O grupo espanhol Mapfre anunciou investimentos significativos no Brasil. Sem ter uma cifra consolidada, o CEO mundial Antonio Huertas (a esquerda na foto) divulgou US$ 100 milhões para a consolidação do datacenter do grupo em Alphaville, São Paulo, sendo este o terceiro do grupo no mundo. “Temos um em Madri, outro em Miami a decidimos concentrar as informações da América Latina em um datacenter em São Paulo”, disse Huertas hoje pela manhã, durante encontro com jornalistas.
Os anúncios, de maior peso estratégico para concorrentes, no entanto, foram outros. O executivo divulgou oficialmente a estréia da Mapfre no segmento de saúde, praticamente o único em que o grupo não atuava. Para abrir uma operadora de saúde, a Mapfre começa com aporte de R$ 20 milhões. “Já começamos a trabalhar, sem pressa, na organização da nova empresa, conhecendo o mercado local. Já temos autorização do conselho e vamos entrar com pedido para a abertura da empresa na Agência Nacional de Saúde (ANS), em breve”, informou Wilson Toneto, presidente da Mapfre no Brasil (a direita na foto). A previsão é atuar no segmento a partir de 2013, apenas com planos empresariais. A estimativa é ter 300 mil vidas em carteira nos primeiros três anos de atuação, focando programas de qualidade de vida já usados pelo grupo em outras operações internacionais.
Além de saúde, a Mapfre está investindo na criação de uma empresa de consórcio, segmento que vinha atuando em parceria com a Caixa Seguros e que agora ganha independência. Com R$ 25 milhões de investimentos, a empresa de consórcios aguarda aprovação do Banco Central para os próximos dias, com atuação focada em automóveis, imóveis e depois em eletrodomésticos. Huertas também afirmou que o grupo vai aportar recursos para a abertura de novas filiais no Brasil para atender corretores e clientes e assim manter a qualidade do atendimento, atributo fundamental para preservar market share.
Esta é a primeira viagem internacional de Antonio Hertas (foto) desde que assumiu o comando do maior grupo segurador da Espanha em março deste ano. Ele está há quarto dias no país, sendo três deles em São Paulo e um no Rio de Janeiro. “Estou impressionado com o que vejo no Brasil. Sabíamos do crescimento e das importantes oportunidades que a sexta maior economia do mundo oferece aos investidores. Mas realmente me impressionou o que vi aqui até agora”, disse ele, que já se encontrou com vários empresários.
Huertas destacou a estratégia do grupo de ser uma seguradora internacional tomada no passado, o que se mostra hoje uma decisão acertada, uma vez que a expansão, com atuação em 47 países, é a responsável pela manutenção do crescimento das vendas e do resultado do grupo em 2011 e no primeiro trimestre deste ano. Em 2011, o grupo Mapfre faturou 23 bilhões de euros, 14,9% acima do obtido no ano anterior, com o avanço puxado pelas operações internacionais. O resultado do primeiro trimestre deste ano segue a tendência de avanço, com prêmios 15% maiores, para 6,6 bilhões de euros. Apesar da crise na Espanha, o grupo continua apresentando crescimento acima do mercado no país sede da companhia, porém perdendo participação no volume total do faturamento do grupo para as operações internacionais, que já representam 62%.
Segundo o CEO da Mapfre, a aposta do grupo em globalização ajuda o grupo a apresentar resultados melhores do que seus concorrentes europeus. Segundo pesquisa realizada com dados dos balanços de 2010 de concorrentes de peso, como Zurich, RSA, Eureko, AXA, Allianz, Aviva, Generali e Groupama, enquanto o faturamento da Mapfre cresceu 38%, a média registrada pelas concorrentes atingiu 14%. Em relação ao lucro, a Mapfre apresentou avanço de 28% e as concorrentes decresceram 26%. Dessas, apenas Zurich, RSA, Allianz e Generali estão presentes no Brasil, com investimentos modestos comparados ao aportados pela Mapfre no Brasil desde 1992, quando adquiriu a Vera Cruz Seguradora, seguido pela participação na Nossa Caixa Vida e Previdência e mais recentemente na parceria com o Banco do Brasil, maior banco do país.
Segundo Huertas, a situação que se vive na Europa é dramática. O que se iniciou em subprime nos Estados Unidos se transformou em falta de credibilidade no sistema financeiro que atingiu o mundo todo. “Na Espanha, a situação se agravou com a instabilidade mundial. Grécia e Irlanda tem problemas diferente da Espanha. O governo espanhol está tomando medidas adequadas para sair de tal situação”, afirmou, citando que o país apresenta um dos maiores índices de crescimento de exportação no mundo. “Somos otimistas com a situação espanhola, com o apoio do BCE ao pais e cerco aos especuladores. Com isso, acreditamos na queda do desemprego e na volta da Espanha a uma situação econômica positiva”.
Huertas faz questão de afirmar que a Mapfre é uma investidora de longo prazo, sem especulação. “São investimentos relevantes para os acionistas, dentro de um projeto prudente e que será crescente na medida que for necessário”, disse. No Brasil, a Fundacion Mapfre desempenha um importante papel para ajudar o desenvolvimento do Brasil. “Temos pleno compromisso com o país. A operação local é plenamente reconhecida na matriz. Queremos que o desenvolvimento técnico e profissional do Brasil seja levado para a Espanha e vice-versa”, ressaltou.
O Brasil tem um peso considerável para o grupo espanhol atingir a meta de ser o número um na América Latina, posto ocupado hoje pela Bradesco Seguros. “A primeira viagem do nosso presidente ao Brasil demonstra a confiança dos investidores pelo país e isso nos traz uma grande responsabilidade diante do desafio de desenvolver a indústria de seguros brasileira, que tem um grande potencial para atingir um patamar mais relevante do PIB brasileiro, hoje em 3,5%, considerado pequeno diante da media mundial de 7%”, ressaltou Toneto, presidente da Mapfre Brasil.
Atuar em saúde complementa o portfólio de produtos no Brasil. “Somos o primeiro grupo segurador no Brasil nos ramos em que atuamos, sem considerar ainda saúde”. Toneto citou que o grupo é o primeiro em vida, segundo em seguros gerais e segundo também em automóveis, com receitas de R$ 10 bilhões e lucro de R$ 850 milhões consolidados em 2011. No primeiro trimestre deste ano, a operação brasileira chegou a faturar R$ 3,6 bilhões e registrar lucro líquido de R$ 202 milhões. “Esses números levam a projeções otimistas, como a operação brasileira representar 20% dos resultados mundiais do grupo em 2012, dois pontos percentuais acima da participação em 2011, o que representaria 5 bilhões de euros.
Segundo Toneto, há muitas oportunidades a serem exploradas no Brasil, tanto via a operação da Mapfre independente como no contexto do ganho de sinergia da parceria com o Banco do Brasil, finalizada no segundo semestre do ano passado. No Brasil, a Mapfre atua em seguros e linhas financeiras com previdência e gestão de ativos, tem a parceria com o grupo BB Mapfre, além de operar com resseguro, assistência 24 horas, empresa de gestão de risco e também uma seguradora de garantia estendida e uma empresa de títulos de capitalização. Tem também a presença da Fundacion Mapfre, acionista controlador do grupo, e a Itmap, empresa responsável por serviços de gerenciamento de risco.
Um dos pontos fortes do grupo é a capacidade de distribuir seus produtos. São 14,8 mil corretores e diversos canais de vendas do BB, como agências, call center e cartões de crédito, meios que geram mais de 12 milhões de cotações por ano.Em afinindades, a Mapfre no Brasil tem mais de 80 empresas parceiras, de farmácias a funerárias, que ajudam a levar os produtos financeiros a população de menor renda. “Não poderíamos ter parceiros melhores do que os corretores e os canais do BB para levar a Mapfre a ser líder absoluta no mercado brasileiro”, afirmou Antonio Huertas, já muito habituado a entender o português.

















