Cinco passos para um ressegurador rentável e sustentável

por Daniel Castillo, vice-presidente do IRB(RE)

A construção de um ressegurador sólido, rentável e sustentável exige clareza estratégica, disciplina operacional e diferenciação competitiva consistente. As estratégias fundamentais que orientam essa atuação estão sintetizadas nos seguintes pilares:

1. LBC – Levante o Bumbum da Cadeira

A proximidade com o cliente é indispensável. É fundamental sair a campo, ouvir ativamente as necessidades dos parceiros, compreender seus riscos e estruturar soluções que atendam essas demandas por meio de contratos tecnicamente adequados e financeiramente rentáveis. O conhecimento do cliente é a base de uma subscrição de qualidade, em um relacionamento profundo sustentado por conhecimento técnico e histórico de dados.

Resiliência e paciência no contato com o cliente são fundamentais para alinhar, em conjunto, o apetite a risco. Além disso, a presença constante fortalece a relação de parceria e amplia a capacidade de identificar oportunidades antes que elas se tornem desafios. 

Esse movimento ativo permite ajustar o apetite a risco de forma mais precisa, garantindo contratos sustentáveis, uma subscrição tecnicamente superior e a geração de conhecimento que agrega valor e se torna imprescindível para os clientes.

2. SNO – Sangue nos Olhos

A negociação deve ter como objetivo central a rentabilidade e a sustentabilidade do negócio. Isso significa buscar operações que sustentem resultados consistentes, possibilitem o pagamento de bônus aos colaboradores e gerem retorno aos investidores. 

Crescimento sem rentabilidade não é estratégia. Ao mesmo tempo, temos que deixar claro aos clientes a estratégia e o compromisso com o negócio, criando cooperações de longa data, com crescimento mútuo para ambos, ressegurador e cliente.

3. DDD – Disciplina, Disciplina, Disciplina

A disciplina deve permear todas as etapas do processo de subscrição: desde o desenho do clausulado, passando pela análise técnica do risco até a precificação. As estruturas de precificação precisam estar baseadas em modelos internos robustos, inclusive para riscos complexos e de difícil modelagem. Da mesma forma, o custo administrativo deve ser adequado à capacidade, com atendimento exemplar relevante e bem alocado.

Manter rigor técnico e consistência decisória é essencial, especialmente em ciclos de mercado adversos. Isso significa que a disciplina se mantém ao longo dos ciclos hard e soft, incluindo a capacidade de alertar o mercado sobre riscos subprecificados.

Disciplina de subscrição, constante monitoramento dos riscos subscritos e uma boa coordenação com a área de sinistros é a receita para bons negócios. Uma boa governança, aliada a processos claros e bem definidos, ajuda a garantir que cada decisão de subscrição seja tomada com base em critérios técnicos sólidos e na correta leitura dos riscos. 

Essa postura disciplinada – com excelência em sinistros, agilidade, conhecimento técnico e governança − reforça a saúde da carteira, protege a rentabilidade e mantém a qualidade das operações ao longo de todo o ciclo de mercado. 

4. SDC – Serviço como Diferencial Competitivo

O ressegurador deve oferecer um serviço impecável tanto na subscrição quanto na gestão de sinistros. Pagamentos rápidos, justos e tecnicamente fundamentados fortalecem o relacionamento com os clientes e consolidam a reputação da empresa. Não se pode nunca esquecer que reputação, integridade e credibilidade são ativos estratégicos de uma empresa sólida.

Desenvolvimento de produtos e consultoria de riscos são fatores imprescindíveis para manter a relevância no mercado e criar laços importante com os clientes. A escuta ativa mencionada no primeiro passo precisa ser traduzida em soluções customizadas e desenvolvimento de produtos. 

Além disso, a capacidade de fornecer análises técnicas padronizadas e respostas rápidas amplia a percepção de valor da empresa, fortalecendo a confiança dos clientes no processo de subscrição e de sinistros.

5. MOAT – Construção de Vantagem Competitiva Sustentável

Conceito oriundo do inglês, o MOAT se refere à criação de um “fosso” em torno do castelo — ou seja, uma vantagem competitiva difícil de ser replicada pelo mercado. 

Após seguir os quatro passos anteriores, aqui no IRB(Re), acreditamos que esse MOAT é construído a partir da combinação de dados, talento e disciplina. Essa integração entre eficiência operacional, inovação em soluções e atuação próxima ao mercado tem nos consolidado todos os dias como parceiro estratégico para nossos cedentes.  

Apenas o crescimento, portanto, não é suficiente para gerar o MOAT. A sua geração efetiva vem do conhecimento acumulado, do talento das equipes, da capacidade técnica de subscrição e da habilidade de assumir riscos de forma disciplinada e consciente. São esses fatores que, combinados, vão sustentar resultados consistentes e de longo prazo.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS