Pelos discursos realizados no período da manhã do seminário “Princípios para a Sustentabilidade em Seguros, da teoria para a prática”, promovido pela CNseg e que acontece hoje no Rio de Janeiro, teremos muitas notícias, fatos em si, para divulgar daqui para frente sobre o tema sustentabilidade. Não apenas informações e compromissos. Pelo visto, o setor deixa a teoria para implementar medidas práticas que vão além de tudo o que já foi feito até agora. Temos muitas histórias já para contar, mas ainda é muito pouco diante do papel fundamental que o setor pode exercer para termos um mundo melhor.
Jorge Hilário, presidente da CNseg:Prevenção e gerenciamento de riscos estão no DNA de nossas empresas. É dever das seguradoras incorporar, cada vez mais, o importante papel de indutor de boas práticas junto a clientes, fornecedores e parceiros. Não somente na oferta de soluções de seguro para cobertura de riscos ambientais e sociais, mas também na inclusão de novos segmentos da sociedade pela oferta de produtos adaptados a essas realidades. Não é só plantar árvores. Temos que considerar práticas e temos de unir forças para tornar o setor um indutor do crescimento sustentável do Brasil. Hoje também assinaremos um termo aditivo ao Protocolo do Seguro Verde, um convênio firmado entre a CNseg e o Ministério do Meio Ambiente, em 2009, que estabelece regras rígidas para a contratação de seguros por empresas que tenham práticas socioambientais inadequadas. Entre os principais pontos estabelecidos pelo documento, destaco o compromisso das empresas em oferecer produtos de seguros, previdência privada complementar e de capitalização que fomentem a qualidade de vida da população e o uso sustentável do meio ambiente. Outra questão importante é o nosso compromisso adotar critérios ambientais, sociais e de governança na seleção e avaliação de fornecedores, prestadores de serviços e parceiros comerciais. Ressalto ainda que devem ser considerados, na aplicação de ativos garantidores das provisões técnicas, a exclusão de títulos emitidos por empresas com padrões de desenvolvimento ambientais, sociais e de governança inferiores aos aceitáveis. A Susep, Secretaria Municipal do Meio Ambiente e o Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro e Espírito Santo estão selando conosco o compromisso para o cumprimento destas metas. Mais uma vez, a união de forças produz algo de extremo valor para a nossa sociedade e o desenvolvimento socioeconômico do país.
Jayme Garfinkel, presidente da FenSeg e presidente do conselho de administração da Porto Seguro: Eu tenho uma visão fatalista das coisas. Parece até que não dá mais tempo. A preocupação com sustentabilidade é inevitável. Se não fizermos nada, em dois anos a situação pode ficar irreversível. Ou seja, temos de correr. Na FenSeg, temos pensado nesse assunto e nas formas de induzirmos nossos fornecedores e clientes a adotarem attitudes sustentáveis. Temos mantido contato com oficinas e desmanches, por exemplo, para levantar os riscos e o que podemos fazer para contribuir. Um dos pontos, por exemplo, foi identificar o descarte incorreto pelos desmanches, como jogar oleo dos carros recuperados no esgoto. As seguradoras estão preocupadas em agir de forma ativa para corrigir essas ações.
Marcio Coriolano, presidente da Fenasaúde e presidente da Bradesco Seguros: Numa alusão a frase de Garfinkel, enfatizo que correr é muito positivo para a saúde das pessoas e também das empresas que atuam em medicina complementar. Por isso, corram mesmo. Esse seminário é muito mais do que oportuno. Em saúde, temos grandes desafios. Me arrisco a dizer que temos três dimensões: ambiente, coleta dos resíduos hospitalares e longevidade. Todas elas nos instigam a buscar soluções para um crescimento sustentável do setor e consequentemente do país. Ao ajudar a reduzir a poluição, os seres humanos, considerados uma esponja, tenderão a ter mais saúde a assim poderá haver um alívio a pressão de custos, com a redução do uso dos serviços medicos e hospitalares. Meu desejo é que todas essas questões sejam discutidas e que consigamos ter contribuições relevantes durante os debates que acontecerão ao longo do dia.
Solange Beatriz, diretora da CNseg: A realização deste seminário visa refletirmos sobre as ações que as seguradoras podem tomar, bem como reestruturar processos arraigados com vista a implementar os princípios da sustentabilidade. Muitos tem em mente que a sustentabildiade é um tema caro, mas ele realmente precisa ser prioritário. Vamos dar um passo para dar efetividade do Protocolo do Seguro Verde, de 2009. A sociedade está mais exigente com a postura das empresas, o que faz desse um bom momento par ao nosso setor, que tem o papel de lidar com gerenciamento de risco.
Luiz Tavares, presidente do Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro e executivo da Bradesco Seguros: Fico feliz de estar aqui e ver um auditório tão cheio. Lembro que o Protocolo do Seguro Verde surgiu durante um almoço realizado no Sindicato com o Carlos Minc, então ministro do Meio Ambiente, em 2009. Me alegra ter participado disso e da implementação de várias medidas. Já demos um passo, mas ainda temos muitas ações para implementar, muitos processos para mudar, muitos clientes e fornecedores para apoiarmos na geração de atitudes que vão fazer grande diferença na vida de todos.
Osvaldo do Nascimento, vice presidente da Fenaprevi e diretor do Itaú seguros: A regulação da previdência complemtnar comecou em 1977. Em 1993, 20 anos depois, o setor tinha apenas R$ 3 bilhões em reservas técnicas. Somente depois de uma ação mais focada, com regulação que trouxe transparência e produtos modernos, o setor conseguiu crescer e hoje temos mais de R$ 300 bilhões em ativos administrado. Ou seja, uma regulação mais focada na sustentabilidade surte efeito no longo prazo. Por isso acredito que sempre é hora de agir e adotar medidas que visem aprimorar o nosso sistema, mesmo que o reflexo seja percebido somente no longo prazo.

















