Aumento de preço faz seguro de crédito disparar

Até abril, as indenizações pagas em seguro de crédito avançaram 411,9% e a arrecadação 24,3%

A piora nas condições do cenário de crédito, com risco desencadeado pela crise na Americanas e altas taxas de juros, se traduziu em aumento do preço do seguro. Consequentemente, as seguradoras reportaram para a Susep (Superintendência de Seguros Privados), órgão que regula o setor, um crescimento de 24,3% no volume de vendas, para R$ 740 milhões. Já as indenizações tiveram alta de 411,9%, para algo próximo de R$ 1 bilhão.

“Registramos um aumento do tíquete médio do seguro de crédito superior a 20%, para algo próximo de R$ 400 mil por empresa”, conta  o vice-presidente de Riscos Corporativos da corretora Alper Seguros, Ilan Kajan Golia. Segundo ele, a repercussão do volume de indenizações pagas, especialmente para fornecedores impactados pela recuperação judicial da Americanas, fez a procura por informações sobre o seguro disparar. “Todos querem entender mais como funciona o seguro, mas este é um contrato que tem um prazo maior de negociação, com venda consultiva”, explica.

A média mensal de cinco apólices negociadas pela Alper triplicou depois da explosão da crise da varejista. No entanto, como o preço também explodiu em virtude da alta do volume de indenizações, as empresas contratantes aguardam para fechar o contrato, num sinal de esperança de que as taxas voltarão em breve para um patamar menor, com termos e condições mais favoráveis apresentados no pré crise Americanas, que acabou por dar sequência a outras empresas que revisaram seus balanços financeiros.

Este cenário de insegurança com a credibilidade dos balanços acendeu o farol vermelho nas resseguradoras, de quem as seguradoras compram seguro. “Muita gente procura, mas como ficou mais caro e restritivo, de cada dez operações, elas aprovam duas. Algumas seguradoras oferecem capacidade para até 50% da carteira de crédito do cliente, o que significa que ela está pagando o dobro pelo seguro. Antes da crise da Americans, mais de 70% de todo o faturamento da empresa tinha cobertura”, explica Golia. Estimativas não oficiais do setor sugerem que há em vigor cerca de 4 mil apólices de seguro de crédito atualmente

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Para o presidente da CNSeg, Dyogo Oliveira, as indenizações foram impulsionadas por eventos de crédito recentes que contavam com a proteção do seguro. “Pelo lado da demanda, esses mesmos eventos geram uma maior busca por proteção. Isso, aliado ao fato de que a manutenção da taxa de juros em patamar elevado tende a aumentar a inadimplência, compõe o cenário de maior procura pelo produto”, diz. 

Para se ter uma idéia do impacto em crédito, uma carteira até então considerada rentável, todos os ramos e segmentos, menos a Saúde Suplementar, registraram incremento de apenas 2,2% nas indenizações, para R$ 77,2 bilhões, enquanto a receita com vendas de todo o setor cresceu 8,6%, atingindo R$ 117,4 bilhões. Em paralelo aos seguros de crédito, também registraram performances positivas os seguros de responsabilidade civil, marítimos e aeronáuticos, grandes riscos e riscos de engenharia.

Os seguros de crédito têm o objetivo reduzir o risco de operações de crédito, garantindo ao credor, aquele que cede recursos, o ressarcimento da operação definida no contrato de seguro, que será feito pela seguradora, caso ocorra inadimplência, por parte do devedor. O produto pode ser utilizado tanto para operações realizadas no território nacional quanto para operações financeiras destinadas à exportação, no entanto, a pessoa física ou jurídica que contratar o seguro deve estar domiciliada no Brasil.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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