Vi essa notícia, que traz parte do discurso no Conec, que infelizmente não pude ir. Quem falou foi Armando Vergílio, mas já escutei de vários executivos a mesma frase: o consumidor é quem vai pagar pela extinção do custo de apólice. Ele não paga nem o seguro por livre espontânea vontade!!! Todos vão ter de se mexer para reduzir custos, pois se o consumidor tiver que cortar custos não será da viagem, da troca da geladeira ou da aquisição do Iphone 5. O primeiro item que o consumidor vai cortar, se é que tem, é o seguro. Ainda mais se nunca usou ou se foi mal tratado.
Todos sabem que seguro é um produto ainda não prioritário para a maioria dos brasileiros. Até mesmo para o governo ele não é. Tem empresas também que preferem outras alternativas. Um exemplo é a Odebrecht, que optou por construir o Itaquerão sem seguro garantia. Apenas contratou o seguro de riscos de engenharia. Nem o governo mostra sinais de interesse pelo setor, como mostram as regras baixadas sem negociações.
Na verdade, a extinção do custo de apólice só traz um susto ao setor, que bem poderia servir para dar aquela chacoalhada em prol da prestação de serviço que encante o cliente. Hoje conversava com um senhor, que trabalhou anos em bancos, cuidando de clientes ricos e milionários. Ele me dizia que passava boa parte do dia retirando do mix de investimentos dos clientes produtos que os gerentes vendiam, como previdência para pessoas acima de 65 anos. “Cara, você é louco. Além de perdemos o cliente quando ele perceber isso ele ou os filhos podem mover uma ação contra o banco”, dizia ele indignado. No mês seguinte, um seguro de vida ou uma capitalização. E lá ia ele tentar educar o gerente remunerado por metas.
Hoje estamos vivendo um novo momento, da economia e consequentemente das prioridades das empresas e dos consumidores. Antes tinhamos apenas uma pessoa para sentar e dez cadeiras disponíveis. Hoje temos 10 pessoas para sentar e uma cadeira disponível. Quem chegar primeiro senta. É certo que passamos por um momento sem meritocracia. Os menos preparados levam vantagens por ainda praticarem a lei de Gerson. Mas isso não vai durar muito. Quem não fizer produtos e regras que respeitem o consumidor vai sobrar. Isso porque o consumidor não vai comprar o melhor produto se ele estiver caro. Vai desistir da compra se ela for burocrática. Não vai permanecer com o produto se for mal tratado por um atendente. Vai reclamar por seus direitos.
Então, realmente, melhor pensar direito em quem vai pagar pela extinção do custo de apólice, uma vez que quem sempre pagou por isso foi o consumidor. Se o preço aumentar, ele só vai continuar fazendo o mesmo do mesmo. Mas não acredito nisso. Aposto mais na seleção natural enquanto alguém não se dispor a limpar a imagem do setor diante da opinião pública com esse tema. Afinal, pagar por um custo extra, uma vez que o administrativo já estava no preço, não agrada ninguém. Acredito mais no sucesso dos executivos que partirem para estratégias sustentáveis do que para aumento de preço.
Estive em uma pousada interessante. A fruta que sobrava do café da manhã era colocada em um espetinho e servida, gratuitamente, aos hóspedes. O jornal, escolhido logo na chegada, colocado na porta pela manhã, sem acréscimo na conta. Claro que os 3 reais fazem parte do preço da diária. Mas bom receber esse mimo e ver que ele não está na conta. Ao chegar, o hospede preenche o que quer no frigobar, para não ficar cheio de coisas lá. E só paga pelo que consumir.
Também ao chegar, a atendente extremamente feliz por trabalhar no local, pede a gentileza do preenchimento de um listinha sobre os tipos de alimentos que o cliente prefere no café da manhã para que possa te agradar e não ter desperdícios. Afinal, desperdícios encarecem o preço final. Vinhos? Preços mais convidativos do que no supermercado. Resultado: nunca tem vaga, só com semanas de antecedência. Ninguém aqui diz para os hóspedes que eles pagarão mais se tiverem que trocar a toalha de banho todo dia. Apenas colocam um bilhetinho simpático dizendo que, por questões ecológicas, as toalhas só serão trocadas quando colocadas no chão.
Bem, segue a notinha que me fez refletir sobre o tema….
Durante o XV CONEC, em São Paulo, na sexta-feira, 12, Armando Vergilio dos Santos Junior, afirmou que o preço do seguro de automóveis pode sofrer reajustes médios de 10%, já no começo de 2013 em decorrência do fim da cobrança do custo de emissão da apólice, determinado pela Susep. “O preço vai subir e muito. Não tem como evitar”. Até agora, havia um custo de subscrição, que incluía gastos não apenas com a emissão das apólice, mas também com as vistorias, call center e análise do risco. A partir de janeiro, além desses custos, haverá o desembolso para constituição de reservas e impostos, entre outros. Disse ainda que, para o corretor, nada muda, pois continuará a receber sua comissão normalmente. “Quem vai sofrer é o consumidor, que pagará muito mais pelo seguro, principalmente na carteira de automóveis. É só comparar o preço cobrado agora e o que será válido em março do ano que vem”, sinalizou.


















Denise, boa discussão, e seus exemplos da pousada que serve espetinhos de frutas na água gelada com gás são ótimos.
Eu estava tentando entender melhor esse assunto outro dia, vejo o lado prático, as consequências da extinção da cobrança especificada do custo de apólice (que era o equivalente à pousada cobrar separadamente pelo jornal que vc já está pagando…).
Concordo com sua reflexão. Duvido que as seguradoras inteligentes venham deixar passar a chance de se “diferenciarem”, em vez de aumentarem seus preços em pesados 10%, como cita o deputado, nas atuais circunstâncias, muito bem apontadas por você…
Creio que a maioria vai até se sentir melhor, livre de algo que era tabelado, sob rubrica que igualava todo mundo. Igual quando havia monopólio de resseguro, a regra “passava a régua”, e, acabada a limitação do monopólio tudo ficou mais realista e os melhores se sobressaíram.
Vamos esperar para ver, 2013 já está quase na esquina…
Abraços.