia e de setores produtivos. 

A criação do grupo ocorre em um momento em que o avanço dos eventos climáticos extremos pressiona o mercado e o setor público a buscar soluções mais estruturadas de proteção financeira. Estudo citado pela CNseg, com base em levantamento da própria Susep, aponta que o Brasil tem lacuna de proteção de até 93% para catástrofes naturais, um dos patamares mais elevados entre os mercados analisados. Na prática, isso significa que a maior parte das perdas causadas por desastres segue sem cobertura securitária. 

Nesse contexto, a CNseg passou a defender a criação de um Seguro Social Catástrofe no país, apoiado por um fundo financeiro e por mecanismos de parceria entre o setor privado e o poder público. A proposta mira sobretudo a proteção de habitações, infraestrutura urbana e respostas emergenciais em casos de inundações, secas e deslizamentos. A entidade também vem sustentando que o seguro precisa avançar de um papel restrito ao pagamento de indenizações para uma atuação mais preventiva, apoiada em inteligência de dados e em instrumentos de mitigação de riscos. 

Um dos pilares dessa agenda é o Hub de Inteligência Climática lançado pela CNseg durante a COP30, em Belém, com ferramentas voltadas ao monitoramento de riscos de inundação e à produção de informações para apoiar a precificação de riscos pelas seguradoras. A iniciativa se soma ao debate sobre a necessidade de ampliar a capacidade de resposta do mercado diante da escalada das perdas econômicas associadas a eventos extremos. 

Os números reforçam a urgência do tema. Entre 2022 e 2024, o Brasil acumulou R$ 184 bilhões em prejuízos com desastres climáticos, segundo dados divulgados no âmbito desse debate setorial, com apenas uma fração das perdas coberta por seguros. O diagnóstico fortalece a avaliação de que o país precisa combinar regulação, modelagem atuarial, dados climáticos e mecanismos de compartilhamento de risco para reduzir a vulnerabilidade financeira de famílias, empresas e entes públicos. 

O desafio, agora, será transformar o diagnóstico em propostas viáveis para ampliar a cobertura, preservar a solvência do sistema e criar instrumentos capazes de tornar o país menos exposto financeiramente aos efeitos de enchentes, deslizamentos, secas e outros desastres naturais. 

Para conferir os detalhes do GT, acessa a Portaria Susep nº 8.432/2025.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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