BID promove seguro que garante retorno de investimentos de PMEs em eficiência energética

O seguro poderá ser oferecido também em parceria com bancos privados

Fonte: BID

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) promove a partir de hoje no Brasil o Programa ESI (Seguro de Economia Energética, na sigla em inglês), cujo pilar central é uma apólice que garante o retorno financeiro de projetos de eficiência energética e de instalação de geração de energia fotovoltaica (de painéis solares).

O seguro prevê o pagamento do valor correspondente à redução no consumo de energia (para projetos de eficiência energética) ou à geração elétrica (para instalações fotovoltaicas) previstas em contrato, caso esses indicadores não sejam atingidos por problemas de desempenho do projeto ou dos equipamentos envolvidos. É o que o mercado chama de “seguro de performance energética”, já existente na Europa, mas ainda incipiente no Brasil e nos países vizinhos.

“Muitas vezes, projetos relevantes, por exemplo, de instalação de painéis solares, são postergados por medo de os investimentos não gerarem economia. Ao garantir o desempenho desses projetos, queremos incentivar o crescimento de um mercado com potenciais óbvios em termos ambientais e econômicos, sobretudo para as pequenas e médias empresas”, diz Morgan Doyle, representante do Grupo BID no Brasil.

As PMEs foram elencadas como prioridade para o programa pelo BID devido a seu peso na economia do país. Estratégicas para a economia nacional, essas empresas representam 99,5% das empresas e 58% dos empregos formais no Brasil e podem ganhar espaço no orçamento ao otimizarem seus custos com eletricidade. No Chile, país em que o BID já promove o ESI, um estudo aponta que a energia elétrica corresponde a até 20% dos gastos operacionais de médias empresas – que ainda assim postergam investimentos em eficiência energética devido à falta de conhecimento ou de visibilidade do potencial de economia.


Acompanhamento e parceria com a ABNT
Além do seguro, o programa contempla acompanhamento do pré-projeto, da instalação dos equipamentos e da mensuração do desempenho durante um período de até cinco anos. Esse suporte é feito em parceria com a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), o que confere consistência metodológica à iniciativa.

A contratação do seguro é feita com seguradoras conveniadas ao programa – atualmente, há uma empresa no Brasil, a Invest, e o papel do BID é apenas o de indutor deste mercado. O tomador do seguro é o fornecedor das soluções energéticas, e o beneficiário é a PME (uma loja ou uma pousada, por exemplo) que contrate os serviços de eficiência ou de geração energética.

O seguro poderá ser oferecido também em parceria com bancos privados que, com a garantia oferecida pelo modelo, terão mais segurança para oferecer crédito para investimentos em eficiência energética. O BID está aberto para apoiar os bancos interessados em adotar o seguro em suas operações.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, a capacidade instalada de geração de energia solar no Brasil saltou 67% entre 2019 e 2020, chegando a 7.675 megawatts. Com o aumento de segurança em relação a esses projetos, o BID espera acelerar o ritmo desta expansão, além de incentivar o financiamento por parte de bancos locais a iniciativas desse tipo.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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