A venda de títulos de capitalização, produto que desperta a atenção dos brasileiros pelos polpudos sorteios e dos empresários por um retorno sobre o capital acima de 20% ao ano, segue num forte ritmo de crescimento. “O setor cresce a 19% ao ano há algum tempo e tem tudo para continuar nessa curva ascendente”, comentou Jorge Hilário, presidente da CNseg, durante a abertura do “2º Workshop FenaCap – Capitalização – Perspectivas para 2013”. “Acredito que hoje temos a oportunidade de discutir novas idéias para criar produtos diferenciados que possam manter o ritmo de crescimento”, disse em seu discurso. Segundo ele, a capitalização é um instrumento importante no desenvolvimento das famílias de menor renda por estimular o hábito de poupança e possibilitar ao titular a chance de tirar a sorte grande nos sorteios, que são a base do produto.
Nelson Le Coq, diretor da Susep, que substituiu o xerife Luciano Portal na programação do evento que aconteceu no hotel Sofitel, em Copacabana, Rio de Janeiro, disse que a mudança no perfil de distribuição de renda do Brasil trouxe muitos participantes para o segmento de capitalização e isso exigiu que o órgão regulador modernizasse as regras do jogo. “Temos uma massa volumosa de pessoas que passaram a ter renda e uma renda maior, alargando a base de clientes potenciais para as empresas”, diz Le Coq.
Grande parte desses novos consumidores nunca teve acesso a produtos bancários. Por serem iniciantes no mercado financeiro, a Susep se apressou para reformular as políticas e regras do setor para atender melhor as necessidades do consumidor, bem como passar a exigir uma comunicação mais transparente e com linguagem compreensível para qualquer leigo no assunto por parte das empresas.
Recentemente, a autarquia baixou regulamentações que visam organizar o crescimento esperado da capitalização. “Disciplinar, estruturar e legitimar os canais de vendas que o produto oferece, bem como explicitar as características do produto, especialmente o lado lúdico do sorteio do título. Ao despertar o consumidor pelo lado lúdico, chamamos a atenção para a importância de se desenvolver o hábito de poupar”, explicou o diretor da Susep.
Para finalizar, Le Coq usou a filosofia da presidente Dilma Rousseff. “Como diz a presente, pais rico é pais sem pobreza. Vocês estão num setor que cresce e espero que ajuda a desenvolver produtos que auxiliem as pessoas a se desenvolver financeiramente”.
Marcos Barros, presidente da Fenacap e diretor do Banco do Brasil (foto), iniciou sua palestra explicando aos presentes que a capitalização surgiu no Brasil para estimular o hábito de poupar, tendo como incentivo o sorteio. “Agora passa a ser um instrumento financeiro, de forma individual ou coletivo, para estimular outros mercados, desde o microsseguros como também possibilitar que as empresas tenham um diferencial de marketing ao agregar os títulos com sorteios aos clientes que comprarem seus produtos. O foco é estimular a disciplina de poupar por meio do estímulo do sorteio”, explica.
Barros destaca que muitas vezes um seguro de vida, por exemplo, pode não chamar a atenção do consumidor. Mas se tiver um sorteio ele pode parar para entender melhor o produto. “Por meio da capitalização podemos estimular uma enorme variedade de produtos. No caso de seguro de vida, por exemplo, é um produto fundamental para as classes C, D e E, pois visa garantir o estatus social conquistado diante da morte de um membro da família. Evita que ele volte a miséria caso o responsável financeiro venha a falecer, a medida que os beneficiários recebem uma indenização do seguro e o valor poupado no título de volta”, cita.
Barros insiste no conceito de capitalização.”Não é um poupança. Não é loteria. É um instrumento financeiro que possibilita atuarmos em vários segmentos e nichos”, diz ele, citando os números do setor para comprovar o crescimento e abrangência que a capitalização nos últimos anos. Em 2006, o setor faturou R$ 7,1 bilhões e 2012 R$ 16,5 bilhões. A perspectiva é manter a dinâmica de crescimento nos próximos anos. As reservas do setor encerram 2012 em R$ 22 bilhões. Os sorteios totalizaram 857 milhões e outros R$ 10,6 bilhões voltaram aos titulares em forma de resgates dos valores poupados.
Entre os desafios do setor Barros cita a educação financeira. “Essa educação começa dentro de casa, com o treinamento das pessoas que vendem o produto, pois temos muito para crescer e não podemos perder a oportunidade de conquistar novos consumidores por histórias de clientes insatisfeitos”, diz. Também compõem a agenda das empresas do setor a diversificação de ofertas para atendimento e vários perfis de clientes, agilidade na criação de soluções para novas demandas, como garantia de aluguel, estar no segundo lugar na preferencial dos consumidores e investir em tecnologia da informação.
“A postura da FenaCap é ouvir e falar mais. Temos de crescer dentro do compromisso de sustentabilidade, com geração de valor para toda a cadeia. E a FenaCap está obstinada em seguir essas metas para poder dobrar o faturamento do setor até 2016, para R$ 34 bilhões”, finaliza.
Daniel Godri, consultor especializado em palestras motivacionais, citou Jesus como o maior gestor de pessoas do mundo e sugeriu que todos na plateia seguissem um dos exemplos dados por Ele: Façam como Jesus. Coloquem as pessoas da sua equipe em primeiro lugar e assim terão a certeza de que o cliente será bem tratado”.

















